juanpablo Juan Diskay

Um grupo de arqueólogos foram contratados para uma experiência única. Além de tentarem revelar a história na exploração arqueológicas, os desejos abrigados e a ausência de afeição nos seus relacionamentos, aproximou pessoas que jamais cogitariam um dia estarem tão próximas. A descoberta de sentimentos guardados no fundo da alma eclodiu com a aproximação de duas vidas carentes de amor.


Romance Romance adulto joven Sólo para mayores de 18.

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A EXPLORAÇÃO

A espátula raspava o creme cozido das panquecas que eram preparadas para o coffe break para um grupo de convidados que se agrupariam naquela manhã. Já estavam para chegar. Haylie olhava sobre os ombros seu companheiro que estava completamente concentrado e folheando os documentos que ficara dias preparando para esta reunião.

Ainda estava vestida com o roupão de saída de banho com a toalha enrolada nos cabelos, vivia amargurada há algum tempo, pensando se não teria sido um erro, quando em alguns anos atrás, ainda atleta olímpica de natação, e sem algum resultado expressivo devido a sua pouca força física, migrou para saltos ornamentais, tendo assim conseguido várias medalhas e troféus nas incursões nacionais e internacionais, e em uma destas viagens acabou conhecendo um bonito e carismático francês, Jean Martin, não resistindo aos galanteios e as insistentes abordagens, apaixonou, cedeu a inocência e abandonou sua promissora carreira de atleta para cuidar do resultado das intensas entregas amorosas, gerando em poucos anos dois filhos na relação.

Quase matou seu pai do coração com a atitude.

Abandonou os estudos na faculdade de educação física para dedicar a arqueologia, seguindo a já estabilizada carreira de seu amado, que até então lecionava nas melhores faculdades e museus do mundo, mostrando seu profundo conhecimento na história antiga de várias civilizações.

Percebeu que havia optado por um caminho que não era muito atraente para ela. Formou, mas preferiu cuidar das proles do que sair pelo mundo escavando buracos e escrevendo livros.

Isto a tornou dependente demais de seu companheiro, que era 25 anos mais velho que ela, e quando em uma interminável viagem nos confins da Eritréia, mais precisamente no sítio arqueológico na região de Debub, sentiu o afastamento e o abandono de Jean. Desde então, perdeu o amado, o dinheiro do amado, a companhia do amado e começou a entrar num processo depressivo, sendo acalentada pelo seu atual parceiro, Pietro Garcia, outro também bem mais velho que ela, apostando novamente na renovação da vida.

Puro engano. Também participante deste seleto grupo de estudiosos da arqueologia, e amigo de Jean, aproveitou a brecha deixada pelo francês, e abordou a linda e abandonada canadense, que necessitava de muito amor e carinho, além do dinheiro para pagar as contas que não paravam de chegar.

Outro começo lindo e naturalmente foi se esvaindo com o tempo (de 100%) de Pietro dedicado (também) ao trabalho. Além da formação em antropologia e história das civilizações, Pietro era consultor de várias empresas na área de artes arqueológicas. Era o “cara” que arrumava os financiamentos (patrocínios) para as incursões.

Voltando as dúvidas depressivas de Haylie, tentava de todas as formas manter a aparência de um relacionamento maravilhoso e estável, mesmo que por detrás das portas de entrada, o isolamento e as abstinências humanas eram continuamente sucedidos.

Pensava em abandonar seu segundo relacionamento, mas entendia que seria fatal para seu pai. A sua casa era um presente do pai e ela só tinha a obrigação de mantê-la, onde já não conseguia fazer.

— “A casa é sua e é sua a obrigação de cuidar dela também”! Ouvia de Pietro estas amarguradas indagações quando solicitava alguma ajuda.

— Agora vejo que eles interessaram apenas me levar para a cama! Pensava.

Aproximou por detrás de Pietro, e o abraçou beijando o couro cabeludo, que já não era tão cabeludo assim.

— O café está pronto!

— Então vá se vestir! O pessoal já está chegando! Respondeu sem tirar olhos das anotações.

Frustrada, foi para o quarto, pensando na sua insistência de querer manter o relacionamento, mesmo sabendo que já estava fardado a falência.

Tirou o roupão e a toalha, procurava as peças íntimas para cobrir a beleza física dos seus 35 anos. Antes de vestir, a olhou na frente do grande espelho, sem motivação para apreciar a sua ainda destacada beleza natural, monocromática, com as curvas encantadoras preservadas e tudo assimetricamente no seu devido lugar. Rodeou o corpo, olhando o reflexo do seu abundoso traseiro e logo se distraiu com o toque da campainha anunciando a chegada dos visitantes.

— A quanto tempo, Ray!

— Já tem bastante! Abraçou Pietro com o reencontro.

Rayan Finley, ou Ray, como todos o conheciam, era um consultor de História Geral. Atuava como um arqueólogo independente, conhecia cada palmo do planeta Terra. Formado em história, tornou autodidata em arqueologia, sendo muito bem-sucedido na profissão. De uma beleza natural ímpar, as suas origens ancestrais do interior da Áustria eram desconhecidas, com a fama de deixar centenas de corações apaixonados partidos por onde passara. Solteiro por opção (ou esperteza), decidiu que seria melhor seguir o seu caminho com desimpedimentos amorosos, quando percebeu que todos seus amigos e conhecidos passavam por sérias dificuldades em manter os matrimônios devido as viagens longínquas e isoladas, derretendo a paciência das suas amadas.

Não demorou muito e os outros convidados chegaram.

— Já irei apresentar! Vamos aguardar Haylie! Justificou Pietro, acomodando todos na sala.

Alguns murmúrios e logo surgiu a loira canadense apertada em uma calça jeans justíssima e uma camisa solta, não evitando o escaneamento visual dos presentes na sua singular beleza.

— Bom dia, senhores! Ray! Meu amigo! A quanto tempo, seu sumido!

— Como vai, Haylie? Respondeu Ray, abraçando a amiga.

— Estou bem! E você?

— Na mesma! Trabalhando muito! E as crianças?

— Estão bem! Estão com o papai em Klondike já tem alguns meses! Nunca vi gostarem tanto de neve! Parecem esquimós! Vão passar um tempo com ele até que eu resolva algumas coisas por aqui!! Venha! Vamos sentar!

— Muito bem! Bom dia, senhores! Primeiro agradecer a presença e o acolhimento do meu convite! Todos sabemos o tão quanto é difícil reunir um grupo tão seletivo como vocês! Vamos às apresentações, mesmo sabendo que já se conhecem por nome, por fama ou incursões! Exclamou Pietro.

— Esta é Haylie, minha companheira! Tem dado muito apoio nas minhas empreitadas e neste novo projeto ela tem participado efetivamente no processo!

— Aqui temos Rayan Finley, e todos sabemos das suas qualidades em história das culturas, tanto que acho que ele é reencarnação de algum desbravador do mundo antigo! (Risos) É conhecido por todos por seu grande conhecimento na História das mais variadas civilizações, para não querer dizer todas, pois a arqueologia sempre nos oferece surpresas. É um consultor nato e sempre deu excelentes resultados! Podem chamá-lo de Ray! Acredito que dentre nós seja a pessoa com mais experiência na nossa área! Mas esta é minha opinião! Não quer dizer que todos concordem!

— Agora apresento os irmãos Marged Delwyn e Maxen Delwyn, herdeiros da dinastia do saudoso e meu grande amigo Dr. John Delwyn, que deram continuidade ao trabalho e profissionalismo em descobrir vestígios de civilizações antigas. São geólogos e arqueólogos de formação, e lesionam em várias universidades e museus de arqueologia. São galeses de nascença e sempre rebatem que são da nação Planeta Terra. É redundância dizerem que são gêmeos quase idênticos. Tem a fama de inseparáveis. Também são carinhosamente chamados de Maggi e Max!

— E por último temos aqui Nefertari Nefertiti, ou como todos a conhecem, Milly, que é evidentemente mais fácil de pronunciar! (Risos geral) Ancestral de uma das civilizações mais incríveis do planeta, o Egito, nasceu no subúrbio de Cairo e continuou também com a herança profissional de seus pais e avós. Na verdade, inicialmente convidei Vasile Midoslav, mas está empenhado no trabalho sobre a batalha de Queroméia, buscando vestígios nas ruínas de Cadméia, na histórica Província de Beócia, como sabemos que é em Tebas, mas da Grécia antiga. Um trabalho fantástico. Milly estava assessorando Vasile, e me recomendou esta profissional, que para mim foi até melhor, pois tem uma especialidade que é a história pré-colombiana e profundos conhecimentos na história medieval e feudal Europeia e suas colonizações nas Américas!

— Ou devastações...!!! Retrucou Ray.

— Muito bem! O objetivo aqui não é este! Que eles paguem por seus pecados! Enviei a vocês uma prévia desta reunião! Eu e Haylie a uns três meses fomos participar do Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica, na cidade de Iquitos, no Peru! Durante o evento, fomos visitar a cidade, que fica na Província de Loreto, nordeste do país!

— Andaram longe, hein? Debochou Ray.

— Para nós arqueólogos não existe distância entre o local da exploração e as descobertas da história!

— Quase chorei que esta citação! Debochou também Milly.

— Chega de ironias! Fomos a uma feira de artesanato, Mercado Belén, e compramos algumas peças de artes Incas, imitações e falsificações evidente, e quando retornamos ao hotel, olhando detalhadamente, uma das peças era claramente uma peça original, que posteriormente calculamos ser de entre o século XII ao século XIV. Ainda está em análise. O resultado deve sair daqui uns dez dias.

— Como o feirante achou a peça? Perguntou Maggie.

— Aí que vem a melhor parte! Retornamos na feira e o vendedor nos disse que achou na sua propriedade, e que não imaginava o valor histórico da arte! Inclusive nos informou que vendeu vários achados a outros turistas!

— Minha nossa! Todos reclamaram.

— Marcamos de ir até seu terreno e nos indicou o local!

— E aí????

— Identificamos a área, isolamos cerca de 5 hectares, apresentamos ao Governo Peruano e na semana atrasada, cerca de 15 dias, conseguimos a liberação para abrirmos o sítio e alguns bons patrocinadores. Museus e Galerias. Precisamos partir dentro de dois dias no máximo e daqui a três começa a contagem regressiva de três meses para darmos algum resultado! Deveremos ter que obter um resultado de no mínimo 30% do valor investido. Se não acontecer nada representativo neste período ou não acharmos algo interessante, encerramos a investida!

— Duas perguntas! Solicitou Milly.

— Pois não!

— Onde fica exatamente o sítio?

— Ao norte de Iquitos, tem uma cidadezinha chamada Padre Cocha, onde acessamos a um rio chamado Momón, um afluente do Rio Amazonas. Este pequeno rio recebe as águas da cordilheira e algumas nascentes que vem do Oeste. Subimos por ele por cerca de 4 horas. Fica bem no meio da selva amazônica. Não consigo entender como conseguem sobreviver naquele local!

— Segunda pergunta: Como vamos ficar lá?

— Já está tudo preparado! Iremos nós seis e ficaremos em barracas individuais com ar controlado! Terá dois sanitários coletivos, um masculino e outro feminino, evidentemente! Toda a mão-de-obra pesada será local e já foi providenciada pelas autoridades peruanas! Teremos outras quatro barracas onde serão o refeitório, um laboratório, sala reuniões e o controle das peças descobertas, com catalogação e referências. Este serviço será executado por nós e supervisionado por uma agente indicada pelos patrocinadores! Mais alguma dúvida?

— Poderemos levar nosso próprio equipamento? Perguntou Max.

— Aí que está o motivo por escolher vocês! Tem as próprias ferramentas para executar o serviço!

— E como vamos ter certeza de que estaremos seguros, principalmente contra roubos?

— Quando vocês chegarem em Iquitos, todos os seus pertences serão catalogados e segurados! Já providenciei tudo! Tomem aqui um mapa do local e todas as referências referente ao resumo que acabei de passar! Posso contar com vocês?

Ray: — Sim!

Milly: — Também! Sim!

Maggie: — Estou dentro!

Max: — Sim! Vamos lá!

Todos se cumprimentaram e comentavam sobre a viagem e outros trabalhos que já fizeram pelo mundo.

— O café está na mesa! Chamou Haylie, indicando o local do desjejum.

Depois de várias horas de viagem, ponte aérea em São Paulo e Lima, chegaram a Iquitos completamente exaustos. Os procedimentos atrasavam ainda mais o momento para descansarem. Durante todo o translado as três mulheres ficaram juntas trocando informações sobre os trabalhos. Os homens ficaram um pouco mais isolados, estudando o formato do trabalho.

Mais à noite, Ray saiu para explorar o local, tentando achar um bom local para tomar um drink. Entrou num bar e não foi difícil identificar Milly, sentada em uma mesa, lendo alguns pareceres, sob o olhar curioso dos locais que certamente admiravam a beleza ímpar da egípcia, que mesmo que não fosse a sua vontade, chamava a atenção com seus traços finos e perfeitos, cabelos e olhos negros locados no rosto liso e moreno. Seu semblante árabe era inconfundível.

— Posso?

— Boa noite para você também!

— Me perdoe! Boa noite!

— Passeando?

— Descansei um pouco à tarde! Saí um pouco, talvez tomar um drink!

— A cerveja daqui está horrível! Parece um purgante!

— Pensei algo mais quente! Um Bourbon, talvez!

— Não me arriscaria!

— Vamos ver!

Para surpresa deles o local tinha várias bebidas importadas e de qualidade. Depois de algumas doses e muito bate papo, caminhavam em direção ao hotel, planejando ter um boa noite de descanso.

— É verdade que nunca casou?

— É verdade! E acho que nem pretendo! E você?

— Já tive alguns namoricos, mas nada sério!

— Para você também não é muito difícil arrumar alguém!

— Está me paquerando, Ray?

— Ainda não!

— Eu não tenho tempo para namoros! Cada dia estou em algum lugar! Tem uns oito meses que não vou a minha casa! Felizmente tenho muito trabalho, mas vida social é igual a zero!

— Mais ou menos igual a minha! Nosso trabalho exige muito do nosso tempo! Talvez um dia eu reduza este tempo!

Ao entrar no hotel, encontraram com Pietro no saguão, terminando uma ligação.

— Boa noite, pombinhos! Já deviam estar na cama! Amanhã será outro dia com muito trabalho!

Milly e Ray se olharam e redirecionaram para Pietro.

— Boa noite, “papai”! Eu já estava indo! E.... outra coisa! Não somos pombinhos! Não gosto deste tipo de brincadeira e acredito que já sou adulta o suficiente para fazer o que eu quiser e na hora que eu achar conveniente! Não gosto que as pessoas me vigiem e não lhe devo satisfações da minha vida pessoal! Então, me respeite! Rezingou Milly.

— Calma! Me desculpe! Preciso que todos estejam bem e seguros! Foi só uma brincadeira!

— Já lhe disse sobre brincadeiras! Outra coisa ainda.... O tempo da palavra “Preciso” que acabou de insinuar está errado. Soa com um tom individualista e o normal seria na primeira pessoa do plural, ou seja, “Precisamos”. Acredito que somos uma equipe! Boa noite! Se retirando apressada da presença dos dois.

— Puxa! Assustou Pietro.

— Mulheres, Pietro! Mulheres! Bom! Vou descansar também! Até amanhã! Seguiu Ray com duas garrafas de Bourbon debaixo dos braços.

— Até amanhã! Respondeu Pietro, pensando na atitude do pessoal contratado. Refletiu no erro de ter brincado com a egípcia.

— Que personalidade! Pensou.

Ao amanhecer todos já estavam no saguão aguardando a hora de sair. Conversavam entre si quando Pietro aproximou acompanhado por três senhores simpáticos e sorridentes.

— Pessoal! Quero apresentar-lhes os senhores Juan Pireal, diretor do Museu de Artes Amazônicas do Peru, senhor Paulo Gerfencia, supervisor da Associação Peruana de Arqueologia Inca e o senhor Diego Quispe Gonzalez, representante do Ministério da Cultura do Peru Amazônico. São eles que receberam todas as informações da nossa empreitada. A equipe deles já estão no local nos aguardando! A boa notícia que tudo já está pronto e preparado para começarmos!

Cumprimentos confraternizados, logo estavam nos veículos que seguiam para Padre Cocha, ao norte de Iquitos. Quase uma hora depois já estavam na embarcação “líder” que comandava outras duas que levavam os suprimentos da equipe de Pietro.

— O mundo é surpreendente! Cada lugar com suas características e suas belezas! Já estive na Amazônia brasileira e lá, como aqui, tem sua beleza peculiar, única! Refletiu Ray que admirava a grande floresta que margeava o sereno rio que ocultava mistérios e histórias daquela região.

Todos estavam em silêncio absoluto, maravilhados com a natureza quase intocável.

— Daqui umas quatro horas chegaremos lá! Esclareceu Pietro, observando no céu os rastros deixados pelos aviões transcontinentais. Aproximou de Milly, sentando ao lado.

— Me desculpe por ontem à noite! Fui intransigente e egoísta!

— Deixa para lá! Cada dia aprendemos alguma coisa ou conhecemos alguma pessoa! Não me importo! Só deixo o recado e depois durmo como um bebê!

— Tem razão! Não devemos nos preocupar com a atitude das pessoas! Temos apenas que cumprir com nossas obrigações! Responsabilidades!

Milly sorriu para ele e observava que Haylie estava a muito conversando com Maggi. Percebeu na loira uma dor oculta que a prendia em algum problema. Observava também a beleza singular daquela mulher, que inevitavelmente chamava atenção dos olhares famintos dos homens. Maggie também tinha sua beleza. Expressão discreta, percebia que ouvia mais do que falava. Magra e pequena, cerca de um pouco menos de 1,60 metros, exibia um rosto alvo que destacava os olhos azuis e sem maquiagem. Vaidades femininas passavam longe daquela galesa. Sequer um brinco ou relógio. Fofocas diziam ser lésbica, ainda sem confirmar, mesmos comentários do irmão ser gay.

Desviou seus negros olhos para Ray, que fingia distrair com a paisagem, mas corria seus discretos flertes para a sofrida canadense, sua amiga e patroa, que sempre desprendia um sorriso “amarelo” quando percebia a abordagem visual. Pietro alheio a tudo, folheava manuscritos e relatórios.

Interminável percurso, finalmente chegaram ao local de desembarque, uma pequena clareira aberta nas margens, onde iniciava uma trilha para uma caminhada de 30 minutos até o local da exploração.

O sol escaldante e a umidade a quase 100 por cento criava a sensação térmica de quase o dobro do ambiente. O clima tropical fornecia estas sensações de muito calor durante o dia, com intensa pluviosidade durante o ano todo, com raros dias que não chovia, e noite um pouco mais fresca, mas com temperaturas acima dos vinte graus.

Todos os “iglus” dormitórios tinha ar refrigerado e controlado. Impossível dormir bem com tantas variáveis climáticas sem uma alternativa de conforto. Mas isto era indiferente à equipe, acostumados a qualquer tipo de clima. Porém Pietro exigiu este tipo de acomodação para trazer o máximo de conforto à sua equipe.

Abaixo havia outro grande acampamento para o pessoal operacional com todas as acomodações necessárias.

— Ufa! Até que enfim! Reclamou Max.

— Organizem suas coisas e vamos almoçar. Depois vamos montar o plano de ataque e determinar as obrigações de cada um! Ok? Informou Pietro.

— Ok! Ressoou todos quase ao mesmo tempo.

Após um rápido almoço, se reuniram determinando as áreas iniciais para a exploração.

Dias seguidos com muito trabalho e poucos resultados. A expectativa de terem localizado um grande sítio de artefatos arqueológicos estava esgotando os ânimos da equipe, apesar da grande experiência de todos. O problema era que foi determinado um prazo final para apresentar resultados, senão os recursos seriam cortados e a possibilidade de seguirem com as buscas evidentemente terminariam.

Pietro sofria uma pressão muito grande dos patrocinadores que entendiam que talvez aquele não teria sido uma boa empreitada. Desviou sua atenção dos trabalhos de exploração e tratava praticamente da política de manter as buscas, também com poucas expectativas para um resultado satisfatório.

Pietro: — Pessoal! A situação está complicada! Descobrimos poucos vestígios que nesta área poderia ter bastante material para apresentarmos aos nossos patrocinadores! Estamos três semanas trabalhando exaustivamente e o que encontramos foi apenas alguns cacos cerâmicos e um monte de terra fértil e tropical! Estou pensando seriamente em encerrar as atividades, enquanto ainda temos algum recurso!

Ray: — É! Realmente não estamos encontrando sinais claros que realmente houve algum tipo de civilização aqui!

Ray: — Mas temos evidências, mesmo pequenas, que alguém passou e se estabilizou por aqui! Pesquisamos nas redondezas e descobrimos que cerca de trezentos a quinhentos anos foi aberta uma grande clareia na região! Continuou.

Pietro: — E como saberiam disto?

Ray: — As árvores são bem mais novas que outras em um raio de duas milhas, além de serem de outras regiões, mais acima na cordilheira, próximas às nascentes! Sabemos que o nosso tempo é deveras escasso, mas ainda deveria explicar aos nossos patronos que deveríamos ter um pouco mais de tempo para apresentar algo sustentável! Seis semanas para um trabalho arqueológico é muito pouco!

Pietro: — O que vocês sugerem?

Max: — Reúna com eles e explique que precisamos de mais tempo! E dinheiro! Explanou Max.

Pietro: — O que estão querendo insinuar? Que fiz um péssimo negócio? Que devo chegar até eles e dizer que eu supus uma investida e que tenho “sinais” que uma civilização estabilizou aqui há uns trezentos anos atrás? Vocês pensam que é fácil convencer este pessoal? Tenho que omitir centenas de coisas para fazerem acreditar no nosso trabalho! Rezingou Pietro.

Maggi: — Pietro! Se não acreditássemos no seu trabalho, nenhum de nós estaríamos aqui! Olhe ao seu redor! Conseguiu reunir uma equipe como ninguém havia feito! Estamos aqui porque acreditamos no seu instinto! Não precisa nos omitir ou mentir sobre os seus projetos! O que vai dizer a eles que o nosso trabalho é minucioso e que exige horas e até dias de pesquisa! Não estalamos os dedos e as coisas aparecem! Três meses, não é isto? Já estamos aqui a três semanas! Então temos nove para apresentarmos resultados! É este argumento que queremos que apresente a eles! Não podemos trabalhar sob o crivo da ansiedade e expectativa deles! Nunca agimos assim! Trabalhamos nas nossas condicionais!

— Fico até surpreso com o otimismo de vocês! Mas quero que entendam que nunca demorou tanto tempo para descobrirmos algo significativo em algum sítio onde trabalhamos!

— Aqui é outra história! Outro trabalho! Outra expectativa! Explicou Milly.

— Insistindo no otimismo, o que poderão fazer que acredite que nas próximas semanas poderemos ter alguma luz no fim deste túnel?

Haylie: — Passamos a palavra para Ray!

Ray: — Estamos em uma área intermediária! Entre as Oeste bases das colinas da cordilheira e o Rio Amazonas!

Pietro: — E isso quer dizer o quê?

Ray: — Quer dizer que por quatrocentos ou mais anos, sem exceção, temos as moções do pico da cordilheira e o derretimento da neve proporciona enchentes e o arraste de materiais orgânicos, provocando o transbordo do rio em toda a região ciliar, inclusive seu assoreamento, num raio de até uma milha aproximadamente!

Pietro: E...

Ray: — Imagine quantas camadas foram formadas durante estes períodos?

Pietro: — Tem sentido! Estamos procurando na superfície! Pode estar enterrado alguns metros bem aqui! Como descobriram isto?

Ray: — Maggi e Max são geólogos profissionais! Escavaram um fosso de dois metros e assim descobriram estas camadas, além de vestígios de metal e pedras preciosas, onde alerta que foram estagnadas aqui, pois a região não tem prospecção mineral para isto! Milly tem um faro inconfundível para civilizações pré-colombianas! Todos acreditamos que estamos sim, sobre uma camada rica em arqueologia e que o nosso tempo está curto, e o caminho, que no início desta reunião seria a desistência política, vamos reverter com a nossa persistência profissional!

Pietro: — As equipes que nos foram enviadas tem experiência em rastreamento e coleta! Devemos encontrar dificuldades em mudar para escavações manuais! Não tem filling para este trabalho!

Max: — Deixe comigo e com Maggi!

Pietro: — Ótimo! Vamos nos reunir daqui a dois dias! Vamos lá!

Perderam quase um dia para a mobilização. Assim que atingiram dois metros de profundidade surgiram pequenos artefatos e foi motivo para muitas comemorações. Podia ver que os entusiasmos haviam mudado e contagiado todo o grupo.

Na manhã seguinte, o grupo acordou com gritos e correria. Apressados todos foram ao local da fonte da confusão. Havia ocorrido um sério acidente e Pietro estava envolvido. Muito tumulto e desinformação, um pouco mais tarde foi pronunciado que um dos andaimes caiu com Pietro e outros dois auxiliares. Pietro quebrou os dois membros inferiores, costelas e braço. O estado era grave, mas estável. Não corria risco de morte.

Mais tarde todos já estavam em Iquitos, e foi anunciado que Pietro não poderia continuar com o trabalho e que todas as demandas estariam sob a responsabilidade de Haylie, sua primeira imediata. A pedido dele especialmente.

Foi providenciada uma reunião de emergência para determinar os rumos do processo. Estavam a equipe do Pietro e mais alguns membros do governo local e dos investidores.

As explicações sonolentas desviavam as atenções dos presentes.

— Parece que alguém quer conversar com você, Ray!

— De que está falando, Milly?

— A galega! Não tira o olho de você! Se olhar agora, está quase quebrando o pescoço!

— Está com ciúmes?

— Não! Só estou curiosa de como ela seria na cama!

— Vá lá e pergunta!

— Me diga você!

— Anda me vigiando?

— Não é comum ver uma mocinha branquela e magrinha caminhando quase todas as noites até sua barraca!

— Estamos alinhando as pesquisas!

— Sei! Principalmente as “explorações profundas”!

— Sou homem e ela mulher! E porque não vai lá para discutirmos algumas “explorações”?

— Vai sonhando, bonitão! Pensa que não sei da sua fama de estraçalhar corações pelo mundo afora?

— De uma coisa é fato! Todos os corações estraçalhados um dia estiveram comigo! Intimamente!

— Safado! E olha sua patroa! Agora está sozinha! Porque não aproveita?

— Depois a mente pervertida aqui sou eu! Não cuspo no prato que me alimenta!

— Olha só aquele traseiro! Soube que a muito não é usado!

— Você é gay, Milly?

— Vamos dizer que a minha faca corta para os dois lados! Sou oportunista como você! O que estiver no alvo eu acerto!

— Porque não tira a virgindade do Max?

— Não aguentaria meia hora!

— E eu? Aguentaria quanto?

— Seu cavalinho está molhando! Tira ele da chuva! E tira o olho da sua patroa! Maggi pode ficar com ciúmes!

— Você agora mesmo me motivou olhá-la! Também, o que é bonito é para se ver!

— Você acha que eu não vi quando Haylie entrou na sala da casa dela? Quase que a devorou com os olhos!

— Você viu aquilo? Ela é linda mesmo!

— Deixou-a encabulada, apesar do abraço! Soube que está tendo problemas com Pietro! Soube lá na Europa! Anda pedindo ajuda!

— É mesmo?

— E mais! Não sabe o que é um homem de verdade a tempos! Está desmoronando!

— É muito perigoso me dizer estas coisas! Posso presumir!

— Admito que se ela tivesse um relacionamento com você na certa teria mais sorte!

— Haylie é muito na dela! Difícil saber exatamente o que quer! Seria uma ótima opção para que eu sossegue! Mas antes quem sabe eu tenha a “sorte” de encontrar você!

— A bebida que comprou não está te fazendo muito bem!

Depois das palestras para as determinações futuras, todos ficaram na cidade e no dia seguinte, bem cedo, já estavam novamente no barco em direção ao acampamento, agora acompanhados por uma técnica contratada pelos investidores, onde, naquele momento, teria material para avaliar e distribuir para os interessados. Era uma espanhola muito bonita, mas deixou o cartão de visitas que estaria ali apenas para executar o seu trabalho, mesmo estando vulnerável às atrevidas abordagens masculinas. O semblante de Haylie não apresentava satisfação e Milly e Maggi perceberam deixando-as desconfortáveis com a postura da nova líder.

Depois de um dia exaustivo com muito trabalho e excelentes resultados, Maggi e Milly aproximaram de Haylie, tentando entender as suas preocupações.

Milly: — Haylie! Você não está muito satisfeita com o processo! Podemos ver no seu olhar!

Haylie: — Me desculpe se estou deixando esta impressão, mas está tudo bem!

Maggi: — Não seja o centro do mundo! Somos uma equipe! Estamos aqui para o que der e vier! Mas trabalharmos assim, vendo você pensativa e sem liderança, podemos sim ter algum problema no avanço dos serviços!

Haylie: — Não sei o que fez Pietro achar que eu teria condições de comandar esta equipe! Tenho experiência de uma estudante e jamais me interessei de verdade nisto tudo! Vocês duas sabem que sou completamente inapta para administrar a pesquisa! Um ajudante de escavação tem mais conhecimento que eu! Pietro colocou uma bomba na minha mão e me deixou em uma situação difícil e acredito que antes que tudo isto acabe, com certeza eu já teria um milhão de problemas para resolver, mesmo não sabendo como!

Milly: — Não sabemos qual o nível de entendimento pessoal que vocês têm! Ele é um profissional extremamente respeitado, mas também sabemos de algumas falhas na ordem de responsabilidades, até abandonando alguns contratos! Escolher você teve seus motivos e isto também não nos interessa! Estamos aqui para ajudá-la no que for preciso, mesmo você tendo pouca experiência na área!

Haylie: — Agradeço, mas não sei o que faço!

Maggi: — Porque não passa este comando para o Ray? É o mais experiente entre nós! Conhece cada passo da metodologia!

Haylie: — Não sei como seria possível! Estaria passando por cima das ordens de Pietro e dos patrocinadores!

Milly: — Ninguém precisa saber disto!

Haylie: — Como assim? Nem sabemos se Ray aceitaria!

Milly: — Deixa com a gente que vamos resolver! Você topa?

Haylie: — Ok! Vamos nos reunir depois do jantar!

Após o jantar, os cinco estavam reunidos, onde Milly e Maggi explanaram a situação, apresentando as alternativas para continuidade dos serviços. Ray após ouvir todos, pediu a palavra.

— Entendi a situação e agradeço a credibilidade que estão me propondo! Mas deverá ser de uma forma que não abale as responsabilidades de Haylie! Ficarei na intermediária, dando-lhe o apoio que for necessário, mas apenas como consultor! Todas as demandas serão diariamente repassadas a todos, com toda a liberdade de questionarem pontos que julgarem necessários!

Um sorriso que uma explícita emoção foi expressado no rosto de Haylie, acompanhado com um olhar fixo de Ray. Havia ali uma energia diferente entre os dois e tudo sorrateiramente percebido pela esperta egípcia.

E assim, os dias seguintes seguiram conforme o acertado, e a exploração apresentava resultados extremamente satisfatórios, com várias descobertas diárias, fartando os interessados de dados e objetos.

Ray reunia com todos e passava sua experiência para Haylie, que repassava para os investidores e para o Pietro, que acompanhava em casa todos os avanços.

Haylie satisfeita e ganhando experiência praticamente como um presente do Ray que não mediu esforços para ajudá-la.

Com os trabalhos avançados, estavam a duas semanas de concluir o contrato. Já à noite, após as reuniões e o jantar, Haylie relaxava pensando nos últimos dias de como foi bombardeada de informações sobre o processo de pesquisas arqueológicas. Até antes de iniciarem este projeto, andava desanimada e desacreditada com o seu escasso entusiasmo em optar por esta profissão. Quando foi indicada para continuar como líder, após o acidente de Pietro, aí sim ela entendeu que estava completamente perdida. Mas com o passar dos dias e com a afeção motivadora de Ray, começou a gostar e muito de tudo aquilo. Não tinha amigas ou confidentes, mas agora tinha Milly e Maggi ao lado, tratando de coisas de mulheres, até sabendo alguns segredos que nem imaginava existir. Ray também despertou nela uma mulher que também nunca imaginava ser, percebendo as suas abordagens visuais silenciosas, onde sentia que não eram propriamente ligadas ao trabalho, mas sim de um homem debilmente discreto, mostrando um significante interesse por ela. Ela até se via se insinuando para ele, gestando movimentos taciturnos de flertes, mas também de forma discretíssima.

Sentia renovada, que às vezes se perdia pensando no Ray, aguardando ansiosa o fim do dia, onde poderiam ficar a sós, viajando como uma adolescente no seu primeiro amor. Passou a vida restrita a dois relacionamentos com extremos pontos de vista conjugal, que até mesmo antes de ir viver com Jean, tinha tido apenas alguns namoricos sem muitos contatos íntimos.

Ray a fazia queimar por dentro. Apesar da confiança adquirida com as duas novas amigas, mantinha sua admiração em segredo, com o temor de pensarem estar agindo como uma criança idiota diante de uma paixão impossível. Saiu da barraca, saciada com a “reunião” com Ray, dispensou o lanche noturno, e do lado de fora, observava o ambiente e as estrelas que se destacava devido a ausência da forte iluminação das cidades.

Desviou sua atenção quando percebeu Maggi saindo de sua barraca e caminhando rapidamente, com algumas pastas na mão, entrando na barraca de Ray.

— Mas o que está acontecendo? Resmungou curiosa, já sentindo uma vontade imensa de verificar aquele encontro.

— O que é que estariam conversando a uma hora desta? Rezingou inquieta, imaginando dezenas de coisas, até mesmo uma situação de estarem compartilhando informações sobre o projeto e não estariam repassando para ela.

Entrou na barraca e sem paciência, levantou indo direto à suposta reunião.

Quando aproximou, percebeu que a iluminação estava apenas na penumbra de uma lâmpada, intrigando-a. Deslizou vagarosamente o zíper da entrada da barraca do Ray, entrando sorrateiramente no minúsculo espaço entre a entrada e o aposento, o quarto por assim dizer, e como se levasse um choque, viu a galesa agachada executando uma felação frenética, com Ray segurando-a pela cabeça. Apesar da pouca luz percebia que eles estavam nus, e se deliciavam com aquele momento.

Haylie, assustada e sem condições alguma de agir, ficou paralisada observando por alguns instantes a cena. Quando retornou à realidade, quis imediatamente interromper o ato, quando em um movimento rápido, Ray jogou a esquálida e pálida moça na cama, avançando boca na sedenta e exposta vagina. A expectadora levou a mão à boca, impedindo o gemido de susto, quando viu a novidade nunca experimentada por ela. Muitas coisas alimentaram seu confuso raciocínio. Resolveu apenas observar, e mesmo sem acreditar no que via. Indiferente ao seu voyerismo, começou a sentir um estranho prazer com a entrega do casal. Após assistir o intenso orgasmo de Maggi, observou Ray subir sobre a amante, penetrando-a por vários minutos, buscando também sem perceber, os detalhes daquele coito, vendo os reflexos da transpiração dos corpos, os gemidos de satisfação e entrega.

Sem abranger, estava com uma das mãos deslizando sobre a roupa, acariciando docemente sua vulva, como se quisesse esconder a sua umidade seminal. Está hipnotizada com aquilo.

Maggi afastou Ray, deitou-o e subiu sobre ele, engolindo novamente com sua vagina aquele mastro duro. Os movimentos seguintes foram novamente uma novidade para Haylie, quando a magricela cavalgava violentamente sobre o quadril do amante, admitindo completamente o grande membro. Não demorou muito e o casal entrou, ao mesmo tempo no transe de um orgasmo quase interminável, promovendo o desabamento de Maggi sobre o corpo másculo de Ray.

Haylie interrompeu sua disfarçada masturbação, desviou sua atenção retornando à realidade, e regressou sem demora para sua barraca.

— Que bando de sem-vergonhas! Um minuto de distração e logo estão por aí fazendo sexo como animais! Esbravejava sozinha, caminhando inquieta dentro do quarto.

— Amanhã cedo vou fazer uma reunião, colocando ordem na casa! Mas que absurdo!

Mais alguns minutos, quase sem controle de suas emoções, repetia continuamente em seus pensamentos as imagens de Maggi e Ray fazendo sexo. Não conseguia esquecer.

— Toc! Toc!

— Entre, seja lá quem for....

— Sou eu, Milly! Estava retornando do banheiro e ouvi você conversando sozinha e vim ver se está tudo bem!

— Está, Milly! Me desculpe! Está tudo bem!

— Não está, não! Nunca vi você assim!

— Assim como?

— Nervosa, alterada, quase gritando!

— Não estou não!

— Haylie! Fique calma e me conte o que está acontecendo!

— Eu já disse que nada aconteceu! E também, amanhã cedo vou fazer uma reunião e saberá dos detalhes do que estou pensando!

— É o Pietro?

— Não!

— É o pessoal do governo?

— Eu já disse que é nada!!!!

— É o Ray?

O silêncio e a expressão pensativa de Haylie a expôs diante do problema.

— O que o Ray aprontou?

— Nada!

— Como nada, Haylie? Seu rosto enrubesceu quando falei o nome dele!

— Promete não contar?

— Claro que prometo! Vai! Me diga o que ele fez!

— Estava ali fora desparecendo a cabeça quando vi Maggi passando e entrando na barraca do Ray!

— E daí?

— E daí que quando eu fui lá ver o que estava acontecendo eu vi os dois assim....., juntos, sabe como é???

— Eles estavam transando?

— É! Estavam lá transando! Como se o mundo tivesse acabado!

— E....

— Não posso admitir este tipo de atitude, principalmente na equipe que está sob a minha liderança!

— Como é que é? Como assim?

— E se estiverem trocando informações importantes por detrás das minhas costas? Se estiverem tramando alguma coisa? Se estiverem coligados com este bando de aves de rapina que são os investidores?

— Você ficou doida? Que conversa mais sem sentido!!!

— Porque fui te falar? Vai ver que também está neste grupinho!

— Você está fumando maconha? Que viagem é esta?

— Sai daqui! Não quero falar com você!

— Olha, Haylie! Vou só te dizer uma coisinha! Não conheço bem o Ray, mas suficiente para saber que ele é uma pessoa confiável, profissional, responsável! Conheço melhor a Maggi para também saber qual é a sua índole! Não estou defendendo ninguém, mas sei também que eles são adultos, independentes de compromissos pessoais, e fazem o que quiser das vidas deles! Se eles querem transar, que transem, pois isto não é da conta de ninguém! O trabalho que eles estão promovendo aqui é de extremo profissionalismo, e partindo do Ray, ele está mesmo empenhado neste projeto, nos ajudando muito com o seu conhecimento e principalmente você, que estreou aqui sem saber como usar a rosa dos ventos, agora vemos você super motivada, completamente transformada daquela Haylie que chegou aqui! Então, para o seu conhecimento, toda expedição que fazemos, sempre há formação de casais, alguns casam, outros juntam, outros desaparecem, e por aí vai! Não me venha com esta imaturidade de dizer que somos traidores e que estamos com um plano para prejudica-la! Nos respeite, por favor! Sei que é uma novidade para você, mas nos respeite!

Minutos silenciosos passaram, permitindo que Haylie refletisse sobre a situação. Olhou tristemente para Milly, e levantou abraçando-a.

— Me desculpe, minha amiga! Fiquei atônita quando vi os dois juntos! Não sabia realmente o que pensar!

— Você viu duas pessoas aproveitando o máximo de suas vidas! Não consigo perceber o que se passa no coração dos dois! E algo me intriga!

— O que é?

— O que você foi fazer lá de verdade?

— Não sei te dizer! Quando assustei já estava lá vendo os dois se “pegando”!

— Te compreendo até quando percebo que sua vida intima ficou limitada a dois relacionamentos, por assim dizer, medíocres sexualmente! Jean e Pietro são dois senhores e pouco poderiam informar a você, uma jovem linda e vistosa como é, de como deveria ser uma relação de entregas e desejos! Penso que deve ter sido só no básico mesmo e você acabou acumulando poucas informações de como um casal, cheios de vontades, se relacionam intimamente!

— Você tem a mente muita aberta para tudo, Milly! Sou mesmo uma idiota neste caso e várias outras coisas relacionadas a minha vida!

— Sabe o que penso? É que você teve um ataque de ciúmes...!!!!

— Agora quem está falando bobagens é você! Eu? Com ciúmes? Ciúmes de quê?

— Não é “de quê”! É “de quem”!

— Como assim?

— Vou te contar uma historinha! Conheço uma pessoa que incrivelmente carismática, aproxima das pessoas de forma até mesmo sorrateira para absorver delas o melhor que elas têm! Mas como esta pessoa não tem muito apego emocional, a tendência é abandonar suas conquistas e partir para novas aventuras!

— Muito emocionante, mas não entendi!

— Tenho visto esta pessoa muito diferente ultimamente! Mais centrado, quieto por assim dizer!

— Esta pessoa está aqui?

— Está!

— Quem é?

— Você sabe de quem estou falando!

— Não pode ser o Ray, pois aí está a prova, se envolvendo com Maggi!

— Eles ficam juntos às vezes! E ele ficou hoje com ela porque na verdade estava querendo mesmo é ficar com outra pessoa! Uma pessoa que está realmente mexendo com o emocional dele!

— Então deve ser você!

— Deixa de ser lerda! Ray não faria nada do que está fazendo se fosse outra pessoa! Está te apoiando porque gosta de ficar perto de você! Só que ele te respeita muito! É aí que digo que está mudado! Se não fosse assim, já teria te cantado e provavelmente já teria também te arrastado para a cama!

— Agora quem ficou louca foi você!!!!!!

— Haylie! Ray entra em qualquer brecha que deixamos para ele! Você, querendo ou não, está nos planos dele! Mas não é para relacionamentos esporádicos como com a Maggi! Ele quer algo muito mais duradouro! É aí que eu falo que te respeita e muito! Ele é muito envolvente! É carismático! É bonito! É bem de vida! O sonho de toda mulher! E garanto que ele escolheu você!

— Ai, Meu Deus! Não sei o que faço!

— Você quer?

— Acho que sim!

— Então aproveite, minha amiga! Dê uma entrada para ele!

— E Pietro?

— Na sua casa percebi que Pietro não está nem aí pra você! Todos estes dias sequer o vi te dando um abraço! Acho que nem olhar nos seus olhos ele olhou!

— Fico toda desconcertada quando estou próxima ao Ray! Ele está me flertando desde que viemos para cá!

— Eu percebi! Será o meu maior segredo!

— Agora vá! Me deixe sozinha!

— Ainda vai ter a reunião amanhã?

Haylie encolheu os ombros, fazendo Milly entender a precipitação dos atos da amiga.

12 de Abril de 2021 a las 17:06 0 Reporte Insertar Seguir historia
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