baekhyuns ㅤ ㅤ

Foi no inverno de 1991 que Baekhyun, acabado de completar 18 anos, deixou um simples bilhete na mesa da cozinha antes de entrar num ônibus com uns trocos no bolso. Hospedado num motel velho, localizado na periferia suja de uma cidade distante, vê-se nas mãos de três rapazes mais velhos que nada sabem sobre limites. Enquanto tenta planejar as suas viagens pelo mundo e manter-se fiel aos seus princípios, acaba por criar uma ligação especial com Oh Sehun, que lhe mostra que não precisa procurar muito longe a felicidade que, afinal, encontrara num dos rapazes do Motel Oasis.


Fanfiction Bands/Singers For over 18 only.

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Wanted Dead or Alive

❝It's all the same, only the names will change

Everyday, it seems we're wastin' away

Another place where the faces are so cold

I drive all night just to get back home.❞

Bon Jovi - Wanted Dead or Alive


Inverno de 1991

Baekhyun estava exausto. Com a cabeça encostada no vidro do ônibus, que dava alguns solavancos pelo mau estado na estrada, olhava o céu estrelado. Apesar das complicações que o assombrariam a partir daquela noite, depois da decisão que havia tomado para a própria vida, sentia-se estranhamente leve. Estava longe de casa, longe dos pais, e viveria às suas próprias custas. Abandonara o seu lar a meio da noite, poucas horas depois dos pais terem adormecido no cómodo ao lado, deixando um simples bilhete em cima da mesa da cozinha com as palavras "Vou embora, por favor não me procurem" rabiscadas. Tinha 18 anos feitos há poucos dias e todas as suas poupanças guardadas numa latinha dos Bon Jovi estavam a ser usadas agora. Uns trocos para uma passagem de ônibuse poderia passar algumas noites num motel a algumas cidades de distância até, de fato, decidir o que fazer.

Não fugira para ser rebelde ou se impor aos progenitores. Baekhyun estava realmente exausto, não apenas da viagem que já durava horas, mas da sua vida naquela pequena vila. A situação financeira nunca havia sido muito favorável para a sua família, e a sua vida escolar não o satisfazia. Tinha notas baixas e, enquanto todos à sua volta pareciam ter um futuro decidido, Baekhyun apenas sonhava em viajar pelo mundo e aprender coisas novas, conhecer novas sensações, preencher aquele vazio dentro de si que, por alguma razão, estava lá.

Sentiu as palmas das mãos suadas. O ônibusabrandava e deduziu estar a chegar ao ponto onde deveria descer. Tinha conhecimento de um motel a alguns metros de distância e tencionava passar ali uns dias até organizar os seus planos futuros. Quando desceu as escadas, colocou a sua mochila às costas. Ao ver o ônibusse afastar dele, deixando-o sozinho e apenas iluminado pelos candeeiros de rua, encheu os pulmões de ar, vendo-se abraçado pela noite fria. Não se sentia assustado, pelo menos naquele momento. Agarrou as alças da mochila e caminhou pela calçada, apreciando com atenção os edifícios em mau estado que enfeitavam as ruas vazias daquele subúrbio.

Depois de poucos minutos de caminhada parou abaixo de um letreiro luminoso. "Motel Oasis", com a luz do "A" desligada. Os seus pés pareceram ganhar vida, a boca ficava seca a cada passo que dava e as mãos agora mais suadas que antes. Escondeu-as nos bolsos da jaqueta de couro depois de abrir a porta de entrada, vendo-se na receção pouco iluminada do motel. Aproximou-se do balcão de madeira, não vendo ninguém do outro lado. A parede à sua frente era preenchida por um mapa enorme, esticado num quadro de cortiça com algumas cruzes a marcar vários países, e ao lado alguns post-its amarelos com letras tão pequenas que Baekhyun não conseguia ler. Mordeu o lábio interior, passando o olhar pelo lugar. Não era muito grande e a luz no teto falhava algumas vezes. As paredes de madeira escura não ajudavam na iluminação — faziam parecer tudo ainda mais escuro. De repente, uma porta do outro lado do balcão abriu. Baekhyun fitou o senhor que se aproximou do balcão com um sorriso simpático, abrindo calmamente uma pasta azul pousada ali.

— Boa noite, jovem. Procura um quarto?

Baekhyun assentiu com a cabeça, tendo o olhar curioso do homem sobre si. Provavelmente questionava-se porque um adolescente como ele estaria ali sozinho a meio da noite, num subúrbio pouco frequentado há vários anos e num motel com aquele aspeto.

— E tenciona ficar quantas noites?

— Não tenho a certeza. — Baekhyun comprimiu os lábios, inclinando um pouco a cabeça para o lado. A sua voz, apesar de calma e baixa, parecia alta naquele cómodo que fazia eco. — Posso pagar três noites agora e se precisar fazer um novo check-in?

— Claro. Tenho a certeza de que terás quartos disponíveis se precisares. — O senhor mostrou-lhe um sorriso, pedindo-lhe então os dados precisos para que lhe pudesse ser entregue uma chave. Baekhyun retirou a mochila das costas, juntando em cima do balcão a quantia pedida por aquelas noites, e então guardou a chave do quarto 5 no bolso. O senhor informou-o do pequeno bar situado no fundo do corredor onde poderia pedir as suas refeições e disponibilizou-se para lhe mostrar onde ficava o seu quarto, retornando para a receção de seguida.

Vendo-se sozinho, Baekhyun trancou a porta e pousou a mochila em cima da cama. Olhou em volta. As paredes, outrora brancas, tinham várias falhas de tinta. A cama era pequena, tinha um sofá encostado à janela e uma mesa de madeira com algumas revistas. Um banheiro minúsculo e uma porta de acesso direto à rua. Sentou-se na ponta da cama, abrindo a mochila e retirando um mapa do seu interior. Igual ao mapa que vira na receção, o seu também tinha vários países rodeados a marcador vermelho — os países que Baekhyun sempre quisera visitar. A lista aumentava ao longo dos anos, à medida que ia ouvindo falar deles. Viajar pelo mundo e ser livre. Parecia tão fascinante e, ainda assim, impossível. Um sorriso singelo cresceu-lhe nos lábios e pousou o mapa aberto em cima da mesa de madeira. Trocou de roupa e deitou-se debaixo dos lençóis, enterrando a cabeça na almofada dura e adormecendo com a expectativa de que os próximos dias lhe trariam alguma resposta, mesmo ele não sabendo ao certo pelo que procurava.



Os raios de sol entravam por entre as cortinas, batendo diretamente no rosto de pele dourada de Baekhyun, que se remexeu preguiçosamente. Esfregou os olhos para espantar o sono e então abriu-os, olhando em volta e familiarizando-se com o local. Revirou-se para se deitar de barriga para cima, prendendo o olhar no teto já negro do quarto. Sentiu o coração falhar uma batida ao pensar que, àquela hora, os seus pais já teriam visto o seu bilhete e provavelmente estariam desesperados com o desaparecimento do seu único filho. Sabiam que a vida de Baekhyun não era a que ele almejava. Sempre fora mais criativo do que as outras crianças e não havia quaisquer barreiras para a sua imaginação. Sonhava alto e não tinha medo de cair. Era uma criança tão especial que não merecia viver naquele buraco de vila com uma rotina tão enfadonha, e eles culpavam-se por não lhe poderem dar uma vida melhor. Baekhyun sabia que os pais o amavam e ele amava-os de volta, mas ainda assim sentira cada palavra que escrevera naquele pequeno pedaço de papel — ele realmente não queria ser encontrado e esperava que os pais atendessem ao seu pedido e não o procurassem. Apesar daquela decisão tomada no calor do momento, ele era responsável. Se tencionasse voltar, voltaria pelo próprio pé.

Foi ao banheiro para tomar um banho rápido e então trocou de roupa. Tinha fome, mas não sabia que horas eram e receava que o bar tivesse um horário certo para servir o café da manhã. Se fosse o caso, não conhecia lugar algum nas redondezas onde pudesse comprar uma refeição. Vestiu a sua jaqueta de couro favorita e abandonou o quarto, atravessando o corredor pouco iluminado que fazia eco a cada passo dado. Enquanto caminhava, questionava-se se haveriam mais hospedes. O lugar era tão silencioso e isolado que pensou que talvez estivesse ali sozinho. Não entendia sequer como aquele negócio poderia estar de pé com tais condições e naquele lugar tão escondido.

Entrou no bar e abriu um pequeno sorriso. Ao contrário do que pensava, algumas pessoas descansavam em frente às mesas de madeira redondas espalhadas pelo local. Uma jukebox repousava no canto do bar, perto de uma janela, e Baekhyun sentiu um ligeiro entusiasmo por nunca ter visto uma daquelas antes. Aproximou-se lentamente e observou com atenção, querendo perceber como funcionava. Quando ia esticar o braço para pressionar um dos botões viu uma pessoa parar do seu lado. Elevou o rosto lentamente, dando de caras com um rapaz um pouco mais alto do que ele. O seu rosto era marcado por linhas fortes, queixo afiado e traços que chamaram a atenção de Baekhyun com um simples olhar. O cabelo negro com uma mexa que lhe caía sob os olhos dava-lhe um ar extremamente sensual. Envergava umas calças claras um pouco largas e uma jaqueta de couro fechada até ao cimo que escondia a sua peça de roupa superior. A sua expressão dura, quase inexpressiva, fez Baekhyun dar um passo ao lado, não querendo meter-se em qualquer tipo de problema.

— Peço desculpa. — Proferiu educadamente. O rapaz olhou-o com atenção, pousando uma mão no cimo da jukebox e inclinando-se ligeiramente na direção de Baekhyun.

— Vais mudar a música? — Questionou calmamente, ainda com o olhar preso no dele. O seu timbre de voz causou arrepios na pele de Baekhyun, que desviou o olhar.

— Não. É a primeira vez que vejo uma destas e fiquei curioso.

O rapaz gargalhou, chamando a atenção de Baekhyun que, um pouco intimidado pela figura à sua frente, escondeu as mãos nos bolsos da jaqueta.

— É bem fácil. Chega aqui.

Baekhyun voltou então a aproximar-se lentamente, parando do lado do estranho não tão mais velho do que ele. Explicou-lhe a funcionalidade de todos os botões à sua frente, mostrando-lhe o catálogo de músicas disponíveis, e falou-lhe da ordem de entrada que precisava respeitar. Baekhyun pousou então a mão nos botões e, fascinado, colocou a tocar como música ambiente uma música da sua banda favorita, Bon Jovi – Wanted Dead or Alive. A banda formara-se quando Baekhyun tinha exatamente 10 anos e desde então apaixonou-se. Era o tipo de música que escutava em casa — os pais eram fãs daquele estilo musical — e entusiasmou-se tanto por poder estar presente no ano da criação de uma banda tão boa que juntou moedas durante meses para poder comprar o seu primeiro álbum.

— Adoro Bon Jovi. — O estranho ao seu lado anunciou, mostrando um sorriso ladino a Baekhyun. — Oh Sehun. E tu?

— Byun Baekhyun. — Murmurou nervoso. Mordiscou o lábio inferior ao apertar a mão de Sehun, dono de uma expressão tão séria e beleza tão surreal que o deixava ligeiramente fora de si.

— Que fazes aqui sozinho? Procuras alguma coisa?

Baekhyun sabia que Sehun não se referia ao bar, e sim ao motel. Queria saber porque Baekhyun estava ali sozinho, naquele pedaço sujo de periferia, mas essa resposta era algo que ele preferia guardar para si mesmo. Não sabia que reação esperar se dissesse ao estranho à sua frente que fugira de casa sem qualquer plano, apenas uns trocos no bolso. Para além de o poder achar louco, tinha medo que chamasse a polícia ou avisasse o dono do motel. Limpou a garganta, optando então por desviar o assunto.

— Neste momento só procuro tomar o café da manhã...

Sehun abriu um sorriso de troça.

— O horário do café da manhã terminou há 30 minutos.

Era o que mais temia. Pareceu-lhe ouvir o estômago roncar, como se tentasse debater o que Sehun acabara de proferir. Baekhyun tossiu, querendo abafar o barulho da sua fome, mas o sorriso de Sehun apenas aumentou com a situação. Aproximou-se do balcão, onde uma senhora de ar simpático permanecia desde que Baekhyun entrara no bar, trocou algumas palavras com ela e então voltou para junto dele.

— Espero que uma sandes de atum seja o suficiente por agora.

Os lábios de Baekhyun formaram um pequeno sorriso de agradecimento e então acompanhou Sehun enquanto ele se dirigia a uma mesa livre. Sentaram-se frente a frente e Baekhyun viu-se com o olhar curioso preso nele. Perguntava-se se estaria ali sozinho, a razão de estar ali ou quais os seus planos. Se talvez, assim como ele, ele se sentisse perdido e estivesse ali de passagem para colocar as ideias no lugar, organizar o seu próprio plano e então seguir viagem. Molhou o lábio inferior, um pouco nervoso. Queria perguntar mais sobre ele, mas era parado pela timidez que o atacara desde que cruzara olhares com Sehun.

Uma sandes de atum foi colocada à sua frente e Baekhyun agradeceu educadamente à senhora simpática que o atendera. Trincou, deliciando-se com a sua primeira refeição depois de várias horas sem colocar uma migalha no estômago. Sehun observava-o com o rosto pousado na palma da mão.

— Que idade tens? — Perguntou lentamente, como se não quisesse interromper a refeição do outro. Baekhyun engoliu a comida antes de responder.

— Fiz 18 há uns dias. E tu?

— Tenho 21. Estás aqui sozinho?

Baekhyun sabia que era suspeito e arrependeu-se da sua resposta de imediato. Remexeu-se no banco e encheu a boca de comida, para que tivesse mais tempo para pensar numa resposta. Sehun olhava-o de forma curiosa. Era óbvio que Baekhyun não tencionava revelar muito sobre si mesmo e, mesmo sem se aperceber, o seu mistério despertara a curiosidade de Sehun.

O bar tornou-se barulhento em poucos segundos e Baekhyun virou o rosto para a porta, querendo ver quem o salvara de responder à pergunta de Sehun. Dois rapazes com roupas parecidas às de Sehun e sorrisos trocistas nos lábios aproximavam-se da mesa onde estava sentado, cumprimentando algumas pessoas pelo caminho. Sentaram-se sem sequer pedirem permissão e Baekhyun olhou, confuso, para cada um deles, ouvindo então a voz de Sehun.

— São o Minseok e o Jongin. Estão aqui comigo.

— Byun Baekhyun. — Tentou sorrir para ambos, que o deixavam extremamente nervoso pelos olhares indiscretos sobre si.

— Bem-vindo. Estás de passagem? — Minseok questionou ao pentear os fios de cabelo com os dedos. Sehun olhou-o curioso, mostrando-se interessado na resposta. Baekhyun assentiu. — Bebes? Fumas? Não sei... já roubaste alguma coisa? Já te envolveste em alguma briga?

— Não, nenhuma. — Foi a resposta de Baekhyun, que recebeu um suspiro profundo como resposta.

— Ele não serve de muito, Sehun.

Um nó formou-se no cérebro de Baekhyun em segundos. Teve a certeza de que aquela situação e aquelas pessoas não eram o que ele procurava com a sua fuga, sequer se identificava com eles. Olhou para os três rapazes à sua frente em extrema confusão, receoso para saber onde aquela conversa o levaria. Os dois amigos de Sehun barafustaram por alguns segundos, voltando-se para Baekhyun de seguida.

— Queres... divertir-te um pouco?

Hesitou. Algo dentro dele dizia-lhe que aquela pergunta era mais perigosa do que parecia, e meditou durante alguns momentos antes de responder. Nunca tinha tocado em bebidas alcoólicas ou tabaco em toda a sua vida e, ao contrário de muitos adolescentes, não tinha qualquer curiosidade em experimentar. Os pais ensinaram-no desde novo que qualquer um poderia ser legal e saudável ao mesmo tempo — não havia qualquer necessidade de fazer tais coisas para se incluir num grupo. Baekhyun sabia disso e concordava totalmente. Também nunca precisara roubar ou se envolver em brigas físicas, tentava mesmo distanciar-se delas. Ao se lembrar dos pais e da educação recebida, negou calmamente com a cabeça.

— Não me parece boa ideia.

— Não vamos fazer nada fora da lei, Baekhyun. — Foi a vez de Jongin proferir, mostrando-lhe um sorriso um pouco zombador que fez Baekhyun engolir em seco.

— Estão a assustá-lo. — Sehun repreendeu os dois amigos, que riram em uníssono ao ver a expressão, de fato, um pouco assustada de Baekhyun. Este, confuso e tão desconfortável que começava a sentir as mãos suadas, olhou em volta, evitando qualquer contacto visual com os rapazes mais velhos.

— Estamos a brincar com ele. — Jongin corrigiu, pousando a mão no ombro de Baekhyun. — Vem, vamos mostrar-te as redondezas.

Baekhyun olhou discretamente para Sehun, que lhe assentiu com a cabeça, dando-lhe a garantia de que estava tudo bem. Não conhecia as redondezas, mas do pouco que tinha visto na noite anterior tinha a certeza de que não havia nada para conhecer — era um lugar sujo e isolado, com algumas lojas abandonadas e outras tão pouco frequentadas que se consideravam igualmente abandonadas. Perguntava-se há quanto tempo aqueles três rapazes estariam ali e por que razão falavam com ele. Mesmo desconfiado levantou-se do banco de madeira, recebendo sorrisos dos dois amigos de Sehun. Quando passaram pela receção, prestes a abandonar o motel, a voz do rececionista travou-os.

— Onde vão?

Sehun virou-se, sorrindo.

— Mostrar as redondezas ao Baekhyun.

— Voltem a horas de almoçar.

Sehun voltou a sorrir e colocou o braço à volta do pescoço de Baekhyun, levando-o consigo para fora do motel. Baekhyun sentiu o coração palpitar com aquele ato de Sehun sem aviso prévio. Acompanhou os passos lentos dos três rapazes, olhando discretamente para o rapaz ao seu lado. Perguntou-se, mais uma vez, há quanto tempo estariam ali e que tipo de relação tinha Sehun com o simpático rececionista. Sehun olhou-o de volta, ainda com o braço à volta do seu pescoço, e abriu o sorriso ladino habitual.

— O que estás a pensar?

Os amigos de Sehun barafustavam a alguns metros de distância, pontapeando latas de refrigerante no chão e rindo; nada estavam interessados na sua conversa com Sehun.

— Conheces o rececionista? — Decidiu questionar, recebendo um aceno como resposta.

— É o meu tio.

Baekhyun olhou-o curioso, mas não teve tempo de responder pois Sehun logo continuou.

— Saí de casa muito cedo, com a tua idade. Pedi ao meu tio para ficar aqui por uns dias, mas aqui estou eu há já 3 anos.

Por algum motivo, aquela pequena confidência com Sehun deixou-o mais à vontade, mas, ainda assim, não queria falar sobre si mesmo. Sempre fora assim desde novo. Era simpático e educado, mas muito fechado nele mesmo. Quando estava triste disfarçava tão bem que ninguém acreditava, mesmo quando ele tentava desabafar com alguém — o que era realmente raro, pois na maior parte do tempo não confiava nem nele mesmo. Apesar daquilo não ser nem um terço da história de Sehun, mostrou-lhe um pequeno sorriso.

Pararam de caminhar quando chegaram a um local escuro e de odor horrendo. O chão era sujo e os edifícios abandonados faziam Baekhyun sentir-se ligeiramente abafado. Alternou o olhar entre Sehun, Minseok e Jongin, esperando que o elucidassem sobre o que estavam ali a fazer. Quando Baekhyun viu Minseok encostar-se à parede manchada de negro, apoiar o pé e retirar um maço de tabaco do bolso, sentiu o boca ficar seca. Jongin — que parecia tão simpático ao entrar no bar mas agora Baekhyun achava-o tudo menos isso — aproximou-se dele e pousou a mão no seu ombro, afastando a de Sehun.

— Não há muito que ver, mas há que fazer.

Baekhyun observou-o com atenção enquanto se aproximava de Minseok. Sehun permaneceu ao seu lado enquanto os dois amigos enrolavam um baseado perfeito com algo tirado do bolso das calças de Minseok, olhando uma vez ou outra em volta como se esperassem uma visita inesperada, e então Minseok foi o primeiro a colocá-lo entre os lábios. Acendeu e tragou, deixando a cabeça cair para trás. Baekhyun sabia o que era aquilo e o que fazia, sabia ser quase considerado hábito por jovens da sua idade e já se questionara como seria, mas nunca o tinha feito ou sequer visto alguém fazê-lo à sua frente. O baseado rodou por entre os três, e então Jongin estendeu-o a Baekhyun, que ficou a olhá-lo hesitante.

— Queres?

— Não tens de fumar, Baekhyun. — Ouviu a voz de Sehun ao seu lado, que nada tinha a ver com o tom de voz intimidante do seu amigo. Baekhyun olhou o baseado à sua frente e de seguida os dois rapazes. Baekhyun não era tolo, muito pelo contrário. Não era o mais inteligente na escola, mas não deixava que isso o definisse. Aprendia cheio de vontade diversos outros assuntos que considerava mais importantes do que aqueles que os professores ensinavam, e estava bem consciente das coisas que o mundo colocaria à sua frente ao longo dos anos. Aquela era uma delas.

Segurou o baseado e tragou. Tossiu um pouco e tragou outra vez. Deu então a Minseok, retomando o círculo. Quando voltou a chegar a sua vez, tragou mais duas vezes, e não aceitou mais depois. Já sentia a cabeça leve e acreditou estar a sentir os sintomas tão rápido por nunca ter fumado algo assim, afinal, os outros pareciam bem. Deu passos lentos até conseguir encostar-se à parede, lado a lado com Minseok. Os três rapazes conversavam sobre assuntos seus, claramente divertidos, as pálpebras que começavam a pesar e os olhos ligeiramente avermelhados. Baekhyun não via nenhum deles com os mesmos sintomas de indisposição que ele sentia. O sabor ainda lhe estava na boca e não pensou que teria tal reação a quatro simples tragos no baseado. Fechou os olhos com força, pensando que talvez quando os abrisse o coração acalmasse, mas quando sentiu um revirar no estômago afastou-se da parede atrás de si.

— Vou voltar. — Proferiucalmamente, tendo toda a atenção sobre si.

— Já? — Jongin perguntou ao se aproximar, mas Sehun colocou-se à sua frente.

— Eu vou levá-lo de volta.

— Não, está tudo bem.

Afastou-se enquanto falava, e quando já se encontrava fora do campo de visão dos mais velhos apressou o passo, sentindo a sandes de atum subir-lhe até à boca. Percorreu as ruas sujas numa corrida desengonçada até voltar ao motel, onde o tio de Sehun lhe perguntou porque voltara sozinho. Respondeu que ainda estava cansado da viagem e por isso voltara mais cedo, e não esperou uma resposta antes de correr pelo corredor, fechando-se no seu quarto. Enfiou-se no banheiro e vomitou na privada, apoiando o rosto na palma da mão enquanto era totalmente possuído pelo sentimento de frustração. Arrependeu-se de imediato, não só de ter tocado sequer no baseado mas também de ter conversado com o bonito estranho no bar, e questionou-se quem eram aqueles rapazes e porque pareciam achar engraçado mexer com ele. Nunca se considerara fraco ou um alvo fácil, apesar de educado e simpático (o que costumava ser bastante confundido com fraqueza), e por isso aquela situação deixou-o ligeiramente irritado, como se tivesse sido completamente subestimado por três estranhos que pensavam que poderíamos se divertir às suas custas.qwr

Limpou o rosto e lavou os dentes, voltando para o quarto. Sentou-se em frente à mesinha de madeira onde o seu mapa repousava aberto e esticou-se para encontrar o seu pequeno caderno na mochila, onde escrevera alguns tópicos de sonhos e planos do que poderia fazer dali em diante na sua vida. Aquela manhã tinha sido um desastre e não podia culpar mais ninguém senão ele mesmo, mas não se voltaria a auto sabotar. Fora um pequeno deslize. Sairia daquele cômodo escuro apenas para comer as refeições a que tinha direito e engendraria o seu plano de fuga rapidamente. Nada de distrações.

May 8, 2020, 1:40 p.m. 0 Report Embed Follow story
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