Liz, aos 13 Follow einer Story

anapaularocha ANA PAULA ROCHA

Eu me chamo Liz, tenho 13 anos, sou uma garota normal, bem, isso não é verdade, não sou tão normal assim. Eu sou meio doida, tipo, tem uma vozinha maldita, que mora dentro da minha cabeça, que só me põe pra baixo. A vozinha está sempre dizendo que eu vou me dar mal. Ela me perturba muito, me deixa ansiosa e depressiva, às vezes. Eu gosto das coisas que acontecem, no colégio, obviamente, não o que acontece nas aulas, mas o que acontece fora das aulas, tipo, paqueras, fofocas, amigas, boys, festas e tudo mais Eu também gosto de ficar com as minhas amigas e primas. Elas são muito boas, pra mim. Estão sempre ao me lado, me ajudando a viver essa fase difícil que é a adolescência. Ainda bem, que elas existem, por que são elas, que me tiram das confusões, em que eu me meto. Eu vivo, me metendo em algum tipo de confusão, é como se, eu atraísse confusão. Onde eu passo, uma confusão acontece. Você vai poder ver, com os seus próprios olhos, sobre o que estou falando. E pelo que eu vejo, isso só acontece comigo. Pra piorar a situação, meu pais estão se divorciando e a gente tá ficando muito sem dinheiro. Logo agora, que eu precisava comprar as roupas mais incríveis do planeta, pra ir pra baladas. Eu adoro sair com as minhas amigas, a gente vai muito ao shopping, show e pra casa, uma da outra. A gente pega roupa, maquiagem, sapato e biju emprestada, uma da outra, quando vamos sair. Minhas primas são um pouco mais velhas do que eu, por isso, elas sempre sabem o que fazer, quando algo de errado acontece e isso, sempre acontece.


Jugendliteratur Alles öffentlich.

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Infância

Hoje, acordei um pouco nostálgica. Sei lá, às vezes, eu acordo assim, com saudade dos tempos em que eu era criança. A vida era muito mais fácil e divertida. Decidi visitar a escola que estudei, boa parte da minha vida. A escola fica aqui perto, da minha casa. Chegando lá, pra minha enorme surpresa nas paredes da entrada, havia fotos dos ex-alunos e lá estava eu. Ao mesmo tempo em que foi engraçado ver as fotos, foi trágico por que... porque eu..., porque eu era muito pequena e magrela demais, meu cabelo tampava a metade do meu rosto, meus dentes eram separados bem na frente, para completar eu sempre dava o mesmo sorriso de boca fechada o que deixava meu nariz uma batatinha.

Em uma das fotos, estava Demétrius, minha primeira paixão. Foi aos 5 anos de idade, ele estudava na minha sala do I jardim. Eu uma menininha muito sem graça e tímida, me apaixonei pelos olhos mais bonitos que já tinha visto em toda minha vida. Ele parecia um príncipe, era loiro, tinha olhos azuis e arrasava 10 entre 9 corações.

Ele nunca ficou sabendo que eu gostava dele, até porque se ficasse iria rir da minha cara. Além do mais, tenho quase certeza que ele já deveria ter uma namorada, uma loira de cabelos longos, lisos e olhos verdes com pele de porcelana e covinhas, sabe as covinhas no rosto que aparecem quando a gente sorri e que é super cute, pois é, são essas mesmo que eu estou falando.

Um belo dia, ou melhor, num horrível dia, minha prima mais velha Debbie foi me buscar na escola e eu disse a ela que, durante o recreio eu e o Demétrius tínhamos nos beijado de língua. MAS É LÓGICO QUE ERA TUDO MENTIRA, FRUTA DA IMAGINAÇÃO DE UMA CRIANÇA, QUE ASSITIA MUITA NOVELA!

Sabe o que ela fez? Ela contou tudo pra minha mãe e ainda piorou muito a estória, disse que o beijo foi no meio do parque e que todo mundo viu.

Rrrrrrrrrrrrrrrr, que raiva! Lembro como se fosse hoje. Minha mãe, nesse dia, nem queria olhar na minha cara, ela me tratou como se eu fosse uma adulta safada e promiscua. Na hora do jantar, ela empurrava a comida na minha, em silêncio. O silêncio me assustava, porque eu não sabia o que estava passando pela cabeça dela. Eu poderia dizer que era tudo mentira, que eu tinha inventado tudo, porque eu vi na novela, só que se eu contasse que era mentira, além de passar por safada, ia passar por safada mentirosa, então deixei pra lá, afinal de contas a merda já estava feita. Quando ela decidiu falar comigo, foi pior do que se ela tivesse permanecido calada. Ela me disse:

- Não estou com graça com você não. Isso pega AIDS, sabia?

Naquele momento eu descobri, que era muito mais inteligente do que minha mãe poderia imaginar. Eu sabia muito bem como se transmitia o vírus da AIDS, porque já tinha ouvido falar várias vezes sobre isso, na televisão. Por mais que eu fosse uma criança de 5 anos de idade. Eu fiquei com pena dela por acreditar que com um beijo se pegava AIDS. Ela continuou de cara amarrada pra mim durante um bom tempo, depois isso.

O que significa dizer que na minha casa não há abertura para se conversar sobre sexualidade e coisas do gênero.

Depois, vivi uma história cômica, na terceira série, quando todas as meninas da minha sala, gostavam do um menino chamado Fernando. Eu não gostava dele, inclusive eu o achava muito do sem graça, mas como todas as outras gostavam, eu não podia ficar de fora e tive a fabulosa ideia de dizer a minha amiga Carol, que eu gostava dele.

A Carol já era fofoqueira desde essa época e contou pra ele, que eu tinha dito pra ela, que eu gostava dele, mas, eu não gostava. Um dia quando eu estava bebendo água, o Fernando chegou perto de mim e disse:

- Liz, eu não gosto de você.

- Quê? -Eu disse, surpresa.

- É isso mesmo que você ouviu, eu não gosto de você. Ele disse e saiu correndo, pelo corredor.

Eu fiquei atônica, com aquela situação. Ele achou que tava me dando o maior fora da minha vida, mas na verdade, eu não tava nem aí, para aquele louco. Fiquei muito de cara com ele e tive vontade de matar a Carol. Mesmo sem gostar dele, eu me senti um pouco rejeitada. Não sei explicar por que, só sei que me senti.

Nessa época, eu assistia muita televisão, principalmente sessão da tarde e eu sempre via aquelas americanas loiras, peitudas, de pernas longas e me achava parecidíssima com elas. Quando acabava a sessão da tarde, eu ia pra frente do espelho fazer posse. Eu passava todas as maquiagens da minha mãe, ficava mais pra drag queen, do que pra top model. Bijux, então... usava todas, queria ter mais orelhas, para colocar mais brincos. Fazia várias combinações de roupas, usava biquíni como sutiã, camisola como vestido, canga como lenço. Usava ventilador e lençol para criar uma atmosfera de estúdio profissional. Isso tudo acontecia com a porta trancada, porque se alguém me pegasse fazendo aquelas posses, seria a morte, eu cairia dura no chão. Imagina só. Minha mãe entrando, bem na hora que estava fazendo uma pose sensual..., não gosto nem de pensar, porque me dá um frio na barriga, credo!

Na minha imaginação, eu era linda. E foi acreditando na minha imaginação, que pensei em ser modelo. Em uma tarde dessas normais em que eu assistia televisão, vi uma propaganda dizendo que haveria olheiros de agência de modelos em um shopping, perto da minha casa. Não titubeei, dei um jeito de ir ao shopping, com minha mãe, claro, porque se eu fosse com alguma das minhas amigas e o olheiro escolhesse uma delas e não eu, seria capaz de matá-lo. Então me embonequei toda e fui para lá. Rodei o shopping inteirinho, várias vezes, e ninguém me chamou pra fazer um book. Voltei pra casa com a certeza de que, tinha ido ao shopping muito tarde e todos os olheiros já tinham ido embora. No outro dia, liguei em uma agência de modelos e disse:

- Alô, eu gostaria de ser modelo.

O homoafetivo, do outro lado da linha perguntou: - Querida, quantos quilos você tem?

- Eu toda feliz disse: - 42 quilos.

O gay retrucou: - Qual é a sua altura? Fiquei com vontade de dizer 1,80 m, mas disse a verdade: - 1,60 m

Aí, ele disse: - Queridinha, pra mim você não serve, porque a altura mínima das nossas modelos é 1,72m.

Então pensei, se é 1,72m que eles querem, é 1,72m que eles terão. Mais tarde quando minha mãe chegou em casa, eu disse que queria ir ao endocrinologista, porque eu queria crescer. O detalhe é que, eu já tinha menstruado e muito provavelmente, não ia crescer mais. Porém, minha carreira de modelo estava em risco, eu tinha que pelo menos, tentar. Lembro que fiquei horas na fila de espera. Assim que eu e minha mãe entramos no consultório, eu disse que queria crescer e o médico perguntou:

- Quantos anos você tem?

- 13 anos. Eu disse apreensiva.

-Você já menstruou?

- Sim. Eu disse triste.

Então, ele disse:

- o máximo que você pode crescer são 3 centímetros. Isso se tiver muita sorte.

Essa informação caiu como uma bomba no meu colo. Eu não podia acreditar que ficaria com 1,60 até o fim dos meus dias... Afinal de contas, eu ainda era uma adolescente. Não consegui aguentar a decepção e comecei a chorar.

Foi então, que minha mãe soltou uma pérola:

- Você tem é que ficar feliz, você é maior do que eu.

Só que, minha mãe é praticamente uma anã de jardim, ela não pode servir de referência pra ninguém, principalmente pra mim que era uma futura capa de revista.

Esse dia entrou para a história, como um dos dias mais triste da minha vida. Mas, eu não me dei por vencida. E fui a outro endocrinologista, dessa vez era uma mulher. Ela disse a mesma coisa que o outro tinha dito. E tentou me consolar:

- Ser alta não é bom, vai por mim. As meninas altas são desengonçadas e tem muita dificuldade pra arrumar namorado.

Ela quase me convenceu. Sai do consultório triste, mas com a certeza de que tinha feito tudo que estava ao meu alcance, para tentar ser mais alta.

Um tempo depois, tinha arrumado outro sonho pra minha vida e esse não exigia altura mínima. Queria ser apresentadora de televisão! Isso mesmo, apresentadora de TV. Eu achava lindo ser apresentadora de TV. Sempre que começava um programa, eu ficava repetindo tudo que as apresentadoras falavam. Eu já me considerava praticamente uma apresentadora. Só tinha um problema, eu não morava no Rio, não era loira e não tinha o rostinho lindo e não podia falar pra ninguém sobre minha idéia de ser apresentadora, porque seria ridicularizada, com certeza. Daí, tive uma ideia, mandei um e-mail para a produção do programa.

“ Querida, produção, gostaria de saber como faço para ser a apresentadora substituta. Eu sou muito talentosa e já fiz duas peças de teatro, na minha escola.

Beijos, Liz”

Então a produção me respondeu:

Bom dia, senhora Liz. Lamentamos imensamente informar-lhe que a produção do programa não está a procura de outra apresentadora.

Desejamos-lhe boa sorte, na carreira.

Atenciosamente,

Produção.

Foi muito duro ler aquele e-mail. Passei a semana com o coração doendo. Mais uma vez, meu sonho tinha ido por água baixo. Porém, eu não desisti, alguma coisa me dizia que o estrelado esperava por mim.

Foi quanto eu abri um site e li que as inscrições para o elenco de malhação estavam abertas. Naquela hora, eu senti que aquela era a oportunidade que eu tanto esperava. Já me via no PROJAC, gravando as cenas do seriado, dando autografo na rua, tirando foto com meus fãs e sendo entrevistada. As portas da fama finalmente se abririam para mim. A matéria dizia que a seleção seria por vídeo. Os candidatos deveriam mandar um vídeo com alguma interpretação. – que sorte, pensei. Há alguns meses atrás eu tinha feito um curso de interpretação para a TV e tinha todas minhas cenas gravadas. Então foi só mandar os vídeos, esperar ser selecionada e colher os louros da glória. Fiquei esperando ansiosamente, a ligação do diretor de elenco, me informando que eu seria a mais nova protagonista de MALHAÇÃO. Esperei um dia, uma semana, um mês, a nova fase do seriado começou, terminou e ninguém me ligou. Foi aí que percebi que a vida artística não era para mim.

27. September 2018 00:00:05 3 Bericht Einbetten 2
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Luiz Paz Luiz Paz
Oi Liz, gostei muito da sua estoria!!
27. September 2018 08:24:54

  • ANA PAULA ROCHA ANA PAULA ROCHA
    Muito Obrigada, terça-feira que vem, tem o novo capítulo. 27. September 2018 08:52:36
ANA PAULA ROCHA ANA PAULA ROCHA
Oi, oi. Estou muito empolgada de ter publicado o cap 1 do livro, aqui. Espero que gostem! Muito Obrigada pelo apoio!
26. September 2018 19:46:47
~

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