O preço da traição Follow einer Story

u15649168101564916810 Nária Castor

Elaine é uma mulher casada há três anos, mas durante um ano vem traindo seu marido que a ama incondicionalmente.


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#Traição-Casamento-Família-Vida-Morte-Conto
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O preço da traição

Não me tornei a mulher que gostaria de ter me tornado. Sou apenas um ser desprezível que erra incontáveis vezes e mesmo tendo noção desses erros ainda assim contínua errando.

Não mereço ter a vida que tenho e nem tê-lo ao meu ao lado. Não merecia nem estar viva, na verdade eu não deveria nem ter nascido.

Mais uma noite chego de madrugada no meu apartamento. Abro a porta do nosso quarto e o vejo deitado na cama fingindo que está dormindo. Entro sem dizer nada e vou para o banheiro tomar um banho e assim tirar o cheiro de outro homem do meu corpo.

Não quero ter que me deitar ao seu lado, sinto nojo de mim mesma, e toda situação humilhante não precisa ficar ainda pior. Então resolvo ir para a sala e me deitar no sofá.

Porém antes de sair do quarto o ouço me chamar.

- Elaine_ me viro em sua direção e o vejo sentado na cama.

O homem a minha frente não está diferente daquele que conheci há alguns anos atrás. Seus cabelos bem cuidado ainda continuam da mesma forma, seu rosto másculo e lindo não mudou em nada, e seu corpo que faria qualquer mulher sentir tesão ainda continua perfeito. Só tem algo que mudou nele, o que o tornava muito mais belo do que todos esses atributos. A expressão que antes era feliz e até mesmo um pouco sarcástica, hoje está abatida, triste e sem vida. Vejo todos os dias o sofrimento e a mágoa o consumir lentamente, me sinto a pior das mulheres por saber que sou a causadora de tudo isso.

- Vou assistir um pouco de televisão já que estou sem sono_ minto descaradamente.

- Deita comigo... por favor_ implora com os olhos transbordando de dor.

Engulo em seco tentando conter as lágrimas que já surgiam e caminho em direção da cama deitando ao seu lado. Entretanto ele acaba me puxando para o seu colo e abraçando meu corpo com força, como se com aquele ato eu não pudesse mais sair de perto dele ou fugir dos seus braços.

Sim, eu estou o destruindo!

Abro meus olhos sentindo a claridade do sol entrar pela janela semiaberta. O sol já está alto, então devo ter dormido alguma hora da madrugada nos braços do meu marido.

Levanto da cama e vou para o banheiro fazer minha higiene matinal, logo depois desço para a cozinha, porém ao chegar na sala sinto um cheiro muito bom de comida recém feita. Entro no cômodo e fico sem reação ao ver todas minhas comidas favoritas sobre a mesa.

Vejo o Rodrigo sentando á mesa lendo um jornal, mas assim que sente minha presença desvia o olhar me fitando.

- Já acordou... estava te esperando para tomarmos café_ sorrir um sorriso termo e cheio de carinho.

O encaro sem entender, como este homem pode me amar a tal ponto de aceitar tudo? Isto não é possível, não pode ser real!

- PARA COM ISSO RODRIGO, EU NÃO MEREÇO... EU NÃO MEREÇO NADA, EU NÃO MEREÇO VOCÊ_ grito com ódio de mim mesma e saio da cozinha sem esperar alguma reação dele.

Já estou trancada no banheiro há mais ou menos meia hora, sei que deveria tentar pelo menos fazê-lo um pouco feliz, porém não consigo me sentar naquela mesa e fingir que está tudo bem quando na verdade tudo está desmoronando.

Estamos casados há três anos, e durante um ano eu venho o traindo. Não sei se é por amor ou por algo há mais, mas menos assim ele vem suportando ao meu lado toda está situação que não sei ao certo quando descobriu. Tenho noção que não posso mais continuar fazendo isso, é desumano, é cruel.

Depois de algum tempo ouvir a porta do escritório bater com força, não sairá tão cedo de dentro já que é neste lugar que se tranca quando sofre em silêncio.

O lindo café da manhã que ele me preparou ainda está intacto na mesa, não conseguir tocar em nada, não tenho mais esse direito, perdi há muito tempo.

Ouço meu celular tocar e ao olhar vejo que é a Luana.

- Oi Elaine_ me cumprimenta assim que atendo.

- Oi_ respondo seco.

- Nossa, que mal humor em?! Brigou com o Rodrigo?_ suspiro pesadamente.

- Não exatamente, mais preferia que tivéssemos brigado_ me sento no sofá.

- Saiu ontem... de novo?_ pergunta com um certo receio.

A Luana é uma das minhas melhores amigas e sabe de toda a situação, além também de ser minha cunhada já que é casada com o meu irmão, o Marcelo. Ele tem muita sorte de ter uma esposa tão maravilha como ela, que ao contrário de mim não é uma completa vadia. Meu irmão não sabe de nada, para ele sou uma das melhores mulheres do mundo, prefiro que continue pensando assim mesmo sendo uma completa mentira. Ele não suportaria se soubesse de toda a verdade.

- Sai_ sussurro baixo porém audível.

Se mantém em silêncio por algum tempo.

- Sinceramente não sei como o Rodrigo aguenta tudo isso. E você Elaine, não vai dar um basta nisso nunca? Ou você quer continuar o fazendo sofrer?_ me pergunta com uma nítida raiva na voz.

Não sei o que lhe responder, pois mesmo amando meu marido não consigo ser forte o suficiente para resistir a atração carnal que sinto pelo o outro.

- Olha Luana não sei de nada e se você me ligou só para dizer isso ou qualquer outra coisa, me ligue só daqui a um mês ou talvez nunca mais_ respondo com raiva de tudo e encerrando a chamada.

Quando ia desligar o celular vejo que tinha uma mensagem dele me pedindo para ir encontrá-lo hoje novamente. Me levanto do sofá e jogo o aparelho na parede o quebrando. Porque sei que vou vê-lo de novo, meu corpo pede isso mesmo meu coração e consciência gritando que não.

Logo depois vejo o Rodrigo descer as escadas, seu olhar desce até o chão fitando o celular quebrado, depois me fita com sua habitual expressão de sofrimento que já está impregnada nele.

- Ouvir um barulho e pensei que tivesse acontecido alguma coisa.

- Não aconteceu nada_ desvio o olhar indo em direção as escadas.

Porém sinto sua mão agarrar meu braço me fazendo parar.

- Não desvie o olhar e nem se afaste ainda mais_ pede em um sussurro.

Sinto uma pontada no meu coração ao ouvir isso.

- Só quero subir para o quarto_ me afasto puxando meu braço e subindo as escadas.

O domingo passa rápido e logo chega a noite. Nessas horas que se passaram não encontrei o Rodrigo, nem mesmo quando saí para fazer um lanche. Até acho melhor ele ter saído, não quero que me veja novamente indo encontrar aquele que me terá nos seus braços hoje.

Contudo ao descer para a sala o vejo observando a cidade pela janela. Ele não desvia o olhar até mim, porém sei que mais uma vez ele sabe que irei sair.

- Estou indo ver o meu irmão, não demoro_ uma mentira completamente desnecessária.

Fica em silêncio por alguns minutos.

- Diga ao Marcelo que mandei lembranças_ responde com um tom de voz que nunca tinha o ouvido dizer antes.

Saio de casa e vou em direção ao motel que sempre nós encontramos, chegando no lugar desço do táxi e o vejo na entrada.

O Leonardo sempre soube que sou casada, e da sua parte isso nunca foi algo que atrapalhasse nossa relação. Claro que não ia ser, para ele o que importa é saber que vai ter sempre uma mulher disponível a hora que ele bem desejar.

O observo mexer no celular, com certeza está mandando mensagens perguntando o porquê da minha demora. Porém desta vez não sinto vontade de ir até ele, sinto uma vontade inexplicável de voltar para minha casa e encontrar meu marido. Então sem pensar duas vezes pego novamente um táxi voltando de onde nunca deveria ter saído.

Quando finalmente chego no prédio descido subir as escadas já que o elevador está ocupado. Não vejo o Rodrigo na sala, então subo correndo em direção ao nosso quarto. A porta está entreaberta, sem nenhuma explicação sinto uma angústia no meu coração, como se já soubesse o que viria a seguir.

Então o vejo, deitado no chão, todo ensanguentado, e com uma arma ao seu lado. Me aproximo sem querer acreditar na cena em minha frente, com as lágrimas descendo sobre o meu rosto sento ao seu lado e fito sua face já sem vida.

- Rodrigo... você não fez isso... me perdoe eu nunca... eu te am...

Não contínuo a falar, pois sei que agora já é tarde demais. Não vai adiantar dizer palavras que não foram ditas quando ele ainda estava vivo, e agora morto não irar mudar mais nada.

Encosto nossas testas enquanto fito seus olhos semiabertos e selo nossos lábios em um beijo amargo, cheio de arrependimentos, e com gosto de morte.

Naquela mesma noite liguei para a polícia confessando que havia assassinado meu marido. De alguma forma isso não é mentira, porquê foi por minha culpa que o Rodrigo colocou a bala naquele revólver e a enfiou no seu coração.

4. August 2019 11:24:54 0 Bericht Einbetten 1
Das Ende

Über den Autor

Nária Castor Alguém não tão importante para ter palavras que a defina.

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