À três (2016) Seguir historia

alicealamo Alice Alamo

A mão dele subiu pelo meu abdômen e peito, segurando meu queixo e virando meu rosto para o lado, quebrando meu beijo com Sakura para iniciar um com ele. A delicadeza do beijo dela contrastava com a dominância e a possessividade do dele. Não era bruto, mas, enquanto com Sakura eu seduzia, com Itachi eu era seduzido, completamente seduzido.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 21 (adultos). © Todos os direitos reservados

#romance #threesome #incesto #naruto #ua #hentai #ItaSasuSaku #pwp #Itachi-Sasuke-Sakura
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Capítulo 1


21:35

Cheguei em casa. Tranquei a porta. Abri os primeiros botões da camisa. Acendi a luz da sala. Acionei o alarme da casa.

Fiz tudo como sempre faço. Nada fora do comum.

O dia todo havia sido daquele modo... Monótono. Tinha acordado antes de Itachi e Sakura, saindo lentamente do abraço apertado de meu irmão enquanto retirava minha namorada de cima do meu peito. Havia passado café enquanto me banhava e, como normalmente acontecia, Itachi acordou em seguida, quando eu já estava sentado à mesa para comer.

Ele me viu, sorriu sonolento enquanto bagunçava os fios negros do cabelo e, então, acariciou meu rosto antes de se sentar e encher um copo do suco de laranja que eu havia comprado no dia anterior. Nosso silêncio foi quebrado por um xingamento baixo seguido de um resmungo dengoso. Sakura. Desajeitada como sempre. Ela sorria, passando por nós e deslizando as mãos pelo meu cabelo para depois fazer o mesmo com o de Itachi, apoiando-se nele ainda com sono.

Meu irmão suspirou, fechando os olhos, sereno, e só voltando a abri-los quando me levantei, arrastando a cadeira pelo chão.

— Volto tarde.

— Vai poder vir almoçar? — Sakura coçou os olhos.

— Não.

Ela abaixou o olhar e suspirou antes de forçar um sorriso para me dizer que compreendia.

E lá vamos nós de novo...

Soltei as chaves do carro e a carteira e voltei a me aproximar dela. Passei as mãos pela cintura fina, sentindo o tecido suave da camisola sob meus dedos. Ergui uma mão, acariciando a pele branca e macia, segurando-lhe a nuca.

Os olhos verdes desceram dos meus para os meus lábios e sorri de canto ao vê-la corar. Deslizei meus dedos pelo cabelo rosa, segurando-o com firmeza enquanto encostava minha boca a dela lentamente.

Gelado. Ela havia bebido suco de laranja como Itachi, mas sua boca continuava doce como sempre. Suas mãos passaram pelo meu pescoço e arranharam preguiçosamente minha nuca.

De repente, senti-me quente...

Outro par de mãos seguravam meus quadris, mantendo-me parado. O calor do corpo a frente era tão bom quanto a do corpo atrás de mim. Suspirei ao sentir beijos depositados em meu pescoço, subindo ao meu ouvido.

— Vai se atrasar, otouto — Itachi sussurrou.

A mão dele subiu pelo meu abdômen e peito, segurando meu queixo e virando meu rosto para o lado, quebrando meu beijo com Sakura para iniciar um com ele. A delicadeza do beijo dela contrastava com a dominância e a possessividade do dele. Não era bruto, mas, enquanto com Sakura eu seduzia, com Itachi eu era seduzido, completamente seduzido.

Não importava que já estivéssemos naquele relacionamento a três há quatro anos. Não... Eu sempre voltava a ser um garoto delinquente do colegial quando estava com Sakura, do mesmo modo que voltava a ser uma criança perdida com Itachi.

Beijei-o, ou melhor, fui beijado. Os lábios quentes mantinham a minha boca submissa. Minha pele se arrepiava com os beijos molhados que Sakura deixava em meu pescoço, demorando-se sobre meu pomo-de-Adão.

— Vai se atrasar, Sasu — Ela mordiscou o lóbulo da minha orelha.

Diminui o beijo com Itachi, mesmo que contrariado. Ele riu de leve quando não o deixei se afastar por completo e ainda exigi seus lábios novamente em curtos selinhos.

— Tentarei chegar antes das nove — sussurrei, limpando a garganta para, enfim, me afastar daqueles dois.

Itachi me encarou. Os olhos negros me diziam que ele me cobraria aquilo. E com razão! Já fazia um mês que eu tinha aceitado ajudar na enfermagem da emergência e que, por isso, não possuía horário para chegar em casa.

Sakura não havia gostado, não havia gostado mesmo. Como escritora, ela trabalhava em casa e, comigo fora e Itachi trabalhando na agência de publicidade e propaganda, ela passava a maior parte do dia sozinha agora. Antes, Itachi trabalhava das oito às quatro da tarde enquanto que eu saía às cinco da tarde e só voltava às duas ou três da manhã. Mas sempre havia alguém em casa com ela. Não era de se estranhar que Sakura estivesse se sentindo sozinha por mais que tentasse disfarçar.

Saí de casa antes que a visão de Itachi sentando Sakura sobre o balcão da cozinha me fizesse desistir de trabalhar naquele dia.

— Atrasado de novo? — Naruto riu quando cheguei no hospital. — Seu irmão te atrasou? Já te disse que é melhor você apressá-lo no banho ou Kakashi irá começar a pegar no seu pé. Nosso querido chefe está um tanto quanto estressado ultimamente.

— Perdi a hora — menti.

Não dava para explicar, não é? Apesar de Naruto ser meu melhor amigo há anos, não tinha como explicar facilmente que eu namorava meu irmão e minha melhor amiga ao mesmo tempo.

Era um inferno...

Desde que tinha dezesseis anos, sabia que sentia algo por Itachi que não se encaixava nos padrões que me haviam sido apresentados. E ele tinha noção disso também. Sempre senti seus olhares, sempre me arrepiei com sua voz, sempre tremi com seus toques por mais singelos que fossem e sempre me vi à mercê das vontades dele. Mas Itachi era, e ainda é, calculista demais. Ele nunca fez nada, esperou até meus dezoito anos para me convidar para morar consigo. Na época, eu estava gostando de Sakura, e ela namorava Naruto (ou tentava). Eu precisava aturar aqueles dois por ser um bom amigo. Quando eles davam “um tempo”, Sakura e eu mantínhamos uma amizade colorida, mas nunca chegando mesmo a transar. Nem preciso dizer que meu humor vivia péssimo, não é? É, não só o humor, mas minha personalidade como um todo! Eu era insuportável, admito.

E foi nessa fase de rebeldia e frustração que fui morar com meu adorado irmão...

Admitam, o mundo conspira para essas coisas acontecerem, não? Era tão óbvio que não ia prestar que não me envergonho em dizer que era exatamente o que eu queria.

Nas duas primeiras semanas, agimos normalmente, como fizemos a vida toda. Mas, em um sábado, depois de eu ter ficado o dia todo suportando aquele namoro de Sakura com Naruto, simplesmente surtei.

A melhor coisa que fiz na vida...

Sábado, dez da noite, cozinha, em cima da mesa de café da manhã, de modo afoito e completamente intenso, três vezes, sem me importar com o barulho ou com o que de fato estava fazendo, transei com meu irmão mais velho.

Não temos como culpar a bebida, não temos desculpa alguma para o que fizemos e para o que voltamos a fazer dia após dia. E não precisamos de uma! A justificativa é simples, tão simples que não precisaria ser verbalizada ou registrada de qualquer forma, mas sinto prazer em fazê-lo: Itachi me amava, e ainda ama, do mesmo modo e na mesma intensidade que eu o amava.

Mas assim? Do nada? Claro que não. Acho que sempre o amei. Itachi é perfeito, difícil não se apaixonar por ele, acreditem. Ainda tivemos aquela época de negação, de nos culparmos um pouco pelo relacionamento que estávamos desenvolvendo, mas o meu lado rebelde se ajustou perfeitamente ao lado ciumento e possessivo de Itachi, o que explicava o meu “foda-se” para o mundo e a incapacidade de meu irmão de me afastar e permitir que eu seguisse minha vida sem ele.

Depois de dois anos namorando Itachi, Sakura terminou com Naruto. Na época, havia sido um término bem conturbado... Tudo bem que o namoro deles já não era lá essas coisas, ela passava muito mais tempo comigo que com ele, mas não justificava Naruto tê-la simplesmente trocado. É... Me lembro disso... Óbvio que sabia que meu melhor amigo já estava mais do que apaixonado pela professora de seu sobrinho. Naruto era fácil de se ler, um livro aberto jorrando seu conteúdo em você. Não foi nem um pouco difícil entender que não amava mais Sakura.

Ele não chegou a traí-la, é muito correto para coisas desse tipo. Mas ela o vira conversando com Hinata, a professora. Eu estava com ela nesse dia e também vi o modo como Naruto olhava Hinata, segurando as mãos dela, ajudando-a com pequenas coisas e sorrindo abertamente. Era mais do que óbvio o que acontecia ali, embora eu tenha certeza de que ele próprio não tinha ciência sobre o que sentia.

Sakura também percebeu o mesmo que eu infelizmente.

Foi um inferno. Ela se sentiu traída, magoada e, com seu gênio forte, descontou todas as frustrações do mundo em Naruto a ponto de simplesmente arrumar as malas e deixar às pressas o apartamento que dividiam.

E eu? Bem... Eu não fiz nada. Ah, claro, o que vocês queriam que eu fizesse? Saísse em defesa de Naruto? Dissesse “olha, ele não te traiu e você sabe que seu namoro já estava uma merda, né”? Não... Pelo menos, não com ela nervosa daquele jeito. Apanhar de Sakura dói bastante, ok?

— Eu... ah, que droga... — Ela soluçou, limpando com força as lágrimas que escorriam. — Droga, droga, droga, droga!

Permaneci em silêncio, vendo-a andar de um lado para o outro dentro do elevador, sussurrando e xingando a própria sorte.

— O que vai fazer? — perguntei quando ela me olhou.

Acho que foi só naquela hora que Sakura entendeu o que havia mesmo feito e suas consequências. Os pais dela haviam se mudado para o interior assim que ela entrara na faculdade de letras, e ela morava com Naruto desde então. O que significava que não possuía nenhum parente próximo ou uma casa para onde voltar.

— Merda! — ela gritou, cobrindo o rosto com as mãos enquanto chorava.

Puxei-a para perto. Odiava ouvi-la chorar daquele modo. A cabeça dela repousou no meu ombro, e eu a abracei com força, sentindo as mãos dela segurarem minha camisa de modo desesperado e as lágrimas molharem o tecido.

Tinha plena ciência de que Itachi não gostaria nada do que eu faria, mas, quando me dei conta, já havia dado meu endereço ao taxista, vendo Sakura chorar silenciosamente enquanto eu acariciava os cabelos longos dela.

Admito, nunca fui bom em negar algo para mulheres chorando, o máximo que conseguia era ignorar e fingir que não havia ouvido, mas negar, com todas as letras, era um tanto quanto difícil. Quer dizer, óbvio que o fato de ser Sakura em meus braços também influenciava bastante... Qual é?! Havia sido apaixonado por ela durante todo o colegial e, por mais que quisesse negar, duvidava que aquele sentimento estivesse enterrado. Não, no máximo estava escondido em algum lugar, esperando o momento correto de se manifestar.

Itachi franziu o cenho ao ver Sakura entrar em nosso apartamento, e eu soube o quão ferrado estava quando ele me olhou.

Tive medo naquele dia. Minhas mãos suaram, meu coração acelerou, meu sangue gelou, correndo lentamente, causando-me aquela sensação horrível de queda de pressão. Medo puro.

Aqueles olhos negros me encaravam reprovadores, sérios, e a gentileza que Itachi demonstrou a Sakura só me deu a certeza de que a conversa que teríamos seria extremamente difícil.

Sakura ficou no meu antigo quarto, e dei a desculpa que dormiria no de Itachi para dar mais privacidade a ela. Nesse dia e no seguinte, meu irmão não falou comigo, evitou-me ao máximo. Ele demorava no trabalho, estudava e fazia suas pesquisas no mesmo cômodo que Sakura para me impedir de conversar com ele. À noite, saía com os amigos sem dar a hora em que voltaria ou dizer para onde estava indo. Muitas vezes, eu enrolava na faculdade com a esperança de chegar em casa com ele me esperando, porém isso nunca aconteceu...

Foi assim durante uma semana até que Sakura saiu no sábado para terminar de buscar suas coisas no apartamento de Naruto, e, dessa forma, pude ter um tempo sozinho com meu irmão.

Aliás, para isso, tive que ser rápido. Logo quando Sakura saiu, Itachi arrumou alguns papéis na mochila e se preparou para deixar o apartamento também. Nunca me levantei tão rápido do sofá... Praticamente corri até Itachi. Segurei seu casaco, puxando-o para trás para poder abraçar suas costas.

Fazia sete dias, nove horas e quarenta minutos que ele não me olhava como antes, que não me tocava, não me beijava, não falava direito comigo. E doía... Doía mais do que eu imaginara que pudesse doer. Merda, eu sentia falta dele! Sentia falta de dormir podendo ter a certeza de que ele me acordaria antes de sair, beijando-me de leve, rindo de meu sono, sussurrando um “eu te amo” antes de sair.

— Aniki... pare, por favor...

Lembro exatamente de ter dito isso porque foram as únicas palavras que saíram de meus lábios com facilidade. Estava tão apavorado, tão carente de seu afeto, de sua atenção, que só consegui implorar sofregamente que ele não deixasse naquele momento.

Os ombros dele relaxaram, pude senti-los cair. Ouvi o trancar da porta e me assustei com a brusquidão com que ele me obrigou a soltá-lo e com que me empurrou contra a parede.

Apertou minha cintura e nuca, mantendo-me parado enquanto aproximava-se de mim com raiva. Os olhos estavam fechados, ele mordia o lábio inferior com força ao colar a testa à minha. Eu entendia aquele gesto. Itachi sempre fazia exatamente aquilo quando se forçava a se controlar, quando estava com tanta raiva a ponto de explodir!

Toquei seu peito, hesitante, segurando sua camisa para não o deixar se afastar. O perfume dele me envolvia e só me dava mais noção do quanto aquela proximidade me havia feito falta.

— Você a trouxe para nossa casa... — ele sussurrou dolorido, e pude ver a mágoa no olhar dele quando enfim ele me olhou. — Você realmente a trouxe para nossa casa...

— Itachi...

— Por quê? — Ele balançou a cabeça sem entender, segurando meu rosto entre suas mãos.

— Ela terminou com Naruto... não tinha para ond...

— Mentira! — ele me interrompeu nervoso. — Não minta parra mim, Sasuke! Não para mim! — gritou se afastando.

Vi-o andar de um lado para o outro, passando as mãos pelo cabelo comprido. Tentei dizer algo, abri a boca várias vezes sem que nada fosse dito. Itachi era meu irmão, meu amante, meu namorado, ele sabia identificar cada mentira que eu deixava escapar, então era inútil tentar.

— Você trouxe a mulher por quem era apaixonado para nossa casa — Riu sem humor, encarando-me sério. — Quero saber por que e, se mentir de novo, quebro sua cara, otouto.

— Sakura é minha amiga e é só isso. Não há motivo para se preocupar, não há motivo para ficar tão nervoso comigo. Assim que ela achar outro lugar, ela se muda.

Eu realmente tentei soar firme, tentei convencê-lo daquilo assim como a mim mesmo. Porém era com Itachi que estava falando... Ele arqueou a sobrancelha antes de ficar sério, indiferente e se aproximar.

— Uma amiga? — ele ironizou, segurando meu ombro com uma mão e meu cabelo com a outra. — Para quem você acha que está mentido, Sasuke? Para mim ou para você?

— Não estou...

— Cala a boca... — interrompeu-me baixo, sussurrando frio. — Já vi como trata seus amigos e não é como a trata. Porra, Sasuke, você praticamente se voluntariou a ajudá-la com o trabalho da faculdade! Quando Naruto quebrou a perna e ficou aqui por um mês, nem pegar um copo d’água você pegava! Então não me venha dizer que ela é uma amiga... O que sente por ela?

Arregalei os olhos. Minhas mãos apertavam a roupa de Itachi enquanto a respiração quente dele tocava meu rosto. Seus olhos não se decidiam entre me olhar com raiva, mágoa ou frieza. E nenhuma dessas opções me agrava. Meu coração batia forte, acelerado, de forma assustada enquanto eu não sabia o que responder.

Tremi. Tremi quando Itachi me encarou triste, percorrendo toda a minha face com os dedos sutilmente. Meus olhos lacrimejaram ao ouvi-lo suspirar derrotado. Os lábios quentes se encostaram na minha testa enquanto a mão dele se infiltrou no meu cabelo, acariciando com lentidão. Fui abraçado. O silêncio dominando o apartamento todo, e eu estava apavorado, sem saber o que aconteceria quando ele fosse quebrado.

Envergonhado. Sentia-me completamente envergonhado e acuado. Enterrei minha cabeça no peito dele, abraçando com força seu tronco. Faltava coragem para olhá-lo, faltava coragem para admitir a mim mesmo que eu era um filho da puta por o estar fazendo passar por aquilo.

Minha mente ficou confusa, meu coração, apertado e, como sempre acontece quando estou com Itachi, minhas defesas caíram, minhas máscaras foram ao chão e eu não consegui segurar as malditas lágrimas que ocupavam meus olhos.

Itachi suspirou, apertando-me mais antes de me conduzir até o sofá, deixando que eu sentasse em seu colo enquanto o choro vinha.

Os dedos brincavam com meu cabelo, e eu ouvia as batidas de seu coração. Aos poucos, elas me acalmavam, traziam uma paz morna e reconfortante que eu soube que não mais teria quando Itachi me afastou com cuidado, segurando meu queixo entre o indicador e o polegar. Ele sorriu melancólico, aproximando nossos rostos e me beijando de forma lenta.

— Volto à noite. Não me espere acordado — disse ao me colocar no sofá, roubando um segundo beijo mais profundo.

Assisti a ele pegar o casaco e sair do apartamento. Pelo menos, ele havia, diferente da última semana, dito quando voltaria.

Só que não voltou...

Eu esperei e, quando o sol começou a entrar pela janela, percebi o tamanho da merda que havia feito.

Itachi não voltou nem naquele dia, nem no outro, nem no outro. Não atendia minhas ligações, seus amigos me evitavam, muitos nem sabiam onde ele estava. A maior parte das roupas dele havia sumido. Provavelmente, ele havia ido buscar enquanto eu estava na faculdade.

É... Itachi tinha me abandonado. Difícil até hoje acreditar que, de nós três, ele foi o que mais deu trabalho.

Sakura estranhou a ausência dele, e eu não tocava no assunto com ela. Era difícil mentir para ela, era difícil não ceder a ela, por isso não respondia suas perguntas e fingia que estava tudo bem. Contudo, Sakura é estranhamente perceptiva. Ela me entende, me enxerga, ela, assim como Itachi, sabe ver minhas emoções por debaixo de qualquer máscara.

— Você está péssimo — Sakura depositou uma xícara de café sobre a mesa onde eu estudava.

Assenti, pegando a xícara no automático e bebendo de uma única vez.

— Wow! Ok, vamos conversar — Ela sorriu, arrastando a cadeira até o meu lado e se sentando. — O que houve?

— Nada — respondi, seco, sem olhá-la.

A mão morna fechou meu notebook devagar, deixando-me tempo para reagir se eu assim quisesse. Mas eu estava acabado. Sério, sabe quando tudo o que você quer é deitar na cama e esquecer que o mundo existe? Quando tudo o que mais deseja é esconder-se de todos e fingir, por alguns dias, que sua vida está pausada até que você se recupere por completo?

— É Itachi?

Apoiei os cotovelos na mesa e enterrei o rosto nas mãos. Senti a mão dela em minhas costas e apenas concordei.

— Onde ele está? Quer que eu ligue para ele? Ele deve estar no trabalho agora, podemos ir lá e...

— Ele foi embora, Sakura.

Ela piscou confusa, arqueando a sobrancelha em dúvida.

— Embora... para onde?

Ri sem humor, mordendo o lábio antes de respirar profundamente.

— Essa... é uma ótima pergunta.

— Veio um homem aqui esses dias e entrou no quarto dele — ela falou, chamando minha atenção. — Loiro, alto, cabelo comprido e liso com uma franja que cobria metade do rosto. Olhos azuis...

— Deidara. Esse é o Deidara, colega de trabalho. Já imaginava que Itachi estivesse na casa dele.

— Por que ele saiu daqui? Fui eu? Ele não parecia muito bem comigo na casa apesar de não me destratar ou algo do tipo... — Ela olhou pela janela da sala.

— Não, foi outr...

— Você sabe que não precisa mentir ou esconder nada de mim, não sabe, Sasuke? — sussurrou, doce, segurando uma das minhas mãos e tocando o meu rosto. — Eu já sei.

Franzi o cenho, olhando-a desconfiado, e ela riu suave.

— Você me ligou uma vez e eu ouvi vocês dois... — Ela corou. — Bem... Vocês estavam em um momento bem... íntimo. Na época, foi difícil de entender e aceitar, fiquei um mês sem falar com você, lembra? Desculpe, mas eu estava bem confusa — frisou calma, impedindo-me de levantar ao colocar as duas mãos sobre meus ombros e se aproximar. — Depois, com ele te buscando na faculdade todo dia, o modo como você sorria discretamente para ele, como olhava para ele... Acho que seus olhos nunca brilharam tanto como quando você fala de Itachi ou como quando está com ele, Sasuke. Por isso, só aceitei — Deu de ombros. —Você é meu melhor amigo afinal, não tenho direito de te julgar. Agora, me diga, por que Itachi saiu daqui? Vocês brigaram?

— Sakura, sem querer te ofender, mas você é pessoa menos indicada para falar comigo nesse momento... — Levantei-me, sem esperar que ela respondesse.

Minha cabeça doía, latejava, e tinha certeza que faria merda se Sakura continuasse tão perto, sempre tão perto...

— E com quem mais você vai falar? — Ela me seguiu para a cozinha. — Nem Naruto, que é seu melhor amigo, sabe desse relacionamento.

Ignorei-a, tomando água gelada enquanto massageava as têmporas.

Sakura parou ao meu lado, tocando meu ombro. Quis afastá-la, quis desviar dos braços que vinham em minha direção, indo ao meu pescoço e me puxando para um abraço. Quis, mas não fiz.

A pele de Sakura cheirava a rosas, desde que me lembro, sempre cheirava a rosas, era embriagante. Adorava mantê-la perto, inspirar aquele aroma e sentir meu corpo relaxar aos poucos. Acontece que, com ela morando comigo, não era só isso que eu queria fazer...

Meu corpo se retesou quando ela se distanciou minimante de mim para me olhar. Inconscientemente, não consegui tirar as mãos de sua cintura ou desviar os olhos de seus lábios. Ela corou... E como eu amava, e ainda amo, quando o rubor lhe cobre a face! Pude sentir a respiração dela acelerar, ver seu embaraço, notar quando ela, finalmente, olhou para a minha boca como eu fazia com a dela.

— Você não pode me ajudar porque sou apaixonado por você da mesma forma que por ele... — sussurrei, arrastando os lábios nos dela antes de beijá-la.

Dá para acreditar que eu passei a merda da minha adolescência toda e parte da minha vida adulta evitando voltar a beijar Sakura? Nem eu podia acreditar que tinha feito uma merda dessas porque, puta que pariu, como era bom lembrar o quão doce era beijá-la!

A boca dela era macia, movendo-se conforme a minha. Ela suspirava entre um beijo e outro, as mãos bagunçavam meu cabelo e as unhas arranhavam minha nuca enquanto eu a empurrava contra a parede.

Não era só porque eu a queria, tinha plena ciência de que aquilo estava sendo uma válvula de escape, um modo de ignorar, por um momento, a ausência de Itachi e a falta que ele me fazia. Por tudo isso, achava que aquilo não voltaria a se repetir, que eu me desculparia com Sakura e correria atrás de meu irmão, prometendo até mesmo ignorá-la se ele assim quisesse. E, tendo isso em mente, eu quis aproveitar.

Minhas mãos exploravam o corpo dela com a mesma fome que as dela. Apertei cada parte, senti seu calor, toquei-a, beijei-a, tomei-a. Em meu quarto, na minha cama, duas vezes. Ela não recusou. Aliás, Sakura não pareceu pensar duas vezes no que fazia e, quando tudo acabou, não parecia arrependida ou preocupada.

— Você não me deve nada, então pare de me olhar com assim, Sasuke.

— Assim como?

— Preocupado — ela reclamou, levantando-se da cama e se sentando no meu colo. — Agora, você ama a nós dois?

Os olhos verdes dela estavam tão serenos que era difícil de acreditar que ela estava me perguntando aquilo. Como ela podia falar com tanta calma? Como podia continuar me olhando da mesma forma? Como podia me beijar tão tranquilamente mesmo depois de eu confirmar aquela verdade que nem eu mesmo conseguia entender?

Enquanto ela tomava banho, tentei ligar para Itachi várias e várias vezes sem sucesso. Foram tantas tentativas que não percebi quando Sakura já estava vestida ao meu lado, sorrindo abertamente.

— Tome um banho. Vou sair rapidinho. Se arrume.

Me arrumar? Para que?

Não perguntei porque Sakura não permitiu, apenas saiu do quarto com pressa, pegando a bolsa e o celular. Esfreguei os olhos, cansado, levantando-me e indo tomar um banho. Não consegui me dirigir ao meu quarto, não queria. Voltei ao de Itachi, vestindo uma das poucas camisetas dele que ele não havia levado embora (porque estava na minha gaveta, escondida como sempre para eu usar quando ele não dormia em casa).

Fechei as cortinas do quarto e me cobri até a cabeça, fingindo esquecer do trabalho de faculdade que deveria entregar nos próximos dias.

Acordei horas depois. “Rapidinho”. Sakura não sabia e ainda não sabe a definição dessa palavra. Sério. Mas não acordei sozinho, “fui acordado” é a melhor expressão.

Uma mão segurava a minha e outra mexia em meus cabelos, brincando com as mechas e as enrolando com delicadeza. Não abri os olhos. Apenas me remexi, sonolento, ciente de que havia alguém sentado ao meu lado na cama. Ergui-me um pouco, trocando o travesseiro pelas coxas desse alguém.

O perfume era inconfundível. O modo como acariciava meu cabelo e minha mão também, afinal, Itachi fazia aquilo desde que eu era pequeno. Apertei o tecido de sua calça, forçando meu corpo a sentar sem soltar a mão dele.

Itachi me puxou em silêncio, levando-me para o meio de suas pernas onde sentei. Apoiei-me em seu peito, de lado, trazendo a mão dele para meu rosto para poder sentir seu toque.

— Você me abandonou...

— Precisava pensar — Ele acariciou minha bochecha, fazendo-me olhá-lo.

— Você é meu irmão, não pode me abandonar.

— Eu sei, desculpe, otouto. Não vai se repetir.

Seus lábios tocaram minha testa demoradamente, e eu só consegui suspirar aliviado.

— Venha, precisamos conversar. Sakura está na sala. E, devido ao escândalo que ela fez no meu trabalho quando me recusei a falar com ela, sei que não é muito bom deixá-la esperando muito tempo.

Afastei-me, totalmente desperto ao ouvir aquilo, e encarei Itachi.

— Ela foi no seu trabalho? — Ele confirmou com um aceno. — Ah, merda, o que ela fez? Eu não sabia, juro que não sabia, aniki.

Itachi sorriu calmo, trazendo meu rosto para perto e encostando nossos lábios com carinho.

— Vamos conversar na sala. Te explicamos melhor o que decidimos.

— Decidiram? ­

— É, Sasuke, decidimos — Ouvi Sakura dizer impaciente ao entrar no quarto. — Como vocês demoram. Já estava achando que tinham fugido pela janela.

Itachi ficou sério, apoiando a cabeça em meu ombro enquanto Sakura se sentava na borda da cama.

— O que decidiram? — perguntei quando notei que nenhum dos dois queria iniciar o assunto.

Itachi remexeu-se incomodado, assim com Sakura, mas foi ele que começou a, enfim, explicar:

— Temos um problema, otouto — Virou meu rosto para si. — Eu te amo, você me ama, mas também ama ela, e ela... bem, ela diz te amar. Então, é, temos um problema — Apertou-me mais forte.

Pisquei incrédulo, alternando meu olhar de um para o outro e fixando-o em Sakura.

— Pera aí, você o quê? Sério isso? Eu aturei a merda do seu namoro todo com Naruto para você vir me dizer agora que me ama? — gritei, irritado, nervoso, confuso.

Sakura encolheu-se, desviando o olhar e cruzando as mãos.

— Eu ia te contar na época em que descobri. Foi durando um daquele tempos que eu e Naruto sempre dávamos, mas aí você me ligou... Aquela ligação ­— ela enfatizou. — E eu entrei em choque. Nisso, eu e Naruto voltamos e não quis te atrapalhar.

— A questão, Sasuke — Itachi me interrompeu quando me ouviu bufar indignado. — é que isso nos deixa com um dilema. Não quero dividir você com ninguém, não quero mesmo — Olhou para Sakura, frio. —, mas, se você ama a nós dois, sei que não será completamente feliz sem um de nós. E isso é algo que não consigo aceitar, é pior do que ter que te dividir... — sussurrou, como se fosse apenas para eu ouvir. — Eu te amo, otouto.

— Aniki, do que você está falando?

— Uma relação à três, Sasuke — Sakura falou em voz alta. — Nós três.

Sabe aquela hora em que o seu cérebro para de funcionar? Aquela hora em que você balança a cabeça, tentando verificar se o que havia ouvido estava certo ou se era só sua imaginação, sabe? Pois é. Podem até estar desapontados, mas é isso aí, a ideia de nosso maravilhoso relacionamento não havia surgido de mim embora eu fosse, na época, o único realmente interessado e confortável nele. E o que fiz? Ri. Ri tanto que tive que me curvar e colocar os braços sobre a barriga, sentindo os músculos protestarem. Sakura e Itachi, as duas pessoas mais ciumentas e possessivas que conheço, pensando em entrar em um relacionamento à três? Desculpem, mas era hilário só de imaginar.

— Isso é sério? — indaguei, descrente, levantando-me da cama e me afastando deles.

— Não é como se estivéssemos felizes com essa solução, Sasuke — Sakura sorriu-me melancólica, olhando para Itachi em seguida e baixando o olhar diante da expressão descontente dele.

E foi assim, desse modo esquisito, incomum, fora do usual e totalmente confuso que começamos os três a namorar. Sob regras, é claro. Sob MUITAS regras. A começar pelo óbvio: Sakura viria morar conosco e dormiríamos sempre os três no mesmo quarto; eu estava expressamente proibido de transar só com Itachi ou só com ela, tinha que ser com os dois, juntos, ao mesmo tempo ou sob supervisão do outro; beijos, oral, coisas pequenas eu podia fazer, mas só isso; Itachi e Sakura poderiam, nesse começo, transar um com o outro sem a minha presença, uma tentativa de aproximá-los; ninguém saberia, ninguém mesmo, nem Naruto; e, o mais importante, todos os surtos de ciúmes, entre nós três (mas, principalmente entre Sakura e Itachi), deveriam ser evitados ao máximo.

Se deu certo? Olha, eu nunca vivi um período tão infernal na minha vida quanto aqueles seis primeiros meses de relacionamento. Cheguei ao ponto de eu mesmo querer romper tudo e abandonar a ideia! Foi horrível, simplesmente horrível porque nem Itachi nem Sakura aceitavam me ver hora com um, hora com outro. E eles também nem ao menos se olhavam direito! Quiçá se tocar!

Itachi era educado. Só isso. Ele tratava Sakura com educação, nunca levantava a voz para ela, preparava-lhe o café da manhã assim como o meu, respondia às perguntas que ela fazia, e só. Sakura até que, às vezes, tentava se aproximar. Eu via o esforço que ela fazia para tornar a rotina mais “natural”, só que a inexpressividade de Itachi sempre a fazia recuar.

O que eu fiz a respeito? Fingi uma crise de raiva (não foi tanto fingimento assim, mas não vale a pena contar) e gritei algo como “só volto quando vocês dois se acertarem ou, pelo menos, quando começarem a olhar um na cara do outro”.

Não sei o que fizeram naquele dia, não sei se transaram, se conversaram, não sei mesmo. A única coisa que importa é que, no dia seguinte, quando pisei em casa, Sakura e Itachi estavam, ao menos, conversando e achando, enfim, um gosto em comum que não fosse eu: literatura. Aliás, acho que, na verdade, quem os uniu foram os livros, não eu. Depois disso, pequenos hábitos nossos foram mudando gradativamente e outros foram surgindo. Sakura não se importava mais em se sentar próxima a Itachi; ele não tinha mais receio de beijá-la, como fazia comigo, antes de ir ao trabalho; ela passou a rir abertamente perto dele; ele sorria discretamente ao senti-la mexer em seus cabelos compridos, trançando-os ou apenas penteando-os; e, assim, os meses foram passando.

Na cama, confesso, foi a mesma desgraça no começo. Era simplesmente horrível conciliar a atenção entre os dois. Aliás, lembre-se que eles nem se olhavam no início. Demorou uns oito meses para, graças a Deus, entrarmos em uma sincronia.

E, puta que pariu, por que demoramos tanto??? Se sexo com Itachi ou com Sakura já era bom separadamente, imaginem junto! Não, sério, só tentem imaginar! Não sei como pude viver sem essa experiência, sem podermos ficar juntos daquele modo! Confesso que, nos meses seguintes, transformamos aquela casa em um verdadeiro puteiro. Parecíamos crianças ao descobrir um brinquedo novo, querendo usá-lo todo dia, repetidas vezes, de todos os modos possíveis! E assim fizemos.

Qual é?! Pelo menos compensamos o atraso que as briguinhas entre Itachi e Sakura nos causaram. Ah, e se vocês já estão cansados de ler até aqui, imagine eu que vivi essa porra toda! Oito meses, oito meses, ok? Quando esperarem esse tempo todo para um relacionamento dar certo, aí sim nós conversamos.

Felizmente, daí em diante, nos acertamos, começamos a dar certo em tudo. Sem brigas idiotas, sem discussões perigosas, sem crises de ciúmes, sem nada disso. Foram três anos e três meses de paz, até eu decidir aceitar ser transferido para a emergência da enfermagem.

Ah, Sasuke, mas lembra que você disse que Itachi e Sakura podiam transar sem você? Lembro, óbvio que lembro, mas isso foi antes, foi para aproximá-los. A partir do momento em que Itachi começou a se apaixonar por Sakura e vice e versa (o que foi bem divertido de assistir), essa exceção caiu por terra. Eram os três juntos e sempre juntos. Duplas só eram permitidas com uma ótima justificativa como quando eu e Itachi bebemos demais e acabamos perdendo o controle.

Com essa regra nova, fazia então um mês que nenhum de nós transava. E não só isso, fazia um mês que eu nem conseguia os ver direito! Sakura até havia começado a acordar cedo apenas para tomar café da manhã comigo! E Itachi estava irritado. Se tem uma coisa que deixa meu irmão fora de si é ver a mim ou a Sakura infelizes e insatisfeitos. Itachi é atencioso, cuidadoso, zeloso (até demais às vezes) e controlador. Eu conseguia ver o quão irritado ele estava por não poder fazer nada a respeito sobre aquela situação. Por isso, como prometi chegar antes das nove em casa, me esforcei ao máximo para cumprir, até subornei Naruto para ele trocar de turno comigo, mas não deu... Eram 21:35, e eu sabia que Itachi não perdoaria o atraso.

Entrei na sala, parando a mão sobre o interruptor, mas sem acender a luz. Tinha velas sobre alguns móveis, iluminando o cômodo, deixando uma atmosfera morna e de suspense ali. Antes que eu pudesse me perguntar o que estava acontecendo, ouvi um barulho característico ressoar, um barulho que fez um arrepio subir pela espinha...

Engoli em seco. Pisquei duas vezes antes de confirmar o que via. Sorri de canto ao observar Sakura de costas para mim, de joelhos no chão e mãos nas coxas abertas de Itachi. Ela o chupava, empinando o quadril em minha direção enquanto Itachi prendia os cabelos rosas entre os dedos, controlando a velocidade, diminuindo-a assim que me viu. Sentado na poltrona, recostado com um sorriso malicioso, ele esticou a mão na minha direção em um convite.

— Você se atrasou, otouto...

É... Eu estava ferrado.

26 de Febrero de 2018 a las 21:47 0 Reporte Insertar 2
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