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O que você faria caso, no dia de Halloween, acordasse sem precisar de uma fantasia, pois você já havia se transformado em um ser nada humano? Essa pergunta inusitada nunca passou pela cabeça de Min Yoongi, e justamente por isso o rapaz não tinha uma resposta certa quando aconteceu com ele. Sem saber o que fazer, Yoongi recorreu ao excêntrico Park Jimin, seu amigo completamente fissurado em fantasia e sempre disposto a ajudá-lo. Assim, os dois buscaram soluções para o incidente incomum, encontrando juntamente alguns sentimentos entre eles não tão misteriosos assim.


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

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Pequena surpresa

Escrito por: @RedWidowB | @LadyofSomething

Notas Iniciais: Olá! Bem, antes de mais nada, aviso que minha cabeça não estava normal quando escrevi essa estória (desculpe, pessoa que tirei). Eu tentei escrever algo que não necessariamente fosse minha zona de conforto e que de alguma forma agradasse a pessoa que tirei, pois apesar de não a conhecer, é perceptível como é uma pessoa agradável e gentil. Logo, espero que goste do presente :)

Além disso, agradeço @erami | @erami4 pela betagem, @yonpanx pela capa e banner super lindinhos e a toda a equipe do projeto pelo esforço para sempre entregar o melhor, seja aos leitores ou a quem faz parte do 2min. Muito muito obrigada <3


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O Dia das Bruxas não fazia muito sentido na cabeça de Min Yoongi, uma vez que, além de ser brasileiro e não ter o costume de comemorar tal data, o rapaz não simpatizava com aquele tipo de coisa.

Histórias de terror, pedras místicas, poderes da natureza, ervas mágicas ou qualquer coisa minimamente dependente de crença no que ele considerava fantasioso não chamava sua atenção de um jeito positivo. Até com signos era extremamente cético, apesar de se conformar com a quantidade de gente que acreditava. Logo, a ideia de se fantasiar e sair pedindo doces não o agradava muito, igualmente não o interessava qualquer outra simbologia que o dia poderia ter.

Assim, sempre que a época chegava, com suas abóboras de plástico e imitações brasileiras do que os norte-americanos faziam, sua escolha era ficar em casa e ignorar os convites para festas e locais temáticos. Nem de doce gostava mesmo.

A única parte do Halloween que gostava não necessariamente era a data em si, mas sim como Park Jimin, seu amigo, ficava animado. Era como se o rapaz tivesse surgido em sua vida para equilibrar sua chatice e mudar sua visão sobre pessoas diferentes dele.

Ele não gostava de fantasias, mas adorava ver Jimin feliz as vestindo. Não sentia vontade de ir a lugar nenhum, porém invejava quem tinha a sorte de festejar ao lado do animado Park.

Jimin era basicamente o elemento conflitante em sua vida de odiador de dia de fantasia, afinal, enquanto Park era apaixonado por tudo do gênero fantasia, desde filmes e séries até o conceito de “se tornar” o personagem, fazendo cosplays e até comprando coisinhas próprias de cada temática para enfeitar sua casa, Yoongi era demasiado admirador do amigo independente de tudo.

Talvez por esse motivo, assim que acordou naquela sexta-feira 13, a primeira coisa em que pensou foi em Jimin.

Remexeu-se na cama, lembrando que naquele dia o amigo estaria especialmente animado, e isso o fez sentir uma mistura de felicidade e preguiça ao mesmo tempo. Não que ele fosse acompanhar o amigo, porém se sentiria envolvido de qualquer forma, porque era impossível estar ao redor do Park e não ser contagiado.

Foi pensando nisso que sentiu suas perninhas quase se perderem nos lençóis, então percebeu que seus membros inferiores, de alguma forma, realmente estavam de acordo com o diminutivo da palavra: minúsculos.

Imediatamente arregalou os olhos e deu um pulo no lugar, percebendo-se nu, pois suas roupas de dormir eram muito maiores do que seu corpo estava.

— Mas que porra?! — gritou olhando para baixo e não vendo muito mais do que sua barriga inchada.

Começou a tocar a si por todos os cantos, procurando alguma explicação para o que diabos havia acontecido, para apenas se apavorar mais quando sentiu sua barriga cinco vezes maior do que realmente era e, pelos céus, nem sentir suas partes íntimas.

Ficando em pé sobre a cama, Yoongi gritou mais uma vez para ninguém ouvir, pois morava sozinho. Com seu corpo pequenino, pulou — lê-se: se jogou — da cama e caiu de cara no chão.

Mas o Min nem ao menos sentiu o impacto, assustando-se ainda mais. Havia virado de plástico?

Ele correu para o espelho para se certificar de que era tudo apenas coisa da sua imaginação, apenas para ter certeza que não, não era. Yoongi estava medindo mais ou menos 55 cm, sua barriga estava redonda como a do Papai Noel, seus cabelos — antes naturalmente pretos — estavam vermelhos como fogo, suas orelhas estavam pontudas e seu rosto estava coberto de sardas.

E ele não tinha mais partes íntimas!

Gritar novamente foi inevitável. O Min gritava uma vez para cada detalhe diferente que encontrava, para cada sarda que encontrava até em seu bumbum, para seus membros minúsculos como de um bebê.

O momento de pânico perdurou um bom tempo, até Yoongi deitar no chão com sua nova barriga para cima e começar a pensar no que iria fazer depois de aceitar que tinha se tornado alguma espécie de ser humano minúsculo e barrigudo.

Recusava-se, até num momento como aquele, a se chamar por qualquer nome fantasioso.

De repente, Park Jimin voltou a sua mente. Seja lá o que tivesse acontecido com ele, seu amigo conseguiria ajudá-lo.

Andou de um lado para o outro com as mãos na cabeça, botando no lugar o que faria por partes. A primeira foi preservar o mínimo de dignidade que ainda guardava em si e procurar por alguma roupa que coubesse nele. Não tinha crianças em casa ou pela vizinhança — nem teria coragem de roubar as roupas infantis, se fosse o caso — e não guardava roupas antigas.

Quando começou a cogitar a ideia de usar um lençol na cabeça e fingir ser um fantasma, lembrou do boneco que havia ganhado justamente do Park.

Nem queria pensar na correlação entre o brinquedo ser um gnomo e ele, naquele momento, também ser.

Caminhou até o outro lado da cama e ficou na ponta dos pés para enxergar o gnomo relativamente grande que ficava em sua mesinha de cama. Esticando-se ao máximo, agarrou os pés descalços do boneco e puxou com força, acabando por cair mais uma vez no chão e com o objeto em cima de seu corpinho.

Após se recuperar do baque, não foi difícil surrupiar as roupas do brinquedo. Vestiu a calça cor de abóbora com suspensórios verde-musgo e a camisa branca com a estampa de potes de moedas, lembrando de como Jimin reclamou dizendo que gnomos não eram leprechauns para serem associados a dinheiro.

Por alguns segundos, o Min chegou a refletir que preferia ser um leprechaun, para ao menos ter dinheiro nos bolsos, entretanto rapidamente deixou a ideia pra lá.

Sentindo-se ridículo com suas roupas quase infantis, reparou que não poderia sair de casa sem sapatos, achando a única solução possível em sua gaveta de meias. Vestiu todas que achou limpas, cobrindo dos pezinhos aos seus joelhos por baixo das calças.

Completamente vestido, passou à etapa de como iria se locomover até a casa alheia. Não poderia dirigir, muito menos pegar um táxi sem correr o risco de encontrar algum doido que o sequestrasse achando que ele acharia potes de ouro por aí. Um pouco de todo tipo de loucura esteve entre as opções que tinha ou que descartou.

Por fim, eram dez da manhã no momento em que Yoongi enfrentou o sol escaldante e foi andando para a casa de Jimin. Em sua opinião, era o jeito menos absurdo de se deslocar até lá. Para suas pernas antigas, de um humano normal, a caminhada deveria levar dez minutos no máximo. Para o tamanho que estava, nem quis imaginar.

De início, ainda em sua vizinhança, ninguém chegou a encará-lo. Era como se as pessoas não conseguissem o ver, e essa percepção o alegrava e ao mesmo tempo o assustava.

Todavia, no momento que as primeiras pessoas o viram na rua, encararam espantadas. Eram olhos arregalados, bocas abertas e nenhum tipo de tentativa de esconder o assombro com sua imagem, acuando-o.

Yoongi passou a se esconder como podia, indo para trás de postes, deixando sua cabeça abaixada e nunca olhando em direção aos outros que passavam por ele. Ouviu alguns comentários altos, cochichos e até afirmações sobre Jesus estar voltando.

Foram minutos terríveis, que ele torcia para algum dia contar rindo sobre como delirou em uma manhã achando que tinha se tornado um gnomo e sido chamado de satanás nas ruas.

E no momento em que chegou à casa do Park, estava ensopado de suor, finalmente percebendo que não era de plástico, pois a dor das quedas finalmente surgiram.

Bem de longe, viu dois cachorros no início da rua, que simultaneamente o encararam de volta. Ambos os caninos pararam no lugar e curvaram-se em estranhamento, cheirando o ar, e Yoongi começou a sentir desespero.

Sem pensar duas vezes, começou a bater palmas em frente ao portão cinza de alumínio, torcendo para suas mãos minúsculas ecoarem o suficiente para chamar a atenção do amigo.

— JIMIN! — exclamou em desespero e permaneceu batendo até escutar um "já vai”.

Os dois cachorros voltaram a andar, fazendo o coração do pobre Min disparar.

— Jimin, pelo amor de Deus! — chamou mais uma vez, vasculhando se conseguiria subir no portão se precisasse.

No momento que os animais começaram a correr, Jimin abriu o portão, encarou o ser baixinho de orelhas pontudas e franziu o cenho.

— Eu tô chapado? — o Park perguntou a si em voz alta. — Como eu tô chapado se nem fumo?!

Dando meia volta para retornar para casa, enquanto se questionava sobre a própria sanidade, Jimin não viu a cara de desespero do amigo, que correu para impedi-lo de entrar e se enfiou na brecha como pôde.

— Jimin! — gritou o falso gnomo, agarrando a mão que estava à sua altura. — Sou eu, Yoongi.

Olhando novamente para baixo, o Park arregalou os olhos.

— Yoon?!

— Sim! — Os cachorros começaram a latir. — ME DEIXA ENTRAR!

O Park o puxou com tudo para dentro, a tempo de evitar o ataque iminente.

Antes que Yoongi se explicasse ou agradecesse, foi interrompido pelo abraço repentino do amigo, que o apertou nos braços com força.

— Meu Deus, você tá muito fofo! — Jimin disse ainda o apertando. — O que aconteceu com você?

Mesmo não gostando da ideia de ser considerado fofo em uma situação como aquela, deixou-se levar pelo carinho que recebeu e pelo cheiro agradável que o perfume do Park tinha.

— Eu não sei, Jiminie — choramingou. — Eu acordei assim.

Jimin se afastou do abraço e encarou-o.

— Vamos entrar. Você vai me contar direitinho essa história.

No instante que Yoongi colocou seus pés na garagem do amigo, os cachorros do rapaz também correram como se não houvesse amanhã para cima dele, quase o transformando em picadinho se não fosse Jimin brigando com os animais.

Em seus olhos, o Min ainda enxergava o filme da sua vida passando enquanto era arrastado para dentro da casa do Park.

Para sua maior humilhação, precisou ser carregado pelo amigo para sentar no sofá e quase chorou quando viu seus pés erguidos no ar, sem possibilidade alguma de tocar no chão.

Percebendo a angústia do Min, Jimin sentou ao seu lado e passou a fazer carinho nos cabelos vermelhos, pedindo com calma que recapitulasse tudo o que havia acontecido no dia anterior do gnomo.

Tudo o que Yoongi lembrava era de ter ido trabalhar e voltar para casa cansado por ter enfrentado um trânsito cruel. Nada demais, nada inusitado. Não visitou nenhuma casa misteriosa, não fez graça com nenhuma senhorinha estranha, não xingou a fé de ninguém. Se pelo menos tivesse comido algo estranho ou feito algum pedido em uma fonte abandonada, quem sabe até acreditaria que aquela situação havia acontecido por sua culpa, porém, tinha vivido apenas mais um dia de sua vida pacata.

A única explicação que vinha à cabeça de Jimin era o fato de Yoongi não gostar de Halloween.

— Não estamos vivendo um filme dos anos 90, Jiminie! — retrucou o gnomo, começando a ficar mal-humorado.

Acostumado com o amigo, o Park respondeu:

— Claro, porque se transformar em um gnomo é totalmente natural e cotidiano! É tipo pedra na vesícula. Super comum.

O Min cruzou os braços, irritado com a resposta e com a falta do que falar de sua parte também. Suas bochechas ficaram vermelhas de raiva, e Jimin não se aguentou e acariciou a superfície cheia de pintinhas claras.

— Vai ficar tudo bem, Yoon — afirmou com a voz doce. — Estou brincando, mas também estou preocupado.

Enquanto fazia carinho no Min, os dois permaneceram em silêncio, até o falso gnomo olhar para cima e encontrar o rosto bonito do amigo.

— Por que você não tá pirando?

O Park sorriu.

— Eu ainda acho que estou chapado. Sem chances de você ter se tornado meu ser fantástico favorito porque pegou um trânsito fodido. — Balançou a cabeça negando. — Minha vizinha deveria estar fumando e eu fiquei doidão com a fumaça.

Yoongi riu pela primeira vez no dia.

— É a que me olha feio sempre que venho aqui? — Jimin confirmou com o dedão levantado. — Ela não tem, sei lá, uns noventa anos?

Jimin concordou com um aceno.

— E tá vivendo a melhor idade sem medo da prisão, aparentemente.

Gargalhando juntos, ambos permaneceram sentados.

— E se ela te amaldiçoou por te achar bonitinho? — inquiriu o Park. — Você faria?

O falso gnomo fingiu refletir sobre a ideia, fazendo Jimin o empurrar revoltado.

— Depende, se ela consegue me transformar nisso, talvez ela consiga se transformar em um homem.

Enquanto ria e inventavam as explicações mais absurdas — sempre envolvendo a velhinha da casa ao lado —, almoçaram e então perceberam que, se não fizessem nada, o dia acabaria e Yoongi continuaria daquele jeito.

Jimin não parecia muito preocupado em sair ou com suas costumeiras comemorações naquele dia, e o Min não fazia ideia do que faria caso o amigo fosse para outro canto e não o ajudasse a voltar a ser um humano.

A questão era que eles também não sabiam o que fazer.

Os filmes de terror sempre indicavam o que o protagonista havia feito de errado e as histórias com gnomos nunca começavam com a transformação de um homem em uma criatura baixinha e barriguda. Não havia literatura a ser consultada, nem local para ser visitado. Eram apenas Jimin, Yoongi e seu buchinho que o impedia de ver os próprios pés.

Às 15:00 horas, depois de encher o histórico de pesquisa do celular do Park com muitas combinações estranhas de palavras, eles começaram a apelar aos “rituais” que conseguiam lembrar.

A primeira tentativa foi dançar alguma coisa. Eles entendiam que a maioria daquelas representações em filmes e séries antigas eram uma forma de estigmatizar povos indígenas e tradicionais, então não repetiram movimentos estereotipados, apenas colocaram músicas que gostavam e começaram a se balançar como sabiam pela sala de estar.

Yoongi rebolava seu bumbum pequeno no ritmo das músicas e Jimin imitava as coreografias que conhecia, ora ou outra inventando os movimentos que não lembrava.

É claro que não fazia sentido ambos ficarem balançando ao som de Womanizer de Britney Spears, nem cantar gritando Summertime sadness da Lana Del Rey, pois não era como se as cantoras e outros artistas tivessem poderes de humanização de gnomos.

Eles cantavam tão alto que, em determinado momento, a vizinha idosa gritou de sua casa pedindo para abaixarem o som, quebrando a sintonia que os dois acreditavam ter alcançado com seja lá o que eles imaginavam ter transformado o Min naquilo.

Contra a vontade do Park, o falso gnomo diminuiu o volume do som, sentando-se no chão e sendo acompanhado pelo outro.

— Tô começando a acreditar que essa velha te amaldiçoou — disse Jimin, com sua expressão fechada. — Por que ela atrapalharia nosso ritual de conversão?

Yoongi acabou rindo da cara séria que o amigo fez ao proferir tal absurdo.

— Acho que ela só não aguentava mais dois marmanjos gritando no ouvido dela, Jiminie.

Negando, Jimin apontou em direção à parede que os separava do quintal da mulher.

— Maconheira e feiticeira, tenho certeza!

Yoongi gargalhou alto e levantou para impedir que o amigo xingasse mais ainda a senhorinha.

Suas mãos, que antes costumavam fazer graça do quão maiores do que as de Jimin eram, quase não cobriram os dorsos das alheias.

De mãos dadas ao outro, encarou os olhos bonitos do Park, apenas para desviar quando foi fitado de volta.

— Vamos tentar outra coisa — afirmou com os olhos presos no peitoral do Park, que subia e descia um pouco descompassado. Imaginou que fosse de cansaço da dança.

Imediatamente, Jimin ficou de pé e colocou a mão no queixo para pensar.

— Não tem como usarmos sangue — falou com certeza. — A gente não sabe como que teu corpo funciona agora e eu não gosto de sentir dor.

Yoongi concordou.

— Nem temos coragem de matar algum animal.

Jimin o encarou indignado.

— Nenhum animal merece morrer porque você virou um gnomo! — indicou, revoltado, apontando para cima como se falasse uma regra. — Se depender de sacrifício, você vai começar a comprar na sessão de criança mesmo.

As palavras do rapaz fizeram o Min ter dúvidas se ria ou chorava, no entanto ainda concordou mais uma vez.

Eles voltaram a tentar se lembrar de algum outro tipo de coisa que poderiam fazer, mas tudo os levava a extremos que não queriam ou conseguiriam fazer. Tudo parecia perdido quando Jimin se lembrou de algo importante.

— Nós não estamos falando de fantasia, Yoon! — Sorriu falando. — Todos esses rituais são de filmes de terror, suspense e coisas assim. Nada disso é fantasia, então não estávamos falando do gênero que você está inserido.

Yoongi pendeu a cabeça ruiva para o lado.

— Pensei que tudo isso era fantasia.

Pela milésima vez, o Park o encarou com descrença.

— E é por isso que você chegou nesse estado! — Apontou para ele como havia feito para a parede, julgando-o. — Mas, falando sério, temos que pensar em rituais de fantasia. Senhor dos Anéis, Game of Thrones e até as princesas da Disney.

A primeira imagem que veio à imaginação de Yoongi foi uma bruxa vestida de vermelho parindo uma fumaça preta de GOT. Sacudiu a cabeça apagando a lembrança macabra.

— Não acho que Game of Thrones e Senhor dos Anéis tenham bons exemplos para seguirmos — sugeriu o falso gnomo. — Ninguém se transforma em gnomo e não temos coragem de fazer as barbaridades.

Jimin estalou sua língua na boca.

— Então nos sobra as princesas.

Yoongi quis chorar novamente.

Ele sentou no chão de novo, com as mãozinhas cobrindo o rosto vermelho de frustração. Não queria ficar daquele jeito pra sempre, nem queria descontar em Jimin sua chateação, mas não via futuro no que estavam fazendo.

Como explicaria a todo mundo que havia se transformado em uma criatura de cinquenta centímetros? Como viveria sua vida dali para frente?

Como Jimin o veria?

Porque ele sabia que não estava atraente sendo uma criatura minúscula e com orelhas pontudas, e mesmo que ele não quisesse admitir, gostaria que o Park algum dia o visse daquela forma: como alguém mais do que o amigo chato, quem sabe alguém que ele quisesse segurar as mãos que não fossem aquelas tão mínimas e beijar sem ter que ficar de joelhos.

Seus olhos se encheram de lágrimas e ele respirou fundo para não as derramar.

— Ei. — Jimin se sentou ao seu lado, circulando suas costas com o braço. — Está tudo bem, Yoon. Vamos dar um jeito.

Desolado, o falso gnomo negou.

— Não vai ficar bem, Jiminie. — Limpou os olhos com as costas das mãos, não conseguindo mais controlar as lágrimas. — Eu vou ficar assim para sempre.

Abraçando-o com mais força, o Park discordou.

— Você não vai ficar assim para sempre. — Seus dedos brincaram com o ombro que seguravam. — E mesmo que fique, eu caio na porrada se mexerem com você.

Yoongi não conseguiu rir.

— Eu vou correr pra sempre de cachorros? — choramingou o Min. — Hoje me chamaram de Satanás! Eu não sou isso!

Jimin o encarou, triste e preocupado. Seus rostos estavam perto, todavia Yoongi encarava o chão e não percebeu.

— Yoon… — chamou-o com cuidado. — Sabe, em quase todas as histórias das princesas, há apenas um jeito de salvá-las.

O ruivo sacudiu a cabeça, chateado.

— Isso não vai funcionar, Jimin!

— Yoon… — repetiu o Park, em seguida segurando o rosto do amigo com a mão que não o rodeava. De perto, viu os olhos dele brilharem pela umidade e suas bochechas se avermelharem. — Sempre um beijo de amor verdadeiro é capaz de quebrar as maldições.

Desviando a vista dos olhos que o encaravam, Yoongi acompanhou os lábios carnudos do amigo se aproximarem dos seus.

Algo dentro de seu peito esquentou e seu estômago parecia se revirar no lugar no exato momento em que suas bocas se tocaram e Jimin o beijou com tamanha ternura. Um arrepio percorreu sua coluna, espalhando-se por seus braços e pernas, enquanto seu coração disparava ao passo de cavalos de corrida.

Yoongi sentiu seu mundo girar, exatamente como as câmeras de filmes faziam ao redor do primeiro beijo dos protagonistas. Não duvidaria de luzes em formato de corações e pétalas de flores sendo espalhadas pela sala de estar, muito menos de que aquele beijo tivesse a capacidade de curar tudo o que o afligia.

Porém, toda a euforia do momento não passou das sensações que qualquer beijo de Jimin poderia causar, afinal, quando se separaram, o Min ainda era o falso gnomo, com suas roupas de leprechaun e cabelos rubros como suas bochechas.

Jimin não o encarou com pena, pois estava muito ocupado admirando a pessoa que há tanto queria beijar e finalmente havia o feito. Yoongi, por sua vez, sentiu um pouco de tudo o que poderia: felicidade, vergonha e preocupação.

— O que isso significou pra você? — indagou o ruivo, utilizando todas as suas forças para manter o contato visual.

— Que eu te dei um beijo de amor verdadeiro — Jimin respondeu com um sorriso no rosto.

— Eu meço cinquenta centímetros, Jimin — retrucou o falso gnomo.

O Park beijou sua bochecha.

— Quer dizer que meu amor vai transbordar desse seu potinho pequeno.

Yoongi cobriu o rosto, envergonhado e sem saber o que dizer, sendo logo abraçado novamente.

— E antes que você me pergunte, isso quer dizer que eu não me importo se você é um gnomo agora — afirmou Jimin. — E se você me quiser, eu te quero de todas as formas que você puder ter.

Yoongi não teve coragem de confessar que se sentia da mesma forma pelo amigo, entretanto devolveu todos os beijos que trocaram depois da declaração do Park e retribuiu cada gesto de amor que poderia.

Ainda não estava acostumado com seu corpo e nova realidade, mas o carinho que Jimin entregou a ele naquele dia, desistindo de suas festas apenas para estar ao seu lado e comemorar o Halloween entre eles, o fez aceitar melhor que, apesar de tudo, havia alguém que não o julgaria por algo que ele nem sabia como tinha se transformado.

No final daquela sexta-feira atípica, os dois dividiram a cama do Park, trocando selinhos e promessas de um dia posterior melhor. Yoongi dormiu bem, apesar de tudo, enrolando-se nos lençóis muito maiores que seu corpo.

Pela manhã, no entanto, sentiu muito frio e nenhum pano o cobria para espantar a sensação. Procurando pela coberta, tocou no corpo quente ao seu lado, percebendo que seus dedos cobriam muito bem a cintura retilínea de Jimin.

Seus olhos se arregalaram e, como na manhã anterior, deu um pulo no lugar, acordando o outro.

Seu corpo havia voltado ao normal e ele não parou suas mãos antes que passassem a tocar por todo lugar, apenas para confirmar que sua vista não o enganava.

Igualmente espantado — e levemente envergonhado pela nudez alheia —, Jimin também abriu seus olhos em incredulidade.

— Eu voltei ao normal! — gritou o Min. — Eu sou humano!

Ele pulou em cima do Park, abraçando sem se importar com o fato de estar nu e encheu-o de beijos, gritando várias vezes que havia voltado ao normal.

E do outro lado daquela parede, fumando seu cigarro ilícito e praguejando contra aquele garoto idiota que em nada acreditava, a vizinha de Jimin se arrependia de ter escolhido tão mal qual seria a solução para a maldição que jogou em Yoongi.

Quem diria que aqueles dois, tão diferentes, iriam se tocar dos seus sentimentos?

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Notas Finais: E por hoje é só :) muito obrigada a qualquer pessoa que tenha lido! E, à pessoa que tirei, obrigada pelo carinho em suas palavras em seu pedido. Espero ter lhe deixado alegre com esta fic!

22 de Octubre de 2022 a las 23:14 0 Reporte Insertar Seguir historia
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