Meu Bichinho de Estimação Follow einer Story

vandacunha Vanda da Cunha

Quem nunca quando criança teve um animalzinho de estimação? É maravilhoso relembrar uma infância repleta de momentos lúdicos e maravilhosos, até nas decepções conseguir imaginar que tudo pode ser incrivelmente belo! Boa leitura a todos!


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Meu Bichinho de Estimação

Quando eu tinha sete ou oito anos de idade, ganhei meu primeiro bicho de estimação.

Não era um cachorro, não era um gato, era uma galinha carijó. Isso mesmo, uma galinha carijó. Nossa! Eu fiquei radiante de felicidade. Todos os meus irmãos já possuíam bichos de estimação, o mais velho tinha um touro, o outro um bezerro, o outro uma cabra... E eu, uma galinha! Eu pouco me importava se meu bicho não era tão valoroso, afinal, eu tinha um animalzinho só meu. Minha felicidade não durou muito, pois na primeira vez que minha carijó teve filhos, demonstrou ser uma péssima mãe, beliscava os pintinhos, não lhes dava de comer... Mamãe teve que colocar os pobres emplumadinhos, com outra galinha, já que dona carijó era cheia das más vontades e desprezara-os, completamente. Não demorou muito tempo “minha galinha” foi parar na panela. Confesso que nem chorei, pois ela bem que mereceu o castigo.

Um tempo depois, um pintinho qualquer ficou doente, o coitadinho não conseguia andar, as perninhas entrevaram impedindo-o de se locomover. Falei com minha mãe, só que ela não deu muita importância. Na verdade, mamãe cuidava de muitos afazeres, morávamos em um sítio grande, e em sítios todos trabalham bastante. Eu já sabia que ela não ia perder cuidando de um pintinho doente.

Então, pedi-lhe que desse-o para mim, pois desta forma, eu teria um novo bicho de estimação. Ela concordou sem nem discutir o assunto ou citar regras de criação.

Eu comecei a cuidar do pintinho, a alimentá-lo, a colocar emplasto de ervas, com azeite morno nas perninhas dele, a fazer massagens musculares, etc. Meu “Cutinho.” (Esse foi o nome que eu dei a ele), tornou-se meu paciente, meu melhor amigo, meu filhinho, MEU TUDO! Eu o amava de verdade! Em poucos dias ele já andava normalmente. Meus cuidados valeram a pena.

Feliz por ter uma mãe tão cuidadosa, ele fazia questão de ficar o tempo todo ao meu lado. Quando eu brincava de boneca, lá estava aquela coisa fofa me rodeando, se eu ia brincar de pique-esconde, ele saia correndo atrás de mim piando desesperadamente. Eu era a primeira a ser encontrada, pois os piados estridentes denunciavam meu esconderijo.

Eu acho que ele acreditava mesmo que eu era a mãe dele, acreditava tanto, que todas as noites ia dormir no meu quarto. No início, se contentou em ficar quietinho dentro de uma caixinha, mas conforme foi crescendo, saiu da caixa e subiu na cabeceira da cama e se empoleirou lá.

Era reconfortante saber que meu “Cutinho” gostava de dormir perto de mim. Quem tinha raiva era minha mãe, ela dizia que o quarto estava com um cheiro insuportável. Eu, por amá-lo muito, não sentia esse “cheiro” do qual ela tanto reclamava.

Um tempo depois, ele já era um lindo frango com penas brancas e laranjadas, e por incrível que pareça, continuava a andar atrás de mim. Dormir no poleiro junto com as galinhas e frangos “normais?” Nem pensar! Se minha mãe o colocasse no pé de amora, ele não ficava, logo dava um jeito de ir para o meu quarto e se empoleirar na cabeceira da minha cama. Então começava uma falação, minha mãe brigando comigo, eu chorando, e por fim o frango ficava no meu quarto.

Num sábado, meu pai foi a cidade vender queijos e bananas, e quando isso acontecia era uma novidade. Todos os filhos queriam ir junto, geralmente ele levava um dos meninos, pois sendo eles rapazes, o ajudariam a descarregar as mercadorias. Eu como sempre pedi a minha mãe para ir com papai, ela, sem muita resistência, permitiu.

Foi maravilhoso chegar a cidade e ver a praça, o chafariz, tomar refrigerante, sorvete, comer pastel, etc. Ah! Também fui à igreja pedir a benção ao padre.

À noite quando regressamos para o sítio, eu estava cansada, e doida para jantar e dormir. Mamãe fizera galinha ao molho, eu amava galinha ao molho. Comi tranquilamente e fui para o meu quarto. Estranhei não ver o Cutinho empoleirado na cabeceira da cama. Intrigada, fui ao quarto da minha mãe, e questionei-a. Ela não deu vazão aos meus questionamentos, disse que certamente o frango estaria dormindo no poleiro junto com os outros. Por estar muito cansada, decidi dormir, e só procurá-lo no dia seguinte.

Logo que amanheceu, pulei da cama e saí a procurar por meu amigo, chamei-o por várias vezes, e nada. Não satisfeita, adentrei pelo cafezal, depois pelo bananal gritando desesperada. Nem sinal do bichinho.

Angustiada com o sumiço inexplicável do Cutinho, desabei a chorar. Imaginei mil hipóteses. Quem sabe foi engolido por uma cobra! Não! Certamente uma raposa o comeu, ou o pior, algum vizinho sem vergonha o roubou! Minha mãe ao me ver chorando, chamou-me à cozinha, e sem demonstrar nenhum arrependimento, contou-me a mais triste verdade!

Ela matara meu Cutinho! Isso mesmo! Matara-o com todos os requintes de crueldade! Cortara-lhe o pescoço com uma faca e ainda aparara o sangue em um prato.

Ai Deus! Qual não foi meu sofrimento saber, que eu, na mais completa inocência comi meu melhor amigo! Tive raiva de minha mãe. Como ela fora capaz de tamanha maldade? Como deixou que eu comesse aquele suculento pedaço de frango, sem antes me informar que se tratava de alguém que eu considerava como um filho?

Ao ouvir a verdade, saí correndo para a beira do rio e chorei a morte impiedosa do meu Cutinho. Concluí que mamãe fizera tudo planejado. Minha ida a cidade tinha um propósito macabro, ela só queria se livrar do meu lindo amiguinho emplumado. Aproveitou que eu estava fora de casa e... ZÁS! Era uma vez um franguinho!

Os dias passaram e tudo voltou ao normal. Ou quase ao normal, pois de vez em quando, eu ainda ouvia aquele bichinho lindo piando ao meu redor.




FIM



vandavalderez@gmail.com






3. Dezember 2019 02:14:58 0 Bericht Einbetten 2
Das Ende

Über den Autor

Vanda da Cunha Estou viva quando escrevo, as vezes nem sei se o que escrevo é bom, mas isso não tira minha vontade de continuar. Meu marido diz que eu sou uma escritora, eu não acredito muito nisso, prefiro acreditar que as palavras tem vida, e de alguma forma, elas me vivificam. Escrevo de tudo, mas o que realmente me atrai é o místico, o sobrenatural e todos os elementos dese universo.

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