RESGATANDO O NATAL Follow story

anapaulaclara Ana Paula Clara

Todas as pessoas que Meg ama estão partindo. Sua mãe se casou de novo, seu pai embarcou numa viagem pelos Estados Unidos com sua noiva, e até mesmo Peter, seu Peter, vai embora quando se formar. Tendo aquele natal como a última oportunidade de juntar todas as pessoas que ama, Meg planeja realizar o feriado perfeito. Junto de Will e o relutante Peter, os três juram que aquele natal será inesquecível. Mas será que os planos de Meg sairão como o esperado, ou o natal perfeito está mais longe de conquistar do que ela imagina?


Humor All public.

#Meg-Greenshaw #ResgatandoONatal #natal #comédia #família #polícia #papai-noel #sequestro
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Ninguém vai preso por roubar pisca-piscas

― Alguém tem que fazer o trabalho sujo! ― berro para Will, e já posso vê-lo fazendo aquela cara. Faço uma curva perigosa, e ouço Peter murmurar um palavrão. Peter nunca fala palavrão. Por alguma razão ele está tenso ao meu lado, agarrado ao cinto de segurança, e parece mais focado na estrada do que eu, para caso diligentemente eu perca um pouco o controle.

Não é como se aquilo sempre acontecesse.

Não muito.

― Will, eu preciso de você― na verdade, eu precisava dele e da Kate, mas ela havia dado uma guinada na vida e partido numa jornada com o Colin, um irlandês sexy que chegou para agitar a festa. Pelo pouco que o conheci, sei que foram feitos um para o outro.

Kate é o senso prático, Will é a força, e eu faço as coisas acontecerem.

Ouço Will gemer frustrado do outro lado da linha, mas já é uma batalha vencida.

Só por causa do Spencer― ele diz, e sei que é verdade. Spencer é um garotinho lindo, e puxou os incríveis olhos azuis do meu primo, e por ele Will iria até o Polo Sul, e juntos roubaríamos o natal para que Spencer, diferente de nós, tenha um natal bom para recordar. Spencer tem dois aninhos, quase três. E há um ano, Will descobriu que tinha um filho.

― Will, você pode fazer as ligações― faço uma curva e sacolejo no assento. Peter prende a respiração, os pneus de neve são realmente bons, não saímos da estrada.

― Meg, amor, me deixe dirigir, sim? ― suplica, mas o ignoro. Puxo o papel preso no painel e o coloco sobre o volante.

― Will, temos uma festa gigantesca para planejar, tenho uma longa jornada para casa e muitas coisas para resolver.

O que já temos?

― A boa vontade e solicitude de dois jovens? ― arrisco, e o ouço xingar do outro lado, para então pedir desculpas por causa de Spencer. ― Tenho uma caixa com pisca-piscas que Peter e eu roubamos da fraternidade dele.

― Não foi roubo― Peter murmura, para então se sentar ereto. ― Você disse que pediu emprestado!

― Os melhores já foram comprados― digo alto, sem tirar o telefone do ouvido. ― E eles tinham pisca-piscas mais que suficientes, então só fizeram o gentil dever de nos emprestar um pouco, ainda que eles não saibam disso― explico com desdém. ― E até parece que alguém vai preso por roubar pisca-piscas.


***

Quando finalmente chegamos, a Nova Inglaterra parece a mesma de quatro anos atrás: pacata, elegante, e de alguma forma, isso faz com que eu sinta um ligeiro desconforto. Todas as casas da vizinhança estão cobertas de branco, com luzes coloridas enfeitados os beirais, e bengalas de açúcar (que não são de açúcar) fincadas na neve. É um espetáculo bonito no fim da madrugada, quando as luzes iluminam a escuridão remanescente ofuscada pela aurora.

Peter se alonga ao meu lado, e olha tristemente para a casa vizinha à minha, que está fechada e sombria desde que a mãe dele havia se mudado para a casa da avó, depois que ele foi para a faculdade. Lindsay era uma mulher incrível, que tinha criado Peter sozinha depois que Jonas morreu. Feriados sempre eram datas difíceis para eles, mas ela nunca deixou de enfeitar a casa com pisca-piscas e de pendurar uma linda guirlanda na porta.

Peter tinha a meia mais recheada do quarteirão.

Todos os anos, após a ceia, Lindsay se retirava, e Peter era resignado a passar o natal comigo, já que simplesmente não havia clima para tal. Até os 14 anos, eu o arrastava comigo para os escandalosos jantar da família Pembley/Greenshaw, mas quando meus pais começarem a manifestar seu ódio publicamente, nos excluímos do círculo social da nossa família, e não restou nada além do refúgio da garagem do Peter, onde cada um preparava uma guloseima, assistíamos reprises natalinas da Disney e trocávamos presentes. Havia até uma arvorezinha enfeitada no canto.

Podia parecer pouco para alguns, comemorar o natal com tanto afinco, mas para duas crianças como Peter e eu, que atravessavam um onda de ódio massiva dos pais por causa de um divórcio desgastante e da saudade e dor do luto, aquele pequeno momento era tudo. Nos salvou.

Peter me abraça, e apoio o rosto no ombro dele, sentindo seu perfume fresco. Às vezes, eu ainda me sinto como uma criança aborrecida diante daquela casa tão grande, mas a presença dele torna tudo mais suportável. Tenho certeza de que ele sente o mesmo.

É cedo demais para as luzes das casas da vizinhança estarem ligadas, mas por alguma razão, a luz do andar de cima, a do quarto dos meus pais está acesa, junto com a do banheiro, e percebo comoção lá dentro. Não há guirlanda na porta, pisca-pisca brilhando na janela da sala ou o trenó no telhado.

Não há nada.

Me solto de Peter e avanço até a porta. Insiro minha chave, mas ela não abre.

― A chave, Peter. A chave debaixo do vaso― peço com urgência, e ele sobe rapidamente os degraus da varanda e vasculha nosso esconderijo secreto, mas não há chave. Soco a porta com tanta força que minhas mãos doem. ― Pai! Robert Carmichael Greenshaw, abra esta porta agora!

Atiro a chave na neve, e inutilmente Peter tenta me acalmar, ou vou acordar toda a vizinhança. Mas que se danem os vizinhos! Será que ele não vê que estou no meio de uma crise?

Não é meu pai que abre a porta, e sim uma mulher de meia idade, com longas ondas castanhas e um rosto assustado.

― Quem é você? ― rosno furiosamente. ― Onde meu pai está?

Antes que ela pudesse responder, o rosto assombrado do meu pai surge na escadaria, descendo enquanto amarra seu robe.

― Desde quando você contrata serviço de acompanhantes? ― pergunto indignada.

― Mais respeito, Margarett Greenshaw! ― esbraveja e me puxa para dentro. E quando achei que me abraçaria, meu pai apenas fecha a porta e se dirige para a cozinha. Não me vê por quatro anos e nem me abraça! ― Ela não é uma acompanhante. É minha noiva, Lorrayne. Eu falei dela pelo telefone.

Falou?

Sua explicação fica nisso. Não nos apresenta, não dá a nenhuma de nós uma indicação de onde cada uma ficava na história.

― O que está fazendo aqui?

― Tenho que ter motivo para voltar para casa? ― pergunto, mas meus olhos recaem sobre Lorrayne. Só então percebo que ela é velha demais para ser prosti... acompanhante. Talvez ele tivesse mesmo falado sobre ela.

― Não use esse tom comigo, mocinha!

― Não me chame de mocinha!― não recuo. Peter tem uma expressão nostálgica no rosto. Aquilo parecia os velhos tempos, pelo menos um pouquinho? ― O que aconteceu? ― indago, tentando abrandar a fúria. ― Por que a casa não está decorada? Onde a vovó está? Sei que Kate não vem, mas por que o resto não está aqui? Por que...urgh― um arrepio corre por minha coluna― , por que tia Pru não está aqui? Por que a mamãe também não veio? ― com satisfação assisto meu pai recuar, claramente constrangido por falar da mamãe na frente da Lorrayne.

― Sua mãe e Ken vão embarcar em um cruzeiro às nove.

― É mentira, não é? ― Ken é a forma carinhosa e secreta pela qual chamamos Patrick pelas costas. Ele tem a idade da minha mãe, mas ainda usa roupas como os garotos da fraternidade de Peter, faz plástica e reflexos no cabelo, e se bronzeia com frequência. Nem Peter usa camisas pólo tão justas! Talvez seja por isso que ele e minha mãe sejam felizes. Talvez porque ela também seja uma Bárbie quarentona...

― Você e sua mãe não conversaram sobre isso? ― balanço a cabeça positivamente, mas então nego. Converso com ela sobre coisas amenas, coisas pequenas, e ela não disse nada do porte de vou a um cruzeiro com o Ken no natal, divirta-se, querida.

Minha mãe e eu não temos conversas importantes. Não entramos nesse terreno há muito tempo.

Meu pai me olha daquela forma que me faz sentir como uma menininha de 13 anos, que quer enfiar a cabeça debaixo do travesseiro e chorar como se o mundo fosse acabar.

― E acho que tinha comentado com você que esse ano não comemoraria o natal. E tem o trailer.

― Espere, que trailer?

― Você não escuta nada do que eu digo? ― meu pai resmunga. Também não conversamos muito sobre coisas sérias.― Você nunca vem no natal mesmo― defende-se, e não quero refutar aquele argumento. ― Lorrayne e eu decidimos não fazer nada esse ano.

― Então Lorrayne é tão importante que decide coisas com você?

― Sim, Meg, ela é. Tanto que vamos nos casar em Las Vegas, quando passarmos por lá.

Algo no meu rosto faz com que Peter venha imediatamente até mim, mas quando me dou conta, estou sentada no assento da entrada, e Lorrayne segura um copo com suas unhas compridas pintadas de pink.

― Não vai comemorar o natal, mas um casamento? ― vejo pânico no rosto de Peter. O que ele vê no meu? ― E a nossa ceia?

― Você nunca ligou para o natal― responde, mas percebo a nota aguda de acusação. ― Por que isso agora? ― era como se eu estivesse sendo injusta com ele. Como se eu tivesse destruído os natais do passado.

Mas independente de quem fosse a culpa, eu não podia contar a ele a verdade, que após o natal as coisas não seriam mais como antes. Eu não podia contar a ele que eu não o veria por um bom tempo. Na verdade, eu nem sabia se veria Peter. Após aquele natal, eu perderia a oportunidade de ver todos aqueles que eu amava juntos.

Quando Peter se formasse e aceitasse o emprego em Jacarta, não haveria nada mais que me ligasse àquele lugar. Meu pai partiria em seu trailer pelos Estados Unidos com sua Lorrayne. Mamãe havia seguido adiante com o Ken. Não demoraria para Peter conhecer alguém como ele, se casar e ser feliz. Apenas Will e eu viveríamos agarrados miseravelmente aos fragmentos do nosso passado. Até Kate seguiu adiante com Colin (bem feito, Richard Richmont, seu babaca bundão!).

― Lorrayne e eu partiremos em duas horas. Pode tomar café com Peter, e então voltar com Will até a casa da sua avó― decretou, e assenti. Lorrayne subiu atrás dele com um sorriso triste, como se dissesse sinto muito, e nos deixaram.

― Não precisamos partir hoje― Peter me consola, sentando-se ao meu lado e me abraçando desajeitadamente. Como sou grata por ele estar comigo! Uma pontinha de dor me incomoda, mas a afasto antes que ela contamine tudo de bom que eu havia planejado para o feriado.

― E nem vamos― declaro, e ele me olha surpreso e depois balança a cabeça.

― Seja lá o que estiver planejando, pare. Sempre termina mal.

― Sabe que não vou parar. E quando foi que terminou mal?

Peter deita a cabeça e me olha descrente. Sei que está fazendo uma lista mental de todas as vezes que deu errado.

― Eu nunca fui presa― é tudo que tenho a dizer. ― Will está vindo e tenho pisca-piscas no carro. Já é um começo― saco minha lista do bolso, e Peter sorri assombrado. Sabe que se um dia eu decidir dominar o mundo, nada poderá me parar. ― Bem, se eu for presa, você pode levar peru quando for me visitar.



***


Hello, ajudantes de Papai Noel!

Como vocês estão? Espero que bem.

Como foi o novembro de vocês?

Tenho que deixar algumas coisas claras antes de postar os próximos capítulos:

1- Os próximos serão postados nos dias 05, 10, 15, 20 e 25 de Dezembro.

2- Esta é uma história antiga, mas quis esperar pelo Natal para postar. Revisando, fiquei feliz em saber que minha escrita evoluiu desde então. Ah, por favor, peço perdão pelos eventuais erros, pois como sou eu quem edita, as coisas passam sem que eu perceba, mas vou ajeitar assim que os encontrar ou assim que alguém me mostrar onde estão.

3- Qualquer semelhança com pessoas reais ou eventos reais é mera coincidência.

Será? :)

4- Esta história é na verdade um conto, mas para não deixar a leitura exaustiva, eu o dividi em capítulos.

5- E este conto faz parte de um universo maior. Pretendo postar a história em breve, mas estou trabalhando num projeto enorme agora(qual pretendo contar com o apoio de vocês em breve). A história ainda está em fase de edição e carece da minha atenção, mas posso adiantar que em fevereiro vocês irão conhecer a história de Kate e Colin e rever Meg e Peter nesta desastrosa jornada de crescimento.

6- Por último e não mais importante, espero de verdade que vocês gostem desta história. Assim como a Meg, tenho coleções de histórias frustradas de Natal. Foi assim que esta história nasceu, do desejo de ter um Natal legal para recordar. Eu ficaria muito feliz de poder ouvir suas histórias estranhas de Natal. Se quiserem, por favor, compartilhem nos comentários. Preciso saber que não estou sozinha nessa de Natal frustrado.

Se chegou até aqui, MUITÍSSIMO OBRIGADA por ler.


Até o próximo :)

Dec. 1, 2019, 11:45 p.m. 0 Report Embed 2
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