tsvetokkamelii Letícia Silva

A mente humana é um complexo de infraestruturas frágeis que, a qualquer momento, pode agir de forma incompreensível e alterar nossa percepção da realidade. Aline Sanches é um exemplo de que um simples trauma pode afetar todo o cérebro de um indivíduo, porém, as sombras que a envolvem são muito mais profundas e infindáveis do que se possa imaginar, a conectando com vários eventos misteriosos e, em suma, horripilantes. Enquanto isso, Connor, junto com Radamés, detetives do departamento de crimes, tentam lutar contra as forças do mal que a cada dia se torna mais obscura.


Crimen Sólo para mayores de 21 (adultos).

#mistério #suspense #assassinato #estupro #drogas #trauma #terror-psicológico #violência #crime
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Capítulo 1


LARVAS


O sangue se misturou naquela homogeneidade de suor fabricado pelos poros adultos, as mãos arranhavam, dilaceravam até chegar ao âmago, cavando até os confins do útero, do imaculado e da pureza, da inocência e da puerícia. A cacofonia irritante misturava-se ao choro de criança, pequeno querubim que agora mergulhou-se nessa lama suja e fedida de esperma. Há dor, uma dor lasciva e contínua a festejar em seu sistema nervoso e de repente não conseguia mais falar. Quiçá era as cordas vocais atiradas fora para aquele chão imundo, enquanto o rebanho urrava, gemia e gritava coisas desconexas, penetrando, estocando e friccionando os corpos numa sinfonia infernal. O gás oxigênio era estuprado pelo odor de ferro, contaminado pela podridão de milhares de larvas a escalarem uns aos outros, em diversas posições, encaixando e tocando de forma nojenta, compartilhando saliva, suor e quaisquer resíduos que jamais sairiam mais tarde. A realidade, uma prostituta vulgar, quebrou-se e definhou em milhares de cacos, agora vermelhos, tudo vermelho. Os orifícios eram tocados de forma rude, perfurados e explorados como uma zona nunca vista. E aqueles vermes, nojosas parasitas e baratas radioativas, esfaqueavam, pisoteavam, cuspiam e urinavam em sua santidade, maculando como todas as outras larvas. Malditas sejam elas! Queria matar, esfolar e queimá-las vivas, limpar essa pocilga que chamam de mundo, e... e..., porém, nada poderia fazer, era apenas uma marionete deste destino carrasco e genocida, que leva continuamente filhos e filhas a marcharem para esse abatedouro de porcos. O corpo flutuava no imenso vazio, o mesmo que ocupava em sua mente letárgica. A dor vinha de diferentes formas como um convidado indesejado, sorrindo, beijando-a e tocando o seio rígido, chupando a semente do ventre até expulsar o oxigênio dos pulmões. Os dedos avançavam naquela área que deveria ser intocável e santa, mas agora se sujava com aquela mediocridade. Tentou se agarrar a algo, qualquer coisa, no entanto, fora despida de qualquer ajuda e mais larvas se amontoavam. Todos eles movidos pelo desejo de carne, como um canibal com sua vítima. Sendo regidos pelo impiedoso Deus tirano que os deu o livre arbítrio de molestar um pobre querubim sem suas asas, crucificado pela nojeira do mundo. O tempo fora mais um déspota que agiu de forma lenta, prolongando ainda mais teu inferno. Sim, teu inferno onde o castigo por sua benevolência e castidade fora essa prisão de ratos nojosos.

Toque. Dor. Toque. Dor. Dor. Mãos. Muitas mãos. Membro. Membro. Toque. Tais notas eram elaboradas numa constância interminável; o maestro, não sabia. Por ventura, ao abrir de seus olhos para aquela pocilga de sangue, suor e esperma, o vermelho que outrora pintava os céus que gozavam de sua miséria e das larvas que se encaixavam em posições horripilantes, deu lugar a um teto branco, que, sem demora, reconheceu de imediato. Ainda estava suja, porém, marcada com o símbolo do pecado divino e coberta de lama, coberta de algo gosmento que desliza por toda a pele, por todos os poros e tudo está derretendo; o chão que sustenta seu corpo, o teto acima da cabeça, as paredes e ela própria se misturava naquele líquido, naquele esperma que grudou em seu âmago e agora não quer sair mesmo que arranque a própria derme em desespero... Ah! Como ela caiu naquele vício de pó e fumo que em algum momento tomou rédeas da nossa sociedade e alienou nossos cérebros para agirem como escravos iguais ao maldito governo com suas leis de roubo, sim, Aline Sanches era uma viciada em drogas que se afundou ainda mais nessa lixeira fedida e, pior, ela tornou-se aquilo que mais odiava: um rato que comia, bebia e fazia as mesmas coisas que um camundongo. Sim, ela bebeu com eles, ela fumou com eles e viu aquele mundo que outrora era cor de rosa ser sobrepujado pelas malícias do mundo.


O MAL NOSSO DE CADA DIA


— Sra. Sanches, qual era seu relacionamento com a vítima? — O detetive do departamento de homicídios, Connor Hernández, possuía um porte atlético, cabelos castanhos e olhos igualmente escuros. Vestia um terno desarrumado enquanto a barba estava para fazer, a xícara de café estava posta ao lado, esquecida, enquanto o conteúdo esfriava naquela sala metálica.

— Totalmente profissional, um relacionamento comum entre professor e aluno.

— Como a vítima se comportava, em geral? — A interrogada, Sra. Sanches, professora do colégio público Los Olivos, suspirou, prevendo horas de interrogatório e uma enxaqueca. Claro que seu relacionamento com a vítima, Gúsman Rubbins, era profissional. Sim, era, o garoto fora morto misteriosamente numa noite de segunda-feira, o corpo foi encontrado semanas depois, na praça Alameda Park.

— Ele era bastante agressivo e baderneiro, daqueles que tiram notas péssimas e de conduta desprezível. — Respondeu, os dedos se entrelaçando enquanto os olhos azulados fixavam-se em um ponto qualquer, recordando do comportamento de Gúsman, seu aluno, quando ainda era vivo. A vida, tão preciosa quanto era, passava como o soprar do vento, invisível e breve, em um segundo, estava cheio de vida, com suas conquistas banais e amizades fúteis e, de repente, num caixão, com gente que nunca viu antes e outras nem tanto, chorando em seu túmulo e desejando paz onde quer que estivesse.

— Se desentendia com muita frequência com seus companheiros? — o detetive de repente se lembrou do café que tomara noutra hora, pousou seus lábios sobre as extremidades da xícara e bebericou do líquido, agora morno, enquanto mantinha seus olhos na mulher estranhamente calma, quase solene, arriscando dizer até mesmo elegante em seu comportamento inexpressível.

— Ele sempre arrumava confusão por aí, principalmente com outro garoto, Vicenzo, se me recordo bem.

— E a Sra. sabe o motivo? — Connor cruzou a perna, mudando a posição para o mais confortável possível enquanto girava a caneta entre seus dedos gélidos. Organizado na mesa estava uma pasta da ficha histórica da vítima, no qual não possuía menos de dez folhas. Aline olhou diretamente para ela, formulando uma resposta simples e direta antes de encarregar seu olhar para o detetive do departamento de crimes da avenida Arias de Velasco, da delegacia de Old Town, em Marbella.

— Sem querer ser rude, mas sou apenas uma professora, detetive, não me meto nas relações internas de meus alunos.

— Conforme o histórico escolar do garoto, os responsáveis da vítima frequentavam regularmente a escola, motivos esses induzidos pelo comportamento agressivo dele. A senhora presenciou alguns sinais incoerentes da relação familiar do aluno?

— Sim. — respondeu — sempre quando seus pais eram chamados, o garoto, Gúsman, aparecia com ferimentos pelo corpo. Nada muito fora do normal para um delinquente como ele. — lambeu os lábios secos antes de continuar, lembrando-se das vezes em que o garoto nem conseguia fazer o menor dos esforços. Quando as perguntas foram finalizadas, a professora do colégio público Los Olivos se retirou da sala fria, deixando um cansado detetive para trás, com uma pasta de um corpo, mais precisamente, de um cadáver, cujo histórico sujo perpetuava em sua cova e assim será eternamente. Pobre menino tolo.

Quando este cruzou a sala de interrogatório, seu companheiro fiel, Radamés, já o esperava com seu característico sorriso em sua face um tanto enrugada pelos anos de experiência no departamento de crimes. Desde que conquistou este posto, mais precisamente, desde que se ingressou para esse campo profissional, Radamés já fazia parte do lugar que ficava entre a CSM Premium Cars e a Foto Marbella, próximo da Tutuli Papelería.

— Então, como foi com o depoimento? — Perguntou o detetive de aparência velha, com alguns fios grisalhos sobre o cabelo escuro e seu característico nariz levemente achatado.

— Nada de novo ou digno de nota, basicamente é tudo que já sabemos sobre a vítima. Alguma novidade sobre a autópsia?

— Padilha já está com tudo pronto. — Os dois migraram para o IML, onde seria revelado, através da autópsia, a causa da morte e a forma desta. Enquanto viajavam sobre as ruas sinuosas de Old Town, um pitoresco centro histórico que alberga edifícios caiados da era renascentista, varandas cobertas de flores e atrativos turistas que peregrinam para A Plaza de los Naranjos, Connor, de descendência europeia, perguntou-se que surpresas encontraria a partir dali, se essa morte era um indicativo de um serial killer ou apenas mais uma ocorrência comum.

Era quarta-feira do dia vinte e cinco de janeiro quando, um transeunte, encontrou o corpo de Gúsman Rubbins, de dezessete anos, empalado numa árvore sangrando até a morte. A cidade estava tomada pelo ar fresco dos portos marítimos que trazia consigo o cheiro de sal pelo vento do outono, quando recebeu naquela manhã a notícia da morte do estudante de Los Olivos. O parque fora fechado por investigação criminal e agora o resultado dos exames seria divulgado através da autópsia. Connor secou o suor em sua testa enquanto estacionava o carro em frente ao IML, destrancando as portas fixando o olhar na fachada nenhum pouco humilde do local bem estruturado. O vento seco em adjunto aos raios etéreos do escaldante sol secaram rapidamente a saliva de sua garganta, ou talvez fosse o pressentimento de notícias ruins revisitando. Connor preferia a primeira opção. Quando cruzaram a entrada do alto edifício que mesclava o renascentismo e a modernidade, foram direto para a sala de Padilha, o legista, que se encontrava concentrado com o corpo na maca.

— Descobriu algo útil, Padilha? — Connor perguntou de uma vez, mal vendo a hora de poder descansar em sua casa com sua garota.

— A vítima fora dopada com um “Boa Noite Cinderela” antes do delito. — começou, apontando para o corte que vai do pescoço ao púbis com o formato de Y.

— Sofreu uma grande lesão na cabeça após despertar, creio eu, motivo do traumatismo craniano devido à massa encefálica espalhada, além dos órgãos internos terem sido fatalmente danificados por ácido corrosivo e a língua ter sido cortada. — Padilha explicou, apontando para o corte no couro cabeludo de orelha a orelha, cujo utensílio estava depositada numa jarra, com resquícios sanguíneos do corpo.

— Então está me dizendo que a causa da morte não foi por facadas? — Indagou Radamés, enquanto Connor processava que o criminoso responsável por isso fora muito habilidoso.

— A vítima morreu muito antes disso por falência de órgãos, exatamente no período de 12h.

— Creio eu que esta não será a primeira morte e nem a última... — O detetive suspirou, cruzando os braços imaginando quem teria essa façanha, pior ainda, como migrou o corpo até a praça sem nenhuma testemunha ocular?

— A roupa da vítima fora levada para uma análise forense, nenhum DNA fora reconhecido, a não ser da própria vítima. — Radamés esfregou o maxilar, durante sua carreira como detetive, já experimentou de primeira mão muitos crimes antes, barbaridades que fariam o estômago de qualquer um embrulhar e ter pesadelos frequentes: fraldas de bebês com esperma dentro, pais assassinados a sangue frio por seus próprios filhos, canibalismo seguido de necrofilia e todos os piores crimes contra a humanidade. — Isso nos lembra o caso famoso de BTK, senhores. O seu modus operandi é quase igual: amarra, tortura e mata. O criminoso não é experiente, no entanto, visto que a vítima morreu muito antes que pudesse usar métodos de tortura hediondos. Me corrija se estiver errado, mas o ácido que fora usado age de forma lenta no sistema nervoso, não é?

— A vítima sofreu de altas doses de barbitúricos, normalmente essa droga é encontrada em farmácias para tratamento de insônias, anticonvulsivos, sedativos e hipnóticos. — Informou Padilha, não desviando o olhar do cadáver pálido, de feições tão serenas que parecia estar apenas adormecendo, no entanto, ambos os detetives e o legista sabiam que sua alma agora estava no leito da morte, em algum lugar do outro lado que os humanos, os vivos de carne e osso, ainda tentam desvendar o mistério por trás dela.

— Vamos procurar pelas farmácias alguém que comprou essa droga.

— Os demais exames estão prontos? — Questionou Padilha, finalmente migrando seu olhar para as feições expressivas de Connor. Sua pele extremamente pálida podia ser comparada com as de um defunto, os olhos, de um azul cristalino que os fazia o lembrar bolas de gude, tão frias e mórbidas quanto um, embora sua natureza seja gentil, totalmente oposta à sua aparência moribunda.

— A análise forense de fibras ainda há de sair lá pelas 2h. — Informou Radamés, desejando nada mais do que uma xícara de café expresso em mãos, e talvez até alguns tira-gostos, enquanto aprecia as belas visões dos edifícios da Era Renascentista numa varanda, perto dos portos marítimos. Ah! E talvez com sua doce Isabel e alguns de seus netinhos...

— Enquanto isso, sabemos que a vítima possui um histórico sujo, envolvido com drogas e alguns traficantes de escola. — Aproveitando a brecha, Connor deu a deixa. — A professora do aluno, Aline Sanches, afirmou em seu depoimento que este brigava constantemente com um colega, Vicenzo, além da relação familiar ser péssima.

— Puxamos a ficha do pai e é constado que este abusa de bebidas alcoólicas, talvez até mesmo agrida sua esposa. — Pontuou Radamés, afinal de contas é comum as práticas de violência doméstica para homens que abusam de drogas ilícitas.

— Neste momento estamos analisando o último local em que a vítima fora vista, enquanto os outros exames como os toxicológicos, polímeros, e o perfil do criminoso estão sendo produzidos.

— Isso quase me faz arrepender por não ter pegado minha aposentadoria... — suspirou Radamés de maneira teatral, embora sua verdadeira senilidade fosse à casa dos 48. Ao contrário de muitos que ficavam ofendidos com o menor comentário sobre sua idade — porque todos odiavam a ideia de estarem envelhecendo e, consequentemente, mais próximo da morte — Radamés achava divertido brincar com sua própria anosidade, sempre com um ar brincalhão e se fazendo de ofendido, mas, inferno, ninguém nunca o viu chateado de fato!

— Você está aqui desde que me ingressei nesse campo. Não ficaria surpreso por ser mais velho do que Onofre. — Onofre era o homem mais velho que pisou seus pés no departamento de homicídios na Delegación de Policía. Radamés arregalou seus olhos em puro dramatismo, elevando a mão ao peito de forma teatral, carregando sua voz com uma ofensa de dar inveja a qualquer artista de rua barato.

— Ora, como ousa! — começou — na minha época os jovens tinham mais respeito aos mais velhos!

Padilha, que apenas via aquela cena como um telespectador, apenas revirou os olhos, conhecendo muito bem aquela dupla que ia pra lá e pra cá com suas piadas sobre a velhice e algo relacionada sobre a vida e uma pitada de humor negro.

— Vocês realmente vão me matar de rir.


VOA, PASSARINHO


O monstro atraiu sua vítima com a mesma facilidade que se atraía um roedor, esperou, pacientemente, ele cair em sua armadilha mais fatal, para por fim, deleitar-se com teu doce sangue que, como vampiro, sugava aquele líquido ferroso até estar banhado dele e os poros chorarem sangue. Ah! Foi tão fácil seduzi-lo e cegá-lo para o caminho da morte, segurar-lhe a mão e subir até o altar do profano e rogar em teu nome, enquanto beijava os pés e jurava-lhe lealdade. A morte, sua confidente e mais leal amiga, sorriu os dentes esqueléticos ao passe que o sacrifício divino era erguido aos céus por ganchos que atravessavam a derme pela espádua e coluna vertebral. A vítima gemia, e teu gemer caía como notas musicais para seus ouvidos, malditos ouvidos. Ela chorava e implorava para um Deus cego e surdo, este virou as costas para seus filhos de carne. A barra de ferro em brasas perfurou a derme e queimou, dilacerou em chamas e urina escorreu entre as pernas daquela pobre e desafortunada criatura que urrava, debatia-se enquanto o gancho o sustentava como animal, rasgando a pele pelas omoplatas. Ela tremeu em convulsão quando uma cruz fora desenhada do peito ao púbis, os olhos revirando-se em branco quando por fim fora levado para os braços de Morfeu.

O Diabo sorriu, ah! Como sorriu... gozando sobre o sofrimento alheio enquanto os lábios carrascos ditavam maldizeres em teu lombar, e, o monstro, o maldito monstro, regozijou por aquelas palavras em puro êxtase. Quando ele acordar, pensou satisfeito.

O monstro foi até o carro e dirigiu de volta para seu lar, a casa onde escondia sua perversidade do mundo e pintava uma moralidade falsa e bela, numa fachada tão perfeita e pura para aquela merda de sociedade que escolheu o capitalismo e a hipocrisia como vestimenta para o que hoje conhecemos como o bom e o aceitável. Ele sorriu para os vizinhos que lhe cumprimentavam docilmente, falou com cada um deles, ignorantes, que se fechavam naquela rotina desprezível que nada lhes serviriam depois da morte. O monstro cruzou a porta de sua casa, respirou aquele ar maldito que gerava vida, que o mantinha ainda de pé e dava-lhe forças para ceifar vidas inocentes. Não, inocentes não, somente aquelas que merecem. Ele é a justiça, a justiça divina, não aquela porcaria dos homens que servem apenas para assassinar pobres querubins de peles escuras e beneficiar os ricos de peles claras, que roubam os cidadãos que vão ao trabalho sacrificar o suor de cada dia para que, no final, seus esforços sejam recompensados com esmolas e humilhações diárias. Mas o monstro se cansou de ser o cão sarnento, o monstro quis mais do que chutes, do que porretes, cassetetes e estupros frequentes de falsos moralistas com seu altar de um espúrio messias.

O monstro banhou-se na água quente do chuveiro e purificou-se de quaisquer sujeiras daquele ratinho que pudesse estar presente em suas digitais. A roupa que usara para o expurgo passará por um processo de identificação de fibras, remoção de pelos corporais e fios de cabelo, depois será lavado e finalmente estará pronto para o uso novamente. Claro que não utilizava de qualquer vestimenta para isso, o monstro era muito mais esperto do que imaginado, usava uma roupagem de látex que evitava polímeros e vestígios de digitais, tais como DNA. A lavagem, no entanto, era bastante delicada, e antes do uso era preciso depilar o corpo, nada de sabão ou sabonete, era necessário olhar para o que estava fazendo. Cada centímetro de pele exposta.

Com a lâmina pronta, a água quente e o óleo vegetal lambuzando a pele, os pelos pretos e umedecidos caíam pelo ralo em adjunto aos flocos microscópicos da derme até desaparecerem por completo. O processo do ritual era sempre o mesmo: cortar. Molhar. Uma pausa. Redemoinho.

Sentia-se em paz quando terminava, mesmo que o tempo fosse longo para a execução do ato. Pensou em cortar as unhas, mas nada disso adiantaria verdadeiramente, pois, mesmo que aparadas, as unhas carregam consigo uma quantidade superior de DNA em comparação com os fios de cabelo, devido aos fragmentos de pele associados a elas, sejam elas dos pés ou das mãos, entretanto, a roupa de látex cobria todo o corpo, possibilitando que essas fossem muito bem ocultas enquanto realiza o expurgo.

O monstro, satisfeito com seu serviço, com a roupa higienicamente guardada num plástico escondido num fundo falso, caminhou até a sala onde ligou a TV, confortou as nádegas no estofado da poltrona e ajeitou a coluna enquanto se deliciava com os mínimos relatos de seu crime anterior, Gúsman Rubbins. Ah! Aquele garoto era um ingênuo que caiu facilmente em sua armadilha. O corpo vibrou em desejo quando se recordou de seu delito, acariciando as genitais enquanto a repórter falava, em voz branda, os métodos utilizados para a causa da morte.

Gúsman Rubbins era um pária da sociedade que teve o deleite de varrer deste mundo. O garoto, como qualquer um que de repete se revoltou contra a própria vida, afundou-se no pó e no fumo, quiçá era as constantes agressões sofridas em casa ou a mãe que vendava os olhos e aceitava apanhar porque amava o marido incondicionalmente. Ou talvez o moleque era mesmo um filho da puta igual aos outros ratos que se amontoam em montes de lixo e fezes que eles chamam de liberdade, mas era apenas uma realidade fajuta que criaram para si mesmos para escaparem da vida. O fato é que o desgraçado viciou nisso e decidiu que descontar suas frustrações da vida em outras pessoas era a melhor maneira, o tornando no que era antes de morrer: estuprador e violento.

O monstro fez a melhor coisa que poderia fazer para este mundo. Ele o limpou.






16 de Abril de 2021 a las 16:26 0 Reporte Insertar Seguir historia
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