christopher_setagawa haruka Setagawa

"Cada um de nós sacou uma arma do bolso, mirou na própria cabeça, e com as mãos permanentemente entrelaçadas, atiramos. Foram dois únicos tiros certeiros e fatais. Aquele foi o nosso adeus."


Fanfiction Todo público.

#yaoi #Ereri #Shingeki_no_Kyojin
Cuento corto
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Capítulo Único

Eu era um ladrão, um contrabandista, um mafioso. Eu era Levi Ackerman. Alguém que fora abandonado pela sociedade, não passava de um mero poço de decepções. Vivia no luxo, uma vida desejada por muitos..

Exceto pelo fato de ser o segundo líder de uma das máfias mais perigosas e procuradas do submundo da Muralha Rose.


Era temido por todos. Pique de matador, fama de assassino, apelidado de bestial — já que algumas pessoas comparavam-me com uma besta feroz— , perdia apenas para Erwin Smith, conhecido como o famoso titan do submundo. Ele era o número um. O líder supremo de toda aquela gangue de pessoas sujas.

Sujas em vários sentidos. Aquilo me enojava!  


Eu tinha uma reputação muito bem zelada, ninguém ousava sequer tomar o meu lugar. Desafiar a mim — o famoso Bestial—, era o mesmo que implorar por suicídio. Perdão é algo que não se encaixa no mundo em que vivemos. Piedade? Piedade nem pensar. 

Mataria quem entrassem em meu caminho, não importa quem fosse.


Eu era um demônio.

 Tinha o coração mais duro que pedra, mais frio que a própria Muralha Rose em seus dias de inverno.

Pensava eu que poderia levar o resto da vida daquela forma.

Tsch!

Eu estava errado.


Cometi um grande erro — o maior— que acabou tomando minha vida como conseqüência... Eu me apaixonei.


O completo oposto que eu, seu nome era Eren Jaeger, tinha 25 anos, 15 anos mais jovem que eu.

Um mero pirralho diante de mim!


Mas ele também não era alguém comum, — assim como eu— seu trabalho o deixava exposto ao perigo diariamente. Aos olhos de qualquer pessoa, não passávamos de meros rivais. Inimigos por natureza intitulados assim pela própria sociedade.


Era como o herói e o vilão.

No caso

Ele era o herói, eu o vilão.

Ele era da polícia, eu da mafia.


Levavamos a vida de maneiras completamente opostas, vivíamos em mundos completamente diferentes. Não tínhamos absolutamente nada em comum.


Nós nos encontrávamos frequentemente nos "campos de batalha", chegava até a ser engraçado expressar dessa forma.

Sua meta era tirar minha vida.

Minha meta era tirar sua vida.


Quem disse que conseguiamos?


Eramos covardes?

Talvez fossemos.


Eramos idiotas por amarmos tanto um ao outro mesmo que isso não nos fosse permitido?

Com certeza.


Você deve estar se perguntando?

Como isso aconteceu??

Ha, bem.. Simplesmente aconteceu, caramba!


Em um de nossos confrontos, ocorreu uma puta emboscada — por parte da polícia — , Naquele dia, algo em mim mudou. Algo nele mudou.

Eu conquistei seu coração.

Ele conquistou meu coração.

Foi algo tao clichê que chega a ser enjoativo. Mas essa é a mais limpa e pura verdade.


...


Jaeger apontava o cano de sua arma para mim, mirando em minha cabeça. E eu? Eu fazia o mesmo. Poderíamos muito bem ter morrido naquele confronto.. Em uma noite fria como gelo, mas não foi isso que aconteceu.


Naquela altura do campeonato, eu já estava ciente de meus sentimentos. Sentimentos até então desconhecidos para mim, mas que se tornaram mais claros, puros e transparentes que o próprio cristal.


Minha boca pronunciou-se sem que eu percebesse — sem que eu permitisse— soltando palavras que jamais pensei que ousaria pronunciar.


Em alto e bom som, aquela frase saiu.

Eu te amo.


Era tão.. Singelo e tão belo. Não eram palavras para alguém como eu. Me senti envergonhado pela primeira vez na vida. Morrer parecia uma ótima opção.


Ah! Aquele dia foi inesquecível!


Consegui ouvir de imediato um "eu também te amo" que fora direcionado a mim pelo Jaeger. Aquilo calou meus pensamentos de uma forma tão agressiva que senti todo meu corpo arrepiar.


Foram aquelas palavras.. Aquelas poucas palavras, que fizeram meu coração frio, aquecer violentamente como uma fornalha pela primeira vez na vida.

Seria lindo, se não fosse triste.



...

Passamos a nos encontrar as escondidas e evitar confrontos diretos um com o outro — seria impossível ambos nos atacarmos, mesmo que fosse apenas fingimento . 

Era um amor proibido, que aumentava cada dia mais, e doía da mesma maneira — ou até mais— , muito clichê!


Não me canso de dizer que nós não eramos normais. Doía, mas nosso amor jamais poderia ser normal. Queríamos andar de mãos dadas, nos abraçar, nos beijar, queríamos fazer tudo que as outras pessoas faziam — em público — e muito mais.

Mas não podíamos.

Eramos dois homens.

Nossos cargos perante a sociedade gritavam mais alto.

Eram tantos obstáculos.

 Obstáculos estes, que não poderiam ser quebrados.


Ele era meu, e eu dele, me doía não poder ser alguém bom o suficiente para Jaeger. Pela primeira vez na vida, me arrependia por ser um criminoso.


Passamos longos cinco anos entre o amor e a dor, e quando finalmente achamos que estava tudo indo bem.. Nos tornamos procurados.

Acusados de conspiração contra a polícia/Máfia.. Aquilo foi o fim pra nós — literalmente o fim.


De certa forma, era como se tivessemos declarado nosso amor abertamente a todos, mesmo que nenhuma palavra tivesse sido pronunciada, nossas ações falaram por sí só.

Em uma briga costumeira entre a polícia e a máfia — de forma sincronizada —, um dos policiais ajudantes tentara me esfaquear pelas costas, enquanto um dos subordinados de Erwin — que no momento, seguia minhas ordens devido a ausência do líder n°1 — fazia o mesmo com Jaeger.


Se aquilo foi armação ou não, isso não sei responder. Tudo que sei é que deixamos nossos corações falarem mais alto naquele momento — esquecendo o fato de estarmos agindo em público —  e matamos ambos, o policial ajudante e o subordinado.


Não sei quem mandou aquele ordinário tentar matar o Jaeger. Mas já não importava mais. 

Já tínhamos agido. 

Já havíamos cometido mais um erro.. Não tinha escapatória, aquela foi a gota d'água.


Sem muitas opções restando, nós decidimos fugir. Agora éramos fugitivos que levavam o nome de traidores. Não só o líder da polícia — Dot Pixis — como também o líder da Máfia — Erwin Smith/Titan — , decidiram entrar em ação.


Minha cabeça fora colocada a prêmio, assim como a de Jaeger também. Perdi a noção de quanto tempo ficamos naquele estado. Queria eu que Eren Jaeger tivesse entrado para a mafia, mas o mesmo era um homem da lei. Mesmo que ele me amasse, havia jurado lealdade a muralha Rose diante de todos. Eu não o culpo por recusar a minha oferta de virar meu secretário particular dentro do submundo, afinal, eu sabia que no fundo eu era o único egoísta.


O mesmo tinha dois irmãos — de crianção — , Mikasa e Armin.. Séria o fim da linha para os dois caso as gangues submundas descobrissem o envolvimento de Jaeger com a polícia. Não deixaria meu egoísmo falar mais alto, eram muitas coisas em jogo para o homem que eu amava.



As vezes eu me pergunto.. E se nossos papéis fossem invertidos? Se eu fosse o policial e ele o criminoso, teria sido diferente?

Teria sido mais fácil? Talvez sim,afinal, fora a vida eu não tinha nada a perder.

Eu gostaria de ter descoberto a resposta.


 


Nossos rostos estavam estampados em cartazes que foram espalhados por toda a muralha — Rose — , as televisões só falavam sobre nós, e as manchetes de jornal queimavam nossas fitas mais ainda. Escapar não era uma opção. Nossos nomes expandiram-se muito além da Muralha. Os locais vizinhas — Maria e Sina — proibiram nossa entrada, Rose proibiu nossa saída. O atual sistema era bastante rígido, seria pena de morte na certa!


Nosso amor?


Permanecia o mesmo enquanto o perigo só aumentava.

Viver se tornou um crime.


...

Nos encontrávamos em uma situação deplorável, estávamos encurralados feito ratos em um bueiro, meros piões prestes a parar de rodar. Cada passo que dávamos precisava ser  minuciosamente calculado, sair em plena luz do dia estava fora de questão. Estávamos gradativamente chegando ao verdadeiro fundo do poço, nós nos sentíamos acabados em vários sentidos.


Um dia sem chorar para Jaeger, não era um dia. Ele era um adulto, mas era frágil como um papel. Salvavam-se apenas os momentos de amor e carinho que tínhamos juntos.


Ou melhor, que conseguiamos ter juntos.

Eu simplesmente acabei com a vida dele,destruí tudo o que ele havia construído com muito esforço e trabalho duro. Arranquei Jaeger de uma vida cheia de benefícios, reconhecimento acompanhado de um futuro próspero e o coloquei em uma vida miserável ao meu lado.. Eu fui o pior!


Mas.. Mesmo assim, ele não me culpava, me amava e me consolava com todas as forças que possuía — apesar de ser um pirralho chorão.



Por um milagre divino, eventualmente achamos um lugar escondido que ficava isolado dos demais habitantes de Rose. Aparentemente era uma casa velha e suja, eu diria que não entrava ninguém alí a décadas.. Ficava localizada no meio de uma imensa floresta, e nos proporcionou a proteção que precisávamos — por hora.

A casa em si não era o problema principal, mas sim, o fato de mesmo que estivéssemos protegidos... Não conseguiamos ter paz. Nossos corpos relaxavam, mas nossas mentes prosseguiam completamente devastadas.


A cinco anos atrás, sonhavamos em ter uma família, fugir, recomeçar de maneira certa, e olha aonde chegamos. Nem em sonhos, poderíamos ter a verdadeira felicidade — aquilo era inútil. 

Mesmo que esquecessemos, o passado não sumiria. Não iria embora. Não desapareceria.


Ele continuaria lá, apenas esperando uma brecha em um momento de fraqueza para ressurgir da pior forma possível.

Era uma tortura.


...

Já não dava mais.. Continuar vivendo era impossível, deus havia desistido de nós, não tínhamos tempo para essas merdas de arrependimentos, era perda de tempo, nossas vidas estavam por um tris.


Eventualmente seríamos encontrados.. E quando essa hora chegasse, não haveria resistência que nós ajudasse.


Achávamos que a melhor coisa a se fazer era morrer, céu ou inferno não nos importava nem um pouco. 

Queríamos apenas estar juntos, não importava aonde fosse, não importava como fosse, mesmo que fosse um pecado, desejavamos isso. Mas tínhamos medo. Medo da morte.


Queríamos morrer... Mas temiamos a própria morte. Como pode isso?

Continuavamos a ser dois covardes.


Quem diria que eu.. Logo eu, passaria por algo tão insuportável. Quem diria que viraria um medroso de merda, um apaixonado incontrolável, que morreria por algo como aquilo.


Depois de muito, nosso esconderijo finalmente foi encontrado. Não posso dizer que estávamos surpresos, na verdade, nós já esperávamos por aquilo. Nunca imaginei que Pixis e Erwin trabalhariam juntos só pra nos capturar. Não fode! Não éramos tão perigosos assim.. Pelo menos não mais. Nossos dias de matança haviam acabado a muito tempo.


Aquele era sem dúvidas o empurrão que precisávamos, ou melhor, o empurrão que ativou a coragem que precisávamos. Armas prontas para atirar, olhares ferozes mostravam nojo e ódio que parecia penetrar o mais profundo da alma, eram direcionados a nós.


Era chegada a hora.


Eu morreria por ele. Ele morreria por mim.


Seguramos a mão um do outro e como num sussurro, pronunciamos nosso último "eu te amo" em uníssono, seguido de um último beijo que mesmo doloroso, continuava cheio de amor.


Tao clichê!


Cada um de nós sacou sua arma do bolso, mirou na própria cabeça, e com as mãos permanentemente entrelaçadas, disparamos. Foram dois únicos tiros certeiros e fatais.


Aquele foi o nosso adeus.


Uma morte doce como mel e ao mesmo tempo amarga como limão.


 

26 de Febrero de 2018 a las 22:05 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

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haruka Setagawa Para meu seco coração, você era como a água da vida. Quanto mais eu bebia, mais percebia... O quão seco eu era.🌸

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