insaneboo Boo Alouca

Shijima Hoki achou que havia se estabilizado numa espiral de rotina e isolamento, afim de manter sob controle sua estranha habilidade de enxergar mais do que os humanos normalmente vêem. Até o espírito de uma criança aparecer na sua porta, dizendo ter vindo do seu futuro e ter uma missão especial para ela. [UNIVERSO ALTERNATIVO]


Fan-Fiction Anime/Manga Nur für über 18-Jährige.

#sobrenatural #mistério #mortes #espíritos #hentai #KankuTen #gaashiji #gaara #naruto
1
1.2k ABRUFE
Im Fortschritt - Neues Kapitel Alle 30 Tage
Lesezeit
AA Teilen

O menino do futuro

N/A: E aí alecrins dourados, tudo bom?


Não muito, eu sei, são tempos de COVID-19, afinal.

E eu espero que a essa altura vocês já saibam o máximo possível a respeito e estejam seguindo todas as recomendações de medidas de segurança ao alcance.


Essa história estava planejada para ser postada só depois do fim de OSK, porém me achei na obrigação moral - assim como outros autores que conheço - de postar o máximo possível de conteúdo pronto para ajudar a entreter vocês na quarentena e tornar isso tudo minimamente menos desconfortável.

Então tá aqui o presente. Essa fic foi especialmente pensada para as pessoas que não tiveram os ships GaaShiji e o KankuTen que cês puxaram do éter em OSK (em outras plataformas é claro, pq aqui eu sei que falo com o vento rsrs).


E também pela vontade que eu estava de trabalhar em UA, porque pelo visto é a minha única chance de ter algo que possa ser convertido em original mais tarde, já que eu flopo todos por causa das fics rsrs

Sem mais enrolar, vamos pra história. Boa leitura o/


***


Shijima


— Olha por onde anda, ôh quatro olhos!


Um homem rosado, careca e claramente mal-humorado fez questão de botar a cabeça para fora da janela e gritar, quando se viu forçado a uma freada brusca.


Do contrário, teria de me prestar socorro por atropelamento.


Eu nem tive tempo de lhe fazer um gesto rude, enquanto corria sob uma saraivada de buzinas, para escapar dos outros carros que talvez fossem ainda menos gentis.


Era o convencional fim de mais um dia normal na metrópole. Previsível, cansativo, estressante. Quase medíocre.


Ou ao menos era o que eu esperava que fosse.


Cheguei esbaforida do outro lado da calçada, com a voz repreensiva de Shigezane maltratando meus ouvidos através dos fones.


— E ainda reclama quando a gente tenta ajudar…


Ele se referia as várias intervenções que já tentou promover em conjunto com minha irmã, para que eu tirasse o que eles chamavam de período sabático.


Eu chamava de loucura. Mas eles me entenderiam logo.


Shigezane e eu conversávamos sobre a vinda deles para a capital. Seria o primeiro ano dos dois na Universidade Federal de Konoha. Ele para cursar engenharia hídrica e Hakuto como caloura de medicina.


Eu mal podia esperar para vê-la passar o mesmo que eu há quatro anos atrás. E também mal podia dormir de preocupação por esse exato motivo.


As pessoas me olhavam estranho conforme eu cortava o caminho entre elas, sem paciência para esperar que se tocassem de parar de passear pelas ruas cheias do centro.


Eu tinha plena ciência de que parecia uma louca, correndo e falando sozinha, porque meu cabelo cobria boa parte dos fones de ouvido.


E sei que isso era algo grave, pois geralmente ninguém parece especial por ser apressado, num lugar onde a via de regra é ser apressado.


— Depois a gente se fala mais, ok? Preciso resolver uma coisa agora.


Cheguei a portaria do prédio que se tornara minha casa desde o primeiro dia na cidade.


Era um edifício antigo e modesto de cinco andares, conhecido no campus como o albergue dos médicos, pois era para onde a maioria dos estudantes de medicina preferia ir.


Tive de disputar minha vaga ali, quase a tapa.


Ficava estrategicamente bem situado, próximo a todos os lugares que mais precisávamos, incluindo o campus e os hospitais de estágio e residências, assim como na esquina de um ponto de ônibus. E o aluguel era acessível.


Cada andar continha três apartamentos de dois quartos. Eram imóveis amplos, no entanto, conforme se tornavam mini repúblicas, ficavam rapidamente pequenos e caóticos.


Eu era a única que morava sozinha e nunca recebia visitas.


Quero dizer, quase nunca. Ninguém é de ferro.


Passei pela modesta guarita improvisada e dei um 'boa noite' que o porteiro devolveu de má vontade, sem sequer se dar ao trabalho de erguer o olhar.


E pensar que tivemos todos um aumento no aluguel, só para que ele pudesse estar ali fazendo uma graninha extra para ajudar com as despesas de seu curso, enquanto nos dava a falsa sensação de segurança e de que teríamos um pouco mais de ordem por ali.


Shikamaru, não vivia nesse prédio, mas cursava ciências políticas na faculdade local e namorava a inquilina do quinhentos e dois, Temari.


No geral, apesar de passar propositalmente despercebida por todo mundo há quatro anos, eu conhecia muito bem as pessoas ao redor.


Admito possuir uma mania estranha de observar e pior ainda, de não esquecer essas informaçõezinhas pouco relevantes.


Sempre achei que havia algo de fascinante na natureza humana. Talvez fosse por isso que eu também gostava de assistir reality shows nas horas vagas.


Era uma forma segura de conhecer a sociedade sem precisar interagir com ela e furar minha bolha.


Mas sobre Temari e Shikamaru eu sabia bem, porque ela e seus irmãos moravam no apartamento acima do meu e o quarto dela, infelizmente, também ficava em cima do meu quarto.


Em alguns dias eu queria implorar para que seus irmãos ficassem mais em casa à noite, porque deixá-los sozinhos significava que eu não ia conseguir estudar ou dormir, por muitas horas.


O elevador estava quebrado, de novo. Nem reclamei dessa vez. A verdade é que aquele troço era tão velho, que mesmo quando funcionava, eu não achava confiável.


Me resignei pelas escadas, me iludindo que isso compensaria as corridas matinais que eu pulei ao longo da semana e caminhei até o meu andar.


Antes de entrar em casa, entretanto, eu precisava bater no quatrocentos e um.


A barulheira vinda lá de dentro era muito pouco convidativa, uma discussão acalorada se passava atrás daquelas paredes. Bati mesmo assim, porque não fazia sentido deixar para outro dia.


A mensagem que recebi soava urgente.


Tive que tocar a campainha três vezes até alguém atender.


Rock Lee e seu sorriso atemporal abriram a porta. Ele era o filho do dono do prédio e responsável pelas árduas tarefas de manter aquilo minimamente em ordem e cobrar os aluguéis.


Fazendo parecer que a gritaria era mero plano de fundo, como uma TV ligada, apesar de seu rosto estar bem constrangido, ele me conduziu a entrar.


— Me desculpe por ter pedido, mas… — Ele tentou começar.


— Está tudo bem. Não precisa justificar, vou adiantar enquanto eu puder.


Enfatizei, apoiando a mochila numa mesa próxima e me apressando em procurar a carteira para lhe pagar o aluguel.


Não era a primeira vez que ele me pedia para adiantar em dinheiro vivo.


Lee era o tipo de pessoa tão boa que o mundo não merece. Vira e mexe as pessoas atrasavam ou simplesmente não pagavam tudo, pulavam um mês ou outro. Davam qualquer desculpa esfarrapada e ele estendia o prazo.


Não expulsava, nem aumentava as taxas de ninguém.


Você precisa pegá-lo de extremo mau humor — o que é absolutamente raro — ou ter conseguido a proeza de pisar no calo dele pra valer, para o ver sair de seu centro alegre e otimista.


Porém, para não ficar muito em desvantagem com as contas pessoais e do prédio, ele acabava recorrendo a pedidos assim para quem ele sabia que poderia ajudar.


Sendo ele um senhorio e uma pessoa tão boa, eu jamais pensaria em negar ou julgá-lo por sua administração benevolente.


Já estava de saída — depois de negar os bolinhos de arroz com molho de curry, no mínimo umas duas vezes — quando ele juntou coragem para me pedir mais um favor, apontando uma seringa embalada ao lado de uma ampola e um pouco de algodão e álcool.


— Eu sei fazer, é claro, é que tenho… nervoso. O Neji costuma me aplicar, mas hoje ele…


E parou no meio da frase, olhando para a porta fechada de um dos quartos, de onde vinha o barulho da discussão.


Ele precisava saber sobre isso por causa de suas aplicações regulares de testosterona.


Rock Lee era um homem trans.


— Entendo. Me dê só um instante.


Nos minutos seguintes, gastei um tempo em seu banheiro, lavando bem as mãos ao som da troca de gentilezas no cômodo em frente, cada vez mais difíceis de ignorar.


"Não estou exagerando! Não tente virar isso pra mim. Por que passa tanto tempo com ele? Todo mundo comenta, você acha que eu sou idiota? Por que não abre logo o jogo comigo?"


"Pelo amor de Deus, Neji, a mãe dele faz aniversário de morte hoje, no mesmo dia que o irmão dele faz aniversário, eu só estava sendo legal, você é paranoico!"


"Meu pai morreu e você nem sabe o nome dele, Tenten, por que se importa tanto com esse cara?"


Eu sabia do que estavam falando. Foi por parte dessa pauta que perdi meu colega de estágio naquele dia e o Doutor Orochimaru me pediu para cobrir o turno dele.


Me lembro de quando aconteceu, no ano passado. Foi uma das poucas vezes que troquei algumas palavras com Gaara, o Ed Sheeran do mundo invertido, como as meninas da sala costumavam cochichar — os meninos os chamavam de coisas bem piores —, apesar de termos estudado juntos, desde o primeiro ano.


Como se já não bastasse perder a mãe no dia do aniversário, ele a perdeu em suas mãos. Ela era uma das pacientes da UTI, num dos nossos plantões do estágio.


Foi muito repentino. Quando aconteceu, estávamos só fazendo uma ronda no andar. Não tínhamos ordens para tratá-la, sendo alguém tão pessoal para um aluno, mas não pude impedir que ele corresse quando as máquinas começaram a apitar.


Ele ficava repetindo "o que eu fiz?", mas eu estava com ele o tempo todo. Gaara não fez nada de errado.


Desde então ele andava se arrastando por aí, ainda mais fechado e distante que de costume.


Gaara tinha sua turminha e tinha seus irmãos, sempre teve. A princípio não era de todo inacessível às pessoas de fora. Depois disso, até seus chegados da bolha passaram a ter dificuldades de tê-lo realmente por perto.


Às vezes ele beirava a arrogância se quisesse te manter longe. A maioria não entendia muito bem essa parte agressiva de seu luto, uma vez que ninguém o culpava por nada e todos ao seu redor pareciam muito empenhados em mimá-lo e fazer com que se sentisse melhor.


Era curiosa a maneira como ele pareceu pôr a realidade em piloto automático, como se parte sua estivesse propositalmente sempre dormindo enquanto o corpo ficava num alerta defensivo constante.


Isso fazia dele a pessoa mais parecida comigo de todos os semi conhecidos adquiridos ao longo daqueles anos. Isso também fazia dele a pessoa que eu menos deveria me permitir observar e a mais interessante de todas.


Mas Neji, que dividia aquele apartamento com Lee e sua namorada Tenten, não estava com ciúmes de Gaara e sim do irmão do meio dele, o Kankuro.


Kankuro e Tenten cursavam o último ano de artes cênicas e de fato, uma química estalava entre eles.


Quando retornei à sala, Lee já havia acrescentado uma caixa de luvas descartáveis sobre a mesa, junto dos demais itens.


— O bom de morar no meio de tanto médicos e enfermeiros, é que essas coisas nunca faltam.


Eu ajeitei os óculos no rosto, lhe dei um sorrisinho cortês e comecei a preparar a aplicação.


Lee desviou o olhar, porém ainda parecia muito constrangido. Por fim, acabou perguntando.


— Podemos fazer isso em outro lugar, mais sossegado, se quiser.


— Tem muito mais barulho nos meus estágios, não é nada demais.


Ele me deu um olhar simpático, mesmo assim fiquei me perguntando se fui muito pretensiosa.


Os outros dois alteravam ainda mais os ânimos no quarto. Lee se apoiou na mesa e abaixou um pedaço da calça para que eu pudesse ter acesso a área da aplicação.


Ecoando através das paredes entre nós, Neji que também era um colega de classe meu desde início de curso, agora sugeria que o casal não fosse a algum lugar, para priorizar a solução daquela crise de relacionamento.


Tenten achou a ideia inconcebível.


Confirmei com Lee seu consentimento para o pequeno procedimento e ele fez que sim com a cabeça. Virou o rosto um pouco de lado para enfatizar minha visão de seu aceno e tinha os olhos espremidos como se na verdade, eu fosse lhe dar um tiro.


Quando acabou, ele se virou com um sorriso tão grato e aliviado, enquanto se ajeitava, que eu quis ter um pirulito de prêmio por sua bravura inocente. Triturei a ideia na mente tão logo percebi o alto risco de soar sarcástica demais.


Ganhei um abraço exagerado e a alcunha de melhor inquilina que no fundo, não era de todo um elogio e sim, mais um lembrete das minhas altas habilidades de invisibilidade.


Em quatro anos eu não fui uma pessoa marcante em lugar nenhum. A maioria dos vizinhos ali e até mesmo os meus colegas de curso, provavelmente não tinham sequer gravado meu nome.


É claro que Lee me achava maravilhosa, ele nunca havia tido problemas comigo e ainda podia contar para quando precisasse de pequenos favores.


É sempre assim, temos mais facilidade de gostar das pessoas quando só conhecemos a versão superficial que criamos delas.


Não me magoava, eu colhia o que plantava e preferia assim.


Eu tinha meus motivos para querer manter essas distâncias.


É que quando eu olho para as pessoas, às vezes, enxergo mais do que só as nuances dos seres humanos e as particularidades que cada um expõe em variados contextos.


Às vezes eu enxergo coisas que não deveriam ser vistas por ninguém.


Ou sequer estar nesse mundo.


Como todas as minhas tentativas de fazer isso parar, falharam, decidi que a única forma de sofrer um pouco menos era não me envolver profundamente com ninguém.


Se o coração não sente, os olhos se dessensibilizam a ver.


Não é uma perda se não era seu e os monstros são menos assustadores quando perseguem desconhecidos.


Não era um método cem por cento eficaz, é claro.


A sociedade é um mal necessário, a solidão é um dos sentimentos mais corrosivos que existem e não sendo uma psicopata, inevitavelmente a empatia pela minha espécie falava alto demais.


Como Lee, por exemplo, que podia me pedir qualquer favor, tamanha a simpatia que conquistara, sem nem tentar.


Eu já girava a maçaneta quando ele me questionou:


— Você vai?


— Pra casa? — Devolvi confusa.


Ele riu e apontou com os olhos para o quarto da discussão. Ele se referia ao assunto entre os berros.


— Não, para o bar do Jiraya. Vamos estender uma balada depois. É meio que uma surpresa. É aniversário do Gaara, você deve saber…


— Sei que é aniversário dele, mas não ouvi nada sobre o resto.


E não era nada chocante, considerando que quase ninguém lembrava que eu existia.


— Mas o Kankuro convidou todo mundo do prédio. Ele falou no grupo do Whatsapp.


— Ah sim…


Eu não havia tido muito tempo — ou vontade — de checar os grupos naquela semana.


Por que afinal inventam grupo para tudo? Qualquer classe, qualquer trabalho, qualquer coisa virava um grupo que bastava passar um dia para se perder do propósito inicial. Um saco.


— Mas como é surpresa se ele falou no grupo?


— Gaara saiu de todos os grupos em comum com a gente, hoje cedo. Disse que estava atrapalhando ele a estudar, mas todo mundo sabe que ele só não quer falar com ninguém hoje.


Safado inteligente. Por que não tive essa ideia antes? Agora não seria mais original.


— Então, uma festa surpresa talvez não seja uma boa ideia, não acha?


— Acho. — Lee sacudiu os ombros. — Mas se ele vai ganhar uma, querendo ou não, os amigos deviam estar lá.


Não sou amiga dele. Não sou amiga de ninguém.


Não devo ser.


Abri um sorrisinho educado.


— Cobri o turno dele com o Doutor Orochimaru, hoje. Já dei meu presente de aniversário.


Ele deu de ombros novamente, numa resignação forçada.


— Bom, se mudar de ideia, marcamos às oito e meia.


Então eles beiravam o atraso. E lembrá-lo disso foi meu passe livre. Lee se focou em conter a batalha épica em sua casa e eu pude enfim partir para o meu apartamento.


O som do chaveiro chacoalhando enquanto a fechadura abria me soava como um canto dos deuses.


Tirei os sapatos que torturaram meus pés o dia todo e taquei no chão junto com a mochila. Meu corpo encontrou o caminho do sofá roboticamente. As máscaras sociais caindo a cada passo, assim como a adrenalina diminuindo e esfriando meu sangue, trazendo a necessidade de um analgésico para as dores que se espalhavam por mais músculos do que eu queria contar.


Me joguei ali e dei uma boa olhada em volta. Até que estava tudo em ordem. Nunca fui perfeccionista, mas não sobreviveria num extremo de desorganização.


Será que era bom o suficiente para receber outras pessoas? Era o suficiente para me tornar capaz de proporcionar a Hakuto uma experiência melhor do que a minha?


Preocupada com minhas funções de irmã mais velha, forcei meu corpo cansado a se levantar e vasculhar a geladeira e os armários da cozinha.


Eu precisava com urgência ir às compras.


Por que ela escolheu vir para perto de mim? Com tantas faculdades no país, com nossos pais oferecendo que ela estudasse fora, com todos os nossos privilégios, por que ela ainda queria imitar tudo o que eu fazia como uma criancinha?


Por que ela confiava tanto em ficar debaixo das minhas asas?


A última coisa que eu recomendaria a qualquer um era que confiasse a si mesmo em minhas mãos.


A campainha tocou e me arrancou de meus devaneios. Me encaminhei para a porta arrastando os pés, bufando irritada.


Por que Lee tinha que ser tão insistente?


Mas não era Rock Lee quem eu encontrei atrás de porta.


Abaixei a cabeça quando não vi nada à altura dos olhos e me deparei com uma criança. Devia ter uns sete anos, oito no máximo.


Pele clara, queixo triangular, os cabelos escuros estavam espetados — aparentemente de propósito.


Sobrancelhas finas e muito sutis emolduravam os olhos cinzentos que na verdade, vinham de algum tom de verde, desses que só ressaltam na luz do Sol.


Descalço, ele vestia um pijama de moletom preto que parecia ter enfrentado uma batalha e tanto.


Demorei alguns segundos até piscar os olhos arregalados e desfazer o choque inicial da visão, para ter uma reação decente. Ao longo dos dias nos últimos quatro anos, algo que eu nunca havia visto naquele prédio era uma criança.


E sobretudo, uma com cara de poucos amigos e uma ferida gotejando sangue do canto da testa.


— Como entrou aqui? Você é parente de alguém? Precisa de ajuda?


Ele obviamente precisava, mas eu não estava raciocinando muito bem antes de dizer.


Por que bateu justo na minha porta?


O menino me encarou com mais profundidade e não disse nada. Ao invés disso ele apenas caminhou para frente, passando por debaixo do meu braço que segurava a porta e entrando no apartamento.


Com a visão periférica eu o vi caminhar com calma até o sofá e dar duas batidinhas no estofado ao seu lado, me chamando.


Fora do corredor mal iluminado do albergue, sob a luz branca das lâmpadas fluorescentes da sala de estar, eu entendi melhor o que estava vendo. Respirei fundo, me resignando e relembrando a mim mesma de que já sabia lidar com isso.


Dei um passo para trás, conferi o corredor — vazio — e fechei a porta. Tirei os óculos e os pus sob o balcão que dividia a cozinha e a sala.


A verdade é que eu enxergava muito melhor sem eles. A função deles nunca foi me ajudar a ver, mas me proteger do que eu via ao tentar refrear tudo o que meus olhos teimavam em me mostrar.


Porque eu podia ver o que transitava na fronteira do mundo dos encarnados com o mundo dos mortos. As oscilações só possíveis nessa dimensão etérea paralela, ocasionalmente, sem uma regra ou padrão específico, eu via.


Até ali nunca soube porque sou assim e porque mais ninguém era.


Naquele instante eu só sabia que vivo, o menino no meu sofá não estava.


Era só o que me faltava para fechar esse dia de merda.


Caminhei até ele da forma mais firme que pude fingir e disparei, ansiosa por terminar o que mal havia acabado de começar:


— Como posso te ajudar?


Ele encenou um desnecessário respiro longo e sua expressão finalmente se torceu em algo como uma leve apreensão.


— Fica calma, 'tá? — Ele gesticulou devagar, como se quisesse me ensinar a respirar corretamente — Eu sei que vai parecer loucura, mas eu sou seu filho. E eu vim te avisar sobre o papai…


***


N/A: Então, o que acharam do projeto? Tem algo que esperam ver aqui em especial?

Nos veremos de novo muito em breve, porque eu pretendo terminar de escrever o próximo capítulo de OSK amanhã.


Lavem as mãos, fiquem hidratados, mantenham o celular limpo também, porque se não já era.

Fiquem bem, fiquem seguros e saudáveis. Se cuidem por vocês e por todos. <3

17. März 2020 22:55:42 0 Bericht Einbetten 0
Fortsetzung folgt… Neues Kapitel Alle 30 Tage.

Über den Autor

Boo Alouca Fanficando atualmente sobre desenhos animados e animes diversos 💙

Kommentiere etwas

Post!
Bisher keine Kommentare. Sei der Erste, der etwas sagt!
~