kyrius Hasmodum Kyrius

Perspicaz, excêntrico, adimplente e brilhante. A receita para um personagem de cognição forte é a atenção, e Doyle, Edgar Allan Poe e Maurice Leblanc já haviam descoberto essa receita. Esta história narra uma aventura de clichês funcionais e uma ótica jovial, porém dinâmica. Esta é a história do bom moço, o cavaleiro branco e detetive excêntrico, o jovem Garfield Doyle e seu melhor amigo, Adrian O'Connell.


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Um renascimento algemado.


No dia doze de março de dois mil e nove, entrei para a universidade da Califórnia, em Westwood, onde os sonhos saltam as cabeças e tocam os pés, tornando-se uma realidade nada semelhante ao disparate imaginário que criei. Jamais imaginei que a vida acadêmica seria massacrante a ponto de tornar-me amargo e dissemelhante, afinal, cursar direito era tudo para mim. Minha genitora, no entanto, não pensava como eu sobre a carreira dos sonhos, a vida dos sonhos e o viver dignamente merecido… Tínhamos noções diferentes do real, é evidente. Minha mãe é uma figura temorosa e atroz, uma cinquentenária destemida, capaz de passar por cima de qualquer um para conseguir o que deseja. E o que ela desejava, naquela época, era que eu fosse sua projeção ideal, por assim dizer. Como citado anteriromente, meu sonho sempre foi seguir a carreira de direito, cavalgar em um alasão governamentado e disfarçado com um motor, trajar uma armadura escondida sob um smoking dândi e, como se não bastasse meu imaginário fértil, golpear os inimigos da lei com a espada de minha retórica! Não foi assim. Minha senhora, a qual chamo carinhosamente de “S.M. — sua majestade”, pediu-me para largar a advocacia e, como ela, tornar-me psiquiatra. O que posso dizer? Que me irritei? Que me tornei acerbo? Que senti um forte desejo de mergulhar no mais profundo oceano? De fato posso dizer; minhas ações, por outro lado, foram pusilânimes. Eu, um homem feito, me senti um menino dominado e compelido a obedecer a “mamãe”.



Segui de forma leniente as regras de S.M., tornando-me seu capacho, e assim ingressando em minha jornada como estudante de psiquiatria. Rotineiramente via os livros da doutora Catherine O'Connell, minha majestosa genitora. As obras de S.M. eram conhecidas por todo o país, ela era e ainda é respeitada nas academias da Califórnia. Passei a odiar a universidade, odiar as pessoas e… a mim mesmo. Confesso que nenhum sentimento negativo provinha de qualquer dificuldade científica, não, podia-se dizer até que eu era brilhante, e ainda sou. Minhas faculdades mentais sempre se provaram acima da média, e, à medida que passava a odiar minha vida, me tornava ainda mais arrogante. Me lembro de ter me tornado um ególatra, tão pernóstico que intelectualmente humilhava meus colegas de classe — que, diga-se de passagem, sequer os considerava colegas. Passei dois anos e oito meses como um projeto coercitivo de psiquiatra, até que me ofereceram um estágio como enfermeiro em um internato. Até aquele momento, não tinha grandes expectativas para o meu futuro, então decidi me entregar à mediocracia de minha alma e dançar conforme a música, canção essa composta por S.M.



Passei o natal e o ano novo de dois mil e onze com minha família, que estavam ávidos pelo meu novo “cargo”. Não comemorei, não sorri, não esbocei absolutamente nenhuma expressão faceciosa ou alegrosa naquela fatídica época festiva. Tudo estava monótono e remansoso, meus primos deificavam S.M., pois eram todos felizes (ou infelizes) psiquiatras malsucedidos, bestas hipócritas e impávidas, tolas criaturas que bebiam da fonte soberba de uma figura já socialmente estabelecida. Que nojo. As víboras preguiçosas quebraram minha paciência no ano novo, pois debocharam de sua própria mãe, a quem eu prestava mínimo respeito — e meu mínimo era o máximo de qualquer um — para tornar S.M. uma antonomásia superior como ente materno. Deus, sequer posso descrever o asco que senti. Os porcos imundos sequer sabiam como era ser a prole daquela abominação de saia justa! Queria eu, pobre homem, inverter os papéis. Isso foi o que se passou incessantemente pela minha mente… No entanto, em um devaneio frugal, veio-me algo, uma resposta que há tanto esperava: trabalhando como enfermeiro psiquiátrico, poderia alugar um apartamento e me desvencilhar de S.M., pelo menos de sua presença física. Não era muito, confesso, mas estava finalmente animado. Na época, eu repudiava tanto a minha vida pelo que ela tinha se tornado, que qualquer mudança era bem-vinda. Há tempos não sentia euforia, pensei.



Aturei o findar do ano com a catarse de minha simples epifania, se é que posso colocar semanticamente assim. Dois mil e doze finalmente chegou, e com ele veio a promessa de mudar minha vida. Passei um ligeiro mês me preparando para o trabalho e para me livrar da minha progenitora, que não esquissou nenhuma reação ao saber que eu havia decidido me mudar. Nisto, um “melhor para mim” veio-me à mente enquanto perscrutava o laconismo de S.M., mas é claro que isso não importava de fato. Finalmente o dia havia batido à porta, e seu tamborilar era misto entre uma alegria fervente e uma desânimo paralisante. Me senti em um paletó de madeira em chamas, eu diria. Todavia, deixei de divagar em conflito e segui viagem para o internato, admirando-o de dentro do taxi que havia pego. Lá estava ele, o grande hospital psiquiátrico Saint Bonaventure, uma instituição privada que recebia auxílio de grandes nomes da filantropia. Eles recebiam estagiários anualmente como forma de compensar o fundo fiduciário gordo, e eu era o felizardo do ano. Era meu primeiro dia, então não estava acostumado


Sept. 10, 2021, 6:54 a.m. 1 Report Embed Follow story
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Beatriz Paranhos Beatriz Paranhos
Muito boooom!
September 10, 2021, 17:00
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