crazyhuman_ CrazyHuman_

Sasuke é um garoto problemático; descobrir e resolver tais dimensões complexas será difícil, afinal, aceitar que temos problemas e procurar ajuda é sempre doloroso.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

#narusasu #lgbt #naruto #mangá #anime #adolescente #yaoi #drama #revelações #romance
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Autossuficiência ou solidão?

Autossuficiência:

- característica de independência;

- condição de quem se consegue sustentar sua própria sobrevivência;

- estado de autonomia.

Solidão:

- pessoa que está só, sozinha;

- condição de quem se isola, período de interiorização.

(Dício, Dicionário Online de Português)



Quem precisa deles? Ou delas? Quem precisa do Itachi e de seus amigos estúpidos? Quem precisa de país ridículos que convidam familiares compulsivamente para te fazerem companhia? Quem precisa de uma namorada? Quem precisa de amigos? Eu vou demonstrar que a melhorar companhia que alguém pode ter é a si mesmo, e nada melhor que ir ao cinema sozinho.

— Um ingresso, por favor.

— Boa noite! Aqui só aceitamos dinheiro. Caso queira pagar no cartão você pode ir direto ao tablet, lá você paga metade do preço.

Torci os lábios e reprimi a vontade de revirar os olhos. Se eu estava direto na bilheteria, é porque o pagamento seria à vista, e não por meio de cartão.

— Não, é aqui mesmo — respondi simplesmente.

— Ok. Qual filme você vai assistir?

Novamente torci os lábios.

— O filme que todo mundo veio assistir.

— Desculpa?

Bufei.

— Moça, qual filme todo mundo veio assistir hoje?

As sobrancelhas dela estavam levantadas e os olhos, fixados em mim, como um ato de interrogação.

— O filme famoso... — dei uma dica, fazendo a mesma cara que ela.

— É... Você pode ser mais claro?

— O da estreia!

— Senhor! — ela retirou os óculos de armação vermelha e juntou as duas mãos debaixo do queixo. — Hoje estaremos exibindo três filmes que chegaram ontem. Três. Pode me dizer qual o senhor vai assistir?

— Três?

Ela apontou para a parede. E, puta que pariu, eram realmente três filmes fodidos que estavam estreando desde ontem. Três.

— Voltando à Realidade II!

— Ok. Qual assento, por favor?

— Na última fileira.

— Não temos nenhum assento disponível na última fileira. Só no meio.

— Ué.

— Algum problema?

— Não, é que...

— Licença. Cara, tem gente querendo comprar a blusa. Tem como você se decidir logo? A máquina de cartão fica ali...

Foi só agora que notei as incontáveis caixas atrás do balcão contendo blusas e acessórios personalizados. Agora é claro por que vivem falando do maldito tablet: quem paga entrada inteira, Sasuke? Pelo amor!

— Moça, aquele outro filme ali. Tem? — apontei para um cartaz colorido no canto, querendo fugir dali o mais rápido.

— Hm... Tem. Mas você tem certeza?

Mais uma bufada.

— Tá. Quero esse mesmo. Qualquer poltrona na última fileira.

Pela expressão dela, ela preferiu não retrucar mais, porém a estranheza estava clara em seus olhos. Me entregou o bilhete e o troco. Agora pasmem: quarenta reais o ingresso! Antes tivesse realmente ido à máquina pagar vinte reais...

Em um canto qualquer eu obversava o pequeno espaço ficar cada vez mais cheio, inclusive as escadas abaixo do pátio já estavam lotadas. Era gente demais para um espaço que ocupava um quarto de um campo de futebol. E a gritaria? Para os meus ouvidos, proporcionais a um estádio inteiro!

Saquei o celular do bolso e recebi uma mensagem da minha mãe. Filho, encontrou alguém aí? Por quê, dona Mikoto? Por que eu deveria encontrar alguém aqui? Apenas guardei novamente o aparelho e me pus a observar o movimento. Foi então que me deparei com um garoto tão lindo que meus olhos arregalaram: ele era loiro, tinha um pouco mais do meu tamanho, roupas que lhe caíam perfeitamente bem e seu cabelo era bagunçado. Ok, estava mais para um bagunçado-arrumado que só bagunçado, mas ainda era charmoso.

Ele parecia confuso olhando para o tablet, até que sorriu e puxou o cupom fiscal. O rapaz sumiu no meio da multidão.

O apito soou pelo pátio e as portas abriram. Caralho, e a minha pipoca? Esqueci o cacete da minha pipoca! Tudo isso por culpa de um loiro que eu nem conheço e uma atendetente idiota. Entrei na sala 3 possesso de raiva esfregando as mãos no rosto enquanto praguejava baixo. Passei tanto tempo murmurando e esfregando o rosto que não percebi que o loiro de outrora estava sentado ao meu lado.

— Tá tudo bem contigo?

— Oi? Tá. Tá, sim.

— Ah, tá... — ele me encarou com uma belíssima cara de idiota e um dedo indicador coçando a bochecha. — Então, você gosta muito de yaoi?

— Por quê?

— Ah... contando que você tá quase arrancando os cabelos na estreia de um filme yaoi tão esperado... Eu diria que, no mínimo, você tá ansioso.

— O quê? Filmes yaoi?

— Cara, você tá mesmo bem? — ele virou o corpo na minha direção.

— Ah, não. Tô bem, tô bem. É outra coisa.

Enquanto eu passava novamente a mão no rosto numa tentativa falha de ignorar as desgraças que estavam acontecendo na minha vida, ele riu.

É, ele riu.

— Que foi?

— Meus amigos falam que eu sou intrometido por perguntar coisas demais que não são da minha conta... Eu só não resisto, às vezes.

— Ah, você não perguntou nada demais, não. Fica tranquilo.

— Eu sei. Tô rindo porque consegui segurar a vontade de perguntar que outra coisa é essa que você disse. É uma risada de vitória.

— Ah... — eu não sabia bem o que viria agora. Sentia que o assunto tinha que continar, mas... — Quer saber?

— Perguntar se eu quero saber é a mesma coisa que perguntar se o Palmeiras tem Mundial.

— Mas o Palmeiras não tem Mundial...

— Espera... Fiz a piada errada. Que droga!

Não resisti, soltei uma risada.

— Olha, a verdade é que eu nem sei direito o que é yaoi. Fiquei tão estressado lá fora que escolhi qualquer filme.

— Oh... Então você não sabe o que é yaoi? — os olhos dele pareciam brilhar. Incluisve, que olhos lindos ele tinha. — Cara! Sério! Deixa eu te explicar! Na boa!

Ele falava em constantes exclamações, dava quase para sentir o sabor da sua empolgação. O telão a frente acendeu e começaram as propagandas e avisos chatos enquanto o loiro murmurava pensando por onde começar.

— Bom! Given é um anime yaoi. Relação entre homens, tá ligago? Particularmente, acho que os criadores estão de cu doce falando que é shounen-ai, mas eu acredito que na segunda temporada eles vão se render ao yaoi de vez!

— Espera... Esse anime ganhou um filme logo na primeira temporada?

— E só tem onze episódios!

— Nossa...

— Então, continuando... Os personagens principais são o Mafuyu e o Uenoyama, mas esse filme vai focar mais nos colegas de banda deles, Haruki e Akihiko, que também estão de cu doce pra darem uns amassos logo.

Ouvir “dar uns amassos” saindo da boca dele me fez curvar um pouco as costas.

— Entendi...

— Olha, vai começar! Qualquer dúvida pode me perguntar.

— Tá bem...

— Aliás, qual seu nome?

— É Sasuke, e o seu?

— Naruto.

***

Não sei bem quando isso aconteceu, mas eu e o loiro recém-conhecido saímos da sala de cinema conversando como se fôssemos melhores amigos. Isso me fez sentir um calor incomum por dentro do casaco, mais especificamente no estômago.

— Né, Sasuke, vamos fazer um lanche?

— Um lanche?

— É, sabe...

— Não tá cheio de pipoca?

— Não é tão fácil assim eu ficar saciado, né.

— Entendi... Vamos, então.

Naruto estava animado passando em frente às pequenas lanchontes do shopping, e sua animação se esvaía conforme ficávamos sem opções. Era engraçado ver um lindo sorriso primacial se transformar em uma carranca desgostosa.

Por fim, chegamos à última lanchonete. Seu sorriso agora é um tanto constrangido e desesperado.

— Né, a gente vai achar alguma. Vamos voltar.

— Por que a gente não compra só um sorvete? — sugeri.

— Parece bom...

— Por que você parece nervoso?

— Não é nada.

— E por que tá suando?

— Não é nada, pô.

— Por que tá coçando a cabeça agora?

— Ok, eu sou um fracasso!

— Só por que não conseguiu escolher uma lanchonete?

— Ah, sei lá. Né, eu vou comprar uma casquinha de chocolate. Você quer de quê?

— Pode deixar que eu pago.

— Não, eu já tô com o dinheiro na mão.

— Nesse caso... Acho que vou querer chocolate.

— Ok, volto já.

***

— Então se tivesse casquinha de lámen você compraria?

— Lámen de porco! Com certeza!

— Jesus Cristo.

— Ah, eu sei que você também tem um sabor estranho. Qual é?

— Hm... — desviei o olhar para o céu noturno enquanto tentava pensar em algo criativo o suficiente. A verdade é que eu não me importava com aquilo. — Talvez de tomate.

— Tomate? Eca!

— Falou o que comeria sorvete de lámen de porco...

— É diferente.

— Não adianta se defender. Lámen de porco é esquisito e pronto.

— Nossa. Delicado como um coice de cavalo! — ele riu.

— Acho que sou mais delicado como um black hole.

— Que isso?

— Buraco negro...

— Ah, tá...

— Não entendeu, né?

— Nem um pouco.

— É uma região no Espaço que tem uma força gravitacional tão intensa que nada consegue escapar, nem mesmo a luz.

A expressão dele era puro desentendimento.

— É tipo um aspirador de pó. Mas tão forte que até a claridade é engolida.

— Ahhh... — ele finalmente fez uma expressão que remetia entedimento. — Então você é delicado como algo que suga a luz...

— Como algo que engole a luz — corrigi-o.

— Hm.

Aquele “hm” me incomodou.

— Quase todo mundo não sabe o que é isso, relaxa. É só imagionar que eles são devoradores de matéria.

— Ah, tá.

— E você, gosta de Astronimia?

— Já pensou se eu pergunto qual seu signo agora? Haha.

— Quê? Pergunta isso que eu juro que vou embora.

Hahaha. Por quê? Qual é o seu signo?

Olhei-o como se a coisa mais surpreendente do Universo estivesse de diante dos meus olhos. Voltei meu olhar para frente e comecei a andar mais rápido, fingindo um teatrinho dramático.

— Oh, Deus, eu me apaixonei pela pessoa errada.

Hahaha, volta aqui, Sasuke.

— Não, agora eu vou embora. Vou fingir que fui engolido por um buraco negro e sumir através do horizonte de eventos.

Haha... — ele deu alguns passos mais largos e me alcançou. — Mas é uma boa ideia.

— O quê?

— Você se apaixonar por mim. Eu presto muito.

— Depende.

— De quê?

— Você já deixou séries pela metade? Porque se já, duvido que você preste.

— É... Nunca deixei, não.

— O que acontece no final da terceira temporada de Elite?

— Ainda não vi, tá na minha lista.

— O quêêêêêêêê?

— Ainda não vi, Sasuke...

— Pois quando você chegar em casa vai ver! Não adimito uma coisa dessas!

— Hm... — pelo menos dessa vez o “hm” soou diferente. Soou sugestivo, como se estivesse cogitando a ideia. — Então se eu ver Elite você se apaixona por mim?

Que pergunta estranha.

— Apaixono, claro.

— Então beleza, vou ver.

— Isso aí — sorri.

— Né... É aqui que eu sigo meu caminho.

— Ah... você mora pra lá?

— É...

— Entendi... — respondi, desanimado.

— Me dá o seu número?

— Hã? — boiei.

— Seu número de WhatsApp.

— Me passa o seu, Naruto. É melhor.

— Oh! Claro. Espera aí, né. Não sei meu número de cabeça.

Ele registrou o número no meu celular e me entregou o aparelho com um grande sorriso no rosto. O sorriso era tão belo e aberto que, se possuísse brilho, ele facilmente ofuscaria a escuridão da noite com ele.

— Tchau, Sasuke!

Ele me deu um abraço, virou-se e saiu. Eu fiquei meio paralisado, estático, observando a imagem dele se misturar com a paisagem frígida da rua que ele seguia. Fui tirado do transe quando a visão de seu rosto tomou o lugar da visão de sua nuca. Ele havia se virado. Quando percebeu que eu o encarava, tomou a postura anterior rapidamente, continuando seu trajeto.

Eu fui para casa em silêncio sem saber direito no que pensar, nem em como agir, na verdade. Eu só conseguia aproveitar a memória fresca daquele sorriso encantador e nos momentos que ele falava “né” em todos os tons. Parecia um tipo de mania fofa.

Quando destranquei a porta de casa, emiti um “aham” para o meu irmão mais velho e subi para o meu quarto. Aham era a resposta para todas as perguntas, inclusive essa de Itachi que eu nem fiz questão de ouvir.

A cama macia recebeu o impacto do meu corpo se jogando sobre ela. Eu estava quieto, como de costume, em silêncio, mas sentindo uma estranha sensação de leveza, uma sensação de paz... Uma sensação de satisfação! Nem lembro qual foi a última vez em que senti algo que fosse pelo menos parecido com isso.

Abri o contato de Naruto e percebei o “online” sob seu nome, que ele fez questão de colocar “Narulindo” e um coraçãozinho no final. Sério, aquilo me rendeu umas risadas e, como brinde, uma sensação estranha. Depositei a cabeça no travesseiro e me pus a pensar. O que havia sido diferente?

Bom, se eu não contar que ter a companhia dele foi bem melhor que as minhas atividades corriqueiras autossuficientes, eu provavelmente diria que foi uma noite chata e normal como outra qualquer. Essa ideia, entretanto, me incomodava. Me incomodava porque havia sido diferente de todas as noites passadas em que eu gritei para cada célula do meu corpo que a melhor companhia é a si mesmo.

Ok, talvez eu tivesse me precipitado um pouco, mas não acho que valha a pena remoer coisas que não entendo.

Abri a foto de perfil do WhatsApp dele e fiquei encantado. Tão lindo e aberto... Um sorriso desinibido que demonstrava seu jeito espalhafatoso. Queria levantar e sair correndo pelas ruas gritando “Naruto, vamos tomar outro sorvete.” Queria a companhia dele. E essa frase fez a realidade cair sobre mim como milhões de baldes de água fria, com dezenas de milhares de cubos de gelo: eu não fazia as coisas por conta própria porque era autossuficiente; eu fazia as coisas por conta própria porque eu era sozinho.

4 de Julio de 2020 a las 02:13 0 Reporte Insertar Seguir historia
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CrazyHuman_ Não espere muito de mim. Sou apenas 10 trilhões de células em queda livre numa trajetória curvilínea no Espaço.

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