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u15514544731551454473 Luiz Fabrício Mendes

A história bíblica é conhecida. Caim mata seu irmão Abel, é condenado a vagar sem descanso pela Terra. No entanto, Metatron, anjo que constitui a Voz de Deus, recruta o filho amaldiçoado de Adão para executar diversas ordens dadas pelo Criador, as quais o anjo vê como "trabalhos sujos" e não deseja cumprir pessoalmente. Após milênios de parceria, Metatron convoca Caim para um último trabalho. Um que, no entanto, é capaz de subverter toda a hierarquia celeste.


Fantasía No para niños menores de 13.

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Capítulo Único

Filho do Ódio


O silêncio e a imobilidade predominavam no porão. A única luz no recinto, proporcionada pelo sol, penetrava através das janelas gradeadas que davam para a rua no topo das paredes com marcas de umidade. Os pálidos raios de claridade se projetavam pelo subsolo como holofotes de poder divino – embora tal descrição não pudesse estar mais longe da realidade. Aquele local, longe dos olhos da sociedade, também parecia ter sido esquecido pelo próprio Deus.

Semi-imerso na penumbra, um indivíduo, sozinho, encontrava-se sentado numa das duas cadeiras junto à desgastada mesa de madeira do lugar. Ainda que seu rosto estivesse imerso em sombras, o brilho do astro-rei possibilitava que o impecável terno negro que vestia fosse destacado, assim como os alinhados cabelos loiros no topo de sua cabeça. Com as mãos unidas sobre o móvel, revelava-as cobertas por uma pele extremamente clara, num pálido quase doentio. Fazia movimentos com os dedos e girava os pulsos em gestos de impaciência. Aquele a quem aguardava mostrava-se atrasado...

Foi quando seus atentos ouvidos captaram ruídos do lado de fora; os argutos olhos mirando instintivamente a porta de metal que constituía entrada da sala. Dos extensos corredores conduzindo àquele cômodo – ambiente labiríntico especialmente escolhido para aquele encontro – provinham sons de pancadas e cortes, misturados a gritos abafados e grunhidos chorosos. Claros indícios de luta, com um dos lados levando definitivamente a pior. Compunham parte da fama do esperado convidado – a qual tanto o precedia para o anfitrião...

O barulho foi se aproximando, tornando-se vizinho da porta fechada. O visitante vencera o labirinto mais rápido do que aquele que o convidara esperava. Ouviu-se ossos sendo moídos junto à parede do lado de fora – costelas esmigalhando-se contra a alvenaria. Mais golpes, um berro engasgado... e sangue escorreu por debaixo da entrada ainda fechada, junto com uma breve pausa na orquestra marcial. O anfitrião respirou fundo, levantando-se da cadeira enquanto a luz de uma das janelas iluminava parte de seu rosto de contornos cruelmente pueris...

Chegara o momento.

A porta abriu-se violentamente, num chute desferido do exterior. O ferro enferrujado tremeu, ao mesmo tempo em que uma sombra humana arremessava algo para dentro da sala num urro. O estranho objeto, das dimensões de um coco ou fruta tropical similar, caiu e quicou sobre a mesa de madeira, rolando sobre ela e parando perto da borda, bem diante do anfitrião... Uma cabeça decapitada, com líquido vermelho a jorrar do pescoço partido e deixando rastro tão intenso quanto tinta sobre o móvel. Os olhos dilatados e a boca fechada mostravam um contraste composto por surpresa e resignação, à hora da morte...

- Por que você colocou esses imbecis no meu caminho? – questionou o recém-chegado, ainda de pé junto à entrada sem revelar suas feições. – Tentou armar uma emboscada ou queria me fazer cócegas?

- Não se trata de qualquer armadilha, meu amigo... – murmurou o loiro de terno, sua face enevoada pela penumbra esboçando um sorriso. – Apenas queria me certificar de que não havia perdido a forma. Afinal, não nos vemos já há algum tempo...

- Espero que esse novo trabalho que você tenha para mim, ou seja lá o que for, valha muito a pena!

Pisou então, finalmente, o interior do recinto, revelando sua aparência sob uma alternância de luz e escuridão, conforme caminhava diante dos fachos de claridade difusa gerados pelas janelas. Seu aspecto divergia quase por completo em relação ao outro indivíduo: tinha a pele branca bastante suja, com os membros e rosto cobertos por manchas e cascões, como se não se banhasse há meses, talvez anos. O corpo era revestido por um sobretudo marrom encardido e rasgado, de gola alta, pés metidos em botas pretas banhadas em lama e sangue. A cabeça, de cabelos negros compridos encrespados e semblante de traços rústicos, era como parte da peça de roupa, levando a pensar que homem, vestimenta e sujeira compunham uma só entidade indivisível.

Ao sentar-se na cadeira vazia diante do anfitrião, um breve raio solar revelou uma marca mais escura que a imundície na testa do visitante, lembrando uma tatuagem. O veloz vislumbre, porém, não permitia identificar o que representava. O bruto personagem depositou sobre a mesa uma faca nepalesa curva conhecida como kukri, a lâmina tomada por corrosão e substância rubra, antes de voltar a encarar o loiro e indagar-lhe, agitado, com uma voz digna dos humanos mais primitivos:

- Que missão tem para mim hoje, anjinho?

O outro não se conteve e riu por um momento, voltando a se sentar em sua cadeira. Encarando então o convidado, ainda que as sombras ocultassem seus olhos, comentou:

- É por isso que eu gosto de você... Em todos os Sete Céus, ninguém me ousaria chamar assim. Mas você, um reles humano, possui coragem para tal. Entenda, acho isso divertido. Ainda mais depois de tudo que já passamos.

- Não me considere um "reles humano"... – o bárbaro resmungou em protesto. – Estou vagando por este mundo há tanto tempo, que me esqueci completamente do que possa a vir ser mortalidade. Perdi o medo da morte, do fim. Por esse motivo, acredito, não temo em insultar almofadinhas como você...

- Se eu tenho aspecto de almofadinha, é graças a seus serviços. Por milênios tem impedido que eu suje minhas mãos com o sangue dos homens. Creia: você foi um achado.

- Quem diria que aquele mais próximo do trono divino, acima de todos os arcanjos, teria nojo de sujar suas mãos angelicais com um pouco de matéria terrena...

Por uma fração de segundo o ar do porão se tornou mais pesado do que antes, como se o loiro realmente houvesse se sentido insultado. Endireitou-se na cadeira e sacudiu sutilmente os ombros, um novo sorriso despontando em seus lábios em seguida. Tudo em sua expressão de malícia inocente era ambíguo.

- Eu não sujo minhas mãos não porque não o desejo. Apenas entenda que o encargo deixado a mim pelo glorioso Deus é grande demais. Mesmo perfeito, nosso Pai possui uma característica que considero uma fraqueza: ele ama incondicionalmente sua criação. É incapaz de prejudicá-la diretamente. Os livros sagrados compilados por seus filhos colocam erroneamente que é Deus quem os pune por seus erros e desvarios. Mas não. Desde cedo essa função foi incumbida a mim. Castigar os filhos desobedientes de um pai que não tinha coragem de dar-lhes umas boas palmadas.

- Você até tem cara de babá... – provocou o sujeito de sobretudo, exibindo seus dentes amarelos.

- Nunca compreendi totalmente essa lacuna no caráter de nosso Pai. A razão de ele ter deixado a mim função tão... desnecessária. Nos primeiros tempos deste orbe, vaguei pela criação recém-instituída fazendo valer a justiça de Deus. Fui eu quem expulsou seus pais do Éden, meu primeiro grande trabalho. Confesso que, por não ver sentido em minha incumbência, estava prestes a resignar e talvez seguir os caminhos de Lúcifer... quando você apareceu.

- Sua galinha dos ovos de ouro... – a voz do sanguinário convidado, grossa e rouca, conferia mordaz ironia à conversa. – A ave veio primeiro, afinal de contas.

- Entenda: aquela era uma oportunidade que não poderia ser desperdiçada. Depois que você assassinou seu irmão e recebeu essa marca na testa, ficou destinado a vagar para sempre pela Terra sem morrer. Ninguém poderia derrubá-lo com qualquer meio existente neste plano. Você era quem eu esperava, o agente perfeito. Em troca de seus serviços punitivos, eu conferi uma nova perspectiva à sua imortalidade... sem contar, é claro, as recompensas.

- As quais perderam o charme bem cedo, diga-se de passagem. Deus não é ingênuo. Este corpo imortal não sente os mesmos prazeres proporcionados antes pela comida, bebida e mulheres. Nada tem gosto, nada tem atrativos. Ao longo de todo esse tempo, você me serviu com os melhores banquetes e as virgens mais belas... mas nada aproveitei. A partir de certo ponto, continuei trabalhando para você, desempenhando a sua função, apenas para não enlouquecer com o passar de mais alguns séculos...

- Nunca lhe agradou nem mesmo o fato de ter feito coisas impensáveis para um homem comum? – o loiro instigava-o. – Ter interferido tanto e de maneira tão marcante na história de seus semelhantes, cumprindo de maneira tão eficiente o encargo destinado originalmente a um anjo?

O visitante bufou por um momento, sacudindo negativamente a cabeça, e respondeu:

- Eu sempre livrei o seu traseiro quando precisou, porém estou certo de que fiz isso por conta de uma maldição, algo que me tornou um ser pior. E pensar que tudo começou com uma tentativa de agradar ao Pai... Talvez, bem no fundo, por todos estes milênios eu tenha tentado me redimir aos olhos dele, oferecendo algo mais concreto do que um sacrifício em grãos. Sendo mais competente que você, Metatron.

Uma ligeira risada fez-se ouvir e a sala brilhou num rápido lampejo dourado quando o anjo ouviu seu nome ser dito em voz alta. Resolveu, descontraído, prolongar mais o bate-papo:

- Diga-me... qual o serviço mais memorável?

- Você realmente quer saber isso? – o sujo homem riu debochado. – Bem, assassinar os Guardiões das Águas para que fossem liberadas as torrentes do Dilúvio foi inesquecível. Minha primeira missão para você, eliminando minha própria descendência. É incrível como Deus pode complicar uma idéia originalmente simples!

- Escrever certo por linhas tortas... – cantarolou Metatron.

- Açoitar o Filho dele também foi interessante. Ainda acho estranho ter havido humanos capazes de pregá-lo numa cruz, mas nenhum com força ou sangue frio suficientes para chicoteá-lo junto a uma pilastra. Até hoje guardo uma flor que a mulher daquele Pilatos me deu. Acho que o disfarce de centurião caiu muito bem...

- Pois é, eu estava rondando aquele dia. Tinha falado com ele mais cedo, no horto. Você se saiu bem.

- O mais criativo foi dar sumiço naquele rei dos portugueses, na época em que eles queriam se igualar às hostes divinas. Como era o nome dele mesmo, Sebastião? Já a grande maioria foi bem pouco inspirada, não passando quase sempre de assassinatos para provocar guerras castigando os homens ou evitando algumas maiores... Francisco Ferdinando, John F. Kennedy...

- Osama Bin Laden, não? – completou o anjo, citando um trabalho mais recente.

- É, ele também...

Seguiu-se um momento de silêncio, com ambos se contemplando nos olhos sem que, no entanto, pudessem visualizar suas pupilas. Irritantemente tomado pela impaciência, o convidado resolveu inquirir:

- Agora que já terminamos a reunião de família, pode me explicar o motivo de ter me chamado aqui? Qual é o próximo trabalho?

- Será seu último – Metatron replicou muito sério. – Isto é, se aceitá-lo.

- Diga – o homem permaneceu inalterado diante da alegação, apenas ouvindo.

O anjo, por sua vez, respirou fundo e explicou:

- Eu me cansei. Não quero mais ser um joguete nas mãos do velho, acatar todas as decisões que ele proclama. Além do que, nunca me conformei com o papel que ele me incumbiu, o qual transferi de bom grado para você. Hoje acredito que nós anjos estamos perdendo em não seguir o caminho de Lúcifer e nos revoltarmos. O Pai ainda ama a humanidade, sem enxergar que ela não tem mais salvação. O planeta está morrendo, e essa raça parasita ameaça transferir seu império de volúpia para os outros mundos da Criação. O velho enlouqueceu, e tem que ser detido. Assim como a criação perdida dele.

- E onde eu entro nisso?

- Por milênios me serviu com fidelidade e eficiência. Quero que seja minha tropa neste mundo, submetendo os humanos e preparando o terreno para meu novo reino, enquanto eu e meus irmãos empreendemos a guerra nos Céus. Ao término de tudo, será recompensado. Posso até garantir-lhe um par de asas negras, com os poderes que eu adquirir...

O tom de Metatron era altivo e pretensioso. Parecia realmente certo de sua vitória e do apoio de seu aliado imortal naquele plano. A reação de seu protegido, no entanto, mostrou-se bastante diferente. Movendo lentamente uma das mãos pela mesa, ele tomou novamente sua kukri na mão direita, fechando em seguida os punhos em sinal de desafio. O anjo notou o gesto a arregalou os olhos em resposta, ultrajado. As palavras de Caim só vieram confirmar suas suspeitas:

- E se eu disser não?

Metatron se ergueu da cadeira. Enrijeceu o corpo, pisando firme o chão. Num forte clarão que fez todas as redondezas estremecerem, transformou-se num ser revestido de luz, vestindo armadura de couro e metal, sandálias nos pés – com os curtos cabelos loiros tendo se convertido em compridos fios cacheados e duas imensas asas brancas surgindo a partir de suas costas. Sua verdadeira forma, cuja mera visão era fatal para um humano comum. Mas não para Caim.

- Como ousa me desafiar, criatura feita de barro? – bradou o guerreiro celestial, sua voz soando mais poderosa do que a de qualquer exército que gritasse em uníssono.

- De barro sim, mas barro endurecido, Metatron – respondeu o irmão de Abel, também se levantando. – Um barro endurecido por séculos e séculos de trabalhos cumpridos para você, anjinho.

- Se arrependerá por esta afronta, maldito!

O anjo investiu na direção de Caim, que se posicionou pronto para defender. Uma espada de cabo dourado e lâmina brilhante surgiu numa das mãos de Metatron, com a qual golpeou – errando – o ágil oponente. Este saltou para o lado, ao mesmo tempo em que a mesa era partida em duas por uma onda de energia resplandecente – resultado do mero choque da arma do anjo com as partículas no ar. Urrando e tendo seus dentes cerrados, foi a vez do humano amaldiçoado atacar, a claridade agora prevalecente na sala deixando nítida a marca redonda com listras em sua testa. Empunhando a kukri com força descomunal, mutilou a asa esquerda do anjo num movimento, abaixando-se para desviar de um contra-ataque com a espada e logo depois subindo com a lâmina para também decepar a outra.

Penas brancas ensangüentadas voaram por todo o porão; enquanto, do par de massas vermelhas feridas às costas de Metatron, outras duas asas aos poucos despontavam, crescendo e se regenerando numa velocidade espantosa.

- Acha que consegue decepar essas asas mais setenta vezes? – riu o confiante anjo.

- Quem disse que eu quero cortar suas asinhas? – vociferou Caim como um selvagem.

Saltando e se esquivando de modo sobre-humano, o combatente de sobretudo se livrou de mais investidas da espada e punhos de Metatron, que já deixavam aos destroços a sala. O anjo gritava frustrado por não conseguir eliminar adversário aos seus olhos tão insignificante e, em meio à sua confusão, acabou se descuidando: ao se jogar com a espada para tentar atingir o inimigo, não contava com um veloz movimento deste em resposta... que acabou por enterrar a lâmina da faca em seu peito.

Metatron de início não se preocupou: uma arma terrena não poderia realmente feri-lo. Logo que a kukri fosse retirada pelo agressor para mais um golpe, seu imaculado corpo divino suprimiria o ferimento... mas logo foi tomado por uma estranha sensação. Algo altamente incômodo, extremo, que o afligiu mais do que sua raiva em relação a Caim... Cuspindo sangue, ele logo entendeu. Aquilo era o que os mortais chamavam de dor.

- M-mas... como? – balbuciou, desfalecendo sem nada entender.

- Durante aquela missão na Judéia, aproveitei para fazer umas coisinhas a mais que você não percebeu em sua ronda, anjinho... – sorriu o filho estigmatizado de Adão e Eva. – Enquanto o Messias redimia a humanidade pelos crimes de meus pais, eu consegui como prêmio de consolação, após o corpo dele ser descido da cruz, os pregos utilizados para pregá-lo. Matéria capaz de ferir entidades divinas. Derreti-os e com eles fundi a lâmina desta faca. Foi eficiente em algumas outras missões, também.

- Agora vejo... – suspirou o agora agonizante Metatron, engasgando-se com o próprio sangue. – Eu nunca fui realmente seu mentor... Mostrei-me tolo em pensar assim.

- Do que fala em seus últimos delírios, Voz de Deus?

- Você nunca foi movido por arrependimento, pelo desejo de se redimir perante o Pai... Não, era algo mais forte, mais intenso, meu amigo... Algo que não poderia vir dos Céus. Jamais serviste a mim, Metatron, o maior dos anjos. Desde que assassinou seu irmão Abel, você, Caim, foi impulsionado por um sentimento maior que inveja, maior que inferioridade... O mesmo sentimento que agora o levou a me atacar, finalmente superando-me. Aquilo que o abastece é ira, Caim. Pura ira. Azazel, o demônio, é seu verdadeiro senhor. Não eu.

Curvando-se sobre o solo antes de finalmente fechar os olhos, o anjo acrescentou:

- Acha que o Pai lá em cima irá recompensá-lo ou persegui-lo por minha morte?

Tão logo deixou de respirar, trovões ecoaram por toda a região. A luz do sol desapareceu, a claridade antes penetrando pelas janelas sendo imediatamente suprimida por densas nuvens e lançando o porão em quase totais trevas. Caim recuou cauteloso, kukri ainda na mão. Os clarões de raios fizeram a sala brilhar pálida uma, duas vezes... na terceira, o repentino fenômeno trouxe figuras consigo, que se posicionaram em fileira diante do amaldiçoado. Irradiando luz dourada, trouxeram sua própria nitidez ao recinto. Cinco ou seis anjos, todos com as mesmas vestimentas e asas abertas em imponência tão marcante quanto a de Metatron. Os cabelos se alternavam em tons loiros, morenos, ruivos... as armas nos musculosos braços dos guardiões celestiais revelando-se espadas, machados, lanças, maças...

Não trocaram qualquer palavra com o assassino do anjo dos anjos. Com seus semblantes rígidos e mentes decididas, atacaram Caim...

Já o raivoso filho de Adão, dominado pelo irrefreável frenesi do combate, rasgou o próprio sobretudo, atirando-o às suas costas enquanto, com o tronco repleto de cicatrizes agora exposto, punha-se em rota de colisão com o exército divino, bradando.

Se a ira de Azazel permitira que ele se tornasse o que era... era com a mesma que deixaria de sê-lo.

16 de Junio de 2020 a las 01:59 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

Conoce al autor

Luiz Fabrício Mendes Goldfield, alcunha daquele em cuja lápide figura o nome "Luiz Fabrício de Oliveira Mendes", vaga desde 1988. Nasceu e reside em Casa Branca - SP, local que se diz ter sido alvo da maldição de um padre. Por esse motivo, talvez, goste tanto do que é sobrenatural. Atualmente é professor de História, mas nas horas vagas, além de zumbi, se transforma em agente de contra-espionagem, caçador de vampiros, guerreiro medieval, viajante do espaço ou o que quer que sua mente lhe permita escrever.

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