A teoria do amor Follow einer Story

nathymaki Nathy Maki

Para Uraraka, a vida de universitário significava romance e diversão. Mas Izuku não queria saber disso, desejava apenas focar nos estudos, em suas velhas amigas teorias e passar longe das experiências amorosas (desastrosas) antes já vividas. Isso é, até encontrar aquele par de olhos heterocromáticos o fitando através do sofá e sentir que até mesmo o amor precisava de uma teoria.


Fan-Fiction Anime/Manga Nur für über 18-Jährige.

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I. Clichês

Notas iniciais: Então, isso era pra ser uma oneshort. O que parece ser a história da minha vida :v E, como sempre, o descontrole é real. Espero que nesse caso, tenha sido pra melhor!

Para a minha anjinha Ellie Blue, espero que goste <3

E obrigado ao xuxu da Tali por acalmar meus surtos de achar que estava tudo horrível.

Amo vocês <3

Boa Leitura!

***

Midoriya Izuku se perguntava o que havia feito de ruim na sua vida anterior para merecer isso.

Considerava-se sortudo por ter nascido com uma boa cabeça e assim ter conseguido passar em uma das universidades mais concorridas do país; também tinha sorte por ter tido uma vida relativamente pacata, com sinais de bullying aqui e ali – afinal o diferente não era bem recebido, o diferente era temido, e o gosto por ser quem era assustava os demais que se escondiam sob camadas de mentiras. Também tinha sorte por ter uma mãe que o amava de modo incondicional, sendo que, por ela, nunca havia sentido a falta do pai que desaparecera há muitos anos. Graças a ela também, conhecera as duas pessoas que logo se tornariam seus melhores amigos e que já estudavam na U.A. antes dele chegar. Tinha sorte por ter amigos bons que corriam até si quando precisava e uma mãe atenciosa que o ouvia, era toda a família que precisava. Então, é, não havia do que reclamar atualmente. Exceto talvez a forte cisma de uma amiga para que ele se soltasse um pouco.

E justo por ser grato por tudo isso, se encontrava agora de frente a uma implorativa Uraraka que juntava as mãos e as esfregava com energia como se fizesse uma promessa em um templo. Só que pessoas normais pediriam boas notas, dinheiro, uma vida melhor e quem sabe até um namorado, e não que o seu amigo de tantos anos decidisse largar os seus estudos para a prova no dia seguinte e a acompanhasse a mais uma festa.

— É a quarta festa essa semana, Uraraka! – O garoto balançou a cabeça em represália. A amiga sempre tentava arrastá-lo para essas festas sob a desculpa de que agora ele era um universitário e devia sair mais da toca, desapegar dos livros e provar a vida. Mas Midoriya estava muito confortável em sua toca e não desejava de modo algum sair dela. Gostava de ser um nerd, e apesar dos demais considerarem tal titulação como um modo de chacota, Midoriya, no entanto, não ligava.

— E você não foi nem na primeira! – Ela rebateu. — De que adianta devorar todos aqueles livros e não despejar informação tentando impressionar alguém? – Resmungou, indignada com o desperdício dele do próprio cérebro. — Vamos, vai ser divertido! — O sorriso largo que ela lhe lançou destacava as bochechas rosadas e os olhos brilhoso pela sombra clara. O garoto ergueu a sobrancelha e lhe lançou um olhar desconfiado. Uraraka sorria como um anjo, o que poderia esconder quaisquer intenções diabólicas que ela poderia estar tramando. — Por favor, Deku! Eu não quero ir sozinha! – Insistiu, agarrando o seu braço e o fitando com seus olhos amendoados.

— Se você não fosse uma pessoa, eu diria que seria aquele gato do Shrek. – Ele bufou, desviando o olhar. — Eu devia comprar umas botas para você.

— Adoro botas! – A amiga sorriu, animada. — E você sabe que eu nunca recuso presentes. Mas deixe para comprar depois da festa, ok? Agora vamos! – Izuku ainda tentou protestar, mas a chegada de uma empolgada Mina soterrou de vez todos os seus argumentos.

— Por que ainda não estão prontos? – A garota perguntou, arrumando os cabelos tingidos de rosa no espelho da sala e espiando as roupas caseiras que Midoriya ainda vestia. — Se for com essas roupas, melhor pegar um casaco. Ninguém que se preze quer ser visto com alguém andando por aí com uma camisa da Elsa. – Ela sorriu e o arrastou de volta para o quarto, abrindo seu guarda-roupa e lançando as peças em cima dele sem parar um segundo para ouvir seus protestos enquanto Uraraka se segurava para não gargalhar. Não havia ninguém mais teimosa que Mina e ai daqueles que a desobedecessem. — Acho que isso é o suficiente para uma noite. Agora, xô, vai se trocar.

Só restava agora abaixar a cabeça e obedecer às garotas, talvez assim a noite passasse mais depressa. Não tinha o mínimo interesse em frequentar essas festas que os veteranos insistiam em dar quase todos os finais de semana. Se eles gastassem o tempo das festas estudando, Midoriya acreditava piamente que existiriam menos alunos em recuperação e as universidades não seriam tão mal faladas na sociedade.

Suspirou enquanto trocava as roupas confortáveis por uma blusa de mangas e uma calça jeans, e sentou na soleira para amarrar os cadarços do seu tênis vermelho favorito antes de puxar um casaco verde qualquer pendurado ao lado da porta e passar os braços por ele.

— Vamos logo, Deku! Se continuar com essa moleza toda nunca chegaremos lá.

— Mas essa é a intenção. – Murmurou baixinho para si mesmo.

— Ora, venham! Se eu chegar lá e toda a comida tiver acabado, podem se preparar para correr.

Rendido, deixou-se arrastar pelas garotas, o pensamento longe. Sabia muito bem que não havia nada lá que o interessasse.


Até o fim da noite descobriria o quanto estava errado.

***

Ao mesmo tempo, dois garotos caminhavam para a festa; calças pretas casacos pesados, cabelos espetados (no caso dos loiros), e modelados em um moicano (no caso dos bicolores). As pessoas que passavam por eles não podiam deixar de se perguntar se ele o fazia para exibir a cicatriz que cobria todo a região do olho esquerdo ou se era apenas para combinar com o seu estilo. Teorias sobre isso não eram o que faltavam. Todoroki ignorou a todos e ouviu um resmungo irritado ao seu lado.

— Que cara é essa meio-a-meio idiota?

— Bakugou, já disse que não pode chamar a todos de idiota assim. – O outro garoto retrucou, parecendo pouco interessado no que dizia, como se aquela conversa já fosse uma rotina entre os dois. — Já imaginou se o Kirishima te ouve e resolve fazer greve? Sabe que ele não gosta disso.

Pff. Devia ouvir o que ele fala na cama então.

— Informação demais. – Tentou, mas não conseguiu evitar o sorriso que escapou por seus lábios. Por algum motivo, seus pés enfiados nos coturnos (eram quase uma relíquia, uma bem gasta de tanto que ele os usava) se moviam com vontade até o local de onde a música alta e as vozes que tomavam o ar saiam. Por algum motivo, sentia-se estranhamente... empolgado.

— Não me interessa. Mas essa sua cara de animação me dá calafrio. Logo você com toda essa pinta de punk está assim? Algo de bom não deve ser.

— Pelo contrário, meu amigo esquentado. Sinto que algo bom vai acontecer hoje naquela festa.

***

Midoriya Izuku não sabia como havia ido parar ali, ainda mais com toda a resistência que demonstrara pelo caminho. Conseguia até mesmo enumerar todos os argumentos que usara e, ainda assim, nenhum deles parecia ter surtido efeito.

Talvez a sua trouxisse e o poço de manteiga derretida que tinha no lugar do coração não o deixassem negar um pedido feito pela amiga com olhos tão brilhantes e adoráveis ou então a lábia da mesma sobre a comida grátis e como nunca se dizia não a ela podia ser um bom indicativo. Ou então o forte incentivo de Mina (“Se você fugir, eu te mato.”) dito com um largo sorriso houvesse lhe convencido.

Haviam ainda n fatores que poderiam influenciar essa escolha e vários caminhos que o levariam ali, mas o que importava mesmo era que já se encontrava naquele lugar, em meio a música alta, o cheiro de álcool e suor; em meio aos gritos das pessoas que tentavam conversar sobre o volume da música (sem que nenhuma pensasse em abaixar o volume para poderem se ouvir melhor) e os corpos que se mexiam.

Sentado no sofá ele realmente não sabia onde fora se meter, e, para completar, as garotas haviam evaporado bem diante dos seus olhos assim que haviam pisado lá dentro. Não podia estar mais deslocado em meio a bebida e a batida pulsante responsável por arrastar corpos em direção ao chão. Puxou o celular do bolso do casaco e tratou de se entreter em um joguinho cuja fase estava demorando a passar, esperando que assim, as horas voassem sem que percebesse e enfim houvesse passado tempo o suficiente para que pudesse ir embora (não era um bom demonstrativo de educação sair no momento em que havia chegado).

De onde estava, Midoriya continuava alheio aos olhares interessados que eram lançados em sua direção ocasionalmente.

E Todoroki Shouto gostava do que via.

— Hei, seu estúpido meio a meio! Eu estou falando com você! – O loiro jogado no sofá ergueu a cabeça e desviou os olhos da porta que fitava com um olhar mortífero há vários minutos.

— E eu estou ouvindo, continue.

— Ouvindo é? Estava ouvindo é merda.

Shouto se desconectou momentaneamente do que ele dizia (ele fazia bastante isso) e voltou a encarar o garoto, apreciando as delicadas sardas espalhadas pelas bochechas como constelações no céu. Ele só podia ser um calouro. Somente isso explicava o fato de ainda não o ter visto rondando pelo campus.

— Ah, não, seu idiota! Não me diga que gostou daquele nerd? – A voz do amigo se tornou ainda mais ríspida se possível (e se tratando de Bakugou, isso era sempre possível). A sobrancelha se ergueu ao ouvir o tom emburrado do loiro a sua frente.

— Ora, Bakugou, você me surpreende assim. É a falta do Kirishima que está te deixando nervoso? Porque para mim você parece mais irritado do que o costume.

— Vai se foder. Eu só não quero ficar no meio assistindo esses olhares ridículos. Não vim ao mundo para segurar vela. Se gostou apenas vá falar com ele. – Mas a voz saiu alta demais como Shouto já esperava do amigo que tinha um controle e paciência praticamente nulos. Sorriu para si mesmo e voltou a encarar o garoto adorável que parecia entretido no que quer que fosse que estivesse vendo no telefone.

Foi então que Midoriya sentiu o olhar sobre si, felino e preguiçoso, mas afiado como um predador. Shouto sentiu os olhos do garoto subirem para os seus e sorriu desviando os próprios para encontrá-lo. Eles se encararam, conectados naquele ínfimo instante pela faísca de interesse que cintilou nos olhares, e logo Midoriya voltou a baixar a cabeça para o celular, o rosto completamente vermelho, envergonhado.

— Não sabia que a programação de hoje incluía clichês românticos da faculdade. – O comentário bem-humorado só podia ter vindo de uma pessoa. Pessoa essa que agora sentava no colo de Bakkugou e enlaçava os braços ao redor de seu pescoço com um largo sorriso e sem medo algum de perder um membro. Era até engraçado assistir o quanto poder Kirishima tinha sobre o loiro. Em poucos segundos a expressão carrancuda havia suavizado e até mesmo um leve levantar de lábios podia ser visto (o que equivalia a um sorriso de orelha a orelha para o Katsuki).

— Olha só quem fala. – Shouto sorriu, divertido. — O próprio clichê encarnado do valentão e o bonzinho.

— É, mas nada supera o nerd e o punk. Adoro as histórias sobre isso, imagina assistir uma em tempo real! – Restou ao Todoroki revirar os olhos diante o entusiasmo do ruivo.

— Foi só uma olhada, não é como se a gente fosse namorar, casar, ter três filhos e um cachorro.

— Ele tem cara de que prefere gatos.

— Ah, vão a merda vocês dois. – Bakugou resmungou, cansado do assunto e sabendo que quando o namorado começava com algo era praticamente impossível afastá-lo de sua ideia. — Não vim aqui para ficar falando de nerds e clichês.

— Não. – Concordou Shouto. — Você veio para agarrar o Kirishima, coisa que já está fazendo. – Apontou para os braços agarrados de forma possessiva em torno a cintura do parceiro, se sentindo satisfeito pelo rosnar irritado e a leve impressão de vermelho que se espalhou por suas bochechas.

— Ao menos eu tenho bom gosto e não escolho alguém que joga Candy Crush. Quem diabos ainda joga isso?

— Como você sabe o que ele está jogando?

— Pelos óculos, óbvio. Meio a meio estúpido. – Resmungou, lançando um revirar de olhos expressivo na direção dele como se para exaltar toda a sua estupidez.

— Não seja assim, Bakugou. O coitado não pode escolher por quem se apaixona. – Kirishima riu, procurando uma posição mais confortável no colo do namorado e ignorando a carranca profunda que ele exibia. Conhecia-o bem demais para saber que aquilo não passava de encenação. — Mesmo que ele tenha cara de quem estuda 24h por dia e cuide de uma ninhada de gatos como aquelas velhas solteironas.

— Ah, por favor, não precisa exagerar. E outra, eu não estou me apaixonando. – Todoroki não resistiu a vontade de se defender, mesmo sabendo que aquilo o faria parecer culpado. Mas estavam em uma festa! Que problema tinha de achar um cara interessante mesmo depois de tantas tentativas falhas de se aproximar de alguém? — Está mais para interesse velado.

— Ah, claro. – O ruivo riu. — Aliás, acho que alguém devia avisar que o seu interesse velado está indo embora sem nem ao menos se despedir.

Shouto olhou de volta para o sofá a tempo de ver aquela massa de cachos verdes desaparecer no interior da casa, de certo em direção a porta dos fundos. Pôs-se de pé no intento de segui-lo e descobrir ao menos o seu nome e quem sabe até quando poderiam se ver de novo. Mas, sentindo os olhares que apenas confirmavam o dito anterior, ele voltou a cabeça para os amigos e lançou em um único suspiro, aparentando estar o mais desinteressado possível (e falhando miseravelmente no processo. Os amigos o conheciam bem demais para cair nessa):

— Isso não é paixão!

E saiu, ouvindo o som das risadas deles o acompanhar durante o caminho.

***

Depois de vencer 4 fases do Candy Crush (incluindo a que estava com dificuldade), Midoriya decidiu que já era hora de ir embora. Havia vindo para a festa como pedira Uraraka, o que não significava que era obrigado a permanecer nela até o final. Guardou o celular no bolso e abandonou seu posto de espera, tentando não lançar um olhar envergonhado para o garoto que lhe lançava olhadelas ocasionais e falhando com louvor no processo. Felizmente, ele não parecia ter notado.

Empurrou os óculos para cima e espiou por entre os dedos a postura despreocupada que ele apresentava, sentado no braço do sofá e inclinado em uma conversa com os amigos. Examinou a camiseta preta, as calças rasgadas nos joelhos que assentavam bem no corpo, o brinco que brilhava na orelha e o moicano no cabelo e sentiu o coração correr só de imaginar os olhos se voltando contra si e o flagrando nesse momento. Sacudiu a cabeça e enfiou as mãos no bolso, afastando-se com pressa. Não era para isso que havia vindo.

— Dekuuu! – A voz animada jorrou por entre a aglomeração de pessoas e Izuku, ainda abalado com o que acontecera no sofá (desde quando troca de olhares eram tão intensas assim?!), a identificou imediatamente, apenas não conseguia enxergá-la. Onde diabos estaria Uraraka? — Aonde está indo? – Deu um pulo, assustado, ao vê-la quase que surgir ao seu lado e ignorou a risada para responder. É claro que o radar dela não falharia em o achar no exato momento em que estava saindo.

— Para casa, claro. Já se passou uma hora, foi tempo o suficiente para ficar em uma festa e ir embora sem parecer mal-educado.

— Não existe isso, Deku. É uma festa, ninguém vai se importar sobre como você se comporta ou se fica pelado. – Sua expressão se tornou ponderativa. — Pelo contrário, eles iam gostar muito do último. – Ela riu e levou o copo vermelho aos lábios, tomando um longo gole. — Tome um pouco e vamos voltar, podemos dançar juntos, sei que adora essa música. – O sorriso lhe lembrava mochi, açúcar e céu. Doce e convincente.

— Espero que isso não seja cerveja. – Cedeu. Mais alguns minutos não fariam mal. "Aham. Claro que não." Podia ouvir a voz em sua consciência lhe repreendendo.

— Claro que não, cerveja é horrível! Vamos logo!

Midoriya olhou em volta, desviando a tempo de um de seus pés ser pisado e pensou no olhar que sentira sobre si, no sorriso de “Sim, eu estou te olhando e você está espiando” que recebera ao procurar o responsável e na possibilidade de encontrá-lo novamente. Nervosismo escorreu por sua garganta até o estômago e ele bebeu, desejando empurrar o sentimento para mais fundo onde não pudesse atrapalhá-lo ou fazer com que se prestasse a qualquer tipo de papel de donzela inocente, como Uraraka gostava de implicar. Não esperava pela queimação, pelo gosto amargo da bebida na língua que descia como fogo pela garganta. Afastou o copo de si e lançou um olhar afiado para a amiga.

— Nada de bebida alcoólica, não é? – Ela deu de ombros, nem um pouco culpada.

— Você só perguntou se era cerveja. – Um sorriso maroto brincava em seus lábios. — E não era. Agora vamos dançar!

Midoriya se viu arrastado para a multidão até um local mais perto das caixas de som e sentiu que talvez aquela fosse uma escolha ruim. "Só talvez, é?" Uraraka pediu delicadamente (lê-se: gritou mais alto que a música) para que se afastassem até que um espaço considerável fosse formado. A amiga já saltava no mesmo lugar, o líquido se agitando no copo que ele lhe devolvera (impressionantemente sem derramar uma gota), a mão estendida para si. As pernas fraquejaram de medo e vergonha. Ser observado por toda aquela gente, expor uma parte sua para o julgamento dos demais era algo que ainda tinha não coragem de fazer.

— Vamos lá, Deku! – Uraraka riu e agarrou suas mãos, girando no mesmo lugar como faziam quando eram crianças. Ele riu com o gesto e deu o primeiro passo para acompanhá-la já sentindo a música se infiltrar em seu corpo e impulsionar os membros. Repetindo para si mesmo que os outros não importavam, ele começou a dançar.

Fugindo vitorioso de um grupo de garotas que o cercara de supetão, Shouto apenas pôde assistir enquanto o garoto pulava e balançava os braços ao ritmo da música. Para um nerd, como dizia Bakugou, ele dançava muito bem. Desejou ter a guitarra em mão e dedilhar as cordas até formar os acordes corretos, descrever em rimas aquela cena que se desenrolava diante de si, o modo como o sorriso se abria, verdadeiro, a pele bronzeada refletindo as cores das luzes que pulsavam, destacando as sardas nas bochechas. Havia energia no corpo, uma leveza nos movimentos tão diferente do silêncio envergonhado que presenciara no sofá e que o tornava ainda mais adorável.

A música acabou e ele comentou algo com a garota de cabelos castanhos curtos com quem dançava, antes de começar a se afastar. Shouto, percebendo o que acontecia, correu atrás dele, empurrando as pessoas e recebendo exclamações irritadas ao pisar nos pés delas.

— Ei, você espere! – Shouto gritou, mas ele continuava se afastando. — Parado, brócolis!

Ah, isso chamou a atenção do Izuku que se voltou para o garoto que tentava se espremer pela multidão. Sentiu o rosto corado pela dança se tornar ainda mais vermelho ao reconhecê-lo como sendo o mesmíssimo cara do sofá. Respirou fundo e empurrou o nervosismo para baixo, ignorando o fato de que devia estar parecendo um tomate maduro e retrucou numa voz que imaginava ser indignada (não era):

— Me chamou de brócolis? – Shouto parou, e respirou fundo antes de se justificar:

— Foi a única coisa que eu vi no momento, já que não conseguia fazê-lo parar.

— Mas... – foi então que a ficha caiu e ele percebeu que o casaco que pegara – sem muita atenção – era o mesmo que sua mãe lhe dera de presente, com um grande brócolis dançante nas costas (uma piada para os dois da vez que ele tentara encher a banheira e tomar banho com o vegetal). Se pudesse corar ainda mais Midoriya o teria feito, sentindo que podia morrer ali mesmo de vergonha.

— Você dança muito bem. – Um leve sorriso tomou conta dos lábios finos. Não que Izuku os estivesse olhando, reparando na forma e na cor, em como eles permaneciam entreabertos e convidativos. Não, isso nunca!

— Vo... você estava olhando? – Gaguejar foi inevitável. Seu interior gritava, acuado, a consciência lhe lançando alertas para que desse as costas e fugisse. Assim, tão perto quanto estavam, Midoriya notou que os olhos dele tinham cores diferente, o azul se destacando na cicatriz que se alastrava pelo olho esquerdo, um efeito que o deixava ainda mais desequilibrado.

— Não tinha como não olhar. A propósito, meu nome é Shouto. – Assistiu o garoto tentar articular uma resposta, os olhos verdes e brilhantes através das lentes e baixando para fitar os próprios tênis vermelhos, claramente envergonhado. Era uma graça. Não que Shouto fosse demonstrar o interesse que sentia assim, tão súbita e abertamente.

— Foi... foi um prazer, mas eu... eu tenho que ir agora... – As palavras quase não foram ouvidas sob o som da música.

Os corpos se mexiam, empurrando-os em direção a parede. Todoroki não sabia dizer porque estava tão fascinado, mas tinha decidido não se afastar enquanto não soubesse o nome dele. Uma das mãos foi de encontro a parede impedindo que o empresassem ainda mais e bloqueando a saída. Midoriya sentiu um arrepio percorrer o corpo ao sentir o rosto se aproximar do seu e desviar no último segundo para sussurrar em seu ouvido e ter certeza que ele ouviria sobre o toque da música que recomeçava ainda mais alta.

— Do que está fugindo?

— E...eu? Fugindo? Deve ser impressão sua. – Uma risada nervosa escapou. A distância entre os corpos era suficiente para parecer próxima, o calor do ambiente e o hálito morno da respiração que atingia sua nuca não colaboravam para sua concentração. Sentiu o suor se acumular nas palmas e o coração disparar ainda mais no peito. Perguntava-se se um infarto poderia estar a caminho. Os óculos escorregaram para a ponta do nariz e os dedos ágeis de Shouto os recolocaram no lugar.

— Tem certeza?

Queimava. O corpo inteiro ardia. Izuku culpava a bebida que a amiga lhe oferecera. Devia ter seguido o seu bom senso e ficado em casa. Enquanto isso, as luzes a piscar destacavam o cabelo bicolor e os olhos de cores diferentes continuavam a fitá-lo, desestabilizando-o e pedindo por respostas.

— Absoluta. Eu só... er, esqueci uma atividade de casa para entregar amanhã e preciso terminar agora, o professor é um monstro como você deve saber, ou não, já que não sei em qual curso você está matriculado, aliás, eu me chamo Midoriya Izuku e... – Teve vontade de se estapear, dera a desculpa mais esfarrapada possível e continuava a tagarelar como se não houvesse amanhã. Experimentou uma olhadela de canto e notou que um leve sorriso cobria os lábios dele o que o fez calar a boca imediatamente.

— Acho que você precisa ir então. – Izuku não ousou abrir mais a boca e apenas assentiu. Todo o seu corpo ficou tenso ao vê-lo se inclinar ainda mais para perto, as bocas próximas, o calor e o suor da pele pulsando para si como se fossem parte do próprio corpo. Fechou os olhos e esperou. Uma risada baixa e rouca o fez se arrepiar e ele sentiu os lábios desviarem e sussurrarem em seu ouvido de forma arrastada. — Nos vemos por aí, Midoriya Izuku.

Shouto retirou o braço que o impedia de sair e o olhou com um sorriso que não queria se apagar, imaginando o que ele faria a seguir: ficar? Fugir?

Midoriya fugiu.

***

Ao chegar em casa, o coração de Izuku ainda estava acelerado. Nem mesmo todo o vento frio e arrepios gelados puderam acalmar o sangue que insistia em tingir suas bochechas. Mas aquilo havia sido intenso. Muito mais intenso do que qualquer experiência que houvesse tido com garotas (como se houvessem havido várias, claro). Tocou o coração sob a blusa imaginando se aquele poderia ser um sintoma indicando que estava prestes a ter um AVC ou mesmo uma hipertensão crônica a caminho, e sentiu algo duro contra os dedos.

Tateou o bolso, puxando dele uma palheta metade branca e metade vermelha com o nome “Meio a meio estúpido” escrito de um lado e o número de um quarto em marcador permanente do outro. Não pôde evitar um sorriso ao sentir o bater de asas de borboletas em seu estômago.

De fato, em uma coisa Uraraka tinha razão: a universidade podia ficar bem mais interessante.

31. Juli 2019 11:51:44 1 Bericht Einbetten 3
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Ellie Blue Ellie Blue
AI, MEU DEOS, NATHYYYYYYYY. QUE AMOOOOR, EU TO TIPO SURTANDO AQUI. Primeiramente, obrigada por ter embarcado nessa ideia e feito essa fic, mesmo eu sendo muito cara de pau pot ter te pedido para fazê-la. Obrigada mesmo, sua escrita é tão linda e eu a admiro, de verdade. Eu amo demais como você descreve as coisas que vão acontecendo. As sensações que o Izuku sentiu! Deuses! Que perfeição. E o Bakugou e o Kirishima ali, meus meninos tão lindos, tão perfeitos, tão... tão! Olha, eu amo um casal. E sabe o que mais amo? Shouto e sua sagacidade e o seu charme. Nossa, se eu estivesse no lugar do Deku, eu teria cavado um buraco e enterrado minha cabeça porque, olha, só assim. Amo meu menino tímido. E a palheta aaaaaah, que coisa mais maravilhosa. Eu só to ansiosa pra saber o que acontece depois. Eu só to QUERENDO MEUS FILHOS. MANO. Sério, muito obrigada, a fic tá muito linda. Até os próximos caps
31. Juli 2019 09:20:22
~

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