u15514544731551454473 Luiz Fabrício Mendes

Anos após o fim da guerra, Frank pisava na França novamente. Seu destino: a pequena cidade de Pont-Saint-Esprit, onde a CIA acreditava estar agindo um soldado psíquico criado supostamente pelos soviéticos. Mas em sua busca pelo inimigo, Frank vai acabar encontrando bem mais do que imaginou... Conto originalmente publicado no e-book "Psyvamp", Editora Infinitum Libris.


Thriller Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

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Kurzgeschichte
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Capítulo Único

Lucy in the Sky with Diamonds


França, 1951.

A noite estrelada sobre as águas tranquilas do Ródano, que fluíam lentas e despreocupadas por debaixo da ponte de pedra, enchia o cenário e o ar das redondezas de tranquilidade. Ainda que a situação, ao menos no caráter externo do ambiente, remetesse a uma completa calma, Frank não conseguia deixar de converter tudo que via em termos militares. Em sua cabeça acostumada às vilas e estradas daquele país antes ocupado pelos nazistas, os astros cintilantes no firmamento eram como fragmentos em brasa de uma grande granada recém-explodida – os estilhaços sendo cravejados na imensidão do vazio como fora outrora nos rostos de seus colegas de batalhão.

É, era bom retornar à França depois de quase dez anos após a ter visitado pela primeira vez.

Seus coturnos pisavam sem pressa o calçamento da ponte. Do outro lado da travessia erguia-se um complexo de construções de pedra e alvenaria que pareciam ter congelado todo o lugar no tempo, remetendo a uma povoação medieval.

Por um instante, Frank lamentou-se por não poder contemplar aquela vista durante o dia. Embora sua visão permitisse que identificasse os contornos do casario e das torres sem maiores problemas, era uma pena não admirar aquele resquício da Idade Média emoldurado por céu azul e montanhas ao longe, as águas do Ródano refletindo o brilho do sol...

Fato era, no entanto, que Pont-Saint-Esprit aparentava ter mergulhado numa nova Idade das Trevas. Essa constatação provinha não só do aspecto sombrio gerado pela vila – com os sobrados e igreja desprovidos de qualquer brilho como um dragão negro adormecido às margens do rio, raríssimas sendo as luzes acesas às janelas – mas pelo próprio torpor que o local emanava. Os sentidos de Frank há muito haviam se habituado a captar tais nuances, e nem só pela guerra haviam sido condicionados... Embora sua atual condição lhe privasse de muitas coisas, favorecia e muito o cumprimento do trabalho que vinha exercendo.

Logo chegou ao término da ponte, julgando tê-la cruzado de forma rápida, ainda que houvesse se mantido o mais lento possível. Ao adentrar as primeiras vielas do lugarejo, as opulentas sombras das residências foram projetadas sobre sua figura. Seus ouvidos, mais aguçados que os de algum outro recém-chegado que aparecesse, captaram sons do interior das casas, das lojas, dos prédios públicos... Um coro envergonhado e sofrido de gemidos, berros, balbucios. Não escolhiam sexo, idade, posição social: eram emitidos de crianças a velhos, como se toda aquela vila agonizasse. Frank sentiu-se de súbito mergulhado num grande leprosário sem muros; porém naquele caso a degeneração dos doentes não era física. Suas mentes perdiam gradualmente, ao invés das pontas dos dedos, narizes ou outras partes do corpo, aquilo que as definia como humanas. Todas as pobres almas de Pont-Saint-Esprit eram estripadas, pouco a pouco, de sua sanidade.

O mais incrível de tudo aquilo, e talvez odioso, era que Frank não conseguia se sentir abalado pela situação. Outrora, como criatura temente a Deus, militar de professa e intensa fé protestante, seria tomado por consternação mais forte do que se houvesse caminhado para dentro do próprio inferno. Não mais, todavia. Apesar de não ignorar a praga que se abatia sobre aquele infeliz sítio, era capaz de manter uma frieza difícil de compreender àqueles que não acreditam no que muitas vezes foge a seus olhos.

Mas era por esse exato motivo que fora escolhido para aquela missão. A CIA precisava de homens como ele. Isto é, se ainda pudesse ser denominado "homem"...

Embalado pela ópera cadavérica que já se tornava parte natural do ambiente, Frank dobrou uma esquina, mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo como se não passasse de um transeunte ignorando tudo que ali tinha palco. Passou pela fachada escura de uma padaria, por uma ou duas casas... até que ruídos diferentes do reinante agonizar atingiram seus ouvidos. Era de uma rua próxima, a quinze ou vinte metros de distância – como seus apurados sentidos logo determinaram. Diminuindo ainda mais a velocidade de sua marcha, encostou-se a uma parede e esgueirou-se até a exata localização, junto a outra esquina. Esta lhe serviu de refúgio para que observasse discretamente o que se desenrolava.

Em frente a um sobrado estava estacionado um furgão branco como leite, as cruzes vermelhas em seus vidros laterais revelando se tratar de uma ambulância. As portas traseiras se encontravam abertas, enquanto dois homens vestindo uniforme alvo do pescoço aos pés, com expressões cansadas, traziam alguém pelos braços de dentro da casa. Era um menino bem novo, de camiseta, suspensórios e sapatos, que se debatia freneticamente conforme carregado.

Frank pôde fitar o semblante do garotinho por alguns segundos: seus contornos faciais retorcidos, olhos vidrados e sobrancelhas franzidas arrancavam de si todo encanto da inocência. Tendo perdido sua mente, era agora como um animal selvagem, que, procurando desferir pontapés contra os enfermeiros, tentava ainda por cima agarrar pelos cabelos a pobre mãe, que chorava muito enquanto o acompanhava até o veículo.

A senhora, batendo no peito e lançado exclamações aos prantos em lamento por seu filhinho, quase desmaiou – tendo de ser amparada por duas meninas perto da adolescência, por certo irmãs do adoentado – enquanto ele era fechado dentro da ambulância e, ainda desferindo murros do lado de dentro contra os vidros e lataria, levado embora para o sanatório da região. A mãe, conduzida pelas filhas, recolheu-se de novo para o interior da residência no mais profundo estado de pesar, ao mesmo tempo em que Frank se descolava da parede da esquina e retomava seu trajeto.

Ganhando outra viela, o passivo coro de ensandecidos retomou sua entoação. Misturava-se agora a eles, provavelmente antes não percebido, o som do choro dos entes queridos que velavam desolados por aquelas pessoas. Frank prosseguiu alheio à imensa desgraça, tentando imaginar onde um soldado psíquico de Stalin se esconderia. Ao menos era o que a CIA acreditava ser a fonte do surto de loucura que consumia Pont-Saint-Esprit – o agente, após ter vislumbrado o rosto demoníaco do menininho, acreditava que a origem daquilo tudo podia ser outra...

Súbito, a maior construção da vila despertou a atenção de Frank. A estrutura altiva e a torre achatada – lembrando um pouco a Notre-Dame de Paris – lançaram sobre si suas silhuetas como se o chamassem para seu interior, ignorando totalmente quem ele era ou, mais que isso, o que ele era. Um pensamento astuto ecoou por seus neurônios... Qual o último lugar em que você cogitaria procurar um comunista? Uma igreja, claro!

Pôs-se a caminho do templo. Focado em seu objetivo, quase não percebeu o grito agudo vindo do interior de uma casa junto à rua: um homem bradando em francês algo sobre ser de voar. Pouco depois, às suas costas, a janela do segundo andar de um casarão estourou numa chuva de vidro, um sujeito de pijama e olhos arregalados saltando para fora de braços abertos e rindo sonoramente. Frank não se virou para ver o corpo se estatelar em cheio com as pedras do calçamento, limitando-se a ouvir os ossos quebrarem...

Foi com certa surpresa que o agente da CIA encontrou aberta a porta principal da Igreja de São Saturnino. Ganhou silenciosamente o interior do santuário, procurando minimizar ao máximo o ranger da madeira e o som de seus passos pelo piso de mármore. Observando a nave central, sentiu-se em contrapartida fitado pelas imagens de santos ao longo da mesma, ainda que não se abalasse com o semblante do padroeiro que aparentava querer amarrá-lo a um touro descontrolado assim como ele mesmo o fora, ou uma representação de Joana D'Arc sobre seu cavalo que parecia mais bruxa do que santa.

Depois de poucos instantes vistoriando as sombras, encontrou outra porta, esta conduzindo à torre com o campanário. Não sabia bem, mas achava que o tal Ivan ou Boris, hipnotizador dos soviéticos, poderia estar lá em cima. Um bom lugar para começar a investigar.

Passou a vencer as escadas, subindo rumo ao ápice da estrutura. Os gemidos e pranto do povoado continuavam sendo captados por si, e desejou ao menos por um momento que se calassem – não por pena, mas para que pudesse se focar apenas nos ruídos dentro da igreja.

Logo chegou ao topo, desta vez não tão rápido quanto queria. Junto ao alçapão fechado no teto conduzindo à sala dos sinos, havia, encostado à parede, um velho e embaçado espelho de suporte. Diante dele, Frank, nada vendo refletido a não ser os tijolos cheios de teias de aranha atrás de si, abriu um sorriso irônico. Já fazia sete anos desde a missão secreta para o OSS, na Romênia, com o intuito de prestar auxílio à Resistência local contra os alemães, que resultara numa noite com uma condessa que deveria estar morta há séculos e sua transformação num ser amaldiçoado. Mesmo assim, ainda não se habituara totalmente às sutilezas de sua nova condição, como nunca mais poder ver a própria figura.

No fundo acreditava, porém, que assim seria melhor.

Abriu o alçapão com força, empurrando-o acima com ambas as mãos. O mero impulso fizera romper o cadeado que o lacrava – algo impossível para um humano comum. Escalou a abertura.

O campanário encontrava-se imerso na claridade prateada noturna gerada pelo luar e as estrelas, como se toda luz emitida pelo firmamento se centrasse apenas naquela torre – delegando o resto do povoado à escuridão. Frank teve os contornos cansados de sua face e os cabelos grisalhos no topo de sua cabeça imersos numa explosão de alvura, ao mesmo tempo em que, estreitando os olhos, tentava identificar alguém entre as silhuetas dos grandes sinos e vigas de madeira que dominavam o recinto. Com seus sentidos lhe avisando que o perigo se avizinhava, ainda que não precisamente detectado, sacou de seu sobretudo uma pistola Colt .45 customizada. Nem seria necessário silenciador: numa vila em que todos estavam enlouquecendo, o som de uma arma de fogo na noite seria equivalente a uma gota de chuva contra a janela.

Varreu o ambiente com o olhar, arma apontada. Súbito, seus olhos finalmente encontraram um vulto suspeito. Adiantou-se em direção a ele, passos velozes. Logo identificou uma figura de traços humanoides sentada sobre a base do suporte de um dos sinos. Em questão de poucos segundos a visão de Frank compôs uma nítida descrição daquilo com o que se deparara. O agente da CIA esperava algum lunático saído de um Gulag siberiano tendo um dispositivo esquisito na cabeça, crânio de proporções avantajadas ou coisa similar. Mas não. Naquele caso, definitivamente, a culpa não era dos russos...

A pessoa, uma mulher, tinha o corpo coberto por roupas oriundas do século XVIII – e nem era preciso ser historiador ou um pedante francês estudioso de moda para fazer tal dedução. A cabeça era adornada por uma grande e espalhafatosa peruca branca que deixava, ainda assim, alguns vislumbres de cabelo loiro sob si. O tronco via-se envolvido por um espartilho bege apertado, atado com esmero e possuindo bordados de flores, as mangas rasgadas do vestido deixando sessões inteiras dos braços à mostra. As pernas estavam enfiadas numa saia ampla, também bege com detalhes em cinza, compondo verdadeiro pavilhão em torno de sua cintura. Os pés, por fim, calçavam sapatos azuis de salto alto e bico fino. Uma pessoa ingênua, ao observar o aspecto geral da jovem, diria que ela cobrira toda sua pele exageradamente com pó-de-arroz em expressão de vaidade, mas aquele se tornara o tom natural de sua tez, tão alvo quanto seus dentes bem-conservados à mostra. O rosto, conjunto de penetrantes olhos verdes, nariz fino e lábios suaves tingidos de vermelho, transitava entre o repulsivo e o sedutor. Ainda mais quando sorria, como naquele momento, enquanto usava as mãos enluvadas em renda para abanar-se com um leque.

- Então, você atravessou o oceano para me ver... – ela constatou num gracejo ao recém-chegado, inglês carregado de sotaque.

- Como diabos você sabe disso? – inquiriu Frank recuando alguns passos, pistola apontada para a testa da provável morta-viva.

- Eu descubro as coisas, mon chéri. Minha diversão é visitar os sonhos, medos e anseios daqueles que me rodeiam. Meu nobre marido, em vida, fazia isso por meio da arte. A pintura, mais precisamente, era seu meio. Mas ele podia apenas imaginar o que os outros pensavam, o que queriam ou não ver. Eu já posso observar, sentir tudo isso. Quando e de qualquer maneira eu entender.

- O que aconteceu com o seu marido?

Súbito, Frank assustou-se ao ver surgir, sem mais nem menos, um retângulo de névoa roxa à direita da sinistra mulher, flutuando alguns metros acima do chão de tábuas. Surpreendeu-se ainda mais quando, como se moldada por mãos invisíveis, a massa esfumaçada se converteu numa guilhotina, a lâmina descendo com incrível velocidade e rompendo o pescoço de um corpo também de neblina que até então igualmente não estava ali – a cabeça disforme de um homem rolando pelo assoalho até os pés do agente e então desaparecendo como se evaporasse, da mesma forma que o instrumento responsável pela decapitação.

- Inimigo da Revolução – a dama concluiu sem rodeios.

Frank compreendeu então o que se passava, estremecendo. Não sentia tanto receio desde a guerra, e temeu que, naquele caso, nem seus poderes vampíricos pudessem salvá-lo. Constava nos arquivos da CIA tratando de criaturas sobrenaturais, como as que eles vinham recrutando, que nem todos os vampiros viviam de sugar sangue humano. Outros, classificados num nível de poder e periculosidade maior que os habituais, alimentavam-se diretamente da essência dos homens. Seus pensamentos, seus sonhos... sua sanidade. Capazes de causar delírios e profundo atordoamento mental até mesmo em seus semelhantes. Eram chamados, nas fichas, de Psyvamps. O agente, agora, encontrava-se com a primeira de sua carreira. Muito provavelmente também a última, se não agisse rápido.

- Você não vai fritar meus miolos, vadia!

Após assim gritar, Frank disparou a arma... mas, para seu infortúnio, a figura da vampira piscou. Foi como se ela se desmaterializasse bem no momento em que a bala atingiria sua cabeça, retornando no milésimo de segundo seguinte – ao mesmo tempo em que o projétil se chocava com o metal do sino atrás de si, fazendo-o retumbar. A pistola tremeu na mão direita do agente. Sabia que aquilo não podia ser verdade, que ela o estava manipulando... mas não sabia ao certo como revidar.

- Saia da minha cabeça! – ele bradou, lutando contra o desespero.

Como resposta, a sádica inimiga, após um sorriso travesso, dobrou de leve seus lábios, gerando uma pequena abertura em sua boca. Em seguida, como se assoviasse, passou a sugar algo para dentro de si, sutilmente... ao que Frank sentiu-se zonzo e fraco. Por pouco não veio ao chão, a cabeça latejando. Lutou com todas as forças para manter-se firme sobre as pernas... e viu. Ao redor de si, por toda parte, flutuavam pequenas figuras brilhantes, como se os astros celestes há pouco admirados por si da ponte houvessem descido para dentro do campanário. Diamantes bem polidos, de pontas afiadas, cada um quase do tamanho de um punho. Giravam sobre seus próprios eixos, aguardando o comando da vampira. Ela continuava escarnecendo-o com seu biquinho. Até que, de repente... os diamantes desceram, gradativamente, rumo ao agente da CIA. Cada um tão rápido e potente quanto uma bala.

As cortantes pedras preciosas passaram a dilacerar o corpo de Frank. Cada uma rompia sua pele, seus órgãos, até seus ossos. Sentia dor, algo que não conhecia desde antes de sua transformação. Trêmulo, sangue jorrando de si a cada novo ataque, tentou se recompor. Sabia que nada daquilo era real. A maldita o estava fazendo ter alucinações enquanto incutia-lhe dor mentalmente. Derretia seu cérebro, e não podia deixar com que concluísse o trabalho.

Lutando contra a dominação, incerto sobre se deveria ou não confiar no que seus olhos viam além dos diamantes voadores, o norte-americano avançou até a vampira. Cada passo era imenso sacrifício, seus membros negando-se a funcionar, mas não era um humano comum. O fato de ter o mesmo sangue amaldiçoado daquela donzela diabólica contribuía para favorecer sua resistência. Ela lançou pedras que lhe cortaram boa parte das pernas, mas ainda assim não desistiu. Perto o bastante da morta-viva e vomitando sangue, saltou em sua direção, agarrando-a pelo tronco. A inimiga, por sua vez, gargalhou. Frank não sabia se ela realmente ainda estava ali com ele ou se o abandonara delirando enquanto seu encéfalo virava mingau. Ele tinha, porém, de ao menos tentar...

- Acha mesmo que pode vencer a mim, Lucille de Metz? – ela indagou debochada, sem nem ao menos repelir seu abraço.

Frank abriu uma das abas do sobretudo, revelando uma granada pendurada na parte de dentro. Fragmentos de prata, caso encontrasse algum vampiro naquela missão. Nunca se sentira tão aliviado por ser precavido quanto naquele instante.

- Quer admirar estrelas, mademoiselle Metz? – ele replicou sorrindo.

Puxou o pino.

De toda a vila de Pont-Saint-Esprit, as delirantes mentes dos moradores vislumbraram o clarão prateado que, tão rápido quanto surgiu, desapareceu no topo da torre da igreja agora fumegante.

23. Dezember 2019 19:45:00 0 Bericht Einbetten Follow einer Story
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Das Ende

Über den Autor

Luiz Fabrício Mendes Goldfield, alcunha daquele em cuja lápide figura o nome "Luiz Fabrício de Oliveira Mendes", vaga desde 1988. Nasceu e reside em Casa Branca - SP, local que se diz ter sido alvo da maldição de um padre. Por esse motivo, talvez, goste tanto do que é sobrenatural. Atualmente é professor de História, mas nas horas vagas, além de zumbi, se transforma em agente de contra-espionagem, caçador de vampiros, guerreiro medieval, viajante do espaço ou o que quer que sua mente lhe permita escrever.

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