Where it all Began Follow einer Story

panku Nonaka Panku

"Enquanto esse dia não chegar... Fica comigo?" ☆ Tatsuya & Shoya ☆ (mai 12, 2017)


Fan-Fiction Bands/Sänger Nur für über 21-Jährige (Erwachsene).

#romance #gay #yaoi #fanfic #slash #Diaura #Gossip #Akane #Kei-ka #Shotsuya #visualkei #jrock
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it's all about us.

Em uma noite agradável de outono fui convidado para a reinauguração de um bar o qual muito ouvi falar no decorrer da semana, enquanto minha vida desandava.

Na segunda-feira fui demitido. Na quinta, o término de um relacionamento.

Yo-ka, um amigo de longa data, assim que soube disso, me ligou e fez a proposta irrecusável. Como há tempos não nos víamos, uniu o útil ao agradável e cá estávamos nós.

O tal bar era bem mais do que eu esperava, sinceramente. Amplo, com dois pisos, as paredes pintadas de marrom escuro - com pequenos detalhes em preto, os quais faziam-na parecer madeira -, adornadas por pinturas feitas pelo dono do estabelecimento e seu filho mais novo, de sete anos, segundo o garçom. Mesas retangulares, dispostas em zigue-zague com divisórias, poltronas estofadas em remessas de seis a cada mesa. Um longo tapete vermelho se estendia entre elas. Aos cantos haviam plantas que não conhecia por nome, mas que deixavam o lugar um tanto mais bonito. A iluminação era fraca o suficiente para que a visão daqueles que deixavam para trás todas as cores gritantes de outdoors e vitrines do lado de fora se tranquilizasse ali, naquele lugar neutro.

O ambiente era muito atraente e acolhedor.

Yo-ka havia escolhido a área para fumantes, no fim do corredor de mesas. E estava bem mais bonito do que conseguia me lembrar. Fios loiros e negros, alinhados impecavelmente como de costume, a pele clara completamente coberta pelo sobretudo cinza escuro, luvas e cachecol pretos. Voltei a visar seu rosto o mais discretamente possível. Lentes vermelha e branca nos olhos, fortemente delineados. Os lábios rosados brilhavam por estarem úmidos. Senti-me horrendo e ri por isso...

"Se não fosse você, reclamaria por estar quieto." Ele resmungou e sorriu de canto, sentando-se na poltrona da frente. "Não me diga que pensa em Akane nesse momento, pois não me responsabilizo por meus atos contra a burrice."

"Não se preocupe. Já passou e não pretendo lhe perturbar com isso..." Garanti, rindo meio sem graça. Estava diante do mesmo Yo-ka da época da faculdade. Sincero, curto e grosso. "Estava reparando que continua bonito. O tempo lhe fez bem."

"É, eu percebi que estava." Ele riu, revirando sua bolsa. "Você também não está de se jogar fora. Logo arranja outro lance."

"Não estou apto a competir contigo." Dei de ombros. "Aliás, fiquei sabendo que chegou a noivar."

"Longa história essa..." Suspirou frustrado. "Ela era pior que uma ressaca de segunda-feira..."

Ele largou a carteira de cigarros e o isqueiro sobre a mesa depois de retirar um dos cilindros de nicotina e acendê-lo. Começamos um diálogo onde cada um de nós falava um pouco sobre tudo. Desde o clima, até as histórias que sequer me lembrava de ter participado. Realmente, precisava disso. Pessoas como ele sempre seriam bem vindas em qualquer lugar. Dessas que nos fazem rir dos problemas e não se preocupam com coisas desnecessárias. Ao pensar que agora poderia sair mais com meus amigos me senti tão bem que esqueci por um instante o motivo que me impedia de fazer isso antes.

Entretanto, de repente, ele se levanta. Impaciente, morde o lábio inferior com força e respira fundo.

"Algo errado?" Perguntei, temendo que sua resposta envolvesse o desgosto por algo que tenha dito à ele, visto que não estava pensando bem no que saía de minha boca.

"Sim e muito. O imbecil do garçom que nos recebeu, na hora de falar bem da porcaria do bar estava aqui, fazer as honras de servir que é bom, nada." Ele explicou. Um pouco exaltado e foi inevitável rir. "Vai rindo. Eu vou armar barraco e cabeças rolarão."

Tendo dito aquilo, marchou para longe, atraíndo olhares por todo o caminho para para a recepção com seus passos pesados e as mãos em punho. Forcei-me a parar quando o perdi de vista.

O caso perdido, de fato, podia parecer engraçado àqueles que não conheciam o temperamento instável de Yo-ka, um autor de peripécias e psicoses inimagináveis, a meu ver. Ele poria o bar recém inaugurado a baixo se assim quisesse. Podia não parecer forte, mas sabia se virar muito bem. Melhor ainda se a sagrada bebida, sua terapia semanal, estivesse envolvida. Recordei de uma prosa nossa a qual ele contou que foi intimado a escolher entre sua namorada e a bebedeira de sábado e sua resposta foi uma pergunta, no mínimo, inusitada.

Se eu escolher você, pagaria as saideiras em outro dia da semana?

Eles terminaram naquela hora.

E outra história que presenciei foi quando um garçom o aconselhou a parar.

Fera indomável. Sóbrio não é flor que se cheire, sob efeitos do álcool então, muito menos.

O garçom e ele foram para o hospital, no fim das contas.

Só tinha certeza de que deveria ir até lá e impedi-lo de fazer bobagem dessa vez.

Levantei a tempo de vê-lo voltando com a mesma pressa de quando se foi. Os lábios agora tinham borrões de batom cor de rosa, ligeiramente inchados e avermelhados. O cabelo bagunçado e uma marca no pescoço.

"O garçom que nos recebeu já foi embora. Logo alguém vem te atender. Vou deixar minha bolsa contigo, cuide como se fosse sua vida. Se eu não voltar até as duas, não se preocupe nem me espere, beba por nós dois e não pense em Akane."

Disse de uma só vez, enquanto revirava a bolsa. Tirou dela a carteira. Da carteira três camisinhas e deixou-a sobre a mesa. Abaixou-se ao meu lado e olhou para o fim do corredor, onde uma morena estava. Um vestido na altura dos joelhos, florido. Estava conversando com um barman, apoiando-se no balcão.

"Estou com muita sorte hoje e não posso dispensar uma mulher com uma bunda daquele tamanho." Ele disse simplista e eu sorri. Continuava o mesmo. "Você entende, né?"

"Não tenho essa sorte." Dei de ombros outra vez. "Mas não dispensaria também. Retoca o batom e vai logo. Não é legal deixar uma dama esperar."

"Você é o melhor. Akane não sabe o que está perdendo."

Com alguns tapinhas em meu ombro, despediu-se e correu ao encontro da mulher, sussurrando em seu ouvido algo e então saíram.

Admito que senti inveja.

Saudades de quando ainda possuía o mínimo de auto estima para arriscar. Convidar uma pessoa desconhecida para sair sem temer o "não". Tornei-me um completo estranho em minha própria concepção assim que Akane me encontrou e com o tempo isso se agravou. Quando tive chance de ser feliz com pessoas que me queriam bem, ele se intrometia, me impedia até mesmo de pensar em tentar. Fui movido por todos esses anos pela vontade de lhe agradar. Dei o melhor que havia em mim, senti tanto, desejei nosso bem juntos... Tudo sozinho. Já havia tentado terminar antes. Duas vezes. Ambas com muitos motivos, argumentos tão plausíveis, mas ele me dobrou com o choro, me seduziu e induziu a ficar mais um pouco. Segundo ele, falhei ao me aproximar de alguém mais que belo, mais que inteligente e ainda compreensivo.

Ele também é belo e inteligente. Preocupava-se muito com isso. Sua vaidade era imensurável e seu ego foi ferido justamente por esses detalhes, enquanto o que de fato me fazia querer ter por perto essa pessoa, lhe faltava.

Compreensão.

Ele não teve medo de me perder de vez ao me deixar ir embora, pelo contrário, cantou vitória à todos, explanando o fato de ter me dispensado, ergueu-o como um troféu. Eu ainda o queria por perto, ainda sentia muito. Sozinho, outra vez.

É inevitável lembrar de bons momentos agora que estou só. Embora ele tenha me deixado, causado tanto mal, ele já esteve aqui. Nada vai mudar isso.

"Meu jovem... Está tudo bem?"

Uma voz falha acompanha o novo toque em meu ombro, arrancando-me os devaneios. Abro os olhos, que sem meu consentimento desfaziam-se em um pranto silencioso, doía-me o peito e a garganta. Encarei o senhor ao meu lado, com suas feições preocupadas, penosas, camisa branca, avental e calças de sarja preta. A resposta me era desconhecida. Sequei o rosto com a manga do moletom. Respirei fundo e me recompus.

"Uma dose de uísque pode me fazer ficar." Respondi assim que ele deu um passo atrás, vendo um sorriso abrir-se no rosto enrugado. Surpreendi-me ao perceber que sorri de volta e ele se foi, dando passagem a um cara que prendeu as vistas em mim.

Acomodou-se na mesa ao lado, sem desviar sua atenção.

E eu só poderia saber disso caso estivesse fazendo o mesmo.

Tomado pelo constrangimento, encolhi-me contra a parede, pus os fones nos ouvidos e tirei o celular do bolso. Não havia nada a ser feito nele se não enviar uma mensagem à Akane, ver suas fotos comigo, o stalkear. Devolvi o aparelho ao bolso. Fechar os olhos seria o mesmo que abrir as portas para a confusão de meus pensamentos. Olhei para a mesa ao lado novamente. Por poucos segundos.

O garçom estava de volta com uma bandeja e o olhos indo e vindo. Da mesa ao lado para a minha. O cara pareceu não perceber.

"Para de secar meus clientes, Tatsuya." O velho repreendeu o rapaz, que pareceu acordar de um transe. "Se não for beber, saía daqui."

"Se não me atender, não bebo. Aliás, ele não reclamou, então está tudo bem."

Timbre grave. Parecia brincar com as palavras apenas para aborrecer o velho. Funcionou, acredito. O copo foi posto em minha frente com pressa, ainda que cuidadosamente, ele sorriu novamente e lançou um olhar ameaçador ao homem antes de deixar-nos para trás. O outro o seguiu, resmungando.

Cena que se assemelhava à de duas crianças brigando por bobagens.

A música que tocava em meus fones era um pouco animada.

Respirei fundo mais uma vez ao concluir que era a solidão o que me impedia de aceitar todas as mudanças que aconteceram em minha vida. Sem querer parecer chato ou um bebê chorão, mas se eu continuar aqui parado, vou passar mal.

Uísque em minha frente, o problema lá fora.

Agarrei o copo e bebi apenas dois goles do conteúdo.

Senti o líquido descer como cacos de vidro, cortando a garganta, calor semelhante ao fogo, queimando as feridas. Não doía. A sensação era agradável. Como uma anestesia a cada músculo em meu corpo. Acendi um cigarro, traguei e ingeri mais um gole.

Fechei os olhos de novo.

Um piscar que demorou-se a terminar.

O homem estava ali. Sentado à minha frente. Ao lado do copo vazio do uísque que pedi, o mesmo que não percebi ter consumido, um semelhante cheio.

Em sua mão esquerda algum tipo de licor de cor rosada leitosa, duas metades de morango mergulhadas.

"Não precisa pagar as duas primeiras. O velho pediu desculpa pelo mal entendido do início da sua noite aqui." Explicou ele e me lançou um sorriso pequeno.

"Certo." Assenti e fitei os copos, convicto de que ele continuaria a me observar. Estava constrangido outra vez, mas por algum motivo me senti seguro. As boas e más lembranças não me alcançariam. Segurei a nova dose e derramei garganta a baixo em outros dois goles.

"Estava acompanhado, mas te vejo só e... Sei lá. Pode ter sido aquele rapaz que..." Disse ele e entornou um pouco daquilo a seguir. "Te fez chorar agora pouco..."

Ele viu Yo-ka? E me viu chorar? Desde quando esse cara está aqui?

"Não tem porquê se preocupar com isso. Já passou..." Disse a ele com calma, depois de uma tragada. Ele pareceu um pouco pensativo ao ouvir tal resposta. Bebeu um pouco mais e apoiou o cotovelo na mesa, balançando o copo em movimentos circulares.

"Disse algo parecido a ele, não?"

Mas o quê?

"Sim, eu tenho quase certeza que ouvi..." Ele riu. Não sei se em minha face havia tanta surpresa assim para que ele achasse graça. Não me recordo de tê-lo visto. Não, tenho certeza que não. O cabelo era azul, curto e um chapéu por cima. Os olhos castanhos, grandes e curiosos, delineados como os de Yo-ka, embora mais discretamente. A pele era meio bronzeada. Uma pintinha na maçã do rosto. Uma blusa preta de mangas compridas. Lembraria-me caso o tivesse visto. "Ah, dane-se. Qual é o seu nome?"

Ele sorriu, deixando à mostra os caninos sobrepostos e um visível constrangimento por não ter perguntado antes.

"Chamam-me de Shoya..."

"Tatsuya." Interrompeu-me, estendendo a mão para um cumprimento. Ele era engraçado. Lembrava meu irmão mais novo. Apertamos as mãos. "O velho mandou-me ir e te deixar em paz. No entanto quero lhe fazer companhia. Parece-me abatido demais para ficar sozinho... Incomodo?"

"De forma alguma. Fique à vontade."

A partir daí, ele me contou sobre o que fazia e como conheceu o dono daquele bar, o qual descobri ser aquele que me atendeu. Tatsuya era advogado. Não um qualquer. Pegava apenas os casos perdidos para resolver e dava-se muito bem com isso. Pude sentir o quanto gostava do que fazia. Quanto a sua história com Kenji, o dono do estabelecimento... O velhinho teve de competir na justiça pelo imóvel, que antes pertencia a um amigo. Os filhos do fulano não admitiam que um desconhecido tomasse posse de um bem como aquele e Tatsuya aceitou aquele caso, acompanhando de perto o processo para que se tornasse o que era hoje.

Pediu que lhe contasse também sobre mim. Resisti o quanto pude, mas ele realmente queria saber. Então disse algumas coisas...

"Então você é gay...?"

Ele ficou sério de repente... Isso me assustou um pouco, mas assenti.

"Algo contra?" Esforcei-me para não parecer rude, tendo o esperado sucesso.

"Não, de maneira alguma." Apressou-se a dizer e largou o copo vazio. "Na verdade... Eu te achei muito bonito, sabe?"

Diferentemente de quando Yo-ka me elogiou, a timidez me consumiu, aquecendo a face e causando o tremor das mãos e um nervosismo incomum.

"Pode não ter sido tão ruim vocês terminarem... Nos conhecemos por isso, né?"

Assenti e ele sorriu novamente.

"Ainda está aqui, praga?" Indagou Kenji, trazendo sobre a bandeja as mesmas doses que antes bebíamos. O licor cor de rosa e uísque.

"Não me trate assim na frente de seus clientes, velhote. O que poderão pensar?" Retrucou Tatsuya e se levantou, pegando o copo com a bebida rosada da bandeja. Sentou-se ao meu lado e passou o braço sobre meus ombros. "Estou aqui com ele, então sou um cliente também."

O contato entre nós me deixou um pouco sem graça, no entanto, Kenji, ao abandonar a nova dose para mim, pareceu desconcertado também. Talvez bem mais que eu.

"Não sei porquê perco meu tempo contigo, viu?... Quer mais alguma coisa, meu jovem?" Dirigiu a pergunta a mim e em resposta neguei, balançando a cabeça. "Chame se mudar de ideia."

Tatsuya ficou em silêncio. A mão que alcançava o lado oposto ao que ele estava movia-se contra meu ombro numa carícia quase tortuosa, já que há pouco falávamos sobre minha sexualidade. Estava próximo demais. Realmente à vontade.

Sua mão livre buscou o copo. Sorveu a metade.

De olhos fechados.

Enquanto não dissesse que não estava confortável, ficaria ali.

E era exatamente por estar gostando que me sentia daquele jeito.

"Seu amigo saiu com a filha do patrão Kenji." Comentou ele depois de suspirar. "Eu e ela estávamos namorando, brigávamos pouco, mas sempre resultava em um quase término. Me sufocava demais. Terminamos ontem e ela não teve dó ao se oferecer ao primeiro que encontrou mesmo que estivesse comigo por perto..."

Estávamos no mesmo barco...

"Você não está triste?"

"Sinceramente?" Assenti. "Tô nem aí. Gosto mais do velho do que dela e olha que nem é tanto assim." Ele riu e voltou a me encarar. "Gosto mais de você e acabei de te conhecer."

Não. Definitivamente não. Afastei-me um pouco. Ele riu mais alto, bagunçando meu cabelo.

"Pare com isso, Tatsuya. Está me deixando sem jeito."

"Desculpe-me, mas é a verdade."

Sorri de canto e bebi todo o uísque que havia no recipiente. Havia me esquecido dele. O gosto amargo. Cacos de vidro, fogo. Uma leve tontura. Peguei mais um cigarro de Yo-ka e ofereci a ele. Tudo para disfarçar o nervosismo. Não queria continuar naquele assunto. Lembrava-me muito minha situação.

"Essa coisa que você pediu é boa?" Perguntei, apontando para seu copo.

"Kenji chama de Pink Paradise... E, bom, acredito que só provando vai descobrir se gosta ou não."

Concordei e o vi beber um pouco mais.

"Quer experimentar?"

"Sim, por favor."

Ele estava na ponta da mesa. Supus que ofereceu-me para saber se ia ou não buscar mais, mas não houve jeito de fugir. Ele estava próximo demais novamente. Olhava-me nos olhos, com os seus quase fechados. O indicador e polegar da mão direita erguia meu rosto. Tive medo de estar alucinando. Tinha certeza de que estava vermelho. E vulnerável. Não conseguia mover-me ou afastá-lo. Poderia ser um teste. Uma brincadeira de muito mau gosto. Seus lábios foram umidecidos. Sua língua por pouco não tocou os meus, mas estremeci ao que ele arrastou a ponta dos dedos e em minha nuca. O hálito era fresco. Havia nele o cheiro do tal Pink Paradise. Ele tirou de meus dedos o cigarro e sorriu.

"Só provando vou descobrir se gosto ou não."

O sussurro veio embalado à minha audição. Inconscientemente fechei os olhos. O medo de me perder em pensamentos se dissipou assim como a distância entre nós.

Beijou-me.

Em primeiro momento, apenas um selar. Mordeu meu lábio inferior e em seguida nossas línguas se tocaram, tornando o ósculo um tanto mais intenso. Deslizavam uma contra a outra lenta e carinhosamente. O gosto era bom. Álcool, morango e seu beijo. O gosto amargo do uísque também estava ali. Sem cortar, nem queimar, mas o efeito era praticamente o mesmo. Melhor. Seria muito Clichê dizer que tudo nesse beijo me atraía?

Tatsuya pôs sua mão sobre a minha. O cigarro ainda estava ali. Induzia-me com a outra a não me afastar em hipótese alguma.

Toquei seu peito, surpreendendo-me com a velocidade de sua pulsação. Rápido demais. Conseguia ouvir seus batimentos. Ou seriam os meus? Comparando com os beijos que troquei com Akane, aqueles que transbordavam luxúria, era intenso na medida certa. Conhecíamos mais um ao outro dessa forma.

Carinhoso.

Assim descrevi-o em segredo.

Perdi a noção do tempo que passamos nos beijando, ali, na última mesa do corredor do bar. Um lugar que mesmo sendo discreto, ainda era público.

Suguei o lábio dele, levando o toque ao seu rosto e, a contragosto, separei-nos. Sem pressa.

Abri os olhos devagar, tentando associar o que havia acontecido à realidade.

Ele sorria.

"É, no mínimo, interessante." Disse ele.

"Digo o mesmo."

E se antes as esferas castanhas me perseguiam, agora não seria diferente.

Ele deu uma tragada no cigarro. Nossas mãos se uniram sobre sobre a mesa. Os dedo entrelaçados. Retribuía aos olhares dele, me sentindo um imbecil por ter duvidado.

"Tatsuya, me faça um fav-"

Kenji estava chegando. Me afastei rapidamente, mas era tarde. Interrompeu a fala. Tatsuya era o único que parecia tranquilo com a situação.

"Para de olhar desse jeito, Kenji. Já presenciou coisa pior e se não percebeu, está deixando o cliente sem graça."

"Tem razão, conversamos depois... E me desculpe por isso, meu jovem."

Ele fez uma reverência breve e saiu. Como Tatsuya mencionou, Kenji não demorava a atender seus clientes, pois quanto mais tempo levasse, mais se envolveria na prosa. Desejei que estivesse tudo bem como eles fizeram parecer.

"Não deveria ir e falar com ele agora? Deve ser importante..."

"Ainda não." Roubou-me um selar demorado e mais dois breves, afagando minha bochecha com o polegar. "Quero que prove a Pink Paradise do jeito certo." Rimos e ele colocou seu copo em minha frente. Prendeu o cigarro entre os lábios, tragando-o enquanto tirava do bolso da calça jeans o celular. Tomei daquela bebida. O gosto era mesmo bom, no entanto o preferia no beijo de Tatsuya. Uísque ainda era a minha favorita. Devolvi a louça à mesa e nesse mesmo instante, Tatsuya puxou-me pelo quadril. "Quero seu número."

Impressão ou ele estava mais empolgado que eu? Quer dizer... Eu deveria estar assim também, não? Acabei de ficar com um desconhcido que nunca beijou um cara e que teve namorada "roubada" pelo meu amigo.

O embaraço em meus pensamentos continuava, mas sem Akane.

Dei a ele meu número. Adicionei-o em meus contatos e em uma rede social. Tiramos fotos! Quando foi a última vez que fiz isso? Tatsuya ainda segurava minha mão. Enquanto escolhia comigo uma das fotos para divulgar, beijava-me a face e a curva do pescoço de vez em quando, segurando com firmeza meu quadril.

Estava bom demais para ser verdade. Mantive-me calado, tanto por medo de dizer alguma bobagem ininteligível, quanto por medo de estragar o momento.

Já não éramos tão estranhos um ao outro. Compreendi então o quão interessante era a capacidade de apreciar bem mais a companhia de alguém recém descoberto à uma que todos os dias tinha por perto.

"Shoya-kun...?"

Virei-me subitamente para encará-lo e vi em seu rosto a expressão preocupada. Sorri, meio sem jeito.

"O que foi?"

"Eu que te pergunto."

"Estava pensando..."

"Em...?"

"Não se preocupe, era bobagem."

Ele fez careta, manteve-se imóvel por pouco mais de um minuto e então se levantou.

"Vou ver o que o velho quer." Deixou um beijo em minha testa e bagunçou meu cabelo. "Me espere aqui."

Assenti e assim que não mais o via, debrucei-me na mesa e fechei os olhos. Minhas faces ferviam ao que minha mente trazia de volta a sensação do toque dele, o gosto de seus lábios e a ternura do olhar. Senti o sorriso abrir em meu rosto. Já não sabia se estava vulnerável pela recente perda ou por ele, mas apostava todas as fichas na segunda opção. Tudo o que precisava era não me entregar totalmente a ele e, sinceramente, falhei miseravelmente.

Encarei o visor de meu celular. Uma hora da manhã. Sequer lembro de quando cheguei aqui...

Seria um pecado pensar em ir embora. Além do pedido para que ficasse, Tatsuya poderia estar um pouco irritado por me flagrar pensativo. Então ali fiquei.


~ ☆ ~


Ao abrir os olhos, encontrei-me sobre uma confortável e espaçosa cama de casal. Ao lado esquerdo, uma estante com quatro prateleiras cheias de livros e porta retratos com fotos dele e uma menina. A porta do cômodo estava ali. Já na direita, uma fileira de caixas, dispostas de forma organizada contra a parede cinzenta. A janela, emoldurando o céu escuro. À frente, uma escrivaninha. Na cadeira que a acompanhava, Tatsuya concentrado na leitura de uma remessa de folhas encadernadas, a quais eram clareadas por uma luminária.

Seu cabelo pingava no moletom.

"Vai pegar um resfriado se não secar." Disse a ele, observando girar a cadeira. Tinha no rosto um óculos de armação quadrada, que lhe fazia parecer muito sério. Atraente.

"Você nos deu um susto..."

"Desculpe-me."

Levantou e veio ao meu encontro, sentando-se em uma ponta da cama. Tocou em minha testa em seguida o pescoço.

"Está se sentindo bem?" Indagou, repetindo o mesmo processo, por precaução.

"Sim, estou. Eu só dormi mesmo." Ri sem graça. "Agora seque esse cabelo ou vai se resfriar."

"Como quiser."

"Posso ir ao banheiro?"

"Claro. Dobrando à esquerda, primeira porta."

Assenti e saí da cama, seguindo as coordenadas. Encontrei no caminho mais caixas. O cômodo o qual desejava estava no fim do pequeno corredor, de frente para uma outra porta. Entrei e fechei a porta atrás de mim.

A primeira coisa que fiz foi ficar de frente para o espelho.

Meu rosto estava todo amassado. Lavei-o preguiçosamente. O cabelo apontava para diferentes direções. Ridiculamente bagunçado. Penteei com os dedos.

Queria tê-lo poupado da visão horrenda.

Mais ainda poder ir para casa e ficar apresentável outra vez.

"Shoya-kun..." Chamou ele, do lado de fora.

"Sim...?"

"Esqueci de dizer. Falei com o tal Yo-ka. Ele deixou uma mochila com algumas coisas suas que estavam no apartamento de Akane e pediu que lhe entregasse. Está na sala. Eles enviaram mensagens, acredito... Devo estar esquecendo algo... Enfim, eu vou sair e não demoro, tá?"

"Claro..."

"Fique à vontade."

"Certo."

Mantive-me imóvel. Ouvindo seus passos se afastarem e uma porta bater. Com a habilidade que não sabia possuir, corri para fora do banheiro, procurei a sala, a mochila e voltei com ela. Tendo ele dito que podia ficar à vontade, fiquei mesmo. Precisava de um banho. Nada mais. As roupas que estavam na mochila eram as que Akane gostava de usar. Havia também escovas -de dente e cabelo- e um boné.

Quando estava pronto para vesti-las, senti seu cheiro nelas. Algo em mim dizia que foi de propósito, pois estavam somente as que ele gostava e aquela mochila lhe pertencia. Seria mesmo capaz de improvisar um novo encontro, deixando algo que me fizesse recordar dele. Mas isso não me afetou como deveria ou como ele esperaria.

Quando pronto, retornei ao quarto, arrumei a cama e ali me sentei. Meu celular estava no criado mudo. Peguei-o e no visor tinha duas notificações de mensagens.

Não li as de Akane.

As de Yo-ka, entretanto, pareciam me chamar.


Saio por meia hora e você já arranja um par.
Tenho vídeo dele te carregando e colocando no carro, cara.
Parecia um noiva, credo.
Mais tarde o Akane vai te visitar, pra conversar.
Deixou algumas das suas coisas com seu novo amigo. Amigo, né? ~risos
Não afrouxa as rédeas, porque ele está muito irritado por te ver feliz.
Vamos nos encontrar logo. Juro que não vou te deixar sozinho.
Não dá bola pro Akane. Tudo fogo nas zonas baixas.
Beijos no coração.


Ri e guardei o celular depois de responder.

A ideia de receber Akane em minha casa depois de todos os acontecimentos me deixou nervoso. O que menos queria era enfrentá-lo outra vez.

Não estava disposto a pensar em o que mais ele poderia querer comigo. Menos ainda para sair dali.

Tive medo de que tudo desmoronasse caso tentasse.

Ali estava seguro.

No entanto, me sentiria muito mal depois caso não tivesse certeza de que poderia encará-lo de cabeça erguida.

Yo-ka o conhecia melhor que eu. Desde o princípio fora contra a relação e de tempos em tempos alertava-me sobre sua péssima índole por trás da máscara de bom moço. Embora fosse tarde demais, seguiria todos os seus conselhos. Afastaria-me de uma vez por todas.

"Devia mesmo era parar de pensar nisso." Retruquei, desferindo um tapa leve na testa. Fiz uma careta e escondi o rosto em minhas mãos. "Bacana... Além de falar sozinho estou me agredindo."

Pacote completo de loucura.

Encarei a porta e, por sorte, ele não estava ali.

Não sei dizer ao certo o que ainda faço na casa de Tatsuya. Deveria estar na minha há horas, pois lá poderia falar sozinho o quanto quisesse, sem temer um flagra.

Suspirei e estendi os braços antes de me erguer.

Ligaria para Tatsuya mais tarde. Pediria desculpas por tudo.

Juntei minhas coisas e logo quando agarrei a maçaneta, a porta foi aberta, batendo em meu rosto e me fazendo recuar cambaleante.

A testa, o lado direito da face... Doía muito. Um gemido de dor escapou de minha boca. Toquei nessas regiões e, por sorte, não havia sangue, pois se houvesse...

"Droga... Dói muito? Me desculpe, foi sem querer. Juro que foi... Me desculpa, por favor. Fala alguma coisa!!"

Nada faria. Não contra ele.

Tatsuya segurou minha mão e me levou até o sofá, induzindo-me a sentar ali. Pôs-se em minha frente e segurando meu pulso com muito cuidado, expôs meu rosto novamente.

"Gelo, gelo, gelo, gelo,..."

Ele saiu dali correndo e escorregou ao cruzar a porta da cozinha falando aquilo. A dor pareceu se alastrar quando ri. Ele voltou com dois pacotes de ervilhas congeladas, entregando uma a mim e colocando a outra sobre a própria testa, ocupando o lugar ao meu lado.

"Vou processar você. Espere só." Disse a ele, alguns minutos depois, e o empurrei, evitando movimentos bruscos demais. A derme já pedia descanso longe da baixa temperatura. Em certas partes do pacote o gelo havia derretido.

"Seria interessante ser minha própria defesa." Ele sorriu e colocou o seu pacote de ervilhas sobre a mesa de centro, fitando-me bem como na noite anterior. "Sem contar que esse seria um caso perdido muito fácil de se ganhar."

"Idiota."

"Ia fugir de mim, então a culpa é toda sua." Ele resmungou, fazendo bico. Novamente me fez lembrar meu irmão. Era quase impossível não associar seu comportamento ao de uma criança. Era, simplesmente, adorável. E, de repente, inexpressivo. Nas poucas goras que passamos juntos, até aquele momento, não havia visto ele assim e, francamente, preferia-o sorrindo. "Falou com Akane?"

"Não..."

Ele tirou o pacote de ervilhas de mim e segurou meu rosto entre as mãos, o aquecendo. Olhos nos olhos.

"Iria encontrá-lo?..."

"Não... Eu só queria ir pra casa. Estava pensando demais..."

"Nele." Concluiu por mim e tudo o que consegui fazer foi afastar suas mãos.

"Ele quer falar comigo. Acredito que sobre as minhas coisas que ficaram em sua casa."

"Então fique aqui."

Olhei-o, surpreso.

"Fique comigo." Sussurrou, impedindo-me de sair do lugar. Sem me tocar. Seus olhos pediam. "Ele não tem ninguém. Se for, tenho certeza, ele o fará voltar. Bem como ela fez comigo."

Os segundos de silêncio bastaram para que meu cérebro trouxesse de volta a conclusão que cheguei em relação à esse assunto.

Estávamos no mesmo barco.

Ele novamente entrelaçou nossos dedos. Seus olhos continuavam nos meus, que encontravam-se marejados.

"Se for com ele, demorará a voltar. Quando isso acontecer estará mais ferido..."

"Tatsuya eu-"

"Fique por mim, pois também tenho medo de que tudo volte ao normal. De, no fim das contas, não ter mais como fugir."

Me aproximei um pouco mais e escondi meu rosto em seu peito, ignorando a dor da face e a que se esvaia de meu peito naquele abraço. As batidas naquela região passavam um pouco de clama e acompanhavam o meu choro mudo.

Queria que existisse mais braços como os dele. Que mesmo possuindo feridas semelhantes abrem-se e acolhem.

Queria e podia ali ficar quanto tempo me coubesse.

Cri que, nessa ocasião, se tratasse de uma hora.

Para mais.

"Está acordado?" Perguntou. Se o afago em meu cabelo não cessasse, tenho certeza que não conseguiria responder e dormiria. Assenti, fazendo-o rir baixo. "Deite-se. Vou tentar fazer alguma coisa..." Neguei, balançando a cabeça. "Vamos lá, Shoya..."

"Só mais um pouquinho..." Pedi.

"Você está todo torto. Vai ficar dolorido."

"Não me importo."

"Mas eu sim. Anda, levanta."

"Não quero."

"Posso te levar, se quiser..."

Me afastei ao lembrar de um suposto vídeo onde parecia uma noiva. E, destrambelhado do jeito que era, a probabilidade de ele escorregar em uma casca de banana imaginária e me derrubar, sem querer, pela janela, não era pequena.

"Você nem me deu bom dia." Reclamou.

"Você me cumprimentou com isso." Apontei para a minha testa.

"E já pedi desculpas, poxa. Ninguém mandou tentar fugir de mim. O destino quer que fique e se comporte."

"Destino malandro esse, né?" Rebati, ajeitando as alças da mochila em meus ombros.

Ele se levantou e tirou-as dali com pressa, deixando a mochila no sofá.

"Só quero um beijo."

Pretendia fugir dele, mas seus braços envolveram minha cintura, prendendo-me contra seu corpo. Deixando meu rosto próximo ao dele. Em seus lábios bailava um sorriso travesso.

"Você não vale um tostão furado, Tatsuya. Sai já de perto de m-"

Beijou a curva de meu pescoço e, ali, deixou uma mordida.

Respirei fundo, preparando-me para tentar afastá-lo. Ele sugou a pele e aspirou, deslizando seus lábios úmidos ao encontro dos meus. Suas mãos alcançaram minha pele, por baixo do moletom, acariciando-a enquanto me conduzia até a divisória entre a sala e a cozinha. A sequência de beijos, somada às carícias, deixaram-me arrepiado. A tentativa ridícula de negar o contato rendeu em minhas mãos agarrando suas roupas e suspiros. Muitos.

Mas eu não podia.

Não agora. Nem com ele.

"Não podemos ir além." Minha voz falhou nesse pedido. "Somos amigos, eu acho, então não podemos."

Ele sorriu, pressionando-me ainda mais contra o concreto frio.

"A amizade também é um relacionamento, bem mais sério que o namoro. Não tem como uma coisa tão boa estragar." Ao concluir, mordeu meu lábio inferior, unindo nossos quadris. Nossas intimidades se tocavam. E só assim pude perceber o princípio de ereção. Meu e dele. Estava quente e rígido. "Seu corpo é sincero. Não prive-o de sentir."

"Não é o mesmo que beijar um cara..." Garanti.

"Mesmo? Agora estou bem mais curioso." Um murmúrio malicioso. Tatsuya estava mesmo a brincar com as palavras. Disposto a me contradizer. As mãos não paravam quietas, diferentemente das minhas que, indecisas entre negar ou permitir nossa proximidade, ainda seguravam-lhe a roupa. Meu íntimo formigava pelo contato. "Esse cheiro não é seu, né?" Indagou perto de minha audição. Estremeci. Neguei e ele sorriu, deixando um selar demorado e estalado em minha derme. "Que tal resolvermos isso em meu quarto?..."

Desgraçado.

Não havia outra saída.

Se houvesse, já não mais me interessava.

Ele estava atrás de mim, me levando para o quarto, erguendo o moletom como podia. Perdemos ele um pouco antes de cruzar o batente da porta. Perto da cama, parou. Respirou fundo, prendendo minhas costas em seu peito por alguns segundos.

"Essa aqui também." Disse ele, referindo-se ao cheiro de Akane em minha camiseta. Livrou-se dela habilmente, tornando a me abraçar. Gemi contido quando ele insinuou sua ereção em minhas nádegas e logo após tirar a calça de abrigo junto com a roupa íntima.

Mais marcas foram deixadas, por partes recém desvendadas de meu tronco, virei-me de frente para ele, envolvendo seu pescoço com meus braços. Beijei-o. Sem a calma do primeiro, ou o esperado cuidado que desde o princípio teve comigo. Queria-o.

Ele me fazia acreditar que sentia o mesmo a cada toque vulgar.

Despi-o e só sosseguei tendo-o totalmente nu diante de mim.

Acariciei-o. Senti-o tão próximo. Não mais havia constrangimento. Desejei dar a ele mais motivos para estar ali. Compartilhar com ele o prazer que sentia. Graças à ele.

Ajoelhei me, sem pressa, deixando rastros de saliva, mordidas em seu corpo. Escorri a língua de ponta a ponta, deixando o falo lambuzado. Massageei-lhe o membro antes de pôr-lo em minha boca. A sucção teve o princípio lento. O membro cálido e úmido em minha boca brincava com o dele. Estava, agora, muito disposto a calar sua curiosidade. Sanar a vontade que havia em nós. Seguir seu conselho.

Seus dedos seguravam meu cabelo, de sua boca saíam suspiros pesados.

Visto que nada podia dizer, segurei-lhe a mãos, impulsionando-as contra seu baixo ventre, pedindo que me conduzisse como bem desejasse.

Convite aceito.

Ia e voltava.

O volume, por vezes, fora fundo demais, fazendo-me engasgar, mas não permiti que isso me abalasse.

Em uma dessas, ele me fez parar. A rigidez. O calor. Estávamos prontos para começar.

Ergueu-me, unindo novamente nossos corpos.

Pele e pele.

Deitamo-nos. Ele por cima de mim, entre minhas pernas. Mais um beijo. Os estalos desse nosso beijo, afoito e coberto pelo desejo, pareciam ecoar no silêncio. Ofegávamos. Tomei em minha mão nossos membros, incitando uma masturbação.

Muito duro. Bem maior que o meu.

Ele gemia contido, apertando meu quadril, espalhando mais marcas. Prendia entre os dedos da mão livre os fios azuis, apertando-os. Um pouco de nossa essência e minha saliva espalhavam-se e facilitavam meus movimentos.

Gemíamos um pouco mais alto que antes. Ele me fez parar um tempo depois outra vez. Mesmo tendo entendido o pedido mudo, massageei-lhe a glande com o polegar, tomando-lhe os lábios outra vez.

Seria minha primeira vez daquele jeito. Estava mais nervoso que ele, tenho certeza. Finalizei o ósculo com breve selares. O rubor em mim face.

Depois brigaria comigo e, principalmente, com ele por atiçar minha curiosidade sobre como era estar por baixo. Não deveria ser de todo mal. Ele era cuidadoso, mas desejei que naquele momento não fosse. Desejar... Eu me arrependeria em depois, não agora.

"Venha..."

Não conseguiria pedir outra vez de forma mais direta. Também não foi preciso. Afastei um pouco mais minhas pernas, dando a ele mais espaço. Nossas respirações se misturavam. Meus olhos buscavam os dele. Mais um beijo. Fervoroso. Pareceu-me um pedido de desculpas antecipado de sua parte.

Segurou o próprio membro, posicionando-o em meu canal, sem interromper o contato entre nossas línguas, forçando-o a entrar. Meu interior relutava. Tentava, sem meu consentimento, expulsá-lo. Parecia bem mais grosso e duro que antes. Doía. Mordi-o, tentando descontar ali o incômodo no ato. Senti o pré gozo começar a escorrer lá dentro, facilitando um pouco mais a invasão que meu corpo desconhecia.

"Muito gostoso..." Murmurou ele, contra meus lábios, faltando pouco para estar completamente em mim. A voz rouca. Provocante demais.

"Cale-se..." Resmunguei, ouvindo-o rir.

"Quente..."

Começou a mover-se. O protesto que meu cérebro formulou, antes mesmo de ser mencionado, se calou, ao que seus dedos envolveram-se em meu íntimo. Desceram da ponta a base, massagearam meus testículos sem hesitar, antes de reiniciar a masturbação. O mesmo ritmo e firmeza de suas investidas.

Cada vez mais rápido. Forte. Fundo. Arrancando-me gemidos que inutilmente tentava conter. De puro prazer, ainda que houvesse resquício de dor.

Lágrimas acumulavam em meus olhos. Em nossos corpos o suor quente. No ar o cheiro, os sons, o calor que lá fora não existia. O calor que pertencia a nós dois e mais ninguém.

Percebi que minhas unhas lhe feriam as costas só então. Quando um ponto sensível em meu interior fora atingido, ali elas se cravaram. Minhas pernas enroscaram-se em seu quadril, puxando-o contra o meu e um ruído ridiculamente agudo fugiu de minha boca. Palavras sujas foram pronunciadas.

Mais uma vez ele acertou.

Outra e outra.

Perdi as contas de quantas vezes pedi por mais.

A dormência se espalhou por todo o meu corpo, exceto a região pélvica, que latejava. Pulsava em sua mão.

Ele disse que estava quase. Pediu que fossemos juntos. A voz veio enfraquecida. A respiração tão descompassada quanto a pulsação.

Parou de me masturbar, pressionando o polegar na glande.

As investidas, mais agressivas, acertaram minha próstata mais vezes e então alcançamos o ápice. Chamei seu nome e ele o meu, em meio a gemidos arrastados e altos, soltos no ar.

Seu sêmen me preencheu. Ao poucos as estocadas cessaram, prolongando o prazer.

Retirou-se e beijou-me.

Exausto, movi meus lábios nos seus preguiçosamente, tentando inutilmente regularizar minha respiração. Minhas pálpebras pesavam.

Ele se levantou.

Seu calor, a medida que se afastava, deu lugar a real temperatura daquela madruga de outono.

Fria.

Ele, entretanto, não demorou a voltar.

O peso de um cobertor macio foi posto sobre mim e em seguida ele se deitou, colocando seu peito contra minhas costas. Seus lábios tocaram minha nuca.

"Não o deixarei só."

Tive tempo de sobra para interpretar aquilo, mas o cansaço era três mil vezes maior que a preocupação.

Abri os olhos devagar, tentando prestar atenção no som da forte chuva que despencava dos céus lá fora. No novo dia cinza que ali começava. Tatsuya alisava minha coxa, por baixo do cobertor. Sua respiração quente e tranquila tocava meu ombro... E de repente um riso soprado.

"Bom dia, Shoya."

O sangue subiu ao rosto, mas virei-me, ainda de olhos fechados.

"Bom dia, Tatsuya."

Selou meus lábios, acariciando meu rosto.

"Dormiu bem?"

Maldita mão boba.

"Aham... e você?"

Sem resposta.

Tire essa mão daí...

Ela, de repente, parou.

"Acordou a muito tempo?" Perguntei um pouco mais tranquilo.

"Não dormi ainda." Respondeu de pronto, levando a mão boba à minha bunda e a apertando.

Instintivamente bati em seu ombro. Obviamente, a posição não facilitou muito. Eu senti bem mais que ele.

"Tira a mão daí agora, Tatsuya." Mandei e em reposta, ele apertou novamente, com mais força.

"Só se aceitar tomar banho comigo."

"Vai se foder, Tatsuya."

"Posso fazer isso durante o banho contigo."

O empurrei, cobrindo-me até a cabeça.

Ele não tirou a mão dali.

"Se tomarmos banho juntos vamos poupar tempo e salvaremos o planeta, veja só que maravilha."

"Estou com preguiça agora... E depois vou estar também."

"Eu te le-"

"Ok, vamos lá." Afastei o cobertor e me levantei.

Havia esquecido completamente que dormimos nus. Maldito frio de outono. Assisti Tatsuya a se levantar e pegar um amontoado de roupas dobradas dentro de seu guarda roupas.

Algo em mim dizia que ele se deu ao trabalho de escolher com antecedência, visto que não dormira.

O caminho para o banheiro já era conhecido por mim, entretanto decidi o esperar. Mesmo com todo aquele frio.

Ele foi na frente.

O segui, sentindo um incômodo. Desagradável. Meu caminhar era desengonçado em comparação ao dele.

Doía um pouco.

Suas costas estavam muito arranhadas e eu juro que teria me preocupado mais com isso se o culpado não fosse ele, por ter me induzido a fazer com ele.

Ainda não me arrependia...

Ao chegarmos no cômodo, parei em frente ao espelho.

O roxo em pontos desconexos manchavam-me a derme. Nada discretos.

Flagrei-me a tocar em alguns deles. Meus olhos foram descendo, descobrindo outros, enquanto a mente trazia de volta o momento exato em que os ganhei.

Até o instante em que Tatsuya acomodou-se atrás de mim.

Um arrepio se alastrou em meu corpo. Estávamos gelados. Seus mamilos enrrigecidos pelo frio arrastaram-se em minhas costas a cada vez que o peito inflava em meio a respiração.

Nosso reflexo era o alvo de minha atenção, ainda que não completamente.

Suas mãos encontraram as minhas, que ainda tateavam as marcas do tronco. Entrelaçou nossos dedos, envolvendo nossos braços em meu corpo.

"Você é muito gostoso, sabia...?"

Ri baixo.

"Impressão sua." Disse meio sem jeito, virando-me de frente a ele.

"Vejamos..." A destra desceu de meu abdômen para uma das nádegas. Antes que pudesse brigar com ele, roubou-me um beijo. Daqueles íntimos demais. Provocantes demais. Digno do título pronográfico. Com gana agarrou minhas nádegas de novo, fazendo-me lembrar o quanto aquela região estava sensível a toques. Resmunguei. Não contente, desferiu ali um tapa. Mordi-o no lábio inferior por impulso e ele apertou um pouco mais antes de se afastar. "Não. É certeza. Tanto que tenho uma proposta..."

"Que seria...?"

"Ser meu secretário gostoso. Tipo aquelas dos filmes americanos, sabe?"

Ah, sei. Aquelas que prestam favores sexuais aos patrões...

O rosto aqueceu e tentei sair do cômodo, mas ele segurou meu pulso.

"Vamos nos resfriar se ficarmos aqui." Ele disse, me arrastando para baixo do chuveiro.

Ligou e deixou em uma temperatura amena. Estava tão tranquilo. Despreocupado. A água escorria, amenizando o frio. Ensaboou a esponja e puxou-me para mais perto, passando-a em minhas costas. As laterais de meu corpo. Tórax. Abdômen.

"É um pouco estranho..."

"Ruim?..."

Quadris.

Sua boca e nariz desciam e subiam na curva de meu pescoço. Cheirando e beijando a pele.

Desejei por um momento que ele não expusesse sua opinião sobre isso. Tudo. Nós dois. Embora meu íntimo me julgasse um completo idiota por estar duvidando de Tatsuya outra vez, o lado racional contava que era exatamente quando não esperávamos que grandes decepções nos atacavam.

A mais recente, tanto minha quanto dele, aconteceu assim.

Não era um medo bobo ou sem fundamento. Havíamos conhecido um ao outro de um jeito espontâneo e nada garantia que desse mesmo modo tudo o que, literalmente, da noite para o dia havia sido conquistado, se perdesse.

"Eu gostei, bem mais do que esperava." Ele sussurrou, puxando-me para si. "Estava pensando em quando poderemos fazer de novo, sabe..."

Mordeu o lóbulo de minha orelha, sugando-o a seguir.

Estremeci.

Ah, será mesmo que me entreguei a um ninfomaníaco? Desgraçado.

"E é por isso que estou aqui contigo?"

"Não é o tipo de pergunta que se responde com palavras."

Um canalha.

Um canalha muito atraente e bacana, mas, ainda assim, um tremendo canalha.

"Talvez eu encontre resposta se me permitir vê-lo em outro ângulo... De costas, por exemplo."

Ele fez uma careta. Extremamente fofa.

"Bobalhão." Mostrou-me a língua, enquanto enxugava meus ombros e pescoço. Peguei o sabonete, começando a fazer o mesmo nos dele. "Eu vi como estava andando, ok? Poderíamos estar no segundo round se eu não me importasse."

Um canalha cara de pau, veja só.

Um canalha cara de pau que se importa, ao menos.

"Você e Yo-ka combinam bastante. Deveriam se conhecer, dariam-se super bem..." Comentei e ele riu.

"Muito bom você tocar nesse assunto. Hoje temos um encontro de casais."

Encarei-o, surpreso.

"Temos?..."

"Pois é. Yo-ka disse que temos."

"Ele vai estar com a sua ex?"

"Não, mas não teria problema se fosse o caso."

"Ué?..."

"Ele pediu que não dissesse nada mais que isso, se não me engano..."

"Mas você é um cara legal e vai me contar o que ele pretende, não?"

"Eu sou um cara legal que não lembra o nome do fulano que ele abordou e caçou, desculpa."

Ele sorriu sem graça e eu resmunguei algo que nem mesmo eu pude entender.

Tentei por mais um tempo arrancar alguma pista, mas ele pareceu mesmo não se lembrar.

E o assunto se perdeu.

No banho... Ele continuou com sua mão boba, mas ficamos nos beijando apenas. Doía, bem pouquinho, mas doía aquela região que ele insistia em apertar. Eu queria que ele me tocasse, mas estava com vergonha de pedir. E me surpreendi quando ele se voluntariou a fazer um oral em mim.

Tipo... Uau, um cara heterossexual chega pra você e diz uma coisa dessas como se fosse um "bom dia".

Estranho? Muito, mas sinceramente, eu não negaria nem se me pagassem.

Parecíamos dois adolescentes inexperientes em tudo, mas aptos a dominar o mundo com nossas descobertas. Quer dizer... Estávamos criando o nosso... Tudo outra vez. Eu não estava só...

~ ☆ ~

"Tatsuya, aqui não." Reclamei, tentando empurrar ele.

Estávamos em frente a um restaurante, dentro de seu carro. Ele tentava me beijar.

"Qual é, Shoya? O vidros são escuros, nem tem ninguém ali fora e além disso, vou me comportar quando entrarmos." Ele choramingou, puxando as roupas dele - as quais me convenceu a usar.

"Comporte-se a partir de agora então..."

"Shoya-kun..."

Não. Não sussurre meu nome...

"Quando nos veremos de novo?..."

"Não aja como se eu estivesse prestes a morrer, Tatsuya. Vamos nos ver em breve e quando chegar essa hora, podemos fazer qualquer coisa, contanto que longe dos outros."

Disse sem pensar. Parei para avaliar o peso da proposta segundos depois de feita.

"Que mal tem mostrar aos outros, hn?"

"Não acredito que está me perguntando isso..." Cobri os olhos com a mão, massageando as pálpebras. Até que ponto ele era inocente em relação a tudo isso, afinal? "As pessoas em grande maioria não são como você, que leva na boa um cara homossexual. Julgam, claro, mas fazem coisas bem piores que isso, entende?"

"Tá, mas somos homens, podemos nos defender. Eu posso te defender, se for esse o caso."

"Quieto, Tatsuya. Apenas fique quieto."

"Credo... Mas estava falando sério sobre a parte de poder fazer qualquer coisa no próximo encontro...?"

Um sorriso sugestivo se abre, cheio de malícia. Apoiou-se no recosto do banco do carona, onde me encontrava, e deixou seus lábios perto dos meus.

"Você não vale um tostão furado, Tatsuya."

Tirei o cinto de segurança e deixei um beijo rápido no canto de seus lábios antes de praticamente pular para o lado de fora do veículo.

Ele fez o mesmo. Fechou as portas do carro e acionou o alarme, seguindo-me quieto, como se não estivesse ali. No entanto, antes de entrarmos, apoiou um dos braços em meus ombros e beijou-me a face, causando o rubor dela. Ele riu, sem se conter.

Apenas quando entramos no estabelecimento ele sossegou. Sorria e olhava ao redor, procurando Yo-ka. Entretanto, não foi bem assim que o encontrou.

O loiro gritou um palavrão que se sobrepôs às conversas aleatórias das outras mesas, calando-as instantaneamente. Seguimos a mesma direção que os olhos curiosos e críticos dos outros ali presentes.

Na última mesa, como sempre, pois costumava fazer coisas impróprias em lugares assim.

Surpreendi-me ao encontrá-lo acompanhado de alguém que já conhecia.

Yo-ka estava no colo dele e seu membro era estimulado por baixo da mesa e das roupas. O rapaz sussurrava algo em seu ouvido.

Assim que perceberam nossa chegada, ajeitaram-se em suas cadeiras e acenaram, como se nada tivesse acontecido ali.

Esse rapaz tinha o cabelo tingido de verde claro. Vestia um sobretudo, calças justas e cachecol pretos. Inexpressivo. Estava muito diferente desde a última vez que o vi. Mas aquele rosto - olhos pequenos, nariz alinhado, lábios sempre em linha reta, a palidez... - era inconfundível.

Sempre que é apresentado a alguém diz apenas que o chamam de Kei. Tudo o que se sabe sobre ele é isso. Ele fala pouco. Isso quando fala. Conheci-o por meio de Akane. Eram amigos íntimos, pelo que entendia.

"Transaram muito?" Yo-ka perguntou e Kei cobriu os lábios rindo. Não era de se estranhar uma questão como aquela vinda de Yo-ka tão naturalmente. Claro que fiquei meio sem graça, mas tudo piorou quando Tatsuya segurou minha mão e me fez sentar ao seu lado. De frente para Kei e ele para Yo-ka. Não a largou...

"Não muito." Tatsuya respondeu e eu engasguei com a saliva, tentando tomar distância. Impedido pelo braço que envolveu minha cintura. "Mas ele disse que podemos fazer qual-"

"Eu não disse nada. Pelo amor de Kami, fecha essa boca, Tatsuya." O interrompi e os dois tagarelas riram alto.

"Mas e quanto a vocês dois? O que aconteceu depois que fomos embora?" Tatsuya perguntou curioso e eu, ainda mais, olhei para todos.

"Perdi muita coisa?"

Sim ou claro?

"Você perdeu tudo, cara." Yo-ka disse simplesmente. "Voltei ao bar do Kenji pra te levar pra casa, porque Akane ligou desesperado, querendo falar contigo. Sim, quase duas da manhã. Quando cheguei lá, flagrei o Tatsuya tentando te acordar. Tipo... O cara quase passou com um trem do teu lado e nada de você acordar. Mas tudo bem. Akane e Kei, casualmente foram para o mesmo bar e casualmente Akane trazia uma mochila com coisas suas."

"Casualmente bem de propósito." Kei se pronunciou e Tatsuya assentiu, concordando com eles.

"Pois é. E você lá, babando na mesa. Eu, Kenji e Tatsuya pensamos que estivesse morto até. O plano inicial era te deixar em casa com suas coisas sem maiores tretas, mas Tatsuya estava mesmo preocupado. Ele decidiu te levar para a casa dele e Akane não gostou disso. E como sou o Yo-ka, pra deixar ele mais puto com a vida, roubei a companhia do Kei usando a minha beleza. Ah, roubei também as chaves da sua casa, mas não se preocupe, tá tudo em ordem."

"Respondendo sua pergunta, Tatsu... Acabamos de parar." Kei concluiu e eu, sinceramente, não sabia onde me enfiar.

Yo-ka se levantou, atraíndo nossa atenção.

"Na verdade... Ainda não paramos. Levanta essa bunda branca daí e vem comigo." Yo-ka mandou, tirando as minhas chaves do bolso de seu casaco e deixou-as sobre a mesa, indo na direção dos banheiros do restaurante.

"Já já voltamos." Kei disse e seguiu o loiro, deixando-nos sozinhos.

Tatsuya exibia um sorriso de canto. Nem malicioso, nem travesso. Um sorriso sincero.

Entrelaçou nossos dedos.

"Eu disse que ele estava só..." Ele murmurou, acariciando o dorso de minha mão com o polegar. "Mas você não está... E digo com toda a certeza do mundo que mesmo se um dia não me aturar mais, vai encontrar uma pessoa melhor, que te mereça. Eu sei que vai."

Eu não tinha mesmo como agradecer. Em menos de um dia ele havia feito tanto, bem mais do que eu mesmo ou qualquer outra pessoa... Do pouco que Yo-ka havia acabado de contar, capturei o necessário para confirmar o que já sabia. Tatsuya era uma boa pessoa. Abracei-o, escondendo meu rosto na curva de seu pescoço, a fim de fazer com que o sorriso bobo que surgiu em meu rosto não lhe fosse mostrado.

"Enquanto esse dia não chegar... Fica comigo?"

Sua resposta veio devagar. Tão branda quanto a primeira brisa de primavera. Um beijo. Já estava mal acostumado. Acredito que o mesmo tanto que ele. Separamos nossos lábios.

Tive certeza de que ele, desde o princípio, fora sincero. Só agora faria o mesmo.

E faria por quanto tempo pudesse.

Torcia em silêncio para que esse tempo durasse bastante.

E, bem... Foi aí que tudo começou.

15. September 2018 19:31:00 0 Bericht Einbetten 0
Das Ende

Über den Autor

Nonaka Panku Oi, eu sou a Panku. Tenho 21 anos, sou universitária, escrevo uns clichêzão bárbaro de horrível, geralmente fanfics de visual kei. Não tenho talento, mas tento. Q

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