Amor de Verão Follow einer Story

sweet-mary Mary

Tudo o que ela menos queria naquelas férias era ir à praia. Logo ela que sempre adorou catar conchinhas, correr pela areia macia, devorar um picolé de frutas atrás do outro. Logo ela, uma das crianças mais sorridentes agora é uma (pré) adolescente que vê seu corpo de criança ganhando outras formas, sensações que antes não pensava existir agora a perturbam. Os arrepios já não são mais provocados pelos ventos frios. E esse, apesar de sinalizar ser um verão qualquer, será tudo, menos isso. (escrito em outubro/2012)


Jugendliteratur Alles öffentlich.

#escritora-mary #infância #adolescência #primeiro-beijo #primeiro-amor
Kurzgeschichte
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Único

Viajando sem um pingo de vontade. Uma menina na minha idade, como dizem, não tem poder de decisão, apenas de concordar, goste ou não da sentença final. Por isso me chamam de rebelde; eu me oponho praticamente a tudo, reclamo de tudo, sou mesmo incompreensível por demais, um mistério para mim. Choro em dias de sol; às vezes sinto essa dor no meu coração e quero apenas o silêncio; me abster de respostas muito longas, de qualquer contato inútil ou tentativa de curar o que já não está mais ao alcance de ninguém.

Eu amo e ao mesmo tempo odeio. Negando, digo o quanto quero. E pode ser muito. Muito mesmo. Sufocante.

Eu queria parar o carro na metade do trajeto e passar o resto do dia sozinha, mas não posso, não é viável. Chegar a um destino e me conformar. Cansaço, tudo que eu quero é abraçar meu travesseiro e dormir. Até me deito, mas cama nova, sono zero. Sim, eu estou muito irritada; não imagina o quanto.

Não sei do quanto acha graça; me pergunto te olhando da janela; até que saio para dar uma volta, me refrescar com um sorvete, um revigorante banho de mar. Sair de mim, por alguns dias. Mergulhar e deixar que as ondas cristalinas arrastem para longe toda e qualquer dor, para que meu corpo esteja fechado contra quaisquer tipos de males que venham a me acometer.

O que mais preciso, não tenho. Agonia, eu não sei o que é. Um cumprimento e eu estremeci. Somos estranhos. Você não me deve nada; eu poderia viver tranquilamente sem saber meu nome, sem que esse sorriso fale mais que meus lábios.

Isso não está certo.

Eu te acho bonito... Está bem... bonitinho... legal... talvez, de tão chato, você seja... legal... mas será que não é um pouco exagerado? Pois bem, eu até rio das suas piadinhas sem graça... Ou nem tanto... Ou talvez eu esteja mal-humorada porque não posso mandar em mim, nem em meus sentimentos...

Hora de ir, mas fico e as horas passam, com você. Dualidade. Estou brigando contra mim mesma, enquanto você está tão calmo. Bom seria se eu fosse menos passional, mais indiferente, mais sensata, menos sensível e menos questionadora. Eu sofreria menos, sentiria menos. Não sei se, de fato, viveria intensamente como almejo, no entanto seria uma existência marcada pela tranquilidade, sem grandes turbulências e metamorfoses.

As grandes viagens que me transformam ocorrem pelas sinuosas estradas interiores e é necessário que eu seja passageira solitária, que as interferências não me abalem, não me provoquem, não me induzam ao erro. Eu preciso me entender, mesmo que em alguns dias tudo esteja tão escuro que há medo de acordar e continuar com frio.

Eu poderia me contentar com o que tenho, da vida nada mais exigir a não ser o básico a sobrevivência. Chora menos quem não deposita tantas expectativas em árvores infrutíferas. Chora menos quem perde o receio de amar e se entrega sem pensar porque se analisar sempre vai haver um motivo para recuar. Orgulho, sei lá. É estranho confessar que seu coração bate mais depressa por alguém, que em um dia o amor era apenas uma distante prioridade.

Amor, que eu já conhecia de outros jeitos e não esse, não com você. Nós, bela conjugação. Soa tão impossível e ao mesmo tempo real. Está aí, passando a bola para mim, fazendo troça da minha notável inabilidade esportiva. Levo na brincadeira. Aquela que pouco se importava com adornos até penteou o cabelo de outro jeito para que notasse.

Existe saída para mim?

Se não, diga. Assim rio dos meus devaneios estúpidos e fecho esse capítulo para que ninguém saiba que isso existiu.

Se sim, diga, por favor, que se sente assim também. Diga o que for, mas não se cale.

É claro que você pode segurar minha mão. Ela está suando... E a sua também...

Quanto esforço empenhou para me fazer essa pergunta aparentemente simples?

Quantas noites não dormiu pensando em um jeito de não parecer bobo?

Sabe o que me preocupa nesse momento? Absolutamente nada!

Ainda que saiba que as férias de verão não durarão a vida inteira e que esse amor eterno que me faz querer passar os dias com você daqui a algum tempo não seja mais nada.

Deveria temer ou deixar esses chiliques de lado?

São respostas que independem de nossa vontade, no entanto é inegável que nunca mais seremos os mesmos, ainda que voltemos para nossas respectivas cidades e sigamos com nossos afazeres.

Novo ano na escola, tantos desafios. Sétima série, a pior, dizem por aí. 13 anos, puberdade. Eu realmente já convivo com as sequelas de caminhar nessa ponte de madeira rumo ao outro lado do mundo. Por nós, tão almejado.

Qual será o castigo?

Padecer a incompreensão?

Matar a imaginação a fim de desfrutar da sobriedade dos dias sem respostas? A ausência de você?

São muitos os caminhos; um deles nos espera, quer gostemos quer não.

Amanhã, depois de hoje. Ontem, não mais.

2. September 2019 00:33:02 0 Bericht Einbetten 1
Das Ende

Über den Autor

Mary Curitibana, futura jornalista, escritora em constante progresso, escorpiana com ascendente e lua em peixes. Apaixonada por todas as singelezas da natureza, onde se encontra o olhar compassivo de Deus. Em matéria de livros, filmes e músicas, minha lista tende a crescer, mas sempre há aqueles que têm um espacinho especial no meu coração. Prazer, eu sou a Mary.

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