A Taste for Danger Follow einer Story

anneliberton Anne Liberton

Vazaram mensagens secretas dos escalões mais altos do governo. Enquanto todo mundo se concentra em descobrir o conteúdo das próximas mensagens, eu quero encontrar a fonte. Quem são os hackers? O desemprego faz a gente criar as obsessões mais estranhas...


Thriller Alles öffentlich.

#theauthorscup #TheAlternativePath #InteractiveStorytelling
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Capítulo 1

A primeira tristeza do dia foi ser acordada pelo despertador. Era normal e esperado, mas eu nunca chamaria o ocorrido de “agradável”. Poucas coisas era agradáveis na atual conjuntura. Eu não conseguia ficar em nenhum emprego, apesar de minhas qualificações na área de TI, os boletos estavam todos atrasados, o que era bem triste, o aluguel nem se fala, e basicamente fazia dias que eu estava sobrevivendo à base de miojo e leite. Meu estômago não estava agradecendo aquela combinação, muito pelo contrário.

Eu me perguntava por que afinal estava acordando às dez da manhã se não tinha realmente compromissos sérios ao longo do dia, além de enviar currículos e ser rejeitada, como quase 15% da população andava fazendo, quando parei para checar minhas mensagens.


Flávio: você viu???


Já amaldiçoava meu amigo por nunca completar as mensagens com o assunto, os pormenores, links, de preferência, quando vi que ele estava telefonando. Telefonando. Em pleno século 21. Ou alguém tinha morrido ou ele tinha perdido completa e totalmente a noção do ridículo.

— Quem morreu? — eu disse de cara. — Porque eu espero que tenha morrido para você...

— Você viu as notícias, Leandra?

— Vi o quê?

— As notícias de hoje, Leandra, meu Deus!

— Claro que não. Eu estava dormindo!

— Dez horas da manhã, em plena terça-feira? — Ele pensou por um momento. — Ah, eu esqueci que você não trabalha. Desculpa.

A cutucada doeu, apesar de eu saber que ele não tinha falado por mal. Supostamente. Provavelmente. Era mesmo um fato que eu estava desempregada.

— E você não está na hora do almoço para sair por aí falando com os outros, está? —comentei, só para me sentir melhor.

— Não, mas disse que ia ao banheiro e agora estou falando com você aqui no terraço, então presta atenção, ou vão pensar que eu estou...

— O quê?

— Cagando, Leandra, meu Deus. Você realmente acordou agora, né? Que lerdeza!

Esfreguei os olhos, bocejando.

— Não tenho culpa. Mas saiu notícia de quê?

— Do governo.

— Se você quer que eu seja rápida e fica dando informação a conta-gotas desse jeito, Flávio? — protestei. — Já disse que não vi nada, não sei de nada. Será que dá para explicar logo o que aconteceu? Sai notícia do governo todo dia e sempre é uma merda. Se você começar me dizendo que é uma coisa ruim, eu juro que vou desligar.

— É ruim, mas é bom. Calma, calma! — Flávio acrescentou, para que eu não cumprisse a promessa. — Parece que alguém hackeou o celular de um monte de gente de alto escalão do governo e agora a imprensa está soltando tudo para o público. E é violento o negócio, Leandra. Você tem que ver.

Meus olhos se arregalaram. Ultimamente, só acontecia o contrário, tragédias contra a população, fosse agora ou no futuro. Além de cansada da falta de emprego e de me sentir uma inútil, eu estava cansada de ver o país andando para a beira do abismo.

— Manda o link.

— Pera. — Ele ficou em silêncio por um momento. — Mandei. Liga o computador para olhar que eu quero ver o que você vai dizer.

— Você não tem que voltar logo para o trabalho?

Flávio xingou em algum lugar perto da linha.

— Dá uma lida e me manda mensagem! Senão eu ligo de novo.

A ameaça era o bastante. A gente se despediu, e eu acabei obedecendo, porque no computador ficaria bem mais confortável para verificar as notícias. Pulei na cama e aguardei o computador inicializar. Conectei o WhatsApp Web e esperei o link abrir. Lá estava, quatro páginas compiladas com um dossiê falando sobre o ocorrido, explicando sobre quem eram os vazamentos e como seriam as coisas dali para frente. Começou a ler e não deixei que nada me perturbasse até que eu terminasse a leitura inteira. Não que houvesse qualquer pessoa para bater na minha porta ou (eca) telefonar de novo; meus amigos não haviam sido atacados pelo monstro do desemprego e do desespero, só eu mesmo.

Embora as implicações políticas estivessem me causando curiosidade, logo pensei na pessoa que havia enviado aquelas informações para o site de jornalismo. Se era um hacker, talvez...

Não que a comunidade hacker — se é que se podia chamar assim — se conhecesse; o objetivo de se ter um “trabalho” assim era justamente o anonimato, ninguém saber quem você era, o que fazia, de onde fazia e como fazia, mas haviam boatos, uma informação aqui e ali, e eu conhecia alguns nomes. Quase me juntara a um grupo há alguns anos, porém, sendo sincera, tinha um pouco de medo das implicações jurídicas caso alguém fosse pego. A vida dentro de uma cela não funcionava bem no meu imaginário, que dirá na vida real. Só de ficar em casa sem fazer nada eu já queria morrer. Ficar numa cela pequena sem sequer um computador para me entreter decerto me levaria ao suicídio.

Mas eu fiquei ponderando ao ver aquelas notícias. Eram conversas privadas vazadas de políticos importantes, relacionadas a uma investigação que recentemente abalara o país. Pessoalmente, eu pensara que essa investigação já tinha sido um pouco direcionada para os interesses de uma minoria, apesar de a população estar dividida nesse quesito. Havia quem dissesse que não, que isso era paranoia de quem apoiava bandido — eu não apoiava, só achava certas coisas estranhas —, e quem dissesse que sim, que as evidências deixavam isso claro para quem quisesse ver. Talvez esses vazamentos dessem razão ao segundo grupo. Teriam que esperar para se certificar, já que, meio como Flávio, os jornalistas de posse das informações soltaram as coisas a conta-gotas, prometendo mais depois. Só um pouco, para dar um gostinho e deixar todo mundo nervoso. Estava explicado agora por que Flávio cometera o crime de me telefonar.


Leandra: já li tudo. Já entendi também seu desespero.


A resposta veio quase direto.


Flávio: não é horrível? Não que eu esteja surpreso, vindo desses aí, mas tô surpreso que tenha provas de que eles tavam mesmo de conluio. Quero só ver se vai dar em alguma coisa


Leandra: se vai, eu não sei, mas o que me deixou mais curiosa foi a parte do hacker. Tem alguma notícia sobre quem seja, alguém tem alguma ideia?


Flávio: o hacker? Não. Por quê? Acha que é um conhecido seu? Kkkk


Leandra: Não sei. Talvez seja. Fiquei curiosa.


Flávio: Se fosse, seria engraçado.


Mirei a tela do computador. Seria engraçado mesmo.

30. Juli 2019 08:18:02 2 Bericht Einbetten 4
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Post!
ana hoy ana hoy
Muy buen capítulo!
21. August 2019 23:18:05

~

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