jmvasc Jamille Sousa

Beatriz acabou de perder o emprego e está na fase de curtir a fossa sozinha em seu modesto apartamento, de preferência com um pote de sorvete de flocos a tiracolo. Preocupada em não ser despejada e conseguir quitar às dívidas e o tratamento do pai, ela sequer tem tempo para pensar em relacionamentos ou qualquer outra coisa que não seja uma forma de ganhar dinheiro. Porém, o destino tinha outros planos e, quando inesperadamente seu vizinho de porta começa a se aproximar. Beatriz finalmente entenderá que nem sempre se pode mandar no coração.


Romantik Chick-lit Alles öffentlich.

#amor #amizade #paixão #romance
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Capítulo 1

Arrasada, era assim que eu me sentia por estar em plena segunda-feira assistindo sessão da tarde. Fui demitida há uma semana e não sei o que fazer. Curtir o seguro desespero até acabar? Procurar trampo o quanto antes para não arrancar os cabelos quando eu não tivesse mais nem um tostão furado no bolso? Era uma opção. Visto que eu pagava aluguel e se meu dinheiro acabasse eu iria morar embaixo da ponte, na melhor das hipóteses.

Mas, hoje eu ficaria curtindo minha fossa na companhia de um balde de sorvete. Já tinha decidido, na próxima semana eu procuraria emprego e sairia do estado de inércia no qual me encontrava. Não obstante, tudo o que eu queria por hora, era terminar de assistir aquele filme clichê, que eu já tinha visto milhares de vezes e sabia o final de cor.

Suspirei e, com resignação, aceitei meu destino. Era isso, não era? Eu estava definitivamente desempregada, sem esperanças e com diversas contas para pagar. Inclusive aluguel e condomínio que venceriam no final do mês.

Desanimada, ouvi uma batida na porta e me arrastei até lá para abrir. Sem sequer me preocupar se estava apresentável ou não, quem quer que ousara atrapalhar meu filme, teria que lidar com minha aparência no momento.

Espiei pelo olho mágico e era minha vizinha de porta. Abri e sua voz, um tanto estridente, logo atingiu meus ouvidos:

— Oi, vizinha!

— Oi. — respondi sem emoção e tentei inutilmente domar meus fios de cabelo, que provavelmente apontavam para todas as direções. Qual é, Rebeca era tão deslumbrante, que vê-la impecável, mesmo de coque e usando apenas um roupão. Me causou um certo desconforto na boca do estômago.

— Não quero incomodar, mas será que você pode me emprestar um pouco de adoçante? — despejou ansiosa, parecia envergonhada. — Sabe como é, Bernardo esqueceu de comprar e eu não posso tomar suco com açúcar.

— Adoçante? — repeti como se tivesse problemas de audição. — Não sei se eu tenho... Deixe-me ver. — já iria checar, quando Bernardo surgiu na porta, vestindo uma regata branca e uma bermuda de tactel.

— Eu achei, não precisa incomodar os vizinhos. — anunciou constrangido. — Oi Beatriz. — me saudou com educação.

Apenas fiz um aceno com a cabeça, o som da minha própria voz estava me incomodando.

— Ah, Bê. — estalou a língua e deu uma olhadela por cima do ombro para ele. — Deveria ter procurado direito antes de eu perturbar nossa vizinha. — e sorriu amarelo para mim.

— Não foi nada. — me apressei em dizer, querendo mais do que tudo acabar com aquele diálogo e voltar para o meu filme.

— Desculpe. — Bernardo proferiu, olhando para mim e coçou a nuca, notoriamente encabulado. — se virando para a mulher alta e magra que jazia na minha frente, completou — Volta pra cá, Rê.

— Obrigada e me desculpe. — Rebeca emendou com um sorriso gentil.

— Não foi nada. — com isso tornei a entrar, fechando a porta em seguida.

Alta, magra e empregada, Rebeca representava tudo o que eu não era e talvez nunca viria a ser — no quesito magreza —, e por isso jamais entenderia a necessidade que um ser humano desempregado tinha de se entupir de açúcar para viver. Adoçante? Eu com certeza não me lembrava de ter comprado isso, talvez em alguma época remota da minha vida, na qual eu sonhava em fazer dieta. Mas, se eu não me lembrava de ter comprado ou tomado àquilo, na certa eu comi a dieta junto com um pão de queijo quentinho e uma caneca de café.

Me joguei no sofá, antes de abrir meu e-mail. Eu havia enviado alguns currículos para vagas que minha amiga me indicou, e uma centelha de esperança de obter alguma resposta favorável me acometeu. Nada.

Respirei fundo e constatei que perdi uma parte razoável do filme. Argh, agora eu teria que procurar na Netflix para poder acompanhar o que perdi. Ninguém entendia a graça de assistir um filme na TV aberta, com comerciais e tudo, mesmo podendo assistir de uma vez e sem cortes na internet. É, eu era um pouco estranha.

Meu celular apitou e eu corri para olhar, o coração acelerado, as mãos suando, parecia até que estava apaixonada. Bom, eu realmente sempre fui louca por não morrer de fome. Contudo, era só o Yago, um chato de galocha, que conseguiu meu número através de Fernanda, vulgo minha melhor amiga. Ainda não entendia porque ela passou meu número para ele, mas devido a insistência de Yago em conseguir me levar pra sair, na certa eu iria tirar a limpo essa história com a Fê. Todavia, assim como entregar currículo, esse dia não seria hoje. De modo que, após encontrar o filme dei play e me ajeitei confortavelmente no meu sofá. Não fossem os gritos da vizinha, eu teria obtido êxito em ter um pouco de paz.

Espera, gritos da vizinha? Seria a Rebeca? O casal vinte nunca brigava, pelo menos não para os outros ouvirem. Pausei o filme e fiquei quietinha, tentando entender o motivo da discussão. Qual é. Eu não tinha nada mais interessante para fazer, ouvir a conversa dos outros era o ápice da minha segunda-feira!

— Você não se preocupa comigo! — a voz de Rebeca reverberou, perpassando às paredes finas do apartamento.

— Acalme-se, Rê. — pediu Bernardo, em um tom de voz baixo, porém firme. — Os vizinhos não têm obrigação alguma de ouvir nossos problemas.

— Ah, não? — Rebeca gritou de volta. — Não seja por isso, eu vou morar sozinha a partir de hoje. — e, um segundo após, ouvi o barulho da porta batendo.

Tornei a dar play no filme, sentindo-me culpada por ouvir algo que me parecia tão íntimo. Mas, era aquele ditado, quem está na chuva é para se molhar. Por isso mesmo que eu curtia minha solteirice, pelo menos problemas de cunho sentimental eu não tinha. Ainda.

Se bem que, para um casal que morava sob o mesmo teto, aqueles dois eram um bocado estranhos. Eles se tratavam com carinho e visível afeto, mas se chamavam sempre por abreviação do nome. Nada de amor, benzinho, xuxuzinho essas apelidos clichês que todo casal adere em determinado tempo de relacionamento. Na real, eu nunca soube o que eles representavam um ao outro de verdade, como se quer parava em casa, nossas interações resumiam-se em bom dia, tarde e noite. Ou quando Rebeca precisava de algo e vinha pedir para mim. De qualquer jeito, especular a vida dos meus vizinhos não era algo que mudaria minha situação financeira. Eu mal parava em casa, eram raros os momentos em que podia descansar, e quando isso acontecia eu dormia.

Portanto, tentei me concentrar no meu filme, era o que tinha pra hoje.

31. Dezember 2019 03:20:09 4 Bericht Einbetten Follow einer Story
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Post!
Gracielle Santana Gracielle Santana
Comecei a ler e já estou amando, leitura leve e gostava
June 24, 2020, 02:02
CK CINTIA KOMATSU
Também é a minha primeira leitura
April 06, 2020, 21:25
Jenifer Vieira Jenifer Vieira
Hey! É meu primeiro dia na plataforma e seu livro é o primeiro que estou lendo. Já gostei muito, a sua escrita é muito boa.😊
January 11, 2020, 23:12

  • Jamille Sousa Jamille Sousa
    aaa fico honrada em ler isso, estou me adaptando aqui também, costumo usar mais o wattpad. Espero que goste do meu livro <3 January 14, 2020, 14:56
~

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