u15796603161579660316 Jéssica Layne

Depois de uma guerra nuclear devastar o mundo, sobreviventes lutam para tentar colonizá-lo através de uma sociedade cheia de regras e ao mesmo tempo lutam para sobreviver aos sonamus, criaturas estranhas e misteriosas que estão em guerra contra eles. Um das principais regras é a designação, na qual todos ao completarem dezoito anos ganham suas funções, porém algo de errado acontece com Emilly e ela passa a ser considerada inimiga dos governantes, sem entender o motivo de quererem matá-la, Emilly começa a perceber que tudo que pensava a respeito de sua sociedade não passa de uma grande farsa. Agora ela embarca em uma jornada em busca da verdade, em busca do segredo oculto dos governantes e em busca de tentar descobrir quem ela realmente é.


Science Fiction Alles öffentlich.
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Im Fortschritt - Neues Kapitel Jeden Montag
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O começo



-Ano 3439-


—Eu gostava da cidade, de subir na muralha e observar lá fora o sol desaparecendo em meio aquela atmosfera escura dando lugar a pequenos pontinhos brilhantes no espaço. Eu gostava da cidade quando tudo o que nos importava era reconstruir o mundo que nossos antepassados haviam destruído através de nosso trabalho árduo, porém movidos pela esperança de que um dia voltaríamos o povoar, apesar de suas condições catastróficas , apesar da vegetação quase extinta ou da radiação infiltrada na atmosfera ... Eu gostava da cidade antes dos sonamus aparecerem e sermos rebaixados a simples presas assustadas que passam o resto de suas vidas lutando pela sobrevivência.

Criaturas horríveis que espalham seu terror sobre o nosso povo. Ninguém sabe quem eles são ou de onde vieram. A única coisa que sabemos é que nos querem mortos, por causa disso os governantes ordenaram a construção da muralha. Nada existe lá fora além das areias infinitas que cheiram a enxofre, o resto é mistério...Tudo o que sei é que enquanto estivermos aqui do lado oposto do muro estaremos seguros, pelo menos isso é o que dizem as autoridades com toda aquela conversa de que se conseguimos sobreviver ao apocalipse nuclear então conseguiremos sobreviver aos sonamus porque somos fortes, invencíveis o destino da raça humana!

— Emilly? O que está fazendo aqui? Eu disse para não aparecer mais aqui!

Dou um abraço em Sam antes que ele continue com seu sermão.

— É bom te ver também irmãozinho.

— Você não tem jeito mesmo, se os governantes te pegam...

—Não se preocupe. Pisco —Não fui seguida.

Estico o pescoço e observo o precipício lá embaixo. Há uma certa beleza em estar tão longe do solo, você se sente grandioso, invencível...

Sam me puxa para longe do parapeito da muralha.

— Não é só isso, se um sonamu aparece...

—Você tem sua arma.

Olho para o rifle preso em suas costas. Ele se apruma todo como se fosse um herói , porque é isso que ele sempre será para mim, meu irmão mais velho , meu herói.

— Eu não me sentiria tão seguro assim, além do mais tenho uma péssima mira.

Nós dois rimos e por um instante sinto como se nada mais importasse. Eu só queria estar ali com ele apreciando aquele momento, fazendo o que os irmãos realmente fazem, esquecer por um minuto que a vida é um campo de guerra...Olho para fora e observo os pequenos raios de luzes surgirem através do céu negro, aquilo era lindo! Penso em como deveria ser antes, quando aquela camada escura de poeira não existia, quando a atmosfera era completamente limpa e a luz podia ser vista por completa...

—O que acha que tem lá fora?

Sam se encosta no parapeito e observa o horizonte. Seus cabelos castanhos se agitam levemente com a brisa.

— Além dos sonamus e da radiação? Não sei e também não quero saber, além do mais sinto como se alguém estivesse me enrolando... Ele me encara.

Droga, eu estava torcendo para que ele não tocasse no assunto, eu não queria que ele pensasse que eu estivesse com medo ou fosse uma covarde.

— Emy, é normal ficar nervosa, amanhã você completa dezoito anos, é sua primeira designação...

— Como foi com você?

Pergunto, afinal essa era uma das regras mais importantes desse novo mundo.Todos ao completarem dezoito anos precisam passar pela designação, é quando você ganha um papel na sociedade, quando os governantes lhe atribuem uma obrigação e finalmente você se torna um adulto.O procedimento é simples, seu cérebro é estudado através de um pequeno monitor e com uma série de testes eles analisam sua aptidão.Se seu hemisfério direito for de maior destaque então você tem tendências criativa, intuitiva, sabe lidar com o perigo, a maioria das pessoas que se enquadram nesse quesito acabam na muralha, por sua vez se for o lado esquerdo, você é bom com números e raciocínio lógico, provavelmente será um construtor, os encarregados de construírem nossa cidade, povoar o mundo pós-apocalíptico com nossa civilização. O que me assusta na verdade é ser condenada a fazer algo pelo resto da minha vida que eu não queira fazer, me tornar alguém que eu não sou, além do mais, ter uma pessoa mexendo na minha cabeça é meio apavorante.

— Não é tão ruim quanto pensa. Eles te encaminham para uma pequena sala te dão algo para dormir você apaga e acorda como se nada tivesse acontecido.... E tanam! você tem uma nova função!

Por que será que isso não me pareceu nem um pouco animador?

— E se eles decidirem que eu devo ser uma colhedora?

— Isso é bom não é? Nossos pais são colhedores...

Só de imaginar passar o resto de minha vida trabalhando nas câmaras de cultivo, o local onde produzimos os alimentos já que o solo tornou-se infértil depois da guerra.O trabalho é rigoroso e envolve todo o processo de seleção e plantio das sementes, controle de iluminação até o preparo do solo, qualquer erro e todos poderíamos morrer de fome. Ainda não consigo entender como meus pais gostavam daquilo. Pela minha cara meu irmão deve ter adivinhado que eu odiava a ideia.

— Bem, há outras opções, você é boa com desenho não é? Quem sabe pode ser uma construtora...

— Uma coisa é desenhar feições outra é projetar cidades. Eu digo.

— Droga Emy, qualquer pessoa em sã consciência ficaria satisfeita em estar longe das muralhas!

— Mas você está aqui certo? Protesto.

— Contra minha vontade.Ele resmunga. — Não há nenhuma satisfação em lutar com aquelas coisas...

Sam encara novamente o horizonte e percebo que nunca tinha visto tanta tristeza no rosto de meu irmão. Isso me faz pensar nos amigos ele fizera ali e nos que ele havia perdido....

— Em um momento você está vivo e em outro pode ser que não esteja, sua existência não passa de um mero sacrifício.

— Sacrifícios são necessários para que outros sobrevivam.

Completo.

—Você é corajosa. Meu irmão sorri e bagunça meus cabelos ruivos.

—Mas acho que nossos pais não gostariam de ver mais um membro da família sendo levado pro abatedouro, e por falar nisso já está tarde é melhor você voltar antes que eles fiquem preocupados...

Faço beicinho.

—Eles ainda estão na colheita...

— Emy...

—Tudo bem...

Sei que não posso discutir com meu irmão, ele sempre vence no final.. Dou-lhe um abraço forte.

— Eu te amo.

— Eu também te amo.

Ele sussurra e não sei o porquê, mas tenho a sensação de que talvez aquele seja o nosso último abraço.


23. Januar 2020 13:20:24 0 Bericht Einbetten 2
Fortsetzung folgt… Neues Kapitel Jeden Montag.

Über den Autor

Jéssica Layne Apaixonada por livros! Escritora nas horas vagas. Sou uma pessoa cuja mente encontra-se além da realidade, tenho apreço por todos os tipos de gêneros, especialmente por ficção científica ( sou bióloga hehe) Por que eu escrevo? Pelo mesmo motivo que eu respiro. 😉

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