eidkelps Eduardo Kepler

Sinopse: "Talvez se Anne e seus amigos soubessem o que estava por vir, não teriam escolhido passar suas últimas horas jogando RPG. O mundo como o conheciam estava prestes a acabar, pois a chuva trouxe os mortos, e os mortos, a insanidade. Agora eles são obrigados a sobreviver à brutalidade nua e crua de um mundo em decadência andando a passos largos em direção ao fim da civilização. Uma realidade onde o simples confronto físico com um único zumbi é flertar com a morte, onde as pessoas se despem de seus valores éticos ou recorrem ao extremismo religioso numa tentativa desesperada de se manterem vivas. As alianças são incertas, mas necessárias para a sobrevivência. E, mesmo que o corpo escape incólume da garras da morte, o horror pode deixar cicatrizes irreparáveis na sanidade do sobrevivente." Aviso 1: como alguns capítulos ficaram muito longos, eu acabei dividindo eles para ficarem mais dinâmicos. Por isso alguns têm o mesmo título, mudando apenas o número ao lado. O capítulo "Sonho", por exemplo, foi dividido em quatro partes. Boa leitura, espero que gostem. Aviso 2: Pode conter gatilhos Aviso 3: os diálogos de gaúchos possuem "tu" e "bah" simulando o modo informal que nós falamos no dia-a-dia.


Postapokalyptisches Nur für über 18-Jährige.

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Sonho - 1/4

A felicidade inflava seu coração, mesclada com o orgulho, abrindo um largo sorriso em seu rosto bem barbeado sem que ele mesmo o notasse. O cabelo cor de areia, curto nas laterais e atrás, e mais comprido em cima, estava molhado com a água do mar e brilhando sob a luz solar. Seus joelhos estavam escondidos sob a água morna e seu corpo sentia o abraço caloroso e confortável do sol. Estava na frente de sua filha, servindo como um ponto de chegada para ela, que nadava pela primeira vez, com grande determinação. Pessoas brincavam ao redor deles, e a bela esposa de Átila os observava da praia, sorridente.

Quando Aline chegou até ele, Átila a ergueu e a abraçou com força, parabenizando-a. Ela tinha cinco anos, e nunca tinha vindo à praia. “Meu Deus, como passa rápido o tempo”, pensou o pai bobão de modo saudosista. Sua pequena princesa tinha os cabelos castanhos da mãe, que emolduravam seu rosto claro como o de uma boneca de porcelana, e olhos azuis como os dele. Tinha sorrisos fáceis, um espírito arteiro, mas doce e gentil, e era muito curiosa. Átila a encheu de beijos pelo rosto, provocando risinhos, desejando que ela continuasse assim para sempre. Mas a verdade é que mesmo crescida, ela sempre seria sua garotinha. A luz em sua vida. Seu motivo de orgulho e alegria.

— Viu só, papai? Eu consegui! — Falou toda contente, ainda sorrindo pelos beijos.

— Ah, vi sim! E acho que merece um picolé por essa grande conquista — Disse Átila, levando-a até a areia.

Aline deu um risinho sapeca ao descobrir que ganharia o doce gelado. Nicole veio até eles, usando óculos escuro e um biquíni vermelho. Abraçou o marido e a filha e os encheu de beijos, dando uma leve mordida no lábio de Átila.

— Que menina esforçada essa! Acho que merece um prêmio – disse Nicole, beijando a ponta do nariz da filha.

— Tarde demais, mamãe. Já prometi um picolé para ela — riu.

Nicole a pegou no colo.

— Eu que vou comprar! — Riu e correu com a filha, que gargalhava.

Átila viu elas se afastarem, sorrindo. A praia estava atulhada de famílias e amigos. Crianças construíam castelos de areia, jogavam bola, corriam umas atrás das outras e nadavam na beirada do mar, adultos tomavam banho de sol, jogavam vôlei, futebol e frescobol, além de nadarem ou surfarem. Um menino e uma menina passaram em disparada por ele, rindo e brincando. Estavam em Imbé, uma cidade litorânea ao lado de Tramandaí.

Súbito, seu telefone tocou.

Andou até as coisas de sua família e pegou seu celular dentro da bolsa da esposa, próxima à sua pistola Desert Eagle com um calibre .50. Era uma bela arma, prateada e polida, com a empunhadura em detalhe escuro. Ele era policial, e nos últimos tempos era sensato andar armado, principalmente no Rio Grande do Sul, onde uma grande dívida e falta de dinheiro forçava os policiais e trabalhadores públicos a fazer greves para receberem seus salários. Ele tinha seus trinta e um anos e, por sorte, conseguira tirar suas férias e pegar o pouco dinheiro que sua profissão lhe remunera. Mas ele amava seu trabalho. Gostava de ajudar as pessoas e garantir sua segurança. Fazia isso da melhor maneira possível e da forma mais pacífica que podia exercer, mesmo andando precavido. Ou, pelo menos, tentava ser o mais pacífico que conseguia.

— Alô? — Atendeu.

— E então, irmão, já testou seu presente? — Indagou Carlos, pelo celular.

Carlos era o mais velho, com trinta e sete anos. A mãe deles, Mariana, era uma amante de história, e nomeou os filhos em homenagem às duas figuras históricas que ela mais gostava: Carlos Magno e Átila, O Huno. Seu pai nem tivera escolha nos nomes, e até hoje isso era motivo de discussões de brincadeira entre os dois nos churrascos de domingo, onde a família inteira se reúne e passa horas em uma mesa conversando e comendo. É um encontro que leva um dia inteiro, desde a manhã quando as mulheres se reúnem para preparar a salada, o arroz e o acompanhamento, jogando conversa fora e rindo, enquanto os homens se aglomeravam ao redor da churrasqueira para salgar a carne e preparar o fogo. Era um ritual antigo em sua família, mas muito comum em outras pelo Rio Grande do Sul. Aline sempre ficava contente por poder brincar com os primos.

— Ainda não. Estou pensando em levá-lo para água agora mesmo — disse Átila.

— Ótimo! Me diga o que achou quando eu chegar no sábado. Vou levar o meu para andarmos juntos. Só não podemos fazer isso muito tarde. Não quero me cansar e acabar dormindo demais no dia seguinte — falou Carlos, se referindo à reunião de domingo que Átila estava esperando desde a semana anterior. Dessa vez, a família de Nicole também participaria. Era quarta-feira, mas o casal já estava ansioso e meio estressado para o final de semana.

— Pode deixar. Te dou um parecer sobre o funcionamento no sábado — brincou e desligou.

Carlos era presidente de uma grande empresa de construção, fundada pelo pai deles. Além do churrasco de domingo, também era o aniversário de Átila, e o irmão tinha lhe dado um Jet Ski de presente. O veículo estava no reboque ligado ao seu carro, um Mustang GT preto fosco com uma listra vermelha o percorrendo do porta-malas ao capô, que tinha sido comprado com ajuda do irmão mais velho. O policial, claro, não podia pagar pelo automóvel, mas Carlos o comprou e vendeu parceladamente a ele. Era o carro dos sonhos de Átila, e mesmo recebendo mensalmente uma boa quantia da sua parte da empresa de construção, que o pai deles tinha erguido do nada, ainda tinha dificuldades de pagar pelo Mustang graças aos salários atrasados.

Nicole retornou, e Aline tinha a boca pintada de vermelha por um picolé de morango. Átila bagunçou os cabelos molhados da filha e beijou a esposa, envolvendo-a em um abraço.

— Que bom que conseguiu algumas semanas de folga — disse ele, com o rosto próximo do dela, e olhando-a nos olhos castanhos.

Ela riu e roubou-lhe um beijo.

— Está brincando? Nem eu e nem meus pais perderíamos o famoso churrasco do teu pai — brincou. — Aline sempre fala muito bem dele para os avós maternos.

E para confirmar o comentário, a menina deu uma risada sapeca. Átila se ajoelhou ao lado da filha e fingiu apertar sua bochecha.

— Papai vai andar um pouco no Jet Ski. A bela mocinha quer me acompanhar?

— Sim! — Falou empolgada.

— Mas só depois que tu terminar esse picolé — Nicole falou em um tom de advertência, brincando.

Eles assentiram e Átila foi até o Mustang, abriu a porta e sentou no banco do motorista, sorrindo ao sentir o cheiro de carro novo. Acariciou o volante, orgulhoso de si mesmo por ter conseguido esse negócio com o irmão. O carro era incrível, e o estofado de couro era uma das partes preferidas do policial. Enfiou a chave na ignição e deu a partida, levando o automóvel até próximo da beira do mar, para poder soltar o Jet Ski. Foi um trabalho maior do que imaginou, mas conseguiu levá-lo à água.

Átila pegou o colete salva vidas que tinha comprado para Aline, trancou o carro e subiu no Jet Ski. “Espero saber pilotar essa coisa”, pensou enquanto o ligava. Quase caiu na primeira tentativa de acelerar. O solavanco jogou seu corpo para trás, e ele precisou segurar firme o guidão. “É como pilotar uma moto, ao que me parece. É uma pena que nunca fui um bom motoqueiro”.

Levou o Jet Ski até a região onde a família estava. O casco raspou na areia e ele desceu, indo até as duas. Aline correu empolgada até o pai, e Nicole a seguiu.

— Mas que bela visão ver um homem tão bonito saindo de um Jet Ski. Um motoqueiro dos mares. Me soa bem, senhor Átila — brincou Nicole.

O policial riu e a beijou

— Espero não passar vergonha nisso — falou e ela riu.

Então se ajoelhou para vestir o colete salva-vidas na filha, que deu uma risada curta enquanto se olhava.

— O que foi, risonha? — Indagou Átila enquanto fechava os engates rápidos do colete.

— Eu pareço uma bolinha! — Riu.

— Tu é uma bolinha — brincou e apertou de leve no nariz da filha.

Átila levantou e estendeu a mão para Aline, que a agarrou empolgada.

— Tem certeza de que não quer vir conosco? — Perguntou à esposa.

— Tenho, aventureiros. Outro dia, talvez — sorriu.

— Vamos, papai! — Disse puxando-o.

O policial riu e seguiu a filha. Tentou ajudá-la a subir no Jet Ski, mas foi impedido por ela.

— Eu consigo! — Disse subindo no veículo e sentando no banco.

— Acho melhor tu ir na minha frente — falou enquanto a observava.

— Não. Eu quero ir atrás!

— Se tu cair, arteira, não vai comer doce depois do jantar — brincou.

— Não vou cair! Tu que vai!

Átila riu e arrastou o Jet Ski de volta para a água, subiu e ligou. Aline soltou um grito de empolgação e gargalhou, achando aquilo o máximo em questão de diversão. O veículo saltava as ondas e deslizava sobre a água, com o casco espirrando jorros brancos da água que se colidia contra a frente, e a espuma empurrada pelo motor.

Era um belo dia, estava feliz, tudo parecia um sonho. Átila se sentia bem como há tempos não sentia. Mas nada bom durava em sua vida.

— Olha papai! — Disse ela, apontando para um peixe boiando.

O animal estava morto, e esse era o primeiro contato com algo morto que Aline tinha. Átila apertou os lábios um contra o outro, frustrado. Não gostaria que esse contato tivesse sido tão cedo. Como explicaria para uma garotinha de cinco anos que, em algum momento, pessoas, animais e plantas acabavam morrendo? Ela era inocente demais para conhecer esse lado da vida. Além do mais, Aline ainda nem sequer sabia de onde vinha a carne do mercado.

— Acho que ele está tomando banho de sol — disse Átila, sem saber, exatamente, o que dizer. — Como a mamãe antes.

Aline riu.

— Peixes ficam bronzeados, papai?

— Alguns, talvez — riu e afastou o Jet Ski do animal. Era o maior peixe que já vira.

— Por que a mamãe não vem com a gente? É tão divertido! — Riu.

— Acho que ela não quer se molhar. Sabe como ela é — brincou, e a filha deu uma risadinha.

A menina foi falar, algo, mas um grito agudo e interrompido cortou o ar, atropelando-a. Era um berro feminino, e todos na praia olharam na direção dele. A água estava agitada, como se alguém se debatesse abaixo dela. Então outro guincho de horror ecoou, e dessa vez um homem foi arrastado para baixo de uma onda. Peixes começaram a aparecer na superfície, boiando com seus olhos viscosos olhando para o céu. Outras pessoas desapareceram e, assustado, Átila virou o guidão do Jet Ski para sair dali com sua filha.

Mas Aline caiu na água com um grito curto e suprimido.

O pavor tomou conta de Átila, e ele não pensou duas vezes antes de pular atrás da filha. Ela era seu mundo, sua felicidade, e não deixaria que nada acontecesse com seu pequeno tesouro. Aline não estava na superfície. Por algum motivo o colete não pareceu servir de nada, por esse motivo mergulhou para alcançá-la.

Não conseguia enxergar nada na água densa, e por isso moveu os braços em grandes arcos em busca da menina. Seu coração batia forte com o terror martelando-o com selvageria, sentia uma queimação na região das costas que parecia um arrepio pelo nervosismo. Eles não estavam muito no fundo, ela tinha de estar perto. Sua mão tocou em algo, a agarrou com firmeza e tomou impulso para cima. Ao emergir de seu mergulho, notou seu amado pedacinho de gente em seu colo, tossindo e chorando. Acariciou seus cabelos e beijou-lhe o rosto enquanto nadava até o veículo.

— Vai ficar tudo bem, meu bebê. Papai está aqui contigo — falou enquanto batia os pés com força para ir mais depressa. Seu corpo tremia por inteiro. Nunca na vida ele tinha sentido tamanho pavor.

— Papai vai te proteger, meu amor — disse para acalmar a filha. — Vai ficar tudo bem.

Então algo agarrou seu tornozelo e o puxou para o fundo. Átila soltou sua filha para que não a trouxesse junto para baixo da água, e que o colete a mantivesse na superfície. Chutou algo, mas o aperto em sua perna era forte e o machucava. Se contorceu assustado, tentando se libertar do que julgava ser um animal. O fôlego escapava de seus pulmões, iniciando uma ardência. Então alguém o agarrou pelas axilas, tentando puxá-lo para cima, mas a coisa enroscada em seu pé não o soltava de jeito nenhum.

A pessoa que tentava levá-lo para a superfície mergulhou um pouco mais e o agarrou pelo joelho, tentando desprender sua perna. O ar deixou seu corpo por completo, causando dores em seu tórax, e, então, seu tornozelo foi solto. Impulsionou-se para cima o mais rápido que pôde. Sentiu um alivio colossal ao poder tragar o máximo possível de oxigênio e estufar o peito. Não conseguia ver quem o ajudava, apenas as bolhas vindas do fundo escuro, onde seu salvador lutava para se libertar do animal que agora o atacava. Procurou ao redor quando notou que não estava perto de sua filha.

— Aline! — Gritou o mais alto que seus pulmões permitiram.

20. Januar 2020 02:37:24 1 Bericht Einbetten 2
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Amanda Luna De Carvalho Amanda Luna De Carvalho
Olá, tudo bem? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Gostaria de dizer que sua história é bem interessante por tratar do tema zumbis, me lembrando um pouco sobre o filme A Volta dos Mortos-Vivos, muito conhecido na década de 80. A coerência está apropriada, mesmo sendo um capítulo grande. A estrutura está adequada no contexto geral. Com relação aos personagens, podemos sentir suas emoções no desespero das situações em que são colocados. Como no caso do pai que tentou tirar sua filha do mar. A gramática está boa, mas notei uns pequenos lapsos com relação aos tempos verbais em determinados momentos ao longo do texto. Como por exemplo: (Ele tinha seus trinta e um anos, e por sorte, conseguira tirar suas férias e pegar o pouco dinheiro que sua profissão lhe remunera) — Sugestiono trocar "remunera" por "remunerava". Quanto ao resto, está excelente. Indico a continuação da história porque parece atraente e a trama está desenvolvida de modo aprazível. Até mais.
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