Tipahpaqui Tocoztontli Follow einer Story

u15514544731551454473 Luiz Fabrício Mendes

Já faz uma geração que o povo mexica atravessou o mar e conquistou as terras a leste, chamadas de Mictlan, cuja população fora dizimada pela peste. Agora, o jovem Tlacaelel está prestes a aportar nesse novo mundo, um dia chamado Europa, durante as comemorações do festival Tocoztontli mexica... e descobrirá que os homens brancos, antes de serem subjugados, possuíam uma celebração realizada no mesmo período do ano, para honrar um deus que pode ter mais em comum com os mexicas do que eles pensavam...


Historische Romane Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#espanha #universo-alternativo #América #indígena #méxico #europa #navegações #mexicas #astecas #descobrimento #império #índios #colombo #espanhóis #história-alternativa #ucronia #what-if #e-se #peste-negra #asteca #genocídio #culturas
Kurzgeschichte
1
1096 ABRUFE
Abgeschlossen
Lesezeit
AA Teilen

Capítulo Único

Tipahpaqui Tocoztontli


Tlacaelel cobriu-se melhor com a manta, os braços apertando o próprio peito sob o pano.

Seu povo já não era mais tão mal-acostumado ao frio. Depois de muitos xiuhpohualli atravessando o grande mar e desbravando aquela terra, seus corpos já haviam se endurecido para melhor resistir aos sopros gelados do deus Ehecatl. Mas, para alguém que como ele fazia pela primeira vez a viagem, adaptar-se ao clima levava algum tempo.

Achou que logo alguém implicaria com sua postura encolhida no canto do barco e ergueu-se segurando a manta. Atravessou o convés rústico com os pés descalços encontrando algum calor na madeira; uma das grandes velas em forma de trapézio da embarcação – desfraldada acima de sua cabeça e toda decorada com plumas coloridas – utilizando o vento ao seu favor para atingir seu destino antes que o deus Xolotl, em sua forma esquelética, iniciasse a vigília no poente para acompanhar o Sol em sua descida ao reino dos mortos, dando lugar à escuridão.

A vermelhidão do entardecer sempre trazia de volta a Tlacaelel lembranças antigas, principalmente as histórias de seu pai. Sentia certa ingratidão por ter demorado tanto a se dedicar às viagens através do mar enquanto aquele que o criara se envolvera nelas desde o início, quando moço sendo um dos primeiros a ter contato com os yaotl.

A história fora gravada em sua mente tal qual uma cicatriz na pele: o grupo de caça do qual o pai fazia parte avistara os prodígios de longe, quando ainda se desenhavam no limiar das águas. Intrigados, os homens se puseram na praia e aguardaram até que as silhuetas chegassem mais perto; e a primeira impressão que tiveram foi a de grandes árvores de copas brancas, enraizadas sobre pranchas semelhantes às suas chinampas, flutuando até eles. Três colossos, que mais tarde descobriram se tratar de huarcos, meio que aqueles homens de tez branca utilizavam para explorar o mar vindos de sua terra longínqua.

Mas não vinham austeros. Desceram deles todos embriagados, envolvidos em disputas de sangue, mentes enevoadas pela escuridão. Desde que tinham tirado a vida de seu chefe durante a viagem, o qual chamavam "Cohuombo", e atirado seu corpo ao mar, haviam sido abandonados pelos deuses na mais cega corrupção – que se mostrou clara assim que sua ganância se manifestou: queriam ouro, riqueza que acreditavam existir nas terras dos mexicas devido a histórias que ouviram. E iam matar a todos para tê-lo.

Mas o sangue daqueles homens claros estava fino de álcool, e não foi com dificuldade que o pai e os companheiros deram cabo de suas pretensões. Logo a praia tinha corpos espalhados pela areia; mortos que a caminho de seu último destino não mais usariam seus navios, utensílios de viagem e as armas estranhas que, como os mexicas posteriormente descobriram, eram capazes de soltar relâmpagos perfurando outros homens.

Foi seu povo que, dali em diante, os utilizou.

A travessia do grande mar fora uma batalha custosa. O tlatoani Montezuma posicionara-se contra, tal qual os sacerdotes, afirmando que além da costa havia segredos dos deuses que não deveriam ser revelados aos homens. Mas mesmo assim alguns ousaram, tal qual o pai de Tlacaelel. Os deuses haviam lhes trazido conhecimento, e ignorá-lo seria um insulto ao seu presente. Resolveram aceitá-lo.

E, depois de árdua preparação e temerosos dias à mercê da deusa Chalchiuhtlicue e seus caprichos com as águas, os guerreiros encontraram terra. Uma terra morta.

A fria Mictlan, como os mexicas logo passaram a chamá-la com base em suas tradições sobre o reino dos mortos que combinavam com a desolação do lugar, recebeu-os em silêncio e tendo um ar tão cadavérico como se um gigantesco corpo agonizasse soltando seu último suspiro. O ar cheirava a morte, e logo eles encontraram os primeiros povoados: centenas e mais centenas de corpos amontoados dentro e fora das casas, dizimados por algum tipo de peste – remetendo à praga que atingira as cidades do povo maya do outro lado do mar. Crianças e velhos esturricados com a pele coberta de caroços e manchas negras, explodindo em sangue ao mínimo toque. Mesmo com os semblantes distorcidos, a pele branca dos mortos era visível e denunciava pertencerem ao mesmo povo dos inimigos que haviam atravessado o mar para perturbar os mexicas, tal qual um castigo. Uma moléstia fatal, enviada como algum tipo de implacável punição divina, da qual os mexicas só conseguiram se proteger através de infusões de ervas e outras técnicas ensinadas desde seus ancestrais.

Mictlan, terra de mortos outrora vivos, tendo sucumbido à praga e as guerras entre si, onde poucos sobreviventes eram capazes de oferecer algum tipo de resistência.

Mictlan – de aparente reino dos mortos, a terra prometida pelos deuses aos mexicas.

A região era muito mais extensa que sua terra natal, a se espalhar para leste no que parecia um tamanho infinito. Mesmo com o toque da morte ainda visível em toda parte, extensos cursos de água fresca serpenteavam do alto de suas montanhas nevadas; e imensas planícies verdes onde o solo era fértil receberam-nos como um alento na perdição, as plantações onde os homens brancos cultivavam vegetais e frutos que não conheciam ainda mantendo-se muitas intactas, tal qual esperando para serem colhidas.

Uma terra que eles poderiam usar, expandir nela seu povo e fazê-lo prosperar na mais completa fartura. Erguer cidades e templos, cultivar os extensos campos de modo que jamais precisariam tornar a plantar sobre as águas...

Uma geração inteira havia se passado desde o primeiro contato dos mexicas com Mictlan. E esse fora o tempo transcorrido até que o já não tão jovem Tlacaelel, tendo deixado mulher e filhos na terra em que nascera, decidira se aventurar através do mar – o navio em que viajava já tendo atravessado o estreito com as duas colinas rochosas representando os deuses gêmeos Quetzalcoatl e Tezcatlipoca, e agora rumando ao porto de Malahya, a mais antiga e próspera povoação mexica naquele novo mundo.

A pirâmide de Chicomecoatl, erguida sobre as ruínas do antigo templo erigido pelos homens brancos aos seus deuses – mutilados e de olhar sofredor, tão agonizantes quanto seus adoradores quando os encontraram – tornava-se proeminente nos contornos vivos da cidade; os aromas do mercado de especiarias e o clamor contínuo da gente nas vielas tornando-se palpável antes mesmo do barco atracar. Projetada contra o céu do poente, a povoação parecia um tesouro reservado a poucos.

Um dos marujos tirou da cintura uma faca ritual e com ela abriu um corte na palma de uma de suas mãos, oferecendo o sangue num sacrifício de gratidão aos deuses pela proteção oferecida durante a viagem. Ainda coberto pela manta, Tlacaelel sentiu o frio menos implacável, encorajando-se a retirá-la. Um presente dos deuses particular a si, honrando sua coragem em ali estar.

O barco encostou-se ao ancoradouro e foi amarrado pelos sentinelas em vigília, oscilando ao sabor das ondas até aquietar-se sob o voo das gaivotas. Tlacaelel saltou para fora do casco, os cheiros e sons do porto tornando-se mais intensos quando seus pés pousaram sobre o tablado. Se tinham aprendido a construir navios com os homens daquela terra, também haviam descoberto a técnica para erguer estaleiros, consertando aqueles que os brancos já tinham construído. Ao que parecia, a peste e as guerras aniquilaram todo um sonho daquele povo em desbravar os mares usando suas invenções...

Ganhando o povoado, o clima de festa não demorou a ser percebido. As flores espalhadas por toda parte e carregadas pelos mexicas, inclusive junto às orelhas e cabelos de belas moças, anunciavam a Vigília da Colheita – festival a que chamavam Tocoztontli.

Em frente à imponente pirâmide da deusa da colheita, sacerdotes tinham peles humanas esfoladas, que usavam como manta, retiradas de suas costas – já que o tempo em que deveriam passar com as mesmas, a partir do ritual anterior do Tlacaxipehualiztli tinha passado. Nele, prisioneiros de guerra eram sacrificados e depois tinham sua pele arrancada em oferenda ao deus Xipe Totec, como símbolo de novas plantas nascendo a partir de ramos mortos. Os cativos tinham sido homens brancos das montanhas que resistiam ao domínio mexica, selecionados dentre os perdedores de um jogo de Ōllamaliztli – no qual deveriam arremessar uma esfera de borracha através de um aro de pedra. As partidas rituais vinham sendo realizadas num campo próximo à cidade à qual os nativos brancos chamavam "Rosaleda"; e os times vencedores eram mantidos vivos, porém ainda prisioneiros.

Contornando um celeiro, Tlacaelel estacou ao ouvir um crescente murmúrio em sua direção. Virou para trás, deparando-se com um grupo de crianças cuja alegria era refletida nas tintas coloridas em suas peles, trazendo-lhe cada uma um punhado de flores. O adulto abaixou-se e recebeu sorrindo as pétalas, todas elas rindo conforme as entregavam. Ao se erguer e observar os pequenos se distanciando, pensou em voltar à pirâmide e oferecer a Chicomecoatl o primeiro perfume das flores, como mandava o costume; porém algo desviou sua atenção.

Perto do celeiro, fora erguido um cercado de troncos de árvore dentro do qual, através das frestas no muro, era possível enxergar prisioneiros brancos. A maioria deles mulheres e crianças, sujos e de aspecto desolado – alguns até exibindo as marcas inconfundíveis da peste. Mas nenhum deles pareceu incomum a Tlacael. Aquele que o fascinou foi, na verdade, um homem calvo – com algo como uma rodela de cabelo circundando sua cuca – e de manta marrom cobrindo-lhe todo o corpo do pescoço aos pés, amarrada à cintura por uma espécie de corda. Alquebrado e triste, o indivíduo prostrado mantinha algo em seu colo, que fitava de forma fixa como sua última esperança, a única coisa à qual poderia se agarrar: uma estatueta de gesso de um homem despido e barbudo pregado pelas mãos e pés a uma haste de madeira.

Tlacaelel foi mais uma vez invadido por memórias. O pai, em seus relatos, tinha lhe contado no passado em diversas ocasiões sobre os deuses dos brancos, e como eles os organizavam numa hierarquia em que a divindade suprema era uma que possuía três aspectos, como se fossem três deuses em apenas um – tal qual alguns deuses dos próprios mexicas. Chamavam a esse deus supremo Iessu, ou algum nome similar, a ele dedicando seus maiores templos e principais preces.

Os mexicas, no geral, desprezavam os deuses dos habitantes de Mictlan, principalmente Iessu – a eles parecendo inferiores às suas divindades tal qual o povo pestilento que haviam encontrado ali. Mas o pai de Tlacaelel sempre pensara diferente, embora houvesse guardado suas opiniões para si; transmitindo-as somente a pessoas mais próximas, de confiança, como o filho. Os brancos, afinal, não eram tão diferentes deles – visto que cultuavam um mesmo deus. Todas as características que observara, a história de Iessu, o que aquele povo alegava ter ele feito, deixava pouco espaço para dúvidas.

Iessu era na verdade o próprio Quetzalcoatl, a Serpente Emplumada e Estrela da Manhã, apenas com uma diferente aparência: a conversão num guerreiro branco de fartos cabelos ao invés da cobra criadora do universo. E um dos motivos pelo qual Tlacaelel viajara àquela terra era poder examinar tal fato com seus próprios olhos.

O pai muito lhe contara sobre Iessu: nascido de uma virgem, dando seu sangue para a salvação dos homens, morrendo preso a dois troncos cruzados e sendo associado à vitória sobre a morte, à ressurreição. Tal qual Quetzalcoatl, concebido da virgem Chimalman, padecendo numa árvore, irrigando os cadáveres dos homens mortos na destruição do quarto mundo com o próprio sangue para povoar o quinto mundo, em que viviam naquele tempo. A tradição falava em Quetzalcoatl viajando a Mictlan para ressuscitar a humanidade – ou seja, a Serpente Emplumada estivera justamente naquela terra do outro lado do mar.

Mexicas e brancos eram irmãos, tendo a mesma crença naquele que se sacrificara pelos homens. Mas as ambições expansionistas do terceiro Montezuma, após ter desmitificado a crença de seu pai de ser impossível povoar as terras a leste, tornavam inválido tolerar aqueles seres tão debilitados. Infelizmente, o ímpeto de dominação mexica ditava como se devia pensar.

Ainda assim, Tlacaelel aproximou-se do cercado. Apoiando os braços na paliçada rodeando-o, posicionou um dos olhos junto à mesma fresta pela qual pudera ter o vislumbre do homem de manto marrom. Era um sacerdote do culto a Iessu, bem sabia – e a escultura em suas mãos uma representação do mesmo em seu sacrifício. Guerreiros vigiavam os prisioneiros em patrulha do lado de fora, porém ignoraram o visitante. Ao que parecia, teria tranquilidade para se manifestar como quisesse.

- Hei, tu! – exclamou para ser ouvido através da barreira e mais alto do que o burburinho tomando a cidade, a língua estalando nas dobras do idioma náhuatl. – Consegue me entender?

O sacerdote voltou a cabeça, o que já era uma esperança. Seu semblante torceu-se em terror diante da abordagem pelo sujeito que pertencia ao povo opressor, mas ainda assim permaneceu fitando-o através da abertura. Respondeu a seguir, num náhuatl repleto de sotaque:

- Entendo sim, meu senhor.

O pobre infeliz devia ter sido obrigado a aprender a língua mexica para proteger seus templos e seu povo quando o extermínio começara. Tlacaelel motivou-se a continuar:

- Como se chama?

O branco hesitou, mas respondeu:

- Martín Cortés, filho da casa Cortés de Monroy. Hernán era o nome de meu pai.

- Tu és sacerdote do deus Iessu?

Diante da pergunta, Martín estremeceu, abraçando mais forte a haste de madeira com o deus pregado. De certo achava que Tlacaelel procurava sacerdotes da antiga religião branca para exterminá-los, como faziam muitos dos mexicas chegados ao novo mundo. Ainda assim, ele replicou, determinado a morrer por sua fé:

- Sim. Sou um servo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador. E trago a Palavra a estas pobres almas aqui presas. Se eu tiver que morrer por isso, então pode me levar. Ao menos já cumpri minha missão: estes irmãos já puderam comungar na Páscoa do Senhor.

Extremamente curioso em relação àquela palavra desconhecida, dita no idioma natural dos brancos, Tlacaelel questionou:

- O que é "Páscoa"?

O sacerdote piscou rápido, não esperando aquilo. Olhou apreensivo ao redor, inclusive para alguns doentes amontoados num dos cantos do cercado. Em seguida esclareceu:

- É a celebração da Paixão e Ressurreição de Jesus Cristo. Quando ele deu a vida pela humanidade, eximindo-nos do pecado original, e ressuscitou depois de três dias.

Tlacael, satisfeito, não conteve um sorriso.

- Por acaso, sempre celebram essa tal Páscoa como um festival no início da primavera?

Com uma face de quem pouco compreendia, o sacerdote confirmou:

- Sim, entre os meses de Martius e Aprilis. Tão logo termina a Quaresma.

Ou seja, um festival religioso dos brancos que coincidia com o Tocoztontli mexica até na época em que era realizado, comemorando o início da primavera e do tempo da colheita, uma época de renascimento e ressurreição. Mordendo os lábios enquanto abaixava os olhos momentaneamente, Tlacaelel pensou mais uma vez no pai, e a seguir refletiu a respeito da razão pela qual os deuses, afinal, tinham motivado o encontro entre aqueles dois povos. Seria mesmo para que os mexicas dominassem aqueles nativos; ou a mensagem era outra, de comunhão, e eles não a tinham compreendido? Nesse caso, estaria o quinto mundo prestes a sucumbir mais uma vez pela água ou fogo devido à fúria divina?

Ou, desta vez, será pelo sangue? O nosso, ao invés do de Quetzalcoatl?

Suspirou. Sentiu a garganta arder, o frio do navio já tendo sido aparentemente substituído por um calor pungente. Levou uma das mãos à cintura, de onde apanhou seu pequeno cantil de couro. Abrindo-o e levando-o à boca, deixou que a bebida amarga, mas gelada e reanimadora, descesse para o estômago. Ao abaixar o recipiente, notou os lábios rachados e a testa suada do sacerdote do outro lado da paliçada. Não demorou a estender o cantil através da fresta para que ele também bebesse.

- Pegue – convidou-o, tentando quebrar mais uma camada de temor.

O branco levantou um dos braços cansados e apanhou o artefato, sorvendo o líquido com vontade. Gotas escuras do mesmo chegaram a escorrer por seu queixo, indo perder-se no solo de terra batida. Por fim virou-o, engolindo tudo que restava, e entregou saciado o cantil de volta ao mexica. Não evitou perguntar:

- Que bebida é esta? O gosto é amargo e um pouco ardido, mas conseguiu matar minha sede. Talvez, se fosse adicionado nela algo doce...

- Chama-se xocolātl – Tlacaelel pronunciou a palavra devagar para que o outro a entendesse. – Nós a bebemos há muito tempo em nossa terra natal, fazendo-a ao fermentar as sementes de uma fruta chamada cacau. Tornou-se um costume.

- Como o nosso vinho, então... – o sacerdote deu uma risada triste. – Simbolizando o sangue de Jesus, do qual os fiéis costumam, ou costumavam, beber na Páscoa...

E lá estava Tlacaelel, dividindo goles de xocolātl com um nativo do outro lado do mundo. Imaginando que o pai sem dúvida gostaria de também estar ali, acabou dando seguimento à conversa:

- Acha que os fiéis de Iessu gostariam de xocolātl na Páscoa ao invés de vinho, para celebrar, assim como o povo de Quetzalcoatl?

- Creio que sim... – a voz do sacerdote se tornara distante. – Porém creio que, para que meu povo tomasse o xocolātl do seu, primeiro faria verter o sangue dos mexicas, meu senhor. Caso as coisas fossem ao contrário...

- "Senhor", não. Pode me chamar de irmão.

E ensinou-lhe tal palavra em sua língua: nocnehuan. Permanecendo a observar Martín, o mexica desejou poder tirá-lo daquela prisão sem que acabasse ameaçado, para poder debater e entender melhor a cultura dos homens brancos. Quis, também, que pelo menos por um dia, no Tocoztontli de seu povo ou na Páscoa dos seguidores de Iessu, o mundo não precisasse ser dividido entre conquistadores e conquistados, seja quais fossem.

Mas, sentindo que o odor pútrido das vítimas da peste no cercado já começava a atenuar o perfume das flores consigo, deu as costas e apressou-se em depositá-las na pirâmide, honrando Chicomecoatl e a primavera – esperando que ela talvez trouxesse tempos melhores.

23. Juli 2019 17:56:44 0 Bericht Einbetten 4
Das Ende

Über den Autor

Luiz Fabrício Mendes Goldfield, alcunha daquele em cuja lápide figura o nome "Luiz Fabrício de Oliveira Mendes", vaga desde 1988. Nasceu e reside em Casa Branca - SP, local que se diz ter sido alvo da maldição de um padre. Por esse motivo, talvez, goste tanto do que é sobrenatural. Atualmente é professor de História, mas nas horas vagas, além de zumbi, se transforma em agente de contra-espionagem, caçador de vampiros, guerreiro medieval, viajante do espaço ou o que quer que sua mente lhe permita escrever.

Kommentiere etwas

Post!
Bisher keine Kommentare. Sei der Erste, der etwas sagt!
~