tulioscosta Túlio Costa

Serena sempre sonhou com as maravilhas que ouvia sobre a cidade grande, com suas máquinas voadoras e autômatos nas fábricas. Decidiu se mudar para a capital assim que chegou à maioridade, afim de se tornar uma mecânica e melhorar de vida. Isso já faz dois anos, e Serena logo percebeu que a vida era cinza como o céu acima das fábricas. Conseguiu se tornar uma mecânica de autômatos em um distrito afastado do centro da cidade, trabalhando para um antigo amigo de seu pai, fazendo a maior da parte do serviço, podia ser dizer. A vida não melhorava, na verdade, parecia que nada mudava, até conseguir um trabalho por fora, para uma das três grandes gangues da cidade, os Aranhas-Caveira: coletora de apostas do distrito mecânico. Para ela agora existe um novo objetivo, após descobrir que podia usar magia sem nenhum artefato lhe auxiliando, um grande pecado frente à Igreja. Precisava sobreviver, e para isso precisava de poder. E poder conseguiria assumindo a chefia da gangue, e nada melhor para isso do que se aproveitar de informações que não deveria ter para realizar um plano arriscado: Roubar o Último Ovo de Dragão durante a festa de inauguração do novo dirigível real.


Fantasía Todo público.

#magia #steampunk #luta #32816
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CAPÍTULO I

I

Ela corria pelo telhado de uma das grandes fábricas mecanistas, desviando das dezenas de chaminés. Respirava rápido e se esforça para não passar pelas cortinas de fumaça. Parou faltando alguns para o fim do telhado, tinha que diminuir o ritmo e recuperar o fôlego. Não podia simplesmente ficar correndo sem um bom plano. Se recostou no parapeito do prédio, e olhou para a rua. Havia pouca gente perto da fábrica, mas isso não surpreendeu Serena. Não nesse horário. Precisava alcançar o distrito de descarga, mas seguir o caminho normal poderia atrair atenção desnecessária.

O atalho por cima foi bem útil até ali, mas não havia prédios tão altos para onde ia. Se levantou e puxou o lenço do cabelo, e amarrou de novo fazendo um rabo-de-cavalo. gostava de manter seu cabelo longo, mas às vezes atrapalhava mais que ajudava. O próximo pulo seria um pouco mais complicado, mas quem está na chuva é para se molhar.

Colocou os óculos e tomou distância, e após respirar fundo correu com passadas largas. Saltou assim que alcançou a beirada do prédio, dando alguns passos sentindo o ar frio no rosto. Gostava daquilo quase como gostava máquinas. Gostava da sensação de voar, mas o mundo de fantasia durava pouco, e próximo telhado chegou rápido. A cambalhota absorveu o e salvou suas pernas de se machucarem. Passou a mão no joelho lembrando da última vez que errou o salto.

Olhou para frente. Dali ainda não dava para ver o mar, mas os prédios seguiam diminuindo até as alcançarem as docas. Olhou mais uma vez para a rua atrás do prédio e desceu pela escada. Era um prédio residencial no meio das fábricas, então pouco barulho era essencial. Deu a volta no prédio a acabou na feira.

Era meio de semana, então mesmo no final do dia a feira estava a todo vapor. Era o lugar preferido de Serena para conseguir equipamentos. Peças para próteses mecânicas, ou itens sobressalentes para golens. E comida. Amava a comida aquele lugar, que misturava pescados com a culinária apimentada comodoriana.

Uma barraca vendendo almondega de camarão atraiu sua atenção, graças ao cheiro apimentado, mas tinha que manter o foco. Não demorou para um folheto de uma nova barraca aparecer em suas mãos, apesar de não fazer ideia de quem entregou. Talvez o rapaz de escamas verdes entregando os panfletos sutilmente sem ninguém notar.

Era difícil não esbarrar em ninguém. Gente indo e vindo o tempo todo, propaganda por todo lugar. A capital tinha a capacidade de atrair muitas pessoas, para tentar uma nova vida. Fumaça vinha de tudo que era oficina, cozinha e qualquer outra coisa que Serena, talvez, nunca saberia dizer o que era. A verdade era a cidade era mais viva no fora das grandes muralhas do centro, com suas peculiaridades e variedade. Chifres e escamas não eram difíceis de encontrar, e não necessariamente nos pratos servidos.

Depois de alguns minutos caminhando, olhou para o lado procurando a placa da loja de doces. Estava do outro lado da rua, de onde uma senhora a olhou feio. Lembrou das instruções do caminho, e virou à esquerda depois da loja. Um mapa seria mais fácil do que decorar as instruções do Dom Ferrara.

Serena olhava bastante para trás, de canto de olho, desconfiada. Tinha a merda da sensação de estar sendo seguida. Ultimamente tinha ficado mais paranoica. Acabou tropeçando em uma pedra solta, e por pouco não beijou o chão. Ficar sonhando acordada é um péssimo hábito, mas por sorte, ninguém estava olhando, fora um morador, que fumava um cachimbo improvisado, que devia estar cheio de eterina. Estava sentado olhando para o nada, dentro do beco, e sequer notaria Serena se aproximando.

Viu uma caveira pintada no beco e se levantou. Olhou mais uma vez para trás, antes de entrar no beco. Passou pelo morador de rua, e notou seu pescoço marcado com números, fazendo-a se arrepiar. Um ex-anômalo. A saliva desceu queimando em sua garganta.

Levantou a tampa do bueiro, e entrou. Usar os antigos túneis abaixo de esgoto deixava o caminho mais fácil até a reunião, mas o cheiro do mofo era forte horrível.

Finalmente alcançou o bendito lugar, já respirando fundo. Estava morta, a um dedo de ter câimbras. Três batidas secas na porta de metal na sua frente, e a portinhola abriu no ato. Os olhos a observaram por um tempo antes de destravar a porta.

Atravessou o portal quase correndo. O caminho levava até uma abertura que se expandia. E de lá já conseguia ouvir a voz da plateia ecoando. Puta merda, aquilo estava bonito de se ver. A arquibancada estava lotada. As pessoas gritavam com a luta de abertura mais abaixo, na arena, balançando os tíquetes de apostas.

Um espaço grande para pessoas se baterem, às vezes até a morte, variava, enquanto outras assistiam e apostavam. Essa era o Esgoto. Continuou andando até a ao segundo andar, mas com a passada lenta. Se debruçou na mudara para acompanhar o final da luta. Sabia que o final só pelo som da torcida. Gente rasgando apostas, e outros feliz demais. Já estava decidido. A torcida foi ao delírio quando a mandíbula de um dos lutares foi quebrada. Ele tinha ficado tonto, mais um soco ou dois e seria caixão. O outro lutador já levantava a guarda esperando o próximo movimento do rival.

Sua cauda escamosa balançava de um lado para o outro, levantando um pouco de poeira e distraindo os olhos do oponente, que tentou acertar sua cabeça. Desviou facilmente enquanto socava o estômago do homem.

Serena torceu a cara quando viu o vômito saindo pela boca caída. Se quisesse sair dali menos quebrado, era melhor nem levantar, mas ele tinha que levantar. Todo mundo nesse bairro é teimoso. Todo mundo aprendeu desde cedo, se quiser algo, vai ter que ser teimoso.

Quando levantou só teve tempo de se arrepender muito de ter nascido. O punho escamoso envolto de faixas acertou o seu queixo, porque sua mandíbula não estava quebrada o suficiente, em um direto de direita que o mandou direto para o chão.

A luta não durou quase nada, então continuou seu caminho pela escada até o segundo andar, e chegou na sala do chefe da gangue. Ferrara não a viu chegando por detrás da fumaça do cigarro. Só prestava atenção na próxima luta. Na sala atrás, as apostas eram contabilizadas e na porta uma garota de cabelos vermelhos que nunca tinha visto. Olhava para fora, sem ligar para a luta, enquanto mordiscava um palito de fósforo. A espada na cintura tinha detalhes interessantes.

— Serena, trouxe? – Ferrara finalmente a notou, e a chamou com fazendo um sinal para se aproximar

— Sim, Dom, – se aproximou da mesa e colocou as apostas na mesa – todas para a próxima luta, senhor.

— Muito bem, mas quase não chegou a tempo – ele continuava não olhando para Serena, mas o tom deixava claro a irritação. Olhou para a garota na porta, e agora sua mão estava no cabo da espada.

— Tive uns contratempos, mas estão aqui, isso que importa – se quisesse crescer nesse lugar, não podia irritar o chefe, mas também não poderia baixar a cabeça, então se manteve com a postura ereta e os braços cruzados.

— Eu gosto de você, – ele sorriu e finalmente a olhou, com os olhos escuros difíceis de ler, o que não impedia Serena de tentar.

— Obrigado, senhor. Eu acho – ela virou os olhos para a arena. A visão dali era ótima, mas o cheiro de cigarro era uma merda.

— Pode assistir daqui, não ligo, só não mexe em nada – girou uma chave na mesa, abriu a gaveta e jogou um maço de notas em Serena, que o pegou no ar, sem piscar – sua parte. Continue convencendo aquelas caras a apostar, e isso pode melhorar - colocou a boina e se levantou, indo até a sala de contabilidade.

-

Todo mundo foi ao delírio quando um dos lutares voou de encontro à parede da arena. Parecia um saco de batata sendo jogado de um caminhão. O rapaz até que era grande, mas comparado ao seu adversário, parecia uma criança. O fauno mantinha a pele cinzenta enquanto ia atrás da carcaça jogada que ainda tentava se levantar. Deixar a pele cinzenta era uma boa defesa, mas sempre deixava os faunos lentos. Nunca aprendiam.

O rapaz se levantou e falou algo para o fauno, que rosnou e avançou. Com todo aquele barulho, era impossível ouvir, algo, mais dava para presumir que foi um insulto. O supercílio estava aberto e sangue escorria lentamente. Se moveu antes que mais um soco o acertasse. Para quem levou uma porrada daquelas, aquele sorriso era bem grande.

Desviou uma, duas vezes e se afastou um pouco. Levantou o braço e a perna direita como dois escudos. O punho se mantinha ao lado do rosto. Acho que alguém decidiu levar isso a sério.

— O que temos aqui?! — a voz da narradora soou nos alto-falantes — Daqui me parece a guarda da arte marcial da realeza meus amigos! — a plateia gritou eufórica — ISSO É RAITÔ! Senhoras e senhores, teremos aqui uma luta e tanto. Espada e escudo versos a rocha viva! – mais uma vez a torcida urrou.

Serena levantou as sobrancelhas e piscou algumas vezes. Não esperava ver uma arte marcial no Esgoto, na maioria das vezes eram só gente brigando como bêbados. Esfregou os braços, devia voltar a treinar. Fazia tempo que não dava alguns chutes. Trabalhar na oficina e para gangue estava ocupando bastante tempo, mas tinha que dá um jeito.

Mais um soco. O cara era sortudo, já que o fauno não usou as patas nem uma vez, só focou nos socos. Serena olhou melhor o jogo de pernas dele, as patas pareciam machucadas. Se serviu ao exército, era bem provável que de forma permanente. O punho do fauno desceu com força, isso iria doer. O pequeno rapaz esperava por aquilo, talvez estive esperando a luta toda por aquele. Com a mão esquerda redirecionou o soco para o chão, deixando a guarda do cinzento totalmente aberta.

Perna apoiada e cotovelo como uma espada na altura do estômago. O fauno gemeu de dor. Quase não deu pra ouvir já que o barulho da pele rochosa rachando ficou bem alto. A torcida ficou muda quando ele cambaleou para trás. Não esperava um contra-ataque. Antes de continuar o lutador falou algo bem baixo e se aproximou para mais uma investida. Um chute lateral no joelho esquerdo. O fauno cedeu um pouco para o lado. O suficiente para outra cotovelada, agora no nariz. Isso deve ter doído bastante. Sangue escorreu. Parecia roxo, ou algo perto disso.

A dor e o sangue pareciam ter piorado as coisas. Agora eram socos aleatórios, mas com muita força que arrancaram terra.

— Agora ele perdeu, minha aposta já era – Serena ficou decepcionada.

— Hierro não vai perder, te garanto – o chefe voltou e parou do lado de Serena. Alto e elegante como sempre, e como previsto, forjando as apostas. O fauno nunca teve chance.

Um dos socos pegaria em cheio no rosto, mas não pegou, nem de raspão. Pareceu uma miragem quando Hierro desviou do socou, ele estava lá, mas não estava. Serena sentiu um arrepio, como se algo tivesse se distorcido por um momento.

Um golpe no cotovelo e uma joelhada em cheio o estômago, em cima da rachadura. O fauno não se moveu um centímetro, mas ficou paralisado por dois segundos antes vomitar sangue.

Uma sequência de cotoveladas. Ele estava mais rápido. Não dava para acompanhar e ele aproveitou para acertar um chute no lado da cabeça. Quase sofreu uma agarrada, mas o fauno estava mais lento do que o normal. Agora uma joelhada no queixo. Caiu no chão levantando uma cortina de poeira.

Hierro subiu em cima dele e começou a socar sua cara sem a mínima de defesa para o grandão. Cada soco era mais pesado que o outro, enquanto segurava o sorriso. Ele parecia estar se divertindo enquanto esmagava um crânio na porrada.

— Ganhou a aposta? – Dom Ferrara era só sorrisos.

— Não vou ter problemas para comprar peças tão cedo.

1 de Junio de 2020 a las 12:09 0 Reporte Insertar Seguir historia
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