moonbyul Mariana Garcia

Hinata é uma androide soldado com condecorações e honrarias pelo seu serviço e está finalmente preparada para se aposentar e viver a parte humana de sua criação robótica, porém, com a dádiva do livre arbítrio, vem o peso das emoções humanas, e ela não está preparada para passar o resto de sua vida sozinha.


Fan-Fiction Anime/Manga Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#ficção-científica #hinata #sakura #universo-alternativo #naruto
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Vida nova, Neo-Tóquio

Um silêncio mortal preenchia os corredores da barca da marinha de Neo-Tóquio, que transportava um carregamento de androides que finalmente retornavam para casa depois de mais de dez anos de guerras territoriais. Divididos em corredores com duas fileiras de assentos, as máquinas tão similares a humanos quase não conversavam, a não ser por um burburinho aqui ou ali ao som das ondas do mar que batiam contra a embarcação. Era surpreendente a quantidade de tecnologia que retornava para terra firme depois da vitória da península japonesa contra os Estados Unidos, que culminara num tratado de paz advindo dos americanos.

A vitória vinha com bom gosto para o Japão, que finalmente demonstrava sua dominância tecnológica para o restante do mundo que sobrevivera à revolução das máquinas. A tecnologia japonesa havia sido subestimada no começo, porém era questão de tempo até que todo aquele lixo tecnológico se voltasse contra seu criador e a Ásia saísse como a salvadora da pátria, com a solução criada anos antes: Um desenvolvimento melhor do núcleo de pensamento dos tais androides, lhe permitindo uma compreensão melhor da vida e de seu propósito, criando assim máquinas pensantes e compreensivas, dispostas à irem à luta pelo país.

E é claro que tal tecnologia causou ciúmes, inveja. Era um poder enorme.

Mas a mensagem de retorno se repetia dentro da mente daqueles androides: Tudo aquilo havia chegado ao fim, vocês serão recebidos como heróis da nação, poderão viver como os humanos vivem, e a cada vez que a mensagem era anunciada, a barca cheia de androides se enchia de suspiros e sorrisos.

Vestidos em roupas de camuflagem e presos pelos cintos, os androides cheios de emoções humanas não se aguentavam para a chegada na baía de Neo-Tóquio, onde a segunda fase de sua vida começaria: A de preencher o espaço deixado pelos humanos na península.

Antigamente um problema, a superpopulação do Japão se tornou algo para os livros de história, o esvaziamento da população foi o grande motor que moveu a revolução tecnológica e trouxe à vida os androides, que cada vez mais ajudariam no repovoamento do povo japonês. A guerra foi um empecilho, era muito arriscado mandar tropas humanas, e os androides se uniram em conjunto com o governo e sua programação para intervir e salvar a nação do sol nascente.

Era tudo parte da programação, eles sabiam disto. Mas não importava.

Desde que os humanos cumprissem sua promessa.

E assim se realizava a profecia dos androides. A barca atracou na baía e os barulhos de metal encheram seu interior com som e ruído, a âncora foi jogada e os cintos automaticamente se soltaram, uma comoção generalizada começou, soldados retiravam seus capacetes e esperavam ansiosamente para a liberação das portas, onde milhares de pessoas esperavam por eles. Alguns já tinham família, alguns tinham amigos, e outros só esperavam pela sua recompensa pelo bom serviço prestado por todos esses anos: Uma vida, para ser vivida ao máximo.

Eram tantas as emoções, e todos pareciam tão felizes.

Exceto pelo androide H-498842, codinome Hinata Hyuuga.

Era claro que ela estava de pé com os outros, um sorriso fraco no rosto, esperando para jogar seu capacete para cima, como os universitários faziam quando se formava, ela estava finalmente feliz pela guerra ter acabado e sua programação lhe dizia que seu amor incondicional pela pátria era maior do que tudo. Isso não a incomodava nem um pouco, Hinata adorava suas emoções. Todas elas.

Exceto, é claro, aquela que vinha a incomodando há anos.

Seu cérebro era uma máquina como de qualquer outro androide, então ela podia descobrir rapidamente do que se tratava, aquela emoção estranha que estrangulava seu peito robótico, que fazia sua caixa torácica diminuir e que fazia sua bomba de energia – que ela gostava de chamar de coração – apertar cada vez mais quanto mais a emoção surgia em sua fila de pensamentos. Ela sabia como tratar aquela emoção estranha, os humanos precariamente faziam através de medicação e, apesar de ela ter optado por uma experiência mais verídica, tendo até mesmo sistema digestivo, a ciência lhe dizia que a medicina não tinha as respostas que precisava, e outras ciências vinham buscando a causa para aquele fenômeno estranho.

Hinata se sentia ansiosa, ansiosa demais para um androide.

A hora de desembarcar finalmente chegara e o exército foi recebido pelos oficias de alto escalão, todos humanos, que organizaram os androides em fileira, bem como nos treinamentos, e cumprimentaram todos, dando-lhes medalhas e reconhecimento pelos seus feitos. Hinata foi chamada para dar um passo quando sua vez chegara, sendo reconhecida pelo seu esforço na tropa de reconhecimento e infiltração, recebendo palavras de louvor como “Não há um androide mais silencioso e habilidoso como você, H-498842”. A reação da pele sintética de Hinata foi o típico corar humano, e até seu oficial corou com a reação tão fofa e inesperada.

Sobre o peito de Hinata, as medalhas brilhariam.

A primeira cerimônia demorou pouco mais de cinco horas, haviam inúmeros androides para condecorar e quase todos os oficiais de alto escalão fizeram discursos sobre a vitória conquistada pela tecnologia. Além dos que lutaram, foram honrados os cientistas por trás da tecnologia, seus nomes foram louvados e prêmios foram entregues para aqueles que continuavam vivos ou que continuavam os estudos daqueles que haviam partidos. Outro principal motor para as guerras foram as perdas de tantos cientistas brilhantes, mortos pelos inimigos da nação.

Os androides também podiam chorar, e eles choravam quando bandeiras se levantavam e imagens daqueles que eles deveriam defender apareciam nos telões. Hinata sentia seu peito mais uma vez apertar, sentindo um misto de alegria e tristeza por aqueles que lhe deram emoções tão vívidas.

Quando a cerimônia se finalizou, as tropas foram dispensadas. Do outro lado do cercado, pessoas e androides domésticos aguardavam pelo tão momento de abraçar e receber as máquinas que retornavam inteiras. Todos que estavam lá voltaram perfeitos, sem nenhum arranhão. A capacidade do ser humano de se apegar as coisas era impressionante, e o exército sabia disso. As famílias que continuavam vivas estavam traumatizadas demais para aguentar qualquer mínimo arranhão, não existiam mais veteranos com cicatrizes. Aqueles cujo centro de operações – ou o chamado cérebro – havia sido danificado demais para a recuperação seria reconstruído após um tempo, toda personalidade estava salva em um banco de dados do governo e as famílias responsáveis pelos tais androides deveriam ir atrás disso.

Já aqueles androides que eram solitários, como Hinata, receberiam sua vida nova naquele momento.

Seguindo as orientações, Hinata se enfiou em uma fila enorme e aguardou pacientemente sua vez de ser atendida. Tantos outros androides estariam vivendo pela primeira vez fora da guerra, assim como ela, e ela não conseguia esconder sua excitação pelo momento, e quando bisbilhotava os outros na fila, via que não era a única, as vozes se aumentavam e os gestos transbordavam pelas feições sintéticas e juntas metálicas de cada androide.

Quando chegou sua vez, Hinata foi atendida por um soldado humano.

— Saudações, soldado. – Ele a cumprimentou ao estilo militar.

— Saudações. Soldado H-498842, codinome Hinata Hyuuga.

— Hyuuga? Vocês são ótimos, sabia? O pico da tecnologia. – O soldado disse enquanto procurava as instruções, fazendo Hinata corar novamente, claramente aquele jovem era novo no exército.

— Obrigada.

— Vamos lá, soldado Hinata, pode me devolver essa bolsa, você receberá uma nova, que está aqui. – O soldado pegou a bolsa de camuflagem que Hinata lhe entregara e lhe dera outra. – Dentro você encontrará um mapa para a sua nova residência, que já está completamente equipada, aí dentro estão os seus documentos de identidade, juntamente com um caderno de orientações para usa nova vida humana. Há uma muda de roupas que foi selecionada especialmente para o seu tipo de personalidade, mas você pode ir com suas roupas de agora também.

— Acho que vai ser legal trocar de roupa novamente. – Hinata disse, tirando um riso da boca do soldado.

— Sim, eu concordo. No manual estará tudo o que você vai precisar, você também recebeu um aparelho celular, pois os meios de comunicação central de seu cérebro estão ainda na versão militar, que será desativada em até uma semana. Você foi também colocada no projeto de remodelação de soldados, já que muito de sua programação precisa ser manualmente desativada. – Hinata ouvia tudo com muito cuidado. – Você precisa ir até a base de tecnologia que lhe foi atribuída em até uma semana para esse procedimento, certo?

— Certo. – Hinata segurou as alças de sua mochila com força.

— Ah, mais uma coisa soldado. – O mocinho pegou um papel que parecia uma ficha médica humana. – A sua bateria de exames está aqui com uma notificação, você foi diagnosticada com um aumento excessivo do seu core de emoções, que pode estar lhe causando alguns distúrbios.

— Ah, isso... – Hinata sentiu-se constrangida e voltou para o lugar, ficando de frente com o homem.

— Não há motivo para tal constrangimento, soldado. A fim de evitar a catástrofe tecnológica americana, foi necessário... – O soldado explicou tudo o que Hinata sabia sobre o funcionamento do cérebro tecnológico, mas ela não o interrompeu. – ... então você vai ver que não é a única experimentando os efeitos dessa programação.

— Eu entendo. O que devo fazer?

— Infelizmente isso não é algo que se conserte trocando uma peça, o funcionamento é quase humano, eu entendo muito bem esses níveis aqui. – Ele olhava para a ficha de Hinata com uma feição compreensiva. – Felizmente temos experts nessa área que já estão preparados para recebe-los, você fica com essa ficha, onde tem o contato da profissional designada para o seu caso.

— Obrigada. – Hinata pegou o papel e saiu da fila, tomando seu caminho.

— Eu que agradeço,boas festas!

Hinata acenou para o soltado, sentindo-se constrangida e animada.

Ela leu atentamente seu diagnóstico de funcionamento, sentindo-se orgulhosa de seus resultados no geral, já que seu único problema era o mal funcionamento da sessão DPA da quarta parte de seu “cérebro”, onde ficava a principal programação das sensações e das emoções. A anotação constava que era necessário acompanhamento médico apropriado e o contato da profissional designada para Hinata estava escrito em letras garrafais.

“Sakura Haruno, psicóloga tecnológica. Contato 3-725-8724”

Hinata deu um suspiro, já memorizando todos os números daquele telefone, enfiou o papel dentro da bolsa e tirou de dentro dela o mapa onde mostraria sua nova moradia. Apesar de toda a tecnologia, o Japão era como um cão ao largar o osso das tecnologias antigas, ainda existiam famílias extremamente tradicionais e influentes que continuavam a fornecer dinheiro para que tecnologias como livros e mapas continuassem existindo, porém tudo podia ser adaptado, e Hinata só precisou ler o código do mapa com seus olhos e pôde visualizar o mapa de toda Neo-Tóquio virtualmente em seu cérebro.

Seguiu a rota traçada pelo mapa até sua casa, passando por estações de metrô e por diversas lojas na cidade, já localizou sua base tecnológica, onde poderia atualizar seu sistema. Procurou na lista de registros de consultórios e com pouco esforço encontrou o consultório de sua médica, doutora Sakura Haruno, e descobriu que o mesmo ficava a poucos quarteirões de seu próprio apartamento.

As informações eram completas, ela pode ver já o interior do consultório, as rotas que poderiam pegar e já conseguiu marcar sua própria consulta para o dia seguinte, tratou de marcar várias, pois o calendário da doutora estava curto devido as festas de fim de ano. Tudo vinha acompanhado de uma imagem sorridente da médica.

Sakura Haruno era uma mulher adulta extremamente atraente, seus cabelos eram pintados de rosa, semelhante as árvores de cerejeiras, mas não rosa das novas árvores artificiais, e sim das reais, que Hinata só havia conhecido por imagens em sua mente de registros antigos dos livros.

Hinata trombou em um poste, caindo de bunda no chão.

Nenhum pedestre a ajudou, porém ouviu murmurinhos sobre sua distração, sentiu novamente seus níveis de ansiedade aumentarem, porém, a imagem da doutora continuava na sua fila de pensamentos, mesmo seu programa ter se fechado na hora do impacto para prevenir perda de memória.

Hinata levantou e limpou a poeira do corpo, saiu de cabeça baixarumo à sua nova casa.

3. Februar 2020 20:48:34 0 Bericht Einbetten Follow einer Story
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