bucetinhadobyun 𝕤𝕞𝕚𝕝𝕖 𝕠𝕟 𝕞𝕪 𝕗𝕒𝕔𝕖 ⁹⁹

Do Kyungsoo era uma pessoa doce com todos, tinha uma vida perfeita, amigos, irmãos, pais que o amavam, mas ele escondia consigo um trauma e cicatrizes, que apenas uma pessoa foi capaz de notar.


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 21 (adultos).

#yaoi #angst #kaisoo #exo
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O Orfanato

Kyungsoo lembrava-se com perfeição daquela cena trágica da mãe segurando uma faca com a mão trêmula, e seu pai aproximando-se bêbado e irritado com uma faca, era uma cena típica de um filme de terror. Ele queria ter coragem pra agir, voz pra gritar, força pra defender a sua mãe, mas apenas teve medo, covardia e fechou os olhos antes do impacto. Antes que seu pai acertasse em cheio a face da sua mãe e posteriormente o resto do corpo, furando sua pele branca e a manchando da cor que se tornou a que o Do mais odiava. Os gritos, o soluço, o choro e por fim o silêncio. O pequeno ainda estava paralisado no mesmo lugar, os olhos fechados e as mãos fechadas em um punho. O maior aproximou-se dele e sem dizer uma única palavra, saiu pela porta e a deixou escancarada. Lá fora chovia forte, mas o maior pouco se importava, nada mais pra ele fazia o menor sentido. O pequeno então abriu os olhos depois de um tempo, e viu o corpo da mãe ali, com os olhos fechados e banhada em seu próprio sangue, segurando a faca firmemente que falhou em defendê-la, assim como seu filho de quatro anos. Sem conseguir parar de chorar, ele aproximou-se do corpo e a abraçou apertando, pedindo perdão a sua mãe.

Levou algumas horas até a tempestade passar, e consequentemente os vizinhos aparecerem com a polícia por conta dos gritos, e o pai do pequeno ter sido encontrado tentando se matar cheio de sangue nas roupas. Ele contou o que aconteceu como pode, não ocultando nem um mísero detalhe, e após isso seu pai foi preso e ele mandado para um orfanato. Durante o caminho até lá, ele aparentava estar calmo, mas seu olhar carregava o vazio e a morte, e estampavam tudo o que ele vivenciou.

Seu pai nunca tinha sido agressivo antes, pelo menos não que ele soubesse, mas bebia muito e isso as vezes causava discussões. Em momentos assim ele corria para o quintal e ficava na casinha do falecido cachorro Tobby, longe dos gritos, longe da briga. Talvez fosse por isso que ele não teve coragem de agir, primeiro por não saber o que se passava realmente, e segundo porque estava acostumado a fugir. E mesmo que não lhe dissessem, ele sentia-se um covarde e ninguém podia convencê-lo do contrário. O motorista parou o carro em frente ao casarão, e da forma mais simpática possível tentou animá-lo falando sobre seu novo lar, Kyungsoo sabia pouco de lugares assim e torcia sair de lá o quanto antes.

A primeira semana foi horrível, por conta do trauma vivenciado, ele teve pesadelos e mijou na cama em todas as noites, temia ser punido pelos funcionários de lá, mas felizmente foram compreensivos e o mandaram para um acompanhamento psicológico. Porém, as crianças não eram tão compreensivas ou dispostas a ajudar, constantemente zombando do pequeno por mijar na cama e chorar enquanto dormia implorando por sua mãe. Além de que por vezes tentavam bater nele, roubavam as poucas coisas que ganhava das doações. E a sua esperança de ser adotado sumia a cada dia que passava, fossem pelas palavras das crianças, ou pelo olhar de pena dos funcionários que pareciam saber mais do que lhe diziam.

Quando estava perto de completar cinco anos, ele ouviu uma das funcionárias dizendo que ninguém queria adotá-lo por considerá-lo estranho, problemático calado demais. Isso o magoou, mas foi o suficiente para que mudasse de atitude, para que fosse uma pessoa melhor, uma pessoa que seria aceita e adotada por alguém. Kyungsoo não queria ser ele mesmo.

Para mudar realmente e completamente, o pequeno foi até a biblioteca atrás de um livro que ouviu uma das crianças mais velhas comentando, um livro que era proibido e ficava na sala da diretora. O pouco que sabia já era suficiente, era um livro dos desejos, mas o preço para tais desejos não era barato, e menos ainda pago com dinheiro, que era o que ele não tinha. Esperou todos dormirem e em seguida saiu do quarto silenciosamente, quase tornando-se uma sombra no meio da escuridão dos corredores. E após caminhar por alguns minutos, finalmente chegou a sala e notou que a porta estava trancada, olhou para os lados e usando um grampo que roubou da enfermeira, arrombou a porta, entrou na sala e vasculhou a procura do livro. Felizmente o encontrou e saiu correndo de lá, indo ler no único lugar seguro de todo o orfanato, o porão. Quando precisava fugir das outras crianças, ele recorria ao porão e ficava por ali, as vezes por horas e ninguém sequer suspeitava, ou talvez não se importassem realmente consigo. Subiu no banquinho e acendeu o interruptor, em seguida trancou a porta e sentou-se no chão empoeirado, abrindo o livro e o lendo. Era uma criança até que esperta, já que aprendeu a ler com apenas quatro anos enquanto ainda frequentava a escolinha.

Eram palavras dificeis, mas que repentinamente tornaram-se compreensíveis, quase que infantis quando o pequeno começou a ler, ele não sabia, mas o livro estava adaptando-se a ele. Sorriu todo bobo, tudo o que precisava tinha no orfanato e poderia ser feito naquela mesma hora.

Um dos garotos que implicava consigo tentava soltar-se das cordas, e implorava para que o Do o soltasse, mas o pequeno estava decidido e não voltaria atrás, teria seus desejos realizados custasse o preço que fosse. Acendeu as velas que roubou do depósito, pegou o livro com as duas mãos e disse as palavras escritas em destaque na página. O garoto estava deitado, com mãos e pés perfeitamente amarrados em um pentagrama feito de giz de cera vermelho e sal. Kyungsoo fechou os olhos por um instante, um vento frio invandiu a sala e as velas se apagaram, por alguma razão ele não temia nada do que fosse aparecer, e menos ainda a escuridão. E em meio a escuridão presente no ambiente, uma voz nada doce apareceu.

Diga-me o que deseja e concederei, mas saiba que se quiser outro terá de fazer algo melhor. — o pequeno abriu os olhos tentando procurá-lo, a voz parecia vir de todo o lugar e ao mesmo tempo a sua frente, mas ele não conseguia ver nada.

O máximo que ele via eram olhos mais sombrios que a própria escuridão, isso depois de um tempo que seus olhos pareceram se acostumar com o ambiente.

Quero que me dê uma família perfeita, ser querido por todos... Uma vida perfeita. — o demônio sorriu e acariciou os fios do pequeno, que permaneceu onde estava sorrindo fraco.

Seu desejo é uma ordem. — o vento então invadiu o ambiente mais uma vez e as velas se acenderam.

Nenhum desenho, nenhum sal, nenhum corpo ou velas, era como se nada tivesse acontecido ali. Sentiu uma enorme vontade de dormir, e sem controle algum de si mesmo, apenas desmaiou no chão frio.

A família perfeita

Despertou e notou que estava em um quarto lindo, digno de um reality show que sua prima costumava assistir quando ia visitá-la. Sentou-se sorrindo largo, perguntando a si mesmo se era um sonho ou real. Antes que pudesse fazer algo, a porta abriu e um lindo homem apareceu lhe desejando bom dia.

Kyungsoo teve seus desejos realizados, tinha dois pais que o amavam, irmãos adotivos que o amavam, amigos, e era querido por todos. E seu passado estava no passado, suas cicatrizes e problemas escondidas e enterradas, e assim permaneceria até o fim dos seus dias. Mas ele não imaginava que aos treze anos conheceria um belo rapaz, este que era diferente de todos os outros e não parecia estar sob efeito do feitiço do demônio que invocou no passado.

Jongin era o seu nome, e ele não se encantava com palavras doces, menos ainda com atitudes dignas de um principe, ele se encantava com o natural, o real, e não o fabricado. Kyungsoo levou anos para descobrir isso, quando estava em seus dezenove anos, jogando com outros colegas na quadra. Ele descobriu isso quando viu o Kim ficou admirado olhando uma cena boba, uma flor murchando, aquilo o fez pensar se deveria mostrar a ele seu lado oculto... Seu verdadeiro eu, aquele que ninguém aceitaria. E no mesmo dia, ele decidiu arriscar. A passos largos e precisos, ele alcançou o Kim que levantava-se do banco prestes a sair, e o chamou com um sorriso tímido. Ele imaginou muitas reações, ainda mais vinda dele, que sempre parecia tão frio e julgador quanto a sua máscara de principe encantado. Mas no momento em que o Kim olhou nos olhos do Do, e viu sua real essência, sorriu e perguntou se ele queria tomar um suco.

Depois daquilo eles se encontraram todos os dias, seus pais o aceitavam, seus irmãos e seus amigos, tudo era perfeito, tudo estava perfeito. Não havia o que ele desejasse mais do que aquilo, era eternamente grato ao demônio. E ficou ainda mais grato quando beijaram-se em uma noite, sob a luz da lua em uma terça feira.

A realidade

Jongin olhou a prancheta a sua frente, suspirou e perguntou a sua colega se o que viu era realmente aquilo, e ela abaixou o olhar assentindo. Definitivamente não era o resultado que esperava, não depois de todo o esforço que fez durante anos. Ele queria salvar Kyungsoo, assim como queria salvar todos os outros ali presentes, amava a sua profissão.

E ele não consegue despertar das alucinações, principalmente depois que... — e ele apenas entrou no quarto a interrompendo, tinha cometido um erro que poderia ter agravado todo o estado do paciente.

Kyungsoo em um momento de distração o beijou, e após isso ele ficou mais fechado em seu mundo de fantasia, acreditando que os outros pacientes eram seus amigos e os enfermeiros e psiquiatras seus pais e irmãos. Aumentar a medicação não estava adiantando, na verdade apenas o deixava mais tempo adormecido e longe dos demais. E o Kim sentia pena, já que o Do não tinha ninguém, absolutamente ninguém para o visitar, para lhe dar motivos para sair da fantasia e voltar a realidade. Jongin não era essa pessoa, na verdade nem mesmo poderia, era contra as regras, mas no fundo ele desejou dedicar-se a ele, ser seu amigo e refúgio.

Vamos sedá-lo por enquanto. — disse enquanto a menor examinava-o.

Era triste demais ver aqueles olhos vazios que carregavam a morte, a insanidade, a solidão, a carência e o medo. Kyungsoo tinha ido parar lá quando tinha apenas quatro anos, após ter amarrado seu colega do orfanato e o oferecido a um suposto demônio, passando a alucinar e viver exclusivamente em suas fantasias. Lhe deram medicação pesada, o consideraram um monstro, outros sentiram pena da sua condição e o trágico ocorrido veio a tona, que o seu pai bêbado matou a sua mãe e ele presenciou tudo. Talvez fosse exatamente por isso que Jongin tivesse sentido tanta vontade de ajudá-lo, afinal, perdeu a mãe muito jovem também. De qualquer forma, depois de anos de medicações e tratamentos contraditórios, o rapaz nunca voltou a lucidez e a realidade, vivendo aprisionado em sua fantasia da vida perfeita.

Mesmo assim Jongin tinha esperanças de que Kyungsoo iria se recuperar;

Mesmo assim Kyungsoo estava feliz demais com a sua vida perfeita, para suspeitar que ela fosse falsa.

25 de Junio de 2020 a las 20:23 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

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𝕤𝕞𝕚𝕝𝕖 𝕠𝕟 𝕞𝕪 𝕗𝕒𝕔𝕖 ⁹⁹ Gosto de escrever, ouvir música e apreciar fanarts. ♥

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