O Espelho da Alma Follow story

ceeline Celine Sulenta

Desde do início dos tempos, o mundo humano e o mundo sobrenatural coexistiam. No início conseguiam viver em harmonia, mas por causa de alguns deslizes as diferenças prevaleceram. E nos meados de 507 d.C. só era necessário uma pequena faísca para que uma guerra estourasse. No meio disso Todoroki Shouto, filho de ferreiro encontra um misterioso espelho no fundo de uma caverna, ao descobrir sobre o Espelho da Alma e por descuido ao ter tocado no reflexo do mesmo, Shouto foi sugado para o ano de 2019, onde não existia mais guerra e sim a paz entre os humanos e os seres sobrenaturais. Um enorme conflito crescerá dentro de si. Ficar nesse tempo ou voltar para o seu.


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O espelho

Capítulo I

Século VI - 507 d.C.


Todoroki Shouto sempre ficou fascinado em observar seu pai moldando as espadas, o bater do martelo sobre a lâmina recém tirada do forno. Mas a parte que mais gostava, era quando testavam as espadas, se seus fios estavam afiados e se a mesma duraria em uma batalha.


Seu pai ensinou a seus irmãos como manuseá-las e como forjá-las, assim como também lhe ensinou, após se interessar pelas mesmas.


Mas apesar de ser fascinado por espadas aquilo que mais, não, não aquilo e sim alguém, alguém que lhe deixava fora de órbita e lhe atraía mais atenção e fascínio, era Midoriya Izuku.


Com suas safiras verdes que brilhavam de forma intensa, sua doce e pura inocência que lhe cativavam para a perdição, suas sardas nas maçãs de seu rosto que fazia com que tivesse vontade de apreciá-las a todo instante e o seu sorriso que conseguia derrubar qualquer um.


Midoriya Izuku era uma perdição, sua perdição.


Estava tão absorto em seus pensamentos e com sua guarda abaixada que acabou por levar um susto quando Midoriya, aquele que tomava seus pensamentos a todo instante, pulou em suas costas.


— Parece que derrotei o grande Todoroki Shouto. Acho que alguém precisa melhorar a sua guarda. — Disse num tom de brincadeira.


Shouto soltou uma risada e se virou para o menor, acariciando seu rosto. — Ser derrotado por ti seria uma honra. — Com o gesto afetivo Midoriya sentiu um calor subir pelo seu rosto, amava esse afeto que o maior lhe proposionava, lhe trazia segurança.


— O que faz aqui no topo da montanha, não deverias estar ajudando seu pai e seus irmãos? — Questionou-lhe querendo disfarçar o constrangimento que sentia.


— Gosto de observar a vista, afinal, não sabemos até quando poderemos desfrutá-la. — Midoriya entendeu o que o maior queria dizer.


— Achas que a guerra acontecerá? — Indagou preocupado.


Todoroki soltou um leve suspiro, seu semblante estava sério e não deixou de acariciar um minuto sequer o rosto do esverdeado. — Só é necessário um motivo para ela se iniciar. — O pequeno engoliu a seco.


— Não gosto de mortes, de nenhum lado, não importa se são ou não humanos. — Disse baixinho, como se estivesse contando um segredo. Todoroki nesse momento parou de acariciar o rosto do menor.


— A existência deles é tóxica para nós. — Seu tom de voz era carregado de repulsa.


— Mas alguns são inocentes.


— Eles foram criados por seres malignos, nenhum é inocente. — Midoriya soltou um suspiro, sabia o que o bicolor passou na mão de um sobrenatural e sabia que todos os humanos desprezavam eles, mas condenar todos, Midoriya achava aquilo demais.


— Vamos voltar? — Resolveu mudar de assunto, quando se trata de seres sobrenaturais, nada mudava na cabeça deles, sempre será aquilo que acham e ponto.


Todoroki percebeu a súbita mudança de assunto e resolveu concordar, aproximou-se do menor e selou um longo ósculo nos lábios avermelhados do esverdeado, que não deixou de sorrir, pois apesar da atitude do maior em relação a outros seres, ele não deixava de ser carinhoso e ansiava pelo momento em que viveriam juntos.


[...]


Mais tarde naquele mesmo dia, após retornarem para o vilarejo, o pequeno Midoriya fora ajudar sua mãe na colheita enquanto que o jovem Todoroki ajudava seu pai nos armamentos.


Depois de ajudar o seu pai, Todoroki resolveu dar uma caminhada como fazia todo santo dia, mas nesse dia resolveu fazer uma rota diferente.


Quando menos percebeu seus pés lhe levaram até uma enorme caverna, curioso e aventureiro como é, Todoroki resolveu entrar na mesma, mas não antes de levar consigo uma tocha, pois a noite logo chegaria e não daria para enxergar no interior da mesma.


Quanto mais se aproximava no interior daquela caverna, mais fresco o ar ficava e mais claro, o que deixou Todoroki confuso, pensando se morasse alguém no interior da caverna, pois nada mais lhe vinha na mente pelo motivo da iluminação que ela transmitia.


Seus olhos se arregalaram quando chegou no fim da caverna, ficou maravilhado com o que via em sua frente, ninguém morava naquele lugar, apenas tinha uma pequena lagoa na imensa caverna, sua água era cristalina como se fosse um lindo diamante, e as pedras brancas que estavam no fundo deixavam-lhe ainda mais brilhante, era esse o motivo que se tinha a iluminação.


Todoroki largou a sua tocha no chão, apagando o seu fogo, com passos lentos se dirigiu até aquelas belas águas e sem retirar as suas vestes, apenas os seus sapatos entrou na água, por ser raso não tinha perigo de afogamento, por isso fechou os seus olhos apreciando o momento, a água não estava nem quente e nem fria, estava na temperatura ideal.


— Preciso trazer Izuku aqui. — Murmurou para si mesmo.


Depois de um tempo Todoroki resolveu sair da água e sentou-se na pedra que tinha ali, deixando apenas seus pés na água.


Estava atento olhando para o seu reflexo quando uma luz forte bateu em seu olho, lhe deixando levemente atordoado, olhando ao redor procurando a fonte daquele brilho e seus olhos se depararam em algo mais afundo e escondido na caverna.


Levantou-se subitamente e aproximou-se calmamente ao local, atrás de um monte de pedras tinha um enorme espelho e ao redor do mesmo tinha símbolos que Todoroki não identificava e logo abaixo tinha umas escrituras, passando os dedos levemente sobre as mesmas, tentou ler.


Qui tangit anima mate vestrum adprehendet vos. — Sussurrou, franziu o cenho confuso. — Isso é... Latim? — Se perguntou, leu mais algumas vezes tentando entender. — Tangit é tocar e adprehendet é encontrar, mas o que é anima mate? — Após longos minutos tentando entender o que estava escrito suspirou, precisava voltar para casa antes que ficassem preocupados consigo.


Mas antes de ir embora olhou mais uma vez para o espelho e seus olhos se arregalaram com o que viu, não estava vislumbrando o seu reflexo e sim de outra pessoa, ou melhor de duas, que apesar de serem iguais usavam vestes diferentes.


Todoroki ficou atordoado ao ver dois Midoriya sorridentes no espelho, o mesmo deu um passo para trás assustado e saiu de lá.


[...]


Apesar de ter retornado para casa em segurança, as escrituras sobre o espelho ainda estavam pregadas em sua cabeça, o que tinha conseguido entender em relação a escrita era que se tocar encontrará algo, mas a pergunta que não queria calar em sua mente era, o que era esse algo?


Mas, o que mais estava martelando em sua mente, era a imagem dos dois Midoriya.


No jantar seu pai e irmãos perceberam que estava quieto, apesar de ser sempre calado, soltando um ou outro comentário, naquele momento Shouto estava mais quieto.


Todoroki Enji, seu pai, resolveu questioná-lo, pois estava preocupado com o seu filho mais novo. — Filho, você está bem? Estas demasiadamente quieto.


— Estou bem meu pai, apenas estou refletindo sobre a possível guerra. — E com isso, foi o suficiente para que tivessem um assunto e esquecessem o seu súbito silêncio.


E no restante da noite o espelho ocupou a sua mente de uma forma que não conseguia pregar o sono, precisava de respostas e apesar de saber quem as terias, o ódio que sentia pela espécie era demais.


[...]


Midoriya olhava preocupado para o semblante cansado do bicolor, o mesmo não conseguiu dormir nada, sempre que fechava os olhos a imagem dos Midoriyas vinha em cheio.


— Estás bem? — Indagou o esverdeado, tocando no rosto de seu futuro companheiro.


— Estou, não se preocupe. — E lhe ofereceu um sorriso casto.


Logo o bicolor desviou o olhar e observou seu pai colocando armaduras, espadas e escudos dentro da carroça, o mesmo franziu o cenho e foi até o seu pai.


— Meu pai, o que está fazendo? — Enji parou o que estava fazendo, olhou para o seu filho, e ofereceu um sorriso para Midoriya que vinha logo atrás com os seus olhos cheios de curiosidade brilhando, o esverdeado retribuiu o sorriso.


— Vou fazer uma entrega no vilarejo vizinho. — Respondeu, voltando a colocar as coisas na mesma, Shouto franziu o cenho e se lembrou que tinha uma bruxa solitária que morava no meio do caminho.


— Se o Senhor quiser, eu posso entregar. — Se pronunciou. Uma ideia tinha surgido e apesar de odiá-la, era a única que tinha.


Enji olhou surpreso para o filho, não esperava que o mesmo se oferecesse. — Para mim seria mais fácil, afinal ainda tenho mais serviço, mas teria que partir nesse momento.


— Tudo bem. — Enji bagunçou os cabelos bicolores de seu filho e o agradeceu, voltando a fazer os seus afazeres.


Midoriya olhou preocupado para o maior, enquanto que o mesmo ajeitava o cavalo. — Tenha cuidado. — Pediu.


Todoroki olhou para o pequeno e sorriu, aproximou-se do mesmo e segurou seu rosto de forma delicada. — Cuidarei. Eu te amo. — E o beijou.


— Eu também te amo, volte logo. — Pediu depois de separar seus lábios daquele selar cheio de sutileza.


[...]


Durante a trajetória cada vez mais que se aproximava da moradia da bruxa solitária repensava sobre seu plano, mesmo odiando seres sobrenaturais a curiosidade que tinha em relação ao espelho o fazia esquecer momentaneamente o ódio.


Soltou um longo suspiro ao parar no meio da estrada, olhou para o lado direito da enorme floresta e fechou os olhos, repensando novamente sobre sua ideia, ao abri-los se direcionou até a floresta, adentrando.


Quando chegou na casa da bruxa que ficava no meio da floresta, desceu do cavalo e no mesmo instante a porta da casa foi aberta, para a sua surpresa a bruxa não era como imaginava, seus longos cabelos eram pretos e seus olhos eram ônix e sem vida, engolindo seco Todoroki se aproximou.


— Você é a bruxa solitária, Momo Yaoyorozu?


A bruxa sorriu de canto. — Acho que sabes a resposta. O que um humano faz por aqui? — Lhe questionou.


— Quero lhe fazer umas perguntas e preciso de respostas sinceras. — Ditou, como se fosse uma ordem.


A bruxa abriu ainda mais o seu sorriso. — Posso até responder, mas terá que me responder uma pergunta primeiro. E claro, uma resposta sincera.


Todoroki torceu os lábios a contragosto, não deveria estar ali, tinha sido uma péssima ideia, soltou um suspiro, e não importa o quanto pensasse sobre querer ir embora dali pois Shouto precisava e queria respostas.


— Que pergunta? — Sibilou grosseiramente.


— O que houve com o seu rosto?


Todoroki trancou a respiração subitamente e involuntariamente pôs sua mão sobre a queimadura em seu olho esquerdo, flashes do dia em que sua mãe morreu sendo queimada enquanto lhe protegia atormentavam até hoje o bicolor.


Seu rosto ficou sério e repleto de ódio, olhou em direção para Momo e lhe respondeu. — Foi uma bruxa.


A mesma deu um pequeno sorriso. — Eu sei, conheço sua história Todoroki Shouto. — A raiva que o bicolor sentiu naquele momento não se tinha palavras, apenas tinha vontade de matar aquela bruxa, que não tirava o sorrisinho de seu rosto. — Por isso me pergunto. O que faz aqui?


— Você já sabe, agora responda minhas perguntas. — Falou num tom duro.


— Claro. — Momo abriu a porta de sua casa, Todoroki olhou desconfiado para a mesma. — Não se preocupe, não pretendo matá-lo. — E a contragosto, entrou na casa. — A curiosidade que estás sentindo é deveras para querer procurar um ser sobrenatural. — Disse enquanto observava o mesmo se sentar em uma das cadeiras, Shouto não disse nada e Momo sentou-se em sua frente. — O que quer saber?


— O que é anima mate? — A bruxa que estava prestes a tomar seu chá, parou abruptamente e arregalou os olhos surpresa, pôs a xícara na mesa e olhou seriamente para o bicolor.


— Isso é latim...— sussurrou para si. — Anima mate quer dizer alma gêmea.


— O que é isso?


— É o amor mais puro que existe, um só se completa com o outro, é raro encontrar sua alma gêmea, pois ela pode viver longe de ti ou é de outra época. — Explicou de maneira simples. — Estou curiosa, onde viu isso?


Todoroki ponderou brevemente entre falar ou não, mas resolveu falar. — Eu encontrei um espelho que tinha uns símbolos ao redor e uma frase em latim embaixo, não consegui ler tudo apenas duas palavras.


— Que seria?


— Tocar e encontrará. — Momo ficou séria.


— Saberia desenhar os símbolos que viu? — Estranhando o comportamento da bruxa acenou, de forma rápida a mesma pegou um pergaminho e uma pena, entregando para o bicolor.


Meio atordoado ainda pelo comportamento da bruxa, pegou as coisas e desenhou, quando estava finalizando os desenhos escutou um suspiro aliviado da mesma, isso fez com que enrugasse o cenho e olhasse para a bruxa com um olhar questionador.


E como se tivesse entendido, Momo respondeu. — Esses símbolos é magia pura, e quando digo pura é no bom sentido. E o que estava escrito?


Todoroki forçou um pouco a memória, queria pronunciar corretamente. — Qui tangit anima mate vestrum adprehendet vos.


— Aquele que tocar encontrará a alma gêmea. — Disse com um largo sorriso. — Você encontrou o espelho da alma, pensei que era uma lenda.


— Espelho da alma? — Indagou confuso.


— Sim, há muito tempo quando ainda mantínhamos a harmonia entre os dois mundos, as bruxas querendo ajudar a todos a serem felizes criaram esse espelho, quando você tocasse no reflexo da pessoa que aparecia no espelho, você seria levado até ela, pois ela é sua alma gêmea, sua outra metade e também ao redor do dedo anelar da mão direita terá um laço vermelho, indicando realmente que é sua alma gêmea. — Contou.


Shouto lembrou-se então dos dois Midoriyas. — E se nesse reflexo aparecer duas pessoas... iguais?


Momo silenciou, abriu a boca várias vezes, mas não dizia nada, a mesma mordeu seu lábio inferior. — Sendo sincera, por acharmos que o espelho da alma ser um mito não temos todas as respostas, mas sei que existe a reencarnação, possivelmente sua alma gêmea irá reencarnar num outro tempo, talvez se tocar no espelho você irá naquele tempo, eu realmente não sei como funciona, posso pesquisar se você quiser, mas deve me prometer que não tocarás no espelho até eu ter as respostas, mesmo sendo uma magia pura não a conhecemos.


[...]


Depois que saiu da casa da bruxa, Shouto retornou ao seu destino, entregou os armamentos no vilarejo vizinho e retornou para casa, foi recebido calorosamente por sua família e companheiro.


Mas, no dia seguinte, Todoroki retornou novamente para a caverna e ficou olhando para o espelho, mais especificamente para o Midoriya que conhecia, aquele que vestia a mesma veste que a sua, pensar na possibilidade que Midoriya iria reencarnar deixava-lhe em êxtase e por mais que pudesse escolher em qual época viver, não conseguiria deixar desse Midoriya, jamais, pensava.


E sem que percebesse sua ação involuntária, aos poucos sua mão ia em direção ao seu Midoriya, que sorria de forma tão espontânea, e ao tocar levemente no reflexo, o espelho brilhou fortemente cegando o bicolor e o sugando.

March 25, 2019, 1:06 a.m. 0 Report Embed 2
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