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Danrley Araújo Silva


A história de um jovem que passa por dificuldades na vida, mas encontra algo que pode ser a resposta para tudo o que precisa.


Inspirational All public.

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O cansaço

Não fazia ideia de que horas eram, apenas sabia que ainda era cedo, pois pela frecha da persiana acinzentada Thales via um nascer do sol desanimado, entre nuvens e uma leve garoa insistia em cair havia três dias. Embora vivesse na pequena cidade de Mogi Guaçu, interior do estado de São Paulo, tudo ali era agitado: o centro, pessoas, o trânsito... tudo o incomodava, porem tinha muito a fazer, trabalhar e sustentar sua vida de casado.


- Está atrasado senhor Batista! – Disse seu chefe – E não é a primeira vez nesta semana! Está acontecendo algo? Quer conversar?


- Bom dia seu Manuel! - Thales o encarou e analisou seu belo terno preto, sem gravata e sapatos lustrados e continuou – Apenas um imprevisto no caminho, um acidente na ponte central fez desviar minha rota, me desculpe.


- Pois saia mais cedo! – disse Manuel, assim finalizando a conversa.


O trabalho do jovem Thales era simples: Checar e-mail de compras de serviços, analisar e levantar dados dos mais viáveis e passar para engenheiros. Porem há 6 anos fazendo a mesma coisa (embora estudasse na mesma área), nunca teve uma chance de promoção, assim era o histórico da empresa Alpha Engenharia. E assim eram dias de Thales Batista, "engolia" vários sapos de engenheiros que se achavam chefes, ouvia muitas "baboseiras" de compradores... pensava constantemente consigo mesmo "não estudei para isso" e assim levava sua rotineira vida: Acordar cedo e desanimado, aguentar o entediante trabalho, voltar para a casa, rever sua esposa, ama-la e descansar (já se preparando o psicológico para o outro dia).


Moravam em um apartamento simples, com dois quartos, sala e cozinha típicos. Casados há seis meses ainda buscavam a tão sonhada lua-de-mel. Clara era enfermeira, e isso tomava muito tempo de sua vida, e em momentos de folga cuidava de sua mãe, Dona Antonieta. Não havia muito tempo para Thales e Clara curtirem a recém vida de casados (como se merece) e isso os frustrava em certo ponto, mas nunca deixavam de acreditar no amanhã:


- Como foi seu dia querido? – Perguntou Clara com uma doce voz.


- Foi normal querida, e-mails, broncas... ter vários chefes é assim – Disse Thales em tom sarcástico. Clara riu e continuou:


- Tenho muito orgulho de você Thales!


- Não é questão de orgulho Clara! E sim de oportunidades que eu não tenho! Como se orgulhar disso? – Disse Thales levemente alterado enquanto bebia uma cerveja no sofá da sala.


- Se você não tiver fé em si mesmo, vai ter fé em quem? Acreditar, insistir e melhorar! São estes os três verbos que sempre te digo querido. Toma! Guarde com você! – E Clara entregou um papel rasgado com estes três verbos escritos a mão.


Thales o tomou, olhou, e guardou em sua carteira, ao lado da foto da sua bela esposa de cabelos ruivos e encaracolados. Embora não falassem mais nada, um certo vazio e um silencio tomou conta do apartamento, Clara se dirigiu a cozinha para pegar algo para eles comerem e Thales perguntou:


- E seu dia no serviço como foi?


- Não trabalhei hoje querido... Você precisa de folga urgentemente... já não o reconheço... Achei um absurdo você não ter folgado no nosso casamento, fale com seu Manuel, cobre o seu direito! – Respondeu Clara em um tom firme. Isso fez Thales ficar reflexivo, viu que horas eram e foi se deitar.


Não fazia ideia de que horas eram, apenas sabia que ainda era cedo, pois pela frecha da persiana acinzentada Thales via um nascer do sol desanimado, entre nuvens e uma leve garoa insistia em cair havia quatro dias.


- Acorda querido já são 5h30, não vai se atrasar novamente. – Disse Clara, já vestida de branco preparada para seu trabalho. E com um beijo na testa de Thales ela deixou o quarto com luzes acesas.


O jovem se levantou tomou um banho, um café reforçado que sua doce esposa tinha deixado preparado e saiu quinze minutos mais cedo que o comum. Desta vez não houve imprevistos, como também não houve elogios do chefe por chegar mais cedo... ele respirou fundo, novamente avaliou o belo terno (desta vez com gravata) os sapatos lustrados e com um "animado" bom dia cumprimentou seu Manuel, que apenas o cobrou de relatórios de vendas.


Chegada a tarde pós almoço, ficou ali parado... olhando para aquele computador enquanto passava um turbilhão de pensamentos em sua cabeça como: "férias", "Clara", "melhorar"; tudo isso mexia muito com seu emocional, uma mistura de cansaço e irritabilidade...


- Bu! – Uma doce voz feminina e até mesmo infantil o abordou.


- AH! É você! – Thales respondeu com um sorriso amarelo.


- Sim! Lais em carne e osso! (mais osso do que carne) – Respondeu a estagiária de cabelos dourados e olhar doce. – Você não aparenta estar nos melhores dias Tata - Assim o chamava carinhosamente.


- Você sabe melhor do que ninguém o que tenho passado, não é mesmo Lais? Enfim, em casa continua do mesmo jeito, Clara e eu nos amamos, mas não podemos tocar no assunto "trabalho" ... eu me estresso e acabo afetando ela. Enfim... acho que preciso de férias, viajar espairecer. – Disse Thales


- Olha, não é má ideia, irá fazer bem para vocês dois, se quiser posso te ajudar com indicações de lugares, trabalhei um tempo em agência de viagens ali na Avenida 9 de abril. – Respondeu a adolescente com entusiasmo. – Mas antes você precisa encarar a fera ali... – Apontou o chefe que estava sentado (quase atolado) em sua poltrona tomando café.


- Sim verdade... falarei com ele e depois te aviso, obrigado minha amiga! – agradeceu Thales e seguiu caminho a seu pacato computador.


Ali permaneceu, um dia tranquilo sem muitas cobranças proporcionou muitas reflexões sobre sua vida, seu matrimônio e até mesmo sobre sua espiritualidade: Deus, fé... o porquê de estar passando por tanto estresse psicológico, ao mesmo tempo pedia que Ele protegesse Clara, que seu estresse não afetasse a vida de sua amada e recém esposa. A rotina era algo que o consumia gradualmente havia pelo menos quatro anos, vindo de família humilde, terminou sua graduação neste mesmo emprego, era engenheiro civil, mas não atuava como um, volta e meia assinava alguns documentos.


Clara tinha um bom nome num grande hospital da cidade, era líder da enfermaria, assim como era líder da casa: Cuidava, zelava e não deixava que nada abalasse o local. Sempre muito calma, paciente e justa, era o oposto de Thales, que se deixava afetar pelo mundo externo facilmente. Ele com 26 e ela com 25 formavam um típico casal contemporâneo, tinham amigos, faziam reuniões aos fins de semanas (quando Clara estava folga), mas o stress, principalmente de Thales, vinha afetando a vida deles e isso tinha de ser trabalhado, pois no fundo, Clara sabia que esse casamento poderia não dar certo com o passar do tempo, embora houvesse um afeto muito forte por ambas as partes.


July 28, 2021, 10 p.m. 0 Report Embed Follow story
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