DOMUM Follow story

gs_sam_naiti Allan Coelho

Domum. -Estou de volta ao lar. -Não sei onde estou. -Nunca estive tão feliz em minha vida. -Estou em total desespero -Nossa terra é tão linda. ... DOMUM DOMUM


Short Story For over 18 only.

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Domum

Não era nem tão tarde nem tão cedo, porém me sentia com o mesmo cansaço de quando estava prestes a me deitar, tanto quanto a mesma vontade de não levantar para um dia de trabalho pela manhã, resolvi abrir meus olhos, e me deparei com a imensidão e beleza da praia à noite, percebi que tinha me deixado levar pelo sono enquanto descansava, mas não pude resistir e fui até a água, era como se ela me chamasse com uma voz leve e sutil, deixei com que ela me banhasse com suas leve ondas, nunca tinha percebido o quão agradável era uma praia vazia a noite, mesmo morando próximo a praia, nunca foi de meu costume vir nela a noite.

Eu estava lá e a água, parecia ficar mais agradável a cada segundo, a cada onda, a cada vez que a areia passava pelos meus dedos ou que a água puxasse novamente para sua origem oceânica.

Depois de um longo tempo percebi que eu havia passado tempo demais ali e que provavelmente já era muito tarde da noite, as ruas sempre tão movimentada de carros e pessoas, agora estava quieta com nenhum simples sinal de vida, enquanto tentava ver se notava a presença de qualquer pessoas nas ruas, fui atingido por uma onda e acabei caindo, após levantar, olhei a minha volta e pude perceber que uma mulher estava sendo levada pela água enquanto se afogava, eu tentei correr até ela e quanto mais eu corria parecia que mais longe eu ficava quando acabei por perceber que não sai do lugar

Estava exatamente a frente da minha cadeira de praia onde eu me deitei mais cedo, a mulher ainda estava lá sendo levada pelas águas, pensei ser uma grande paranoia e continuei correndo, quando uma grande onda me encobriu, e eu fui derrubado pela força da onda.

Após a queda, estava bem desorientado, com o corpo dolorido, quando veio a minha mente, a situação que eu estava antes, então olhei para o lado, e pude perceber que a mulher não estava mais lá, corri preocupado que ela tivesse se afogado, porém na hora senti uma mão que parecia ser áspera e escamosa ao mesmo tempo tocando minhas costas, ouvi um zumbido que me passava uma sensação horrorosa, quando olhei pra trás me deparei com um belo rosto de uma mulher, ela disse com uma bela voz "Por que você está correndo, eu estou aqui, não precisa se preocupar?" eu senti uma sensação relaxante e pavorosa ao mesmo tempo, eu estava paralisado olhando para o rosto dela, ela agarrou minha mão com aquelas mãos escamosas e disse para eu não olhar para qualquer coisa que não fosse sua face, eu estava tão paralisado de medo que mesmo se ela não falasse nada, talvez eu fizesse o mesmo.

Fui guiado até aonde estavam minhas coisas, nós sentamos nas cadeiras que ali estavam, e eu estava paralisado olhando para seu rosto, talvez por medo, talvez pela beleza do rosto, talvez enfeitiçado, mas eu simplesmente não mexia nem mesmo o mais leve dos músculos do meu corpo, mesmo apavorado e sentindo sensações estranhas, me sentia como em uma multidão da qual, eu não fazia parte, e nem queria fazer, ela nesse tempo me alimentou com algum tipo de carne possivelmente crua, mas eu não conseguia me mexer para ver o que era, acabei adormecendo.

Quando acordei ela não estava mais lá, aparentemente o tempo não havia passado, pois ainda era noite, parecia que tudo tinha sido somente um pesadelo estranho, mas minha mão esquerda encostou em algo na cadeira de praia ao lado, possuía uma textura muito repulsiva e nojenta, então olhei para o lado e oque estava lá era meu corpo, completamente desfigurado, como se algum animal faminto tivesse se alimentado dele, com uma enorme abertura no peito e no estomago, uma abertura que só algum animal extremamente furioso poderia abrir. Meu corpo estava desmembrado, praticamente irreconhecível, se não fosse pelo rosto intacto talvez eu nem saberia que era meu corpo, os órgãos estavam completamente destruídos, com pedaços espalhados pela areia, naquele momento eu entrei em pânico por completo, lembrei das cenas do aparente pesadelo, as correlações entre os dois que aparentavam ser óbvias eram surreais e horrenda demais para eu aceitar.

Minha consciência e sanidade se foram por completo, comecei a ver vultos, multidões de pessoas indo até o mar, ouvia choros que iam do choro mais inocente de um bebê até o mais horrendo de uma pessoa totalmente aterrorizada, pessoas agonizando de sofrimento, gritando, implorando pela morte, eu sentia como se minha alma estivesse se esvaindo e qualquer sinal de consciência estivesse simplesmente sendo sugado por aquela loucura, quando no meio de todo esse caos, ouvi a risada de uma mulher, uma risada tão pura e tão grotesca, do tipo que uma criança dá quando vê algo idiota o suficiente para satisfaze-la, a risada parecia entrar na minha cabeça mais e mais a cada segundo, até que chegou ao ponto que parecia que era dentro de minha cabeça, e a cada segundo eu passava a desejar para que a morte caminhasse mais rápido até mim, meus olhos lacrimejavam a mais dolorosa das lágrimas, eu tentava gritar, correr, mas meu corpo simplesmente não reagia, até que eu não aguentei e simplesmente perdi a consciência, tudo ficou preto, os sons sumiram, achei ser a morte chegando, e senti a maior felicidade de toda minha patética existência ao achar isso.


Acordei completamente aterrorizado, sentia como se estivesse saído das profundezas de um inferno mais quente que qualquer um jamais imaginou.

Antes mesmo de levantar ouvi uma voz, uma voz que me era familiar, que me era apavoradora, que fez com que eu me sentisse uma criança indefesa e sozinha procurando pela mãe em um lugar desconhecido e hostil, e a voz disse: "Calma querido, está tudo bem, não tem com oque se preocupar, estou aqui para cuidar de você agora" Meu corpo se paralisou por completo, era como se eu perdesse todos meus sentidos por alguns milissegundos , senti uma mão no meu peito, uma mão escamosa, que parecia que tinha vindo direto dos meus pesadelos mais juvenis, quando senti uma mordida leve e agradável com os lábios em minha orelha, olhei para o lado e lá estava a mulher de antes, mordendo os lábios e olhando fixamente para mim, nesse momento eu já estava completamente aterrorizado, e imóvel de tanto terror e loucura que vinham acontecendo, até que ela subiu em cima de mim e começou a me beijar e se despir, seu corpo e rosto eram tão lindos, porém nem meu corpo nem meu cérebro tinham qualquer reação, eu estava simplesmente paralisado, apavorado, ela se deitou por cima de mim, começou a me despir, de cima pra baixo, e depois veio de baixo pra cima com seus lábios beijando meu corpo, ela foi até meu ouvido e disse "Querido, oque foi? você está tão estranho depois de experienciar meu mundo, nosso mundo , o mundo do qual você lutou tanto para participar, mas não se preocupe, em breve nós dois estaremos lá e tudo ficará bem, só me espere, talvez eu chega um pouco atrasada"

Naquele momento eu, eu... SENTI UMA ALEGRIA TÃO PURA E TÃO LINDA COMO NUNCA ANTES, NUNCA SENTI NADA PARECIDO EM TODA MINHA VIDA, ERA COMO VOLTAR PARA SUA CASA APÓS ANOS EM UMA TERRA DISTANTE, ERA COMO SIMPLESMENTE PODER SER VOCÊ MESMO, ERA COMO REALIZAR O MAIOR DOS SONHOS.

Após toda essa alegria e êxtase, eu disse em seu ouvido: "Vamos aproveitar por enquanto, ainda temos algum tempo antes de eu partir querida"

Ela riu e disse "Até que enfim você parece com você mesmo, antes parecia tão sem alma"

E ficamos ali por um bom tempo, foi sem dúvidas a melhor relação sexual que já tive em minha vida, a lua sangrava ao se colapsar com o sol, os peixes do oceano pareciam estar foras de si, tentando sair da água desesperadamente, quando ela disse "Já está na sua hora de ir, vou me atrasar um pouco mas em breve eu chego".

Era como se aquele oceano que tanto se assemelhava a mais amaldiçoada das terras me chamasse, era como se ele me seduzisse, era como voltar a minha casa, e eu fui caminhando lentamente na direção do oceano, os peixes se contorciam, alguns até falavam, imploravam para eu parar, outros entravam em minha frente, mas nada disso importava, eu estava indo até o meu paraíso, olhei para trás quando estava prestes a entrar no oceano, minha amada estava ainda mais bela, parecia estar em sua aparência verdadeira, talvez a uns momentos atrás eu a acharia horrenda, mas eu a achava maravilhosa, e ela estava sorrindo o mais belo dos sorrisos, os peixes cantavam da maneira horrenda sua linda música sobre o eclipse e sobre a minha chegada.

Entrei no oceano, fui caminhando e afundando nas águas, enquanto eles cantavam e terminavam a mais bela música com as seguintes palavras:

"Dominus noster venit in domum suam".Dominus noster Hic, hic sunt in nostro pax est in domum suam".


Aug. 20, 2019, 11:33 p.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Allan Coelho Sou simplesmente alguém com um distúrbio de criatividade que anseia que pessoas leiam suas histórias, sério lê aí < 3

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