DOZE FACES Follow story

lireas Tiago Líreas

Um cubo giratório de cor vermelho-escarlate levitando sobre um pedestal de mármore, um homem esquálido de camiseta cinzenta, calças jeans e sapatos e a mortificação e o tormento que pairam sobre os olhos imateriais deste último. O cubo transcende o homem. Em comparação ao sólido, o homem é súbdito, e seu pesadelo intemporal aqui contado é apenas uma ilusão premonitória. AVISO: Contém violência física explícita. [Antecedente de uma história muito mais extensa, já em processo de desenvolvimento. Algumas partes são incompreensíveis sem ter a obra completa, mas creio que isso não comprometa a apreciação da porção do enredo compartilhada nesse "conto". Boa leitura.] {<<< isto Será removido quando a versão completa for publicada}


Science Fiction For over 18 only.
Short tale
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Da mani(n)festação à restauração da ausência

Tied to machines that make me be/Cut this life off from me/Hold my breath as I wish for death/Oh please, God, wake me (...) Darkness imprisoning me/All that I see/Absolute horror/I cannot live/I cannot die/Trapped in myself/Body my holding cell

*

Come crawling faster/Obey your master/Your life burns faster/Obey your master/Master/Master of puppets, I'm pulling your strings/Twisting your mind and smashing your dreams

— Metallica, respetivamente One (1988) e Master Of Puppets (1986)






O espaço é tenebroso e afônico, para além de desprovido de tempo. A existência — ou inexistência — aqui — ou em nenhures — é recoberta por um breu típico de visiva toldada pela pele de cobrir, e mudez idêntica àquela contra a qual os moucos de enfermidade tardia tanto propugnam. Nirvana imperturbável e nulidade de distrações capazes de causar temores imediatamente crônicos a qualquer ser que seja humano que, por desejo da mão do destino, fosse incluído — ou esconjurado ao cárcere perpétuo — neste amplo vazio de obscuridade. São elocuções adequadas, não obstante o drama escusável.

Acontece que os espectadores não quererão permanecer caso o cenário se mantenha imutavelmente como uma lacuna, afinal não há conto se não houver, ou existir, mesmo havendo prolixos colóquios entre o orador dos dedos e o ouvinte dos olhos. Haja só protelatório, será um palavrório. Então entra o interruptor, ou ao menos o seu timbre. Seu acionamento leva à incorporação daqueles que vieram para preencher a lacuna, iluminando-os, mas — como holofotes concentrados somente nos corpos através de detectação de calor —, apenas a eles: um homem de barba e cabelos mal cuidados, atônito e simultaneamente confuso, cujas vestimentas já foram caracterizadas por paralelas palavras, o cubo cujas capacidades levitacionais e outros pormenores também estavam incluídos nas descrições paralelas e, por fim, o pedestal que serve como cama de flutuação do cubo.

O homem veio aqui parar à espera de um ambiente de inexplicabilidade invulgar, todavia o fato de ter perdido acesso aos seus painéis de controle corrompeu o seu sentimento de segurança definitivamente, já ameaçado previamente pela falta de informação sobre aonde iria parar. Não sabia dizer se era uma falha do sistema, da sua visão, ou um erro do sistema causado pelo mundo sombrio que acabara de adentrar, sendo esta última a opção mais verossímil, tendo em conta que o sistema era impecável e que sua visão estava perfeitamente lúcida.

Não conseguia sair de lá, não conseguia parar. Suas conexões com o corpo real estavam cortadas. Ou será este o meu corpo?, foi uma voz interior que percorreu suas cordas de falas falsas acompanhada de ideia, esta última acompanhada de choque espantado que assomou ao homem após averiguar que tinha as suas roupas e seus mesmos pêlos desprovidos de cuidados que tanto desprezava olhar em vida.

Era uma exata reprodução do seu eu verdadeiro, assim não soube dizer se o mundo fora fabricado com a intenção de copiar a imagem do utilizador ou se o personagem em que era suposto se ter tornado havia falhado em se conceber. Esta linha de pensamento descarrilou bruscamente no momento em que o homem verificou, quando ansiou por acalmar-se de algum modo, que não era capaz de fazer sons com a boca; ela não estava lá.

Uma implosão inaudível ecoou dentro de si quando procurou expelir o susto com um grito, e depois gemidos. Perscrutou com o tato o resto do rosto e sentiu apenas o nariz, o resto era a pele rugosa com que estava acostumado. E tudo isso teria levado com a maior das placidezes, não parecesse isto tanto com a realidade — estava à espera de ficção quando se voluntariou a aqui visitar; quiçá fosse, contudo era demasiado real.

Fosse como fosse, o mundo claramente ansiava por que ele deixasse de se importar com suas próprias adversidades, e que prestasse atenção à mensagem — muito superior ao seu medo do desconhecido —, que pretendia passar. O cubo variou seu brilho, para demonstrar ao homem o que verdadeiramente era de relevância no momento em questão, pois ele era criatura frívola, e o cubo compreendia-o até aos átomos; a visão do homem estava agora impossibilitada de escapar da intensidade e encanto dos raios de luz vulcânicos que o sólido emanava de si próprio. Seu pequeno espetáculo finalizou-se quando a atenção do homem estava seduzida.

O cubo não se expressou de modo a fazer com que o homem olhasse para este, mas de maneira a que ele se apercebesse de que os seus arredores deveriam ser o autêntico interesse então, não a sua face sem rosto. Sim, o brilho levaria mais atenção ao cubo, mas o objetivo anteriormente referido seria alcançado quando o homem ponderasse se aproximar deste mesmo.

Ele encarou, num tipo de contemplação desesperada, a figura do cubo por alguns instantes. A sua luz abundante funcionara; o seu interlocutor estava agora investido em entender o meio que o cercava, mas primeiro de tudo o objeto esotérico logo à sua frente. Levantou-se de sua posição de derrotado para aproximar-se do cubo. Seu movimento era tentador; precisava inspecioná-lo mais próximo de si.

Alguns poucos passos foram dados na direção em que não devia se ter direcionado. E sua boca teria agora disparado um bramido grosso e estridente caso estivesse no rosto do homem, mas não estava, então o homem apenas realizou um espasmo repentino de todos os seus membros e debateu-se, em pé, em cambaleados, como os de um guerreiro que acabou de levar a espada à nuca num ataque intempestivo, e depois no chão, férvido.

Quatro paredes escaldantes visíveis apenas ao serem apalpadas guardam o cubo em todas as direções; o homem descobriu-o ao tornar a metade do seu rosto plano, e pelo menos um terço do resto da sua pele, castanhos, escuros ou encarnados, com nítidas bolhas dispersas.

Talvez a sua falta de comunicação oral agora fosse um regalo. Assim não teria de lidar com o eco da sua aflição, disseminada em repetições de gritos esfolados que nunca esperaria fazer durante a sua vida de sofredor, e que felizmente não seria capaz de fazer aqui. Estava mais uma vez em sua posição de derrubado-pelo-mundo, agora com uma pequena quantia maior de honra. O silêncio afastado somente pelo som de fritar de alguns cantos de sua carne.

Considerou continuar deitado, absorvendo a dor, à espera que passasse rápido, assim como esperava que esta realidade — que por alguma razão não era mentira da sua mente — acabasse por ser uma mentira do sistema. Mas a dor não passou. Não tinha experiência com queimaduras, mais porque não tinha experiência num geral do que por astúcia, e por isso teve a certeza que a dor não se dissiparia até que fizesse algo novo; imaginava que era o que aquele mundo queria.

Então, mais uma vez, iniciou o doloroso processo de se erguer, não por confiança ou determinação, mas por evidente falta de alternativa — para além de outro gerador de ambição que surgia agora dentro dele —, ou morreria por outras causas, se isso fosse possível.

Ambos os joelhos e ambas as mãos postas no chão, e os olhos voltados para as mãos: não pareciam mais suas, porém usá-las-ia o quanto necessitasse, dado que ainda eram suas amigas; hediondas, mas amigas. Ajustou as pernas. Um joelho e um pé o sustentavam. As mãos agora eram suportes de impulso.

Por fim, dois pés o sustentavam!, sem contar a feroz força de vontade alimentada pela chama que seu ego castigado tinha consumido; imaginava que estaria provando algo se conquistasse o próprio corpo pesado por causa da maceração; considerações fúteis, mas evoluiu, notou o cubo.

Quase derrubando-se, retirou o seu sapato e atirou-o em direção ao cubo com um plano em mente. As quatro paredes manifestaram-se mais uma vez e incineraram o objeto, impossibilitando a sua reutilização. A nova aparição momentânea foi suficiente para o homem calcular o seu perímetro aproximado. Usou o conhecimento para saber por onde não andar agora, apesar de à volta do cubo parecer o único lugar por onde poderia andar. Todo o espaço adjacente a este era uma negridão impermeável, profunda, como se fosse o vácuo em si.

Seguiu a passo brando com o dedo indicador esticado muito à frente, temendo desvendar outro engenho de morte. Menos de meia dúzia de metros de distância do cubo, descobriu outro limite, este oculto por completo. Não o queimou, nem o feriu de qualquer outra maneira. Era apenas uma parede, ou um paredão, pois esta claramente era de dimensões muito mais extensivas.

O homem viu-se estupefato após algum tempo ao notar que eram também quatro paredões, todos aparentemente da mesma distância um do outro, todos destituídos de visibilidade, todos largos e altos, todos idênticos. É uma prisão, concluiu, quando certificou-se que nenhuma das paredes levava a qualquer outro lado. É uma jaula! Estou preso...

O cubo pareceu aperceber-se de sua revelação: no mesmo momento do Estou preso..., lançou uma descarga elétrica de estalo ensurdecedor, e depois mais uma, para depois empurrar o homem à parede à qual este estava mais próximo com uma poderosa pulsação de ar vindo do seu cerne. O homem sentiu o fim naquele momento, ou algo pior. Viu aquelas demonstrações como uma maneira de comunicar-lhe que ele teria sua vida arrancada, ali e naquele instante, fosse num piscar de olhos ou deitado numa poça de tripas, vivo por mais tempo que deveria.

A hipótese pareceu mais e mais plausível conforme o cubo ascendia do pedestal e iniciava uma rotação mais e mais acelerada e alterando entre direções diagonais e verticais, expelindo partículas fosforescentes que sumiam logo depois de serem atiradas. O cubo provavelmente ultrapassava a velocidade sônica pouco antes de se paralisar de repente, ficando suspendido no ar, com faíscas semelhantes a astros rodeando-o. O homem preparou seu corpo. Mas não era o corpo que o cubo queria.

De súbito o homem perdeu todo seu controle sobre si próprio. As queimaduras já não doíam. Sua carne não cheirava mais a brasas em pontos específicos. Não estava mais rodeado por escuridão alguma. Na verdade ainda estava, mas a sua consciência não permitia que ele se apercebesse disso. O cubo roubara-a, e usava-a agora para dizer algo ao seu cativo.

No início, a visão do homem parecia colidir com várias dimensões concomitantemente. Via-se no seu sofá, em casa, deitado e acordando, depois voltava para próximo do cubo, e depois via e vivia as duas cenas ao mesmo tempo. Sentia-se em bom estado e ao mesmo tempo como se estivesse nas labaredas de uma fogueira, pior que antes, dentro das quatro paredes. E depois via pessoas que havia conhecido e que gostava, e que não conhecia, conversando com ele, sorrindo, desinteressadas, fingindo sorrir. Talvez a visão intrínseca mais perturbadora: viu-se morrendo várias vezes seguidas e gritando cada vez mais alto e lancinantemente a cada vez que via alguma das armadilhas de sublime crueldade dizimá-lo. E por fim sentiu estabilidade na sua realidade. Sua visão esteve turva e ébria durante alguns momentos, e um prolongado zunido ocupou toda sua audição.

Estava em algum lugar parecido com a câmara do cubo, sendo as principais diferenças deste novo espaço a sua profusão de plataformas — colocadas próximas do teto, muito acima do homem — e o fato de ser muito mais largo em sentido vertical e horizontal — o terreno do chão tinha por volta de uma centena de metros quadrados de espaço ocupado, e o mesmo para todas as outras faces —, tudo isso sem se desfazer da cor negra para todas as paredes, todo o chão e todo o teto, e também para as plataformas paralelepípedas, com uma pequena, mas notável, dissemelhança: as arestas das superfícies eram determinadas por cores, iguais em todo o lado, mas mutáveis, passando de cores reminiscentes de morte a cores de ledice, e de ledice para morte. Mas não estava dentro do lugar, notou. Havia uma espécie de retângulo transparente, da mesma altura que a dele e do comprimento que o homem teria se estivesse deitado, que o separava de lá, estando ele do lado de fora, onde só havia nicles.

Ao longe, no alto, viu seu eu deste mundo — sem olhos e boca —, correndo e saltando erraticamente sobre diveros blocos retangulares, que sumiam e reapareciam. O espavento de ver-se a si próprio fora de si não foi tanto quanto o que ele sentiu ao se aperceber sobre o quão infeliz e desesperançado ele parecia ao realizar os pulos e corridas que tinha de executar para seguir às proximas corridas e próximos pulos.

A cena capturou a atenção do homem observador até ao ponto de não querer perder os detalhes dos ruídos dos passos distantes do homem aventureiro. Olhar para si próprio era tanto curioso quanto deprimente; uma mistura de colar os olhos de qualquer fraco. De repente, o homem aventureiro cai, e a atenção do homem observador perde o seu foco: a violência da vista afastou o seu olhar. Ao falhar um salto, o homem aventureiro despencou com aceleramento fatal. Seu corpo estabacou-se com tal força que sua cabeça rompeu-se em pedaços no vácuo tangível que era o chão daquele lugar, atirando sangue à parede do homem observador. Em algumas partes seus ossos perfuraram a pele e ficaram alongados fora do cadáver, deixando os membros possuidores destes flácidos e moles. Os restos estavam arruinados e esfacelados.

O homem que acabara de presenciar o impacto afastou os braços do rosto apenas para poder saber o quão grave tinha sido o estrago, não desejando o ter feito. De qualquer modo, não conseguia tirar os olhos do cadáver. Não porque não queria, mas por que não conseguia mesmo. Havia perdido a sua capacidade de visualizar ao redor, como se alguém estivesse segurando sua cabeça e puxando os olhos pelas covas para que não deixasse de olhar. E para explicar isso, uma voz, que parecia vir acompanhada de várias outras vozes de tons agudos e graves, mas que diziam todas o mesmo, em velocidades e níveis enfáticos diferentes, numa linguagem que o homem não conhecia, mas que entendia perfeitamente — sua consciência traduzia espontaneamente os significados de cada sílaba:



Ĕ̶͕̀̂̑̋Ļ̶̙͖̺̲̖̅̃̎͐́́́̊̀̄E̶̝̼͇͕̩̣͛̍̿̈̋ ̴͎̤̣̓É̵͓̔͛̃͌̐̀̊͊Ş̷̗͙̝̘͙̒̇ ̸̧̛̰͓̼̰͉̙͌́̋̄̂͋̈͠͝Ţ̴̩͊̋U̴͍͐͒̍͝.̷̨̣̱̮̲͖̤̖͆̾͝ ̸͚̮̫̯̮̦̲̼̞̤͊E̷̫̲͙̐̋͝͝ͅL̶̥̲͎̯̬̰̻͕̗͌ͅȨ̵̼̩̏̕͜ ̸̱͆͛̐̾̌̀̌̕͠S̶̨̜͙͎̹̮̟̬̑̎͐̂̈́ͅE̴̛͙͖̺͓̫̔͒̓R̸͈̮̫̪̈́̀̃͂̂̈̒́͘Á̶̗͊͛͛͆S̸̱̤̰͌͌̑̈́̾̔ ̶̛̲̠͕̘̼̏̇̊̈́͂͂͝T̸̡͍̮̗͓͕͓͕͋̑̂̎̂̽͝͠U̷͇͕̩̥̙̓̂͂̓̐̀̍̂̎̕.̷̲͚̤͓̞͓̬͍̺̊̄̽̈́͌͜



Então o homem observador voltou a ter a sua capacidade visual completa, muito assustado. Ouviu os passos longínquos novamente. Mal teve tempo de se recuperar das estranhas sensações de há pouco, quando mais um homem despencou e embateu estrepitosamente com o chão, lançando um braço na direção da parede protetora, tingindo-a, logo após o barulhento som de ruptura de estruturas ósseas se verificar de novo. Desta vez o homem aventureiro não morrera, e agitava-se com uma evidente exasperação tortuosa. O homem que havia caído obviamente não conseguia gritar, mas o seu observador conseguia facilmente desenhar na sua cabeça um universo onde aquele desafortunado tinha uma boca e estava a usá-la a toda a sua capacidade.

As vozes retornam, e a visão do homem encadeada nas convulsões extasiadas do outro:



O̶̩̺̙͋̈́͌̈́B̶̞͔̲̬͈̭̥̑̍̆̋̋̀̂͘͠͠S̶̡̢̺͔͙͍̮̣̦̲̀̾̊̌̒̾̋̕͝E̷̱͚̲̣̘̲͓̻͍̓̎̅̀Ṙ̵̨̼̤̗̠̘̫̜͆̾ͅV̸̲̗̘̺̭͔̬͑̒͂Ą̷̛̺͈̤̱̉́̄̆̀̕͝.̶͉̤͖̺͍̘̱͘




Ele não queria, mas estava sendo constrangido a fazê-lo novamente. Enquanto o homem aventureiro que se torcia e retorcia, com o seu espaço ao lado esquerdo, onde era suposto haver axilas, jorrando o detestável líquido avermelhado a montes, um cubo da cor do homem, muito mais largo do que o que o homem observador tinha visto antes, despontava no céu do lugar. Despenhou logo de seguida, ultrapassando como um os obstáculos físicos que estavam em seu trajeto vertical e avançando com tanta velocidade quanto o próprio homem caído. Estava claro desde o momento que o sólido surgira qual era o seu propósito, calculando pela sua colocação em relação ao homem. O aventureiro não tentou escapar; de fato, aceitou com alívio, e até se ajustou para que o impacto fosse em cheio. A queda concretizou-se, e o alvo foi reduzido a massa pastosa debaixo do bloco e a pedaços dispersos, que se propeliram do corpo no momento da descarga, ao redor do buraco negro — agora de um vermelho denso nas outras três paredes negras, e na do observador.

O homem observador teria disfrutado dos olhos ou da boca para uma disparidade de utilidades neste momento: vomitar, chorar, por exemplo, isso é, se a coisa que tolhia os seus orgãos mais básicos o permitisse. Só queria deixar de ver; que lhe cortassem, furassem ou arrancassem aquelas execráveis esferas que não conseguia sentir, instrumentos terríveis companheiros da aflição; não se importaria. Mas a força escondida deu-lhe trégua, antes que o horror decidisse por ele que nunca mais deveria abrir a visão sem olhos, ali ou em qualquer outro lugar. E disseram:



Ẻ̷̱͉̩̱͆́͛͂͝͠͝͝S̷̨͓̮͍̈́̄̉̈̿̈̀̈Ṭ̵̡͍͇̮̼̳̔Ȩ̴̛̛̣͍̫̬̟̱͒̏̉̈͋͒̿̚͜ ̴̡̖̮̗͓͗̇̐͌̎́̒̾̕̕T̶͔̗̮͙̦̼̺̿̍A̸͙̬̭̩̱͔͖͌̀̆̈́M̸͉̬̿̆̉̑̈́͝B̸̫̣̖̲̆̽̐̕É̴͙̰̦̯͉͍̬͊̽͝M̴̛̬̪͇̺̳͗͒͜ ̵̼̯̠̜̞͍̒́̈̃̆͜ͅS̷̙̊̃͑̉̄̐̃̐͝Ȇ̴̬̝͙̮̭̳̼̯̟̔͛̌͋̚Ṟ̷̢̦̥͖̅͐Á̵̘̼͔̼͍̯̟̩͔̪̊S̷͓͛̎̂̈́ ̵̯͉̤͈̺͊͝T̵̼̫̭̜̭̺̻͎͖̊̑̑͆̓̍͂̕Ṵ̷̗̻͕̝̑͆͌̔̾̓͂̈́͠,̴̜̰͍͓̃̿̽̓̈́̇̕ ̴̧̰̫̦̳̍͂̃̅͑Ë̵̛͍̬̹́́͒̂̉̋̈́̕͠ ̶̳̖͍̼̒͂̽͊̕͘̕O̵̮̖̟͕͂́͛̿̿S̸̢͙͖͉̞̫̙̹͕̎̃͊́̈́̏̿̓ ̸͇͓̮͘P̸̢̙̗͕̺̙͊̆̃̔̐͆͝R̵̙̆̔̏͛̂͝Ó̴̢̢͖͙͇̥̮̌̉̒͜X̷͈͍̟̺̗̬̏͜Ị̶̬̟͆͛M̵̧̡̛̬͎͕̙͎̬͑́Ö̴̩̪̭̜Š̵̥̬̪̺̱̝̞̈́̐̿͑̐ͅͅ.̴̜͖͊́͛̔͐̀̂̚͝



A partir deste momento, o homem entra numa espécie de sessão cinematográfica manipulativa, ainda controlado pela autoridade mística do cubo, e mais uma vez com seus olhos regidos por outrem. Aqui assistirá a várias cópias de si próprio — ou do homem aventureiro —, como protagonistas da história a ser contada na sessão, em diversos pontos de vista, como câmeras alternantes, que permitiam a visualização de cenários similares, porém sortidos, ao último.

Aqui — ou ali, e depois acolá — vão matar-se, com semelhantes amargura e furor emocionais estampados na gesticulação dos seus membros, queimando-se, cortando-se, rasgando-se, dilacerando-se, esquartejando-se, contundindo-se, quebrando-se, despedaçando-se, fraturando-se, rachando-se, triturando-se, fragmentando-se a si próprios, despejando-se no chão transformados em polpa, de novo e de novo e de novo, enquanto correm, saltam, param, agacham, deitam-se, desviando de cubos ardentes, que vêm incendiando o ar de todos as direções, como projéteis de caça forjados com titânio, capazes de esmigalhar seus crânios e expôr suas carnes através da rigidez e temperaturas das suas abrasivas concretudes metálicas. Sem pararem, tudo coreografado pelo desejo selvagem de alguma maléfica entidade oculta.

O homem viu-se expirar em milhares de maneiras diferentes em curtos intervalos de segundos, e depois milissegundos. Houve momentos em que tudo que via ou ouvia eram flashes instantâneos de jorro sanguíneo, fosse mais ou menos volumoso, ou mais ou menos ruidoso. Tudo que sua audição captava era o quebrar de ossos, o maciço estampido de rochas chocando-se entre si, irrupções de fogo e de eletricidade e de outros elementos indistinguíveis, sussurros cortantes de metais e os seus contatos fatais com a pele, o ranger e roer de máquinas estrondosas, o assar de epiderme, os sopros invertidos de velozes cubos passados próximos do homem, e os que acertavam no homem, de eficácia desconstrutiva brutal... Loucura cônscia penetrava-o.

O efeito das cenas foi tão extraordinário no observador que ele começou a sentir a dor. Cada lesão, cada ferimento, cada calidez cáustica começou a se acumular no seu próprio corpo, como se fosse ele a afligir-se e não o soubesse. Era como se estivesse nos dois lugares ao mesmo tempo, e aquela cópia sua não fosse separada de si, mas pertencente ao mesmo ser, um organismo capaz de ser mais de um, de existir aqui e ali; o que um sentia, o outro também sentia. As formas de violência que arrebatavam sua essência, como o faziam ao homem aventureiro, foram tão impetuosas que sua matéria foi aniquilada, consumida em meio a pseudogritos confinados.




O homem observador então vivenciou aqui o que é se conectar animicamente a outro. Sua mente, constituição física e o que havia para além do físico em si, ligados como se a cabos elétricos de uma máquina geral, um ao outro, profundamente. Sentiu a angústia do outro, o seu desespero, seu desejo inundado em lágrimas que não podiam sair de que esse ziguezague de martírios acabasse de uma vez por todas; que o retirassem do sistema, por favor.

O homem começou a captar vocábulos, alguns embaçados, outros claros como cristal, que vagaram em seu consciente durante todo o tempo que a ligação durou, vindo, sumindo e voltando. Palavras que pesteavam o aventureiro e que não largavam a sua mente:


วนlງค๓ēຖt໐Ş... ᵐᵒʳᵗᵉ... ɱãɛ... ɐdlnɔ....


RVA... ժҽʂçմӀքą... ฿ɄⱤ₳₵Ø... フㄖgㄖ...


cubo... ცơƖą... VOZES... 千丨爪


E durante breves e inesquecíveis momentos, experimentou a sensação mais fantástica da sua vida. Não se sentiu real, mas num lugar onde a paz era possível. Por preciosos minutos — se é que estes fossem contados aqui —, a dor cessou. Estava flutuando no vazio, mas agora não era escuro, era claro e foi a maior claridade que viu em toda a sua vida. Estivera com os olhos cerrados por muito tempo enquanto se sentia ligar ao outro homem. Agora abria-os como os abrem um recém-nascido, porque era como o homem observador se sentia. Aqui não era o mundo. Era outro lugar, onde ele acabara de despertar de um adormecimento inexplicável.

Estaria ele morto, e isto seria a vida após a morte?, foi o que lhe passou pela cabeça ao olhar para o vácuo nevado. Mais pensamentos fúteis, determinou o cubo, anexo ao subconsciente do homem.

Após mergulhar durante algum tempo no abismo de luz, o homem encontrou o seu semelhante. Estava imóvel, ensanguentado e de olhos fechados, voando sem seu consentimento a alguma direção desconhecida. O homem observador o olhou muito próximo, analisando cada detalhe do dano causado pelo mundo em que ele se encontrava, sem saber o que fazer. Tentou acordá-lo mas era inútil. Ele não iria acordar. O observador soube assim, sem saber explicar por quê, que aquilo acabaria naquele mesmo instante, mesmo antes das vozes regressarem, dizendo:


B̶̜͙̰̒̒͛͝͠Ă̷̱̮̩͍̙̖̖͈̻̣̌̅͂͂̑̏̎͘S̷̨̢͕̫͙̤͕͛̂̂͊͘T̶̹̓̏̋͑͆̕͜Ą̸͎̂.̸͖̳̀̋͝ ̴̧̠̗̗̫̰̻̾͆̀͝Ä̸̛̮̰̗̙̥́̈̔̈́͌́͜͠͠G̴̡̡̝̯̙͔͋̐̈͗̐̕͝Ǫ̸̛͉̻͇̣̲̬͕̜́͒R̶͉̠̬̹̻̗̰͂́̀̂̉̽̚͠A̵͔̼̻̥͎͇͔̠̞͂͗̅͠ ̴̨̬̠̗̼̳͔̺̭̅ͅḐ̷͈̠̱̺͕̝̚ͅȨ̸̹̘͎̝̗͔̞͍̊͛̓̾̈̏͋͘͜͝V̵̯̜͖͙͓̯̹̒̐́̂̄͘E̸͎̰̗͇̰̮̲̱͊͊͌̂̌͘̚͝͝ͅM̶͍̝̎͐͐͑͛̑̓͘̕̚O̵̧̙̰̪͚̦͚͔̟̣̎S̵̬͉̟͈̺̣͇̰̀̏̂̌̊͗͘͝ͅ ̴̢͎͎̺͙̮̥̬͈̊͋̈́͋̑͗̇̚T̶̥̲̭͔́͌̅͝Ȯ̸̞̗͚̔͗̾̍́̎͗Ṛ̷̡͖͔̜̼͉͋̌̓̓̀̕͝N̵̺͉̺̳̝͕̈́̀͘͜A̶̰̔̈́͝R̷̬͕̹̬̞͕̞̒̃̒̍̎̅̕-̷̨͍̻̜͈̭͇̘̣̀͊̍́̚͝͝T̶͈͚̜̓͛̈́͗͜Ẽ̷̮̘̑̿͘͝͝ ̷͉̰͎̬̔̍̊͌͂̉̕N̷̳͈̲̹͖̓͋͑̀̊̓̚̚Ĕ̶̛̛̪̱̘̱̖͖̮̰̞̞̾̆̇̇͝Ļ̸̱̹̙̟̞̾̎̃͋̕͝Ȩ̸̬̥͚͍̘͗͜͜.̴̨̢̡͇͉̣͓͎̳̓̊͂̆͌̓̓̐̕͝ͅ



Enquanto as palavras eram proferidas, a cabeça do aventureiro foi cortada, revelando diversos fios elétricos azuis e vermelhos faiscando no seu pescoço e da parte inferior do órgão decepado. E, sorrindo de olhos arregalados, voou ao infinito como um foguete, ainda separada da garganta. O observador viu ao seu redor a realidade desmoronar-se e então perdeu sua habilidade de flutuar, caíndo abruptamente na negridão. Seu corpo o avisava mais uma vez das queimaduras, e ele teve a certeza que estava de volta. Conseguia olhar em volta, então se virou no chão, dificilmente, para encarar por uma última vez o ser que o transportara para o sonho mais surreal da sua curta experiência como personagem, ou escravo.

Ele ainda não sabia que o cubo era o próprio segurador daquele pequeno universo. Ele era a matéria, o tecido e o caos que estruturava o espaço, o tempo e a dança molecular que revestia o homem e todas as restantes partículas intangíveis daquele compartimento de trevas. O cubo era o que puxava todas as cordas da ação para fazer certos objetos aparecerem, desaparecerem, moverem-se para ali, sairem do lugar. Fazia mudar, fazia permanecer. Tornava o homem e todo o resto possível, e impossível, e era capaz de tudo, e nada. O que acontecia ali não acontecia, mas as pessoas verão, e o homem viu (e verá).

A forma geométrica era apenas um modo de esconder o essencial — porque não era o cubo que fazia papel de nume, mas o que o cubo conservava — e também uma forma de fazer o homem, junto com pessoas que ouvirão sobre ele, refletir, e perceberem que tudo nesta escuridão viva tinha sentido. Um cubo não se escolhe por acaso, nem um meio de tortura, nem um meio de matar, como o que o cubo utilizaria agora. Antes de o empregar, porém, queria que a criatura, que o encarava com dores em todo o seu ser, entendesse que não estava aqui para compreender, mas para sofrer, e que isto era apenas o começo. Virá outro. Este outro será o seu sucessor, mas também será ele. Será o aventureiro. E apenas o aventureiro poderá compreender, se vencer o sofrimento. O homem não sabia disso, e só chegaria a saber quando se tornasse no seu sucessor.

As vozes disseram, todas ao mesmo para as últimas palavras:


A̵̦̼̫͊ͅ ̶̡̨͖̦̦̠͖͖̎̆͊̒́̃̄̎́Ć̷̬̦̼̱̝̍̾͊͋̓̊͠͠Ä̶̼̦͚͓̥̦̻̙̝̓̆̀̏͐͌̉͜R̴̛̩͒̊͑̂͂̊̂̾̕͜Ń̸̼̗̲̒̀͛Ĩ̶̛̯͇͈̹̳̣̮̦̰͊͘̚͝ͅF̷̨̘̹̙̪͚̉̈́͌́́́͠Ḭ̶̡͚̙̈́̊͑́̍͜C̶͓̯̙̖̳̹͙̾Į̷͆̀͗̈́̑ͅÑ̴̰̦̲͓̬̻̃̌̕A̶̧̨̖͍̲̼͕̠̯͋̀̀̽̊͌̅̅͘͝ ̶̧̣̻̻̙̞͓̀̾͐͂̈̇̉̅̽̀ͅA̵̩̪͉͗̑̃̉́̏̓́̌P̶̡̩̩͍͔̘̖͈̳̋̈R̷̟̣͎̰̟̦̔͋̄̅̎̈́̈́̌̕͠Ō̵͖̬̮̹X̵̛͔̠̭̤͗̽̑̏̋̓̒I̸̛͙̬͆̑̌̂̅̕͝Ḿ̶̢̧̼͔͎͕͉͓̖̿͗̆Ą̷͖̠͈̩͕̺̩̣̈́̈̏̐ͅ-̴̛̩̪͐̿̆̄̒͌̚S̸̤̗̲̼̲͖̗͌̏͘E̶̡̥̬̥̮̞̦̣̦̪̊͊̓̃͆̅͒̎́͘.̵̪̬͕͎̘̙̉̏͊̔̊̏̿̓͝ͅ ̸̡̧̲̳͔̦̉̋̋̑͘̚̕͝Ẹ̸̡̢̻̠̝̈̄̔̄̈́̊͑̀ ̵̞͍͚̞̹́̓̅̋͜͠T̷̞͙̪̲̱̦̖̭̽̐̈́̂͜͠Ǔ̵͓͔̤̈́͆̋́͂͘̕͝ ̴͓͕̊͗F̸̜̔̒̓͆̉Ą̶͖̩̙̹͎̊̓͋͌͆͆̈́̍̄͘R̷̢͕͔̲̞̝̘͕̘̈́̈́̈́Á̴͙̓͗̾̌̈̈͐̕͝Ś̴̼͖͇̥̱̩̄͗͆͘ ̴̥̘̙͕̮̗̦̌̃̂͌̈́̓͠P̸̰͔̀̀͒A̵̛͈͎͖̩͍̹͎̒̊̒͒͜Ȑ̵̭̠̟̠̰̣̙̐͛T̴̡̧̖̫͎̳̙͎̱͛͐̽̏̒̾̾͝E̶̡͊̀̽͊̄̓̂̏̂̒.̶̦̪̱̰͓́̐̔͌̾̾͝ ̸̗͉̟̃͆̏͠͝A̷̗̦̹͈̳̪̞͙͔͐͐̾͗͗̏̒̚͝Ĝ̴̡̧̢̳͚̗̻̪̼̚Ó̸̠̖͈͑͂̈̾̃R̶̻̯̻͐̆̕A̸̩̾̄̉̑̈́̽͠͠͝͝ͅ,̴̳̥̞̝̣͎̥͐͆͂̉̒̕̕̚͝ ̸̤̼̭̤̰̙͖͊̊͐͆̔̉̍͘͠͠Ȑ̸͚̞̞̈͗͑͂̇̚͘É̵̡̞͙̰̯N̸̢̻͍͆̔͛̑͗͒̉̿̋͠Ą̵̩̬̰͉͕̐̑Ŝ̶̨̧̢̯̤͐̾̒̋̽͠͝͝Ç̵̥̖̣̙͔͉̖̜̳͛̍A̵̡̨̳͇̞̬̩͂.̶͓͍͆̓̈́̋̆̉̿͝


E o homem perdeu o controle de si próprio pela última vez. Sentiu tudo que havia nele de humano ser agarrado. De nível muscular a celular, tudo estava sobre a posse do assassino. Então foi arremessado contra o teto como um tiro, e depois a uma das paredes, e à parede paralela, e ao chão, depois em várias direções em velocidades incalculáveis e desafiando toda a aerodinâmica conhecida, contorcendo e deformando a sua fisionomia a níveis irreparáveis e abatendo-o de percussão em percussão, pesada e lentamente.

O interruptor ouviu-se de novo. O breu viu-se de novo. Mas o silêncio não estava lá. Os ressoares, agora mais lentos e mais fortes, da espinha do homem se dobrando de novo e de novo e do seu corpo esbarrando ainda permaneciam, e permaneceram por mais tempo, até que a espinha já não se podia dobrar mais e o seu corpo já não tinha massa suficiente para fazer barulho ao bater, então as outras partes tomaram conta, indo contra as paredes, pintando-as de vermelho. Assim foi até nascer o homem do cubo negro contíguo, que continuaria a alma do despedaçado. No entanto, a história deste não deve ser contada no mesmo plano.



Aug. 20, 2019, 9:19 p.m. 3 Report Embed 6
The End

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Tiago Líreas à espera — mas não só, claro — de que eu alcance algum "sucesso" no mínimo moderado pra que não precise mais me explicar como escritor ou pessoa, ou me justificar, numa caixa de texto tão insuficiente

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Rodrigo Borges Rodrigo Borges
Gostei da incompreensão do personagem, ela traz à tona um terror cósmico do qual eu sentia falta. Aprendi novas palavras também, então não saí apenas com uma boa experiência. Porém, havia algumas cenas que a palavra "aperceber" se repetia muitas vezes, o que eu não achei muito agradável. Houve também muito uso de advérbios terminados com -mente, o que eu não acho muito legal; mas eu mesmo acabo usando, então... é um hábito que tenho (quero) perder. Bom, desculpe se faltei com delicadeza, no geral sua curti muito sua história, e os pontos negativos que ressaltei são opiniões pessoais; pode ser que esse seja o seu jeito de escrita, e eu não tenho nada a ver com isso.
Sept. 2, 2019, 3:30 p.m.

  • Tiago Líreas Tiago Líreas
    Que nada! Agradeço muito por apontar as imperfeições e por comentar. Ao longo do texto eu próprio também notei a quantidade inadequada de advérbios desse gênero, mas já tinha feito tantas alterações recheadas de adições no texto que eu achei que era melhor só deixar como estava, sabendo que teria de reescrever grandes porções se fosse pra trocar os advérbios por algo diferente ou por sinônimos destes, sem contar as edições que teriam de vir consequentemente na versão em inglês. Esquecendo isso, fico feliz que tenha gostado. Sept. 2, 2019, 3:46 p.m.
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