Heloísa: drama psicológico. Follow einer Story

vandacunha Vanda da Cunha

O que acontece quando nossos desejos são muito fortes? O que fazer quando não conseguimos nos controlar? Heloísa e Juliano. Amor para sempre?


Drama Nur für über 18-Jährige.

#fetiches #desejos #amor
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Heloísa


Copyright by V. Gomes C. V.

Todos os direitos dessa obra reservados a autora


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Quem tem medo do lobo mal, lobo mal...


Nos anos oitenta, em Tangará da Serra, uma cidade do estado de Mato Grosso, vivia Heloísa e sua avó, elas moravam em um bairro afastado do centro, e para sustentar a neta, a avó lavava roupas de famílias mais abastadas. Embora Heloísa não possuísse uma beleza arrebatadora, algo nela chamava a atenção das pessoas, talvez fossem os dois belos olhos castanhos e a espessa sobrancelha sobre a pele cor de pêssego.

Muito estudiosa, Heloísa terminara o ensino médio, e sonhava passar no vestibular, ela já sabia a carreira que queria seguir, mas também sabia que, para realizar o sonho, teria que estudar muito.

Por esse tempo, chegou na cidade, um homem por nome Juliano Alves. Ele era filho de Antero Alves e Domicília Silveira Alves, uma ilustre família de Tangará da Serra. A avó de Heloísa lavava a roupa da família Alves.

A chegada do moço causou um certo alvoroço, e não por motivos fúteis. No passado, ele passara por sérios problemas pessoais e psicológicos que de alguma forma marcaram-no, profundamente.

Numa manhã de quarta-feira, Heloísa foi a casa da família Alves buscar a roupa suja para a avó. Sentado em um dos bancos do jardim, Juliano viu quando a jovem adentrava pela garagem acompanhada de Dona Esmeralda a empregada da casa. Deslumbrado com o jeito de andar da jovem, Juliano acompanhou-a com o olhar. Logo lhe vieram a mente, pensamentos perturbadores que o deixaram meio eufórico.

E se ela deixasse? E se ela permitisse? E se... Ele apertou a cabeça com ambas as mãos queria espantar as ideias terríveis que o atormentavam. Só que a curiosidade em conhecer a moça foi mais forte que qualquer esforço, ele levantou do banco e deixou o jardim, muito rapidamente dirigiu-se para a cozinha. Lá chegando, viu esmeralda ajudando Heloísa a colocar a trouxa de roupa na cabeça. Então, ele aproveitou a oportunidade para demonstrar gentileza.

— É muito peso para ela carregar! — Observou Juliano.

Esmeralda torceu os lábios.

— Ela está acostumada Senhor Juliano!

— Deixe que eu faço isso! — Ofereceu ele.

Heloísa ficou rubra, um homem tão fino segurando uma trouxa de roupa? Mesmo ele demonstrando cavalheirismo, ela sabia que não devia permitir tal gesto.

— Não senhor. — Disse ela levantando as mãos para pegar a trouxa de volta. — Não precisa se preocupar, eu consigo levar a roupa sozinha, eu sempre fiz isso.

— Nada disso! — Disse ele categórico. — Eu vou levar a roupa até sua casa.

Heloísa não teve mais argumentos, e nem quis mais reagir, permitiu que o filho do patrão, a levasse de carro até em casa.

A avó ao ver a neta descendo de um carro, correu até o portão para ver quem era, ao reconhecer o filho do patrão, convidou-o a entrar para tomar um café. O que não foi recusado.

— Quer dizer que o Senhor foi professor na faculdade em São Paulo? — Perguntou a avó de Heloísa interessada em saber mais sobre a vida do filho do patrão.

— Sim. Antes de me mudar para a Itália, eu lecionei alguns anos em São Paulo. Foi uma época muito proveitosa.

— Agora o Senhor não pretende mais lecionar?

— Por enquanto não... Quero dedicar meu empo a produção de artigos.

Ele nem sabia por que estava dando essas explicações para a lavadeira, certamente a infeliz não entendia nada do que ele falava, no entanto, a moça em pé próximo a janela, o fazia ser paciente e tolerante. Enquanto a velha senhora tagarelava sem parar, houve um lampejo promíscuo. Uma curiosidade capciosa veio à mente do mestre do saber.

— Por que a Senhora perguntou se eu não pretendo continuar lecionando?

— Nada demais meu filho, é que minha neta terminou o ensino médio, e está precisando de um professor para umas aulas de reforço... Aí eu pensei...

Juliano recostou-se na cadeira. Dar aulas para aquela...? Por que não?

— Seria uma honra ajudar sua neta. Ela me parece bastante esforçada. — Disse olhando para Heloísa que continuava próxima a janela. Os fleches do sol desavergonhadamente a iluminavam, deixavam-na tão sedutora, tão única, tão... Juliano engoliu em seco. O que estava acontecendo?


O sino bate as flores caem. Nada muda. Não deixe o monstro morrer por completo.

— Está vendo minha filha? Vibrou a avó. Agora você vai realizar seu sonho! — Gritou a avó entusiasmada tirando Juliano dos seus devaneios.

— Quero deixar algo bem claro! — Disse ele recompondo-se muito rapidamente. — Eu sou muito exigente; não tolero indisciplina, caso sua neta não se enquadre em meus métodos de ensino, descontinuarei os reforços imediatamente.

A avó tratou logo de alertar a neta, pois não era todo dia que aparecia uma alma caridosa para ajudar.

— Tudo bem professor. Ela vai se esforçar! Não é minha filha?

— Então tenho carta-branca para ensinar sua neta?

— Sim. E se ela não lhe obedecer; fale comigo! Está ouvindo Heloísa? — Resmungou a avó.

Heloísa assentiu com a cabeça. Em seguida deixou a cozinha. O que aquele homem tinha que a atraía? As mãos grandes ou o riso forçado no canto dos lábios.

— Eu tenho que ir Senhora, outro dia conversaremos mais. — Disse Juliano se levantando da cadeira.

— Quando eu posso mandar minha neta a sua casa para a primeira aula? E quanto pretende cobrar pelo seu trabalho?

— Eu aviso quando começo as aulas e o preço a ser cobrado. Não se preocupe, tenho que encontrar um espaço adequado e comprar o material que irei utilizar. Eu sou meio sistemático quanto ao meu trabalho. — Disse acalmando-a.

— Eu entendo. — Disse a lavadeira o acompanhando até a porta. — Avisa quando puder começar!

— Eu aviso, senhora. Tenha uma bom dia.

Depois desse dia, Juliano dedicou-se a preparação para receber a nova aluna, alugou uma casa um pouco afastada, e comprou o que julgou necessário. Cordas, fita adesiva, cinto de couro, palmatória... E materiais didáticos.

Mais alguma coisa, senhor?

No primeiro dia de aula, Heloísa estava um pouco ansiosa. Logo que chegou à casa verde, bateu palma, ao ver a porta da frente abrindo, sentiu medo.

— Entre! — Disse Juliano em tom amistoso.

A passos lentos, ela seguiu pela curta calçada. Coração batendo apressado quase saindo pela boca, pernas trêmulas e mãos suando.

— Eu ajudo você com os cadernos! — Disse ele em um riso amigável.

Ela recuou dois passos. O perfume que ele usava sedutoramente a ameaçava.

— Não precisa! — falou com voz desmaiada.

— Tudo bem. — Disse dando passagem para que a aluna entrasse.

Um dos quartos da casa fora transformado em sala de aula. Uma sala de aula de verdade. Doze carteiras arrumadas em quatro filas, armário com livros, mesa do professor, quadro negro, régua... E outros objetos. Logo que Heloísa se sentou, ele fez menção de riso, só que não riu, olhou-a seriamente e falou.

— Não ordenei que sentasse senhorita, Heloísa.

Ela se levantou imediatamente e meio sem jeito se desculpou.

— Desculpe-me. Eu... Eu...

— Agora pode sentar. — Ordenou Juliano confiante.

— Obrigada. — Falou Heloísa em tom baixo.

— Antes de começarmos nossa primeira aula. — Ele fez uma pausa. — Esclarecerei alguns termos que julgo serem importantes. —Disse cruzando os braços sobre o peito. —Eu não gosto de alunos desobedientes! Não tolero faltas, nem falhas tolas. — Olhou-a tão severamente que a deixou arrepiada. — Caso seja preciso, não temerei puni-la. Concorda, ou prefere nem começar?

Ela pensou um pouco. Sim ela estava com medo, mas precisava das aulas de reforço. Precisava? Bom, o caso é que de alguma forma, a nova situação era interessante.

O que estou pensando? Oh! Anjo protetor, livrai-me do mal.

— Eu concordo, preciso das aulas.

— Ótimo! Sua avó já me deu carta-branca. Então não há muito o que discutir. — Disse ele muito seguro. — Agora sente-se, eu vou fazer a chamada! Ela arregalou um pouco os olhos e entreabriu os lábios. Chamada? Ele ia fazer a chamada?

É, ele ia.

Em seguida Juliano pegou uma folha de papel sobre a mesa, puxou a cadeira e sentou, em seguida, colocou a data, a aula, e outros detalhes da chamada no papel.

Heloísa permaneceu em silêncio, não entendeu por que ele faria a chamada se ela era a única aluna. Deu de ombros com um riso escondido.

— Do que está rindo, Heloísa? O que é engraçado? — perguntou ele a encarando.

— Na... Nada, professor.

— Muito bem! Vamos a chamada. Disse ele com voz firme. — Heloísa Barbosa pinheiro! Chamou ele em alto e bom tom.

— Presente. — Respondeu ela baixinho.

— Muito bem Heloísa! — Disse ele levantando da cadeira. Apresente-se, por favor!

Ela engoliu em seco.

— Apresentar-me?

— Sim. — Respondeu Juliano categórico.

Não muito segura, ou completamente insegura, ela começou.

— Bom... Meu nome é Heloísa, eu tenho... Dezoito anos, moro com minha avó, e quero muito ser advogada. É isso.

— Você quer trabalhar em qual área da advocacia?

— Não sei ainda... Talvez eu seja advogada criminal.

— Interessante! Muito interessante

— É... É bem interessante. — Concordou ela não muito confiante.

— Pode sentar. — Disse o professor a encarando firmemente. — Vamos começar nossa primeira aula. Você conhece Os Lusíadas de Luiz Vaz de Camões?

— Já ouvi falar.

Camões? Sim ela já ouvira falar. Era um escritor ou pintor?

— Venha até a minha mesa Heloísa! — Chamou ele.

De cabeça baixa ela se aproximou, o que despertou nele um sentimento de superioridade.

— Você disse que conhece a obra de Camões só de ouvir falar?

— Sim, professor.

— Vai conhecê-la pessoalmente. — Disse pegando um dos livros que estavam sobre a mesa. Ei-la. — falou entregando o livro para a aluna.

Ela folheou o livro, fez um bico antes de perguntar.

— O que isso tem a ver com direito?

Ele achou a pergunta da aluna tão imatura que nem respondeu, limitou-se a espremer um pouco os olhos e a olhá-la de alto a baixo. Ela desconcertada, voltou a sentar-se.

— Nossa primeira aula terminou Heloísa, pode ir para casa. — Disse ele levantando-se.

— Mas já? — Perguntou a aluna arregalando os olhos.

— Sim. Vá para casa, leia o livro, na próxima aula debateremos a narrativa de Camões.

— Mas... Não fizemos nada! — Reclamou a moça.

Ele cruzou os braços sobre o peito e aproximou-se dela forçando-a, a encará-lo.

— Você queria fazer mais alguma coisa Heloísa?

— Nããã... Nãão.... Eu já estou indo. — Gaguejou ela arrumando os cadernos.

— Heloísa. — Chamou o professor. Ela levantou a cabeça. Olhos assustados garganta seca, mãos trêmulas.

— Leia o livro! — Ordenou sisudo.

Chegando em casa, ela foi ajudar a avó, depois foi ler fotonovelas, Camões ficou descansando em cima da cômoda.

Livro chato, livro bobo. Quem lê Camões?

Na aula seguinte, novamente o professor fez a chamada de sua única aluna, depois iniciou um diálogo.

— Leu o livro indicado Heloísa?

— Sii...Sim. — Gaguejou ela.

— Gostou da narrativa?

— Hum, hum. — Murmurou balançando a cabeça.

— Bom. — Ele insinuou algo parecido com um riso. — O que você achou da fala do velho do Restelo?

Nervosa, ela agitou as pernas.

Uma mentira não faz mal a ninguém. Será que não?




vandavalderez@gmail.com






15. November 2019 21:43:50 2 Bericht Einbetten 4
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Karimy Lubarino Karimy Lubarino
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February 18, 2020, 12:58
José Valderez José Valderez
Gostei! É diferente.
November 16, 2019, 21:59
~

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