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Entendendo o Vilão

Hoje me sinto endemoniado. Maligno mesmo. Em verdade não sei o motivo de pensar assim. Mas não é questão de desejar ou me esforçar para tanto. Apenas acontece. O desprezo que passo a ter pelos que atravessam meu caminho, nestes dias, é algo incontrolável, instigando-me a vontade de cometer loucuras vis.


Desde pequeno tenho esses rompantes. Interessante não conseguir prever quando irão se manifestar. De repente simpatizo com aquele antigo estripador e admiro o monstro, mais que o médico, bem como também sonho em dividir meu leito com a matadora de maridos. Ninguém que conheço tenta compreender as razões deste seres, injustamente rotulados como párias.


Quem de nós já não teve o instinto de desmembrar algum vizinho chato, ou esfolar vivo algum fanático político, futebolístico ou religioso? Aqui entre nós, pode conferir: tem coisa mais entediante que um romance bem sucedido? Uma trama maquiavélica, fazendo sofrer o protagonista pedante, fala muito mais ao espírito.


O vilão é sempre incompreendido e marginalizado, apesar de todos os seus esforços em prol da satisfação de suas necessidades básicas. Vamos lá, exercite sua capacidade humanitária e visualize os fatos sobre o ponto-de-vista diverso, o do malvado: pobre lobisomem, com sua transformação tão dolorida; coitado do vampiro e suas dores-de-dente; sinta o mau cheiro das bandagens podres dos mumificados; tente se condoer do zumbi, cujas mandíbulas caem ao solo, antes mesmo de mastigar sua vítima. Quero ver você dormir no esgoto, como aquele palhaço dentuço, ou morar num porão fétido, tal qual aquela bruxa da floresta.


Exercite sua capacidade de analisar todos os lados da questão. O mocinho tem seus podres, o que a mídia costuma camuflar. E os vilões também empatias e sentimentos, ainda que maus. Todos precisamos de inimigos para odiar, ou de um Judas para queimar. Estes personagens, com suas aventuras daninhas e desprezados pela sociedade, fazem bem à nossa alma, expiando nossas culpas. Aprenda a respeitá-los, e sua vida será mais leve e produtiva.


Isso mesmo. Gostar do que é bonito é fácil...

July 25, 2021, 4:21 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

Meet the author

Max Rocha Um Fantasma literário ou alguém que apenas gosta de escrever... me interesso por ficção histórica e científica, suspense, misticismo e mistério com um toque de humor. Às vezes enveredo pelo tom crítico e motivacional do cotidiano. Escrevo ouvindo música instrumental relacionada com o tema no Spotify, ao lado da Duda, minha cadela australiana de 5 anos. The Phantom (O Fantasma) foi criado por Lee Falk, em 1936.

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