saaimee Ana Carolina

Seus olhos azuis encaravam a televisão no topo da parede do pequeno estabelecimento, vendo as primeiras notícias do dia tentando tirar seu ânimo de viver. Um suspiro cansado cortou seus lábios quando o âncora anunciou a hora o lembrando que tinha só mais alguns minutos antes de começar seu turno na loja de roupas logo na esquina. ------------------------------------------------------------------- → Capa tirada do site: pixabay.


Cuento No para niños menores de 13. © Todos os personagens aqui pertencem a mim e TsukiAkii. Portanto postar/reproduzir esta estória em qualquer página sem a minha autorização é completamente proibido. Plágio é crime e eu tomarei providências.

#trabalho #curta #conversas #vida-diária #protagonista-gay
Cuento corto
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Capítulo único

O som alto dos carros tão cedo pela manhã deixava qualquer um zonzo, mas para o jovem rapaz parado em frente a pequena padaria isso já era tão rotineiro que se tornou sua música ambiente.

Seus olhos azuis encaravam a televisão no topo da parede do pequeno estabelecimento, vendo as primeiras notícias do dia tentando tirar seu ânimo de viver. Um suspiro cansado cortou seus lábios quando o âncora anunciou a hora o lembrando que tinha só mais alguns minutos antes de começar seu turno na loja de roupas logo na esquina.

Seus olhos cansados estavam acostumados com a rotina de levantar as 5 da manhã para se arrumar a tempo de conseguir pegar o ônibus no horário e chegar alguns minutinhos antes para ficar parado nesse local que tanto gostava.

Ali também não era o tipo de lugar que as pessoas gostavam de frequentar. Era uma padaria pequena que parecia mais uma sala de estoque, os clientes que entravam eram sempre os mesmo rosto idosos com os mesmos pedidos de 3 filões para começar o dia. Os funcionários também eram poucos, um fatiava os frios, outro atendia com os pães e outro servia café nos poucos espaços para bancos que o lugar oferecia. Tudo muito simples e tão humano que ajudava a manter o calor em meio ao frio do tráfico correndo atrás deles.

Essa, sem dúvidas, não era a vida que muitos desejavam ter, até mesmo para Raphael aquilo chegava a ser irritante, mas considerava esse esforço o início de algo maior em sua vida. Conseguia pagar as contas com o salário e dava um jeito de guardar o suficiente para se divertir nos finais de semana. Claro que sonhava com luxo e fama igual a vide de seus ídolos no Instagram, mas não reclamava do que conseguia. Tinha os pés no chão e era feliz do seu jeito.

Outra notícia de desgraça era anunciada quando o dono da padaria lhe entregou seu café.

— Entra, Rapha! Você fica parado aí fora me dá a impressão que tá com pressa – o homem comentou com as sobrancelhas curvadas. Raphael o encarou com olhos incomodados enquanto bebia o líquido amargo vagarosamente.

— É porque eu tô com pressa, Luís.

A resposta fez o moreno olhar para trás vendo o horário no relógio antes de se virar sorrindo.

— Tem 10 minutos ainda.

— Pois é.

— Rapha!

— Tem nem lugar pra ficar aí dentro! – Reclamou alto, fazendo o rapaz revirar os olhos. — Que que cê quer comigo, hein?

— Tá me dando gatilho.

— Plena segunda-feira e eu tenho que aguentar isso... – suspirou, balançando a cabeça ouvindo o rapaz rir. — Eu vou dar minha mão na sua cara se continuar enchendo minha paciência – Falou encarando o rapaz que sorrindo se virou, saindo de perto, indo até um cliente que tinha acabado de chegar.

Raphael o encarou de longe e balançando a cabeça sorriu. Gostava do lugar por sua simplicidade e gostava mais ainda das conversas que tinha com o rapaz.

Seus olhos se desviaram para a pequena banca de jornais ao lado, procurando por algo que pudesse clarear sua visão e afastar todo aquele cinza das tragédias de sua mente. Viu ali as capas de revistas repetidas com a imagem da jovem celebridade que estava tomando a atenção da mídia.

Os olhos azuis de Raphael brilharam ao reconhecer o ídolo Klaus nas fotos, sentado em poses ousadas com roupas luxuosas que exibiam seu corpo.

— Queria ser assim – resmungou em um chorinho com os olhos brilhantes de admiração. — Todo dia aparecendo na TV... Tá do outro lado do mundo e estão falando dele aqui – um suspiro o silenciou por alguns instantes enquanto observava o brilho da imagem, deixando sua mente se levar na imaginação. Suspirou, virando o copo de café em um único gole antes de resmungar irritado: — Queria ser você!

Jogando o copo no lixo e chacoalhando o corpo com raiva, soltou um resmungou que fez Luís o olhar de relance. Ele nem precisou perguntar para saber que aquilo era outra explosão de raiva por ter que aguentar os clientes insuportáveis na loja.

Claro que estava infeliz! Enquanto ele se humilhava carregando roupas e sapatos o dia todo, Klaus deveria estar deitado em sua cama enrolado em seda enquanto o café da manhã era preparado com as melhores coisas do mundo.

Seus olhos tristes se voltaram para a TV vendo a entrevista com um empresário atualmente conhecido na mídia por suas boas ações e beleza jovial.

— Ah... Queria ter você – choramingando mais uma vez, Raphael comentou derrubando os ombros. — Podia ser meu Cristian Grey.

— Mentira que você tá lendo isso?

A pergunta do rapaz atrás do balcão chamou seus olhos decepcionados, o fazendo balançar a cabeça negativamente.

— Assisti o filme – a resposta fez o outro soltar um alto “ah” quase rindo da tristeza na voz dele.

— Mas cê num acha que ele é assim? Tipo, meio doido por trás – apoiando no balcão comentou, acompanhando a entrevista na TV onde o homem de longos cabelos prateados e sorriso perfeito falava sobre o novo projeto em que trabalhava.

— Não... Deve ser chato.

— Sério?

— É, tipo todo certinho e fresco, sabe?

— Sei... Tem isso – concordou antes de se virar para olhar o jovem encarando a TV.

— Gente fresca não é comigo.

— Disso eu também sei.

O comentário sorridente fez Raphael se virar com olhos surpresos, encontrando o rosto brincalhão do homem.

— Ultimamente você acha que sabe muito da minha vida, né? – Perguntou em um tom raivoso, ouvindo a gargalhada dele. — Mas ele é bonito... Muito bonito.

— Mas não vale a pena?

— Não... Não sei, na real – respondeu soltando um riso nervoso que fez o outro balançar a cabeça impressionado com a indecisão dele.

— Bora trabalhar, viado!

No meio das brincadeiras entre eles, uma voz jovial quase alegre, de uma mulher se aproximando, atraiu o olhar de ambos. A garota vestia a mesma camisa do uniforme que Raphael e ao vê-la um suspiro cansado escapou de seus lábios.

— Eu quem digo – gritando, reclamou enquanto ela se aproximava abraçando seus ombros. — Aonde cê tava?

— Amado...

Se afastando dele, a garota sussurrou olhando em seus olhos deixando claro que tinha coisas absurdas para contar. Raphael a encarou em silêncio por alguns instantes, em um misto de julgamento e curiosidade, e depois de se lembrar da hora desviou o olhar, se chacoalhando.

— Bora que cê me conta tudo no caminho – pegando a bolsa no chão e seguindo o caminho junto dela, falou antes de se virar para trás, dando um aceno para o homem no balcão. — Luís, eu venho na hora do almoço fechar tudo!

— Tranquilo... Bom serviço!

Raphael apenas sorriu de volta em agradecimento e se virando para frente, seguiu o caminho sabendo que a amiga ao lado o encarava com olhos curiosos.

— Caralho... – Raphael sabia que esse comentário era sobre o rapaz ser bonito, por isso apenas assentiu. — É gay? – A pergunta o fez balançar a cabeça em negação sem mudar a expressão enquanto a jovem derrubava os ombros decepcionada por ele. — Porra, Rapha...

15 de Junio de 2020 a las 19:55 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

Conoce al autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

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