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Jungkook é um fantasma romântico, um verdadeiro apreciador do amor. Sem poder participar do mundo dos vivos, acaba ficando entediado, tendo seu entretenimento limitado ao companheiro, Taehyung, e às rotinas das pessoas ainda vivas que passam por sua casa. É quando o novo morador, Min Yoongi, se vê com um tremendo problema de cunho romântico que o Jeon decide que precisa agir pelo bem do romance. Juntos, Jungkook e Taehyung bancam os cupidos e tentam juntar os melhores amigos Yoongi e Jimin de uma vez por todas.


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

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Planejando

Escrito por: @bbmoonie

Notas Iniciais: Oi! Tudo bem? Essa é uma fic de Halloween que, na verdade, também faz parte de um amigo oculto! Tem sido muito divertido participar dos amigos ocultos do 2min e escrever essa fic foi um processo bem legal. Estou curiosa para saber o que a pessoa que eu tirei vai achar.

Muito obrigada @ChIsHiKiZi pelas capas e banners <333. Também agradeço muito a @Mi_stosf por ter feito a betagem e @minie_swag e @YinLua por terem revisado <333. E obrigada @Safira_G21 por ter avaliado a fanfic e me ajudado a arrumar ela ^^ <333

Não posso revelar aqui a pessoa que eu tirei, mas, de coração, espero que a história esteja no seu gosto e que você se divirta lendo. Ela foi escrita com muito carinho ^^ Estou curiosa para saber o que você vai achar.

Boa leitura!


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Se tem uma coisa que eu entendi depois de morto foi que fantasmas não têm muito o que fazer.

Depois de passar cem anos preso nessa casa — e a maior parte deles sem poder viver fisicamente nela —, eu aprendi a valorizar os pequenos entretenimentos que acontecem aqui.

Taehyung diz que sou curioso, mas, particularmente, eu me considero um verdadeiro apreciador da vida. No caso, um apreciador da vida alheia.

O mais puro entretenimento são os acontecimentos das vidas das diversas pessoas que passam por nosso sobrado — sim, nosso, meu e de Taehyung, os verdadeiros e eternos moradores desse lugar; presos a essa construção pelo laço inevitável da morte.

Adoro observar as histórias de cada morador temporário, como se estivesse assistindo a uma novela, e me emociono de verdade com cada reviravolta. Até choro com os finais!

Por sorte, mais ninguém morreu aqui. Não sei se gostaria de ter mais companhias-fantasmas. Gosto de dividir a minha eternidade com Taehyung. Só e unicamente com ele.

Taehyung se tornou um fantasma alguns anos depois de mim. Ele passou a morar na casa logo após a minha morte e, no tempo que viveu aqui, eu observava sua vida sem jamais interferir. Na época, eu era um fantasma novato, sem muita energia ou vontade de fazer alguma coisa que não fosse lamentar minha vida perdida, mas meu amorzinho mudou isso.

Quando ele morreu, obviamente sofri, mas também tive esperanças. A possibilidade de ter uma companhia depois de anos de solidão me animava.

Eu só não esperava que ele fosse uma companhia tão boa. Não esperava amá-lo tanto — e que ele me amasse na mesma intensidade de volta.

E o melhor tudo é: além de um amor para todo o além-vida, eu também acabei ganhando um parceiro.

— Jungkook, por que você insiste em se esconder? — Taehyung pergunta, risonho. — Você sabe que eles não podem nos ver.

— Não estraga o disfarce, amorzinho — murmuro de trás da poltrona da sala. Ele está certo, ninguém pode me ver, mas não deixa de ser divertido agir como se pudessem. — Vem aqui, você também.

Aproveito para puxá-lo para trás da poltrona comigo. Daqui temos uma visão privilegiada do sofá, onde o maior dos entretenimentos acontece bem diante de nossos olhos.

Min Yoongi, o novo morador da nossa casa, está sentado no sofá com seu melhor amigo, Park Jimin, por quem ele tem uma quedinha.

— Olha só ele, assistindo um filme romântico ao lado do... do... Como é que você disse que era o nome mesmo? — pergunto.

Crush. O Jimin é o crush dele.

Suspiro, maravilhado. Meu companheiro conhece muito sobre as gírias atuais. Eu fico caidinho por ele e por seu vasto conhecimento sobre o mundo atual.

— Ele podia passar o braço por cima dos ombros do Jimin, né? — resmungo.

A pergunta é retórica, porque, na verdade, eu não tenho muitas esperanças de que isso aconteça.

As pessoas parecem não saber mais nada sobre criar um clima romântico.

No sofá, Yoongi e Jimin se sentam afastados um do outro, cada um em uma ponta, tão tensos que mal se mexem. É desconfortável só de ver.

É um dia frio, então, antes de Jimin chegar, Yoongi preparou alguns cobertores para que pudessem ficar aquecidos. Ingenuamente, achei que eles fossem dividir o mesmo cobertor, mas eles se cobriram com colchas diferentes e ficaram bem longe um do outro.

— Por que eles não se aproximam?

— Devem estar com vergonha — pondera Taehyung. — Quer que eu os assuste? Quem sabe assim eles ficam pertinho...

— Não! — interrompo-o antes que ele possa agir. — Não vamos interferir agora. Tem que ser no tempo deles.

A sala está escurinha, sendo iluminada apenas pelo brilho da televisão, onde “Diário de uma Paixão” está passando.

Esse era um dos filmes favoritos da antiga moradora, a Senhora Kim, e aparentemente é um dos filmes preferidos de Jimin também. É a quinta vez que ele faz Yoongi assistir, e é muito fofo como Yoongi concorda em ver toda vez que Jimin pede, mesmo sem gostar muito de filmes de romance.

Como o romântico esperançoso que sou, esperava que Yoongi fosse reter alguma coisa do filme ou que se inspirasse nele para viver a própria história de amor, mas, até então, o garoto não havia tomado nenhuma iniciativa para transformar aquela amizade em namoro, o que é muito frustrante para o meu coraçãozinho.

Os dois assistem ao filme concentrados, sem comentar nada, até que o micro-ondas apita.

— Já volto, vou pegar a pipoca — diz Yoongi. É a primeira coisa que ele fala desde que o filme começou. Nem mesmo quando se levantou para colocar o pacote de pipoca no micro-ondas havia falado alguma coisa. Depois de tantas tardes assistindo filmes juntos, a ação era praticamente automática. Tanto que ele sequer explicou o que ia fazer, e Jimin também não perguntou.

No fundo, acho que o silêncio foi mais intencional do que automático. Eles parecem determinados a trocar o mínimo possível de palavras hoje, para a minha tristeza.

Ele parece aliviado em sair da sala, e eu não sou o único a perceber isso. Jimin também repara e, assim que é deixado sozinho, suspira com pesar, deixando uma expressão tristonha tomar seu rosto. É bem óbvio que o afastamento de Yoongi não é só físico.

— Com certeza ele acha que Yoongi está desconfortável — comento.

— E ele está — Taehyung é rápido em confirmar, dando de ombros, como se isso não significasse nada.

Apesar do tempo de experiência observando os relacionamentos alheios na nossa casa, meu companheiro ainda não tem a sensibilidade de um romântico completo. Ele é um romântico em construção.

— Mas ele não sabe o motivo! — choramingo. — Nós temos um olhar privilegiado da situação, Tae. Ele, não. Deve estar pensando num monte de coisas ruins!

— Deve estar achando que Yoongi não quer assistir ao filme.

— Ou pior... Não quer assistir ao filme com ele! Yoongi precisa fazer alguma coisa logo! Se eles não conversarem sobre essas coisas, vão assumir as inseguranças como verdade. E você sabe onde isso vai dar? — Antes que Taehyung possa responder, completo: — Eles vão brigar logo, logo. E vai ser bem feio.

Eu me levanto, pronto para correr atrás de Yoongi. Quero sussurrar no seu ouvido, quebrar coisas, dar algum sinal para ele, mas Taehyung me puxa para trás da poltrona de novo antes que eu possa fazer qualquer uma dessas coisas.

— E aquela história de deixar ser no tempo deles? Hein?

Merda. É verdade.

Cruzo os braços e bufo, deixando claro meu desconforto.

— Hum — murmuro a contragosto.

— Vamos só ficar vendo. — Ele afaga meus cabelos, tentando me tranquilizar com seu sorriso bonito. Infelizmente, funciona. — Se precisar, interferimos, okay?

Aceito sua sugestão, e nós dois continuamos observando atrás da poltrona.

Yoongi volta da cozinha com um pote de pipoca nas mãos, e eu quase grito em comemoração quando ele se senta bem pertinho de Jimin para que ele também possa alcançar o pote.

— Bendita seja essa combinação de pipoca com filme! — comemora Taehyung.

Minutos se passam, o filme continua. Apesar de estarem perto, eles não olham um para o outro em nenhum momento. É quase como se lutassem para manter os olhos focados na tela da televisão, sem se atreverem a desviar o olhar.

Alguns meses atrás, eles estariam se divertindo e comentando as cenas. Agora, fogem de qualquer interação um com o outro. Dói profundamente ver para onde essa relação está indo.

Eu estou quase desistindo de ter esperanças quando algo finalmente acontece.

Yoongi leva a mão lentamente até o pote de pipoca e Jimin faz a mesma coisa ao mesmo tempo.

Sem que percebam, suas mãos se encostam.

— Finalmente! — exclamo. — Agora se beijem.

Eu estou falando bem sério, mas Taehyung gargalha ao meu lado, como se eu tivesse feito alguma piada.

— Ah, foi mal — Jimin murmura, com as bochechas se avermelhando.

— Relaxa — Yoongi murmura de volta, sem desviar os olhos da tela. Apesar de ele tentar parecer indiferente, eu percebo seu nervosismo.

Yoongi tira a sua mão para que Jimin pegue primeiro e depois pega a própria pipoca.

E é isso.

Sem olhares intensos, sem sorrisos, sem beijos ou declarações.

Bufo e me jogo sobre Taehyung, frustrado.

— Por que eles não reagem? Eles nem se olharam, Tae. Nem isso!

— Calma, meu bem. — Ele passa a mão por meus cabelos, tentando me acalmar. — Você está muito afobado.

— Eu quero entretenimento! Quero romance!

— Eu sei. — Ele ri, achando graça do meu desespero. — Mas temos que esperar. Não é como se pudéssemos fazer com que eles admitam seus sentimentos de uma vez por todas.

A sua fala acende algo em mim. Eu volto a minha atenção para o (não) casal no sofá, mas minha cabeça já começa a trabalhar na pequena ideia que se forma em minha mente.

Não tenho muito tempo para pensar em detalhes, porque o filme acaba pouco tempo depois, mas um plano interessante começa a surgir em meus pensamentos. Yoongi coloca o pote de pipoca vazio na mesa de centro e se espreguiça. Espero que ele faça uso do movimento mais manjado de todos e coloque seu braço sobre os ombros de Jimin, mas ele faz exatamente o contrário do que eu quero e se afasta mais para o outro lado do sofá.

— E aí? Quer fazer alguma coisa agora? — pergunta.

— Ah, sei lá. — Jimin dá de ombros e puxa os pelinhos do cobertor sobre seu colo. Ele parece nervoso.

Desde que as coisas começaram a ficar estranhas, os dois não conseguem conversar direito. Parece que se esforçam para não aceitar isso e insistem em manter a mesma rotina e relação de antes, mesmo sendo visível o quanto a amizade deles está se deteriorando.

Yoongi o olha de soslaio e engole em seco, como se não soubesse o que fazer. Depois de um tempinho, tenta de novo:

— Quer jogar alguma coisa?

— Nah, tô com dor de cabeça — dispensa Jimin, sorrindo amarelo para ele.

— Ah, tudo bem...

O silêncio desconfortável volta a se instaurar.

— Não deixa o assunto morrer — Taehyung torce baixinho.

Mais tempo passa até Yoongi perguntar:

— Você vai vir para a festa?

— Isso! — comemoro. Qualquer coisa é melhor do que o silêncio.

— Sua festa de Halloween? Acho que vou, sim. Vai ser à fantasia? — Jimin responde.

Yoongi sorri, contente por ter conseguido engatar uma conversa.

— É claro! Festa de Halloween tem que ser à fantasia. — Ele sorri, orgulhoso. — Se não, não seria uma boa festa de Halloween, né?

Jimin assente e, contagiado por sua animação, sorri de verdade pela primeira vez na noite.

Todo ano, Yoongi dá uma festa de Halloween em casa. Ele aproveita o ambiente grande e o estilo antigo da arquitetura para fazer uma festa temática e curtir a noite do dia 31 de outubro com os amigos.

Geralmente, eu não gosto de festas na minha casa, mas aprendi a gostar das festas de Yoongi, pela grande oportunidade que são para nós.

Todo Halloween, eu e Taehyung temos energia o suficiente para nos manifestar fisicamente por algumas horas. Então, aproveitamos para nos misturar entre as pessoas, papear com os vivos e dançar juntinhos. É um jeito divertido de interagirmos e nos entretermos por algumas horas.

Esse ano, porém, estou ainda mais animado, porque tenho planos.

— Você quer ajuda para decorar? — Jimin pergunta. Ele parece estar tentando arranjar uma desculpa para passarem mais tempo juntos. Isso é bom.

— Não precisa. Namjoon vai vir mais cedo para me ajudar.

— Que merda, Yoongi! — brigo.

O garoto não se ajuda! É o pior momento possível para citar Namjoon. E, céus, por que desperdiçar uma chance dessas de passar mais tempo com a pessoa de quem gosta?

— Ah, claro.

Jimin desvia o olhar e fica quietinho de novo, o que faz Yoongi ficar igualmente amuado. O clima é tenebroso.

Só uma coisa pode salvá-los desse constrangimento: uma declaração.

— Eles vão mudar de assunto e fingir que nada aconteceu, aposta quanto? — pergunta Taehyung, quase tão emburrado quanto eu.

Eu digo que não aposto nada, mas devia ter apostado, porque me surpreendo quando Yoongi diz:

— Jimin, tá acontecendo alguma coisa?

É tão inesperado que meu coração quase volta a bater. Minha nossa! Não acredito que está finalmente acontecendo.

— Ai, meu deus. Eles vão conversar, eles vão conversar!

— Eles vão — concorda meu companheiro, segurando a minha mão apertado.

É agora.

— Como assim?

— É que você tá meio estranho, sabe? — Yoongi desvia o olhar e brinca com os próprios dedos, evitando a todo custo ver a reação de seu amigo. — Sei lá, tô te achando diferente...

Jimin ri, sarcástico. Eu estremeço. Não é um som bom.

— Olha só, eu posso dizer o mesmo sobre você.

— Eu? Estranho? — Yoongi pergunta, surpreso. — Não tô, não! Tô bem normal.

— Deve ser coisa da minha cabeça, então. Devo estar maluco. — Jimin revira os olhos, irritado. — Nem é como se meu melhor amigo estivesse se distanciando ou algo assim, né?

O “melhor amigo” deve servir para Yoongi como um lembrete da situação em que se encontra — apaixonado por Jimin, sem coragem de assumir ou sequer se declarar para ele.

— Não é assim, Jimin — murmura, com a voz trêmula. — Eu não estou me distanciando. É que...

Ele deixa a fala morrer, sem coragem de contar o que realmente estava sentindo por seu melhor amigo.

— É que...? — pressiona.

Seria um bom momento para simplesmente assumir tudo e arcar com as consequências. Na situação que estão, não é como se tivessem tanto assim a perder. Porém, ao invés de finalmente se confessar, Yoongi reage da pior forma possível:

— Não é como se você estivesse normal, também! Você mal fala comigo, Jimin — briga, em um misto de raiva e tristeza. — A gente nem passa mais tempo junto e, quando passa, é assim, sem nem conversar direito. Tá tudo estranho. Você tá estranho!

— Bom, você também está! — Jimin exclama, com raiva. — Você não pode falar essas coisas como se a culpa fosse só minha. É injusto. Especialmente quando você nem olha na minha cara!

Depois da explosão, os dois ficam em silêncio. É como se estivessem se distanciando ainda mais, mesmo estando lado a lado.

Eu troco um olhar alarmado com Taehyung, que aparentemente se sente do mesmo jeito que eu: surpreso, da pior forma possível.

O clima entre os dois estava estranho já fazia algum tempo e só piorava a cada vez que se encontravam — o que era um problema, já que Yoongi e Jimin tinham o hábito de passar as tardes da semana juntos —, mas nós não esperávamos que fosse piorar tão rapidamente assim.

Aquela explosão de sentimentos parecia uma demonstração de como estavam mais irritados com eles mesmos do que um com o outro. Ainda assim, com alguns minutos de agitação e palavras mal pensadas, a merda estava feita.

— Achei que eles finalmente iam se confessar — falo, desolado. Poxa, eu estava torcendo pelo meu (quase) casal favorito do momento.

— Eu também.

Yoongi pigarreia e coça a nuca. São manias que tem quando está envergonhado. Jimin o olha de soslaio e parece perceber isso, porque vira a cabeça para o outro lado enquanto fecha os olhos, pesaroso. Os dois se encolhem, distantes, fechando-se em si mesmos.

Eu consigo sentir a vergonha e o arrependimento daqui.

— Desculpa — pede Yoongi, baixinho.

— Tá tudo bem. Desculpa também — Jimin responde, acanhado. — Acho que é melhor eu ir para casa.

— Não quer ficar aqui? — Yoongi parece surpreso, apesar de terem acabado de discutir. Eu o entendo um pouco: nas noites de sexta, Jimin sempre fica para dormir. Sempre. — Pode ficar até amanhã, sabe? Igual a gente sempre faz...

Eu consigo perceber que ele não quer que Jimin vá, e Jimin também percebe, porque começa a gaguejar enquanto inventa uma desculpa qualquer:

— Ah, é que... é que eu preciso terminar uns trabalhos hoje. Sabe como é, né? Logo começam as provas e tal...

— Tem certeza? — Yoongi o encara como se fosse um cachorrinho abandonado, e acho que nem é de propósito.

Se eu fosse Jimin, não teria coragem de dizer “não”. Mas, infelizmente, ele não se sente da mesma forma.

— Tenho — responde ele, certeiro. — Acho melhor. Já vou indo, na verdade.

Jimin se levanta do sofá e Yoongi o acompanha até a porta em silêncio.

Imediatamente saio de trás da poltrona e puxo Taehyung comigo até o hall de entrada, onde assistimos aos dois se despedindo rapidamente, com um abraço desconfortável.

— Até amanhã. — O tom de voz de Yoongi é triste.

Antes, os dois enrolariam longos minutos se despedindo — isso quando Jimin finalmente fosse para casa —, mas, com tudo o que aconteceu, Jimin vai embora rapidamente.

Assim que fecha a porta, Yoongi suspira. Ele fecha os olhos e franze o cenho. Parece estar brigando consigo internamente.

— Eu não lembro se eu agia assim quando era vivo — meu companheiro diz —, mas, minha nossa, como os vivos são complicados!

— Eles agem como se tivessem todas as chances do mundo, como se pudessem ficar perdendo tempo — concordo, aproveitando para abraçá-lo por trás, buscando carinho naquele fim de noite desastroso. — Mal sabem eles que o tempo passa rápido até demais.

Quando voltamos para a sala, Yoongi está sentado no sofá, olhando para a televisão sem de fato assistir o que está passando. Ele parece perdido em pensamentos.

Sem a presença de Jimin, a casa fica silenciosa. Um pouco vazia, até.

Se, para mim, que mal convivo com o garoto, ele faz falta, eu mal posso imaginar como é para o morador da nossa casa.

— Acho que ele tá arrependido.

— Não, acho que ele está com medo — Taehyung me corrige.

— Medo? Do quê?

— De perder o Jimin — explica ele. — Eles estão se afastando, você viu. Para Yoongi, deve parecer que eles estão se perdendo, entende? E a gente o conhece bem, com certeza ele está se culpando.

— Que merda — Yoongi murmura no mesmo instante e esconde a cabeça entre os joelhos, aninhado em meio às cobertas. — Não queria perder ele.

Eu quero confortá-lo, mas sei que é impossível. Ele não vai me ver ou ouvir, de qualquer forma.

Devo estar fazendo alguma careta, porque Taehyung me abraça e tenta me acalmar, mas, no fundo do meu coração, já tomei uma decisão:

— Você não vai perder ele — digo com convicção.

Yoongi desliga tudo na sala e começa a subir às escadas até seu quarto. Eu tento segui-lo, mas Taehyung segura meu braço, prendendo-me no lugar.

— Não é melhor deixá-lo sozinho um pouco?

— Eu só quero dar uma olhadinha — minto.

— E o nosso papo sobre privacidade? Nós já conversamos sobre isso, Kook.

— Não vou invadir a privacidade dele, amorzinho! — tento me defender. — Só quero saber se ele está bem. Só isso. Agora, vem. Vamos ver. Só um pouquinho.

Taehyung revira os olhos, mas cede. Ele solta meu braço e me segue até o quarto que Yoongi ocupa.

Quando chegamos, não é nenhuma surpresa nos depararmos com o garoto sentado em sua escrivaninha, escrevendo em seu caderno de composições.

Sempre que ele sentia muitas coisas, acabava descontando em música. Yoongi escreve, toca, canta e expressa seus sentimentos — especialmente seu amor — de muitas formas artísticas. Externa sua paixão por Jimin em letras lindas e desconta seu medo em melodias tristes. É encantador, porém sofrido, vê-lo investindo suas confissões em todos os lugares menos no único necessário.

Yoongi escreve por minutos a fio, até parar, aparentemente preso em alguma parte. Então, arranca a página e joga fora.

A lixeira de seu quarto transborda de papéis amassados. Desde que havia entendido que o que sentia por Jimin não era um amor de amigo, passou a escrever mais. E, consequentemente, tinha deixado muitas composições pela metade, sem coragem de torná-las algo mais do que um projeto inacabado.

Ironicamente, descartava-as da mesma forma como descartava os próprios sentimentos.

Yoongi deixa o caderno sobre a mesa e apaga a luz. Ele checa o celular antes de desligá-lo e resmunga. Devia estar esperando alguma mensagem de Jimin que nunca foi enviada.

Eu e Taehyung ficamos no cantinho do cômodo, assistindo tudo. Meu companheiro tenta me puxar para fora do quarto, mas eu o dispenso:

— Espera só um pouquinho!

Assisto até Yoongi dormir e, logo que ele apaga, começo a revirar seu lixo silenciosamente

— Não acredito que você está gastando a sua energia com isso — diz Taehyung.

Nós, fantasmas, não temos muita energia para gastar mexendo fisicamente no mundo dos vivos. Eu escolho gastar a minha energia com sabedoria. Todo o meu repertório de filmes românticos me fez perceber que aquele momento seria crucial, então eu sei que preciso agir. Preciso de algumas das composições descartadas por Yoongi, para o meu grande plano.

— É importante, Tae. Nós precisamos fazer alguma coisa! — Viro-me para ele, segurando as folhas na mão como se fossem a coisa mais valiosa do mundo. — E isso aqui vai ajudar.

Taehyung se aproxima e me analisa com uma sobrancelha arqueada.

— O que você está tramando?

— Nós vamos resolver isso para eles.

— Defina “isso”.

— Essa situação horrenda em que eles se enfiaram. Essa falta de romance tenebrosa!

— Jungkook... — começa, já preparando a bronca.

— Não — interrompo-o antes que ele possa ser a voz da razão mais uma vez. — É sério, Tae. Essa precisa ser uma história de amor de sucesso. E eles não estão fazendo nada para que isso aconteça! Então somos nós que precisamos fazer alguma coisa.

— Ah, Kook... Por que nós? — choraminga.

— Porque nós somos os moradores mais românticos dessa casa, amorzinho! Temos um legado de amor para passar para esses dois!

— E você tem um plano?

— Você sabe que sim. — Sorrio para ele.

Eu consigo ver o momento exato em que Taehyung cede. Ele suspira e dá de ombros. É o suficiente para mim. Comemoro dando-lhe um beijo.

— Nós vamos fazer com que eles confessem seus sentimentos um para o outro. E vamos garantir que vai dar tudo certo. Depois de amanhã, Yoongi e Jimin não vão mais ser só amigos.

— Hum... Seremos como cupidos, então? — Meu companheiro ri, parecendo gostar da ideia.

— Exatamente — concordo. — Como cupidos... do além.

~~~~


Notas Finais: Foi isso TuT espero que tenham gostado desse primeiro capítulo! Os fantasminhas me representam muito.

Muito obrigada por ter lido ^^

23 de Octubre de 2022 a las 00:41 0 Reporte Insertar Seguir historia
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