mafuki Kris Cerdeira

Jimin possui um estoque infindável de lágrimas e começa a receber mensagens que fazem-nas cessar por um momento.


Fanfiction Bands/Singers For over 21 (adults) only.

#angst #yoonmin #pseudotexting #gatilhos
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9h45

Jimin chora com o rosto enterrado no travesseiro. Seus pés ainda estão calçados pelo sapato social que é obrigado a usar como parte do uniforme escolar, que também traja no momento.

Sabe que o tecido nobre ficará amarrotado e que deveria estar passando graxa nos seus sapatos para o dia seguinte, mas não se importa, não de verdade. Controlar a respiração entrecortada e pesada é a única coisa que Jimin tenta fazer de verdade e com afinco, mas apenas porque já virou rotina.

Os olhinhos pequenos e inchados lentamente vão se fechando, graças a pouca resistência do Park à suas crises de choro. Costuma dormir pouco tempo depois de ter largado sua mochila aos pés da cama e se jogado na mesma. Já faz um bom tempo que Jimin não sabe o que é dormir após um bom banho refrescante, não tem forças para ir realizar sua higiene noturna.

Costuma dormir durante três ou quatro horas para, de madrugada, acordar com uma dor de cabeça do inferno e enfim poder se arrumar para o dia seguinte. Quem vê suas abotoaduras brilhando de tão polidas e seu cabelo bem penteado e no lugar graças à pomadas e gel, jamais imaginaria o número de lenços de papel jogados pelo seu quarto ou a montanha de roupa suja que já é parte da decoração de seu quarto.

Jimin não tem amigos para receber fora do horário de aulas com seu sorriso acalorado e pedir que não reparem na bagunça.

Descansando nos braços de Hipnos, já próximo ao décimo segundo sono, Jimin ignora um vibrar insistente de seu celular na calça. Ele não o coloca para carregar com frequência, porque não o usa para fazer algo além de receber ligações e mensagens de seus pais, mas se sente mais seguro com ele próximo a si.

Não tira o aparelho do bolso, ainda está grogue devido ao cochilo. Aninhado no travesseiro que antes comportava suas lágrimas, ele boceja e deixa o corpo relaxar. O vibrar continua. Jimin xinga, mandando os pais para o inferno, porque só quer dormir um pouco antes de voltar à sua maldita rotina. Ouve risadas do lado de fora de quarto e, de repente, sente-se enérgico.

É hora de jantar, da qual frequentemente não participa, e isso significa que seus pais estão em casa, talvez com visitas. O que vibra seu celular não pode ser outra coisa senão alguma mensagem de um desconhecido.

Jimin abre o aplicativo de mensagens com desconfiança. É um número de verdade, não alguma promoção estúpida da operadora.

_

(xx) xxx-xxxx

Olho nos seus olhos todos os dias e você não
imagina a satisfação que tenho quando você
sustenta meu olhar. 

Diferente dos outros que injetam todo o
veneno que carregam em uma simples encarada,
você o faz com inocência e ternura.

Você me encanta.
[Às 9h45 — entregue]

_

Encarando a tela do celular, o rapaz sorri verdadeiramente depois de muitos meses. Os músculos de sua boca doem, porque está desacostumado com o movimento, mas não se importa. Aquela dor é boa.

De repente, ouve o baque surdo da sola do sapato contra o tapete e o vento frio do quarto tocando seus pés, ainda que cobertos pelas meias. Jimin lê a mensagem inúmeras vezes e salva o contato com um coração deitado nada discreto. Ele é assim, mas depois joga o celular junto ao seu travesseiro e se levanta para tirar suas roupas e dobrá-las sobre a escrivaninha.

Coloca uma camisa cinza que deveria caber perfeitamente alguns meses atrás, mas que agora está larga o suficiente para que consiga dormir confortável dentro do tecido. Sai do quarto para beber água e dirige um sorriso para seus pais, que jantam na mesa da cozinha. O gesto dói. Percebe que eles o encaram mas sorriem de volta. Jimin possui um copo que comporta 500ml de água. Não é difícil para ele se manter hidratado.

"Filho, janta conosco hoje."

A senhora Park pede, com aquele sorriso desconfiado no rosto. Sua mão segura a do marido sob a mesa, acariciando o dorso alheio. A mão masculina cobre a mão delicada da mulher e devolve o carinho. Eles se entreolham e encaram o adolescente que olha para um canto qualquer.

"Não estou com fome."

Não há retórica e nem insistência. Os mais velhos apenas assistem Jimin voltar à sua reclusão. O carinho cessa e pratos são retirados da mesa, fazendo o barulho característico de louça contra louça e, posteriormente, de água contra louça. Colocando os talheres em cubículos diferentes do escorredor, na sequência colher, garfo e faca de dentro pra fora e todos muito juntinhos e organizados por tamanho, cor e qualquer outro parâmetro, a mãe de Jimin olha para o marido, que guarda os restos de comida em potes, estes sendo metodicamente etiquetados e embalados.

Nenhuma palavra é dita, mas a troca de olhares seria tudo o que precisavam.

No quarto, Jimin encara seus próprios olhos no espelho. Não consegue descer o olhar até seu corpo, mas se percebe descontente com o que vê. Senta-se na cama, sem desviar o olhar e apenas acompanha sua figura se esticar no colchão pra alcançar o celular há pouco esquecido.

Você o faz com inocência e ternura.

Aquelas palavras, outrora tão bonitas, carregam ante o olhar no espelho um peso que Jimin sempre coloca em tudo o que ouve e em tudo o que faz.

"É claro que é só pelo olhar. Ninguém se encantaria pelo meu corpo ou por mim. Esta pessoa não me conhece."

Disse, baixinho, pra si. Gosta de verbalizar os próprios pensamentos.

"Será que eu deveria?"

Se pergunta, os dedos tamborilando na tela brilhante, sumindo e voltando com o teclado do aparelho.

_

Jimin

Perdoe-me, mas acredito que tenha havido um engano
Tem certeza que acertou o número?
[10h55 — Entregue]

Não poderia ter confundido Park Jimin com 

qualquer outro nome na minha agenda.
[10h57 — Entregue]

_


Jimin fica surpreso com a rapidez da resposta. Digita, apaga, digita, aperta em enviar e apaga antes que o envio se complete. Depois de alguns minutos, a tela acende.


_


Ainda aí?
[11h30 - Entregue]


_

Dessa vez, Jimin sabia o que responder - ou perguntar, isso não importava, de fato.


Jimin
Quem é você?
[11h33 — Entregue]


Seu anjo da guarda.
[11h33 — Entregue]


May 31, 2018, 12:36 a.m. 0 Report Embed Follow story
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