llime Emilla Pièrre

Dois para a direita, dois para a esquerda 4 0 9. Atrás do quadro de família, perto da lareira.


Crimen No para niños menores de 13.

#suspense #crime #aventura #mistério #policial #lgbt #época #automutilação #lgbtqia+ #histórias-originais
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Prólogo


Era uma vez, um menino que tinha certa atração por armas brancas. Ele tinha uma fascinação por elas, eram pontudas e brilhantes. Hipnotizantes diria.

Era uma manhã fresquinha de outono quando achou uma adaga na cômoda de seu falecido avô. Seus olhos brilharam. Finalmente havia encontrado o objeto que tanto almejava. Ela era linda, a lâmina prata brilhante capaz de cortar qualquer coisa, contrastava com o cabo preto esculpido detalhadamente pelas mãos mais perfeccionistas da Vila. Seu tamanho era ideal, enfim, ela era perfeita.

A encarou por segundos, minutos, horas, não sabia dizer. Ela parecia lhe hipnotizar.

Então, numa súbita vontade de senti-la, a escorregou lentamente por seu braço. Seu sangue vermelho como tinta e quente como velas derretidas manchava os lençóis brancos de seda.

Oh céus! Como era boa essa sensação! Seu sangue derramava no chão, e ele exclamava em excitação. Seu sorriso cada vez maior e... uau! Como era prazeroso.

Acabou não resistindo a tentação, a passou em sua bochecha e foi a descendo sentindo o líquido vermelho escorrer em sua pele, parou por embriaguez ao chegar na barriga. Seu corpo clamava por ajuda, mas sua animação era tanto que nem sequer fez questão de se importar.

Até que sentiu a vista embaçar, o corpo fraquejar, a adaga cair, e a dor. E assim, foi ao chão. Afinal tinha perdido muito sangue no fatídico ato. Mas... por mais estranho que fosse, não se arrependeu. Se pudesse faria de novo, mas não tinha forças para continuar. Então ficou ali no chão até o sangue secar.

_-_

Era manhã de outono. Havia despertado com algo caindo em cima de si. Era vidro. A janela havia se partido, culpa das crianças da casa de trás. Mas não se preocupava com isso agora.

Seu corpo doía e pedia por ajuda. O menino então parou de teimar e finalmente a ajuda chamar.

Rastejou com o resto de forças que lhe restava até o telefone. Discou o número do Ponto Socorro, foram longos segundos escutando um "Pii-Pii" não se incomodava com isso, mas seu raciocínio foi interrompido pela mulher do outro lado da linha.

-Ponto Socorro, bom dia? - ela dizia calma esperando uma resposta, mas não foi isso que recebeu. Apenas alguns grunhidos de dor eram ouvidos. Então a atendente logo se alarmou e perguntou:

- Senhor me dê seu endereço por gentileza? - com um pouco de dificuldade o passou para a mulher, e desligou logo após saber que chegariam em alguns minutos.

O menino então parou e ficou refletindo. Mas no meio desse processo se alarmou E se pegarem minha adaga? Se perguntou. Ainda com dificuldade chegou até ela e se sustentando nas paredes, a escondeu.

Dois para a direita, dois para a esquerda 4 0 9. Atrás do quadro de família, perto da lareira.

Essa era a localização do cofre onde tinha posto sua preciosa adaga envolta de um lenço de seda branco após limpá-la. Afinal não queria seu bem mais precioso sujo de seu sangue.

Voltou para seu quarto à procura da faca que deixava dentro da gaveta. Com ela, fez um pequeno corte no pulso. O suficiente para conseguir manchá-la. O pano que limpou sua adaga serviu também para compor a cena. De fato, era uma cena de um suposto crime bem convincente. Ninguém o descobriria.

Pelos esforços que fez, caiu no chão novamente. Com a faca jogada pelo cômodo e o vidro no chão, ficou à espera do socorro.

Dito e feito, dez minutos depois entraram três homens – que julgou serem médicos - e dois policiais em sua casa. Não viu muita coisa, apenas um dos médicos perguntando seu nome e um policial mexendo em suas coisas enquanto o outro anotava alguma coisa.

Quando acordou, estava na cama do centro médico da Vila provavelmente. Percebeu que tinha sangue sendo injetado em si. De quem seria esse sangue? Se perguntava.

Observou em sua volta, era apenas um vão vazio com paredes de pedregulho e madeira para sustentar, nada demais. Alguns minutos se passaram e um homem alto de jaleco entrou no quarto perguntando como estava se sentindo. Respondeu que estava bem, e de fato estava. Afinal, com tudo que já passou em seus quase vinte anos de vida, não seria uma perda de sangue que o mataria.

-Mais tarde alguns oficiais da Polícia virão aqui te interrogar. Pelo estado de seu corpo podemos dizer que quem quer que tenha feito isso com você, não teve a intenção de matar. As evidências mostram que ele supostamente entrou pela janela e te violentou na cama. Mas tudo ainda é bem incerto - dizia o médico com um semblante sério encarando o menino que lutava para conter sua euforia. Seu plano estava dando certo!

-_-

Poucas horas depois escutou passos firmes e nada discretos vindos do corredor. Devem ser os policiais, ele pensou. Como se fosse extinto, encolheu-se no canto da cama quando viu dois homens de farda armados. Um deles, parecia ter em torno de quarenta anos. O outro parecia ter um pouco menos de idade. Não tinha ido com a cara deles, mas não era tempo de pensar no passado. Foco.

- Senhor...

-Jwezz.

-Pois bem Sr. Jwazz, imagino que já esteja ciente do ocorrido correto? - Perguntou um dos policiais presentes ao se aproximar. - Tem alguma ideia de quem pode ser o criminoso? - De repente, a euforia que havia sentido horas atrás estava de volta, mas claro, se conteve em apenas negar com a cabeça. - Ok.

O homem mais velho o encarou com frieza e não esboçava paciência. Sua expressão rígida o deixava com um clima severo. Seu olhar parecia fuzilar, como se quisesse tirar algo do menino. Por um momento, duvidou que o policial estivesse suspeitando de si ou o descoberto, mas… era impossível.

O silêncio tomou conta do quarto, todos sérios não expressavam nenhuma emoção. Pareciam estar pensando em algo de relevância, mas não fazia questão de tentar adivinhar o que era. Minutos de silêncio se passaram até que deixou um suspiro ecoar pelo vão chamando a atenção de todos ali.

- O que fez na noite passada? - Ah, como esperou por essa pergunta. Já havia pensado em inúmeras respostas para ela tantas vezes. Criando e recriando histórias de fachada. Mas a escolhida foi a que ele apelidou de "Lixies A":

- Bom, ontem eu tomei meu banho como de costume após a janta e logo fui dormir – começou o menino. - Porém, cerca de dez minutos antes de eu adormecer por completo, escutei uma certa movimentação ao lado de fora, mas não dei importância, pois eu achava que provavelmente eram as crianças da casa de trás. Um tempo depois que peguei no sono escutei a janela se partir. Obviamente eu acordei assustado, mas na minha cabeça, eram as crianças que haviam feito aquilo. Mas em vez disso, me deparei com a silhueta de uma pessoa alta que vestia uma grande capa que parecia ser verde. Ela vestia um capuz então não pôde nem identificar seu gênero. Parecia usar botas de cano longo de tom escuro. A falta de iluminação não contribuiu para a identificação. Infelizmente não houve tempo para qualquer reação. Senti algo encostando a mim. Não sabia o que era, mas ardia. Minha visão foi ficando mais turva a cada segundo, meu corpo foi amolecendo e a última coisa que vi foi uma faca sendo retirada da capa. Eu não sei o que aconteceu depois, também não sei se algo foi roubado.

Ficou satisfeito com a história. E ainda mais satisfeito em ver os semblantes de contentamento dos policiais.

-E como o senhor conseguiu ligar para o Pronto Socorro se foi largado naquele estado? Pelo o que vimos não havia nenhum telefone em seus aposentos. E como vemos, você está tomando sangue, o que indica que perdeu bastante dele. Seria um pouco complicado descer as escadas sozinho nas suas condições e subir novamente para seu quarto. Como explica isso senhor Jwezz?

-Ah... quando eu acordei, cheio de sangue, fiquei meio perdido. Depois veio o choque. Flashs da noite passada vinham à minha cabeça. Isso me fez ter enxaqueca. Depois de me acalmar, a primeira coisa que pensei foi em tratar meus ferimentos sozinho.

-Mesmo vendo sua própria situação?

-Não julguei que fosse necessário. Os cortes não pareciam ser fundos, já tratei coisa pior senhor...

-Jowel.

-Jowel. Como dizia antes, já tratei coisa pior, acredite. Meu avô era médico e eu o ajudava na clínica quando era vivo. Então como eu estava apenas sentindo uma leve vertigem foi possível que eu conseguisse me levantar. Com isso em mente, desci as escadas indo em direção a cozinha onde ficava minha maleta de primeiros socorros. Mas acabei me sentindo um pouco pior quando cheguei lá. Como estava perto do telefone liguei para o serviço daqui.

- Você disse que estava se sentindo um pouco pior depois que desceu as escadas.

-Correto.

-Se não estava se sentindo bem, por que subiu novamente as escadas?

-Conforto apenas.

-Conforto? – O outro policial perguntou confuso. – Você poderia ter caído da escada e se machucado mais do que você já está.

-Tenho consciência disso Policial. Mas eu não estava com vontade de deitar-me no chão. Talvez, se eu tivesse me deitado no chão, eu poderia estragar alguma pista, não? Talvez pegadas ou até mesmo digitais, alguma substância, enfim. Então mesmo com toda a dificuldade eu quis subir novamente para meus aposentos. Se a pessoa que fez isso comigo me deixou na minha cama deve haver alguma razão não acha?

-É um bom ponto – o médico se pronunciou.

-Mais alguma pergunta policiais?

-Não. Obrigado pelas informações. Infelizmente a notícia se espalhou como poeira pela Vila, todos estão preocupados com esse criminoso. Queríamos manter esse caso sob o tapete, mas sabe como é, numa cidade pequena os rumores se espalham fácil.

-Acha que vale a pena abrir uma investigação para isso senhor?

-Por hora, creio que não seja necessário. Obviamente, não é algo que possa ser ignorado de fato. Mas não vejo o porquê de começarmos agora.

-Por que, Jowel?

-Porque pode ser um esforço em vão, James.

-Creio que não. Esse já é o segundo caso nesse estilo que tivemos num intervalo de um mês. As chances de eles terem uma relação é grande.

-Posso dar minha opinião sobre isso? – perguntou o menino.

-A vontade.

-Bom, acho que possa valer a pena sim abrir uma investigação agora. Mas uma discreta. Quem quer que tenha feito isso, possivelmente crê que que seus atos desencadeariam numa grande investigação. Que causaria discórdia, medo, entre outras situações na população. O que daria uma certa brecha para que essa pessoa fizesse tudo com mais facilidade em atos indiretos. Por exemplo: julgo que se ela agir mais duas vezes, as pessoas vão começar a achar que algo estranho está acontecendo. O que causaria medo, ódio etc. Com o tempo todos começariam a suspeitar de todos. Isso os deixariam vulneráveis. E então estaríamos entrando numa busca de gato e rato. Cujo nós somos os ratos. Compreende o que quero dizer policial?

-Compreendo. Bem que diziam que a família Jwezz tinha boa cabeça. De fato, rapaz o que disse está certo e faz bastante sentido. Mas como tem tanta certeza de que isso ocorreria?

-Oh não, não. Você entendeu errado. Não tenho certeza de que isso aconteceria. Não tenho bola de cristal para prever o futuro. Mas pela lógica, há muitas chances dessa minha teoria realizar-se.

-Jowel - chamou o outro policial -, acho que é conveniente acreditar no rapaz. – O policial mais velho se virou para o outro.

-O que lhe faz crer que nossa melhor escolha é seguir as recomendações dele, policial James?

-A razão é bem simples: nunca teríamos pensado nisso. E se tivéssemos pensado, seria quando toda calamidade já estivesse enraizada. A ajuda dele seria de extrema importância para a investigação. Está de acordo com isso certo?

-Por esse lado, sim. Seria interessante a sua ajuda senhor Jwezz. Está de acordo com isso?

"Ajuda de extrema importância Hm?". Não estava em seus planos participar da investigação, mas seria muito mais interessante ver o cachorro correr atrás do próprio rabo em vez de acompanhar de longe.

Com essa conclusão, acenou a cabeça em concordância com o homem.

-Ótimo! – exclamou James. - Só tenho mais uma pergunta: acha que algo pode ter sido roubado?

Não, com certeza não. E também, mesmo se tivesse não saberia. Afinal, estava supostamente apagado em sua cama e acordou no Pronto Socorro.

Se tivessem roubado algo ou não, para ele não faria menor diferença. Desde que sua preciosa adaga estivesse ali, envolta da seda branca, dentro do cofre atrás do quadro de família, para apenas ele saber de sua localização, estava tudo sob controle.

-Como tinha falado antes, não sei se algo possa ter sido roubado. Na minha pequena “caminhada” do quarto até o telefone, não vi nada fora do lugar.

-Pois bem, menos uma especulação para os civis criarem. Até agora só tivemos um caso dessa escala dês do mês passado. Acha que podem ter alguma relação?

Caso dessa mesma escala? Teria alguém para incriminar? Ah! A sorte está em seu lado!

Sentiu uma gota de suor escorrer pelas costas, mas está tudo bem. Sempre está bem, sua situação fica cada vez mais divertida. É excitante!

O homem que estava a sua frente aguardando sua resposta, suspirou cansado. Esse caso só o traria dor de cabeça. Um possível assassino, até então sem suspeitos ou pistas. Duas vítimas, uma encontrada em casa morta a - aparentemente - facadas. As quais foram profundas e violentas. A outra, encontrada desacordada na cama do quarto com indícios de invasão, também sofreu cortes, porém estes, não tinham nenhuma evidência de ter intenção de matar. Suspirou novamente atraindo a atenção dos outros.

-Se nos dão licença, vamos nos retirar agora e o deixar descansar. Passar bem senhores - acenou.

-Igualmente - respondeu o médico abrindo a porta. O menino fez apenas um aceno antes de atravessarem a porta voltando sua atenção ao garoto logo depois. - Bom, o senhor vai ter alta amanhã se passar bem essa noite. - Olhou a prancheta que segurava - Como perdeu bastante sangue terá que ficar em observação e continuar com o sangue sendo injetado no corpo. Sobre as feridas, elas já estão fechadas. Teve uma em específico que precisou levar alguns pontos, nada muito grave.

Pontos? Não lembrava de ter feito algum corte muito profundo…, mas não teria como confirmar isso. Pensaria nisso depois.

- As outras já estão quase cica-

-De quem é o sangue? - o menino interrompeu

-Perdão?

-De quem é o sangue?

- Ah - tal pergunta fez o homem arquear suas sobrancelhas. Não era uma pergunta comum para ele em toda sua vida na medicina. Ninguém nunca havia se interessado ou se importado em saber de quem era o sangue do doador. -, infelizmente não vou saber responder isso. Para saber eu teria que ir à sala dos arquivos dos doadores e procurar o arquivo.

-Então vá.

-Desculpe senhor, mas por hora não tenho tempo pa...

-Vá, agora – interrompeu. - Não estou pedindo.

-Senhor…

-Vá.

- Ok, espere uns minutos por favor. Com licença.

Estava tudo indo melhor do que ele esperava. Os policiais tinham caído em seu jogo, e havia alguém para incriminar. Tudo estava dando tão certo que Jwezz estava duvidando de sua sorte. Teria de ficar atento.

Olhou para seu reflexo no espelho do canto do quarto. Estava um caco. Cheio de cicatrizes, olheiras, até seu cabelo que sempre estava bem aparado tinha criado uma espécie de mullet. Ele também estava mais branco que o normal.

-Argh. Péssima hora pra reparar em minha aparência. Mas acho que vou deixar o cabelo crescer, já estou nessa mesma mesmice a tempo demais além disso...

_-_

-A-Ah... senhor.

-Sim, doutor?

-Estava falando com alguém?

-Oh não, não. Falando comigo mesmo apenas.

-Entendo... b-bom, eu trouxe o que pediu.

-Ótimo! E aí? Qual é o nome do felizardo?

-David Arthot, trinta e seis anos.

-Interessante... – murmurou.

-Disse alguma coisa Sr. Jwezz?

-Não. Apenas murmurei. Hmm, senhor Linconn, certo?

-Sim.

-Tem permissão para mi contar onde David Arthot vive?

-Não, senhor. Prezamos a privacidade de nossos doadores.

-Certo.

15 de Mayo de 2021 a las 10:49 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Conoce al autor

Emilla Pièrre Hey família! Tudo bem? Eu particularmente adoro ler sobre assuntos delicados, poemas, romances e poesias. Sou apaixonada por música e arte em geral. Recentemente eu comecei a beber café e acho que deveria ser considerado uma espécie de droga, sinceramente. O negócio é viciante!

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