taechan TaeChan

Eu sabia que não podia me apaixonar... Pelo menos não no meu local de trabalho, naquele momento e naquelas circunstâncias. Mas... Simplesmente aconteceu. Graças a ele, aprendi muito sobre o que é amar alguém... "Eu ainda te amo!"


Fanfiction Bands/Singers All public.

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I'll still love U

Bang's pov


“No momento, não consigo dizer nada.

A sua existência parece ter sido um sonho.”


–Doutor Bang, precisamos da sua ajuda! –uma das enfermeiras veio correndo atrás de mim pelo corredor.

–O que aconteceu? –perguntei parando de andar, me virando para ela.

–Um dos seus pacientes não quer de forma alguma se alimentar e disse que quer sair daqui de qualquer maneira. Está tentando a todo custo se levantar e...

–E o que eu posso fazer? –a interrompi.

–Talvez você possa acalma-lo. –aquilo realmente não era algo que eu deveria fazer. Fechei meus olhos e passei uma das mãos pelos meus cabelos, bagunçando-os um pouco.

–Disse que é um dos meus pacientes... Quem é? –perguntei já começando a segui-la em passos apressados pelo corredor.

–É o seu paciente mais novo e mais impaciente que já veio para esse hospital. –a encarei um tanto confuso, mas ao chegar em frente a porta do quarto, soube logo de quem se tratava.

–Bolas... –bufei antes de adentrar o quarto.

–Por favor, se acalme...

–Eu não quero me acalmar! Eu quero ir embora daqui. Me soltem... Me deixem ir embora! Eu sei que vou morrer e não quero que seja aqui. –o garoto se debatia sobre a cama enquanto alguns enfermeiros o seguravam, tentando acalma-lo.

–HEY! –gritei. –Soltem-no! Vocês não estão ouvindo? –todos, até mesmo o mais novo, me encararam confusos.

–Ma-mas doutor, ele... –um dos enfermeiros tentou contrariar minha ordem.

–Soltem o garoto e saiam! Quero ter uma conversa particular com o meu paciente. –coloquei as mãos nos bolsos do meu jaleco esperando que os enfermeiros saíssem. Assim que todos saíram, bufei mais uma vez e me aproximei da cama onde o garoto estava.

–Ah, obrigado doutor! –tentou se levantar da cama.

–Está doido? –perguntei depois de lhe dar um cascudo no topo de sua cabeça.

–Hey... –o garoto fez voz manhosa, colocando suas mãos sobre o local acertado. –Por que você fez isso? Pensei que fosse meu amigo... –fez bico.

–Jongup, você sabe que não pode sair daqui, e é por ser seu amigo, e querer o seu bem, que eu estou te dando esse cascudo. –minhas mãos voltaram para os meus bolsos enquanto eu falava com um ar sério.

–Mas eu não quero terminar a minha vida aqui; trancado nesse quarto cheio de restrições. –Jongup desviou o seu olhar para a janela e voltou a se deitar na cama com o olhar baixo.

–Mas você pode sair lá para fora e...

–Em uma cadeira de rodas com uma enfermeira..? –me interrompeu. –Eu não quero isso, você não entende?! –voltou a me encarar com lágrimas nos olhos.

–Hey, criança... Não chore... –falei em um tom baixo e, antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, o abracei.

Eu me perguntava o porquê de ter feito aquilo; de ter sentido uma enorme vontade de abraça-lo e protegê-lo. Uma sensação até então desconhecida por mim, se apossou do meu corpo, fazendo-me apertar um pouco mais o abraço. Meu coração acelerou, seus batimentos mais altos eram a única coisa que eu podia ouvir naquele momento... O que estava acontecendo comigo?

–Se você é meu amigo, então me tire daqui, doutor. –seus braços envolveram a minha cintura enquanto ele afundava o seu rosto em meu peito.

–Você sabe que não posso fazer isso... Você não tem para onde ir e precisa de um médico por perto e...

–Me leve com você então! –seus braços apertaram o meu corpo. Não pude evitar a minha expressão de surpresa com tal proposta e ato do mais novo, acabando por ficar alguns instantes em silêncio. –Por favor... –fez voz manhosa.

–Nã-não é tão simples assim, criança... Você tem uma doença grave e está em um estado complicado, não pode sair daqui agora. –seus braços, rapidamente, me soltaram e o mais novo se afastou.

Jongup sofria de fibrosecística, uma doença genética que afeta o pulmão e o pâncreas, e seu estado havia complicado naquele mês. Jongup tinha vinte e cinco anos e havia perdido os seus pais em um acidente há cerca um ano. Morava sozinho desde então e, em seu atual estado, não poderia ficar sozinho. O garoto não pesava mais que cinquenta quilos e seus ossos já estavam começando a ficar mais visíveis... Já era praticamente um paciente terminal, e ele sabia disto.

–Eu quero ir para a minha casa e... –a tosse o interrompeu, deixando-o por alguns instantes com falta de ar.

–Está vendo? É por isso que você precisa ficar aqui. –o mais novo desviou o seu olhar para um canto qualquer enquanto eu falava. –Deixe-me cuidar de você.

–Para quê? Eu vou acabar morrendo mesmo...

–Você não vai morrer... Não agora! –voltei as minhas mãos para os meus bolsos e, de um deles, retirei o meu celular para ver que horas eram. –Hey, meu turno acabou... Quer dar uma volta?

–Vou ter que ir de cadeira de rodas? –perguntou voltando a me encarar. Balancei a cabeça negativamente e o mais novo sorriu abertamente. –Então vamos! –chutou a coberta, se descobrindo rapidamente, e se levantou.

–Só vá com calma, sim?! –peguei em seu braço tentando ajudá-lo a andar, me esquecendo que a sua doença não o impedia disso.

–Cara, eu não tenho problemas nas pernas... Posso andar sozinho! –puxou o seu braço fazendo careta.

–Tudo bem, me desculpe... Foi força do hábito. –mais uma vez, minhas mãos voltaram para os meus bolsos.

–Sem problemas... Só não faça isso de novo! –fez bico, me fazendo sorrir ao notar o quão fofo ele ficava com aquele ato infantil.

Andamos calmamente pelo hospital até finalmente conseguirmos sair dele. Lá fora havia uma espécie de praça com muitos bancos onde os pacientes, visitantes e funcionários do hospital costumam se sentar para conversar quando podem. Jongup se sentou no primeiro banco que encontrou de costas para o hospital, ficando de frente para a rua.

–O que está olhando? –perguntei repousando as minhas mãos em seus ombros, ainda parado atrás do banco.

–Sabe doutor... Eu realmente não gosto daqui. –eu ri baixo e contornei o banco, sentando-me ao lado do mais baixo.

–Quer saber de um segredo? –ele me olhou curioso, esperando que eu contasse. Eu aproximei o meu rosto do seu ouvido e sussurrei. –Eu também não gosto daqui. –Jongup riu e eu sorri ao vê-lo feliz.

–Mas você é médico... Tem que gostar daqui! –cruzou as pernas sobre o banco e apoiou as mãos ao lado do seu corpo.

–Eu não tenho que gostar do hospital, ora essa... Eu só trabalho aqui ainda porque sou obrigado pelo meu pai, e porque gosto dos meus pacientes. –ele voltou a me encarar, sorrindo, e colocou uma das suas mãos sobre a minha. Meu coração, mais uma vez, se agitou em meu peito ao sentir o toque do mais novo e nossos olhos se encontrarem.

–Doutor, me leve para a sua casa... Cuide de mim! É só isso o que eu quero antes de morrer.


“Não importa o que aconteça

Mesmo quando o céu está caindo

Eu te prometo

Que nunca vou te deixa.”


–Por que insiste em dizer que vai morrer? Moon Jongup, eu não quero que repita isso de novo. Eu não vou deixar você morrer! –o moreno respirou fundo e fechou os olhos como se estivesse cansado. –Você está bem? Jongup? –aproximei o meu rosto ao do mais novo e fui surpreendido por um selar de lábios rápido.

Foi coisa de segundos, mas a sensação de que o ar me faltava durou por mais alguns instantes. Minha cabeça esvaziou, foi como se eu estivesse hipnotizado, dormindo, sonhando um daqueles sonhos que te dão uma sensação de realidade... Eu não conseguia dizer nada, nem ouvir nada além do meu coração batendo cada vez mais alto. O gosto dos seus lábios era salgado, mas não me incomodou.

–Obrigado por ser uma pessoa boa e por se preocupar comigo, doutor. –o menor sorriu e se levantou, andando em direção ao hospital.

–Hey, Jongup, e-espere... –me levantei e corri atrás do mais novo, logo segurando-o pelo braço e o fazendo se virar de frente para mim, o abraçando fortemente em seguida. –Eu vou cuidar de você! Nunca vou te deixar. Eu prometo que vou estar sempre ao seu lado.

–"Sempre" é um tempo muito longo, não acha? –riu debochado.

–Não fale assim... –o apertei em meus braços inconscientemente.

–Não precisa me fazer ver como o seu corpo é por dentro também... –Jongup riu mais uma vez, deixando que os seus braços pendessem ao lado do seu corpo.

–Me desculpe. –o soltei rapidamente e, um tanto sem jeito, desviei o meu olhar para um lugar qualquer.

–Me leva até o meu quarto? –Jongup me pediu com um sorriso em seu rosto e, assim que eu assenti e me coloquei ao seu lado, ele pegou no meu braço, se segurando com firmeza.

–Você está bem? Quer que eu fique aqui com você? –perguntei ao chegarmos em seu quarto.

–Você pode? –me perguntou enquanto ia se sentar em sua cama.

–Posso. Eu acho... –ele riu baixo. –Você quer que eu fique? –insisti.

–Não. –o menor me respondeu antes de se jogar para trás, se deitando na cama.

–Então eu vou ir embora agora e...

–Você volta amanhã? –me interrompeu.

–Bem, amanhã é meu dia de folga então...

–Descanse bem então! –ele me interrompeu novamente. Havia algo diferente nos olhos daquele garoto... Algo que, naquele momento, me preocupou. Ele parecia esconder algo de mim, talvez algo que estivesse sentindo...

–Você também... Descanse bastante! –sorri de canto vendo-o assentir com um doce e meigo sorriso em seu rosto. –Até mais, Jongup.

–Adeus, doutor! –sua voz saiu baixa, mas eu ainda podia ouvi-lo.

Ao sair do quarto, tive vontade de ficar ali com ele. Algo dentro de mim gritava para que eu ficasse, mas eu não podia. Meus sentimentos por aquele garoto estavam indo longe demais e eu não queria aquilo; não queria aquele sentimento tão estranho.

Tentei me esquecer dos momentos que tive com ele naquele dia, mas quanto mais eu tentava, mais eu me lembrava daquele beijo e do toque da sua mão sobre a minha. O caminho todo até a minha casa foi um tanto confuso; uma confusão interior, para ser mais preciso. O pedido do mais novo de vir para a minha casa não saía de minha cabeça...

–Se eu pudesse eu... –bufei. –Não, eu não posso! Não posso me apaixonar por um paciente! –eu brigava comigo mesmo.

Meus pensamentos estavam me irritando... Todos incluíam Jongup em minha vida, mas a realidade ainda me mostrava que aquilo nunca poderia acontecer. Era errado uma relação entre nós que não fosse a de médico-paciente, porque era o que éramos, e nada mais.

Ao entrar em casa, fui rapidamente até o meu quarto e me joguei na minha cama. Eu estava realmente cansado... Queria descansar, mas a minha cabeça não deixava. As palavras de Jongup ainda me atormentavam...


"Uma coisa é certa sobre os sentimentos… Quando mais eles se escondem, mais visivelmente crescem".


Só agora eu havia notado que, o que eu sentia pelo mais novo não era algo recente e sim um sentimento que foi crescendo dentro de mim com o tempo. Jongup, a meu ver, sempre foi uma pessoa encantadora; sempre sorrindo e não dando a mínima para o que o resto do mundo dizia sobre a sua forma errada de pensar, na maioria das vezes.

–Seu sorriso... Foi isso o que me fez gostar dele? –perguntei a mim mesmo enquanto olhava para o teto como se eu fosse encontrar uma resposta ali.

Fechei os meus olhos por um segundo e logo o sono veio...


Naquela noite eu tive o sonho mais estranho de toda a minha vida, e lá estava Jongup, fazendo-o parecer mais sem sentido ainda. Nós dançávamos em um lugar que nunca vi antes; apenas nós dois, o céu repleto de estrelas e uma lua enorme, que nos iluminava... Jongup estava saudável e abraçado a minha cintura, enquanto eu o abraçava pelos ombros, apertando-o contra o meu corpo, e dançávamos lentamente sem música alguma.

De repente, um buraco se abriu sob os pés do mais novo e ele ficou pendurado. Eu o segurava pela mão, tentando a todo custo trazê-lo de volta para fora daquele penhasco. Jongup me olhava assustado, como se estivesse com medo de cair, medo de que a sua mão escorregasse da minha e que ele fosse engolido pela escuridão sob os seus pés. Depois de tanto tentar trazê-lo de volta, sem êxito, comecei a chorar sentindo a sua mão escorregar entre os meus dedos. O garoto sorriu terno e deixou uma lágrima escorrer por seu rosto, morrendo em seus lábios, e me pediu para deixá-lo ir.

Aquela agonia estava me matando. Estava prestes a me jogar junto com ele, quando o moreno me chamou. Suas palavras em voz baixa me fizeram chorar cada vez mais. Jongup me pedia para que eu o soltasse, que o deixasse voltar para o seu lugar. Com um sorriso em seus lábios, o mais novo disse um "adeus" e soltou a minha mão, sendo envolvido pelo buraco, que rapidamente se fechou, engolindo-o.


“Nunca diga "adeus",

Porque você é o único para mim nesse mundo".


Acordei desesperado no meio da noite. Por que aquilo de repente? Baguncei o meu cabelo com uma mão e então olhei para ela. A mão que o mais novo segurava no sonho... A mão que o deixou escapar... Senti a agonia daquele momento me tomar novamente e uma enorme vontade de chorar.

Me levantei rapidamente da minha cama e corri para o banheiro, lavando o meu rosto, a minha nuca e as minhas mãos. Enquanto ainda olhava para a pia, a imagem de Jongup derramando aquela lágrima voltou a minha mente, se misturando depois a do mais novo me dizendo "adeus" no hospital.

Eu não havia notado antes, mas o garoto havia derramado a mesma lágrima naquele momento, tendo o mesmo sorriso terno em seus lábios.

–Por que você chorou? Por quê? –indaguei sozinho ainda perdido em meus devaneios. –Eu... Preciso falar com alguém.

Atravessei o corredor rapidamente e peguei o meu celular, logo digitando o número do celular de um dos meus amigos médicos. Depois de alguns toques, ele atendeu.

Hey, Bbang... Não deveria estar dormindo? –ele me perguntou dando uma leve risadinha por fim.

–Himchan, pode me fazer um favor? –me sentei no sofá, novamente bagunçando o meu cabelo antes de me jogar para trás, me encostando.

É só dizer! –sua voz amigável, de certa forma, me acalmava.

–Você pode dar uma olhada no paciente do quarto 48, por favor?! É rapidinho. Só quero ter certeza de que ele ainda está bem. –meu tom de voz denunciava a minha preocupação.

Ah, você quer que eu atravesse o hospital todo só para ver se ele ainda está respirando?

–Himchan, isso não é hora para...

Era brincadeira, Bbang... Eu já estou indo. –fechei os meus olhos e passei a mão pelo meu rosto enquanto esperava na linha pela resposta de Himchan. Depois de alguns minutos apenas ouvindo os sons do hospital, ouvi o barulho de uma porta sendo lentamente aberta. –Bbang...

–Sim... Como ele está? –perguntei encarando o teto.

Ele está dormindo, não se preocupe. A propósito, este não é o seu paciente com fibrose cística? –o moreno perguntou em um tom preocupado.

–É! Infelizmente é ele. –respondi um tanto aliviado pelo mais novo estar bem.

Você sabe que pode acontecer a qualquer momento, não sabe?Himchan sabia que eu me envolvia muito com os meus pacientes, chegando a ponto de me tornar um grande amigo deles.

–Infelizmente, sim... –bufei.

Infelizmente... –ele suspirou. –Não se machuque, tá? –eu apenas ri baixo com a preocupação do mais novo comigo e agradeci mentalmente por tudo estar bem. –Tenho que desligar agora... Nos falamos amanhã, okay?!

–Okay. Obrigado, Himchan!

Disponha. –depois de sua curta resposta o mais novo desligou o telefone.

Mais aliviado em saber que tudo estava normal, me permiti descansar a minha mente. Tentei me desligar dos meus problemas e dormir. Fechei os meus olhos, ainda sentado no sofá, e depois de alguns minutos apenas meditando, acabei por adormecer ali.

Acordei com uma dormência horrível em um de meus braços e, então, abri os meus olhos vagarosamente. Eu havia caído deitado sobre o sofá, prendendo o meu braço sob o meu corpo.

–Que droga! –meu braço formigava enquanto o sangue voltava a circular pelo local.

Eu sorri de canto, achando aquela situação engraçada, e me levantei bocejando. Andei em passos arrastados até o banheiro e fiz a minha higiene matinal, tomei um banho quente e demorado e vesti roupas folgadas para me sentir mais confortável.

Quando voltava para a sala, ouvi meu celular anunciar que havia recebido uma mensagem. Uma mensagem de Himchan.

"Hey, Bbang, abra a droga da porta!!"

Ri soprado enquanto pensava em quão folgado o moreno era e logo fui até a porta, abrindo-a para que ele entrasse.

–Pensei que estivesse me evitando... Por que demorou tanto para abrir? –perguntou fechando a porta atrás de si.

–Dá um tempo! Eu estava tomando banho. –respondi dando-lhe as costas e voltando para o sofá.

–Minha nossa, noiva... Você demora muito no banho! –rimos divertidos e o mais novo se sentou ao meu lado, voltando a me encarar. –Não quero nem pensar no que você fez de baixo daquele chuveiro para demorar tanto.

–Hey! –voltei a ficar sério rapidamente. –O quê você está querendo dizer com isso? –franzi o cenho vendo-o ainda rir da minha reação. –Hey... HEY... Pare de rir, seu idiota! Eu não fiz nada lá. HEY!

Himchan estava quase rolando do sofá de tanto rir. Parecia até uma criança traiçoeira aprontando uma das suas. Por dentro, eu também estava me divertindo vendo-o daquele jeito, mas tentava manter a minha pose de "maduro".

–Himchan, se não parar eu vou te empurrar desse sofá e...

–Já parei, juro. –respirou fundo, tentando se controlar e voltar ao seu estado normal.

Naquele dia, Himchan e eu conversamos sobre várias coisas, aproveitando o nosso dia de folga. Estávamos realmente cansados de tanto trabalhar e mal podíamos conversar devidamente, mesmo ambos trabalhando no mesmo hospital. Tentamos esquecer o nosso trabalho e todos os nossos problemas do dia-a-dia, mas hora ou outra o assunto "hospital" voltava a tona.

–Himchan, tem alguém te ligando. –avisei ao mais novo ao ver o seu celular vibrar sobre a mesa. Sem ao menos olhar para a tela, o moreno retirou a bateria do mesmo e bufou.

–Não atenderei ninguém na minha folga, nem mesmo o celular! –rimos do seu trocadilho e nos levantamos do sofá, logo indo para a cozinha, deixando os nossos celulares sobre a mesinha de centro na sala; o do mais novo desligado e o meu, no silencioso.

–Quer comer alguma coisa, Himchan? –perguntei abrindo a geladeira a procura de qualquer coisa que pudesse me satisfazer, encarando-o esperando pela sua resposta.

–Quero! –me respondeu sentando-se à mesa.

–Quer o quê? –perguntei ficando de costas para o moreno, me abaixando para olhar na parte mais baixa da geladeira.

–Você! –me virei rapidamente encarando-o com o cenho franzido.

–Não vou te deixar nunca mais beber na minha casa. –ele sorriu de canto.

–Eu não quero você... Era uma brincadeira, seu grande palhaço! –se levantou, me empurrando para que saísse da frente da geladeira. –Eu não como porcaria. –riu cínico ao que o encarei furioso.

–Idiota... Pegue o que quiser então e não enche! –respondi indiferente, dando de ombros e me sentando na cadeira antes ocupada por Himchan.

–Você continua a comer isso, mesmo sabendo que faz mal? –o moreno se virou apontando para os pacotes de macarrão instantâneos sobre o armário ao lado, logo pegando um deles e fazendo uma careta.

–Hey, deixe o meu pedacinho dodo céu bem aí! –me levantei rapidamente e puxei o pacote da sua mão. –Isso... –apontei para o macarrão instantâneo. –É divino. Um presente dos deuses... Não toque mais nos meus preciosos lámens! –o mais novo fez careta novamente assim que eu terminei de falar.

–O que eles têm que eu não tenho? –fez bico.

–Tempero! –respondi logo lhe dando as costas, rindo discretamente da expressão do moreno.

–Tá bem. Eu já entendi qual é a sua com esse macarrão... –Himchan se sentou abrindo a garrafa de cerveja que colocou sobre a mesa. –Você pode come-lo quando e onde quiser, e ainda tem a vantagem de que ele nunca irá reclamar de que você não lhe deu flores.

–É isso aí! –rimos debochados.


Não sei ao certo quanto tempo ficamos na cozinha apenas jogando conversa fora e bebendo, mas, naquele dia, eu só precisava de alguém para me fazer companhia; alguém com quem pudesse conversar e contar os meus problemas. E Himchan estava lá... O meu amigo de todas as ocasiões!

Contei a ele tudo o que estava sentindo em relações a Jongup, e ele foi compreensivo. Apesar das brincadeiras infantis, Himchan sabia a hora de ser um homem, ou simplesmente um bom amigo. Contei também sobre o sonho que tive na noite anterior e sobre o que havia acontecido no hospital antes de eu sair de lá.


Assim que anoiteceu, o moreno pegou as suas coisas e, antes de ir embora, disse-me palavras que eu nunca esquecerei.

–Não o prenda a si, Bbang... Uma hora ou outra ele terá que partir. Será doloroso, mas aquele garoto é como um anjo. Apenas deixe-o voltar para o lugar dele. –sua mão repousava em meu ombro enquanto ele dizia tais palavras, olhando em meus olhos e sorrindo.

Eu simplesmente abaixei a cabeça indicando que havia entendido, e o mais novo logo saiu. Voltei a me sentar no sofá e fiquei um bom tempo apenas encarando as paredes da sala. Depois de longos minutos sem fazer nada, vi meu celular vibrar sobre a mesinha de centro e logo olhei para a tela do aparelho, vendo o nome do moreno aparecer no mesmo.

–Cara, você esqueceu alg...

Bbang, é... –o mais novo me interrompeu com a voz em um tom sério, parecendo não ser a mesma pessoa que havia estado na minha casa minutos antes. –Você pode vir ao hospital?a sensação de que algo ruim havia acontecido, e a agonia do sonho, me tomaram, impedindo-me de dizer qualquer coisa.

Me levantei em um pulo e desliguei o celular, correndo rapidamente até a porta para tentar chegar o mais rápido possível e descobrir o que o mais novo queria comigo. Eu não queria pensar que podia ser algo com Jongup, mas a possibilidade insistia em me fazer derramar algumas lágrimas antes mesmo de descobrir. Depois de percorrer alguns quilômetros, adentrei o hospital na mesma velocidade, desviando das pessoas que apareciam na minha frente, até ser parado por Himchan.

–O que é? O quê? –eu já estava quase fora de mim.

–Primeiro se acalma, okay?! –Himchan me segurou pelos ombros, voltando a olhar em meus olhos. Eu parei, respirando fundo, e então olhei para a porta em que uma enfermeira saía. Pela porta entreaberta pude ver alguém cobrir um corpo, e então olhei melhor para a porta do quarto. Era o quarto dele. Era Jongup ali sendo coberto.

Sem dizer uma única palavra, empurrei o moreno da minha frente e corri para dentro do quarto, descobrindo em um movimento rápido aquele corpo sobre a cama. Vendo-o já completamente desligado do tubo que o ajudava a respirar, com os olhos fechados e uma expressão serena, pus-me a chorar. Naquele momento eu não estava ali como um médico, mas como um amigo, me permitindo chorar silenciosamente vez ou outra engolindo urros de desespero. Eu queria gritar, e até mesmo morrer.

Himchan ficou parado ao meu lado esperando para tentar falar comigo; o seu olhar de "eu sabia que seria assim" sobre mim...

–Yongguk, eles precisam levar o corpo. –o moreno sussurrou me puxando para trás, me abraçando em seguida.

–Himchan, por quê? Por que tem que ser assim?

–Nós sabíamos que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, não é?! Ele até viveu mais do que o tempo determinado... Normalmente eles se vão muito cedo, você sabe, e ele chegou aos vinte e cinco graças a você! –enquanto Himchan me abraçava e me dizia palavras confortantes, eu fiquei olhando os enfermeiros retirarem o corpo já sem vida do quarto, guiando-o ao necrotério do hospital.

–Como aconteceu? –perguntei tentando ao máximo conter mais lágrimas.

–Me disseram que ele estava dormindo e, subitamente, parou de respirar. Eles tentaram de tudo, Bbang. –Himchan parecia aflito, mas ficou ao meu lado a todo momento.

Depois de alguns minutos naquele quarto tentando digerir o que havia acabado de acontecer, me segurando para não chorar mais, fomos até o necrotério para dar uma última olhada no corpo do menor. Himchan foi sobre protesto, mas sabia que eu iria sem ele, mesmo sabendo que eu não devia. Pedi para ficar um tempo sozinho ali para poder me despedir devidamente do meu pequeno paciente e amigo, e me concederam alguns minutos.

Eu abracei aquele corpo frio, aconchegando-o em meus braços, e dei-lhe um beijo no topo da sua testa. Acariciei o seu cabelo, o seu rosto e selei brevemente os nossos lábios, pedindo-lhe perdão por deixá-lo sozinho naquele dia.


“Te esquecer, te apagar

Para mim são coisas muito difíceis de fazer

(...)

Eu não posso deixar o seu amor

Vou viver assim”.


Tudo logo me foi devidamente explicado no dia seguinte; Himchan foi chamado para uma emergência em sua ala quando tudo aconteceu, por isso estava lá. Depois do enterro, Himchan aproveitou que ficamos sozinhos, por fim, naquele cemitério e se aproximou com as mãos nos bolsos de seu terno preto. Ele então retirou um envelope do seu bolso e estendeu a mão, entregando-me.

–O que é...

–Isso estava com ele... Tem o seu nome ai. –apontou para o envelope de papel em minhas mãos. –Acho que ele queria que fosse entregue. –o moreno sorriu amigavelmente, bateu uma mão em meu ombro e se afastou, dando-me as costas e saindo em passos arrastados do local com as suas mãos nos bolsos e a cabeça baixa.

Eu hesitei um pouco, ainda parado em frente ao túmulo de Jongup, mas logo tomei coragem e abri o envelope logo começando a ler o que havia escrito ali, novamente derramando algumas lágrimas.


"Sabe doutor, é triste pensar que agora eu não poderei mais estar com você. Desde a primeira vez que o vi, minha vida mudou... "Agora eu tenho um amigo"... Era isso o que eu pensava no começo, mas depois de um tempo, cada sorriso que você dava acelerava o meu coração. Estar com você se tornou algo doloroso, porque eu queria fazer muitas coisas e sempre acabei pensando que, se tivesse saúde, eu poderia fazer isso tudo. Estar com você me faz sonhar algo que não poderei realizar. Claro, não é sua culpa. Mas... Sentindo tanta inveja, me sentindo tão patético, não importa o que aconteça o eu de agora acabará se tornando mais miserável. Dessa forma, não conseguirei seguir em frente.

Por ter feito tantas coisas para que eu ficasse bem, obrigado. Por ter dito a mim neste estado "eu vou cuidar de você", obrigado. Desculpe por aquele beijo, mas eu precisava fazer aquilo. Se eu tenho um último desejo, eu quero lembrar de você e daquele momento. Viver uma vida sem sentido, sem memórias de você, seria um inferno. Agora eu... Já... Não posso te ver.

Doutor, eu não quero que chore por mim... Quero que continue a dar o seu melhor sorriso e, se eu lhe fizer falta, apenas lembre-se de que eu o amei e, que por um segundo, pude te mostrar isso.

Uma vez eu vi em um dorama aqui da TV do hospital: "Não há nada mais vulnerável do que viver na solidão. Se você empurrar no lugar certo, você pode fazer com que uma pessoa desmorone em um segundo". Não seja uma pessoa assim, por favor... Eu só desejo que você encontre alguém que o faça feliz... Que o faça sempre sorrir e... Eu sei que é de mais, mas... Posso te pedir um favor? Seja muito feliz! Se apaixone! Eu sempre quis dizer isso para você, mas não tive coragem por motivos óbvios; seria estranho, não acha?! Mas agora, não há o que temer... E, por favor, doutor Bang, não me julgue mal por ter te amado... Eu não escolhi isso.

"Porque, com o sentimento do amor, você se sente como se tivesse o mundo aos seus pés. Por causa do amor, você pode às vezes sentir-se como se estivesse morrendo. Esse tipo de amor… Você precisa de coragem para experimentá-lo". Eu espero que você, doutor, já tenha experimentado também. É tão bom...

Me desculpe por não ter lutado mais e por ter abandonado os meus remédios embaixo do colchão. Me desculpe por não ter te contado sobre as minhas dores... Me desculpe por não querer mais que você cuidasse de mim por mais tempo. Isso foi uma escolha minha; não queria mais ser um estorvo na vida de ninguém!

"Há tempestades que passam a ser flores, apesar de ser o Adeus... É a vida! A alegria sempre vem depois da tristeza."

Eu te amei, doutor Bang Yongguk... Eu te amo!

Grato por tudo, Moon Jongup."


“Hoje á noite em seus dois olhos

Eu vejo a dor que você esteve escondendo de mim,

Por trás desse sorriso”.


–Então foi assim? Tão simples e doloroso... Me desculpe, Jongup... Por não estar ao seu lado... –derramei mais algumas lágrimas, guardando aquele papel no meu bolso, saindo em silêncio.


"Palavras que eu não poderia dizer, então,

palavras que eu estou dizendo agora,

embora possa ser tarde demais...

Eu ainda te amo!"


Por que me apaixonei justo por ele? Isso eu ainda não sei, mas aprendi muito sobre o que é amar alguém. Uma perda sempre é dolorosa, mas as memórias sempre ficarão com você se quiser leva-las consigo. Não, eu não fiquei ou me apaixonei pelo Himchan! Apesar de saber que ele sairia comigo com todo grado, eu ainda não posso; não estou preparado para isso. Mas, em meus sonhos, Jongup sempre estará presente. Ele também me ensinou que sempre devo prestar atenção nos colchões dos pacientes.

Mas eu sei que agora Jongup está bem... Ele está finalmente no seu lugar!


"Tudo vai ficar bem...

Na verdade, às vezes, ainda sinto sua falta...".

June 2, 2020, 5:36 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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TaeChan Fujoshi surtada, adoradora de yaois

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