Os Espinhos da Rosa Follow einer Story

caramelosama Caramelo Sama

Ela tinha espinhos, feridas e lembranças ruins. Sakura se moldou sobre tais espinhos e cresceu como pessoa através deles. Agora a menina é uma mulher, uma mãe e uma grande médica ninja. Seu passado define quem ela foi, mas não define quem ela é hoje. Por que uma rosa tem espinhos, mas também tem belas pétalas. Desafio FNSdoRock | Escrita em 2019 | Universo Original | Sakura!center


Fan-Fiction Anime/Manga Alles öffentlich.

#2019 #universo-original #fns #FNSdoRock #sarada-uchiha #sasuke-uchiha #sakura-haruno #naruto
Kurzgeschichte
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Capítulo Único — Sakura Haruno


Notas iniciais:

Eu nunca escrevi uma história com esse formato, é minha primeira vez, então estou segurando na mão de Deus e seja o que ele quiser. É uma história relativamente pequena, com o foco na Sakura como um tipo de narrador onisciente intruso.

Apesar de ser os acontecimentos do anime/mangá, exerci minha licença literária nos sentimentos dela da forma que me coube a interpretação da obra escrita pelo Kishimoto.

Já aviso de antemão que não é um história SasuSaku.

No mais, tenham uma boa leitura!


“Você é irritante”.

A primeira vez que você me disse essas palavras nós tínhamos apenas onze anos. Eu era uma garota boba naquela época, que vivia ansiosa para lhe agradar. Tudo o que eu fazia tinha haver com você, era sempre para você. Acredito que tenha sido por esse motivo que, quando você virou-se em minha direção — tão frio e aborrecido — para me falar essa frase, eu fiquei incrivelmente afetada.

Eu não entendi no dia, e hoje admito que levei muito tempo para compreender o que eu havia te dito para deixá-lo daquele modo. No entanto, como eu não sabia, fiz o que julguei que te agradaria. Por que, novamente, eu fazia de tudo para tentar fazê-lo feliz. E por esse motivo convidei Naruto para almoçar comigo, pois acreditava que você estava em favor dele. É irônico pensar que eu o julguei para me aproximar de você, e me aproximei dele para conciliar-me com você também. Irônico, afinal, não funcionou.

Você não me olhou com gentileza após isso, nem uma vez sequer, mas mesmo assim continuei tentando cair na suas graças. Como eu era tola, não?  Mas entenda, Sasuke, eu estava apaixonada por você. Eu amava cada detalhe que meus olhos enxergavam, o que, talvez, tenha sido o grande problema desde início. Eu não te conhecia, mas acreditava veemente que sabia tudo sobre você. Agora, mais madura, reconheço que eu me apaixonei pelo que minha mente juvenil inventou sobre você, e não pelo que de fato você era.

No fundo eu tinha ciência que muito pouco conhecia a seu respeito, no entanto sempre ignorei isso ao mesmo tempo em que lutava para abrir caminho até seu coração. E existiram momentos nos quais pensei que havia avançado até ele. Momentos que acreditei, por um instante, que você também podia me amar.

Ainda me recordo da dor dos ferimentos que me foram causados na Floresta da Morte. Os cortes que ardiam e sangravam e que, ainda sim, eram insignificantes diante o seu corpo inconsciente. Eu estava preocupada com Naruto, mas não posso mentir para mim mesma e dizer que minha maior preocupação não era você.

Sabe, sempre acreditei que você gostasse de meninas com o cabelo comprido e, portanto, eu deixava os meus crescerem. Cuidava deles com todo o zelo possível para te impressionar. Sei hoje que isso não passava de um boato estúpido criado entre as meninas da academia, porém eu também pensava assim. Por isso, quando me lembro desse dia, meu peito se enche de orgulho do que eu fiz. A atitude, para uma menina de doze anos que mal possuía convicções, foi algo grande. Eu não hesitei quando passei a lâmina da kunai sobre meus fios e não lamentei quando os vi pairando no ar antes de pousarem na terra. Não tinha importância, por que eu fazia para proteger vocês.

Ah Sasuke, naquele dia eu achei que você nutria, nem que muito pouco, amor por mim. Quando abracei você, em meio a todo o caos ocasionado pela marca recém adquirida no seu pescoço, e as manchas negras do seu corpo regrediram, pensei que era por mim. Pensei que estava se contendo por que eu pedi para você, porque meu abraço era importante e o ancorava nos momentos difíceis.

Como eu estava errada.

Um pouco depois eu lhe agradeci por ter me salvo, lembra-se? Quando Gaara, na época tão envolto pelas próprias dores, batalhou contra nós enquanto Konoha oscilava pela morte do terceiro. Eu te agradeci, pois na minha mente o meu príncipe viera ao meu resgate da mesma forma que um dia eu fora por ele. Nunca se passou pela minha cabeça que havia sido Naruto, o hiperativo e cabeça oca, que tinha salvo minha vida. Fiquei surpresa, assim como o olhar no seu rosto, quando mencionou o nome dele, me fez estremecer em preocupação.

Quem diria que não muito após isso eu estaria sentada ao lado do seu leito, descascando maçãs para quando você acordasse. Eu não tinha ideia do que havia acontecido exatamente para que estivesse tão ferido naquela cama. Normalmente eu teria me enraivecido contra aquele que o tinha machucado, mas nessa ocasião eu senti tanto medo de te perder que nem mesmo recordei-me de ficar aborrecida. E por Kami, Sasuke… Eu não podia conter a emoção que tomou conta de mim quando você abriu os olhos depois de dias.

Eu não pensei duas vezes, na verdade, não pensei em momento algum quando pulei em cima de você para te abraçar e chorar no seu ombro. Eu me encontrava tão aliviada que não me atentei para o vazio profundo em seus olhos e, sendo assim, não estava preparada para sua revolta. Foi um baque quando as maçãs, descascadas e cortadas, foram arremessadas contra o chão do hospital. Foi um baque quando você convocou Naruto ao terraço e, então, o desafiou para um duelo.

Como fui imprudente correndo para o meio de vocês, acreditando que poderia pará-los apenas com lágrimas e gritos. Era tudo o que eu tinha, no entanto. Lágrimas para chorar e gritos para gritar. E eu chorei muito, Sasuke. Chorei muito quando você foi embora e Kakashi quem me consolou, alegando que você precisava de um tempo.

Eu só não contava que esse tempo seria crucial para os nossos futuros.

Naruto me disse, enquanto jantávamos no Ichiraku, que não existia a menor possibilidade de você partir para se juntar a Orochimaru. Eu acreditei e, logo depois, percebi que ambos estávamos errados.

“Você é irritante”.

Tínhamos treze anos quando me disse isso novamente e, mais uma vez, eu fui tão afetada por tais palavras. Lembro-me como se fosse hoje do ar gélido contra a pele arrepiada dos meu braços, bagunçando meus cabelos; que vez ou outra obstruíam a visão que eu tinha de você. Das suas costas, afinal de contas, sempre o vi por trás. Nunca estive à sua frente, nem mesmo ao seu lado. Eu sempre estava passos atrás de você. E, naquela noite, isso não foi diferente.

Estava tão frio, mas eu não me importava com isso. Não ligava para nada se não o fato de que você estava partindo. Em um primeiro momento eu não quis acreditar que pudesse estar me deixando, mas então eu entendi o que estava acontecendo, e aquilo doeu. Lembro de como meu peito se apertou, comprimido meu coração, cujo batia tão desesperado pelo medo de te perder. No dia eu não compreendi, mas não estava o perdendo naquela noite, afinal não se pode perder algo que nunca se teve. Você nunca foi meu, mas eu não sabia disso ainda, e então insisti para que ficasse.

Eu te prometi felicidade caso optasse por ficar ao meu lado. Me iludi acreditando que seria capaz de fazê-lo feliz, ou mesmo achando que você cogitaria ficar. Contudo você não hesitou quando me falou que não era assunto meu. Que eu não o entendia, e que você não estava no mesmo nível que Naruto e eu. Você não hesitou em momento algum.

Foi sufocante acordar, na manhã seguinte, naquele banco frio. Gelada pela geada da noite e com um vazio aterrador dentro de mim. Sasuke, eu sofri muito com a sua partida. Roguei em prantos para que Naruto o trouxesse de volta, sendo egoísta com alguém que não merecia.

Por que eu sempre fui egoísta. Desde muito nova. Eu queria que você me amasse porque eu te amava, pensando totalmente que o certo seria que retribuisse meus sentimentos. Eu queria que ficasse em Konoha por que eu não aguentaria te ver ir embora, mas nunca parei para pensar em como você se sentia. Meus argumentos foram egoístas quando tentei te convencer a não ir. Eu aleguei que, do meu lado, você poderia ser feliz. Isso foi tão bobo de minha parte…

Acreditar que eu, com meu amor infantil, suplantaria suas mágoas e cicatrizes, era muito egoísta. Eu não estava pensando em você, estava pensando em mim. Hoje percebo isso com muita clareza.

Como também percebo que, apesar da chama que queimava em meu peito quando procurei a Godaime para que ela me terminasse, não se equiparava nem de perto à chama que era o motivo principal de eu requerer a tutela de Tsunade. Afinal, eu queria andar ao seu lado e ao lado de Naruto. Nunca mais queria vê-los pelas costas, se afastando e me deixando para trás. Queria ser reconhecida por todo o time, mas especialmente por você. Para te trazer de volta. Por que eu era egoísta.

Porém o tempo passou. Foram dois longos anos, e com você longe, eu parei de pensar apenas nos meus desejos em relação a você. Treinei duro, Sasuke. Dei meu sangue e suor para aprender tudo aquilo que Tsunade estivesse disposta a me ensinar. Devorei livros e mais livros, em busca de conhecimentos que eu teria de adquirir por conta própria. Busquei ervas, fiz remédios, cuidei de feridos no hospital e dei o meu melhor para me tornar uma grande kunoichi. Eu ainda queria ser boa o bastante, mas agora não tinha mais haver com você. Tinha haver com todos aqueles que precisariam de cuidados. Que precisariam de uma médica, mesmo que para coisas pequenas e que não fossem graves.

Foi gratificante cada agradecimento que recebi. Eu estava radiante, mesmo com você longe. Hoje vejo muito além do carinho que sinto por você. Hoje eu vejo que juntos nós nos tornamos tóxicos, e quanto mais distantes melhor.

Eu não via isso na época.

Dezesseis anos.

Eu tinha dezesseis anos quando te encontrei novamente. Você se lembra? Se lembra de atacar Yamato, lembra-se de nos ameaçar, ameaçar Naruto? Pois eu me lembro bem. Lembro da ansiedade, da agonia na qual eu me encontrava conforme corria por aqueles corredores, procurando incessantemente por você. Eu queria tanto pode tocá-lo e o envolver em meus braços…

Não obstante, também lembro de como você mudara. Estava mais frio do que de costume. Distante a um ponto em que eu cheguei a pensar que nunca o alcançaria. Você estava cruel, Sasuke. Tão cruel que tentou matar Naruto, ou ao menos foi o que eu pensei.

No fim, você nunca foi capaz de tirar a vida dele, não é?

Mas eu pensei que sim, você estava tentando matá-lo.

E fiquei mal por isso. Mal por não ter conseguido fazer nada naquele dia. Eu tinha me esforçado tanto, tinha aprendido tanta coisa! Eu havia lutado contra um dos membros da Akatsuki; estava me sentindo invencível. Porém, mesmo assim, te vi ir embora mais uma vez. Em tão pouco tempo você me mostrou que eu ainda estava muito longe de você. Me mostrou que eu ainda via somente suas costas. Me fez repensar tantas coisas naquela época. Eu salvei Kankuro, mas não salvei a Chiyo. Eu lutei contra um nukenin, mas não foi eu quem ganhou aquela luta.

Eu tinha um longo caminho pela frente, apesar de tudo. Todavia eu não era mais a menina que um dia eu fui. Eu tinha resistência agora. Agora, se me bastassem, eu levantava de novo e seguia sempre em frente. Não havia espaço para rendição. Não havia mais o medo e a desistência da garota que anos antes tentou convencer o time a deixar Tazuna sob a própria sorte contra Gatou, Zabuza e quem mais fosse. Ela não me definia mais. Então continuei. Continuei me esforçando, continuei aprendendo e lutando dia após dia, gradativamente.

Nesse meio tempo muita coisa aconteceu. Cacei Itachi, na esperança de te encontrar. Ajudei alguns civis quando Konoha foi atacada pelo Pain. Chorei, tive recaídas. Me ergui, não desisti. Fui adiante, enfrentei muita gente. Construí minha reputação aos poucos, saindo debaixo da sombra de minha mentora. Foram inúmeros momentos, inúmeras vitórias. Eu estava orgulhosa de mim, no final.

Mas eu ainda era egoísta.

Não levou muito tempo para que nos reencontrassemos de novo. Eu sabia que Naruto nunca desistiria de você, não apenas por que faz parte de quem ele é, mas porque se tratava de você. Eu nunca entendi bem o laço que vocês tinham. Sempre foi um vínculo muito além da minha compreensão. Ou talvez eu entendesse bem, mas mascarasse isso para mim mesma. Independente do que fosse eu tinha noção de que ele estava se jogando em um poço profundo atrás de você. Um abismo negro que sugaria tudo que houvesse de bom e que, talvez, ele nunca conseguisse sair.

Decidi por conta própria que acabaria de vez com esse tormento. Não deixaria ele ser levado a escuridão junto com você. Foi o que eu disse para mim mesma quando rumei em direção ao País do Ferro, sem contar a ninguém o que eu pretendia fazer para que Naruto o abandonasse. Só que eu nunca tomei a decisão de te matar para poupar o Naruto de mais sofrimento. Foi por mim que eu fiz o que fiz.

Eu vi como tudo parecia perdido. Todos ainda estavam abalados com o ataque a Vila. A Godaime estava em coma, não havia nem mesmo tempo estimado para que ela recobrasse a consciência. Danzou, da Raíz da Ambu, havia reivindicado o posto de sexto Hokage e Konoha se reduzira a pó. Como se não fosse o suficiente ninjas da Nuvem vieram até nós, procurando por você, alegando um sequestro. O Raikage queria sua cabeça e nada parecia dissuadi-lo. Uma reunião entre os Cinco Kages estava marcada e eu sabia que ele iria exigir você. Não parecia haver esperanças e você não mostrava que desejava ser salvo.

Eu tinha que me decidir.

Todavia, no fundo, eu sabia bem que estava me enganado quando afirmava que conseguiria te matar. Eu nunca iria conseguir ferir você, Sasuke. Não importasse a situação. Porém as coisas não foram com eu imaginei que seriam.

Não fazia ideia da besteira que estava cometendo, de como meu egoísmo se elevara além do limite sadio. Atualmente eu vejo como fui cruel e mesquinha, apenas uma garota mimada brincando com algo que não deveria. Não titubeei nem por um segundo quando parei em frente a Naruto e disse lhe amar. Eu me declarei para ele porque sempre soube que o mesmo já houvera sentido algo por mim. Eu acreditava que ele ainda sentia e que, assim que eu lhe confessasse meu falso amor, Naruto abandonaria você e voltaria para Konoha. Na época me pareceu um bom plano, algo que salvaria o futuro dele. Não vejo mais desse jeito.

Eu não estava tentando salvar Naruto, estava tentando alcançar você, como sempre. Eu queria estar cara a cara com você, enfrentá-lo para que soubesse como eu tinha mudado. Como eu era forte, corajosa, destemida. Queria ser eu a estar lá no final, mas as coisas não acabaram bem, não é?

Eu fui fraca mais uma vez perante você. Era a segunda vez que me oferecia para seguir-te por caminhos que não possuíam retorno. Eu, mais uma vez, estava disposta a abrir mão de tudo o que eu tinha em Konoha só para poder ficar ao seu lado. E, durante um breve instante, acreditei que finalmente conseguiria caminhar com você, mas aquele Sasuke eu não conhecia.

Eu fiquei em estado de completa paralisia quando pude, tristemente, ouvir o chiado advindo do chidori. Você não fraquejou, não pensou duas vezes, teria me matado ali naquele momento e eu não teria feito nada para te impedir. Mas então Kakashi apareceu, e depois Naruto e, quando vi, havia sobrado apenas eu novamente. Por que agora sua atenção não era mais minha.

E então veio a guerra.

Consegue imaginar como foi para mim? Eu, uma menina de dezesseis anos que a recém aprendera a usar as próprias pernas para correr atrás de seus sonhos. Que até então presenciara pequenos conflitos, e que nunca havia visto tanto horror e medo assim na vida. Sasuke, eu estava apavorada! Não demonstrei, me mantive firme pois sabia que alguém precisava de mim, mas eu estava assustada demais.

Eram tantos medos que eu não saberia por onde começar a nomeá-los, porém eu continuei, não? Descobri sozinha a infiltração de um Zetsu Branco. Curei massas de pessoas nos acampamentos de primeiros socorros. Lutei contra muitos clones do Juubi ou seja lá o que aquelas coisas fossem. Eu não fraquejei, independente de como me sentia por dentro.

Mas não foi o suficiente para você, foi?

Quando eu te vi, chegando no campo de batalha, vindo para nos ajudar, meu coração mal se conteve de tanta alegria. Só que você não olhou para mim, em momento algum. Você lutou como um membro do time sete, mas lutou apenas ao lado de Naruto. Vocês teriam me deixado para trás caso eu não houvesse me imposto. Eu também faço parte deste time, também alcancei o nível que vocês alcançaram. Não aceitaria ser deixada para trás mais uma vez, como uma sombra que sempre os seguia por onde quer que estivessem indo. Nós iríamos lutar juntos desta vez.

E lutamos, ao menos por um certo tempo.

Eu não estava no mesmo nível ainda, apesar de ter achado que sim. Vocês cresciam cada vez mais, Sasuke. Estavam correndo em direção ao progresso enquanto eu andava até ele. Notei isso quando avancei sobre Madara e mesmo assim precisei ser salva. No que eu estava pensando? Fui imprudente por que não queria ser a única que não estava tentando vencer aquela guerra. Vocês lutaram contra ele de todos os jeitos possíveis, não tiveram dúvidas em momento algum. Vocês morreram naquela guerra, Sasuke. Ele matou os dois, por que vocês continuaram sem parar. Eu queria fazer o mesmo. O resultado, no entanto, foi meu corpo ferido e vocês dois me resgatando.

Isso, contudo, teve uma reação divergente em mim. Antigamente eu teria me lamuriado pelo fracasso, porém não mais. O crescimento de vocês me causava inveja, me faziam querer crescer também. Vocês me inspiraram a ser melhor. Não pelo Naruto, não por você Sasuke, mas por mim. Eu queria ser melhor por mim mesma.

Então ergui minha cabeça e continuei lutando, mesmo quando todo meu corpo se arrepiava diante a Kaguya. Lutei para continuar até mesmo quando parte do meu braço direito fora queimado por ácido. Não parei nem mesmo quando ela tentou escapar. Acertei a Deusa da Lua, a mulher que se auto-proclamava progenitora do chakra. E no fim, tínhamos vencido aquela horrenda guerra. Tudo parecia relativamente bom naquele momento. Havíamos sofrido grandes perdas, mas poderíamos enfim homenageá-los. Poderíamos voltar para casa e nos recuperar de todo o caos que vivenciamos.

“Você é realmente irritante.”

Mas ainda havia você e sua sede de vingança.

Eu, mais uma vez — abstraindo tudo o que você havia me feito passar — declarei meu amor aos gritos. Fui sincera em cada palavra que lhe disse, almejando para que ficasse desta vez. Que não fosse embora novamente, mas sim permanecesse conosco, comigo. Eu deveria ter aprendido minha lição, mas naquele momento eu não pensava em nada de ruim que vivemos no passado. Não pensava nem mesmo na tentativa falha de me matar. A única coisa que eu tinha em mente era o fato de querer você lá comigo, para todo o sempre.

No entanto, você me desprezou. Desprezou meus sentimentos tal como muitas vezes o havia feito e, quando dei por mim, sua mão atravessava meu peito. Eu disse que o amava, você me rejeitou e em menos tempo do que eu poderia imaginar, estava presa dentro de um genjutsu cruel. A dor... A dor que senti quando trancada dentro da ilusão, foi real. Sasuke, foi horrível ter sido atingida por você, fosse genjutsu ou não.

E mesmo assim, depois de tudo isso, eu ainda possuía esperança. Quando acordei o sol se punha no horizonte, banhado o campo de batalha após a guerra. Não havia sinais seus ou de Naruto, mas Kakashi ainda estava lá. Foi, com grandes dificuldades, que nos apoiamos um no outro e obrigamos nossas pernas a se arrastarem até o Vale do Fim.

Quando chegamos o sol havia nascido mais uma vez e a claridade me mostrava aquilo que eu já esperava ver. Sabia que estariam feridos, sabia que as coisas tinham saído de controle, mas não imaginei por um segundo sequer que tanto houvesse mudado naquele tempo. Não hesitei quando desci até vocês e me ajoelhei entre ambos, sem falar nada, comecei a fazer aquilo para que fui treinada. Verdadeiramente chocada com o resultado do que vocês tinham feito. E, aquela foi a primeira vez, que você de fato olhou para mim.

As palavras pareciam flutuar até meus ouvidos, fluidas e doces. Suas desculpas foram tão significativas para mim que antes que eu tivesse a chance de controlar minhas emoções já externava todos os sentimentos reprimidos. Chorei por você ter voltado para nós; por ter me notado pela primeira vez; por estar vivo depois de tudo.

Daquele momento em diante eu sabia que as coisas seriam melhores. Voltamos para casa, você veio com a gente. Naruto e você estavam se recuperando rápido, tanto quanto o progresso dos braços artificiais criados a partir das células do Primeiro. Kakashi assumira como Sexto Hokage e seu desejo por vingança finalmente havia cessado. Tudo era novo e promissor, eu gostava disso. Gostava de como me fazia sentir. Contudo era cedo ainda, não? Cedo para achar que enfim estaríamos juntos.

Você tinha que partir. Tinha que ver o mundo com outros olhos e reparar os danos que havia causado. Eu entendi isso, entendi de verdade e, portanto, te deixei partir. Eu quis ir junto com você, mas estava certo quando disse que seus pecados não me abrangiam. Nossos caminhos ainda iriam se cruzar, mas aquele não era o momento.

Por isso, com aquele toque na testa e o obrigado soando por seus lábios, eu o vi ir embora. Dessa vez, porém, eu sabia que você voltaria.

E você voltou. Em algum momento da sua jornada de redenção nós nos encontramos mais uma vez. As coisas foram rápidas, embaçadas de certo modo. O resultado? Eu estava grávida. Carregava, no ventre, o fruto da nossa breve união. No início era apenas um feto se desenvolvendo, mas que no futuro seria — indiscutivelmente — a pessoa que eu mais amo no mundo inteiro.

Eu era uma mãe de primeira viagem, gerando uma outra vida dentro de mim. Você não estava lá, ao meu lado durante a gestação, então não viu meus sentimentos evoluindo. Eu estava apaixonada mais uma vez. Apaixonada pela pequena garotinha que crescia mês após mês dentro do meu corpo. Ela era parte de mim, não só fisicamente, como também era uma parte da minha alma.

Sarada foi um presente, Sasuke. O presente mais lindo que já ganhei. Por isso sou muita grata a você por ter me dado ela, por ter me dado a chance ser a mãe dela.

É curioso como as coisas realmente mudam na vida de alguém quando um bebê está a caminho. Todo o amor que eu poderia sentir dediquei exclusivamente a ela, a pequena florzinha que me orgulho de chamar de filha. Eu amei e amo nossa garota como jamais pensei que pudesse amar outra pessoa, incluindo você.

Quando próxima a data de nascimento de nossa pequena, saí de Konoha a sua procura. Queria que estivesse lá quando ela nascesse. Que pudesse vê-la também. É um tanto irônico pensar que encontrei Karin e que ela fez o parto de nossa filha em um dos esconderijos de Orochimaru. Mas sabe, isso não importou mais quando vi pela primeira vez os imensos olhos negros de Sarada. Ela era tão linda. Minha pequena, recém nascida nos meus braços, foi a visão mais bela que eu já tive.

Sarada puxou você na fisionomia, mas eu não estava pensando em você quando ela nasceu. Estava pensando única e exclusivamente na pequerrucha princesa que eu segurava.

Eu admito, doeu você não ter estado lá nos primeiros nove anos da vida dela. Não obstante criei nossa filha da melhor maneira que pude, dando a ela amor e carinho por nós dois. Eu sabia que, apesar de termos tido Sarada, seu coração não pertencia a mim. Nunca pertenceu e não seria aquela altura da vida que pertenceria. E sabia que, onde quer que você estivesse, nós sempre estaríamos conectados por causa dela. Foi um alívio quando, enfim, pude abrir os olhos e enxergar com clareza. Eu ainda te amava, mas agora não como o homem com quem eu desejava passar a minha vida. Você era Sasuke Uchiha, meu colega de time, meu amigo, meu primeiro amor e o pai de minha filha. Mas era apenas isso.

A chegada dela foi importante para mim de muitas formas diferentes e, por causa dela, percebi que eu não podia permanecer atada a você. Estava na hora de ser Sakura Haruno, a mulher, a médica, a mãe. Não exisita mais espaço na minha vida para ser a garota que esperava por você.

E foi libertador de uma maneira que você não imagina. Não guardei rancor da sua ausência e ensinei a ela que não deveria guardar também. Pequei em muitos aspectos, mas eu só estava tentando protegê-la. Sou humana, afinal. E hoje, doze anos após o nascimento da pessoa por quem meu coração bate dia após dia, me orgulho do lugar onde cheguei.

Passei por muita coisa na vida. Tive sonhos, tive desilusões. Caí muitas vezes, mas me ergui o dobro e cada vez com mais força. Amei, amei intensamente e continuei amando. Errei e acertei ao longo da vida, e cada erro me fez melhorar quem eu sou. Me fez aprender, me ensinou a crescer. Então, no fim, não me arrependo de nada. Não mudaria nada do que aconteceu mesmo que eu pudesse, pois foram essas vivências que me tornaram quem eu sou. Não sou Sakura Uchiha, a esposa do último sobrevivente do clã. Sou Sakura Haruno, a kunoichi que não tinha nada e que hoje tem tudo. Inclusive uma filha por quem daria minha vida sem pensar duas vezes.

Então, Sasuke, e apenas Sasuke, obrigada. Obrigada por tudo, mas, daqui para frente, você é uma página virada da minha vida.

Notas finais:

Essa história foi escrita para o DesafiodoRock no grupo/página Fanfics Naruto Shippers.

É levemente baseada na música In The End do Linkin Park.

Para quem leu até aqui, espero que tenham gostado. É uma história bem simples, mas foi gostosinho de escrevê-la.

Até a próxima!

10. Januar 2019 16:56:15 0 Bericht Einbetten 120
Das Ende

Über den Autor

Caramelo Sama Eu tinha uma frase bonitinha aqui, mas o Inks deu bug com os acentos. Por enquanto vai ser apenas isso mesmo.

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