saaimee Ana Carolina

Seu comentário atraiu o olhar dos três, porém de formas diferentes. Enquanto os olhos castanhos de Hades brilhavam felizes, os de Jyrki e Sis o encarava sem alma. Lucius apenas sorriu em resposta. Sabia o que Sis queria dizer e mesmo assim insistiu no plano. ------------------------------------------------------------------- → Capa: desenho por Alex (@ Tsuki_Akii)


Cuento Todo público. © Todos os personagens aqui pertencem a mim e TsukiAkii. Portanto postar/reproduzir esta estória em qualquer página sem a minha autorização é completamente proibido. Plágio é crime e eu tomarei providências.

#familia #original #fofo #oc #bolo #cozinhando
Cuento corto
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Capítulo único

Dois toques firmes na porta. Seus pés se afastou em um giro disfarçado, permitindo que observasse as casas ao redor enquanto aguardava ser recebido.

A garrafa de vinho nas mãos se batia ligeiramente contra sua perna, deixando sua calça mais fria. As casas do condomínio tão bem cuidadas e alinhadas com perfeição assustadora fazia seus olhos passear, se questionando sobre detalhes que nem importava. Aquele lugar era quase como o paraíso dos vivos.

Seus pensamentos realistas o suficiente para o expulsar dali foram interrompidos pelo som tímido da grande porta de madeira se abrindo. Seu corpo se voltou para frente, impulsionado como um ímã, e a primeira coisa que viu fui o rosto de olhos surpresos e o longo cabelo negro amarrado, caído sobre o ombro.

— O que… Lucius, você chegou cedo demais! – Resmungou, sem soar aborrecido, abrindo mais a porta e deixa do a mostra o avental xadrez.

— Eu sei, mas não tinha o que fazer em casa – explicou, dando de ombros com um sorriso cansado. — Resolvi vir um pouco antes.

— Não tem problema, mas eu ainda nem fiz nada pra comer – confessou, limpando as mãos no tecido enquanto balançava a cabeça desajeitado.

— Hades, por favor – riu em um tom simpático para sossegar suas procurações.

O mais velho sempre foi cauteloso e fazia de tudo para que as pessoas se sentissem confortáveis ao seu redor. Esse carinho era sua maior qualidade, mas chegava a incomodar alguns quando essa preocupação passava dos limites. Não era o caso de Lucius. Estar ali, ao lado deles, sempre o lembrava o significado de família que costumava esquecer durante seus dias rotineiros.

Passando por Hades, o jovem seguiu para a entrada, ouvindo vozes distantes reclamando de algo enquanto esperava o outro fechar a porta.

— E você trouxe vinho… – se virando para ele, Hades apontou fazendo Lucius levantar a mão para mostrar melhor a bebida. — Por isso é o sobrinho favorito dele.

— Eu sou o único sobrinho.

— E o favorito – destacou mais uma vez. Lucius apenas balançou a cabeça contente.

Fazendo mais alguns comentários bobos, caminharam pelo corredor em direção a sala principal da enorme residência. O local era tão familiar para o jovem que sentia-se em casa, acolhido de todo o mal quando estava ali. Era um lar bagunçado em discussões bobas de pais com a filha, mas cheio de um amor puro que chegava a acalmar até o peso dos ombros mais culpados.

— Quem era? – Nem tinham chegado na entrada direito quando o mais velho, Jyrki, perguntou enquanto olhava o celular junto da filha no sofá. — Era aquele rapaz da semana passada? Espero que você tenha- – ele se interrompeu quando finalmente se virou e viu os dois parados o olhando irônicos. — Ah… Chegou cedo.

— Eu disse pra ele.

— Desculpa se eu não tenho o que fazer em casa – comentou, rindo ao ver que realmente tinha se adiantado.

Jyrki sorriu e logo sua expressão sarcástica se tornou curiosa quando seus olhos encontraram a garrafa nas mãos do sobrinho. A sobrancelha levantada e os lábios retos que analisavam tudo fez o marido revirar os olhos.

Enquanto Hades passava por eles já pensando no que fazer na cozinha, Lucius se aproximou entregando o presente a Jyrki. A garota ao lado o cumprimentou, rapidamente voltando a atenção para a tela do celular.

— Não liga pro Hades – Jyrki comentou, chacoalhando a cabeça de leve — ele fica nervoso quando não tá trabalhando.

Lucius assentiu, observando a sala, e com um suspiro voltou a falar.

— Você sabe que eu posso ajudar, né?

Seu comentário atraiu o olhar dos três, porém de formas diferentes. Enquanto os olhos castanhos de Hades brilhavam felizes, os de Jyrki e Sis o encarava sem alma.

— E você sabe que cometeu um erro, né? – A garota falou, sem acreditar em seus próprios ouvidos.

Lucius apenas sorriu em resposta. Sabia o que Sis queria dizer e mesmo assim insistiu no plano.

— E o que vamos fazer, Hades? – Ignorando o julgamento dos dois, perguntou cruzando os braços.

— Eu não sei… – pego de surpresa, falou passando as mãos nervosas pela nuca — eu tava pensando em um pão caseiro ou uma torta, mas… Você não come doce, né?

— Como, mas sem exageros.

— Um perdedor… – Sis comentou recebendo um resmungo a reprovando de Hades.

— Um bolo não seria mais fácil? – Jyrki perguntou, fingindo não dar atenção, lendo o rótulo da garrafa.

Os três se olharam e, considerando a melhor das possibilidades, resolveram fazer disso um plano.

— Vocês dois venham ajudar também – Hades ordenou enquanto seguia para a cozinha sendo acompanhado por Lucius.

Jyrki e Sis se entreolharam e, apesar de ambos derrubarem os ombros e soltar suspiros pesados, se levantaram seguindo o mesmo caminho.

— Chocolate.

— Sis… Acabamos de falar sobre doce…

Sentados ao redor do largo balcão de mármore no meio da cozinha, os quatro conversavam tentando inutilmente chegar a uma conclusão.

A mais jovem se apoiava nas mãos, quase subindo no balcão, os encarando incrédula com a reação frustrada do pai mais jovem.

— Então vai fazer o que? Aquele negócio de milho? – Incomodada questionou, recebendo um olhar complacente sem reclamações que a fez se jogar para trás frustrada.

— Eu gosto – Hades se explicou ao ver os exageros da garota.

— Você!

— Jyrki? – Tentando evitar uma guerra de açúcar, Lucius virou o rumo da discussão.

— Hm? – Distraído, o mais velho levantou a cabeça, notando todos os olhos sobre ele. Um suspiro escapou de seus lábios enquanto pensava. — Ah… Eu não reclamo do milho.

— Ah, que saco!

— Baunilha? – Quase rindo, Lucius deu uma nova sugestão vendo as expressões aceitáveis dos tios.

— Lucius… você veio ajudar ou me atrapalhar? – Entretanto a mais nova deixou claro sua decepção.

— Eu gosto disso também… – Hades falou, já pensando nos ingredientes para começar.

— Não acho ruim – Jyrki concordou, aprovando o plano.

— Ai… É difícil morar com gente velha…

— Sis!

— Sis, pensa… – Lucius começou a falar chamando o olhar cansado da garota — você pode fazer brigadeiro e colocar em cima… da sua parte!

O silêncio veio como resposta. Lucius a encarou vendo seu olhar se tornar curioso e quase brilhar — igual ao pai quando viu a garrafa. Jyrki a olhou de canto, contente com o jeito manipulador do sobrinho, e Hades apenas aguardou descontente com o açúcar, mais uma vez.

— Agora tô gostando – finalmente falou, recebendo uma piscadela de Lucius.

— Ótimo! Então vai ser esse! – Hades gritou, colocando um ponto final na discussão.

— Legal e como que faz?

A pergunta da filha fez Hades olhar ao redor. Os olhos o encarando responderam sua pergunta antes de poder perguntar.

— Nenhum de vocês sabe? – Só houve silêncio e alguns movimentos negativos de corpo. — Nem o Jyrki?

— Você sempre fez tudo – se defendeu, apontando a culpa no marido. — Eu posso fazer o café pra você. Como sempre – sua voz soava irônica, mas seu olhar carregava amor que fez Hades sentir o coração pular fora do ritmo.

— Tá… mas vai ajudar no bolo também – o comentário fez a filha rir como se dissesse "tentou fugir, né?"

Não demorou muito para o som de tigelas e panelas tomar o foco na cozinha acompanhados das instruções — muitas vezes ignoradas — de Hades.

Os quatro deram início ao trabalho com tanta curiosidade que até quebrar um ovo era motivo de disputa. O que, naturalmente, espantou Hades. Ele esperava de tudo, — bagunça, gritos, corpo mole, alguém querendo o ensinar a fazer seu trabalho — tudo menos essa euforia em busca do bolo perfeito.

Claro que também não reclamou, não tinha motivos, na verdade se jogou entre eles deixando de lado as próprias regras e aceitando fazer aquela experiência mais importante do que ideal.

Levou alguns longos minutos para conseguirem terminar de juntar os ingredientes e fazer a massa bater. Isso porque Sis quis perder tempo assoprando trigo no rosto de Lucius, o que levou o rapaz a esfregar manteiga na bochecha dela e logo mais trigo ser jogado para todos os lados.

Estavam observando Hades terminar de espalhar a massa sobre a forma quando Jyrki notou a filha entre eles, movendo o celular de cima para baixo com uma expressão séria no rosto.

— Você tá gravando?

— É rapidinho… – falou, sem tirar os olhos da tela.

— Vai enviar pra seus amigos? – Perguntou, disfarçado o sorriso já imaginando a resposta.

— Já falei que não são meus amigos!

— Filma seu rosto – Lucius apontou, finalmente atraindo os olhos dela.

Por instantes, ela apenas os encarou como se questionasse o que deveria fazer. Não era como se não quisesse mostrar os olhos contentes e o sorriso sarcástico que sempre ria dos outros, porém sabia que estava cheia de trigo e não queria virar motivo de piada.

— Não-

Antes que pudesse terminar de falar, Jyrki tomou o celular de sua mão, aproveitando sua guarda baixa, e rapidamente começou a filmar a garota.

— Pai! – Gritou, pulando em direção a ele na tentativa de retomar o aparelho. — Para!

Por mais que se esforçasse ela não pôde evitar e acabou recebendo provocação que acabaram em risos e piadas entre eles.

Com o guardanapo em uma das mãos, limpando os restos de trigo do rosto, Lucius caminhou até a sala checando as notificações no celular.

Havia mensagens de William com as curtas respostas de sempre, notificações de postagem de todas as redes de Mischief e fotos bobas que Alice mandava para ele quando não tinha o que fazer.

Estava atualizando quando sua tela brilhou em uma chamada de vídeo com o nome Mischief no topo.

Surpreso, atendeu olhando ao redor para ter certeza que não havia ninguém ali. Quando a foto se transformou no vídeo, o rapaz apareceu deitado na cama com o cabelo bagunçado e um sorriso preguiçoso no rosto. Lucius relaxou. Com Mischief ele nunca tinha certeza quando uma ligação poderia virar um vídeo pornográfico.

— Oi… – a voz manhosa do jovem fez o mais velho erguer uma sobrancelha, se perguntando o que queria. — Tá fazendo o que?

— Tô em reunião – falou, calmamente vendo o rosto do outro se tornar preocupado.

— Com Will? Ele não falou nada…

— Não. Tô em família.

— Ah… – relaxou, rindo contente por ele. — Tô te atrapalhando?

— Não… acabei de colocar o bolo pra assar então tô livre – se espreguiçando, explicou. O silêncio do amigo o fez encarar a tela sem entender. — O que foi?

— Desculpa, o que você falou?

A expressão risonha de Mischief o fez perceber o que tinha feito. Fechando os olhos e soltando um suspiro irritado tentou ignorar a risada.

— Você tá fazendo bolo?

— E qual o problema?

— Nenhum! Eu só não consigo imaginar isso…

— Ah, que saco… – estava pronto para ameaça-lo quando notou a prima entrando na sala.

Seus olhos se voltaram para ela, ignorando o outro na tela. A viu se aproximar e sem qualquer cuidado se jogar no sofá ao seu lado.

Lucius a observou em silêncio. Sabia que queria algo. Mischief havia se calado, notando que tinha alguém ali.

— O que? – A jovem perguntou sem olhar para ele, inflando as bochechas.

— Eu que pergunto.

— Nada…

Sua voz era baixa, tímida e insegura. Nada do que Sis era normalmente. Tinha certeza que queria algo, por isso continuou olhando.

— Me ajuda com o brigadeiro? – Sussurrou. Lucius até ouviu, mas quis provoca-la.

— Que?

— Você ouviu!

— Ajudo – rindo, respondeu sem ver o rosto apaixonado de Mischief que o olhava na tela. — Cadê seu pai?

— Qual deles?

— Os dois.

— Jyrki tá fazendo o café e abriu o vinho… Hades tá gritando com ele porque abriu o vinho – respondeu, balançando a cabeça como se falasse sobre duas crianças. — E o que cê tá fazendo?

— Falando com o Mischief – virando a tela, mostrou o jovem a deixando aparecer na câmera. O rosto da garota se tornou vermelho quando o ouviu dizer seu oi gentil de sempre.

— Ah… Oi… – o silêncio se prolongou e Lucius apenas observou, incrédulo com a honestidade dela. Assim que percebeu o que fazia, Sis se levantou e, correndo, gritou "vem logo!"

Lucius a observou e logo se virou para Mischief. O silêncio os cercou por alguns instantes, só olhares e meio sorrisos se exibiam. Lucius suspirou e Mischief riu.

— Tenho que ir…

— É… te vejo a noite?

A pergunta veio seguida de um sorriso traiçoeiro que Lucius conhecia bem. Sem escolha, assentiu antes de dizer tchau e desligar.

Com calma se levantou, com passos lentos seguiu para a cozinha e com um olhar surpreso observou os três discutindo por mais coisas bobas.

Era sempre assim. Precisavam discutir para mostrar que se amavam. Discutiam até com Lucius que nem morava ali!

Um sorriso cortou seus lábios. Amava os ver juntos e amava estar com eles. Era em dias como este que ele se sabia sobre o que era a humanidade, o seu valor. Em dias como este se sentia parte de algo. Sua família.

23 de Agosto de 2020 a las 03:00 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

Conoce al autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

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