Castelo de Cartas Follow story

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MH Leyther


Quanto tempo é necessário para se atingir o equilíbrio e ser feliz? Essa é, ou deveria ser, uma pergunta que todos fazemos em algum momento da vida. Alguns cedo, durante aquela explosão de hormônios que se passa na adolescência, conhecida como a fase dos "Rebelde sem Causa"; outros quando atingem uma idade avançada e percebem que todos os anos que se passaram até então foram inúteis; e, por fim, alguns só se preocupam com isso quando a Morte está quase lhe tocando e enxergam o período de tempo que o universo os impediram de ficar com a pessoa amada. Mesmo imersos em um mundo que vivencia um confortável período de paz, todos sabem que ela é finita e que, como em um castelo de cartas, tudo pode facilmente desmoronar.


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#sasodei #madahashi #shiita #sasunaru #naruto #fanfic
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Prólogo

Floresta da Morte.

Janeiro de 1998.

Parados frente à sepultura de seus pais, os dois irmãos esforçavam-se para permanecerem fortes. O monte de terra recém-colocado e úmido devido à garoa era observado atentamente pelos mais novos órfãos daquele lugar. Hinata, a mais velha, agora que sua família se fora, sentia o dever de mostrar ao pequeno irmão que seria capaz de cuidar e dar uma boa vida aos dois.

As lágrimas que o baixo e gorducho Sasuke tentava segurar, finalmente vieram à tona, acompanhadas de um grande soluço que destoou no ambiente fazendo os corvos voarem floresta adentro. O olhar dos irmãos acompanhou o voo das aves e se perdeu no emaranhado de árvores que impossibilitavam uma visão melhor. A tristeza – até então presente – deu seu lugar ao medo. Só então, o pequeno menino cessou o choro, ainda que o pavor que sentia daquele lugar fizesse o aperto em seu peito ser quase sufocante.

- Vamos enfrentar isso, você vai ver – disse a maior, fazendo preces internamente para que suas palavras fossem verdade.

- Eu sei.

Minutos se passaram e ambos continuavam paralisados por aquele terrível e cruel sentimento, afinal, agora quem iria protegê-los? Não havia muita coisa que pudessem fazer. Permaneceram olhando fixamente para aquele ponto, como se este simples ato pudesse trazer seus pais de volta. 

Após um longo e audível suspiro, a mais velha resolveu fazer o seu papel e começar a seguir em frente, esquecer-se daquele lugar, daquelas pessoas, daquela floresta e, principalmente, daquele homem. 

- Vamos embora.

- Espera – o mais novo disse, tentando iniciar a primeira verdadeira conversa que tinham após um longo tempo – O que vamos fazer?

- Vamos embora. Sair dessa vila e procurar um lugar melhor. Papai e mamãe...

- Não podemos ir embora! – Gritou o menino, exasperado – Temos que ficar, descobrir o que aconteceu lá.

- Não, não temos. Seja o que for que aconteceu, não é da nossa conta.

- É claro que é. Nossos pais morreram por causa disso!

- Sim! – Finalmente ele perdera a paciência – E é exatamente por isso que podemos ir embora. Acabou! Ele está morto!

Os dois, ofegantes, olhavam-se sem saber o que dizer. Ele estava morto. Sua família e uma parte dos jovens irmãos morreram em meio ao caos. A realidade os atingiu certeira, como se um alvo estivesse pintado em seus corações e o atirador fosse a verdade.

- Vamos.


No fim, o mais novo o acompanhou de bom grado, começando a pensar em um futuro incerto. Entretanto, enquanto andavam de volta para a vila, ouviram um grito agonizante vindo de dentro da floresta. Assustada, Hinata fez sinal para que continuassem o caminho e Sasuke concordou, mas não antes de dar uma ultima olhada para a sepultura com a esperança de que a vida tivesse voltado ao corpo de seus pais. Afinal, tudo acontecia naquele lugar.

Aldeia da Grama.

Dezoito anos depois.

Seu grito ecoou pelo pequeno apartamento, fazendo com que, em poucos segundos, Hinata já estivesse em seu quarto empunhando um taco de beisebol com o olhar alarmado.

- Eu estou bem, fique tranquila.

Mais uma vez pesadelos se faziam presentes nos sonhos do - agora adulto - Sasuke. Sentado na estreita e velha cama, ele tentava assimilar os lapsos de memória que ainda lhe restavam.

Nada.

- O de sempre? – perguntou a mais velha.

Os anos fizeram bem fisicamente para os irmãos. Antes um era baixo e gorducho e a primogênita magricela, dezoito anos depois àquele havia emagrecido e ganhado estatura e a outra adquirida um corpo mais “feminino” – com todas as aspas que a expressão exige – e suaves músculos tomavam conta de seu corpo.

 - Sim, o mesmo. A floresta, os corvos, ele...

A melhora física não acompanhou a psicológica, continuavam presos a um passado distante e diversas noites sua história assombrava-os. As imagens se misturavam, não sabiam o que era sonho e o que realmente aconteceu. Realidade? Não existia mais. A ideia de uma vida onde o pretérito não os perseguia, foi pura ilusão, e as lembranças davam origem a dor que os acometia a todo o momento. O medo de dormir, o medo de conhecer, o medo de voltar. O medo os impedia de viver.

- Está melhor? Consegue dormir?

- Acho que sim.

Já acostumados com a rotina, não tinham o que fazer; não sabiam como parar isso. Então, olhando-se pela última vez naquela noite, os homens se deitaram e entregaram-se aos braços de Morfeu.

March 31, 2018, 2:57 a.m. 1 Report Embed 4
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Srta Belmont Srta Belmont
Tá linda! Primeiro capítulo me encantou. Nunca imaginei Hinata e Sasuke irmãos mas confesso que gostei kkkk Fisqueiro curiosa, o pão deles é o Fugaku ou o Hiashi? Kkkk adorei viu ♡
Dec. 23, 2018, 6:40 a.m.
~

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