Prólogo
O crepúsculo já mostrava suas cores quando a pequena gruta foi avistada. Após percorrer um difícil caminho, pela densa floresta, enfim o objetivo fora alcançado.
Do interior da caverna, dava para ver apenas um pequeno feixe de luz âmbar que se intensificava conforme se adentrasse a montanha. Nas paredes de pedra, refletiam objetos dos mais variados, estranhas tapeçarias, armas, entre outras relíquias que adornavam o local. Ao final do corredor um pequeno salão podia ser visto. No centro da sala circular havia um cristal de meio metro de altura projetando-se do chão, sendo este a fonte de luz âmbar que era visível da entrada da caverna. Dentro da sala, mais objetos estavam dispostos nas paredes e ao fundo uma pequena fenda dando acesso a uma nova sala que tinha seu interior oculto por uma cortina de trapos.
Em frente ao cristal, que ao entrar na sala notava-se que também emanava calor, estava uma pequena senhora, sentada de costas para a entrada. Trajava uma capa de linho, exibindo o símbolo vermelho de uma grande pata de animal.
— Estava esperando que viesse — Disse a idosa sem se virar.
Com um gesto convida o estranho a sentar-se junto ao cristal. O calor vindo da pedra era agradável e sua luz não ofuscava a visão, mesmo olhando diretamente para sua fonte, porém seu brilho mudava de intensidade constantemente, como ondas que vem e vão, em um ritmo quase hipnótico.
A velha, que devia ter menos de um metro de altura, contemplava profundamente o cristal, como se nele visse cenas de um passado distante. Seus cabelos grisalhos pendiam trançados pelo ombro direito até a altura do peito onde enroscava sua ponta entre os dedos. Por baixo da capa de linho exibia uma longa túnica também de linho que lhe cobria todo o corpo chegando até os pés descalços. Com a mão esquerda segurava um longo cachimbo a muito apagado.
Minutos de silêncio se passaram até que a velha então começou a falar.
— O que trás uma pessoa como você a um lugar como este? Não, não precisa responder, tiich tiich tiich... — Riu a idosa ostentando seus últimos três dentes.
— Ninguém procura a Grande Naualli por outro motivo —. Disse orgulhosa.
— Está procurando por uma nova história, mas não, não uma história qualquer, não. Apenas uma história você poderia encontrar em qualquer lugar, mas não aqui.
Naualli então se levanta resmungando palavras sem sentido ou que apenas fariam sentido para si mesma.
— Eu poderia lhe contar diversas histórias, como a de um garoto esquisito com um chapéu engraçado que queria se aventurar pelos mares ou a de um menino raposa que desejava ser o líder guerreiro de seu vilarejo, mas não. Estas histórias todos conhecemos. Você veio até aqui por algo diferente, que ainda não tenha sido contado —. Debatia Naualli enquanto olhava pensativa para sua coleção de relíquias.
Após alguns minutos perdida em pensamentos, sem ser interrompida em momento algum, pois nunca se apressa um contador de histórias, ela se aproxima e diz.
— Selvagem.
As palavras saíram de sua boca quase como um sussurro, mas era visível seu entusiasmo com a ideia.
— Sim, sim! tiich tiich tiich! — Dizia Naualli enquanto ria.
— Selvagem é perfeita para você. Esta história tem sido passada adiante por gerações de contadores em nossa tribo, mas a muito se perdeu fora desta região.
Naualli senta-se novamente próxima ao cristal. Bate seu longo cachimbo em uma pedra, limpando os resíduos do fumo anterior e puxa de dentro de sua capa um saquinho de fumo para recarrega-lo. Com a ponta de seu dedo indicador, toca o grande cristal âmbar no centro da sala. O toque durou menos de um segundo, e então, com a ponta de seu dedo brilhando, Naualli toca o fumo no cachimbo que imediatamente arde em pequenas chamas.
Depois de algumas longas tragadas e de expelir a fumaça que já se espalhava por todo o ambiente deixando um aroma doce no ar, a velha contadora de histórias diz.
— O que irei lhe contar, aconteceu a muitos invernos atrás, em uma época de caos por todas as terras...
Vielen Dank für das Lesen!
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