Para meu grande amor... e todos os outros a quem amei. Follow story

devilwhore P. Miranda

Em seu leito de morte, ZiTao, guarda alguns momentos para despedir-se de todos aqueles que forem importantes em sua vida, mesmo que estas pessoas não saibam de sua importância. { DEATHFIC / TRAGEDY / OT12 / BUSINESSMAN!AU / LETTERFIC }


Fanfiction Bands/Singers Not for children under 13.

#romance #tragédia #carta #letter #deathfic #love #taohun #drama #exo
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Dois Dias

{ ✝ }


   Olá, meu nome é Huang ZiTao e eu estou há dois dias de morrer.

   Eu sei, isso não parece comum, mas é real. Depois de muito tempo, finalmente aceitei minha dor e decidi que não dava mais para ficar preso a uma cama de hospital fingindo que ninguém passou pela minha vida e que eu não marcaria a memória dos outros. Entendo que poderia calmamente deixar acontecer, porém tenho vontade de me despedir.

   Alguns podem encarar essa carta como um “adeus”, mas eu prefiro ver como um “até logo”. Não que eu fique viajando nessas coisas de vida eterna e tudo mais, apenas acho que depois de um tempo tudo que vai, volta e nós nos encontramos de uma maneira ou de outra com aquelas pessoas mais especiais para nós. Infelizmente eu não tive família, mas tive amigos e amores, então é a eles que direciono essa carta.

   Esta é uma carta para o meu grande amor… e para todos os outros que amei.

Penso que começar pela primeira pessoa que guardei em meu coração, seja o melhor a fazer. Sendo assim, quero me despedir de você; Wu YiFan. Eu nunca fui de muitas palavras, era uma criança quietinha, mesmo assim você quis ser meu amigo. Quando eu caí do balanço recebi de ti aquele beijinho carinhoso no joelho, daí para frente, até o dia em que você foi adotado, nunca mais nos separamos. Será que depois de todo esse tempo, ainda se lembra de mim? Eu me lembro de nosso outro amigo, aquele com quem continuei falando depois que você se foi.

   Lu Han, você era bem encrenqueiro, não é? Sempre deixava a culpa de suas traquinagens recair sobre mim, eu levava muitas surras. Mesmo assim, gostava de sua companhia. Um jeitinho falsamente meigo, mas que quando ficava bravo, não tinha professor capaz de segurar. Nunca me disseram o que aconteceu com você depois que teve um surto tão forte que matou um cachorro de rua, não sem acabar com duas mordidas enormes nos braços. Só me lembro de ver-te sendo colocado na maca da ambulância… hoje eu já imagino o que aconteceu, porém prefiro acreditar que você saiu do hospital para a casa de uma linda família feliz.

   A terceira pessoa dessa lista, nunca soube que eu sequer existia, mas Zhang YiXing, eu te amei demais. A cada canção sua que ouvia no rádio, cada foto sua que recortava de uma revista e ainda mais; a cada vídeo clipe seu que gravei naquele antigo aparelho de TV na sala de convivência do orfanato, eu me sentia como se todas as suas músicas fossem para mim… eu ainda tão novo, não sabia o significado que aquele amor poderia ter e foi meu amor por você que moveu montanhas ao ponto de eu conhecer a quarta pessoa a quem dedico esta carta.

   MinSeok, você nunca me contou como um garoto coreano de dezesseis anos foi parar em um orfanato chinês, por mais estranho que isso parecesse. Mas tirando isso, não houve uma só coisa sobre você que eu não soubesse, assim como você soube de minha vida cada detalhe. Meu melhor amigo naquele colégio interno, o único que não me achava o cara mais estranho do mundo por ficar chorando por um ídolo, até porque, chorávamos juntos. Até hoje ainda vejo a decisão de vir com você para a Coréia ao sermos retirados do orfanato, como a melhor coisa que fiz na vida. É uma pena que naquele tempo eu tenha lhe dito o contrário. Nossa briga foi tão feia que eu acabei na rua, mas foi por conta disso que apareceu para mim o próximo nome aqui citado.

   Você mesmo, Kim JongDae. Filho da Sra.Kim, dona da pensão de estudantes mais barata que já conheci, mas que servia o melhor teopoggi de Seul. Aquele tempero forte de geochujang… uma pena não podermos mais sentar ao redor da mesa de madrugada conversando sobre coisas aleatórias… eu dei a você meu corpo e meu coração. Mas nem sempre os primeiros amores duram para sempre e assim foi conosco. Soube que se casou e teve três filhos, me pergunto o nome deles. Um dia me disse que gostava de “Sarang”, espero que sua esposa tenha te deixado usar esse…

   Tive muitos empregos, inclusive para pagar o pensionato, mas só um deles me guiou para frente da vida: gerente da Chanel de Gangnam… depois de cinco meses como vendedor, você; JunMyeon, me chamou para seu escritório e me deu uma chance. Ainda lembro de suas palavras “o garoto mais pró-ativo” que conheço. Se não tivesse acreditado em mim naquele momento, eu nunca teria me tornado quem sou hoje. Por mais que a morte bata à minha porta, ainda é a porta do quarto mais caro do melhor hospital de Seul. Senti demais a sua falta quando saiu da empresa, mas sei que foi para o seu bem. Se não fosse a vida que consegui ao crescer na empresa, provavelmente jamais teria encontrado a pessoa a quem falo a seguir…

   Meu querido amigo, Park ChanYeol, com certeza serei o primeiro a ver do outro lado do grande túnel. O menino mais irritante, barulhento, falante e, acima de tudo, amável com quem já tive a oportunidade de conviver. Ainda me lembro bem de como nos conhecemos. Eu abri a porta do escritório do departamento administrativo, para onde fora promovido, e lá estava você. De pé sobre a minha mesa fazendo de tudo para trocar uma lâmpada. Inicialmente fiquei em choque e dei uma bela bronca pela audácia de um mero estagiário, mesmo assim sorriu pra mim e disse que só queria causar uma boa impressão. Também tenho claro em minha memória aquele jantar onde me apresentou sua noiva, YeonHee… ah, ela sofreu bastante, não foi? Você também, né? Eu te falei tantas vezes para não sair dirigindo depois de beber… eu valorizava demais a sua vida, mas acho que você não o fazia. Foi na sua despedida, que conheci uma outra pessoa a quem dedico minhas palavras finais…

   De terno preto, olhar vazio e ajoelhado de frente para o caixão… foi assim que te vi pela primeira vez, BaekHyun. Seu primo acabara de morrer, aquele que você via como um irmão. Mesmo assim nem uma lágrima escorreu de seus olhos naquele momento, apenas se deixou levar quando eu, um mero estranho que lhe achara bonito, te chamou para um bar e tu afogou-se em quase oito garrafas de soju. Eu nunca vi tanta dor em um olhar até o dia em que terminamos nosso relacionamento três anos depois. Demoraram quase seis meses, e o encorajamento do outro a quem dedico esta carta, para que me sentisse confiante em sair com outra pessoa…

   JongIn, se não fosse você, talvez eu nunca tivesse superado o fim do meu primeiro namoro sério. Desde o dia em que me pagou um café após o expediente, na esperança de bajular seu lindíssimo vice-presidente, eu acabei me vendo em uma amizade muito estranha contigo. Dividimos a cama algumas vezes, mas nunca conseguimos transformar aquilo em um namoro. Era mais como se eu fosse seu ursinho de pelúcia e você algum tipo de droga cheia de ocitocina que acalmava meu coração. Então um dia você simplesmente se apaixonou por outro cara e não demorou a pedir demissão… eu te deixei ir. Não tínhamos um futuro de qualquer forma. Depois de você passei um bom tempo tão focado em meu trabalho e que nem me lembro como conheci aquele a quem dedico o próximo parágrafo…

   Meu braço-direito, o homem de quem fui padrinho do casamento, aquele que teve paciência de escutar cada uma de minhas lamúrias dos trinta e poucos anos: Do KyungSoo. Um amigo para todas as horas, um funcionário sem precedentes em questão de excelência e a única pessoa que veio me visitar nesse quarto. Sua filha é uma das crianças mais bonitas que já conheci, por favor aceite tudo o que deixei em nome dela. A vejo como se fosse minha e por isso deixei para MinHee tudo aquilo que tenho, incluindo meu gato ManGoo, ele sempre gostou mais dela do que de mim de qualquer forma. Foi também graças a você que o conheci… meu grande amor no terceiro Natal que passei com toda a sua família.

   Isso mesmo, Oh SeHun, finalmente chegou sua vez. Não acho que esteja esperando por uma carta, sequer um olhar ou mesmo pensando em meu nome. Eu me arrependo tanto de tudo o que não pudemos viver juntos por minha causa. Todas as vezes que fecho meus olhos só consigo reviver aquele dia. Três anos e meio juntos. Mesmo teto, mesma cama, por vezes até mesmo dividimos nossas roupas… o que eu sentia por você era tão forte que doía. Cada batida do meu coração ressoava seu nome. Ainda assim eu deixei que o trabalho me sugasse ao ponto de ficar duas semanas inteiras sem vê-lo, ainda que morando juntos. Nem sequer conversávamos mais, cada esforço seu era simplesmente ocultado por problemas relacionados a coisa mais vil: dinheiro. Era tanta ganância causada pelo trauma da pobreza que vivi na infância, que nem percebi que perdera a maior riqueza que me foi dada. Nunca vou esquecer do dia em que cheguei em casa, nem uma única coisa sua se mantinha; nem os livros, ou a escova de dentes, menos ainda as roupas e seu maço de cigarros, que geralmente ficava repousado sobre a mesinha de centro. Tudo o que deixou para mim foi um bilhete com os dizeres “eu estou partindo fisicamente, pois você já o fez de alma”. Não vou implorar por seu perdão, pois não o mereço, mas saiba que fostes meu grande amor e nunca, nem mesmo nos meus piores dias, eu deixei de pensar em ti.

   Quero que saibam que os amei, cada dia desde o dia em que os conheci até o dia em que escolhi morrer. Também preciso que entendam que não tomei tal decisão por tristeza, ou medo… apenas sinto tanta, tanta dor. Não consigo mais suportar e também não há motivos para postergar. Irei morrer, então prefiro que seja logo.

   Pelo menos me sinto completo ao finalmente poder dizer “adeus”.


{ ✝ }

June 7, 2018, 12:36 p.m. 0 Report Embed 2
The End

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P. Miranda Uma autora dessas que ou escreve putaria insana, ou drama pra te fazer debulhar de chorar. De vez em quando junta os dois, só pra variar.

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