Countdown to The Authors' Cup 2020. Sign up now for the chance to win prizes!. Weiterlesen.
amandaismirnadc Amanda Luna De Carvalho

Inspirada livremente na Novela Alma Gêmea, não se trata de uma temática espírita, mas de um livro cristão, com muitas diferenças da trama das sete horas, passada na Globo. A bailarina e modelo Mina foi brutalmente assassinada aos 17 anos e seu marido Perse nunca se conformou com aquela morte, com ninguém encontrando seu assassino e guardando um segredo que nem Perse sabia. Anos depois, a escritora e historiadora Alice, irmã de Mina, têm sonhos estranhos e ao descobrir a verdade, deve contar tudo para Perse e justiçar a memória de Mina, livrando sua outra irmã Anytha de uma culpa que não possuía. Agora, confuso com o que andava acontecendo, Perse se vê apaixonado por Alice, sua prima, pela sua extrema semelhança com Mina, mas seu coração precisava se livrar da mágoa da mentira que separou-o de Mina, há mais de vinte anos antes.


Drama Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#morte #moda #livrocristão #chamasgêmeas #baléclássico #assassinato #almasgêmeas
1
4.0k ABRUFE
Im Fortschritt - Neues Kapitel Alle 30 Tage
Lesezeit
AA Teilen

Capítulo 01 — O Começo da Paixão

*****

Sexta-Feira, 27 de Junho, 1997

*****

Eram umas onze horas da manhã e a praia de Doheny Beach, em Orange County, na Califórnia, estava até relativamente vazia, para aquele horário. Perse olhou de um lado para outro, já tinha pegado onda e se sentiu entediado, pois a maré não estava tão legal para avanços radicais. Sentado na areia, brincava com os grãos fofinhos, continuando a bufar como um velho rabugento. Olhou para o mar novamente, continuava cansado, queria manobras mais ousadas. Passado um tempo, olhou para o sol e fechou os olhos, para evitar o incômodo. O tempo estava esquentando um pouco. Quem sabe, a maré não cooperava ainda?

Se levantou e pegou a prancha de surfe, nas cores amarela e marrom, sentindo o peso do item. Deu alguns passos, quando percebeu uma bola de vôlei chegar perto de sua pessoa. Ficou parado, sem saber como agir, quando uma garota, com aparência de pouco mais que uma adolescente, veio em sua direção. A garota encarou-o um pouco, meio que com vergonha, até começar a se desculpar.

— Olá! Primo Perse, você aqui? — a garota sorriu, timidamente. — Desculpe, é minha bola de vôlei, estávamos jogando e uma das minhas amigas lançou bem longe, terminando por parar aqui.

— Não tem problema, não precisa se desculpar, essas coisas acontecem. — Perse sorriu de volta, reparando o quanto sua prima era bonitinha, apesar de não ser nenhuma beldade, possuindo cabelos loiros e olhos verdes, percebendo que nunca havia notado aquilo antes. — Não sabia que estava por aqui também, Mina, que bacana.

Quis colocar a prancha na areia e pegar a bola para devolver, mas a garota foi mais rápida e pegou logo. Ambos se encararam por um momento de novo, quando Mina se despediu.

— Eu já vou voltar ao jogo e me desculpe qualquer coisa. — a garota continuava a parecer extremamente tímida. — Eu estou passando uma semana aqui, para repousar um pouco.

— Espere, não quer conversar mais um pouco? — Perse perguntou, relativamente curioso por Mina estar tão bonitinha agora. — Podemos comer um lanche e tomar um suco naquela lanchonete ali, onde meu amigo Charlie trabalha.

— Ah, não, Perse, não precisa se incomodar comigo. — a garota respondeu, mais parecendo por educação, estando interessada em voltar aos seus afazeres. — Podemos ver-nos depois, não quero perturbar mesmo.

— Oh, que distração a minha! Esqueci de cumprimentar-te! — estendendo-lhe a mão, enquanto segurava a prancha com a outra mão. — Tudo bem, gatinha?

Os dois se cumprimentaram e Perse sentiu como se tivesse tomado um choque, não sabia dizer o que desencadeou aquela reação, mas Mina tinha um aperto de mão e tanto, impressionando Perse, nunca tendo sentido aquilo antes.

"O que foi aquilo, meu Deus?", Perse se perguntou internamente, já que Mina era considerada apenas uma priminha qualquer, compreendendo que tinha virado uma moça.

Mina retirou sua mão rapidamente e desviou o olhar, parecendo que sentiu a mesma coisa, com nenhum dos dois sabendo interpretar o momento.

— Tudo bem, primo Perse. — Mina já estava se virando, para escapar daquela situação. — Mas preciso ir agora, minhas amigas estão me esperando.

— Espere! Pode parecer meio idiota o que vou perguntar, mas onde você está hospedada? — as palavras de Perse saíram automaticamente, quase nem notando o que estava indagando. — É aqui perto? Pretende ir embora logo?

Mina voltou a encarar Perse e suspirou, se sentindo meia estranha pela situação, como se nunca tivesse visto Perse antes, impressionada com sua beleza, aqueles cabelos loiros, bem aparados, aqueles olhos verdes, bem flamejantes, como se não passasse de alguém que não conhecia.

— Eu... Eu estou hospedada na casa de Tia Lena e pretendo voltar para Nova Iorque logo... — Mina quase engasgou ao dizer, queria partir rápido, o olhar daquele homem, parecia desnudar seu espírito. — Como eu disse antes, estou apenas repousando aqui...

— Eu não pretendo permanecer muito tempo na Califórnia também. — Perse não queria que Mina, aquela garota de cabelos loiros e olhos verdes, se afastasse. — Vim passar uns dias, para relaxar um pouco.

— Interessante... — Mina respondeu, ainda sem saber onde enfiar a cara de vergonha. — Agora, preciso ir embora mesmo, até mais...

Mina virou as costas e saiu correndo, deixando Perse de boca aberta, devido ter tido a conversa mais esquisita do mundo, ainda mais, com alguém que conhecia e que pareceu ser apenas uma estranha que nunca viu na vida.

Ficou olhando Mina chegar até perto de suas amigas, não sabendo dizer quanto tempo permaneceu petrificado, admirando a garota.

"Devo estar louco, não é mesmo?", refletiu por alguns segundos, se sentindo confuso com aquela conversa nada normal.

Perse viu Mina voltar a jogar vôlei e pensou em como se aproximar depois, observando que a garota olhava-o quando podia também.

"Não entendo, é como se eu nunca tivesse visto Mina antes, comigo sendo um estranho também, dando a impressão que eu não passasse de algum maluco ou psicopata, sei lá!", Perse pensou.

Desviou os olhos e analisou o mar de novo, resolvendo ignorar seus sentimentos e surfar um pouco. Assim, pegou a prancha e entrou nas águas.

As ondas estavam razoáveis, cada movimento não causava aquela adrenalina enorme, mas satisfazia sua emoção.

Se passou uma meia hora, mas Perse não queria sair dali tão cedo, tentando focar nas ondas, mas Mina não saía de seus pensamentos e seria assim, que dado momento, resvalou numa vazante, fazendo-o desequilibrar e cair dentro da água. Tentou nadar para cima, mas alguma coisa puxou-o mais para o fundo.

Perse lutou para subir, mas engasgou com o líquido salino entrando pela garganta, não entendia devido ao quê, porém, não conseguia se firmar para chegar para cima.

Foram momentos terríveis, quando sua vida passou toda na sua mente, até Perse sentir uma mão puxando-o daquele desespero.

Demorou um pouco para aquele turbilhão terminar, parecendo um pesadelo, podendo ter morrido naquela brincadeira.

Então, Perse ouviu a voz de um Anjo, um som tão doce como de uma soprano, alguém chamada Mina.

— Você está bem? O que aconteceu? Tome cuidado, poderia ter custado sua vida! — Mina encarou-o diretamente. — Vamos sair daqui, rápido! Não é seguro! Consegue nadar ou precisa de auxílio? Acene com uma das mãos, para dizer que está melhor!

Perse levantou a mão, mas havia engolido líquido salino, precisava de auxílio ainda e ao acenar positivamente, notou que um homem estava na frente de ambos e só poderia ser o salva-vidas, que confirmou sua identidade, ao olhar para Perse e Mina.

— Senhor, parece que está bem, mas por gentileza, se apoie em mim, para retirá-lo da água, para sua própria segurança! — o salva-vidas pediu, se aproximando de Perse, que se segurou no salva-vidas. — E você, Senhorita, não deveria ter se arriscado a entrar na água, isso é meu trabalho, mesmo tendo sido mais rápida! E agora, vamos embora!

Perse olhou ao redor à procura da prancha e visualizou até relativamente perto, levantando uma das mãos e apontando para o item.

Mas sem saber como pegar, Mina se adiantou e buscou o item, carregando até a orla marítima, para bem-estar de todos.

Com isso, segurando no salva-vidas e acompanhando Mina, nadaram para longe e mais longe, até chegarem na praia finalmente.

Perse continuava segurando no salva-vidas, que deixou-o sentar na areia, parecia não ser necessário deitar, para fazer os procedimentos comuns de primeiros socorros em afogados, tinha apenas que esperar um pouco, não havia engolido tanto líquido salino, ao ponto de precisar de maiores cuidados.

— O Senhor melhorou? — o salva-vidas repetiu a pergunta. — Não abaixe muito a cabeça, pois pode ser pior, ok?

Perse concordou e permaneceu sentado, com o rosto em posição normal, mas percebendo os olhos preocupados de Mina.

— Eu... estou melhor, mas não entendi bem... — Perse estava confuso ainda, só que conseguiu conversar, quando o engasgo passou. — Mas o que houve? Me desculpem qualquer coisa...

Algumas pessoas estavam perto de Perse e Mina, incluindo as amigas da garota, uma pequena multidão de curiosos, que perguntavam se estava bem. Passado um tempo, todos seriam devidamente afastados finalmente, apesar de terem sido avisados antes.

— Como o Senhor se chama? — O salva-vidas inquiriu. — Está bem mesmo? Precisa de algo? Se sente tonto ainda?

— Me chamo Perse e estou melhor, sério! — Perse quase perdeu a paciência, sabia que tinha cometido um deslize, mas não seria nada aterrorizante. — Por favor, não fiquem preocupados, já pedi desculpas!

— Senhor Perse, se está dizendo que está melhor, então, está tudo ótimo, mas peço que evite entrar na água de novo! — o salva-vidas pediu atenção. — Quer que leve-o para casa? Ou está hospedado em algum lugar?

— Não precisa, meu carro está perto e pretendo ir embora logo... — Perse não queria ser guiado por ninguém, não queria perder a paciência, mesmo sabendo que estava errado e quase sendo mal-agradecido. — Peço desculpas, de novo e de novo, não entrarei na água mesmo, não quero tomar-lhe tempo...

— Tudo bem, Senhor Perse, entendo. — O salva-vidas desistiu, entendendo que estava sendo dispensado, quase que de modo seco. — Qualquer coisa, estarei pelas redondezas.

Perse viu o salva-vidas partir, tendo cumprido sua obrigação, mas sentindo a ingratidão na pele, notando que o homem estava chateado.

Mina encarou-o, meio que dando-lhe uma bronca com os olhos. Perse desviou e olhou para o mar, desconhecendo a intenção da garota. Sabia que se comportou como uma criança traquina, mas detestava excesso de atenção.

A garota suspirou e disse para as amigas, incluindo sua irmã Sandy, que queria ficar sozinha com Perse e que iria embora mais tarde.

Sandy, ao ouvir aquilo, analisou Perse de cima até embaixo, como que tentando descobrir se estava com algum parafuso solto e de novo, se sentiu como se considerassem-no um psicopata.

— Onde está minha mochila? — Mina perguntou para Sandy. — Traga para mim, por favor, preciso trocar de roupas.

— Eu vou trazer, já venho! — Sandy deu uma última olhada em Perse e virou as costas, não concordando com aquilo. — E você, primo Perse, tome mais cuidado! Nem sabia que estava por aqui!

Perse e Mina esperaram pela volta de Sandy, que pouco tempo depois, trouxe uma mochila preta, com detalhes em vermelho. Sandy era casada com Jules, irmão de Perse, apesar da diferença de idade.

— Obrigada, Sandy! Vou para casa depois, está bem? — Mina respondeu, tranquilamente, mas ao notar que Sandy não se moveu um milímetro, repetiu novamente. — Sandy, pode ir, volto para casa mais tarde!

Perse percebeu Sandy apertar os lábios, só que não reclamou de mais nada, se despedindo de Mina com má vontade apenas.

— Você é grande e sabe o que faz! — Sandy deu uma última encarada em ambos, virando as costas e simplesmente partindo. — Até depois!

Sandy deixou-os sozinhos finalmente, até Perse desviar o olhar, ao perceber Mina franzindo as sobrancelhas, meio que censurando-o de novo, pela falta de cuidado com a própria vida.

— Eu acho melhor você trocar de roupa no vestiário aqui próximo, pois não te aconselho a entrar na água de novo! E como me molhei toda, vou trocar de roupa também! Parece que estava adivinhando mesmo! Trouxe uma roupa, para caso quisesse mergulhar! — Mina aconselhou. — Você veio de carro? Leve sua prancha e pegue suas roupas! Se troque e vamos encontrar-nos em algum lugar!

— Eu deixei a chave do meu carro numa daquelas lanchonetes ali, pois o cara é meu amigo e preciso pegar lá! Tudo bem? — Perse respondeu, se levantando. — Só vai atrapalhar minha prancha, mas fazer o quê, não é mesmo? Têm dois banheiros lá, acho que podemos trocar de roupas! Aconselho a fazermos isso no local! Acho que seria melhor me acompanhar até estabelecimento, onde está minha chave, pode ser?

— Ok, acompanho você. — Mina respondeu, parecendo muito séria, devendo estar considerando Perse, um verdadeiro irresponsável. — O estabelecimento não fica longe mesmo, vamos sair daqui, então.

Perse apenas sinalizou com a cabeça. Com isso, segurando a prancha, andaram pela areia fofinha, até chegarem no meio da pista finalmente.

Sentindo que não queria deixar a prancha sozinha ali, resolveu levar até a lanchonete também. Com isso, Perse e Mina andaram um pouco, até chegarem na calçada, atravessando a pista que dava acesso ao trânsito. Assim, um pouco mais adiante, pararam numa lanchonete chamada JMB.

Perse e Mina entraram na lanchonete, pequena e sem movimento. Chegando no balcão, Perse encostou sua prancha na beirada, quando Mina percebeu-o levantar um dos braços e assobiar baixinho, chamando a atenção de um balconista.

O homem estava limpando o outro lado do balcão com pano, mas ao notar Perse dizendo para se aproximar, largou o serviço e veio rapidamente, com uma garçonete olhando os dois com estranheza, ao ver que estavam meio que molhados.

— Boa Tarde, Charlie! — Perse cumprimentou, meio que desanimado. — Pode pegar minha chave, por gentileza?

— Cara, o que houve? Por que está parecendo molhado? — Charlie ressaltou o rosto triste de Perse e indagou de imediato. — Por quê, essa cara de enterro? Morreu alguém e não estou sabendo?

— Seu amigo quase se afogou, agora há pouco! — Mina se intrometeu no meio, olhando a vergonha alheia em Perse. — Eu quem retirei-o do mar!

— Mas que perigo! — a garçonete levantou as sobrancelhas. — Meu Deus, isso é loucura!

— Cara, você é louco? Essas águas até que são tranquilas, mas não se pode brincar com o mar, não é mesmo? Que perigo, Perse! Você está bem? — os olhos azuis de Charlie se arregalaram, complementando com o espanto da garçonete. — Notei uma movimentação longe, mas não podia sair daqui, para atender quem chegasse!

— Charlie, estou bem, já passou tudo, tomarei mais cuidado! — Perse não queria estender o assunto, não tinha chegado tão perto da morte assim. — Pode pegar a chave do meu carro?

— Claro, pegarei, só um segundo. — Charlie se calou, indo buscar o que Perse pediu, até chegar de novo. — Prontinho, aqui está, meu amigo.

— Ah, aqui está minha prancha, Charlie! Pode guardar, por favor? — Perse pediu, sorrindo, tentando disfarçar a bobagem que havia feito antes. — Pego assim que eu e minha prima Mina, terminamos de comer alguma coisa!

— Está bem, Perse! Sim, sem problemas! — Charlie sorriu de volta. — Não sabia que essa moça linda seria sua prima! Com todo respeito!

Assim que terminou de dizer tudo, Perse notou Charlie sair do balcão e pegar sua prancha, para levá-la para algum lugar e guardá-la em local seguro, enquanto Mina estava vermelha como um pimentão pelo elogio. Charlie voltou alguns segundos depois, para atender ambos.

Com isso, Perse e Mina se despediram por alguns momentos, voltando à orla da praia, se encaminhando até o estacionamento. Caminharam mais um pouco, enquanto Perse procurava seu Maverick da Ford, na cor azul-escuro, até achar onde estava estacionado.

Ao chegarem perto, Perse abriu o carro e pegou uma mochila preta com detalhes vermelhos. Ao ver isso, percebeu que a mochila de Mina, era daquele mesmo modo, mas de um modelo feminino. Além disso, sua carteira estava ali também, pegando para levar, devido saber que poderia gastar algo, trazendo em caso de urgência. Pensou, que ao chegar na lanchonete, Mina poderia querer beber e comer alguma coisa.

Perse abriu a mochila e constatou que tudo estava ali, suas roupas secas, sua toalha, além de uma sacola, para colocar sua roupa molhada. Apesar de estar usando uma bermuda e uma camiseta de tecido com secagem rápida, demoraria algum tempo para secar totalmente. Assim, como parecia acontecer com Mina, eram dois precavidos.

Assim que Perse pegou tudo, ambos atravessaram a rua e voltaram para o estabelecimento de novo, com Perse notando suas entradas no local.

— Podemos trocar de roupas no banheiro? As roupas estão quase secas, mas ainda, úmidas! — Perse pediu, mas não querendo causar transtorno para Charlie. — É rápido, nem tem ninguém por aqui!

— Pode sim, Perse, está vazio mesmo. — Charlie respondeu e apontou para o banheiro, indicando para Mina também.

— Então, eu vou me trocar! Já venho! — Perse sorriu com satisfação, percebendo que sua garganta tinha secado também. — Eu quero beber um suco de laranja com a minha salvadora aqui!

— Bem, sua prancha já está guardada! — Charlie sinalizou com a cabeça e preferiu não se intrometer mais no assunto de Perse quase haver se afogado. — Quando voltarem, eu e Monica, atenderemos vocês.

— Bom, como te disse, têm dois banheiros! Quer me acompanhar? — Perse sorriu de modo cativante, ao se voltar para Mina e deixando-a com a respiração suspensa, por segundos. — Como dizem, primeiro as damas!

— Podemos ir sim, claro! E não precisa se preocupar comigo! — Mina disse, de modo gentil, devolvendo o sorriso tão doce de Perse. — Depois, eu quero beber alguma coisa!

— Então, eu vou me trocar! — Perse sorriu com satisfação, percebendo que sua garganta tinha secado também. — Já venho! Eu quero beber um suco de laranja com a minha salvadora aqui!

Assim, Perse e Mina se encaminharam aos banheiros, se trancando lá dentro. Perse suspirou e trocou a roupa molhada pela roupa seca rapidamente, se secando com a toalha antes. Saiu do banheiro e voltando ao balcão, onde Charlie trabalhava, encontrou Mina esperando-o no mesmo lugar, com o olhar perdido no mar e a mochila do lado da cadeira.

— Olá, Mina! Que rápida! Já se trocou? — Perse notou Mina virar o rosto e nunca tinha se sentindo tão fascinado por uma beleza tão simples, vendo suas roupas novas. — Está muito linda! Linda mesmo!

— Muito obrigada, Perse! — a jovem Mina parecia mais bonita ainda, ao sorrir espontaneamente. — Não pretendia sumir!

Perse sorriu como um idiota e vendo o sorriso luminoso de Mina, foi como se tivesse ganhado o dia. Sua vontade era continuar sorrindo como um bobo da corte.

— Ah, eu sei disso, linda priminha! — Perse respondeu, todo galante. — Vamos comer algo?

— Claro! — Mina respondeu, parecendo tímida de novo, ao sentir como Perse olhava-a profundamente. — Mas não sei, espero não estar incomodando, sabe?

Perse balançou a cabeça e pediu licença para Mina, se sentando na mesa da frente, com Mina estando próxima da janela. Assim que tomaram lugar, acenou para Monica, chamando-a e depois de uns momentos, veio até ambos finalmente.

— Monica, por favor, traga um suco de laranja e um cachorro-quente completo para mim! E você, Mina, o que vai querer beber e comer? — Perse indagou. — Quer comer o mesmo que eu mesmo?

— Pode trazer a mesma coisa para mim também, Monica! — Mina respondeu, desviando o olhar levemente de novo. — Mas quero um suco de frutas!

Perse sabia que Mina deveria considerá-lo um irresponsável ainda, mas decidiu mudar aquela impressão, conversando mais agradavelmente.

— Acho que devo-lhe desculpas, Mina! Você perdoa esse seu primo irresponsável? — Perse pediu, educadamente, querendo ser o mais gentil possível. — Confesso que me animei demais com as ondas de hoje!

— Eu perdoo sim!— Mina respondeu, parecendo ser irônica e sorrindo numa incógnita. — Não tenho como não perdoar, não é mesmo?

Perse puxou assunto sobre o tempo, para entrar em contexto mais relevante. Conversavam alegremente, enquanto esperavam seus pedidos. Perse não sabia por quê, mas sentiu que deveria conhecer mais sua prima Mina e passados alguns minutos, Monica trouxe o que pediram.

Depois de poucos momentos de conversa fiada, Perse decidiu ser mais bisbilhoteiro, perguntando tudo sobre Mina, querendo descobrir tudo sobre sua salvadora.

— Você disse que continua morando em Nova Iorque, certo? — Perse estava ansioso que Mina respondesse abertamente, não queria perder nenhum detalhe. — O que trouxe-te aqui?

— Então, mesmo morando do outro lado do país, decidi permanecer alguns dias na casa de Tia Lena! — Mina decidiu se entrosar, para deleite de Perse. — Como viu, minha irmã Sandy veio também! Anytha está conosco, mas preferiu permanecer descansando um pouco! Continua morando em Nova Iorque mesmo?

— Eu ainda moro em Nova Iorque sim! — Perse respondeu, todo afoito, querendo descobrir mais sobre aquela garota tão encantadora. — Eu estou passando uns dias aqui também, na casa da família de Charlie, meu amigo de anos, que nos atendeu!

— Eu nasci e gosto de Nova Iorque. — Mina respondeu, mais de modo reflexivo, para si mesma. — Eu poderia ter escolhido permanecer no bairro de Chelsea, bem como na outra parte de nossa família, que possuem casa no bairro de Astoria, só que resolvi vir para cá.

— Ainda estou no bairro de East Village e amo ter nascido em Nova Iorque também! Interessante termos cruzado hoje, não é mesmo? — Perse notou aquilo e pareceu aterrorizado, de repente. — Como sabe, eu sou formado em Música pela Universidade Columbia, tenho uma banda faz alguns anos, mas ainda não conseguimos aquele sucesso impressionante, apesar de termos vendido razoavelmente bem!

— Você poderia ter escolhido outro nome e sobrenome para uma carreira musical, não é mesmo? Mas acho lindo seu nome, Perse Serban! — Mina perguntou e confirmou, abrindo a boca, embasbacada. — Eu não sei o que isso quer dizer, mas quando olhei-te melhor hoje, é como se você parecesse mais familiar do que antes! Pode ser que não entenda isso que comentei, porque nem eu mesma compreendo também!

— Bom, amo meu nome sim! — Perse suspirou, poucas pessoas reconheciam-no como vocalista e baixista. — Ainda me impressiono quando alguém tenha ouvido falar de mim! Porque eu e minha banda, não temos fama, não temos dinheiro, não temos renome pelo país!

— Por favor, pare! Vocês são ótimos! É claro que possuem fama! — Mina se soltou mais finalmente, um misto de alegria e êxtase, não saberia explicar bem. — Conheço suas músicas, amo aquelas baladas lindas! Adoro o nome da sua banda! The Revolution! Sei lá, parece algo moderno e empolgante!

— Bom, eu e meus amigos gostamos desse nome também, pois escolhemos em comum acordo, sendo relativamente novo quando iniciei na música, já que estou com trinta e cinco anos atualmente. — Perse gostou de saber que Mina pesquisava sobre sua vida. — Agora me conte de você, Mina! Tem dezesseis anos, não é mesmo? Já está trabalhando em alguma coisa? E ainda não me contou o que veio fazer por esses lados!

— Eu estou tentando ser bailarina e modelo agora! Andei tirando algumas fotos publicitárias, mas nada demais! Lembra daquela bolsa integral na School of American Ballet que conseguiu para mim? Pois bem, agora faço parte do corpo de bailado, mas não tive chances de participar de qualquer peça ainda! Eu espero conseguir um papel mais relevante ou apenas de figurante para começar! — Mina continuava animada com a conversa. — Tenho dezesseis anos sim e estou tirando uns dias de descanso, porque tropecei e tive uma luxação no tornozelo durante um ensaio!

— Oh, minha linda prima Mina, que coisa ruim! — Perse sentiu pena, muita pena mesmo. — Espero que melhore logo!

— Melhorarei sim, pode deixar! — Mina respondeu, de modo gentil. — E voltando ao assunto, que bom que resolveu usar seu sobrenome Serban, já que é diferente e muito importante! Mal acredito que alguém pertencente aos antigo monarcas da Romênia, é meu primo e se tornou um astro do Pop-Rock! Além desses antepassados, não podemos esquecer que temos parentes brasileiros também, que vieram integrar nossa Família Butler!

— Ah, Mina, não exagere, meu amor! — Perse teve vontade de gargalhar. — Quase nem lembro desse fato!

Perse e Mina conversaram por um longo tempo. Pareciam se conhecer desde sempre, até que Mina notou que já estava ficando muito tarde e avisou Perse, que precisava partir.

— Olha, se quiser, posso deixá-la em casa? — Perse queria ouvir um sim como resposta, porque gostaria de continuar tendo contato com aquela garota bonitinha. — Diga que sim, Princesa Mina!

Mina baixou o olhar por um momento, olhando as mãos cruzadas, se sentindo envergonha de Perse tê-la chamado de "Princesa Mina". Não sabia bem, mas aquilo deixou-a meio que encabulada e pelo olhar de Perse também.

— Sim, pode ser! — Mina ainda não conseguia encarar Perse direito, parecendo muito tímida. — Mas nossa Tia Lena mudou de endereço faz uma semana! Soube disso? A nova casa está em Seville Place, que fica há duas milhas daqui! É uma boa caminhada!

Perse franziu os olhos, não acreditando naquilo. Mina estava hospedada numa rua abaixo, onde se encontrava passando uns dias na casa de Charlie, na Street of the Ruby Lantern.

— Você não acreditará nisso, mas estou perto de você! É incrível mesmo! — Perse notou Mina encará-lo com surpresa. — Eu nunca acreditei em predestinação, mas acho que estou começando a reconsiderar!

— Você está brincando, não é mesmo? — Mina aumentou seus olhos e as pupilas dilataram fortemente. — Que coincidência fantástica, primo Perse! Não está mentindo, só para me fazer sorrir?

— Não, Mina, não considere isso, por favor! — Perse não queria que Mina pensasse que estava zombando, pretendia impressioná-la de modo bom, pois não queria perder contato com Mina, necessitando conhecê-la mais. — É tudo muito estranho, mas não tenho para quê mentir! Não sou psicopata e não quero fazer-lhe mal, nunca mesmo!

Mina desviou o olhar e passou a olhar pela janela. Perse entendeu seu silêncio e não insistiu mais. Mina quem decidiria, afinal de contas. Ambos haviam compreendido que algo muito esquisito estava acontecendo naquela tarde.

— Pode me levar para casa? — Mina respondeu, finalmente. — Eu confio em você, mas isso é muito súbito e quero ir embora!

Perse balançou a cabeça e chamou Monica, pedindo a conta. Assim, depois de pagar tudo, os dois se levantaram e se encaminharam até o balcão, onde Perse pediu a prancha de volta para Charlie. Ao saírem de lá, transitaram um pouco até o estacionamento, perto da pista que beirava a praia.

Ao chegarem perto da Maverick, os dois se entreolharam e sentiram um choque passar pelos seus corpos, como se tivessem sido atingidos por algum raio. Perse saiu daquele transe primeiro, tentando entender o que estava se passando no momento. Conhecia Mina desde seu nascimento e naquele dia, seria como se tivesse conhecido-a pela primeira vez na vida. Deixou de lado aquela impressão e guardou sua prancha em cima do capô do carro. Depois, pretendendo abrir a porta, a doce modelo e bailarina chamada Mina, teve uma surpresa. Perse balançou a mão, dizendo não e correu para seu lado, abrindo a porta e pedindo para que entrasse, num gesto cavalheiresco.

Mina agradeceu e entrou no carro, sorrindo como uma verdadeira boba, enquanto Perse, voltou para o lado do motorista e arrumou a prancha no capô do carro, abrindo a porta e tomando assento também.

O trajeto até a casa onde Mina estava hospedada, não demorou muito. Antes de chegarem, Mina mexeu na sua mochila e pegou uma chave, que deveria ser da fechadura. Assim, ao estar perto, a garota indicou para parar, mas antes que abrisse a porta do carro, Perse pediu para continuar lá, desse modo, saiu e abriu a porta para Mina de novo, que ficou maravilhada.

— Pode parecer pressão da minha parte, mas podemos ver-nos amanhã de novo ou você vai embora logo? — os olhos de Perse lampejaram com raios dourados. — Diga sim, Mina, por favor! Não posso ver Tia Lena agora, pois tenho algo para resolver hoje! Avise Tia Lena e peça desculpas por mim!

— Eu vou embora daqui uma semana! — Mina respondeu, desviando os olhos tão bonitos. — Eu quero ver você de novo! É claro que sim!

— Eu volto aqui amanhã, às nove horas da manhã, para ver Tia Lena e pegar você, para darmos um passeio! Não saia, espere por mim, por favor! Perse pediu, muito cuidadoso. — Não quero parecer precipitado ou com atitudes estranhas, mas quero conversar mais contigo, para saber mais de minha priminha tão linda!

— Ok, eu farei isso! — Mina concordou, sorrindo, com uma luz tomando conta de Perse. — Até amanhã, meu Senhor e Gentil Cavaleiro! Tia Lena adorará saber que está aqui!

Perse abriu a boca para comentar algo, mas Mina saiu correndo, sem olhar para trás, abrindo a portinhola branca e girando a maçaneta da porta, quando sentiu que a porta estava destrancada, adentrando a casa simples.

O moço viu Mina sumir nas sombras. Com isso, Perse permaneceu paralisado por alguns momentos, até sair do transe e voltar para o carro, dirigindo até a rua detrás, mal esperando para amanhecer o dia.

5. Februar 2020 21:23:33 0 Bericht Einbetten Follow einer Story
1
Fortsetzung folgt… Neues Kapitel Alle 30 Tage.

Über den Autor

Amanda Luna De Carvalho Sou escritora, blogueira, vlogger, leitora beta, leitora crítica e revisora. Tenho vários livros publicados. Já viajei para os Estados Unidos e para a Europa, onde tive ainda mais inspiração. Sou apaixonada pelo cantor Peter Cetera e tenho um grande segredo para ser revelado sobre isso no momento certo. Amo Jesus, minha família, Peter Cetera e meus gatos.

Kommentiere etwas

Post!
Bisher keine Kommentare. Sei der Erste, der etwas sagt!
~