undeadpearl99 Hope 希望

JONGDAE!CENTRIC + MINSEOK!FEM - Onde Jongdae era um corvo, assim como todo escritor. também postada no wattpad com o mesmo user >.<


Fanfiction Bands/Singers Not for children under 13.

#writing #exo #xiumin #jongdae #sobre-escrever
Short tale
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capítulo único


Minha mãe morreu de câncer num dia 19 de setembro. E eu sei que não é bom começar as coisas assim, com morte, mas isso foi importante. Porque foi lá, no leito de morte dela, que eu contei do meu sonho de ser escritor e ela, apesar do cansaço, sorriu e disse "não acredito, criei mesmo um corvo".


Eu nunca entendi a velha, pra ser sincero. Fiquei minutos matutando o que caralho aquilo queria dizer, sem coragem de perguntar o que significava porque eu sabia bem que ela 'tava morrendo. Dito e feito, inclusive; não deu nem cinco minutos e eu escutei o bip mais assustador e aliviante da minha vida.


É, aliviante. Eu amava minha mãe demais, mas ela 'tava sofrendo e merecia descanso, afinal de contas. Pelo menos foi sem arrependimentos gigantescos na vida - ou foi o que minhas tias disseram no enterro, onde eu tive que jogar terra no caixão dela e deixá-la ir, como ela havia me ensinado.


Minha mãe dizia que era besteira lamentar morte. Isso acontece o tempo todo; é algo para se acostumar e aprender a seguir em frente. Nada de lamentos, reclamações ou qualquer merda do tipo.


Bem, mas ela nunca disse isso pros meus primos, acho. A Minseok, prima de consideração, foi a primeira a desabar, principalmente quando leram o testamento da minha velha e ela ficou sabendo que, de tudo, ganharia só um livro. Achei até que ela 'tava chorando de decepção porque queria uma grana fácil - eu sabia bem que a garota havia acabado de se mudar e, no lugar da Xiu, como costumavam chamar ela, iria querer dinheiro do mesmo jeito. Mas não chegava nem perto disso; eu percebi só pelo modo que ela segurou o livro, com adoração e lágrimas nos olhos, que ela o amava com todas as forças.


(E, sendo sincero, escutei ela murmurando um "obrigada", mas achei melancólico demais a cena.)


Pra mim sobrou a casa, um quarto da herança e um livro em branco que ela queria que eu escrevesse algo nele, o que me fez sorrir. Minha mãe sempre teve uma intuição aguçada, assustadora e quase sobrenatural; ela sentia as coisas e via o mundo de um jeito lindo e único. Talvez, numa das inúmeras vezes onde eu, uma pequena criança, lhe pedia para ler algo de algum filósofo alemão com o nome que parecia espirro, ela tenha visto que eu gostava daquilo tudo - de ver as letras, criar teorias, inventar estórias loucas, abiloladas, completamente insanas.


Talvez, ela tenha visto que, no fundo, eu havia nascido pra um dia escrever minha própria história fantasiosa.


Então, naquele fim de semana tristonho após sua morte onde meus parentes se manteram do meu lado, tirei uma madrugada pra ver as estrelas e ligar seus pontos, assim como minha mãe fazia, feliz por ter aquela memória e não a ver manchada de azul. E foi olhando as estrelas que eu decidi escrever algo naquele livro velho que ela me deixou; decidi escrever minhas memórias e até memórias que não eram minhas, mas que cultivei.


Ali, tirei do peito toda dor que nem sabia que tinha, descrevendo como os olhos da minha mãe se pareciam como os meus, miúdos, e como seus cabelos eram macios, leves e bonitos. Tirei da minha mãe a imagem que o câncer me fez ter dela; esqueci das olheiras profundas, pele esverdeada. Esqueci dos pulsos pálidos, do sangue caindo de seu nariz.


Naquela noite lembrei da minha mãe, viva, feliz. Lembrei de como ela queria que eu vivesse também e, mesmo que ninguém estivesse escutando, e prometi que faria o mesmo. Porque escrever pra mim era isso; era ter uma nova chance de ser feliz, apesar de todas as adversidades da vida.


Foi mais ou menos quando estava na metade do livro, então, que Minseok se aproximou, sentando ao meu lado em silêncio. Os cabelos dela estavam soltos e ela estava com um casaco por cima do vestido, se aquecendo na noite um tanto quanto fria. Eu devia me cobrir, também, mas sentia um formigamento no peito, tanto por estar escrevendo, quanto por ver ela ali. A Min sempre foi linda demais e, ali, de pertinho, eu conseguia ver as sardas clarinhas espalhadas pelo seu nariz, logo abaixo dos olhos felinos.


"Você está escrevendo mesmo" ela sussurrou, sem olhar para o livro em meu colo, mas sorrindo. "Sua mãe me disse que você seria um corvo alguns anos atrás, Dae. Fico feliz que o sexto sentido dela não errou nisso."


"Nunca entendi o significado dessa coisa toda de corvo, espero que seja algo bom" murmurei de volta, sorrindo um tantinho. Cheguei mais perto dela e senti algo curioso: Suran cheirava a lavanda, e sonhos novos. As constelações que se formavam em suas sardas pareciam até mesmo me apontar uma direção; sempre em frente, como minha mãe dizia.


"Ela me contou que é porque vocês se alimentam de cada carcaça; da dor que já se foi, do passado. Se alimentam e, assim, conseguem viver, criar um novo futuro. Novas histórias. Sempre achei isso lindo demais, se quer saber."


Fiquei calado, sem saber o que responder, ainda olhando pra ela. Era aquilo. Eu realmente me tornei um corvo, mãe.


Então, ali, mesmo sabendo que nunca mais a veria, me permitir sorrir, tendo em mente que de onde quer que ela estivesse, ainda sentiria orgulho da pessoa que me tornei.

June 27, 2018, 3:36 a.m. 2 Report Embed 4
The End

Meet the author

Hope 希望 artist + writer. pt-br/eng. amo escrever e desenhar, além de adorar me perder em histórias fantasiosas e romances fofinhos ♡

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Post!
Lara Leite Lara Leite
Iti to soft que história linda demais aa
June 27, 2018, 13:30

  • Hope 希望 Hope 希望
    obrigado! fico feliz que tenha gostado <3 June 29, 2018, 07:35
~