Coelhinho Follow einer Story

morangochan Saah AG

Após uma desilusão amorosa, Hinata aponta que o vizinho, Naruto Uzumaki, teve a audácia de pedir para comer seu coelhinho de estimação, Pipoquinha. Neji, o primo da garota, promete um acerto de contas com o vizinho atrevido. Todavia o jovem Hyuuga não imaginava que a inocência da prima a tornaria incapaz de detectar malícia na proposta indecente de Naruto.


Fan-Fiction Anime/Manga Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#comédia #bissexualidade #nejihina #bugbattle
Kurzgeschichte
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A minha prima tá criando um bicho

Essa one foi criada para o desafio Bug do Milênio Nacional do grupo FNS. Eu peguei a música "Coelhinho" da banda Saia Rodada.

Fanfic publicada no Wattpad por "Morangochan" (eu mesma).

PS: A arte da capa foi feita pela minha amiga Cyanis.

❅❅

Sábado de manhã. O vento fresco anunciava a chegada da chuva ao passo que balançava a copa de toda arvorezinha plantada na frente da casa de cada vizinho. Os pais de Hinata tinham ido à feira com o objetivo de trazer para casa as compras do mês. A morena ficou em casa com o primo, Neji, que prometeu fazer panquecas caso a garota fosse à mercearia comprar os ingredientes. Estava contente; adorava as panquecas de Neji.

Neji não morava na casa dos tios, e sim com os próprios pais na casa ao lado. Os quintais compartilhados das casas da família Hyuuga, porém, permitiam a circulação dos moradores. Por isso, Neji quase sempre estava na casa de Hinata oferecendo ajuda aos tios ou a prima. Educado e amável; além de ter uma ótima mão como cozinheiro.

A vizinhança era tão calma quanto o entra-e-sai entre as casas dos primos em questão. Um bairro não tão antigo, pouco ocupado e, consequentemente, com vizinhos conhecidos. Mesmo que a família Hyuuga estivesse em maior número na localidade, pois muitos outros parentes de Neji e Hinata viviam nas redondezas, outras famílias também constituíam o lugar. As famílias Uzumaki, Aburame e Nara viviam ali. Os vizinhos de Neji eram da família Uzumaki, por exemplo. A pequena diversidade dos moradores dava um quê a mais; Hinata ainda conseguia sentí-lo. Lembrava-se do dia o qual Neji a levou para brincar de pique-esconde com as crianças do bairro. Naquele dia, os joelhos da morena tremiam de nervosismo, mas o bambear de pernas se intensificou por outro motivo: ela o viu. Naruto e Hinata tinham a mesma idade e as mesmas pernas franzinas. Foi amor à primeira vista.

Porém os anos passaram e agora Hinata já tinha dezessete anos. Sair por aí narrando a ocasião a qual se apaixonou por um nanico de panturrilhas minguadas e revelar que ainda nutria um certo sentimento pelo rapaz já crescido soava antiquado, como a história de amor narrada por uma vovozinha para os netos. Hinata mordeu o lábio, sentindo-se como uma vitrola cheia de teias de aranha. Mas, bem, a morena não conseguia acompanhar a dinâmica contemporânea dos relacionamentos, mesmo sendo tão jovem. Afinal, a cabeça imersa em romances clássicos justificavam toda a cafonice da garota. Mas que culpa tinha? Havia ido buscar conteúdo romântico por curiosidade. Até tomar tal atitude, não tinha um parâmetro sequer de como funcionava um relacionamento ou o famoso amor Eros. Os pais tinham influência sobre a situação, pois eram bastante reservados e apenas em algumas ocasiões demonstravam afeto em público.

Hinata havia tentado contornar o problema; alugou livros de autoajuda e pesquisou em inúmeros sites. O objetivo era entender como funcionava o flerte e aprender como flertar. Bem, ainda não entendia o porquê das pessoas flertarem dando uma piscadinha, por exemplo, e muito menos achava ser capaz de paquerar alguém na cara dura. Talvez pessoas como eu não devam fazer esse tipo de coisa, ela pensava. Mesmo assim, o interesse por Naruto não sumia. Restava apenas que ele a notasse e tomasse a iniciativa.

Com o dinheiro contado no bolso, a moça encarou-se no espelho antes de sair. Os longos cabelos escuros presos num rabo-de-cavalo e o vestido florido mais plácido encontrado no armário. Um toque de gloss nos lábios e uma última penteada na franjinha. Pronto, agora sim podia ir à mercearia.

Semanas atrás a aparência de Hinata quando ia a lugares comuns pouco importava. A moça não fazia bem o tipo vaidosa, mas as coisas mudaram. Quando passava pelo portão, ou Naruto estava regando a planta na frente de casa ou acabava encontrando-o no caminho. Estar apresentável para o possível encontro, mesmo que esse se resumisse a um tímido sorriso e um aceno de cabeça, a concedia uma sensação de bem-estar. Ao menos seria mais provável que Naruto notasse o quão ela era bonita. De todo modo, mesmo sem ter a certeza se o encontraria ou não, prevenir seria melhor que remediar. Um cabelo pode ser penteado, uma impressão errada, não. Fazia sentido. Pelo menos para ela.

Assim que pôs os pés na calçada, o urro invadiu os ouvidos. O coração da jovem tamborilou como louco, os joelhos tremendo sem dó. Uma mistura de nervosismo e alívio borbulhou no peito: Naruto estava cumprimentando-a com um sorriso largo e, para a felicidade geral da nação, ela não estava cheirando a pum. A fim de não intensificar o rubor no rosto, moveu-se devagar e forçou um sorriso esquisito no rosto. Em resposta, Naruto franziu a testa de modo breve. Ainda assim, gritou:

— Hinata, vem cá!

Naruto usava a típica bermuda laranja e nada mais. Sempre que se viam, ou o loiro estava sem camisa na frente de casa, ou desfilando pelo bairro de regata. Os músculos dos braços bem trabalhados e sempre expostos causavam os suspiros de Hinata, sendo os orbes azuis e o largo sorriso elementos sempre presentes nos sonhos da garota. Tais sonhos, inclusive, denunciavam as fantasias; a idealização de um príncipe encantado de olhos coloridos, um entrelaçar de dedos, um encontro romântico. Coisas que talvez nunca chegassem a acontecer, pois a timidez da moça se mostrava um fator limitante. Inclusive, em ocasião alguma os dois haviam conseguido ter uma conversa em particular que durasse mais que três segundos. O rosto de Hinata se tornava um tomate e os lábios não conseguiam proferir algo que fizesse sentido. Naruto sorria sem graça, acenava e falava algo sobre ir ajudar a mãe num afazer doméstico aleatório.

Engoliu a saliva, assentindo com a cabeça. As sapatilhas cor-de-rosa a levaram para a calçada do loiro, que pediu um segundo de espera para desligar a torneira e, assim, encerrar a vazão de água. Quando retornou, entre lufadas de ar, pediu para ter uma conversa franca com a moça.

— B-bom, do que se trata? – indagou nervosa.

— É que eu queria perguntar se você falou com a Sakura ultimamente.

O nome da Haruno fez o peito de Hinata apertar, mas tentou não deixar a sensação de desconforto transparecer.

— Não. Por quê?

— Ufa, ainda bem! – ele suspirou, aliviado. – Pensei que ela pudesse ter feito a minha caveira para você, sabe? É que ela e eu terminamos tem um tempo, mas não tenho muita certeza se está lidando bem com isso.

— Eu não ouvi nada. – a jovem Hyuuga balançou a cabeça. – Sinto muito.

— Ah, mas não ter ouvido nada é bom. – ele deu um sorriso largo. – Significa que não mentiram para você.

— Mas por que ela mentiria? – a morena franziu a testa.

— Você sabe como términos podem ser difíceis – supôs o Uzumaki, mas, não, Hinata não tinha ideia. Nunca tivera um namorado sequer. –, principalmente para as garotas, por serem mais frágeis e tal.

— Hum. – ela disse, apenas.

De modo geral, Naruto não se esforçava para ser discreto. Ele falava alto, mostrava muita pele e não disfarçava o olhar. O par de olhos azuis passeava por cada linha do corpo da morena, que não entendia como havia conseguido chamar tanta atenção, mas, no fundo, estava contente por ter sido capaz disso. Porém, pela primeira vez, o silêncio brotou entre os dois. Naruto parecia pensativo, o que também era novidade.

— Escuta, Hinata, posso te fazer uma proposta?

— Proposta?

Engoliu a seco; propostas são o que os mocinhos fazem quando pedem as mocinhas em namoro ou casamento. Uma proposta de amor? ela pensou.

— É. – confirmou. Naruto estava feliz pelo avanço, apesar das respostas curtas. Hinata era tímida demais, tanto que chegava a ser milagrosa a conversa nítida entre os dois. Por um tempo, inclusive, achou que ela fosse assim com todos, mas, não. Ela estava dando mole esse tempo inteiro e Naruto estava ocupado demais perdendo tempo com gente patética como Sakura. – Para ser sincero, já tinha um tempo em que eu estava pensando nisso, e acho que já está na hora de parar de adiar. Você não acha?

Os lábios de Hinata tremeram, o ar que ia e vinha vacilava a cada tentativa da morena de formular uma resposta à altura.

— Tá. – foi o que conseguiu dizer.

O vento soprou forte, o que fez Hinata pôr as mãos nas coxas para segurar a barra do vestido no lugar. No fim, uma mecha azulada acabou escapulindo do rabo-de-cavalo. Naruto poderia achá-la esquisita em alguns aspectos, mas precisava admitir que a garota tinha lá seu charme. Talvez pudesse conhecê-la melhor em uma outra ocasião; dizem que as quietinhas são as mais impressionantes em quatro paredes.

— Eu queria propor uma voltinha pela minha casa – disse devagar, como se saboreasse cada palavra. Os lábios de aspecto macio se contraíram num sorriso, assim como o estômago de Hinata; o ruflar das borboletas no estômago quase chegava aos ouvidos. A piscadela que veio a seguir foi fatal para o rubor da moça. – Queria te mostrar o meu quarto. Entende?

Ela estava sonhando, por acaso? Mal conseguia acreditar que estava conversando com ele, muito menos que estava sendo chamada para um encontro. Um encontro em casa, claro, mas ainda um encontro! Como seria o quarto dele, afinal? Por trás de todo aquele estilo largadão, Naruto seria um rapaz que organizaria os livros da estante em ordem alfabética ou as roupas de acordo com cor e estação do ano?

Ela comprimiu os lábios, assentindo de leve com a cabeça.

Os dentes de Naruto se apertaram, pois não queria deixar o queixo cair. Hinata Hyuuga, a garota mais tímida do bairro, havia aceitado transar com ele. Quem diria, hein? A santinha tinha fogo no rabo, afinal. E que rabo, diga-se de passagem.

— Fico feliz que tenha aceitado! – o loiro vibrou em triunfo, pois havia conseguido convencê-la sem muito esforço e sem tomar um único pontapé. Mas Naruto, além de safado, era ganancioso. Ele arriscaria todo o progresso a fim de saciar todos os desejos. – Ai, Hinata! Ultimamente eu andava tão chateado, sabe? É muito frustrante quando as pessoas entram na sua vida e não são compatíveis com você.

— Está falando sobre você e a Sakura?

— Isso mesmo! Você nem acredita por quantas coisas que ela me fez passar. Acredita que ela fez o maior escândalo e nem ao menos me deixou comer o cu… – então um alarme disparou na cabeça do Uzumaki. Hinata poderia ter aceitado a proposta de sexo facilmente, mas não significava que ela se sentia à vontade ouvindo algo tão rude. Afinal de contas, ela era uma Hyuuga. Essa galera era altamente certinha e estava acostumada a conviver com pessoas certinhas. Claro que nem todos eram certinhos, disso ele sabia bem, mas a questão não era essa. A fim de não soar rude, o Uzumaki emendou a palavra e formou um codinome ridículo para “cu”, mas antes ridículo que rude. – elhinho dela?

A garota arqueou as sobrancelhas. Com medo de ter soado patético demais, ele completou:

— Você entendeu?

— Entendi, mas…

Hinata não entendia o porquê da atitude de Sakura tê-lo indignado. Afinal, além de vegetariana, Sakura amava todos os coelhinhos que tinha. Ela havia dado um de presente a Hinata, inclusive. Então recordou; em alguns lugares é comum o consumo de carne de coelho, mas mesmo assim ele não tinha direito de ficar bravo com Sakura por ter se recusado a sacrificar um de seus animaizinhos.

— Ótimo. – ele atropelou.

Não queria parecer mal educado, mas quanto mais cedo a conversa fosse encerrada, melhor. Afinal, fatores externos - um deles morando na casa ao lado, aliás - poderiam surgir para atrapalhar seus planos. Naruto não queria isso, não quando finalmente havia conseguido tal oportunidade.

Engoliu a saliva, nervoso, e perguntou:

— Então… será que, por acaso, você me deixaria comer o seu?

— Comer o meu Pipoquinha?! – a morena indagou num sobressalto.

Ainda bem que não estavam transando. Se o Uzumaki ouvisse tal coisa durante o ato, talvez não fosse mais capaz de fazer o mastro se erguer. Como uma garota bonita podia dizer algo tão broxante? E olha que ele mesmo tinha achado patético o codinome que havia dado para a palavra “cu”, mas, se aquilo fosse uma competição, Hinata teria ganhado de lavada. Além do desconforto gerado pela broxada fulminante, ele imaginou o porquê daquele codinome. Será que ela tem hemorroidas ou algo assim? Que nojo!

— É-ér… – ele concordou, tentando afastar o embaraço. – Você concorda?

Numa tentativa de manter o clima sedutor, Naruto tentou pôr a mecha solta do cabelo de Hinata para trás da orelha. Com certeza ela deveria ter visto algo do gênero em um filme de comédia romântica e iria ficar gamada. Mas para sua surpresa, a menina impediu a ação com um tapa.

— Não! – ela gritou. – Eu não vou deixar!

— Ei, ei, Hinata! – clamou o Uzumaki em desespero. Qualquer tentativa de apaziguar a situação era válida. – Calma aí! Qual'é? Você nem vai sofrer com isso!

— O quê?! – os punhos indignados se chocaram contra as coxas. – Você acha que eu vou deixar você comer meu Pipoquinha e que, ainda por cima, não vou sofrer? Que tipo de pessoa você acha que eu sou?!

— Calma, Hinata, não é pra tanto! A gente ainda pode ir para o meu quarto mesmo assim!

— Depois de mostrar as garras você acha mesmo que ainda vou querer ir para a sua casa? Ora, seu… – para o azar da morena ou para a sorte do Uzumaki, ela não sabia xingar. Talvez ele nem se ofendesse tanto quanto ela sentia vontade de ofendê-lo, mas valia a pena arriscar. – mequetrefe!

Ao girar os calcanhares e marchar na calçada de cimento, Hinata não pode conter as lágrimas. Naruto ainda a chamava, mas ela apenas repetia “não” em sequência. Os passos aceleraram. Não queria ser segurada pelo braço como nos romances; isso sempre fazia com que as mocinhas mudassem de opinião, e Hinata não queria mudar de opinião. Gostava de Naruto, de fato, e isso fazia o coração apertar; se aquela era a verdadeira face do Uzumaki… bom, pelo visto havia se enganado sobre quem ele era.

E se Sakura o tiver proibido de comer carne enquanto namoravam? pensou. Ele pode estar tão sedento por sangue que talvez pule o muro do quintal como uma raposa e devore meu Pipoquinha numa lambida só.

Assim que bateu o portão, a garota correu em desespero.

❅❅

Mais um sábado, mais uma panqueca! Neji já havia colocado o avental e prendido as madeixas num coque. Secou todos os utensílios que usaria para fazer o café-da-manhã, após lavá-los. Em suma, seu objetivo era impressionar a prima, o que seria um pouco complicado, já que ela havia comido suas panquecas em inúmeras ocasiões, mas tinha esperanças de produzir algo muito melhor naquela manhã. Poderia arrumar coragem e confessar tudo à Hinata, quem sabe.

Então suspirou. Dentre inúmeras coisas que percorreram sua mente, surgiu o mistério do porquê uma garota legal como Hinata gostar de um porco como Naruto Uzumaki. E não era por ciúmes que pensava esse tipo de coisa a respeito do rapaz; ele era um otário e pronto. Inclusive, já havia tido vivência o suficiente para afirmar isso.

Distraído com seus devaneios, Neji deixou uma das colheres escorregar.

— Droga…

O rapaz engatinhou para baixo da mesa e esticou o braço para tomar o talher para si, mas um guincho aterrorizado o fez não só estremecer, como também bater a cabeça contra a madeira.

— Pipoquinha!

— Ai!

— Pipoquinha! Pipoquinha!

A prima corria e berrava como se a casa estivesse em chamas e cheia de gás venenoso. O rosto ardia em pranto, e ele pôde notar assim que a viu contornar a mesa a fim de chegar à porta que levava ao quintal.

— Ei, cuidado! – gritou em advertência. – Meu pai deixou o galo solto!

O cacarejar indignado do galo e os berros aterrorizados da prima se uniram, formando um coro estabanado e nada agradável de se ouvir. Neji estremeceu, andando para os lados como uma barata tonta em busca de algo que pudesse ajudar. Então catou a vassoura pendurada na parede por um prego e correu para acudir a donzela.

— Sai, sai, sai! – ele gritou para o galo quando interrompeu a perseguição, sacudindo a vassoura para o animal. – Xô! Xô! Sai, galo! – e os olhos do bicho brilharam com o ódio crescente. – Sai, galo! – repetiu o moreno, já sem a mesma coragem que tinha no momento o qual adentrou o território da ave. – Hinata, o que você veio fazer aqui?

— Pegar o Pipoquinha.

— Então pega logo! – berrou. – Eu vou distrair o galo!

Assim que encerrou a frase, o macho bateu as asas, cantando forte como se estivesse declarando guerra e voou em parábola. Os primos gritaram, cobrindo as cabeças em desespero. Com um aceno de cabeça, confirmaram o plano. Neji provocou o animal com a vassoura e Hinata correu na direção oposta, onde ficava o cercado de Pipoquinha.

O Hyuuga, mesmo a ponto de ofegar, manteve os lábios coladinhos. Não daria brechas para que um grito agudo escapulisse da garganta. Mais ridículo que um cara de avental com uma vassoura na mão fugindo de um galo seria um cara de avental com uma vassoura na mão fugindo de um galo e gritando como uma criancinha apavorada. Bom, ele tinha medo de que o galo lhe cegasse com uma bicada, mas tratou de empurrar o temor para o fundo da garganta enquanto corria em círculos pelo quintal.

— Peguei! – a morena guinchou.

— Então, corra! – bradou Neji sacudindo a vassoura no ar. – Corra! Corra!

Na direção da garota vinham o primo e o galo. Não se sabia qual dos dois tinha o correr mais estabanado, todavia era possível dizer quem era o furioso entre os dois. Eriçadas, as penas vermelhas do galo pareciam ter a cor acentuada, os olhos em chamas provocavam um ardor nostálgico, lembrou-se de quando ela e Neji correram de uma vaca na fazenda dos avós. Os joelhos por um momento ameaçaram ceder, sendo ela avistada pelo galo no momento em que os dois corredores faziam a curva ao lado do cercadinho. O bicho resolveu desistir do rapaz, que já ia longe, e atacar a pessoa mais próxima.

— Neji, me ajuda! – choramingou Hinata ao fugir do animal furioso que batia as asas para alcançá-la.

— Portão! Portão! – ele berrou.

A prima foi ao encontro do portão, o que deu tempo o suficiente para Neji intervir com a vassoura. O galo recuou, alucinado, mas não pôde agir contra os humanos. Os dois já estavam atrás da barreira de ferro meio oxidado.

Suados e trêmulos, os dois desabaram nas cadeiras da cozinha. Quase um minuto depois do ocorrido, com o fôlego recuperado, lágrimas voltaram a escorrer dos olhos de Hinata.

— O que aconteceu?

— É o seu vizinho – ela indicou a direção da casa de Naruto, tão cheia de mágoa quanto o galo cheio de fúria. – que quer comer meu coelhinho!

— Mas que atrevido! – Neji deixou escapar, mas quando voltou a si, questionou. – Quem é esse vizinho?

— O Naruto!

— O Naruto?! Quer dizer, o Uzumaki? Esse Naruto? – o rosto do rapaz se contraiu. O loiro era um babaca, de fato, mas não conseguia visualizá-lo assustando mocinhas por aí.

— Claro, primo, não tem outro Naruto por aqui! – a súbita explosão de Hinata fez o primo recuar, e logo a menina cobriu a boca com uma das mãos e se pôs a chorar em lamento. – Ai que rude eu fui! Me desculpa!

— Calma, calma! – o rapaz se ajoelhou em frente a cadeira na qual repousava a prima. – Ele disse isso mesmo? Tipo, você não entendeu errado?

Hinata puxou o ar, em choque.

— Não está acreditando em mim?!

— Claro que estou! – ergueu as mãos em defesa. – Mas preciso que você explique melhor para que eu possa entender. O Naruto disse mesmo que ia devorar o Pipoquinha?

— Bom… não. – ela fungou. – Ele pediu minha permissão. Mas é claro que eu não ia deixar!

— Claro! – o primo concordou com a cabeça. – Mas você já negou, certo? Não tem o que temer.

Os dedinhos de Hinata puxaram a barra da blusa do primo para baixo, como uma criança que implora atenção. Os olhos marejados e inquietos pareciam complementar o pedido. Ela queria contestar, e ele a escutou.

— Mas, primo – disse num sussurro, como se estivesse prestes a contar um segredo. – , ele me contou que a Sakura o irritava por não deixá-lo comer os coelhinhos dela. E se ele estiver zangado comigo? E se ele pular o muro do quintal durante a noite para sequestrar o Pipoquinha?

Neji crispou os lábios em sinal de respeito, pois rir da cara da pobrezinha seria o cúmulo da falta de consideração; apesar das teorias absurdas. Mas se a prima conhecesse Naruto como ele, saberia que a preguiça do loiro era capaz de impedi-lo de fazer uma sorte de coisas, sendo escalar muros durante a uma noite uma delas.

Contra fatos não há argumentos, é claro, mas o Hyuuga resolveu acalentar o coração da moça. Limpou uma das lágrimas finas que caminhava pelo rosto da prima com o indicador, pôs as mãos grandes nos pequenos ombros dela e sorriu gentil.

— Não se preocupe, eu vou te ajudar a proteger o Pipoquinha, tá? Ninguém vai devorá-lo, eu prometo.

— Você vai falar com ele? – Neji não pretendia, mas o beicinho trêmulo de Hinata fazia um pedido silencioso.

— Claro, eu vou falar com ele.

As entranhas de Neji contraíram como se acabasse de ingerir algo muito amargo. Não só o rapaz não tinha pretensão de conversar com o Uzumaki, como também não sentia a mínima vontade de fazê-lo. Assim que se pôs de pé, a fim de continuar secando os talheres, um suspiro escapou dos lábios. Como posso dizer não a essa menina? Ele pensou.

❅❅

Domingo de manhã. A leveza do vento, porém, não se igualava a dos domingos tradicionais os quais a tia de Neji fazia uma macarronada temperadíssima, muito pelo contrário. Os pais de Hinata gritavam a plenos pulmões logo cedo, aparentemente não gostaram do feito de Pipoquinha, que foi roer o colchão durante a noite. Apesar do ocorrido, o primo tinha certeza que no coração de Hinata não havia espaço para rancor; muito menos se tratando de um animalzinho. Manter um roedor num quarto com mobília de madeira não era a melhor das ideias, de fato, mas a prima insistiria até que os assuntos com Naruto fossem resolvidos, e Neji não tinha coragem o suficiente para mentir sobre já tê-los resolvido. Não havia escapatória: tinha de falar com Naruto se quisesse apaziguar a situação na casa dos parentes. Promessa é dívida, não é? Ele pensou num suspiro.

Não foi tão difícil de encontrá-lo, no fim. Assim que saiu de manhã para dar de beber à planta que fazia sombra em sua calçada, Neji flagrou o Uzumaki com uma mangueira de jardim regando a própria arvorezinha. A pele dourada exposta do tórax e abdômen do rapaz cintilava no sol da manhã; os cantos dos lábios do moreno se ergueram por um momento; tinha acabado de notar o quão a perspectiva sobre a imagem do loiro havia mudado.

— Ei, Naruto! – exclamou o Hyuuga para o vizinho.

— Hum? Neji – respondeu o loiro com as sobrancelhas erguidas. – Tá falando comigo?

Os olhos do moreno reviraram. Como lidar com perguntas cretinas logo pela manhã?

— Ué, foi mal – o loiro deu de ombros. –, mas eu achei que você nunca mais ia me dirigir a palavra. Foi isso que você disse da última vez, não foi?

— Ah, mas não encare isso como uma conversa entre amigos ou algo do gênero – esclareceu o moreno. –, pois vim aqui unicamente para tirar satisfação.

— Antes de perguntar o porquê, espere um segundo.

E correu para desligar a torneira que alimentava a vazão da mangueira.

— Se você fugir, derrubo a sua porta, ouviu?

— Eu não vou fugir, seu reclamão! – o loiro berrou como resposta e, ao se aproximar, continuou. – Porque eu não tenho medo de você, já da conta d’água que a mamãe paga no final do mês...

— Se quisesse ter pouco gasto, – o Hyuuga pôs as mãos na cintura. – que desse de beber às plantas com um balde ou um regador.

O Uzumaki fechou a cara.

— Ah, mas você não veio aqui só para bancar o eco-chato, veio?

— Claro que não!

— Então agiliza, meu filho!

— Certo. – ele assentiu e encheu os pulmões de ar. – Eu vim aqui para saber o porquê de você ter falado besteira pra minha prima!

— Opa, opa! – Naruto ergueu as mãos no ar e as sacudiu, a fim de conseguir tempo para se justificar antes de tomar uma bofetada. – Ela já tem dezessete anos e já está bem crescidinha!

Neji não entendia o que uma coisa tinha a ver com a outra, mas aquele era o jeito de Naruto; quando estava nervoso, não falava nada com nada. E se nervoso estava, alguma merda tinha feito, no mínimo.

— Escuta, seu palhaço, a Hinata é gentil demais para vim te confrontar, por isso vim no lugar dela. Quero que a deixe em paz! – o rapaz cruzou os braços ao passo que uma carranca assustadora lhe tomava o rosto. – E caso não deixe, está sujeito a levar uma paulada na cabeça!

— Não tô crendo nisso – disse o loiro num misto de indignação e descrença. –

Sério mesmo que você vem na minha calçada para me ameaçar só por que eu falei com a sua prima? Vê se cresce, Neji!

— Vê se cresce você, seu idiota! Acha que é muito maduro assustar garotinhas por aí?

— Assustar?!

Em primeiro lugar, Hinata não era uma garotinha pequena. Em segundo lugar, “assustar”? Sério? Sério mesmo? Bom, Naruto sabia a proporção de seus dotes e tudo mais, mas até aquela data ninguém havia de assustado por isso. Neji, mais do que todos os envolvidos na história, deveria saber disso com propriedade.

— E você ainda ri! Acharia engraçado se eu dissesse que ia matar seu animal de estimação e depois comê-lo?

O queixo de Naruto caiu. Então Hinata era do tipo de garota que usava mentiras para manipular as pessoas? Que sujo! Poderia simplesmente tê-lo dado uma bofetada quando teve a chance e encerrar o assunto de vez.

— Espera aí, eu não disse isso aí, não! Eu disse que queria comer o… – então a ficha caiu. – Oh! Bom... talvez ela não esteja tão crescidinha quanto eu imaginei.

O sangue de Neji ferveu.

— Pare de se fazer de idiota, Naruto, estou avisando!

— Mas não estou me fazendo de idiota. – o loiro cruzou os braços e suspirou. – Escuta, isso tudo foi um mal entendido.

— Ah, é? – debochou. – Que conveniente!

— Estou dizendo a verdade!

— Se foi tudo um mal entendido, o que caralhos você quis dizer quando pediu para comer o coelho da minha prima?

Nada foi dito; aliás, as palavras eram dispensáveis em tal momento. Naruto encarou Neji nos olhos e levantou as sobrancelhas, esperando que ele captasse a mensagem. Quando os lábios do rapaz pálido se abriram, o Uzumaki percebeu que este havia entendido toda a situação.

— Que sujo, Naruto!

— Olha, eu não concordo, se limpar direitinho você pode… – o loiro, porém, teve de decidir entre continuar falando ou desviar do tapa.

— Cala a boca, lixeira!

Ser chamado pelo apelido nada carinhoso fez o loiro sentir-se invadido por uma onda de nostalgia. Não conseguiu segurar o riso enquanto escapulia dos golpes do Hyuuga.

— Pare de rir!

— Só se você parar de bancar o valentão. Sabe o que isso faz comigo, não sabe?

Neji revirou os olhos mais uma vez. Por que aquele idiota tinha que dar conotação sexual a tudo?

— Você não mudou nada. – os orbes perolados se estreitaram em julgamento. – Que desperdício de tempo querer ter uma conversa séria contigo!

— Ah, não seja injusto! – rebateu o outro, fazendo um bico birrento. – Tá tudo diferente hoje em dia!

— Ao redor, sim, mas você continua sendo o mesmo lixão de sempre.

— Você não reclamou disso naquela época.

— Por que eu não sabia com quem estava me metendo.

Naruto jogou a cabeça para trás e riu. Talvez a reação fosse um pouco exagerada, mas não conseguiu contê-la. Além disso, Neji merecia semelhante tratamento após tentar se fazer de vítima. Então declarou, curto e grosso:

— Quando não se sabe com quem está metendo, a gente pensa um pouquinho antes de meter. Vamos ser justos: você não fez isso. Nem se importou com a Sakura, inclusive.

— Quem tinha que se importar era você, que namorava ela. – rebateu Neji.

— E você, que era amigo dela, não tinha que se importar também?

Os dentes superiores e inferiores do moreno se apertaram. Em sua mente ecoava o “Você tem certeza?” dito por Naruto antes dos dois transarem no banheiro da lanchonete. Sakura e Hinata estavam à mesa conversando sobre a mais nova ninhada de coelhos da Haruno naquela ocasião.

— Ela sabe?

— Só soube depois do término.

Em uma situação oportuna, o Hyuuga desabaria ao ter conhecimento de tal questão; coisa que não se via fazendo naquele momento, não na frente do Uzumaki. Apenas apertou os punhos e girou os calcanhares, pronto para ir embora.

— Então é por isso que não está me respondendo no MSN. – murmurou soturno, fitando o Uzumaki em seguida. – Obrigado por estragar tudo.

— Ei, escuta! – o loiro berrou para chamar a atenção do moreno, que o olhou por cima do ombro mais uma vez. – Diz a Hinata que eu pedi desculpas. Se soubesse que ela era tão ingênua, não teria chamado para transar comigo. Você sabe… os virgens não são o meu tipo favorito.

Neji sabia que aquilo havia sido dito para machucá-lo de alguma forma. Baixaria da parte de Naruto, de fato. Porém aquela era só mais uma sentença cheia de palavras vazias. Se quisesse afetá-lo, teria de se esforçar mais.

— Vou dizer apenas que pediu desculpas.

— É que eu não imaginei que ela ainda fosse virgem, – Naruto sabia que o assunto poderia ter sido encerrado no momento em que Neji mostrou querer ir embora, mas este queria continuar com a provocação. Vingar-se seria bom, já que tinha sido acusado de vilania pelo ocorrido do ano passado. – visto que mora na casa vizinha a sua.

— Não sei o que quis dizer com isso.

— Claro que sabe! – o Uzumaki riu, e Neji não esperava que um riso pudesse soar tão cruel. Pôs o olhar para frente. Não valia a pena encará-lo. – Não se faça de desentendido.

— As coisas não funcionam mais assim, Naruto – explicou Neji. – Tudo é diferente, agora.

— É, como você bem disse, – o loiro pausou por um instante, a fim de reter ar para enrijecer a voz. – tudo ao redor ficou diferente, mas você também está diferente?

— Sim! – a exclamação dura estremeceu a garganta de Neji. – Ela me fez querer ser diferente. Eu tenho muito respeito pela Hinata. Diferente de você, que até hoje não consegue ter respeito por alguém.

Finalmente sentiu-se digno ao sair de uma conversa com o loiro. Coisas como respeito poderiam ser consideradas sem importância para alguém como o Uzumaki, mas o moreno havia aprendido muita sobre si após todas as traições que cometera contra Sakura. Respirou fundo. Naruto não era o único que devia desculpas para uma garota.

Então uma trovejada ecoou pelos ares:

— Putz grila! Agora tudo faz sentido! – o riso do pateta parecia sem freio. – Você tá apaixonadinho pela Hinata! Quem diria, hein? Uma maricona como você pode realmente gostar de garotas!

— Ah, cala a boca. – apenas resmungou. – Um passa-cheque desses querendo me chamar de maricona. Onde já se viu?

— Espero que quando for tirar a virgindade dela se lembre de como eu tirei a sua, hein?

Aquele comentário havia sido a gota d'água. Primeiro, Neji o fuzilou com o olhar, depois catou uma pedra e atirou contra Naruto, que recolheu a cabeça entre os braços a fim de se defender. A pedrinha, porém, atingiu o meio das pernas do rapaz. O restante da cena Neji não ficou para observar. Tomou a alça do balde e marchou para dentro de casa.

❅❅

Para a sorte de todos, a ideia de Hizashi salvou o domingo por meio de um almoço em família. Afinal, os ânimos dos pais de Hinata não poderiam se exaltar na frente dos parentes. O que eles pensariam?

As chefes de ambas as casas de reuniram na cozinha a fim de bolar uma nova receita de macarrão. Na churrasqueira, os pais grelhavam espetinhos de frango e espetinhos de legumes, para os vegetarianos. Neji e Hinata corriam de um lado para o outro; ou lavando pratos, ou pegando mais carvão. Ambos os primos viraram os quebra-galhos do dia.

Após todos se fartarem com a deliciosa refeição, Neji pôs as luvas para lavar toda a louça do almoço, ao passo que Hinata o esperava com um pano de prato em mãos. No início, não havia conversa. O peito de Neji pesava devido à conversa desconfortável com Naruto. Ele sabia que seria assim, afinal. Por isso havia tentado evitar quaisquer conversas com o loiro. O episódio com o coelho, porém, o obrigou a relembrar todas as bobagens que havia feito. Era disso que tinha medo; ele não tinha certeza se havia mudado tanto quanto pensava. E se fosse engano?

Então Hinata quebrou o gelo.

— Hum… primo? Ontem eu tava conversando com a Sakura nos três segundos, sabe? – Neji demorou um pouco para lembrar-se que o método dos três segundos era o mais usado pela galera nos últimos meses para ligar e atender de graça. A ligação que durasse apenas três segundos não era tarifada pela operadora. Claro, as pessoas passavam horas a fio para terem uma conversa que, no geral, seria curta, mas ao menos era grátis. – A gente estava falando sobre coelhos e ela pediu para vir na minha casa. Eu confirmei, mas a Sakura perguntou se eu poderia mandar você não aparecer por lá enquanto ela estivesse comigo.

O moreno engoliu a seco. A mãos suavam nervosas por baixo das luvas.

— Eu perguntei o porquê, e ela disse que não queria te ver. Insisti no motivo, e a Sakura me contou sobre você e o Naruto.

Neji deixou os olhos pesarem e respirou fundo. Lá se ia a admiração que Hinata sentia por ele. Mas do que estava reclamando? Ele merecia tal castigo por ter sido um porco imundo com a melhor amiga. O que restava era aceitar e tentar não piorar as coisas.

— Eu…

— Então eu disse a ela que as coisas são diferentes hoje em dia. Que você está muito diferente. E que a família inteira reconhecesse isso, inclusive. – apesar do rosto corado, o brilho nos olhos da prima era genuíno. Ela acreditava que as próprias palavras eram a suma verdade. – Eu contei sobre o Naruto e o que ele me disse sobre o Pipoquinha. A Sakura não entendeu bem, mas achou bonito você ter ido falar com o Naruto para me defender. Então ela disse que, quando viesse, queria ouvir a sua versão da história.

Por uns segundos, nada. Nem palavra, nem gesto, nem um movimento sequer. Porém, quando a coragem encheu o interior de Neji, encarou Hinata, que ergueu as sobrancelhas em expectativa.

— Obrigada por intervir, prima. – os cantos dos lábios de Neji se ergueram, um pouco trêmulos com toda a situação, mas felizes. – Não sei nem como te agradecer direito.

— Ah, deixa disso! – ela riu sapeca, sendo aquele gesto capaz de fazer o jovem Hyuuga esquecer todos os sentimentos ruins que lhe pressionavam o peito. – A propósito, você falou mesmo com o Naruto, não é?

— Falei. – o primo confirmou. – Hoje de manhã, inclusive.

— Mas será que ele vai deixar o Pipoquinha em paz?

Neji poderia revelar as reais intenções de Naruto, e que a prima havia entendido errado, mas o sorriso caloroso da garota o tentava a não contar a verdade. Vê-la contente era como ter uma joia preciosa; a vontade que se tem é de zelar, o que não aconteceria se expusesse toda a história. Então decidiu omitir parte da conversa.

— Bom, acho que o Naruto não vai subir em muros tão cedo, se é essa sua preocupação.

— Ah, é? – perguntou Hinata. – Por quê?

— Porque eu joguei uma pedra nele. – Neji disse baixinho, como se estivesse contando o segredo. A prima, por outro lado, cobriu a boca com as duas mãos; os olhos arregalados eram esferas perfeitas.

— Você deu uma pedrada nele?

— Claro – confirmou o rapaz. – Eu prometi que te ajudaria a proteger o Pipoquinha, não prometi?

Ela riu. Em situações normais, a morena poderia ser considerada uma pessoa pacífica. O ocorrido do dia passado, por outro lado, não se tratava de uma situação normal, visto que a natureza do diálogo com Naruto não costumava ocorrer com frequência na vida da moça. Apesar de ainda pensar que Naruto havia pedido para devorar Pipoquinha, Hinata achou a providência do primo conveniente e muito bem aplicada. O moreno, porém, ainda não conseguia prever a reação da menina se soubesse o que realmente havia acontecido. De um jeito ou de outro, não revelaria de maneira alguma.

— Você é meu herói – disse a morena.

As bochechas do rapaz enrubesceram; o tom fofo na voz da prima causava estranhas sensações. Mas quando essa o envolveu com os braços, afundando a cabeça em suas costas, Neji teve certeza que o formigamento não era apenas impressão. O pênis estava ereto e o pânico o consumiu.

— Não sei o que faria sem você. – ela prosseguiu, o que dificultou o controle da situação. – Você é tão...

— Obrigado, obrigado – cortou Neji ao tentar disfarçar o quão nervoso estava. – Prima, pode pegar aquela pilha de pratos que está na mesa?

— Oh, certo – concordou.

Neji tentava não reparar no vestido fino de domingo da prima, ou como os quadris dela pareciam maiores dentro daquela roupa. Ele decidiu não olhar.

Então, o baque.

— Eita – exclamou a menina.

E ele olhou.

— Meu Deus – disse Neji ao olhar para vários talheres espalhados pelo chão.

— Pode deixar que eu pego!

A razão dizia para não olhar, mas os músculos do pescoço não obedeciam o comando. Ele permaneceu com os olhos no mesmo lugar; a renda da calcinha decorando cada espaço da mente. As coisas, que já eram rígidas, aumentavam seu potencial. Até que o estado crítico chegou; não tinha condições de disfarçar o volume.

— Hum… Hinata, eu preciso ir ali. – anunciou o moreno ao tirar as luvas de borracha.

— “Ali” onde? – a menina quis saber.

— Ao banheiro. – ele cochichou. – É uma emergência.

— Oh, certo. – concordou com um balanço de cabeça. – Mas, espere, você vai de avental?

— Sim. – respondeu Neji, que já estava a longos passos da prima. Ele tinha sorte pelo avental que vestia, pois sem esse, mesmo numa distância considerável, ainda seria possível avistar o pinto em completo estado de aflição, se revirando como se estivesse prestes a pular para fora da calça. – É que eu não posso molhar a camisa.

— Bom, está bem. – Hinata assentiu, mesmo sem entender. Assim que não havia mais sinal do primo, a garota depositou a louça suja na pia e refletiu sobre os joelhos trêmulos. – Ele é uma gracinha.

13. Juni 2019 12:55:08 6 Bericht Einbetten 6
Das Ende

Über den Autor

Saah AG Nasci em Fortaleza, sou aquariana e adoro inovar. Entrei em contato com o universo fanfiction aos nove anos e passei a ser leitora e autora desse meio. Adoro tramas bem construídas, reviravoltas são incríveis, mas alguns clichês também chegam a me emocionar.

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Karol  Karambola Karol Karambola
Menina, tem tempo que eu não rio tanto com uma fanfic. Kkk Eu amei demais essa inocência da Hinata, achei muito Canon kkkkk Neji com ela é um fofinho, acho eles a coisa mais cutcut desse mundo. Fiquei surpresa com o NejiNaru kkk não esperava, mas achei engraçado também. Foi muito boa, a leitura muitooo divertida, tá de parabéns ❤️
21. Oktober 2019 09:40:41
JU Juvia Uchimaki
Adorei o NaruNeji. E mesmo em situações comprometedoras, o Neji é um fofo. E morri de tanta ternura quando a Hinata disse que ele era o herói dela. E como não se apaixonar pela inocência da Hinata
13. Juni 2019 21:12:56

  • Saah AG Saah AG
    Obrigada *u* Achei que seria inusitado acrescentar uma história entre eles dois (pra não soar como se eles estivessem disputando a Hinata ou algo assim). Sim, o Neji é muito lindo. E eu tenho uma amiga como essa Hinata, é apaixonante mesmo xD Obrigada por ler e comentar <3 1. Juli 2019 11:11:36
pure ether pure ether
Conseguiiiii! Acabei de ler, Saah. E você impecável como sempre. Coitada da Hinata, inocente demais pra esse mundo. Menina, não esperava o nejinaru no meio hahaha se tinha na tag eu nem vi de tão sedenta que vim hahahaha A cena do galo doido foi muito verossímil hahaha Ah, gostei que você colocou algumas coisas dos anos 2000. Enfim, obrigada por mais uma fic muito bem escrita. Espero por mais fics nejihina suas porque nunca é demais hihihi Sucesso ❤️
13. Juni 2019 20:40:50

  • Saah AG Saah AG
    Awn, muito obrigada você por ter feito a arte! Pois é, mas o que seria da fic se não fosse pela inocência absurda da Hinata? huehuehue Quanto a tag, fiquei na dúvida: tecnicamente a Sakura e o Naruto tiveram um lance tanto quanto o Neji teve com o Naruto. Então eu acho que se você procura uma fic NaruNeji, deve estar interessado em achar uma fic em que o relacionamento entre o casal seja realmente aprofundado, então eu não quis iludir a galera, sabe? Esse galo vermelho é uma lembrança longínqua da minha infância (corri dele horrores). E essa época do início dos anos 2000 eu não vivi, exatamente. Mas a minha irmã era adolescente na época e eu lembro de algumas coisas que ela fazia :v O 1. Juli 2019 11:31:05
  • Saah AG Saah AG
    Muito obrigada por estar aqui lendo mais uma. Eu também espero escrever mais, visto que fiquei bem parada esse ano xD Obrigada por ler e comentar <3 PS: por algum motivo o comentário enviou antes de eu terminar, daí eu finalizei com esse pedacinho aqui :v 1. Juli 2019 11:36:32
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