litalea-draach Litalea Draach

Após uma série de sonhos enigmáticos, Anne, uma jovem moça, é confrontada com um pedido de ajuda: um garoto deseja reverter a maldição que o tornou vampiro. (A história está sendo reescrita e totalmente editada, logo a versão antiga será excluída de todas as plataformas em que foi postada. Não há uma frequêcia determinada de atualizações, mas espero contar com o apoio de vocês)


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#teorias #mistério #sonho #drama #sobrenatural #vampiros #romance
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A sombra da morte

— Nathan...



Transilvânia

15h 47min.

20 de dezembro



Há dias eu não o via. Decidira viajar sozinho, sem ao menos dar uma explicação de para onde iria ou quando partiria e nem mesmo seus cavalheiros mais próximos sabiam o que de fato estava acontecendo. Quando finalmente voltou, não parecia ser o mesmo.

A biblioteca do castelo havia se tornado o seu refúgio. Estava sempre lendo algo, pesquisando e fazendo desenhos estranhos. Até mesmo os abraços calorosos e sorrisos, que eu recebia sempre que o via, agora foram tomados por frios toques no ombro quando me encontrava em seu caminho e uma feição séria que não se alterava por nada.

Já cansada de insistir em perguntas sem respostas, me pus a caminhar no jardim. As flores e as árvores me pareciam mais convidativas, o ar fresco, puro, tirava o sufoco que estava em minha garganta. Senti um arrepio por todo meu corpo e uma imensa vontade de chorar, mas respirei fundo e continuei a andar sem rumo. Meus pensamentos não me acompanhavam, hora estavam no brilho do sol, em flores pisoteadas ou na gigante sequoia que se encontrava no meio de uma floresta próxima dali. Ah, sempre imaginava chegar perto dela. O quão grande deveria ser esta árvore! Antes de avistá-la pela primeira vez, eu acreditava ser o velho carvalho, ao centro de meu jardim, a maior árvore que já tivera visto na vida.

Um baixo cavalgar pode ser sentido, me fazendo olhar ao redor em busca de sua origem. Suzana havia chegado! Utilizava suas botas altas, negras, junto a uma calça de couro e uma camisa branca com um espartilho de mesmo tom que a bota prendendo-a. Me apressei em voltar ao castelo, estava tão feliz em vê-la e tínhamos tanto para conversar!

Meus passos eram largos, quase corria a fim de alcançá-la. Suzana ia em direção a biblioteca, não cumprimentava os empregados como sempre fazia e simplesmente ignorava os guardas. Isso não está certo. Quando entrou no cômodo desejado, fechou as grandes portas.

Levei ainda alguns minutos até estar próxima, mas assim que toquei na maçaneta um estrondo se fez presente. Abri uma pequena fresta, a fim de observar o que acontecia. Estavam do outro lado, então tive de entrar para averiguar.

Suzana estava caída no chão, com vários livros ao seu redor, e Nathan caminhava em passos curtos em sua direção. Me pus a frente de Suzana e questionei o que fazia, mas minha pergunta foi completamente ignorada. Ele simplesmente estendeu uma de suas mãos e me jogou para o lado com toda força que tinha (o que, para um ser sobrenatural, convenhamos que não era nada pouca).

— Nathan...

Sussurrei para mim mesma, assustada com a cena a minha frente. Eles continuaram a brigar, como se eu não estivesse ali. Não era o mesmo Nathan que eu conhecia, ele estava completamente diferente. Atacava Suzana como um monstro faminto... e ela revidava na mesma medida. Nunca a vi lutando desde jeito, ao menos sabia que tinha tanto poder assim!


Eu não queria acreditar, mas era tudo real. Me lembro bem de ter acordado esta manhã, não é possível que tudo isso faça parte apenas de um sonho ruim.

Ah, um belo pesadelo! Onde minha existência é insignificante e as pessoas que mais amo em minha vida estão prestes a se destruir sem eu poder fazer nada para evitar isso.


Ele novamente a jogou longe, desta vez contra a parede ao meu lado, e ela caiu junto aos destroços desacordada. Seus olhos me encaravam fixamente, senti minha respiração começar a se acelerar.

Com medo corri até a porta e a empurrei com força, começando a correr para longe daquela sala, para longe de Nathan e qualquer um que eu visse pela frente.


Eu o amava com todas as forças, mas agora... apenas me restava o medo.


Não importava o que me perguntavam ou alertavam quando comecei a me distanciar do castelo e de seu jardim, apenas o pensamento de estar o mais longe possível já fazia com que eu me sentisse mais segura. Menos aterrorizada...


Completamente entorpecida, não sei como, adentrei a floresta e corri o mais rápido que pude. Meu coração pesava em meu peito e lágrimas rolavam livremente por minha face. Não conseguia retirar aquilo de meus pensamentos ao menos por um segundo, não conseguia ficar em paz.

Minhas pernas fraquejaram, fui ao chão.

O fino vestido branco sobre a neve e pequenas flores ao lado ainda resistindo ao rigoroso inverno... deveria ao menos ter me preocupado com isso antes de sair. A noite é tão fria por aqui e logo o sol começará a se pôr.

Ainda estava atordoada, mirando as flores e alguns vestígios de neve que caíra na noite passada, completamente submersa em pensamentos aleatórios que pudessem me distrair.

Não escutei a aproximação, só me dei conta quando ouvi seus passos e sua voz chegando até mim. Virei meu rosto em sua direção.

— Ora, olhe o que temos aqui! A protegida do demônio. — Levantou as mãos em uma expressão surpresa irônica.

— Vincent?

— O que aconteceu? Ele se cansou de você? — Alguns passos em minha direção...

— Fique longe de mim! — Me levantei, dando vários passos para trás.

— Oh, sério? Vamos, ele não está aqui para te proteger. — Continuou caminhando...

— Me deixe em paz, Vincent. — Disse alto.

— Você perdeu toda a paz que tinha quando veio atrás de Nathan!

— Ele salvou minha vida! O mínimo que eu deveria fazer era cuidar dele até que estivesse bem novamente! Você, mais do que qualquer um, deveria entender.

— Você sabe, ele é da linhagem de Vlad Terceiro. Neto do demônio! — Aumentou seu tom de voz. — Do Empalador! Por que acha que ele se curava tão rápido? Você via as feridas, era impossível!

Mirou as próprias mãos e continuou a falar, como se fosse para si mesmo.

— Vlad, o empalador e Nathan, o demônio. — Olhou-me, furioso. — Ambos são assassinos, você sabe muito bem disso! — Tornou a gesticular, apontando para mim como se me acusasse de algum crime. — Você ouviu as histórias, todas as lendas... são todas verdadeiras! Por que ele está na Transilvânia agora? Por que ele abandonou o reino de seu avô e construiu o próprio?! — Dizia alto, como um louco. — Você decidiu ajudá-lo e agora não temos paz! A paz destas terras fora tirada de nossas famílias quando aquele demônio pisou aqui!

— Vincent...

— Não, agora você vai me ouvir. Eles querem Nathan morto, existe uma recompensa para quem fizer isso e você sabe que eu quero aquele dinheiro, não sabe? — Perguntou mais calmo.

— Sei... — Disse baixo, mais para mim mesma.

Isso já era esperado. Vincent pode não ser um mercenário e muito menos levar jeito para isso, mas sempre que pode vai atrás de alguma oportunidade de aumentar sua riqueza. Ele fala de paz, mas seu egoísmo me impressiona até hoje. Sua família está entre as mais ricas do reino.

— Pois bem, você vai nos ajudar a matá-lo.

Ouvi passos em nossa direção, me virei para ver quem era. Quatro homens, aparentemente camponeses. Um deles foi até Vincent e lhe entregou uma espada, que logo foi guardada em uma bainha pendurada em seu cinto, outros dois ficaram ao seu lado.

— Podem levá-la. — Ordenou firme.

Senti minhas mãos serem puxadas para trás e algo metálico gelado passando por elas. Tentei puxá-las, mas de nada adiantou, a diferença de força é enorme. Vincent começou a andar, os homens o seguiram e eu fui levada junto, puxada por uma corrente de prata.

Adentramos ainda mais a mata, parando em uma antiga construção. Era estranho, havia um arco na entrada e um alto muro logo depois, estava coberto de neve e algumas flores mortas. Uma antiga e grande casa completamente destruída podia ser vista ao fundo.

— Deixem-na ali! — Vincent disse apontando para o muro.

Um deles puxou a corrente com força, como se estivesse mandando-me andar. Não questionei, seria pior. Acabei por apenas fazer o que eles queriam.

Não, eu não quero ajudá-los, não quero a morte de Nathan! Não tenho muito o que fazer, todos estão armados e se eu questionar algo... temo que algo de ruim aconteça.


Eu não quero que nada aconteça!


— Minha querida, você sabe por que está aqui? — Perguntou parando a minha frente.

— Você quer matar Nathan e pensa que ele virá atrás de mim. — Respondi baixo.

— Não, eu tenho certeza de que ele virá. — Seus olhos mostravam total determinação. — E este é o local perfeito para isso!

Vincent sorriu enquanto tirava sua espada da bainha, ele a levou até a lateral de meu pescoço fazendo um fino corte lá. Fechei meus olhos e mordi meus lábios com força para não reclamar da dor, os abri segundos depois. Vincent ainda sorria, ele parecia se divertir com aquilo enquanto os outros apenas ficavam atentos à movimentação das árvores, totalmente atônitos.

A neve não caiu mais, o vento desapareceu e as árvores pareceram se calar. O silencio se tornou absoluto.

— Finalmente! — Comemorou alto.

O céu ficou completamente negro por alguns segundos e uma enorme sombra caiu a nossa frente. Era Nathan. Seus olhos estavam brancos, como se estivessem brilhando e suas presas estavam à mostra, o ódio emanava de si.

— Feche os olhos... — Parecia que sua voz estava dentro de minha mente, os outros pareceram não ouvir...

Ele não esperou, correu em direção a Vincent. Os outros homens correram ajudá-lo, mas não tiveram um bom resultado. Fechei os olhos com força, apenas ouvindo a luta, os gritos, o sangue e as espadas... baixas mordidas e sons que eu claramente reconhecia como vindos de Nathan.


Ele ainda está mesmo se parecendo com um animal....


Três vozes desapareceram e um grito ecoou por minha mente.

Abri os olhos lentamente, olhando em direção a eles. Quatro estavam caídos, mortos. Vincent estava de joelhos com uma espada em seu peito e coberto de sangue. Nathan caminhava em minha direção.

— Por que fugiu?

Perguntou sério enquanto tentava tirar aquela maldita corrente de meus pulsos, sem se importar com as queimaduras que ela deixava em suas mãos.

Abaixei meu rosto, evitando olhá-lo.

— Me responda!

Ele segurou meu rosto, olhando diretamente em meus olhos. Parecia se controlar para não gritar.

— Está com medo? — Concordei com a cabeça. — Foi por isso que fugiu?

— Não fugi... — Tentei dizer algo.

— Você saiu correndo, ignorou todos os empregados e passou diretamente pelos guardas. Por que fez isso? — Pareceu mais calmo, ainda assim, irritado.

— Você atacou Suzana... — Continuei baixo.

— Suzana estava sob um forte feitiço, foi necessário. — Seu tom de voz diminuiu.

— Não era você naquela hora, parecia um monstro...

— Eu sou um monstro.

14. September 2020 13:17:02 6 Bericht Einbetten Follow einer Story
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Amanda Luna De Carvalho Amanda Luna De Carvalho
Olá, tudo bem? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Sinceramente, tenho que confessar que amo histórias de vampiros. Acho uma das temáticas mais lindas e maravilhosas para serem desenvolvidas, com um assunto inesgotável. Terror misturado com amor, chamam muito atenção minha atenção realmente. A coerência está apropriada. A estrutura empregada está correta e bem condizente com aquilo que o texto pede. Eu fiquei muito contente com aquilo que estava nas passagens e amei todas as linhas escritas. É agradável aos nossos olhos ler algo assim. Os personagens são excelentes e bastante humanizados em suas emoções mais primitivas. Cada sentimento possui uma motivação bem específica e pontuada em suas ações, gerando reações inesperadas. A primeira cena de perseguição é muito acelerada e me tocou como a garota estava agoniada para escapar daquilo rapidamente. A gramática está boa, mas notei alguns deslizes e sugiro umas alterações. "Sussurrei para mim mesma, assustada com a cena a minha frente" — Nesse caso, indico colocar uma crase em "a", ficando "à". "Com medo corri até a porta e a empurrei com força" — Nesse caso, indico colocar uma vírgula entre "medo" e "corri". "Perdida em meus pensamentos e ainda atordoada por tudo que vi não escutei a aproximação" — Nesse caso, indico colocar uma vírgula entre "vi" e "não". De resto, a história está bem escrita. Esses são meus apontamentos e espero ter sido útil em mencionar isso. Seu livro é maravilhoso e gostei do terror colocado nas entrelinhas mais tocantes. Tudo é delineado de modo correto em sua densidade. Espero que continue escrevendo seus livros e tenha muito sucesso em seus escritos futuramente. Até mais!
July 30, 2020, 19:07
H Hamlett
Excelente, felicitaciones! te invito a leer mis historias !
March 31, 2019, 16:00
Marurishi Paz Marurishi Paz
Realmente, interessante! Dou crédito só por mencionar Vlad Tepes, demonstrando que tens conhecimento sobre história antiga além dos livros de romance. A escrita é simples e objetiva, fácil de ler. Pretendo ler mais.
November 22, 2018, 14:27

Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Oie! Nossa, a história já começou intensa! Curiosa para saber o que uniu esses dois!
October 20, 2018, 11:15

~

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