saaimee Ana Carolina

No tapete vermelho decorado por paredes de propagandas, Klaus se exibia como manequins em vitrines. Seu corpo não parava por um minuto se quer, sempre mudando a posição, deixando que explorassem todos seus ângulos. Essa era sua noite, seu evento. Pessoas de todos os cantos do mundo falariam dele por diversos dias! Invejariam e desejariam seu nome, seu rosto, seu corpo. Mais uma vez, sua imagem estamparia a vida de milhares. ------------------------------------------------------------------- → Capa tirada do site: pixabay.


Cuento Todo público. © Todos os personagens aqui pertencem a mim e TsukiAkii. Portanto postar/reproduzir esta estória em qualquer página sem a minha autorização é completamente proibido. Plágio é crime e eu tomarei providências.

#beijo #clichê #festa #curta #homossexual #protagonista-gay
Cuento corto
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Capítulo único

As luzes de flashes impiedosos brilhavam em seu rosto, invadindo seu espaço, o forçando a seguir todos os sinais como uma dança calculada. Seu sorriso gracioso explodia a confiança que os fotógrafos adoravam e seu olhar irônico trazia o charme que apimentaria as próximas capas de revista.

No tapete vermelho decorado por paredes de propagandas, Klaus se exibia como manequins em vitrines. Seu corpo não parava por um minuto se quer, sempre mudando a posição, deixando que explorassem todos seus ângulos.

Essa era sua noite, seu evento. Pessoas de todos os cantos do mundo falariam dele por diversos dias! Invejariam e desejariam seu nome, seu rosto, seu corpo. Mais uma vez, sua imagem estamparia a vida de milhares.

O bodysuit marcava suas curvas e revelava sua pele delicada enquanto deslizava o robe de seda pelo tapete. As pernas — que centenas adoravam colocar defeitos em toda coluna de fofoca — se destacavam naquela noite de glamour e desejo. Seu rosto maquiado pelas mãos mais habilidosas evidenciavam seus lábios em vermelhos, seus olhos de cílios tão longos que encantava como mágica a cada piscada. Todos os defeitos que eram apontados dia e noite nas redes sociais, hoje brilhavam como a fênix perfeita.

A jovem assistente no canto lhe deu um sinal, alertando para seguir em frente. Com acenos elegantes e piscada brincalhonas, ele seguiu desfilando graciosamente para o local indicado. Então começaram as entrevistas.

Câmeras, microfones, perguntas amigáveis de pessoas cretinas. Cada palavra tentava puxar seu tapete e trazer a expressão arrogante que o colocaria em apuros, porém ele se mantinha ali, em pé e pronto para apagar os sorrisos de seus rostos venenosos com sua própria felicidade.

Não demorou muito para atravessar a passarela e finalmente chegar ao ponto importante onde a festa já tinha dado início. Mais luzes e o som alto de música o receberam em um sufocante abraço.

O evento estava sendo realizado para celebrar o nome da revista onde Klaus foi capa por meses. O jovem tinha se tornado a estrela que carregava o nome de vários em sua imagem e, por isso, sua presença era sempre requisitada.

Nem tinha dado dois passos dentro do salão e os olhares se voltaram em sua direção. Todos queriam estar com ele, fosse por um minuto de fama em uma foto que postaria em seu integram aproveitando o momento ou em uma conversa fajuta que se gabariam quando falassem com os amigos.

Precisava lidar com a fama, mas era exaustivo ter que sorrir quando queria gritar.

Terminado com os comprimentos amigáveis que renderiam contatos ao longo do mês, o jovem se misturou na multidão até finalmente encontrar um ponto cego — dando a desculpa que sua assistente precisava falar com ele — por onde escapou.

Longe dos holofotes e próximo a mesa de drinks esquecidos, Klaus podia respirar. Sabia que não poderia ficar ali a noite toda, por isso, aproveitar cada segundo era importante.

— Achei que estrelas brilhavam para todos verem.

Uma voz calma e quase sarcástica chamou sua atenção por trás. Klaus precisou respirar fundo para se colocar na posição de ídolo antes de conseguir se virar, engolindo a vontade de xingar. Entretanto seu sorriso simpática deixou claro o incomodo assim que viu o rosto comum de um jovem modelo.

O rapaz já tinha visto alguns de seus trabalhos em propagandas e sabia que não era muito conhecido. Não havia motivos para se forçar tanto com ele.

— Às vezes, eu também preciso de um momento para respirar.

Respondeu da forma mais educada que podia antes de tomar um gole de sua bebida doce.

— Incrível. Então você também é humano – o rapaz brincou, se aproximando para fazer o pedido rápido de um drink que Klaus nem se deu o trabalho de ouvir. A forma como falava se mostrava petulante o suficiente para deixar o maior em alerta.

— E você não deveria estar lá também? Procurar publicidade é essencial para alguém começando.

A sugestão foi dita quase em tom sério fazendo o jovem o encarar. Não esperava que Klaus o conhecesse e por instantes aquilo o deixou surpreso.

— Não... Estou ótimo aqui – respondeu, erguendo as sobrancelhas, recebendo sua bebida no balcão.

Klaus olhou sem entender. Não era isso que esperava de alguém que foi convidado para uma festa daquele nível. Então uma ideia cruzou sua mente o fazendo rir amargamente.

— Hah... Tentar publicidade de graça comigo não funciona.

O jovem riu alto antes de tomar um gole e balançar a cabeça descrente da desconfiança do outro.

— Se eu pagar funciona?

A pergunta soava brincalhona, mas as palavras foram abusadas fazendo Klaus o encarar de cima a baixo com um olhar enfurecido.

— Bom… – engolindo seu drink e tentando não deixar a irritação tomar sua fala, respondeu devagar, na mesma moeda — Se puder pagar…

O moreno deixou um longo “ah” escapar seus lábios sentindo o tiro sarcástico acertar em cheio seu orgulho. Porém não rebateu, apenas riu. Estava realmente se divertindo com ele.

— Eu vim aqui pra beber, sério, e te encontrei por acaso – explicou enquanto era observado atentamente pelo outro. — Mas, talvez, eu tenha te seguido.

— Ha!

— Mas não foi para te comprar – adicionou erguendo a mão em um pedido de paz, e só voltou a falar quando viu Klaus assentindo. — A festa já deu pra você. Tá obvio.

— E você veio me entreter?

— Garanto que posso – sorriu confiante fazendo o rapaz revirar os olhos. — Ou tenho que falar com sua assistente?

— Assuntos pessoais sou eu quem resolvo – terminando a bebida, se virou para ele com um olhar que o desafiava. — O que sugere?

— Isso.

Colocando sua taça no balcão, o jovem o tomou pela mão e, sem dar tempo para reclamações, o guiou até às portas dos fundos em uma corrida curta por entre murros de pessoas.

Com um único empurrão, o rapaz abriu passagem para eles os levando de encontro com o ar fresco da noite estrelada em um beco infeliz.

Klaus estava em seu saltos, pisando em poças de água suja, vendo os sacos de lixo que o restaurante deixava ali. Seu rosto em um misto de agitação e surpresa. Sabia que não podia fazer isso.

— Ainda quer ir?

A voz gentil do rapaz trouxe sua atenção para seu rosto. O olhar sedutor do jovem galanteador de antes não estava ali, agora ele via um sorriso contente e olhos que desejavam por diversão.

Klaus parou, ainda sentindo a mão dele segurar a sua. Era perigoso se fosse pego por qualquer um. Todo seu esforço durante a noite seria jogado fora por um escândalo inventado. Podia arruinar a semana e seus contatos. Mas ele gostava do perigo.

Sorrindo como um adolescente desobedecendo regras, ele apertou a mão dele.

— Me leva.

Rindo um para o outro eles correram, sem rumo, pelas calçadas abandonadas daquela noite onde somente os carros faziam barulho e as luzes dos prédios tentavam ofuscar o céu.

Klaus não conseguia conter o riso toda vez que atravessavam em frente a um carro o fazendo buzinar ou quando esbarravam em alguém e nem se desculpavam.

O jovem era como um gato de rua. Conhecia os becos, os riscos, as pessoas e os melhores pontos para se divertir. Era estranho imaginar que alguém assim trabalhava como modelo, tendo que abaixar a cabeça para qualquer regra imposta.

Diferente de Klaus que era mais do tipo caseiro, o gato felpudo de coleira que tinha a mansão dos sonhos só para ele. Entretanto, correr ao lado daquele vira lata o fazia se sentir em casa, livre.

Depois de corrida atrás de corrida, eles finalmente chegaram ao local onde podiam assistir os carros andando pela ponte e as luzes refletindo sobre a água calma do rio.

Klaus se apoiou na cerca de ferro, tomando um longo suspiro e permitindo que o ar fresco invadisse seu peito, o limpando do calor sufocante de todos os dias.

Um sorriso se desenhou em seu lábios e um riso curto escapou. O outro o encarava, contente por finalmente ver a face do verdadeiro Klaus.

— Me cansa tanto… – se afastando da cerca, comentou deixando seu tom frustrado ser ouvido. — Acha que está pronto para essa vida?

— Não sei. Ninguém está de verdade.

Klaus o olhou, assistindo desviar o rosto com uma expressão pensativa. Ele assentiu em silêncio antes de olhar o rio novamente.

— Eu pensava que estava – confessou com um sorriso entristecido e olhos que riam de si mesmo. — Agora sei que estou – falou determinado sem ver o sorriso no rosto do outro. — Mas alguns dias você sente falta disso. Do silêncio.

— Mas você ainda está feliz?

Ele se virou, vendo o rapaz o observando e por instantes não disse nada. Não era o tipo de pergunta que se ouvia todo dia quando as pessoas sempre assumiam que ele deveria ser feliz. Piscando, sentiu seu coração disparar e um sorriso brilhou.

— Estou.

O jovem apenas assentiu sem tirar os olhos dele.

Eles se viam naquele silêncio, naquele escuro da noite. O rapaz se aproximou, Klaus se inclinou por instinto e antes de se dar conta seus lábios se tocaram.

O toque gentil aqueceu seus corpos, o movimento calmo os trouxe para perto e o desejo inexplicável do momento prolongou o beijo.

Klaus se afastou, olhando em seus olhos. Ele sorriu carinhosamente como se pudesse abraça-lo de longe.

— Eu nem perguntei seu nome.

— É Hendrik.

Não disseram mais nada. Apenas olhares que se perguntavam se aquilo era verdade e se, por acaso do destino, iriam se ver novamente quando a manhã os levasse de volta para suas vidas.

15 de Junio de 2020 a las 21:56 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

Conoce al autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

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