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A impulsiva ideia de sair do Brasil não envolvia apenas rever a irmã mais velha, mas lidar com os impactos que sua partida causaram em sua vida, há sete anos. O sol entrou pela janela do avião fazendo com que olhasse para a paisagem lá embaixo e assim que pousou em Seul, Ana se arrependeu. Porém, o reencontro das duas não vai resolver apenas conflitos antigos como também abrir novos caminhos em suas vidas.


Drama No para niños menores de 13.

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Você está perdida né?

Yeongdeungpo - Seul - Coreia do Sul - Sol · 33 °C - 13:40


A carta amassada pesava no bolso como se fosse feita de chumbo. O papel tinha cheiro de guardado, já tinha sido rasgado mais de uma vez e os pedaços se colavam de forma desordenada, áspera entre os dedos. A letra de forma não se parecia em nada com a de sua irmã. Encarou os desenhos no envelope e olhou o prédio de cima a baixo, era aquele o número. A garganta seca incomodava, mas já tinha esvaziado as duas garrafas de água. O segundo bolinho desceu arranhando com um gosto estranho de alvejante de limão que grudou na língua. Levantou-se, voltou até o posto do outro lado da rua, pediu uma Coca-Cola e tomou tudo de uma só vez deixando a latinha no balcão.


O prédio não parecia ter segurança e nem porteiro, era só apertar o interfone e subir. Só isso. Era só apertar e subir. Levantou-se do banco ajeitou a mochila nos ombros e subiu os poucos lances de escada parando em frente a porta de vidro. Apertou uma vez, duas vezes, três vezes. Não tinha ninguém em casa. Sentou-se nas escadas se sentindo irritada. Será que ela havia se mudado? O pensamento fez seu coração acelerar causando dor de cabeça e embrulho no estômago, gosto ruim. Sabia que se fosse esse o caso, estava perdida e não tinha como voltar atrás. Ouviu a porta atrás abrindo e levantou-se automaticamente, olhando para a senhorinha que a encarou por alguns segundos, desconfiada. Não sorriu e não falou nada apenas passou pela porta indo direto até o elevador. Sétimo andar. O botão apitou e a tela começou a contagem conforme subia pelos andares, seu pé batia no chão sem ritmo e as mãos suadas apertavam as alças da mochila.

A porta abriu.

E fechou.

E abriu.

E fechou novamente.

O elevador começou a descer.

Parou no 3° andar, duas pessoas entraram esbarrando em seu ombro, a porta se fechou e todos chegaram no térreo. Saiu do elevador e ficou parada no pequeno corredor por um bom tempo até que saiu pela porta indo em direção ao posto. O cabelo grudava na testa suada e mesmo assim ela mantinha o moletom fechado, as mãos suavam dentro dos bolsos e ela riu de nervoso indo até a geladeira cheia de refrigerantes, novamente. Encostou a testa da porta contando as latinhas pelo vidro e tentou se acalmar, mas já tinha perdido o controle da respiração fazia tempo.


A tarde foi escurecendo aos poucos e virou noite, as ruas estavam mais movimentadas do que ela esperava àquela hora, alguns restaurantes e bares abertos. Andou pelas mesmas ruas mais de uma vez, contando as horas no visor do celular e quando percebeu estava de volta á rua do posto.


– Você está perdida né? - ouviu uma voz e se virou assustada. Olhou a menina de pequenos olhos que sorria simpática. –Está o dia inteiro entrando e saindo da lojinha... - reconheceu a menina do balcão, mas não respondeu. Tirou o casaco, finalmente, sentando em uma das mesinhas de plástico que ficava do lado de fora. Tirou o último bolinho de dentro da mochila e abriu a garrafa de água, o prédio do outro lado agora começava a acender as luzes. – Toma, eu não vou comer tudo mesmo. - um pote de cup noodles com cheiro de carne apareceu a sua frente. Levantou o rosto e a encarou. – Pode comer, é sério. - continuou em seu inglês quase perfeito. Ana respirou fundo, pela primeira vez no dia e pegou o copo quente na mão sem discutir.


– Obrigada. - respondeu em coreano, sorrindo torto para a menina.


Abriu os olhos lentamente e viu um passarinho comendo o resto de macarrão de dentro do copo de plástico. Levantou a cabeça devagar sentindo uma dor absurda no pescoço, ajeitou as costas na cadeira e passou a mão no bolso da calça confirmando o dinheiro, o passaporte e o celular. O aparelho apitou que estava descarregando e quando levou a mão á mochila ela não estava lá. Empurrou a cadeira e a derrubou no chão, os olhos começaram a procurar desesperadamente pelos cantos e Ana entrou na loja com o coração na boca. A mochila estava em cima do balcão perto dos doces e ela a agarrou com tanta força que assustou a senhorinha que passava com duas garrafas de soju. Atravessou a rua sem pensar, ainda tonta e subiu as escadas do prédio apertando o botão do apartamento incessantemente. Nada. Agarrou a maçaneta da porta e começou a balançar com força tentando abri-la, mas a tranca mal se mexeu, socou os vidros, mas pareciam blindados. Seu corpo inteiro tremia e ela só teve tempo de sentar na escada antes de começar a chorar descontroladamente. Algumas pessoas paravam e a encaravam, confusas sem saber o que fazer até que Ana ouviu o barulho da porta destrancar. Entrou no prédio sem olhar para trás.


O número sete na porta estava praticamente apagado e o tapete roxo era o único do lado de fora. Esfregava a mão no rosto tentando enxugar as lágrimas; deixando marcas avermelhadas em volta dos olhos. Ouviu bipes de senha na porta, se afastou andando para trás até encostar na parede e puxou o capuz do moletom tentando cobrir o rosto.


- Bom dia... - alguém falou em coreano. Abaixou a cabeça como se a respondesse, em reverência, um pouco confusa. Tinha ouvido que era falta de educação dar bom dia e boa noite. O coração veio na boca e todo o corpo reagiu se arrepiando. O cabelo da irmã mais velha estava enorme e seu rosto parecia cansado, ela usava pijamas de gatinhos e seguia pelo corredor arrastando os chinelos até uma outra porta, segurando uma garrafa térmica.


A porta ficou aberta a sua frente e Ana não pensou duas vezes: entrou apertando a mochila contra si.

17 de Abril de 2021 a las 01:24 0 Reporte Insertar Seguir historia
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