A Casa das Árvores Caídas [PRÉVIA] Follow einer Story

nathy-loussop Nathy Loussop

AVISO: Esta história foi criada para um desafio da Copa dos Autores e como não é possível editar capítulos por conta disto, criei uma nova versão dela onde os capítulos serão adicionados e atualizados. Toda cidade de interior tem suas lendas e crenças. Priscila teve o azar de morar justo na casa assombrada da cidade. Coisas estranhas vivem acontecendo e isso nunca a incomodou, pelo menos, até agora.


Horror Geistergeschichten Nicht für Kinder unter 13 Jahren. © Todos os direitos reservados. Capa feita por Valentina Ferraz

#CasaAssombrada #mistério #fantasmas #nacional #TheHorrorAuthor #theauthorscup
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Capítulo 01

Olá, sabia que eu moro

em uma casa assombrada?


Toda cidade de interior tem suas lendas, contos e superstições passados de geração em geração. Em Celeiros, não é diferente. Essa pequena cidade onde todos se conhecem e qualquer espirro parece logo ser levado aos ouvidos do povo pelos quatro ventos é o local que eu moro desde pequena.

Sei que não é o lugar onde nasci. Lembro-me vagamente da cidade grande, com enormes prédios aglomerando-se entre si provavelmente dando uma sensação de vertigem em quem olhasse para cima na tentativa de ver o céu azul ou o brilho do sol. Pelo menos é o que eu penso que ocorre, tinha apenas três anos quando eu e meu pai nos mudados para cá.

Demorei um pouco até entender o motivo. Com o falecimento de minha mãe por conta de uma doença, ficava difícil para ele sustentar uma criança devido ao alto custo de vida na cidade. Aqui, teríamos uma casa boa, um emprego garantido para ele e sobraria dinheiro para poder me mimar com o que a cidade permitia. A casa boa a qual falo pertencia a minha avó.

Ela já era uma senhora de idade quando nos mudados e poucos anos depois, adoeceu, vindo a falecer recentemente. O enorme casarão de três andares agora era habitado apenas por duas pessoas. Sinceramente, desde que chegamos apenas o primeiro andar é usado e antes de nós, nem isso acontecia.

Devido a idade, minha avó mudou seu quarto para o térreo onde antigamente era um escritório e se não fosse por nós, provavelmente ninguém usaria aquelas escadas tão cedo. O que ainda não entendo é por que morar em uma casa tão grande? Ela só tinha meu pai como filho, sendo meus tios todos por parte de mãe.

Infelizmente essa não era uma das coisas aos quais eu me preocupo hoje em dia. Meu dever de matemática é mais importante no momento e é isso que quero fazer assim que chegar em casa.

Mesmo nossa pequena mansão sendo um pouco afastada das outras casas, mal levava uma hora para eu poder chegar no alto portão gradeado que demarcava o terreno, isso porque meus passos eram lentos.

Como sempre, assim que terminei a pequena subida do terreno, empurrei a grade para poder entrar e um estranho vento empurrou algumas folhas na direção do caminho de pedras que levava até a porta da frente. O lote era cheio de árvores e mesmo rastelássemos as folhas, esse vento sempre empurrava algumas para me cumprimentar.

Subi a pequena escada da varanda e destranquei a porta da frente. A sensação da ausência de luz nem me incomodava mais. O sol simplesmente não gostava da minha casa e louco seria quem dissesse o contrário. Já desisti também de tentar ascender lâmpadas, nunca mudava muito coisa, isso quando elas permaneciam acesas.

As escadas para o primeiro andar ficavam logo de frente para a porta e sempre as subi de forma rápida, apenas tocando a ponta dos pés em seus degraus, escutando um horrível rangido. Quando era pequena tinha medo da madeira simplesmente quebrar e eu cair no vão que deveria haver ali em baixo. Hoje vejo que se alguma coisa vai quebrar naquela casa, dificilmente será a escada.

Meu quarto fica virado para os fundos do lote, me lembro de tê-lo escolhido por ter uma bela vista do jardim e da Senhora Grey. É como chamo a estátua que tem ali, na verdade, ela é uma fonte.

Sobre um pedestal, estava a figura de uma mulher em mármore, provavelmente, segurando um enorme vaso de onde a água da fonte jorrava, criando um pequeno lago redondo ao redor dela. Minha parte favorita, a estátua se mexe.

Não me pergunte quando ou porquê, mas ela mexe. Talvez na calada da noite, onde ninguém a está observando ou de uma forma descarada que eu ainda não me dei conta. E sinceramente eu nem teria notado, sou horrível nisso, se não fosse uma antiga foto.

Estava arrumando as coisas de minha avó após ela falecer e encontrei um álbum antigo de fotografias. Em uma delas, estava parada de frente para a fonte e algo nela não me agradava. Só percebi o que era quando comparei a imagem com a realidade.

Na foto, onde deveria ter uns quatro anos, a mulher segurava o jarro sobre a cabeça, como se ele estivesse pesado demais e ela estivesse derramando sua água para aliviar o peso. Agora, ela o segura próximo ao quadril, deixando a água sair de forma delicada para encher o pequeno lago.

A olhando agora, pela janela do quarto, vejo que ela novamente se moveu. De forma discreta, mas desde daquele dia comecei a tentar prestar mais atenção na minha companheira de deveres de casa. Ela estava olhando para baixo.

Deixei a mochila no quarto pegando apenas os materiais que precisava e desci novamente as escadas, dando a volta por elas e abrindo a porta dos fundos para poder ir para o jardim. A luz natural era bem melhor do que qualquer lâmpada.

Caminhei pela grama até uma mesa de madeira onde deixei meus materiais antes de puxar a cadeira dobrável, também de madeira, para poder me sentar. Gostava de ficar de frente para a Senhora Grey. O som de sua água era tranquilizante e ajudava a não me fazer surtar por conta das equações que nunca foram meu forte.

O vento as vezes atrapalhava também, mas aprendi como criar pesos práticos e bonitos de argila. No começo usava algumas pedras, mas os fantasmas aparentemente não gostavam que eu as deixasse sobre a mesa e elas sempre sumiam.

Sim, você ouviu certo, fantasmas. Eu pelo menos não tenho nome melhor para dar as coisas que vivem na casa. E acredite, eles estão aqui há muito tempo.

Minha avó sempre comentava das coisas estranhas que aconteciam na casa e me ensinou várias coisas também. Uma delas era sempre deixar um amuleto de proteção sobre a porta do quarto e nas janelas, isso manteria as coisas ruins longe e você poderia dormir tranquilo a noite.

Meu pai sempre dizia que tudo aquilo não passava de delírios de uma senhora idosa. Quando eu era pequena acreditava fielmente nela, por um tempo passei a dar razão para ele, hoje vejo que ela tinha razão em alguma coisa. Pena que as noites tranquilas nunca foram uma garantia total.

Tive de mudar meu quarto de lugar por conta de uma prateleira que havia sobre minha cama. Após certa idade, as coisas dela simplesmente resolviam cair sobre mim e me acordavam no meio da noite. De pequenos objetos até livros, como se alguém os tivesse jogado em mim.

Em noites de chuva às vezes parecia que alguém estava me observando do lado de fora da janela. Não que fosse algo completamente impossível, havia uma varanda que contornava quase todo primeiro andar o que incluía a janela do meu quarto.

Uma vez cheguei a questionar meu pai se algo do tipo acontecia com ele e ele negou. Dizia ser coisa da minha imaginação fértil, vestígios deixados pela minha avó em minha mente. A casa era da família há gerações, ele crescera ali e nunca acreditou em nada daquilo.

— Como está indo no dever? — uma voz masculina me tirou de meus pensamentos.

— Tentando... — sorri ao ver quem se tratava — Chegou cedo pai.

Ele me deu um beijo sobre a cabeça e puxou a outra cadeira para sentar-se ao meu lado pondo uma sacola de compras sobre a mesa.

— Fui dispensado mais cedo por pouco movimento, aproveitei e passei no mercado. O que acha de lasanha para o jantar hoje?

— Perfeito!

— Vou guardar as coisas na cozinha, precisa de ajuda no dever?

— Um pouco, o senhor ainda se lembra de como resolver equações de terceiro grau?

A careta que ele fez foi a melhor das respostas, acompanhado ainda de uma desculpa qualquer. Eu ri a situação e lhe dei boa sorte em sua limpeza de banheiro, o observei entrar na casa pelos fundos e voltei a tentar me concentrar na tarefa. Queria aproveitar as últimas horas do dia.

Depois de rever algumas anotações antigas consegui ganhar inspiração para resolver as equações, não tendo tanta dificuldade como imaginava. Já estava na quarta ou quinta quando começou a ventar. Tive de jogar o cabelo para trás da orelha para que ele não atrapalhasse meu raciocínio, estava pronta para voltar a escrever os números na folha quando senti algo tocando meu pé.

Acabei dando um pulo na cadeira e meu sangue pareceu gelar. Estava com os tornozelos cruzados, mas após o toque os estiquei para frente deixando as pernas no ar. Comecei a olhar para o chão tentando ver o que era, em vão. Pela sensação parecia que uma bola havia batido contra a sola do meu tênis, mas não havia nada na grama.

Pus os pés novamente na grama e comecei a procurar por algo com eles, novamente nada. Pisquei algumas vezes em confusão e logo deixei para lá. Observei o que já havia feito no caderno antes de continuar resolvendo a equação. Felizmente, consegui fazer tudo o que era preciso antes do sol se por. Recolhendo minhas coisas, dei um “tchau” para a Senhora Grey e entrei na casa.

A porta dos fundos ficava atrás da escada onde havia uma porta que levava para a cozinha. Podia ouvir meu pai trabalhando nela quando entrei e provavelmente ele não me ouviu subindo, ou decidiu não comentar nada.

Ao voltar para o quarto, larguei os materiais sobre a mesa e fui em direção ao armário, pegando uma muda de roupa e minhas toalhas. Larguei o tênis num canto ao tira-lo junto da meia e calcei meu chinelo. O banheiro ficava do outro lado do andar, apesar de ser necessário apenas atravessar o corredor para chegar nele.

Deixei as roupas sobre a lateral da pia e comecei a me despir, largando o uniforme no cesto de roupas sujas. Puxei a cortina do box e abri a válvula. Dizem que em casa de pobre sempre há algum truque para que as coisas funcionem. Bem vindos a casa de pobre mais chique que poderiam encontrar.

A encanação deveria ser bem antiga e a água do chuveiro sempre saia marrom quando era ligado. Bastava alguns minutos e logo ela se tornava limpa novamente e pronta para ser usada. Sempre gostei de banhos quentes e esperava que a água não resolvesse esfriar do nada.

Banho quente gerava vapor e vapor gerava espelho embaçado. Confesso que quando desliguei o chuveiro e abri a cortina quase pulei de susto ao ver o espelho embaçado escrito, se é que poderia chamar aquilo de escrito. Havia letras X por toda a extensão dele sem formar um padrão ou coisa do tipo. Usei minha mão para limpa-lo e agradeci internamente por não me deparar com um vulto ou pessoa atrás de mim.

Me sequei, botei a roupa limpa e deixei a toalha secando no banheiro. Meu cabelo ainda estava molhado e o sentia querendo grudar em minha nuca. Fui direto para a cozinha onde já podia sentir da escada o delicioso cheiro da lasanha que meu pai fizera.

Havia um portal de madeira que separava o hall da sala de jantar, bem ao lado da escada e uma porta dupla com detalhes de vidro a separavam da cozinha. Abri um dos lados e fui parabenizando meu mestre cuca favorito, indo para uma bancada onde costumávamos comer. Adorava as cadeiras altas.

— Também fiz seu favorito, suco de laranja — disse de forma animada pegando alguns pratos no armário.

— Já disse que você é o melhor pai do mundo?

— Apenas algumas vezes — fez uma pausa e olhou para mim — Diga mais, por favor.

Eu não segurei minha risada o que provavelmente o contagiou. Os pratos foram postos sobre a bancada e ele pegou a forma de vidro onde a lasanha ainda estava esfriando.

— Ainda bem que o forno não deu problema hoje ou ainda estaríamos esperando ela ficar pronta.

— A Senhora Grey deve estar de bom humor hoje — sorri começando a me servir.

— Senhora Grey, é? — puxou um acento para si.

A Senhora Grey não era apenas uma estátua que se movia. Minha avó dizia que a família dela foi quem construiu a casa, mas ela acabou morrendo em um incêndio na cozinha e seu marido mandou fazer a fonte em sua homenagem, como um memorial. Em algum tempo com o passar do calendário, a família de meu pai adquiriu a propriedade e manteve a fonte. Segundo minha avó, o forno nunca funcionou direito por conta disso. Mesmo comprando um fogão novo, os velhos problemas não sumiram.

O jantar foi animado, com meu pai comentando como hoje foi interessante na obra em que ele trabalha. Celeiros é sim uma cidade pequena, mas não é esquecida do mundo. Prédios são inexistentes aqui, mas casas altas e construções grandes são bem normais. Meu pai atualmente está trabalhando na construção de uma escola nova, do outro lado da cidade.

— E ficou sem movimento? — sorri.

— Foram na empresa pegar mais materiais e não voltaram mais, então resolvi bater o ponto — ele deu de ombros rindo também.

Quando terminamos de comer fui lavar a louça enquanto meu pai ia tomar o banho dele. Afirmou estar um pouco cansado e ficaria no próprio quarto até pegar no sono. Ele acordava cedo, não o culpava.

Da janela da cozinha era possível ver a sombra da Senhora Grey pela janela sobre a pia e não resisti em dar uma última olhada nela antes de apagar a luz e subir. Agora com os passos mais lentos, pisando completamente nos degraus.

Quando abri a porta do quarto fiquei surpresa ao ver algumas pelúcias que tinha no chão, de costas uma para a outra formando um tipo de círculo. Olhei ao redor antes de realmente entrar e fechar a porta, pegando os bichinhos e os devolvendo para seus lugares.

Foi quando notei algo estranho também com a impressora. Ela era de um modelo antigo onde o papel era posto na vertical, era puxado para dentro dela e saia com a impressão na vertical e ali estava, uma folha na vertical.

Nem havia ligado o notebook naquele dia o que me deixou bastante apreensiva, aproximando-se devagar até pegar a folha. Uma sequência de X ocupava quase todo o espaço em branco. Novamente olhava para os lados procurando algo de estranho.

— Xavier?

31. Mai 2019 22:51:05 1 Bericht Einbetten 5
Fortsetzung folgt… Neues Kapitel Alle 30 Tage.

Über den Autor

Nathy Loussop Escritora desde os 11 anos, sou apenas alguém com uma cabecinha cheia de ideias e que espera que as pessoas amem meus personagens como eu mesma amo.

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HunterPri Rosen HunterPri Rosen
Olá, tudo bem? Adorei o enredo da história, terror é um dos meus gêneros favoritos e casa mal-assombrada tem um cantinho especial no meu coração kskksksk Sua escrita é ótima, mas notei alguns errinhos bobos como "ascender as lâmpadas", seria "acender" e o uso de "onde" quando a frase pedia outro advérbio (que, quando, na qual, etc) Gostei de como desenvolveu esse primeiro capítulo, apresentando os personagens centrais, a casa e a Sra. Grey :3 Por falar em estátuas que se mexem, se vc não conhece Doctor Who, te indico pesquisar sobre os Anjos Lamentadores da série, pode te inspirar <3 OMG! Minha parte favorita foi as pelúcias fazendo a rodinha macabra kkkkkkkkk Ah! E amei o nome da personagem pq me identifiquei *-* A capa também é um ponto positivo, gostei! Parabéns pela história e boa sorte!
15. Juni 2019 12:10:22
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