natchu Nat Almeida

Eric tem um segredo: ele faz parte do clube nem-tão-secreto de caras apaixonados pela melhor amiga. Na verdade, isso só é segredo para a sua melhor amiga, a charmosa e animada Thalia, que não faz ideia dos sentimentos do rapaz. Como todo bom cara romanticamente brega, Eric criou uma playlist com as músicas que lembram de sua melhor amiga e prometeu não declarar os seus sentimentos pelo bem da amizade. Ironicamente, quando ele decide que não vai revelar o que sente é que finalmente começa a realmente viver sua história (com direito a uma trilha sonora cheia de sofrência). Entre músicas românticas, pequenos desastres, sorvetes roubados e o sequestro de um cachorro, Eric finalmente encontra a sua playlist ideal.


Ficción adolescente No para niños menores de 13.

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Medo Bobo

Sabia que existe um grupo secreto de pessoas que se apaixonaram pelas melhores amigas com quem nunca terão nada? Porque eu descobri recentemente que isso existe e faço parte dele.

– O nome disso é friendzone – Henri, meu melhor amigo diz com uma expressão de “eu estou certo e você errado” no rosto – Você não é o primeiro e nem vai ser o último cara a passar por isso, Eric.

– Principalmente com a Thalia, porque ela tem aquelas... Você sabe... – Marco, um dos muitos amigos sem noção de Henri que não sei porque aguento faz movimentos de curvas com as mãos – Se é que me entende – ele dá uma piscadela em minha direção.

Reviro os olhos e encaro meu melhor amigo.

– Por que tenho que aturar esse cara mesmo? – pergunto assim que Marco se distrai e olha para algum ponto distante do pátio em torno da escola.

Henri me dá um olhar de advertência e eu sei o que significa. Marco é o irmão da Carol, a garota com quem Henri está saindo, e espanta todos os caras que tentam ficar com ela. Ser amigo desse idiota é a forma mais fácil de impedir que ele atrapalhe o romance dos dois.

Meu melhor amigo não gostava muito dessa relação no início e sempre reclamava sobre ter que aturar o Marco, mas hoje em dia eles se dão muito bem e formam uma dupla até que engraçada: Henri, alto, magro e com os cabelos castanhos eternamente bagunçados e Marco, baixo, musculoso e com cabelos pretos curtos.

– Ih Eric, olha lá a ‘mina’ que ‘cê’ gosta – Marco faz um sinal na direção das escadarias do prédio.

Thalia cumprimenta todos que passam por seu caminho enquanto caminha até a entrada da escola.

Eu sei que é clichê, mas não consigo desviar o olhar dos cachos escuros se movendo a cada passo que ela dá. Parece até que ela vive dentro de uma bolha onde os filtros de comédias românticas são reais e tudo é sempre mais bonito.

– Vish, o cara morreu – Marco estrala os dedos diante de meu rosto, mas escolho ignorá-lo.

– É o efeito da Thalia, cara – Henri dá de ombros – Ele tem essa paixão secreta pela melhor amiga.

Assumo que neguei por muito tempo que o que eu sinto por ela é mais do que amizade, mas não quero que uma paixonite adolescente boba acabe com anos de amizade.

Sim, para o meu azar a paixonite veio depois que nós já tínhamos um forte laço de amizade que eu odiaria perder. Às vezes me pergunto se não é melhor desse jeito, onde apenas eu tenho esses sentimentos que um dia isso vão sumir e tudo será como antes. Eu gosto dessa ilusão.

Acho que passei muito tempo imerso em meus pensamentos, quando percebo Marco está com cara de quem vai fazer besteira.

– Eu não aguento mais ver isso – Marco bate na mesa e se levanta do banco onde estava sentado – Oi Thalia! – ele grita.

Thalia olha em nossa direção, sorri ao me ver e acena caminhando até nós. É impressionante como todos do lado de fora do refeitório observam, não com inveja, mas com admiração, enquanto ela passa pelas mesas ocupadas antes de chegar a nossa.

Ela se senta ao meu lado no banco e olha para os garotos.

– Oi meninos, não tinha visto vocês – então o objeto de sua atenção muda e sinto aqueles grandes e curiosos olhos castanhos me encarando – Oi Eric, como está o meu ninja favorito hoje?

Esse apelido é uma piada sobre os desenhos japoneses – animes – que acompanho. Meu pai é japonês e o melhor jeito de me apresentar a cultura de seu país que ele encontrou foi através dos animes, não que a galera da escola ache isso legal.

Thalia é a exceção.

– Estou bem e você meu girassol? – o apelido que uso também é uma piada porque Thalia adora roupas amarelas e girassóis.

Ela faz um movimento com a mão para a jardineira amarela que contrasta perfeitamente com sua pele negra.

– Então você percebeu minha nova roupa? Que honra!

Henri e Marco trocam olhares e sorrisos do outro lado, aproveitando a distração da minha amiga eles se levantam e saem silenciosamente.

Traidores.

– Impressão minha ou os meninos foram embora? – é claro que ela ia perceber a ausência deles, Thalia é esperta demais para ser enganada.

– A sua beleza os afasta.

Thalia revira os olhos para mim e dá um leve soco no meu braço.

– Acho melhor assim, preciso muito falar com você sobre coisas de melhores amigos.

Não consigo evitar e um suspiro desapontado escapa de meus lábios. “Coisa de melhores amigos” é o termo que ela usa quando quer que eu dê alguma informação sobre o novo cara de quem está afim.

– Manda. Quem é o cara da vez?

Eu sei o que você deve estar pensando “como você ajuda a garota que gosta a ficar com outros caras?” e a resposta é simples: não temos nada.

Toda vez que eu falo isso pro Henri ele fica irritado e começa a dizer que sou o capacho da Thalia, mas ela não sabe dos meus sentimentos e nem que me incomoda responder às perguntas dos caras que ela está querendo beijar.

– Já disse que eu amo quando você é direto assim? – é impressionante como ela consegue ser charmosa dizendo isso – Aquele tal de Lucas, que anda com o Henri, ouvi por aí que ele anda falando bem de mim. Sabe de algo?

Sei que ele é mais um dos amigos babacas do Henri que eu não suporto.

– Nunca falei com ele, então não posso te ajudar – não é mentira, jamais troquei uma palavra que fosse com ele mesmo o encontrando com o Henri de vez em quando. Thalia solta um suspiro desapontado, vejo pela sua postura que isso a desanima – Mas acho que seria melhor ficar longe dele, o Henri comentou comigo que esse cara tem alguns problemas em se controlar com bebida.

– É, algumas garotas também me falaram isso. Vou ficar longe dele – Thalia pressiona os lábios formando uma linha reta – Está difícil encontrar caras decentes, ainda bem que eu tenho você do meu lado – ouvir essa frase faz com que meu coração dispare um pouco, começo a sorrir de maneira involuntária – Irmãozinho.

O sorriso se desfaz. Às vezes me pergunto se sou uma piada para o universo.

– Te vejo hoje à noite? – ela pergunta se levantando.

– Claro, não perderia a cerimônia de hoje por nada.

Então fico como o tolo apaixonado que sou observando enquanto ela se afasta até sumir no horizonte.

Ao final de cada semestre, nossa escola organiza uma cerimônia para premiar os alunos que mais se destacaram e festejar o início das férias com uma grande festa. Para muitos é um baile informal e todos os estudantes se empolgam com isso.

Thalia está sempre sendo premiada por algo e eu sempre vou para apoiar e vê-la se gabando sobre os prêmios que recebeu.Ela é muito competitiva e fica tão linda quando recebe aqueles prêmios.

– Foco Eric, foco! – balanço a cabeça e me levanto do banco. Não posso ir pra terra das comédias românticas agora. Hoje preciso ser o melhor amigo que a apoia incondicionalmente sem segundas intenções.

Mais uma vez.

Toda vez que a minha paixão secreta começa a ser, vamos dizer assim, inconveniente demais e atrapalha meus pensamentos, abro a playlist que criei com músicas bregas e nada legais que me fazem lembrar da Thalia. Assim que dou play, sou transportado para um show sertanejo e ouço a música sobre uma pessoa que tem medo de assumir seus sentimentos.

Se tenho vergonha de ser um adolescente que ouve sertanejo? Com certeza, mas é impossível não se sentir representado por essas sofrências.

O nome da playlist é “Músicas Bregas Lembram Você” e conta com um seguidor. Isso mesmo, existe alguém além de mim que ouve essas músicas e sofre como eu sofro. Ou que acessou um dia e escolheu seguir a playlist sem nunca dar play nela. Nunca se sabe.

Ouço a trilha sonora melancólica do meu amor não correspondido durante todo o caminho até a minha casa e só paro quando uma intervenção maior surge.

– Manhê, o Eric tá com cara de quem tá ouvindo aquelas músicas tristes de novo! – minha adorável e doce irmã Naomi grita assim que abro a porta de casa e entro na residência. Ela nem mesmo ergueu os olhos do celular para me ver, mas fez questão de anunciar mesmo assim.

Minha irmã é dois anos mais nova do que eu e está passando pela fase “coisinha fofa com os amigos, chata com a família”. E com família quero me referir a mim, porque com os nosso pais ela é um amor e até conseguiu convencê-los a deixa-la pintar metade do cabelo preto de rosa.

Naomi passa tanto tempo deitada no sofá da sala que se camufla com a decoração o cômodo e desaperece em meio aos elementos orientais e os paninhos de crochê que decoram os móveis.

– Você poderia ser tão doce como o seu nome sugere – resmungo tirando os fones de ouvido.

– Meu nome também significa “bonita e honesta”, acho que puxei mais essas características.

Reviro os olhos e logo ouço os passos apressados da minha mãe correndo até a sala. Ela ainda está vestindo o terninho que usa para trabalhar como corretora de imóveis e os cabelos castanhos fogem de seu coque no topo da cabeça. Provavelmente chegou há pouco tempo do trabalho.

– Meu neném finalmente vai para seu último baile da escola! – ela aperta minhas bochechas enquanto estampa um sorriso assustador no rosto.

– Mãe, você está fazendo aquilo de novo! – falo com as bochechas sendo pressionadas, o som sai como um “bãe vuxe istá faxendo aquilu dinovo”.

– Desculpa, desculpa! – ela solta meu rosto e ergue as mãos em sinal de rendição – Mas, não me culpe por estar emocionada com esse momento.

Reviro os olhos novamente e a encaro. Minha mãe tem grandes olhos castanhos, um pouco mais escuros que seus cabelos, a pele branca e o rosto arredondado. Ela parece ser mais nova e geralmente a confundem com minha irmã mais velha – algo que ela adora – e tem muitos comportamentos infantis.

Não consigo imaginar uma mãe melhor que ela.

– Não é um “baile”, mãe. E eu só vou porque a Thalia vai receber um prêmio esse ano. De novo.

– Aquela menina é tão esperta – ela me olha de maneira sonhadora – Vocês ficam tão fofos juntos.

Eu sei! A gente devia namorar, né?

Jogo esse pensamento pro fundo da mente e balanço a cabeça para garantir que vou afastá-lo da minha boca.

– Eu sei, é por isso que somos amigos.

Não espero por uma resposta e subo para me arrumar. Hoje preciso estar o mais bonito que conseguir.

Uma hora depois, estou vestido como um pinguim descontraído – também conhecido como “estilo social casual” – que consiste em uma camisa social branca, calças jeans pretas, meu par de tênis cano alto vermelho e uma gravata estampada com o labirinto do jogo Pacman.

Encaro meu reflexo por algum tempo analisando as roupas. Acho que o resultado está muito bom. Será que a Thalia vai gostar?

– Fiu, fiu – olho para o canto do espelho e vejo os olhos de raposa e os longos cabelos bicolor da Naomi – Se a Thalia não te beijar hoje, não sei quando vai ser.

– Sai do meu quarto, Naomi – resmungo.

Naomi tem uma mania incorrigível de se intrometer na minha vida e falar sobre a paixão que nutro por Thalia. Odeio admitir, mas ela foi a primeira pessoa a me alertar sobre esses sentimentos.

– Calma aí, Senhor Defensivo! – ela entra no quarto e senta na minha cama – Só vim te dar um conselho.

– E qual seria, ó Dona Suprema da Razão? – ela sorri de maneira convencida com o apelido.

– Huuum, gostei do apelido – faço uma careta e ela ri – Acho que você devia se declarar pra ela, Eric.

Por um instante sinto meu corpo congelar e travo. Percebendo minha reação, ela continua.

– Sabe, seria bem ruim se um dia ela chegasse namorando com um cara incrível e você ainda tivesse esses sentimentos secretos – ela completa com a voz baixa - Acho que você ia sofrer muito.

Tenho vontade de responder que isso não importa porque se a Thalia estiver feliz, mesmo que seja com outra pessoa, eu vou estar também. Porém, sei que isso é mentira.

Naomi implica comigo, mas é a pessoa que mais se importa em proteger meu coração. Mais até do que eu.

– Vou pensar no que disse – falo de maneira sincera.

– Que bom – ela sorri – Agora vamos arrumar esse cabelo!

Quando a minha irmã cisma em arrumar meu cabelo, sei que não vai dar em boa coisa.

– Não, não, não. Naomiiiii! – ela começa a me empurrar para o banheiro no corredor – Mãããããe! – grito em desespero.

– Filha, deixa seu irmão bem bonito pra beijar as garotas da escola! - ela grita do andar debaixo, advinhando toda situação desesperadora que estou vivendo.

– Pode deixar, mãe! - Naomi responde sorrindo de maneira travessa.

Traidoras.

Chego na cerimônia em cima da hora por causa das mudanças de visual feitas por Naomi que deixou o meu cabelo “bagunçado e descontraído de um jeito bem sexy”, de acordo com as palavras dela. Ver a minha irmã mais nova falando “sexy” é bem estranho, mas resolvi não comentar na hora.

O ginásio foi preparado para essa ocasião e os alunos responsáveis o decoraram com faixas prateadas e azul e balões das mesmas cores. Além disso, há um globo de espelhos pendurado para a mini-balada que será realizada após a premiação, duas mesas longas com quitutes e bebidas e mesas menores com cadeiras espalhadas pelo lugar para os alunos se sentarem. Os que não conseguem lugar em alguma mesa vão para as arquibancadas.

Passo pela entrada e vejo Thalia discursando no palco, sinal de que perdi o anúncio do prêmio que ela ganhou. Minha melhor amiga está deslumbrante em seu vestido amarelo de alças finas com um girassol se decorando em seus cabelos cacheados.

Sua voz é abafada pela dos alunos ao meu redor, mas entendo que ela está agradecendo os amigos e familiares que a apoiaram a ser novamente a melhor aluna da escola.

Uma salva de palmas começa e ela vai para a lateral do palco improvisado com um grande sorriso.

Caminho em sua direção, apreciando cada detalhe da felicidade naquele rosto que tanto amo. Estou há alguns passos de distância quando o incidente acontece.

– Estou tão orgulhoso de você – Lucas diz alto o suficiente para que ouça mesmo distante – Você é incrível.

Ele é um cara alto, loiro e tem uma família com dinheiro. Lucas é o maior clichê de filmes adolescentes e talvez por isso tantas garotas se derretam quando estão perto dele, como Thalia nesse momento.

– Obrigada – ela desvia o olhar de seu prêmio, foca nos olhos dele e….

– Não, não, não – suplico em voz baixa.

Minha melhor amiga está beijando um dos caras mais babacas de quem já ouvi falar e eu estou observando enquanto sinto meu coração se partir. Talvez isso seja dramático demais, mas foi assim que me senti.

Alguém passa o braço ao meu redor, olho e vejo que é Marco levemente alcoolizado. O cheiro de cerveja nele me dá nojo.

– Olha o lado bom, pelo menos é o fim daquele medo bobo.

22 de Enero de 2021 a las 00:33 0 Reporte Insertar Seguir historia
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